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Qui, Jun

Mulheres Unidas Contra Bolsonaro

  • Cresce a rejeição ao candidato da extrema-direita à Presidência da República, Jair Bolsonaro. A Gaviões da Fiel, do Corinthians e a Torcida Jovem do Santos divulgaram nota oficial contra a sua candidatura nesta quinta-feira (20). 

    As duas torcidas organizadas dos clubes paulistas prometem aderir às manifestações do sábado (29) contra o candidato, que acontece em todo o país. “Esses torcedores mostram que no futebol não tem apenas alienação", afirma Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais, do Esporte e Lazer da CTB.

    "Há também uma vontade de ver o país voltar ao rumo do crescimento com criação de emprego e valorização do trabalho e respeito aos direitos humanos”, emenda.

    “É importante deixar claro a incoerência que há em um Gavião apoiar um candidato que, não apenas é favorável à ditadura militar pelo qual nascemos nos opondo, mas ainda elogia e homenageia publicamente torturadores que facilmente poderiam ter sido os algozes de nossos fundadores”, diz trecho da nota. A Gaviões promete lotar o Largo da Batata no sábado (29), em São Paulo (veja).

    Leia a íntegra nota divulgada pela Gaviões da Fiel aqui.

    Já a Torcida Jovem do Santos afirma que o “nosso repúdio a essa pauta extremista não apaga o olhar crítico que temos em relação ao cenário político em geral, tomando como referência a nossa postura histórica de combate aos retrocessos sociais. A opressão jamais irá vencer a nossa luta por liberdade dentro e fora dos estádios”. A torcida santista também garante presença no protesto contra o candidato do PSL.

    santos contra bolsonaro

    Leia a íntegra da nota da Torcida Jovem do Santos aqui.

    O candidato mais rejeitado em todas as pesquisas tem poucos votos no eleitorado feminino (52,5% do total de eleitores), por causa de seguidas declarações misóginas, racistas e LGBTfóbicas.

    Inclusive a página de Facebook Mulheres Unidas Contra Bolsonaro já ultrapassa a marca de 2,7 milhões de integrantes, mesmo tendo sido invadida por hackers defensores do candidato extremista.

    Para Vânia, “é muito interessante perceber que o apoio de alguns jogadores não se reflete nas torcedoras e torcedores, que pensam por si próprios e declaram-se contra candidato defensor da tortura, da violência e do ódio”.

    A campanha #EleNão ganha as redes sociais e as ruas com intensidade. Vânia argumenta que “são as mulheres, a população negra, os LGBTs, os indígenas, a juventude e a classe trabalhadora se posicionando contra um candidato que representa ainda mais retrocessos para a vida de todas e todos”.

    "As centrais sindicais e os movimentos sociais se contrapõem ao projeto representado por Bolsonaro porque traz mais recessão, mais desemprego, menos educação, menos esporte, menos cultura, menos saúde e menos direitos", define a sindicalista baiana.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Reprodução/YouTube

  • Não dá mais par segurar. As mulheres tomaram conta da política nesta eleição. O movimento feminista assumiu a oposição ao candidato Jair Bolsonaro e suas propostas fascistas.

    “A campanha do #EleNão ganhou uma dimensão gigantesca porque as mulheres entenderam que a hora é agora para barrar o avanço das propostas contra os interesses do país e do povo brasileiro”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Letícia Sabatella, Daniela Mercury, Anitta, Linniker, Chay Suede, Pabllo Vittar, Carolina Abras, Maria Ribeiro, Bete Carvalho, Teresa Cristina, Bruna Linzmeyer, MC Carol, Camila Pitanga, Caetano Veloso, Chico Buarque e muitos outros artistas dizem #EleNão.

    A cantora paraense Júlia Passos deu a sua contribuição gravando um dos hinos do movimento; confira o talento

    O movimento começou pelas redes sociais na internet, principalmente com a página Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que na sexta-feira (14) foi invadida por hackers bolsonaristas e chegou a ser removida pelo Facebook. Já no domingo (16) estava de volta. Ganhou impulso maior ainda e já conta com mais de 3 milhões de integrantes.

    Várias artistas dão o seu recado; assista 

    Artistas que já se posicionavam contra as propostas fascistas do candidato da extrema-direita, já vinham se mobilizando em defesa da democracia, se unem às mulheres pela democracia e pelos direitos humanos. Vídeos começaram a circular e a cantora baiana Daniela Mercury gravou falando contra Bolsonaro e desafiou a carioca Anitta a se posicionar.

    As artistas garantem presença nos atos contra Bolsonaro em todo Brasil; no sábado 

    Nasceu a campanha #DesafioUnidasNasRuas e as artistas começaram a desafiar as suas colegas a se engajarem no movimento. A defesa da liberdade e dos direitos da classe trabalhadora ultrapassou fronteiras e se espalhou pelo mundo. A manifestação do sábado já está garantida em ao menos 50 países e conta com apoio de inúmeros artistas internacionais.

    O jovem ator Chay Suede também se posiciona e mostra que os homens que respeitam as mulheres também são contra Bolsonaro; confira 

    “Elas estão no front, mas muitos homens caminham junto”, assinala Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB. “O mais interessante desse movimento é que ele uniu pessoas de pensamentos muito diferentes com o objetivo comum de barrar os retrocessos e pôr novamente o Brasil no caminho do desenvolvimento com justiça social”.

    Centrais sindicais, artistas, empresários, intelectuais, torcedoras e torcedores de futebol, religiosos, as pessoas do campo popular e democrático sentem a necessidade de se posicionarem contra a candidatura do retrocesso.

    Pabllo Vittar gritou Ele Não no Prêmio Multishow; veja 

    Várias artistas foram agredidas pelas redes sociais ao gravarem vídeos ou postarem textos favoráveis à campanha #EleNão. Caetano Veloso prestou solidariedade à atriz Marília Mendonça, que excluiu seu vídeo, após ela e sua família receberem ameaças.

    Assista o depoimento de Caetano Veloso 

    “Esse movimento é irreversível e promete unir a nação brasileira para termos uma eleição limpa”, sintetiza Celina. “A volta da democracia depende do nosso engajamento com candidaturas que defendam a liberdade e a justiça. Todas e todos às ruas no sábado (29)".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • A manifestação deste sábado (29) levou mais de 300 mil pessoas, de acordo com a organização, no palco histórico de lutas de resistência da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, para gritar #EleNão “contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia e contra todo o retrocesso que o candidato Jair Bolsonaro representa não apenas para as mulheres e as chamadas minorias, mas para toda a classe trabalhadora e o país”, diz Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    A sindicalista fala emocionada sobre a numerosa presença no ato unificado das forças democráticas do país. ”Foi emocionante ver tantas mulheres, crianças, homens e LGBTs numa só voz em defesa da democracia de da vida das mulheres, dos jovens, dos negros e dos LGBTs”, acentua.

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    CTB-RJ contra Bolsonaro e o retrocesso que ele representa

    A manifestação na Cidade Maravilhosa contou com a presença de inúmeros artistas que abraçaram a causa do #EleNão para “o Brasil recuperar o Estado Democrático de Direito, com valorização do trabalho e respeito aos direitos humanos e individuais”, ressalta Paulo Sérgio Farias, o Paulinho, presidente da CTB-TJ.

    “A unidade do movimento das Mulheres Unidas Contra Bolsonaro trouxe de volta o brilho nos olhos de quem defende a liberdade e a justiça”, reforça Paulinho. Como em todo o país, no Rio, a manifestação contou com a participação de militantes de vários partidos e movimentos sociais.

    Kátia lembra que o projeto da candidatura de extrema-direita "quer liquidar de vez com os direitos da classe trabalhadora, extinguindo o 13º salário, o abono de férias, o vale-transporte e o vale-alimentação, além de apoiar a reforma trabalhista e o projeto que acaba com a nossa aposentadoria”.

    Para ela, “as mulheres estão escrevendo um novo capítulo da história do Brasil. Estamos nas ruas faz tempo e delas não sairemos até sepultarmos de vez a opressão contra a luta pelos direitos de vida digna para todas e todos os brasileiros. A multidão caminhou atá a Praça XV e encerrou o ato com a certeza da vitória".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Mídia Ninja (destaque)

  • As mulheres prometem lotar as ruas de todo o país contra o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, neste sábado (29). O movimento #EleNão tomou conta das redes sociais e dos debates das eleições 2018.

    “A união das mulheres representa a principal novidade nesta eleição”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “Mostramos que é possível lutar juntas, mesmo pensando diferente”, acentua.

    A hashtag #EleNão usada pelo movimento dispara nas redes sociais e inúmeras personalidades brasileiras e estrangeiras aderem ao movimento para barrar o avanço do fascismo no Brasil. “O candidato Bolsonaro representa o que há de pior na cultura do ódio e do atraso”, afirma Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ.

    As organizadoras dão algumas dicas importantes para a segurança de todas as manifestantes, veja abaixo:

    dicas para manifestacao dia 29

    O movimento se fortaleceu ainda mais após a invasão de hackers à página de Facebook das Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, na sexta-feira (14). “Juntas mostramos nossas diferenças e o respeito à diferença. Temos lados, apoiamos programas políticos diversos e sabemos discutir com respeito. Juntas mostraremos o que é fazer política de forma democrática”, dizem as organizadoras dos protestos que ganharam corações e mentes no Brasil e em pelo menos 22 países.

    Por isso, diz Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP, “sabendo que somos maioria na população e no eleitorado, resolvemos nos unir para barrar a misoginia e a cultura do estupro”.

    Enquanto Érika Piteres, da CTB-ES, diz que “queremos o nosso lugar na sociedade para construirmos um futuro onde possamos viver sem medo e onde sejamos respeitadas, como todas as pessoas devem ser”.

    O tema da igualdade de gênero se impôs no debate político de uma forma irreversível. Isso porque o Brasil é um dos países onde mais se mata mulheres no mundo. Depois do golpe de Estado de 2016, a violência por questões de gênero cresce assustadoramente.

    Rosmari Malheiros, secretária de Meio Ambiente da CTB, defende que "a participação de nós mulheres, na construção desse momento histórico é, sem dúvida alguma, algo de muita importância para o nosso país, sempre aguerridas e prontas para o combate". Portanto, "não aceitamos o fascismo, o retrocesso, o preconceito, a violência, o machismo... Nós mulheres vamos decidir os rumos do nosso país, mostrando que aqui, o amor vence o ódio."

    Assista o recado de Beth Carvalho, Teresa Cristina e Samba que elas querem 

    Para Gicélia, os protestos do #EleNão também reforçam as pautas da classe trabalhadora. “Defendemos a retomada do crescimento, os direitos do povo que foi saqueado, a vida das mulheres que estão sendo ceifadas, a educação, o SUS e todas as políticas públicas pelos nossos direitos e os programas sociais de volta. Porque o ‘Coiso’ representa a perda de tudo isso”.

    Já Tete Avelar, secretária adjunta da Mulher Trabalhadora da CTB-MG, acredita que com a proximidade das eleições “as campanhas de candidatos racistas, machistas e LGBTfóbicos ameaçam aprofundar ameaçando as perdas para mulheres, jovens e crianças e no bojo disso toda a sociedade perde”.

    São centenas de grupos no Facebook com o mesmo objetivo: #EleNão. Somente no Mulheres Unidas Contra Bolsonaro são mais de 3 milhões de integrantes contra o candidato da extrema-direita e seus seguidores fascistas.

    A secretária da Juventude Trabalhadora da CTB, Luiza Bezerra afirma que “com a campanha do #EleNão encabeçada por milhões de mulheres Brasil afora mostramos a nossa força para barrar o retrocesso e o fascismo”.

    Ela reforça ainda que “as mulheres jovens também estarão nas ruas no sábado (29) para dizer não ao machismo, à violência, ao racismo, à homofobia. Ele não! Nós sim”.

    Paródia de Bella Ciao, canção da resistência italiana na Segunda Guerra Mundial: Ele não 

    Já Celina avalia a unidade das mulheres “contra o machismo, a misoginia, o racismo a LGBTfobia e todos os preconceitos. A luta por igualdade de gênero é essencial para a democracia e para o país retomar o rumo do crescimento com combate às desigualdades”.

    O Brasil inteiro contra Bolsonaro

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    Também haverá manifestação no Amapá, Rondônia, Piauí, Maranhão e Paraná e na Argentina, Alemanha, Austrália, Áustria, Espanha, França, Estados Unidos, Uruguai, Suíça, Suécia, Nova Zelândia, Inglaterra, México, Irlanda, Itália, Israel, Bélgica, Chile, Hungria, Portugal, Canadá e Holanda.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Maria Tuca Santiago, uma das administradoras do grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro denuncia ter sido agredida por três homens armados, na noite da segunda-feira (24), no Rio de Janeiro.

    De acordo com o PSOL, ao qual Maria Tuca é filiada, dois dos agressores desceram de um táxi Meriva amarelo, deram-lhe um soco no olho e coronhadas na cabeça. Também teve o seu celular roubado.

    O grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro garante prestar queixa na 37ª Delegacia de Polícia na Estrada do Galeão. Tuca foi atendida no Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador e passa bem. Ainda não há informações sobre a motivação dos agressores.

    “A CTB repudia toda e qualquer forma de violência e reafirma os valores democráticos de respeito às diferenças. Também exigimos apuração rigorosa dos fatos e punição dos culpados”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Portal CTB

  • “O Brasil vive um momento especialmente dramático de sua história. Nas eleições mais conturbadas após o fim da ditadura civil-militar, assistimos à perigosa afirmação, por um dos candidatos à Presidência, de princípios antidemocráticos, expressos num discurso fundado no ódio, na intolerância e na violência”, diz trecho da carta das brasileiras em defesa da democracia (leia a íntegra da carta abaixo).

    Depois de ultrapassar o número de 2 milhões de integrantes, em poucos dias, a página de Facebook Mulheres Unidas Contra Bolsonaro foi hackeada e o Facebook a tirou do ar para averiguar os acontecimentos (Saiba mais aqui). Depois dessa violência, começama surgir diversas páginas com o mesmo teor.

    A página foi reativada no domingo (16). Além do ataque cibernético, pessoas ligadas ao candidato Jair Bolsonaro disseminaram fakes pelas redes sociais sobre o grupo. Eduardo, deputado federal e filho do candidato da extrema-direita, divulgou texto acusando o jornal britânico The Guardian de mentir sobre as integrantes do grupo e a sua procedência.

    Além disso, o deputado afirmou que "uma página qualquer do Facebook tinha 1 milhão de seguidores quando foi vendida para a esquerda. Então, sem qualquer vergonha, eles mudaram o nome dela para 'Mulheres Unidas Contra Bolsonaro' e saiu alardeando por aí que havia uma onda de mulheres contra o presidenciável", como mostra o jornal El País Brasil.

    A página retornou às verdadeiras proprietárias agora como “secreta”, ou seja, para participar desse grupo somente recebendo convite ou indicação de alguém que já está. De acordo com uma das administradoras o hacker foi identificado. Usa o nome de Eduardo Shinok. A página dele no Facebook não está mais disponível. De acordo com essa administradora ele recebeu ajuda da namorada no hackeamento. A investigação prossegue.

    Portal CTB

    Leia a carta na íntegra:

    Carta das brasileiras em defesa da democracia, da igualdade e respeito à diversidade

    O Brasil vive um momento especialmente dramático de sua história. Nas eleições mais conturbadas após o fim da ditadura civil-militar, assistimos à perigosa afirmação, por um dos candidatos à Presidência, de princípios antidemocráticos, expressos num discurso fundado no ódio, na intolerância e na violência.

    Se a posição deste  candidato era pública, tendo sido reiteradamente manifesta  ao longo dos 27 anos em que vem atuando na Câmara Federal, causa perplexidade a adesão a tais princípios por parte significativa da sociedade brasileira.

    O tratamento desrespeitoso dirigido às mulheres, aos negros,  indígenas, homossexuais,  o culto à  violência, a   agressão contra adversários, a defesa da tortura  e de torturadores,  constituem  manifestações que devem ser combatidas por aqueles que acreditam nos princípios civilizatórios que possibilitam a existência de uma sociedade democrática e plural.

    Neste contexto, nós, mulheres, vítimas  de agressões e desqualificações por parte deste candidato, viemos à público expressar nosso mais veemente repúdio aos princípios por ele defendidos, conclamando a população brasileira a se unir na defesa da democracia, contra o fascismo e a barbárie.

    Somos muitas, para além de um milhão que integra este grupo. Defendemos candidatos e candidatas distintas, dos mais diferentes matizes político- ideológicos.  Temos experiências e visões de mundo diversas,  assim como são distintas nossas idades, orientação sexual, identidades étnico- raciais e de gênero, classe social,  regiões do país em que vivemos, posições religiosas, escolaridade e atividade profissional. Na verdade, nos constituímos como coletivo a partir de uma causa comum, expressa nesta carta: a rejeição à prática política do candidato  e aos  princípios que a regem. Nos constituímos nas redes sociais, unidas  numa corrente crescente e ativa, pela necessidade de tornar pública nossa posição no exercício da cidadania e participação, a partir da identidade feminina que nos congrega. 

     Nós, mulheres, historicamente inferiorizadas e marginalizadas, sujeitas  a toda sorte de violência e  desrespeito,  recusamos hoje o silêncio e a submissão, herdeiras de uma luta  há muito travada por mulheres que nos antecederam.

    Somos aquelas que constituem a maioria do eleitorado brasileiro, ainda que sub-representadas na política partidária. Somos aquelas que, gestando  e alimentado  novas vidas, defendemos o direito de todos e todas  a uma vida digna. Somos aquelas que, temendo pelas  nossas vidas, pelas vidas de nossos filhos, filhas,   companheiros e companheiras, diante da violência que assola e corrói  a sociedade brasileira,  somos contra a liberação do porte de armas, que  só irá piorar o já dramático quadro atual.

    Somos aquelas que, recebendo salários inferiores, com menor chance de contratação e progressão nos espaços de trabalho,  entendemos que cabe  aos governantes, à semelhança do que já ocorre em muitos países, construir políticas de igualdade salarial entre homens e mulheres.

    Somos aquelas que , vítimas  de assédio, estupro, agressão e feminicídio, defendemos  o direito à liberdade no exercício da vida afetiva e sexual,  demandando do   Estado proteção e punição aos crimes contra nós cometidos 

    Somos aquelas que protestam contra a perseguição e violência contra a população LGBTQ, porque entendemos que  cada ser humano tem direito a viver sua identidade de gênero e orientação sexual.

    Somos aquelas que se insurgem contra todas as formas de racismo e xenofobia, que defendem um país   social  e racialmente mais justo  e igualitário, que respeite as diferenças e  valorize as ancestralidades.

    Somos aquelas que combatem o falso moralismo e a censura às expressões artísticas, que defendem a livre manifestação estética, o acesso à cultura em suas múltiplas manifestações.

    Somos aquelas que defendem  o acesso à informação e a uma educação sexual responsável, através de  livros, filmes e materiais que eduquem as crianças e jovens para o mundo contemporâneo. 

    Somos aquelas que defendem  o diálogo e parceria com  escolas,   professores e professoras  na educação de nossos filhos e filhas, sustentados  na laicidade, no aprendizado da ética, da cidadania e dos direitos humanos.

    Somos aquelas  que querem um país com políticas sustentáveis, que respeitem e protejam o meio ambiente e os animais, que garanta o direito à terra pelas  populações tradicionais que nela vivem e trabalham.  

    Somos muitas, somos milhões, somos: 

    #MulheresUnidasContraBolsonaro

    Contra o ódio, a violência e a intolerância

  • Arte de Ribs mostra a disposição das mulheres contra o candidado da extrema-direita, misógino, racista e LGBTfóbico

    A três semanas das eleições, hackers (criminosos cibernéticos) conseguiram invadir a página de Facebook do grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que já havia ultrapassado os 2,2 milhões de integrantes, em poucos dias de funcionamento.

    “As mulheres estão cada vez mais unidas e conscientes de que só mudaremos a política participando dela e neste momento o nosso principal inimigo é o candidato da extrema-direita”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Para ela, “de nada adianta criminosos agirem contra a democracia e a liberdade de expressão”, certamente, “não nos calarão”. De acordo com a sindicalista, a ação dos hackers seguidores do candidato Jair Bolsonaro, chamou mais ainda a atenção a importância para o voto feminino, "contra as pautas do ódio e da violência".

    Ao mesmo tempo em que viraliza na internet a campanha com a hashtag #EleNão, Celina afirma que “não mudarão nosso voto com o uso da violência; não os intimidarão”. Segundo a sindicalista, “a campanha contra o machismo e o desrespeito às mulheres seguirá firme e forte. Descobrimos o caminho da unidade e não abriremos mão de votar nas candidaturas a favor da cultura da paz, da justiça e da igualdade de direitos”.

    Música de autora desconhecida viraliza: #EleNão 

    "O grupo foi temporariamente removido após detectarmos atividade suspeita. Estamos trabalhando para esclarecer o que aconteceu e restaurar o grupo às administradoras", informa o Facebook.

    A invasão criminosa ocorreu na sexta-feira (14). Os criminosos invadiram o perfil de uma das administradoras e chegaram a alterar no nome do grupo. Além de agredir outras administradoras.

    Chegaram a divulgar dados pessoais de uma delas e ameaçaram outra via WhatsApp. “Esquerdistas de merda” foi um dos xingamentos. “É de conhecimento geral que os apoiadores do fascismo utilizam-se dos meios mais sórdidos para tentar calar aqueles que não aceitam passivos a disseminação do discurso de ódio proferido pelo candidato que fazemos frente de resistência absoluta”, afirmam as responsáveis pelo grupo.

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    Hackers fascistas cometem crime cibernético: serão punidos?

    Celina acentua que “as mulheres têm consciência de que lutar por igualdade de direitos incomoda as mentes reacionárias, principalmente de homens violentos e sem a mínima condição de administrar qualquer coisa, muito menos um país".

    E questiona: "Será que essa invasão não configura crime eleitoral para uma possível impugnação do candidato da extrema-direita?".

    Já as organizadoras da página invadida Mulheres Unidas Contra Bolsonaro afirmam que “nossa resposta será nas urnas, onde iremos mostrar a força das mulheres, pois nossa união não é feita através da violência, mas na certeza de que juntas somos mais fortes e que temos o poder de direcionar nosso país para longe de um discurso racista, misógino e homofóbico”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com Catraca Livre e El País Brasil

  • A vida não anda fácil para o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro. Além de ver a sua rejeição subir nas pesquisas, mesmo após o episódio da facada que levou na quinta-feira (6), em Juiz de Fora (MG), mais de um milhão de mulheres aderiu ao grupo fechado do Facebook, Mulheres Unidas Contra Bolsonaro.

    A sua candidatura se manteve estável nas pesquisas do Ibope e do Datafolha, divulgadas recentemente, crescendo na margem de erro, mas viu sua rejeição subir consideravelmente, principalmente no eleitorado feminino.

    Nesta quarta-feira (12), o grupo superou a marca de um milhão de integrantes, cerca de 10 mil adesões por minuto. “Esse é um fato novo e alvissareiro na política brasileira”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “As mulheres estão se posicionando com firmeza contra um candidato com posições amplamente contrárias à igualdade de direitos”.

    O grupo, criado em 30 de agosto, é apartidário e pretende se contrapor ao “avanço e fortalecimento do machismo, misoginia e outros tipos de preconceitos”, diz texto de apresentação na página do Facebook.

    Isso porque “acreditamos que este cenário que em princípio nos atormenta pelas ameaças as nossas conquistas e direitos é uma grande oportunidade para nos reconhecer como mulheres”, complementa o texto de apresentação.

    Para participar do grupo clique aqui

    "O grupo é fechado e as pessoas que aderem precisam ser autorizadas a participar porque o candidato, segundo informações, possui mais de 400 mil robôs nas redes sociais e isso poderia comprometer o funcionamento do grupo, além da violência costumeira de seguidores do candidato extremista", explica Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ.

    Para Celina, a participação das mulheres nesta eleição é fundamental. “Somos a maioria da população e do eleitorado, temos que fazer valer a nossa voz e os nossos direitos”, diz. “A CTB luta pela igualdade de gênero e defende mais mulheres na política e no poder”.

    A publicitária Ludmila Teixeira, uma das organizadoras do grupo, diz à revista Exame que “ele representa tudo que é de atraso na luta pelos direitos das mulheres, ele ataca diretamente a licença maternidade" e defende "a diferença salarial entre homens e mulheres”.

    As mulheres compõem 52,5% do eleitorado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral e conforme a pesquisa mais recente do instituto Datafolha, o candidato do PSL é rejeitado por 49% das mulheres e com curva ascendente.

    "As manifestações misóginas, racistas e LGBTfóbicas do candidato dos banqueiros são costumeiras", reforça Celina. "Agora nas eleições tenta desmentir o que disse e vem dizendo, mas está tudo registrado".

    “Estamos a poucos dias de mudar os rumos do país”, acentua Celina. “Agora é arregaçar as mangas e trabalhar incansavelmente para elegermos candidaturas comprometidas com a classe trabalhadora, com a causa da emancipação feminina, contra o racismo e a discriminação de gênero”, conclui.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Analistas do bolsonarismo acreditam que, para seus eleitores, ele é um grito contra o que não funciona e contra o desamparo, ou mesmo contra a precariedade das respostas da democracia para os problemas concretos da vida cotidiana. A candidatura de Jair Bolsonaro também representaria o voto do antipetismo, esse sentimento que ganhou força a partir de 2013 e, em 2015, virou ódio. Ao se posicionarem contra o que o candidato de extrema direita representa, o movimento “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, que abriga quase 3 milhões de brasileiras em sua página no Facebook, denuncia justamente a impossibilidade do voto em Bolsonaro como um voto “antissistema”. O que essas mulheres apontam é que não há nada mais a favor do sistema do que Bolsonaro. Votar nele é votar no que nunca prestou no Brasil, mas sempre existiu. Ou na volta dos que nunca partiram.

    É possível votar em Bolsonaro. Pode ser considerado por muitos imoral ou mesmo antiético, já que ele defende abertamente a violência contra os grupos mais frágeis, como mulheres, negros, gays, camponeses e indígenas. E incita a violência num dos países mais violentos do mundo. Mas, se você pensa como ele, faz todo o sentido votar naquele que representa o seu pensamento. É isso, afinal, a democracia. Por mais que para alguns seja difícil aceitar, Bolsonaro e seu autoritarismo são também um produto das contradições da democracia. Bolsonaro é um fenômeno da democracia, não fora dela.

    Só não é possível votar em Bolsonaro afirmando que está votando para mudar ou votando como protesto contra tudo o que está aí. Aí não. Essa afirmação desaba logo no primeiro olhar. Votar em Bolsonaro é justamente votar a favor de tudo o que sempre esteve aí. Ou que sempre esteve aí por mais tempo do que qualquer outra coisa.

    1) Bolsonaro e os novos coronelismos rurais e urbanos

    Não é uma coincidência que as velhas (e também as novas) oligarquias rurais, ligadas à violência no campo, têm em Bolsonaro o seu candidato estampado nas caminhonetes. As forças que Bolsonaro representa atravessam a história brasileira. Às vezes com mais, às vezes com menos poder político. São essas forças que tornaram o Brasil um dos países mais desiguais e mais violentos do mundo.

    Bolsonaro não dialoga apenas com a ditadura civil-militar que governou o país pela força de 1964 a 1985. Ele dialoga antes com figuras e forças muito mais antigas e fundadoras do Brasil. Bolsonaro dialoga com o coronelismo que marcou o Brasil rural e que, de muitas formas, permanece até hoje. Mas atualizado, já que nada atravessa as épocas sem adquirir novas nuances e agregar novos protagonistas.

    Como fenômeno, Bolsonaro faz uma síntese entre a parcela golpista do militarismo profissional, representada pelo seu vice, o general reformado Hamilton Mourão, e o coronelismo político de um Brasil rural que usa o “agronegócio” como roupagem de modernização, mas que mantêm as mesmas práticas violentas no campo. Para estes, o Brasil será sempre uma grande fazenda e a luta será sempre para privatizar o que ainda há de terras públicas e coletivas no país. Essas duas forças se conectaram durante vários momentos da história brasileira. Como hoje.

    Em regiões como o Norte e o Centro-Oeste do Brasil, este coronelismo não representa as velhas oligarquias rurais do século 19 e primeira metade do século 20, mas novas oligarquias que se constituíram na segunda metade do século passado, tanto durante o processo de expulsão e massacre dos indígenas, para liberar suas terras ancestrais para projetos da ditadura, quanto na grilagem (roubo de terras públicas) de vastas porções de floresta, um processo que segue em curso até hoje e ganhou novo fôlego nos últimos anos.

    Parte da grilagem promovida já no século 21 foi legalizada no governo Temer, que tem na “bancada ruralista” sua principal fiadora. Mas, se garantiram e garantem o governo, estes coronéis e seus representantes no Congresso nunca cogitaram votar no candidato do MDB ou do PSDB, mesmo que este seja o partido com que marcam seu poder local ou regional. São eleitores de Bolsonaro desde que ele despontou como candidato.

    Agregada aos novos e velhos coronéis, aparece a parcela urbana e mais barulhenta do Brasil evangélico, que usa as palavras com muita competência. A começar pela própria denominação religiosa. Ao transformarem o que é uma brutal disputa de poder em uma guerra do bem contra o mal, parte das lideranças encobre com o discurso religioso aquilo que é político. As críticas a essas lideranças evangélicas são lidas como uma crítica aos evangélicos como grupo religioso, colaborando para discriminar setores da população que já são historicamente discriminados. É deste truque que alguns líderes abusam. Chamar sua bancada no Congresso de “bancada da Bíblia” só os ajuda nessa transmutação da política em religião.

    Os evangélicos são um grupo muito heterogêneo e com posicionamentos morais que variam, às vezes radicalmente, nas diferentes igrejas, o que tornaria imprecisa qualquer unidade. Mas o mais importante é que a crítica não é à religião nem a seus fiéis, muito menos se refere à nenhuma suposta versão de guerra santa. Ao contrário. É uma crítica aos estelionatários que usam a religião para o enriquecimento privado e para a conquista de poder político com fins de enriquecimento privado.

    A maioria destes estelionatários da fé, que também podem ser chamados de “coronéis da fé”, está alinhada a Bolsonaro. São ao mesmo tempo novos e velhos. A novidade de suas origens e de sua linguagem não é capaz de encobrir que atuam para manter o Brasil exatamente como está, porque é neste contexto que conseguiram enriquecer e conquistar poder. Dependem da miséria, do desamparo e do medo para manter a clientela. Sua disputa é para continuar multiplicando riqueza privada, assim como garantir as benesses públicas que isentam suas igrejas de pagar impostos.

    A religião é só o meio. O lucro privado é o fim. A estratégia de encobrir a disputa de poder com os temas morais mostrou-se tão eficaz que milícias da internet, como o MBL, eminentemente urbanas, a adotaram a partir de 2017 para ampliar seu número de seguidores destruindo artistas e manifestações artísticas.

    É interessante observar como o que há de mais atrasado no Brasil se juntou a fenômenos recentes para produzir aquele que tem sido chamado na internet de “o coiso”. A nomeação, típica das redes sociais, aponta para dois objetivos: o primeiro é o de não popularizar ainda mais o candidato, o que pode garantir os votos daqueles que, quando chegam às urnas, votam no nome que lembram; o segundo, de que tudo aquilo que ele representa, em seu autoritarismo, seria inominável, ou não nomeável. No “coiso” cabem muitas coisas. Bolsonaro seria uma espécie de Voldemort, o vilão da série Harry Potter, a quem os bruxos preferem se referir como “você sabem quem”, para que a invocação do nome não o materialize como realidade física.

    O fato de Jair Bolsonaro liderar as intenções de voto (28%, segundo a última pesquisa do Datafolha), mostra a força com que o que há mais arcaico e sombrio no Brasil emergiu para a luz. E encarnou numa figura que é muito menos um capitão reformado do Exército e muito mais um político profissional. Não um político profissional que disputa a construção de um país, mas um que trabalha para a própria permanência na folha de pagamento do Congresso.

    Em 26 anos como parlamentar, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, Bolsonaro conseguiu aprovar apenas dois projetos de sua autoria: 13 anos de salário, benefícios, verba de gabinete etc para cada projeto. Ao ser perguntado sobre sua baixa produtividade, o candidato respondeu: “Tão importante quanto você fazer um gol é não tomar um gol”.

    Estes são os fatos, caso os fatos valessem na construção mental dos eleitores. O desempenho que derrubaria qualquer funcionário, em qualquer empresa do mundo, o premiou como funcionário do povo. Tanto que Bolsonaro se tornou o líder nas pesquisas para a presidência da República. Na composição dos seus eleitores, ele lidera entre os mais ricos e os mais escolarizados, justamente aqueles que se supunha terem mais acesso à informação de qualidade, caso isso importasse na tomada de decisões. Na época da autoverdade, porém, os fatos nada valem.

    Há vários adjetivos que poderiam ser usados para definir o comportamento do eleitor de Bolsonaro. Ilegítimo não é um deles. Se você acredita que o político ideal é aquele que aprovou dois projetos em 26 anos de serviço público e se sente representado pelo desempenho de Bolsonaro, faz todo sentido votar nele. Por uma questão de coerência, inclusive, este deveria se tornar o critério de produtividade para que os empresários que são também eleitores de Bolsonaro passem a selecionar seus funcionários e estabelecer planos de carreira.

    2) Como as elites descobriram que as ruas não são seu “pet”

    O fenômeno chamado “coiso” também expõe à luz a monumental arrogância de uma parte da elite política e econômica do Brasil, assim como a arrogância de uma parcela do judiciário. Essas elites compartilhavam da ilusão de controlar as ruas e também os processos políticos. Descobriram que ver o Brasil do alto não é o suficiente para compreender os Brasis. Começam a perceber que, quando achavam que usavam, estavam de fato sendo usadas. Bolsonaro não revela apenas a si mesmo, mas muito além de si mesmo. Não é acontecimento isolado, mas trama.

    O PT descobriu em 2013 que já não era o partido das ruas de uma forma bastante dolorosa. Naquele momento, a arrogância do partido era tanta que achava que as ruas seriam dele para sempre. Tanto que nem precisava mais andar por elas. Em 2013, o PT descobriu que estava sendo expulso das ruas. Em 2015, bonecos infláveis de Lula e de Dilma como presidiários invadiram também os céus. O antipetismo virava ódio.

    Mas o exemplo mais evidente ainda é o do PSDB, cujo drama se desenrola neste momento. Quando Aécio Neves (PSDB) perdeu a eleição de 2014 para Dilma Rousseff (PT), ele e seu partido cometeram o ato, ao mesmo tempo oportunista e irresponsável, de questionar o processo eleitoral sem nada que justificasse a suspeição do pleito. O Brasil, com as urnas eletrônicas, tem um dos mais confiáveis sistemas de votação do mundo. Aceitar a derrota faz parte das regras fundamentais da democracia.

    Aécio, o corrupto, iniciava ali uma crise e abria um precedente perigoso. Mais tarde, uma gravação revelaria Aécio dizendo que pediu a auditoria dos resultados eleitorais só “para encher o saco”. Aécio deve entrar para história não só pelo seu envolvimento com a corrupção, mas por esse ato de uma irresponsabilidade criminosa. O tucano deve ser marcado como um dos políticos que mais colaborou para a corrosão da democracia neste início de século.

    De dentro do hospital, onde se recupera de um ataque à faca, Bolsonaro gravou um vídeo questionando as urnas eletrônicas e sinalizando que pode não aceitar o resultado da eleição em caso de derrota. Seu vice, Hamilton Mourão, já havia dado uma entrevista à Globo News afirmando a possibilidade de um autogolpe do presidente eleito, com o apoio das Forças Armadas. É irresponsável e grave demais que um político anuncie que participa do jogo, mas que só aceitará o resultado em caso de vitória. Qualquer criança jogando uma pelada de futebol num campinho de várzea sabe que não é possível só aceitar as regras do jogo quando se ganha.

    O PSDB teve um papel importante no impeachment sem base legal de Dilma Rousseff e participou do governo corrupto de Michel Temer (MDB). Quando aderiram aos movimentos das ruas a favor do impeachment e contra o PT, vestidos com a camiseta da seleção brasileira, políticos tucanos também se iludiram que a rua era deles. Não era nada disso. Recentemente, um dos caciques do partido, Tasso Jereissati, afirmou que entrar no governo Temer foi “o grande erro” do PSDB. “Fomos engolidos pela tentação do poder”, admitiu. Tarde demais.

    Quem acha que controla as ruas não estudou nem a história nem a psicologia humana. Com telhado de vidro fino, tanto Aécio quanto o PSDB são hoje menores do que nunca, em todos os sentidos. Pior do que não ter ressonância é ter perdido o respeito. O PSDB que surgiu com a volta da democracia não existe mais. O que existe agora é outra coisa que nem seus caciques sabem mais que formato tem.

    Não deixa de ser irônico o destino de Michel Temer. Quase trágico. Temer, o vice traidor, reconhecida raposa política, acreditava que poderia fazer tudo o que fez e ainda ser visto como um estadista. Logo depois do impeachment, era bem claro que Temer e seus apoiadores, no Congresso, no Mercado e em setores da Imprensa, acreditavam que estava tudo dominado e era só voltar ao que sempre foi. Temer está terminando o mandato como o presidente mais impopular da história (ou o mais impopular desde que há institutos de pesquisa para aferir a opinião da população).

    O desespero dos liberais e neoliberais também sinaliza o quanto de ilusão aqueles que representam o Mercado alimentam sobre si mesmos. Parte das elites econômicas, tendo como exemplo mais evidente a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), que atuou de forma explícita e decisiva para o impeachment da presidente eleita, assim como vários porta-vozes do que se chama “Mercado”, acreditavam que tudo andaria conforme sua receita de bolo. Botariam no Planalto alguém da sua confiança e pronto, fariam uma “ponte para o futuro” que manteria os privilégios do passado. Acreditavam que o povo nas ruas não passava de marionete, que o povo nas ruas era o verdadeiro pato da FIESP.

    De repente, Jair Bolsonaro, que deveria ser apenas um parceiro bufão na derrubada do governo do PT, alcançou o primeiro lugar nas pesquisas eleitorais para a presidência. Junto com ele, está Paulo Guedes, um economista ultraliberal que é radical demais até mesmo para os liberais. Quando fala, apavora. Dias atrás lançou uma espécie de nova CPMF. Teve que sair se desmentindo e cancelando compromissos para não dizer mais bobagens sinceras, mas altamente impopulares.

    Não fosse a situação do Brasil ser tão trágica, seria delicioso ver uma revista liberal como a britânica The Economist, que já decolou e aterrissou o Cristo Redentor nos tempos de Dilma Rousseff, lançar Jair Bolsonaro como “a mais recente ameaça da América Latina” na capa da semana passada. A revista favorita do Mercado manifestou-se de forma inequívoca contra o ultraliberalismo de Paulo Guedes, o golpismo de Hamilton Mourão e o autoritarismo de Jair Bolsonaro. Foi chamada nas redes sociais de “The Communist”. Sim, no Brasil o realismo mágico é só realismo.

    Certamente não era este o roteiro imaginado por aqueles que desrespeitaram o voto dos brasileiros. Também não era este o script que a parcela da grande imprensa que atuou decisivamente para o impeachment sonhava para esse momento. A Globo descobriu logo cedo, ao fracassar em derrubar Michel Temer após as denúncias de corrupção, que seu imenso poder tinha limites. Jair Bolsonaro, aliás, não se cansa de lembrar ao vivo, nos estúdios da emissora, o quanto a Globo apoiou a ditadura civil-militar que ele enaltece com tanto entusiasmo.

    O atual cenário dificilmente deve ser o roteiro esperado também pela parcela do Judiciário e do Ministério Público que decidiu personalizar a justiça, se esqueceu que era funcionário público e acreditou que era herói. Quem venceu – e segue vencendo – é esse poder que atravessa governos e que hoje é representado pela “bancada ruralista”, grande parte dela conectada à escalada de violência no campo e na floresta contra camponeses e indígenas, que vem se acirrando desde 2015. Ao redor da bancada ruralista gravitam a bancada dos defensores de armas, que lucram com a violência, e a dos estelionatários da fé, que manipulam os temas morais para conquistar poder e privilégios

    É este o mundo de Bolsonaro, que por isso tem assustado não só a esquerda, mas também a direita chique e os liberais genuínos, estes que têm na The Economist o seu oráculo. É a parcela atrasada e violenta do Brasil rural, associada ao que há de mais podre nos fenômenos urbanos, que disputa a presidência do país com chances de ganhar. Bolsonaro representa o homem branco ultraconservador, mas bruto e sem lustro, que os ilustrados de direita e de esquerda não querem na sua sala de jantar.

    Com possibilidades cada vez maiores de chegar ao segundo turno, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o candidato de Lula, torna o cenário ainda mais complexo. A tal da opção de “centro”, que tantos encheram a boca para falar, a duas semanas da eleição ainda não mobilizou os eleitores. De dentro da prisão, onde foi colocado por um processo rápido demais, com provas frágeis demais e juízes falastrões demais, Lula segue influenciando os destinos do país.

    Mesmo tendo sido impedido pelo judiciário de ser candidato, ele ainda é um dos principais protagonistas da eleição. Como nada é simples, Haddad e o PT têm costurado apoio entre aliados que os traíram na batalha do impeachment, têm costurado apoio inclusive entre políticos que participam do governo Temer. Aliados que se tornaram “golpistas” são aliados de novo sem deixarem de ser “golpistas”. No Brasil, a real politik é mágica. Mas, quando o eleitor não vota conforme o esperado, ele é chamado de ignorante.

    3) O movimento das mulheres contra Bolsonaro é o mais importante desta eleição

    As mulheres são mais da metade da população no Brasil, mas ainda têm pouca representatividade na política formal. Uma de suas representantes mais interessantes e promissoras, Marielle Franco (PSOL), vereadora do Rio, foi executada a tiros num crime ainda não desvendado e impune, apesar de já terem se passado mais de seis meses.

    Seu protagonismo político incomodou muitos que estavam acostumados a falar sozinhos e, de repente, viram seus interesses serem atingidos por uma mulher. E não por qualquer mulher. Criada no complexo de favelas da Maré, Marielle era negra, lésbica e pobre. Ao longo da história do Brasil, ela representa os grupos mais frágeis e mais violentados que, graças à muita luta, começam a ter poder político. Foi então exterminada a balas de alto calibre, por uma arma de uso restrito, num percurso de câmeras desligadas.

    Com o gesto iniciado na internet e programado para ganhar as ruas, as mulheres tornaram-se protagonistas desta campanha eleitoral tão complexa e delicada. O movimento autônomo começou por mulheres na Bahia, ao largo das lideranças do centro-sul e dos grupos feministas mais conhecidos do Brasil. Do debate no Facebook passou a inspirar as manifestações contra Bolsonaro marcadas para o próximo sábado em várias cidades do Brasil e do mundo. Nos atos de 29 de setembro, elas esperam também o apoio dos homens que amam as mulheres.

    A proposta dessas mulheres é fazer atos suprapartidários contra Jair Bolsonaro e tudo o que ele representa. Bolsonaro é um homem que, por suas declarações, já provou que odeia as mulheres, tanto quanto o seu vice, o general reformado Hamilton Mourão. Bolsonaro é um tipo clássico, especialmente em países que viveram suas versões de faroeste: o homem branco, que se sente superior apenas por ter nascido branco; heterossexual, mas do tipo que precisa o tempo todo apregoar sua heterossexualidade, como se silenciar sobre ela pudesse de alguma forma ameaçá-la; que se sente mais potente com uma arma de fogo na mão e, quando não a tem, simula com as mãos a expressão fálica, como uma afirmação de masculinidade que precisa ser constantemente reiterada para não ser posta em dúvida.

    Quando qualquer um destes ingredientes que, na sua crença, fazem dele um “homem”, é de alguma forma questionado, sente-se ameaçado e reage com violência. Um psicólogo de almanaque possivelmente diria que Bolsonaro é inseguro. No hospital, fazendo gesto de atirar com as mãos, parecia um garotinho querendo aprovação da plateia numa apresentação da pré-escola. Mas deve ser mais complexo do que isso.

    Para manter o privilégio de se sentir superior num mundo em que já não basta ser branco e ter uma arma para se manter no topo da cadeia alimentar, Bolsonaro desrespeita as minorias, raciais e de gênero, justamente as parcelas mais frágeis da população, e estimula a violência contra elas. Neste momento, encarna um outro tipo clássico, o fortão covarde da escola. Faz isso afirmando que está defendendo os “valores tradicionais”. Mas o que chama de valores tradicionais são apenas os seus privilégios.

    É interessante observar que Michel Temer, ao assumir o poder, promoveu um retrato amarelado com seu ministério de homens brancos, a maioria deles mais velhos. Pairando sobre essa imagem, especialmente no primeiro ano de governo, estava a figura de sua mulher, 43 anos mais jovem: Marcela Temer, a esposa “bela, recatada e do lar”, como definiu a revista Veja.

    Essa conformação simbólica de poder remetia à República Velha, como foi dito, mas muito mais a um folhetim de Nelson Rodrigues. Enquanto foi possível, alguns jornalistas, também homens e brancos, a maioria mais velhos, fizeram comentários encantados, alguns deles bastante constrangedores, sobre a beleza da mulher do presidente. Por algum tempo, antes de seu governo ruir por corrupção e incompetência, Temer ganhou o atributo de uma potência viril aplicada à política, por manter em sua cama uma mulher bonita e jovem.

    Jair Bolsonaro leva o machismo e o patriarcado a outro patamar. As mulheres não são objetos, mas um inimigo. Em 2014, na Câmara dos Deputados, disse que não estupraria a colega Maria do Rosário (PT): “Você não merece ser estuprada, é muito feia”. Depois, repetiu ao jornal Zero Hora: “Ela não merece (ser estuprada). Porque ela é muito ruim, ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria”. O comentário, dito e repetido, o tornou réu por apologia ao estupro no Supremo Tribunal Federal.

    Sobre a licença-maternidade, conquista histórica das mulheres (e também dos homens), o parlamentar que aprovou dois projetos de lei em 26 anos de trabalho maravilhosamente remunerado, afirmou em 2015: “Mulheres devem ganhar um salário menor porque engravidam. Quando ela voltar (da licença-maternidade) vai ter um mês de férias, ou seja, trabalhou cinco meses em um ano”.

    Em 2011, ele afirmou: “Sou preconceituoso com muito orgulho”. Embora os juízes brancos do Supremo Tribunal Federal não reconheçam, o que Bolsonaro chama de preconceito é seguidamente racismo. Ao responder a uma pergunta da cantora Preta Gil, ele disse que seus filhos jamais namorariam uma mulher negra ou se tornariam gays: “Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”. Em 2017, ao fazer uma palestra no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, o parlamentar contou que fez uma visita a um quilombo: “O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. (...) Não fazem nada, eu acho que nem pra procriador servem mais”.

    O “preconceito” que tanto orgulha Bolsonaro é largamente aplicado contra os homossexuais, num país com alto índice de assassinatos por homofobia. Entre as várias declarações contra gays, Bolsonaro chegou a dizer numa entrevista: “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que meu filho morra num acidente de carro do que apareça com um bigodudo por aí”.

    É importante compreender por que, mesmo com essas declarações, existem mulheres que votam em Bolsonaro. Há quem acredite que seria o mesmo tipo de atração pelo perigo e pela violência que faz com que algumas mulheres se apaixonem por criminosos famosos – ou mesmo não famosos. Os presídios estão cheias de romances como estes. Algumas eleitoras de Bolsonaro já justificaram o voto afirmando que este é o só o “jeitão” dele, que “na verdade” ele seria um “defensor das mulheres”. Uma delas me disse que reconhece que ele é “meio burrão”, mas ainda assim acha que ele “vai botar ordem na casa”. Neste caso, o machismo importaria menos que a crença de que Bolsonaro vai deixá-la “segura”.

    Ao escutar bolsonaristas, outras hipóteses surgiram. Para algumas, não é um voto no macho alfa, como eu supunha no princípio, mas o voto em um caçula meio bobão, mas carismático, por quem sentem um tipo de amor permissivo. Seria importante fazer uma pesquisa qualitativa e quantitativa formal com as eleitoras de Bolsonaro e Mourão, para compreender o que pode levar mulheres a votar em homens que as desrespeitam.

    O vice de Bolsonaro é sua alma gêmea. Bolsonaro e Mourão, ambos adoradores de armas, coincidem tanto na ideologia quanto na eloquência de seus discursos. Em agosto, durante um evento no sul do país, Mourão afirmou que o Brasil herdou “a indolência dos indígenas” e “a malandragem dos africanos”. Estava teorizando sobre as raízes do “subdesenvolvimento” do Brasil e da América Latina com a competência habitual.

    Em 17 de setembro, o general reformado atacou as mulheres ao relacionar a violência nas “áreas mais carentes” ao fato de as famílias serem chefiadas por “mães e avós”, sem “pais e avôs”. A criação dos filhos por mulheres sozinhas, na opinião do general, resultaria “numa fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar em narcoquadrilhas que afetam o nosso país”.

    Ao afirmar que lares chefiados por mulheres criam uma “fábrica de desajustados”, o vice de Bolsonaro atingiu violentamente as mulheres mais pobres

    Ao escutar bolsonaristas, outras hipóteses surgiram. Para algumas, não é um voto no macho alfa, como eu supunha no princípio, mas o voto em um caçula meio bobão, mas carismático, por quem sentem um tipo de amor permissivo. Seria importante fazer uma pesquisa qualitativa e quantitativa formal com as eleitoras de Bolsonaro e Mourão, para compreender o que pode levar mulheres a votar em homens que as desrespeitam.

    O vice de Bolsonaro é sua alma gêmea. Bolsonaro e Mourão, ambos adoradores de armas, coincidem tanto na ideologia quanto na eloquência de seus discursos. Em agosto, durante um evento no sul do país, Mourão afirmou que o Brasil herdou “a indolência dos indígenas” e “a malandragem dos africanos”. Estava teorizando sobre as raízes do “subdesenvolvimento” do Brasil e da América Latina com a competência habitual.

    Em 17 de setembro, o general reformado atacou as mulheres ao relacionar a violência nas “áreas mais carentes” ao fato de as famílias serem chefiadas por “mães e avós”, sem “pais e avôs”. A criação dos filhos por mulheres sozinhas, na opinião do general, resultaria “numa fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar em narcoquadrilhas que afetam o nosso país”.

    Ao fazer essa afirmação, o vice de Bolsonaro atingiu violentamente as mulheres mais pobres, a maioria delas negras, que são chefes de família e criam seus filhos sozinhas com enorme esforço. Mas não apenas elas. A afirmação provocou um apoio surpreendente ao movimento das mulheres contra Bolsonaro. A apresentadora de TV Rachel Sheherazade, uma das porta-vozes na imprensa da direita mais truculenta do Brasil, publicou em sua conta no Twitter: “Sou mulher. Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas. Somos heroínas”. E acrescentou uma das hashtags do movimento: #EleNão”.

    As mulheres são o segmento da população que mais rejeita Jair Bolsonaro. Mas, após ele ter levado uma facada durante um ato de campanha, Bolsonaro cresceu. “Apesar de ter evoluído no estrato, cresceu sete pontos no último mês, o apoio no segmento feminino é mais localizado entre as que têm maior renda familiar —chega a 32% entre as que reúnem mais de 5 salários mínimos, contra apenas 14% entre as mais pobres”, analisam Mauro Paulino e Alessandro Janoni, na Folha de S. Paulo. O primeiro estrato corresponde a apenas 6% do eleitorado e o segundo alcança 28%.

    Em entrevista ao El País, o estatístico Paulo Guimarães afirmou: “As mulheres não votam no Bolsonaro, mas as mulheres pobres tendem a decidir o voto mais tarde. O país é absurdamente machista. O marido vai dizer em quem elas devem votar, principalmente nas classes mais baixas, das mulheres mais agredidas. O voto da mulher tem convergido para o voto do homem, historicamente”.

    Será que ainda é assim? Minha hipótese é que o crescimento do protagonismo das mulheres também na esfera doméstica, em parte possibilitados pelo Bolsa Família e pelo aumento real do salário mínimo, que beneficiou o grande contingente de empregadas domésticas do país, tenha mudado essas relações de poder. Não totalmente, mas esta é uma força emergente. Como repórter que escuta gente há 30 anos, nunca escutei tantas mulheres discordarem de seus maridos, nas entrevistas que faço com famílias, como hoje. Inclusive no voto.

    É uma enormidade o significado de que a principal resistência à candidatura de Bolsonaro e a tudo o que essa candidatura representa venha justamente das mulheres. Elas, que são alijadas da política formal, quando não mortas, tornaram-se a principal força política de oposição a um projeto explicitamente autoritário. E fazem política justamente no território que até então era dominado pelos apoiadores de Bolsonaro: as redes sociais. Exatamente por isso, as administradoras da página do movimento foram haqueadas, ameaçadas e tiveram seus dados expostos, na covardia habitual dos que não confiam nos seus argumentos, só dispõem da força bruta.

    Se o movimento é suprapartidário e abarca as mulheres de todas as cores e origens, é importante sublinhar que esse movimento é também racial e de classe. Como já foi dito, Bolsonaro encontra seus eleitores, segundo as pesquisas, entre os homens mais ricos e os mais escolarizados. E tem sua maior rejeição entre as mulheres e entre os mais pobres. Como as estatísticas mostram, a maioria das mulheres mais pobres do país é negra.

    O voto das mulheres negras pode determinar o destino de Bolsonaro. Este não é definitivamente um dado qualquer no Brasil. Há grande poder e significado nessa constatação. É bastante simbólico que seja esta a força que toda a repressão dos últimos anos do país, todos os direitos a menos, não conseguiu parar. As mulheres que foram para a universidade pela primeira vez, as mulheres que passaram a ganhar um pouco mais, as mulheres que pela primeira vez tiveram direitos trabalhistas igualitários, como as domésticas. Talvez não seja coincidência que a criadora da página “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, que por conta das ameaças hoje é citada apenas pelas iniciais, seja negra.

    O movimento das Mulheres Unidas Contra Bolsonaro é o mais importante acontecimento desta eleição. Caminhar junto com elas no próximo sábado, 29 de setembro, é escolher dizer juntos, mulheres e homens, em uníssono, não apesar de todas as diferenças, mas com todas as diferenças, que escolhemos a liberdade contra a opressão. Que escolhemos o respeito contra o preconceito. Que escolhemos a igualdade contra o racismo. Que escolhemos a diversidade dos muitos contra a hegemonia do um. Que escolhemos a paz contra a violência.

    Se depender das mulheres unidas contra Bolsonaro, o ódio não governará o Brasil.

    Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. 

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Uma pesquisa do Ibope realizada nos dias 16 a 19 de março, após o primeiro decreto do presidente Jair Bolsonaro que flexibilizou a posse de armas, diz que 73% dos entrevistados são contrários à flexibilização de porte para cidadãos comuns e 26% são favoráveis. 1% não souberam ou não responderam. O direito ao porte é a autorização para transportar a arma fora de casa. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.

    Os entrevistados também foram questionados sobre a posse de armas: 61% são contrários a mais facilidade para possuir arma em casa; 37% são favoráveis e 2% não souberam ou não responderam.

    Em cinco meses de governo, Bolsonaro editou três decretos sobre armas:

    1º decreto: novas regras sobre posse (publicado em 15 de janeiro)

    2º decreto: novas normas sobre porte e compra de munições (publicado em 8 de maio)

    3º decreto: governo muda pontos que foram questionados na Justiça (publicado em 22 de maio)

    A pesquisa do Ibope foi realizada entre 16 e 19 de março, antes de dois decretos editados pelo governo com foco no porte de armas. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 143 municípios. A opinião sobre a flexibilização da posse varia de acordo com a região do país, e entre homens e mulheres. Na região Sul, o apoio à medida é maior:

    48% - Sul

    43% - Norte/Centro-Oeste

    35% - Sudeste

    33% - Nordeste

    O afrouxamento da posse de armas tem maior apoio entre os homens:

    50% - homens

    27% - mulheres

    Já sobre a flexibilização do porte de arma de fogo, 73% se declararam contra e 26% a favor. Entre os homens, o apoio à flexibilização é maior:

    34% - homens

    18% - mulheres

    Sobre a flexibilização do porte por região (a favor):

    34% - Norte/Centro-Oeste

    29% - Sul

    27% - Nordeste

    22% - Sudeste

    A pesquisa Ibope diz ainda que 51% da população discorda da afirmação de que o aumento de pessoas armadas torna a sociedade mais segura. Além disso, 37% discordam da ideia de que ter uma arma em casa a torna mais segura; por outro lado, 31% afirmaram ter total convicção de que a casa fica mais segura com arma.

    No caso do porte, 47% discordaram totalmente que carregar uma arma deixa a pessoa mais segura, e outros 18% discordaram em parte.

    Decretos sobre armas

    Em janeiro, Bolsonaro assinou um decreto que facilitou a posse de armas: a Polícia Federal deveria presumir como verdadeira a declaração de "efetiva necessidade" para o cidadão que quiser ter arma em casa. Na prática, essa declaração estaria comprovada para qualquer pessoa que cumprisse os demais requisitos. O texto manteve como exigências a idade acima de 25 anos, além da apresentação de atestado de aptidão técnica, laudo psicológico e certidão de antecedentes criminais.

    O decreto de 8 de maio revogou o de janeiro e, além das regras para posse, incluiu novas normas para porte de armas. Sobre porte, o texto diz que, para algumas categorias, como políticos, advogado, caminhoneiro, agente de trânsito e residente em área de rural, a PF deve entender como cumprida a comprovação de "efetiva necessidade" para andar com arma fora de casa; entenda.

    O texto do início de maio também classificou como de uso permitido armas que antes eram restritas a forças de segurança, inclusive fuzis.

    Em 22 de maio, em resposta a um vendaval de críticas, o governo recuou e alterou o decreto anterior, vetando o porte de fuzis, carabinas ou espingardas para cidadãos comuns. Mas manteve a facilitação do porte para uma série de profissionais, incluindo agora o guarda portuário.

    Fonte: G1

  • A Frente Brasil Popular, o Povo Sem Medo e o movimento Mulheres Unidas Contra Bolsonaro realizam em todo o país manifestações neste sábado (20) em defesa da democracia (leia mais aqui) e do direito de votar sem a imoralidade e avilegalidade de falsas notícias disparadas pelo WhatasApp ao custo de milhões de reais (saiba mais aqui).

    No Rio de Janeiro a manifestação começa às 15h na Cinelândia “Pelos direitos, pela democracia e pela vida das mulheres”. “Estamos presenciando a maior fraude eleitoral da história do país e o Judiciário não faz nada”, afirma Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ.

    “A nossa resposta deve ser nas ruas para barrar o avanço do autoritarismo, da retirada de direitos e da violência”, complementa. A partir das 16h30 começa uma caminhada até o bairro da Lapa encerrando a manifestação com o vira voto.

    Para Kátia, a “acusação de caixa 2 contra Bolsonaro deixa todo o processo eleitoral comprometido porque as fake news não foram combatidas, assim como a mídia convencional deu mais espaço para o candidato da extrema direita e o Judiciário ficou feito a Carolina do Chico Buarque, que não viu nada”.

    Ouça Carolina (1968), de Chico Buarque 

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Depois da Gaviões da Fiel (Corinthians) e a Torcida Jovem do Santos divulgarem notas contra o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, agora é a vez de torcedoras e torcedores do Flamengo, Palmeiras, Internacional de Porto Alegre e Grêmio fazerem o mesmo.

    Leia mais

    As maiores torcidas organizadas do Corinthians e do Santos dizem não a Bolsonaro

    "A torcida do Flamengo é a mais popular do país. Ela abrange todos os segmentos sociais, desde homens e mulheres, brancos e negros, jovens e idosos, pobres e ricos. Representamos o povo brasileiro na sua essência. Nesse sentido, é inaceitável qualquer declaração preconceituosa manifestada por Bolsonaro e seu vice, Mourão, sobretudo ao que tange à população mais pobre, negra e as mulheres, mães e avós", diz trecho do comunicado do coletivo Flamengo Antifascista.

    Acompanhe aqui o poema da torcedora do Flamengo, Stephanie Assumpção.

    Já os palmeirenses se contrapõem ao jogador Felipe Mello que declarou voto no candidato fascista. “Não podemos tolerar discursos de ódio dirigidos a grupos historicamente oprimidos. A trajetória da Sociedade Esportiva Palmeiras é uma trajetória de acolhimento à diversidade”, diz parte do texto assinado por  Luiz Gonzaga Belluzzo, Marco Ricca, Miguel Nicolelis, Nádia Campeão, Soninha Francine, Wilson Simoninha, entre muitos outros.

    Leia a íntegra do texto aqui. Também assinam os coletivos: Porcominas, PorComunas, Palmeiras Livre e Palmeiras Antifascista.

    “No cenário atual temos candidatos dos mais variados espectros políticos distribuídos entre as intenções de voto. Esquerda e direita. Progressistas e conservadores. Assalariados e burgueses. É da democracia. No entanto, o que chama a atenção é que o candidato que lidera as pesquisas é recorrente em declarações preconceituosas e demonstra o maior desprezo pela democracia”, afirma a torcida Inter Antifascista, em seu comunicado pedindo voto contra Bolsonaro.  

    Veja a íntegra aqui.

    A torcida do maior rival do Inter de Porto Alegre, a Democracia Gremista também se posiciona contra a onda fascista. “Como não poderia ser diferente, entendemos o futebol como reflexo da sociedade: se lutamos para democratizar o Grêmio, também lutamos por uma sociedade democrática: livre de tudo aquilo que condenamos. Neste sentido não poderíamos nos calar! Neste processo eleitoral temos lado, que é da defesa da democracia”, diz em seu comunicado contra Bolsonaro.

    Leia o texto completo aqui.

    As torcidas organizadas desses seis grandes clubes brasileiros se mobilizam para participar das manifestações, liderada pelas Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, em todo o Brasil e em vários países. No sábado (29), os gritos de #EleNão e #EleNunca prometem sacudir a eleição e a cultura do ódio, da discriminação e da violência.

    Portal CTB. Foto: André Coelho