Sidebar

23
Ter, Abr

mulheres negras

  • A herança do Partido dos Panteras Negras 50 anos depois marca corações e mentes no mundo

    O punho cerrado era o gesto característico de protesto dos Panteras Negras

    Neste mês faz 50 anos que surgiu o Partido dos Panteras Negras para Autodefesa, nos Estados Unidos, para reunir e representar os negros e negras que desejavam o fim das diferenças. “Organizou-se fortemente e cresceu rápido por colocar a luta racial no contexto da luta de classes”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    De acordo com o historiador Augusto Buonicore, o grupo “desde o início, adotou o marxismo como referência teórica da sua ação e logo se transformou no inimigo público número um do FBI (a polícia federal norte-americana)”.

    Isso porque os Panteras Negras acreditavam no confronto com os racistas para construir uma sociedade socialista, portanto, sem classes e sem discriminações. “Eles foram a primeira tentativa mais avançada de organização dos afro-americanos para a construção de uma nação mais solidária e justa e bem no centro do império do capitalismo”, afirma Custódio.

    "Panteras Negras: todo poder ao povo" (1997), de Lee Lew-Lee 

    O partido nasceu no meio de um forte acirramento das lutas pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Nasceram como uma radicalização do movimento pacifista liderado pelo grande herói Martin Luther King (1929-1968), tão importante quanto os Panteras no combate ao racismo. 

    “O Black Panther Party (Partido dos Panteras Negras) se tornou referência obrigatória para todos os movimentos contra o racismo e pelos direitos civis da população negra ao redor do mundo pela postura contestadora, combativa e pela extrema preocupação com a formação teórica e política da militância e de constituição dos seus núcleos de atuação espalhados nos Estados Unidos, mas em permanente articulação com povos oprimidos do mundo”, afirma Ângela Guimarães, presidenta da União dos Negros pela Igualdade (Unegro).

    Para mostrar a diferença essencial entre o que os Panteras Negras defendiam e os seguidores de Luther king, Bobby Seale, presidente do partido, diz que “embora os Panteras Negras acreditem no nacionalismo negro e na cultura negra, eles não acreditam que levarão à liberdade negra ou à derrubada do sistema capitalista, e são, portanto, ineficientes”.

    Luther King seria assassinado cerca de 1 ano e meio após a criação do movimento dos Panteras, em 4 de abril de 1968. Inicialmente liderado por Malcolm X (assassinado em 21 de fevereiro de 1965), o grupo se notabilizou e ganhou inúmeros adeptos rapidamente.

    Tão famosos ficaram que os atletas velocistas dos 200 metros rasos, Tommie Smith (medalha de ouro) e John Carlos (medalha de bronze) na Olimpíada da Cidade do México em 1968, após receberem a medalha levantaram os punhos cerrados (como na foto abaixo), manifestação característica deles.

    panteras negras 1968

    Esse símbolo também foi adotado pelo jogador Sócrates (1954-2011) na comemoração de seus gols relembrando os Panteras e em protesto contra a ditadura brasileira, vigente na época em que ele atuou pelo Corinthians (veja foto abaixo). O centroavante do Atlético Mineiro, Reinaldo coemorava seus gols com o mesmo gesto e os mesmos motivos. Dizem alguns estudiosos que ele foi cortado da seleção brasileira por isso.

    socrates faz a tradicional comemoracao de gol depois de ajudar o corinthians a fazer 3 a 1 sobre o sao jose no parque antarctica pelo campeonato paulista de 1983 1315269166866 1920x1080

    “Neste momento onde há uma crise profunda do capitalismo no mundo acompanhada do recrudescimento do racismo e sexismo e os ideais dos Panteras materializado no seu programa torna-se ainda mais atual e necessário”, argumenta Guimarães.

    Mulheres negras e o feminismo

    Cientes da necessidade de propagar as suas propostas, criaram em 1967 a publicação semanal “The Black Panther”, que parou de circular em 1971, depois de 4 anos. “De um grupo exclusivamente masculino, ele logo passou a aceitar o ingresso de mulheres, que chegaram a representar mais da metade da militância”, diz Buonicore.

    “A militância feminina dos Panteras Negras marcou definitivamente o movimento feminista ajudando a colocar na pauta a questão das mulheres negras”, afirma Custódio. Uma das mais importantes militantes é Angela Davis, que tem seu livro “Mulher, raça e classe”, que ganhou recentemente tradução inédita em português.

    mulher raca classe angela davis

    Para ela essa é uma das heranças fundamentais para a luta das mulheres negras em todo mundo, deixada pelos Panteras. “O movimento feminista tinha dificuldade de entender as questões específicas das mulheres negras”, reforça.

    Outro fato importante, segundo a cetebista, é inserir a questão da igualdade racial no âmbito da luta de classes. “Interessante os Panteras defenderem a superação do capitalismo para atingirmos uma sociedade realmente igualitária, onde todos sejam respeitados”.

    Já Guimarães afirma que “a radicalidade em contestar a violência racial, mas sobretudo em situá-la como parte de uma violência sistêmica do capitalismo situou os Panteras como um dos movimentos-referência para as lutadoras e lutadores antirracismo de todo o mundo e para a Unegro os Panteras Negras são fontes permanentes de estudo, admiração e referência”.

    Custódio lembra ainda que coube aos Panteras Negras ressaltar as espeficidades da “beleza negra, ainda hoje renegada pelos eurocentristas, para quem só há beleza na tez branca, cabelos lisos e olhos claros”. Os Panteras Negras “fizeram muito bem, assumindo os cabelos black e os traços de sua negritude, mostrando toda a beleza do povo negro”, afirma Custódio.

    Os Panteras Negras existiram até 1989, após perda de militantes e penetração popular. Mas seus ideais permanecem nos corações e mentes de milhares de pessoas em todo o mundo. “A luta pela emancipação dos negros e negras se espalhou pelo mundo e isso ninguém tira de nós”, sintetiza.

    Para ela, “os Panteras deram uma contribuição fundamental para a compreensão de que a luta antirracista é uma das facetas da luta de classes, porque o racismo foi forjado para oprimir uma parcela substancial da humanidade”.

    Por isso, diz ela, “é importante a valorização dos 50 anos dos Panteras Negras e tudo o que eles somaram para a compreensão da necessidade de avançarmos para a superação do capitalismo e a construção de um mundo onde prevaleça a igualdade, a liberdade e o respeito”.

    Afinal, “lutar contra o racismo é lutar pela emancipação da humanidade”, conclui Custódio. “O legado que os Panteras deixaram é tão essencial para a superação da conjuntura atual que pode ser comprovado com a apresentação da Beyoncé (cantora negra norte-americana) no Super Bowl (final do campeonato de futebol americano nos Estados Unidos), onde fez referência direta aos Panteras Negras e causou frisson”.

    Assista a apresentação de Beyoncé para milhões de telespectadores (confira a tradução da letra aqui).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Alerj lança fórum permanente de diálogo com mulheres negras

    A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), através do Projeto de Resolução 369/2016, aprovou a criação do Fórum Permanente de Diálogo com as Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro na Casa Legislativa. O objetivo é estabelecer um canal permanente de diálogo entre a Alerj e os movimentos sociais organizados que representam as demandas, reivindicações e pautas desta parcela da sociedade. O Fórum foi instalado no Plenário da Assembleia nesta quinta-feira (10), com participação de lideranças do movimento negro.

    O projeto de resolução tem autoria dos deputados Marta Rocha, do PDT, Tia Ju, do PRB e Waldeck Carneiro, do PT, que compõem a Coordenação Colegiada do Fórum junto com outros parlamentares e cinco representantes da sociedade civil indicadas pelo Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio.

    “A luta das mulheres negras surtiu grande efeito contra a invisibilidade que permeia esse enfrentamento. A ALERJ criou um Fórum Permanente de Diálogo com as Mulheres Negras e tivemos uma atividade simbólica e histórica nessa quinta-feira, dia 03 de Agosto. A CTB esteve presente, fortalecendo esse campo progressista e de luta com as irmãs e irmãos que pensam um Brasil melhor para nós e para nossos descendentes.” – afirmou o dirigente da CTB, Luiz Serafim.

    Além de Serafim, estiveram presentes na atividade diversos dirigentes da base da CTB, da UBM e e da UNEGRO como a companheira Claudia Vitalino, a companheira Célia, a companheira Vânia Bretas e a companheira Irene Cassiano.

    Da CTB-RJ

  • As mulheres negras saem às ruas no 8 de março por igualdade e por justiça

    O Mapa da Violência 2015 constatou que entre os anos de 2003 e 2013, o assassinato de mulheres negras aumentou 54,2% no Brasil. “O fato mostra a necessidade de se fazer o recorte racial até nas comemorações do 8 de março (Dia Internacional da Mulher)”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Segundo a sindicalista, os índices alarmantes de violência contra as mulheres negras mostram que estão ocorrendo mais denúncias. “A nossa dor antes era invisível, começou a ganhar visibilidade na última década”.

    Além do crescimento de 54% de assassinatos em 10 anos, o Ministério da Saúde verificou que mais de 59% dos registros de violência doméstica no Ligue 180 foram feitos por mulheres negras em 2015. 

    Elas são as maiores vítimas também da mortalidade materna (53,6%) e de violência obstétrica (66%), segundo levantamento da Fiocruz em 2014. Já o Dossiê Mulher 2015 mostra que mais de 56% das vítimas de estupro no Rio de Janeiro são negras.

    De acordo com Custódio, isso ocorre porque uma larga porcentagem das mulheres negras vivem em condições de vulnerabilidade. "Sem a presença do Estado e de políticas públicas”. Ela explica ainda que embora tenham ocorrido melhorias, a situação ainda é difícil.

    Assista vídeo do Instituto Patrícia Galvão 

    Segundo Cardoso, com as políticas públicas criadas nos governos Lula e Dilma, as mulheres negras buscaram mais estudo para aprimorar-se e ter melhores oportunidades de vida.

    “As estatísticas comprovam que as mulheres passaram a estudar e se dedicar mais no aprimoramento profissional. As negras sabiam que tinham de ir ainda mais fundo para ter alguma possibilidade de condições iguais no mercado”, conta.

    Mas os salários não subiram. As mulheres negras ainda enfrentam mais dificuldades para se recolocarem no mercado de trabalho e sofrem mais discriminação.

    “O movimento sindical precisa acordar para essa disparidade e encampar para valer as lutas por igualdade de gênero e raça”. Elas ganham 40% a menos do que o homem branco, seus filhos morrem muito jovens e de forma violenta e sofrem por não poderem fazer nada.

    "E por tudo isso, estaremos nas ruas lutando pela igualdade de gênero e racial. Queremos pôr fim ao esmagamento diário do qual somos vítimas”, afirma a sindicalista. A campanha das mulheres corre o mundo e elas prometem parar no dia 8 contra a violência e as reformas da previdência e trabalhista.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: www.silviacerqueira.com.br

     

  • Comerciários do Rio debatem subvalorização da mulher negra

    "A Subvalorização da Mulher Negra" foi o tema do debate que encerrou a Semana de Charme e Consciência do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, que ocorreu na semana passada. O debate contou com a participação da advogada Alessandra Benedito, da psicóloga Ana Rocha e da secretária nacional de Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio, que discutiram aspectos da discriminação racial e sexual da mulher negra no mundo do trabalho.

    As palestrantes destacaram a importância de se construir a consciência dentro dos movimentos sociais, principalmente no sindical, sobre a condição de invisibilidade da situação da mulher negra dentro do mercado de trabalho. Alessandra destacou que a invisibilidade se estabelece historicamente. Segundo ela, isso pode ser observado pelos dados do trabalho da mulher, que só foram analisados após a inserção da mulher branca no mercado de trabalho. A mulher negra, no entanto, já trabalhava desde poucos anos depois do descobrimento do Brasil.

    “As estatísticas de abusos e outros crimes praticados contra a mulher negra ainda são insuficientes e raros, num país em que a grande maioria das mulheres são negras,” completou a palestrante.

    Ana Rocha apresentou os dados sobre a importância de políticas públicas para combater a discriminação racial e sexual da mulher negra. Segundo a psicóloga, ao longo da história a mulher negra, por meio do seu trabalho e sua ancestralidade, foi um elemento fundamental para a construção da cultura que temos hoje em nosso país. A palestrante apresentou dados importantes que demonstraram situação da mulher negra em nosso país e provocou: “É preciso não permitir a feminilização da pobreza. Com o fim das políticas públicas de amparo às mulheres, através de projetos como a PEC 241, serão as mulheres negras as mais atingidas”.

    Mônica Custódio destacou necessidade de combater a discriminação da mulher negra. Segundo a dirigente, os movimentos sociais passaram anos vivendo uma contradição entre a luta dos trabalhadores e a luta específica das mulheres negras, que hoje se tem claro o entendimento de que não se trata apenas de minorias, mas da sociedade como um todo, da luta contra o preconceito de todas as formas. Tudo isso faz parte de uma grande luta que é a luta dos trabalhadores, a luta de classes.

    “Nossa luta é pelo povo, quando falamos de negros, mulheres, LGBTs, não estamos falando para um segmento ou minoria, estamos falando para toda a sociedade,” completou a dirigente.

    O debate aconteceu no auditório do Sindicato dos Comerciários do Rio. Contou com a presença do presidente do Sindicato, Márcio Ayer, de representantes da direção nacional da CTB, lideranças sindicais e comerciários e foi mediado pela diretora do Sindicato Rosângela Rocha.

    Da CTB-RJ

  • Mulheres são maioria do eleitorado, mas há poucas candidaturas femininas

    De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam 52% (mesma proporção da população geral) das 144.088.912 pessoas aptas a votar neste ano. E mesmo com a lei estabelecendo a cota mínima de 30%, as mulheres encontram dificuldades para serem firmadas como candidatas. Pelos dados do TSE, as negras enfrentam situação ainda pior.

    São 493.534 pessoas concorrendo a uma vaga em câmaras municipais e prefeituras nos 5.568 municípios, sendo 156.317 mulheres (31,6%). Porém, existem apenas 12,6% de candidatas a prefeitas e 17,4% para vice-prefeitas, enquanto para vereadoras são 32,9%. No Congresso atual as mulheres não passam de 10% e no ministério golpista não tem nenhuma.

    “Não chega nem perto da maioria, que representamos na população e no eleitorado”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A situação das mulheres negras é ainda pior. Negras e pardas são apenas 79.265 candidatas à vereadora e 652 para prefeita, ou 0,13%. De acordo com Carmela Zigoni, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, candidatas que se autodeclaram “negras” são ainda menos: 0,01% para às prefeituras e 2,64% querem ser vereadoras.

    mulheres negras eleicao

    Para a secretária da Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio, o baixo número de candidatas negras é um “reflexo do racismo, do machismo e do sexismo que imperam em nossa sociedade”.

    Na conjuntura do Brasil pós-golpe, “a situação tende a ficar ainda pior, pois os homens brancos que assaltaram o poder estão acabando com todos os programas para a população negra conseguir mais oportunidades e assim saírem da invisibilidade”.

    Custódio lembra que no Rio de Janeiro a candidatura de Jandira Feghali (PCdoB) à prefeitura está mobilizando as mulheres em defesa da paridade, “essencialmente as mulheres negras que sofrem dupla discriminação”. Além disso, Feghali, diz ela, “é uma mulher de fibra”. sem contar que Feghali foi a relatora da Lei Maria da Penha, aprovada em 2006.

    Já a secretária da Mulher da CTB-RJ, Kátia Branco, afirma que Feghali “vai ao segundo turno e vamos vencer essa eleição para que as mulheres botem a cidade maravilhosa no rumo do combate às desigualdades. A classe trabalhadora está com Jandira (Feghali)”. ela afirma que "as políticas de mobilidade urbana e de igualdade terão vez com ela na prefeitura".

    Cresce também a candidatura de Alice Portugal (PCdoB) para a administração municipal de Salvador. Ela diz que “tem muita gente cantando vitória antes da hora” e lembra que o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, estava atrás nas pesquisas, mas venceu a eleição por duas vezes.

    Em São Paulo, o candidato à reeleição Fernando Haddad (PT) é o único prefeito brasileiro a assinar o projeto da Organização da Nações Unidas (ONU) Mulheres “Cidade 50-50” (saiba mais aqui), comprometendo-se com a paridade entre mulheres e homens nos cargos públicos.

    Indígenas

    No que se refere aos povos indígenas, são 1.702 candidatos em todo o Brasil (0,3% do total), dentre os quais 29 para o cargo de prefeito e 1.613 para os cargos de vereador.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB com informações do Inesc

  • Organização social cria projeto para incluir mulheres negras e indígenas nas novas tecnologias

    “Com o objetivo de mapear e coletar essas histórias, lançamos esta semana a PretaLab, iniciativa com objetivo de aumentar o número de meninas e mulheres que atuam nas diversas áreas da tecnologia e inovação no país”, diz texto da organização social Olabi, sobre o projeto, lançado na quinta-feira (16), no Rio de Janeiro.

    Para a secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, é muito “importante incluir as negras e indígenas nas novas tecnologias para propiciar igualdade de oportunidades. É uma iniciativa importante já que a maioria de nós vai para a área de humanas. E é onde as oportunidades são mais acessíveis”.

    “Já que”, diz ela, “o governo de Michel Temer está abandonando todas as políticas afirmativas para a inclusão dessa parcela marginalizada na sociedade”. De acordo com Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres negras representam 25,5% da população do país.

    Já a Medium Corporation afirma que não há nenhuma negra entre as 19.000 mulheres citadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Já entre os bolsistas para ciências exatas, apenas 5,5% são negras. Além disso, diz ainda,  10 negras se formaram na Politécnica da Universidade de São Paulo em 120 anos.

    "O CNPq é um espaço de fundamental importância na relação do saber e do conhecimento. É uma ferramenta de construção de novos nomes na ciência dentro e fora de no país".

    pretalab

    “Pena que o racismo institucional impede a população negra de ter as mesmas oportunidades dos brancos. Em relação às mulheres a situação piora ainda mais porque vivemos numa sociedade patriarcal e sexista”, afirma Custódio.

    "Nossa juventude negra tem há um tempo disputado esse espaço selecionado e quase fechado. Em especial as jovens mulheres desbravadoras negras".

    De acordo com a reportagem “estima-se que nos Estados Unidos apenas 2% da força de trabalho em todo universo da ciência e engenharia seja de mulheres negras. No Brasil, esse dado sequer existe”.

    Para Custódio, “a sociedade e torna as mulheres negras invisíveis e todos os projetos que visem estimular e desenvolver a nossa autoestima torna-se essencial para a melhoria de vida da população mais carente da população”.

    A entidade se propõe a criar possibilidades para as pessoas desenvolverem saberes, “propondo uma reflexão crítica e propositiva sobre as mulheres negras e indígenas e as tecnologias no mundo contemporâneo”.

    “O mundo digital é uma realidade e quanto mais incluirmos as pessoas que têm menos possibilidade de acesso a essas novas tecnologias, criamos condições de atingir cada vez com menos injustiças uma civilização mais humana e avançada”, diz a sindicalista carioca.

    Ela ressalta ainda a discriminação que as negras sofrem no mercado de trabalho. “Ganhamos cerca de 40% dos salários dos homens brancos e nos destinam os piores trabalhos”.

    Por isso, para Custódio projetos desse porte são importantes para a emancipação dessas mulheres, “esquecidas pelo Estado”.

    O projeto se destina às meninas e mulheres negras e indígenas “que tenham qualquer tipo de atuação relacionada ao campo da inovação e da tecnologia”. Para participar acesse e preencha o formulário aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Para celebrar o 8 de março, o Portal CTB seleciona 8 canções da MPB para você

    A mulher sempre esteve presente em todos os gêneros que fazem parte do cancioneiro popular do país. Algumas autoras e alguns autores conseguiram captar o universo da alma feminina de maneira singular e com rara beleza encantam os ouvidos mais exigentes. Neste 8 de março - Dia Internacional da Mulher - vá para as ruas defender a igualde de direitos e impedir os retrocessos, mas cante conosco a força da mulher brasileira.

    As oito canções selecionadas versam sobre separação, amor, sexo, violência, mulheres negras, que sofrem dupla discriminação. Mostram com certa acidez, mas com muita candura, que toda mulher quer amar, ser livre e viver sem medo.

    Inclusive a lista contém o hino das feministas brasileiras "Maria, Maria".

    Aprecie sem nenhuma moderação, mergulhe fundo:

    100% Feminista (MC Carol e Carol Conka) 

    Olhos nos Olhos (Chico Buarque) 

    Malandragem (Cazuza e Frejat) 

    Coisas do Mundo Minha Nega (Paulinho da Viola) 

    Acreditar (Dona Ivone Lara) 

    Mulheres Negras (Yzalú) 

    Beija Eu (Marisa Monte e Arnaldo Antunes) 

    Maria, Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy