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Ter, Jun

Nelson Mandela

  • Instituído em 8 de outubro de 1996, pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, homenageia os mortos e feridos do episódio conhecido com Massacre de Shaperville, ocorrido 36 anos antes.

    Em 21 de março de 1960, a polícia do apartheid (regime de segregação racial sul-africano) reprimiu com extrema violência mais de 20.000 jovens negros e negras que marchavam contra a Lei do Passe, que os impedia de circular livremente por Joanesburgo, maior cidade do país de Nelson Mandela. Foram contabilizados 69 mortos e 186 feridos.

    “Esse fato ilustra bem a história dos povos negros no mundo. Com as grandes navegações e descobrimentos, os africanos foram arrancados de seus lares para serem escravizados. Sendo que o Brasil foi o último país a sair do sistema escravista”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Lágrimas do Sul (Marco Antônio Guimaraes e Milton Nascimento) em homenagem a Mandela: 

    Segundo o Artigo 1º da Declaração das Nações Unidas sobre o tema "discriminação racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais”.

    Tanto que a ONU declarou em 2015 a Década Internacional de Afrodescendentes, com o tema “Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento”. Com objetivo de chamar a atenção para a causa antirracista e elevar o debate sobre os direitos iguais para todos e todas.

    A Pantera Negra Angela Davis, importante liderança pela emancipação feminina e pela igualdade afirma que “a democracia da abolição é, portanto, a democracia que está por vir, a democracia que será possível se dermos continuidade aos grandes movimentos de abolição da história norte-americana, aqueles em oposição à escravidão, ao linchamento e à segregação”.

    Já para o líder dos Panteras Negras, Malcolm X, “não lutamos por integração ou por separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos. Lutamos por direitos humanos”.

    Acompanhe o vídeo da ONU sobre a Década dos Afrodescendentes: 

    O movimento negro brasileiro vem se destacando como força motriz das campanhas por igualdade no país. Mas somente com a promulgação da Constituição de 1988, a prática de racismo passou a ser considerada como crime inafiançável e imprescritível. “Mesmo assim, as práticas racistas persistem e não se vê a punição prevista em lei”, reclama a sindicalista.

    Já a Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário, proíbe a discriminação no trabalho. “Construir um mundo sem discriminações é tarefa da classe trabalhadora”, conclui Custódio.

    Leia também: A história dos negros no mundo consiste na luta em defesa da vida e da liberdade

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Jornal Página 13

  • Winnie Madikizela-Mandela morreu aos 81 anos em Joanesburgo, na África do Sul, nesta segunda-feira (2). “A luta contra o racismo perde uma de suas importantes vozes”, diz Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    "É com grande tristeza que informamos o público de que a senhora Winnie Mandela morreu no hospital de Milkpark de Joanesburgo nesta segunda-feira", comunicou o porta-voz da família Victor Dlamini.

    A ativista, nascida em Bizana em 26 de setembro de 1936, sofreu uma infecção nos rins e chegou a ser hospitalizada em 20 de janeiro. De acordo com a família ela fazia um tratamento prolongado e ficou internada várias vezes.

    Ao lado de Nelson Mandela, com quem se casou em 1958, liderou a resistência ao apartheid (regime de segregação racial instaurado em 1948 na África do Sul, governado pela minoria branca).

    Em 1964, o seu marido foi condenado à prisão perpétua e coube a Winnie manter acesa a chama da resistência ao apartheid, assim como não deixou no esquecimento a perseguição política sofrida por seu marido. Eles se divorciaram em 1996, dois anos após Mandela ser eleito o primeiro presidente negro da África do Sul.

    Ela se tornou uma das principais lideranças do Congresso Nacional Africano (CNA, partido que comandou a resistência à segregação racial e está no poder desde 1994 com a eleição de Nelson Mandela).

    “Winnie representa, junto com Mandela, um novo tempo, que para além da luta e resistência, visavam construir a cidadania", diz Custódio. "A luta dos dois é um exemplo para todas as pessoas que acreditam que um outro mundo é possível”.

    Chamada de a "mãe da nova África do Sul", Winnie foi presa diversas vezes sendo torturada, perdendo o emprego, ficando sem ter como sustentar as duas filhas. Por isso, Desmond Tutu, arcebispo aposentado e Prêmio Nobel da Paz, em 1984, afirma que a ex-esposa de Nelson Mandela significou o "símbolo definidor da luta contra o apartheid".

    Para Custódio, “assim como Martin Luther King, que levou adiante lutas memoráveis pelos direitos humanos e civis de seu povo, Winnie e Mandela levantaram a importante bandeira contra o racismo, tornando-se grandes símbolos pela igualdade no planeta”.

    Portal CTB. Foto: Mujahid Safodien/AFP/Getty Images

  • O dia 18 de julho entrou para a história porque em 1918 nascia, nessa data, Nelson Rolihlahla Mandela, que se tornaria um dos principais líderes mundiais do século 20. Sua trajetória de combate ao apartheid (regime de segregação racial sul-africano, de 1948 a 1994), o transformou num dos maiores símbolos de resistência ao racismo e à violência do Estado contra a maioria da população de seu país. Mas a sua resistência ultrapassou fronteiras ao se tornar um líder mundial na luta antirracista.

    Por isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) transformou o dia do seu aniversário no Dia Internacional Nelson Mandela. “A vida desse ícone deve ser reverenciada porque se dedicou integralmente a uma causa. E mesmo preso não se rendeu e pôde levar seu povo ao poder acabando com a segregação e a desumanização da maioria da população sul-africana”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Mantido prisioneiro por determinação da CIA (agência de espionagem estadunidense), passou 27 anos na prisão do regime segregacionista da África do Sul, conquistando a liberdade em 1990 para se tornar o primeiro presidente negro do país, em 1994, cargo que só deixaria em 1999, com amplo apoio popular.

    “Com a força de um libertador traduziu a luta contra a apartheid, pela luta dos direitos civis, humanos e pela soberania de seu país”, afirma Mônica. O líder negro faleceu no dia 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos, deixando um legado como poucos de resistência e abnegação pela causa de um mundo mais justo e igual.

    Nobel da Paz

    Com muita justiça recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1993, pela sua trajetória em favor dos oprimidos, porque a sua luta transcendeu as fronteiras-sul-africanas e frutificou pelo mundo. "O valor deste prêmio que dividimos será e deve ser medido pela alegre paz que triunfamos, porque a humanidade comum que une negros e brancos em uma só raça humana teria dito a cada um de nós que devemos viver como as crianças do paraíso", disse em seu discurso na premiação do Nobel da Paz que dividiu com o último presidente branco de seu país, Frederik de Klerk.

    Carinhosamente chamado por seu povo de Madiba, virou referência mundial pela paz e pela emancipação humana. “Primeiro presidente livre de uma das nações que compõe o berço da humanidade, Mandela se constrói no cenário contemporâneo das lutas de classe, e de direitos como um herói para vários povos em todo mundo”, acentua Mônica.

    Muitas comemorações ocorrem na África do Sul e em diversos países para homenagear um dos grandes homens que a humanidade conheceu. No âmbito progressista popular, Mandela tem a grandeza equivalente a Martin Luther King, Fidel Castro, Che Guevara, Mahatma Ghandi, Malcolm X, Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva. Todos que lutaram e lutam em favor de seus povos, da igualdade de direitos e por um mundo de paz e justiça.

    Assista Mandela - a Luta pela Liberdade (2007), de Billie August 

    Massacre de Shaperville

    Mandela deixou sua terra natal para cursar Direito na primeira universidade para negros da África do Sul. Despontava aí o grande líder que viria a ser. Em 1952, é eleito presidente do Congresso Nacional Africano (CNA), principal organização sul-africana contra o apartheid pela democracia, que marginalizava a imensa maioria da população sul-africana, com mais de 80% constituída de negros.

    Defensor da luta pacifista mudou sua trajetória a partir do Massacre de Shaperville em 21 de março de 1960, quando uma manifestação pacífica de aproximadamente 5 mil negros contra a Lei do Passe, que os obrigava a manter uma caderneta na qual dizia onde eles poderiam ir. O protesto foi duramente reprimido causando 69 mortes e 180 pessoas ficaram feridas. Justificou a mudança de posição do CNA ao declarar mais tarde que “nós adotamos a atitude de não violência só até o ponto em que as condições o permitiram. Quando as condições foram contrárias, abandonamos imediatamente a não violência e usamos os métodos ditados pelas condições”, sintetizou o pensamento de seus compatriotas. Para a sindicalista carioca, “a grandiosidade de Mandela se forjou na luta cotidiana de seu povo, como se forjam os grandes heróis".

    Ele iniciou sua trajetória fundando a Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano para organizar os jovens e orientar suas atividades por participação na vida política do país. Foi Mandela quem dirigiu o braço armado do CNA, após perceber que a luta pacífica enfrentava enormes dificuldades de execução, devido à repressão da minoria branca. Dessa forma, transformou-se no mais importante líder popular da história da África do Sul e pela liderança na luta contra o racismo e pela democracia constituiu-se numa figura exponencial para todos os que acreditam num futuro melhor para todos.

    Mandela é uma dessas pessoas raras, abnegadas, que dedicam a vida à causa da humanidade para levar a mensagem de fé na própria humanidade e na justiça social com liberdade e igualdade de direitos. Por isso, conhecer a vida de Nelson Mandela é conhecer a história da África do Sul e do mundo do século 20.

    Violência cresce

    Mesmo assim, lembra Mônica, “vivemos uma onda conservadora com um ataque brutal aos direitos humanos e à liberdade de ir e vir das pessoas”. Ela se refere às imensas dificuldades colocadas pelas nações do Primeiro Mundo à entrada de imigrantes, em sua maioria, pretos e pobres. O Atlas da Violência 2018 constata essa dura realidade, inclusive em países emergentes como o Brasil do golpe de 2016.

    Para piorar, a Organização Não Governamental britânica Oxfam mostra que em 2017, 82% da riqueza produzida no mundo ficou nas mãos de apenas 1% da população, enquanto metade dos mais pobres ficou sem nada.

    No Brasil, um dos países de maior concentração de renda, uma pessoa que receba um salário mínimo por mês tem que trabalhar 19 anos para ganhar o salário mensal de 0,1% da população.

    Essa disparidade cruel reforça “os ataques aos imigrantes oriundos de países pobres, enquanto imigrantes brancos de países ricos são festejados”. Além disso, somente em 2016, foram assassinados mais de 30 mil jovens entre 15 e 29 anos no país, 70% negros, pobres, moradores da periferia.

    Por essas e outras é que a Organização das Nações Unidas (ONU) transformou o dia do seu aniversario, 18 de julho, como o Dia Internacional Nelson Mandela. Por isso, “devemos mais do que nunca, levantar bem alto a bandeira pela liberdade, pela superação da exploração do homem pelo homem, por igualdade de direitos, e paz no mundo”, reforça Mônica.

    Para ela, Mandela é um dos principais heróis da luta contra o racismo no mundo e, por isso, seu centenário deve ser celebrado por todos os que acreditam no mundo novo e no homem novo. “A força de Nelson Mandela está na alma de quem defende a justiça e a solidariedade”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, na terça-feira (25), a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, defende a unificação de pautas dos movimentos sociais.

    “É necessário unificar as bandeiras de todos os movimentos. Os movimentos sociais reivindicam umas coisas, o movimento negro outras, o movimento sindical outra, mulheres outras e ainda tem os LGBTs, a juventude, mas estamos todos no mesmo barco”, diz.

    Ela afirma essa necessidade porque a violência contra a mulher negra cresce absurdamente. Recentemente o Atlas da Violência 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comprovou esse aumento.

    Entre os aos de 2005 e 2015, houve um crescimento de 22% na mortalidade de mulheres negras e entre as não negras houve uma queda de 7,4%. Também aumentou a violência contra as negras, que subiu de 54,8% para 65,3%. 

    Para Custódio, isso nunca vai acabar se continuar essa “hierarquização das bandeiras defendidas pelos movimentos contra a ofensiva do capital sobre o trabalho”. De acordo ela, “parece que não somos todos trabalhadores”.

    Ela lembra que em 2018, a Abolição dos escravos completa 130 anos e a situação da população negra, maioria no país continua muito difícil por causa do racismo institucional. “Os movimentos precisam entender que o inimigo é o capital, independente do que se faz”.

    Na opinião de Custódio, os movimentos que lutam por uma sociedade mais igual e justa, deve se pautar pela Convenção 100, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Essa convenção defende igualdade de remuneração de trabalhadoras e trabalhadores por trabalho de igual valor.

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    Além dos 130 anos da Abolição, 2018 marca o centenário de Nelson Mandela. “Madiba (forma carinhosa como os sul-africanos chamavam Mandela) abriu uma janela para o mundo ver o sofrimento dos negros e a importância de todo mundo ter a cidadania respeitada".

    Por isso, ela defende que a agenda da classe trabalhadora seja pautada por cinco questões principais. O direito à terra, à educação, ao trabalho, à cultura e à saúde. “Trabalhar esses temas combatendo as desigualdades e as discriminações que só interessam ao capital”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Blogueiras Negras