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Ter, Jun

Olimpíadas Rio 2016

  • Mal acabaram as Olimpíadas Rio 2016 e a direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estuda extinguir a seleção brasileira permanente de futebol feminino. Segundo notícias veiculadas pela mídia, um dirigente da CBF argumenta que a prática esportiva não emplaca. Esquece que precisa de maiores incentivos e investimentos por parte, inclusive, da CBF.

    A goleira da seleção brasileira feminina de futebol, Bárbara Micheline do Monte Barbosa, de 28 anos, se disse surpresa com a notícia. “É muito triste ficar sabendo de uma coisa tão grave pela imprensa. Sinceramente, espero que essa notícia não se confirme. São anos de dedicação, agora acabar com tudo, é triste demais”, diz.

    A seleção permanente foi criada em janeiro de 2015 com objetivo de fortalecer o elenco para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2015 e para os Jogos Olímpicos deste ano. A seleção permanente “é um grande passo, no momento, para termos uma equipe mais competitiva”, disse na época o técnico Vadão (Oswaldo Fumeiro Alvarez).

    Bárbara, que ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, na China, acredita que o fim da seleção permanente deixará “muita gente desempregada e será desastroso para o nosso futebol feminino”.

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    Ela afirma que os dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) garantiram que a seleção seria mantida “independentemente dos resultados". Por enquanto é isso que temos de oficial”.

    Inclusive, Bárbara conta que rescindiu contrato com um clube alemão para se dedicar totalmente à seleção. "Outras atletas também rescindiram e se isso acontecer a situação ficará difícil, principalmente para as jogadoras de base, já que alguns clubes iniciaram investimentos no futebol feminino, mas isso pode acabar se essa decisão da CBF se confirmar”.

    O técnico Vadão defende a manutenção da seleção permanente. "Precisamos ter um plano de governo para desenvolver a modalidade nas prefeituras, se possível nas escolas, com os clubes abraçando. Foi provado que, com condições de trabalho, a gente é capaz de mostrar bom futebol".

    Mas os problemas da modalidade esportiva não param por aí. As jogadoras Rosana Augusto, Andréia Suntaque e Gabi Zanotti reclamam de quebra de promessa dos cartolas da entidade máxima do futebol brasileiro.

    Elas contaram ao canal de esportes destinado às mulheres ESPNW que foi pedido às jogadoras levarem carteira de trabalho e todos os documentos necessários para “sermos registradas”, diz Andréia. “Nos apresentamos e ficamos esperando”, explica.

    Rosana também confirma que “foi falado que teria um contrato. Algumas meninas já tinham assinado com alguns clubes, e muitas desistiram justamente porque queriam estar na seleção para disputar Copa do Mundo do ano passado”.

    “Pedimos explicações de quais seriam os benefícios. Achávamos importante porque teríamos o FGTS, 13º e a garantia de continuar na seleção”, afirma Rosana. “Entregamos toda a documentação exigida. E aí se passaram meses, um ano e meio, e ninguém tem contrato até hoje. Não tínhamos nenhuma segurança. Prometeram carteira de trabalho assinada e não assinaram”, diz Gabi.

    Depois de reclamarem com a CBF, as três não tiveram mais os seus nomes entre as selecionadas para representar o Brasil. Nem mesmo a Rosana que já tinha 16 anos de serviços prestados à seleção.

    Michel Temer medalhistas

    Isaquias Queiroz e Erlon de Souza não teriam condições de competir sem o Bolsa Atleta, que Temer quer acabar

    Para piorar ainda mais, o governo golpista de Michel "Fora" Temer ameaça acabar com o programa Bolsa Atleta que garante a possibilidade de vários atletas se dedicarem às suas modalidades esportivas com mais tranquilidade.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • O jornalista norte-americano Glenn Greenwald fez uma análise sucinta dos acontecimentos do Brasil para o telejornal “Democracy Now” (“Democracia Já”), da TV dos Estados Unidos, NPR.

    A apresentadora pede esclarecimentos para Greenwald, que reside no Rio de Janeiro, sobre a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Ele começa dizendo que há uma enorme diferença entre Dilma e o golpista Temer.

    Explica que ela foi ao Senado enfrentar seu julgamento. “Dilma não é obrigada, mas optou por fazê-lo”. E isso "é um contraste impactante com o seu ex-vice-presidente, agora presidente interino, que está prestes a se tornar o presidente não eleito”.

    Para o jornalista, responsável pelo site Intercept Brasil, nas Olimpíadas Rio 2016, Temer fez o contrário de Dilma e se escondeu. Ele “quebrou o protocolo e pediu que seu nome não fosse anunciado durante a cerimônia de abertura”. Mas quando o público percebeu ele foi vaiado.

    Na cerimônia de encerramento, Temer nem compareceu com medo das vaias. “Enquanto ele se esconde, Dilma, que historicamente lutou contra a ditadura militar deste país, foi presa por isso (...) foi enfrentar seus acusadores frente a frente”.

    Greenwald ressalta ainda que os políticos que querem cassar Dilma, “são pessoas condenadas criminalmente ou alvo de investigações, incluindo o presidente do Senado”. Para ele, “esse grupo de pessoas em Brasília está literalmente brincando com as bases da democracia, debaixo de nossos narizes”.

    Ao ser questionado sobre o motivo do processo contra Dilma, ele responde que “ela é acusada de usar truques orçamentários para fazer com que o orçamento do governo pareça mais positivo, visando vencer a reeleição”.

    Mas “se você conversar com europeus e americanos, eles se surpreendem que algo assim possa justificar a remoção de uma presidenta democraticamente eleita, já que é extremamente comum observar essa prática implementada por outros líderes políticos por todo o mundo”.

    Explica ainda com muita clareza a trama golpista da aliança formada entre o PMDB e o PSDB para levar à cabo a agenda derrotada nas urnas, com privatizações e retirada de conquistas importantes e afastando o país dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para se sujeitar aos interesses dos Estados Unidos e ao capital externo.

    Tudo está acontecendo, afirma Greenwald, porque “os poderosos do país desejam a implementação dessa agenda de direita e sabem que isso não é possível através das eleições”.

    A votação final do impeachment deve acontecer entre esta terça-feira (30) e a quarta-feira. Os movimentos sociais mantêm-se nas ruas contra o golpe e prometem permanecer mobilizados para derrotar o governo golpista.

    Assista: 

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Parece quem nem os golpistas se entendem mais. O colunista de O Globo, Lauro Jardim publicou em sua coluna deste domingo (31) que o vice-presidente Michel Temer – em exercício na Presidência – foi “ruidosamente vaiado” durante um ensaio de abertura da Olimpíada Rio 2016.

    Os Jogos Olimpícos começam na sexta-feira (5), com ato contra o golpe marcado para este dia. De acordo com Jardim, “os apupos aconteceram justamente na hora que o locutor informa ao público a presença de Temer no estádio”.

    “Mesmo a parte da população que apoiava o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, percebeu o verdadeiro motivo pelo qual a elite quer derrubá-la”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais, Esporte e Lazer, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ele, a partir do momento em que "a população começou a conhecer os projetos dos golpistas, percebeu que está sendo enganada, pro isso, repudiam o Temer".

    O sindicalista acredita que projetos como “a reforma da Previdência, que prevê idade mínima de 70 anos para a aposentadoria, o fim da valorização do salário mínimo e os cortes na educação, saúde e cultura, mostram que eles querem acabar com as conquistas que tivemos nos últimos anos”.

    Além disso, diz Nunes, “as privatizações prometidas e a entrega do pré-sal para petrolíferas estrangeiras, deixam claro o programa contra os interesses nacionais e da classe trabalhadora do desgoverno golpista”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A nadadora pernambucana Joanna Maranhão volta a ser alvo de polêmica. Após não conseguir classificação em competição de natação nas Olimpíadas Rio 2016, choveram ataques à atleta pelas redes sociais.

    No ano passado, pouco antes de partir para as competições do Pan-americano, Maranhão gravou um vídeo em resposta aos deputados ultraconservadores que defendem a redução da maioridade penal e a retirada de conquistas das mulheres. Atacou também as posições racistas e homofóbicas de Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro. No vídeo, dispensou a torcida deles na disputa do Pan (saiba mais aqui).

    A partir dessa manifestação, ela passou a ser perseguida por setores reacionários da sociedade. Circulando pelas ciclovias paulistanas, ao ver um carro estacionado em cima da ciclovia, reclamou e recebeu ofensa (leia aqui) igual à desferida contra Letícia Sabatella em Curitiba.

    Os ataques mais recentes contra a atleta olímpica, de 29 anos, aconteceram após ela não obter classificação para continuar a disputada por medalhas da Rio 2016. “Nem todo mundo compreende a grandiosidade e a competitividade de uma olimpíada", diz Maranhão.

    “Treinei muito para ser a melhor nadadora do Brasil e não sucumbir à minha depressão, e de repente as pessoas me questionando, questionando minha história", afirma. Com razão ela diz que "o Brasil é um país muito racista, muito machista, muito homofóbico”.

    Assista a entrevista da atleta ao canal pago SporTV 

    Maranhão se solidariza com seus colegas do judô que perderam. Ela cita o caso de Rafaela Silva que foi chamada de “macaca”, por ser negra, em 2012, após perder (leia mais aqui).

    “Rafaela é uma menina de origem pobre, que teve assistência de programas sociais, e muitas pessoas querem que isso acabe. É paradoxal", reforça.

    Para ela, seria natural as pessoas criticarem a suja atuação no esporte, mas “desejar que eu seja estuprada, que a minha mãe morra, que um bandido me mate”, argumenta, “acho que isso ultrapassa “ os limites da civilidade.

    Ela afirma que o possível dinheiro arrecadado com as ações judiciais reverterão para a sua ONG Infância Livre, que cuida de crianças que sofreram abuso sexual em Recife (saiba mais aqui).

    “As pessoas se sentem seguras por estarem por trás de um computador”, mas ela conta que armazenou todos os xingamentos e encaminhou para a Justiça, porque ao partirem “para a história da minha infância” para o “desrespeito com as mulheres” e “pelo fato de eu ser nordestina" aí "vou ter que tomar medidas jurídicas”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Um dos destaques da programação recente ocorreu em episódio do MasterChef Brasil, da Band, na terça-feira (16), em que o apresentador Erick Jacquin levou um “puxão de orelha” da também apresentadora Paola Carosella, ao parabenizar as duas finalistas, dizendo: 

    "Para nós, vocês são as duas cozinheiras mais talentosas que já passaram pelo MasterChef. As duas estão prontas para casar", arrematou Jacquin, crente que estava fazendo um grande elogio.

    Sua colega de apresentação, Carosella, reagiu prontamente: "Por que para casar? Elas estão prontas para comandar um restaurante estrelado". As competidoras disseram preferir a argumentação da chef argentina, radicada no Brasil.

    Assista

    Vídeo analisa a cobertura jornalística sexista das Olimpíadas 

    Com força aparece também na internet o programa “O Grande Mundo do Sexismo”, da Vox, nos Estados Unidos. Nele a apresentadora denuncia atitudes sexistas na cobertura jornalística das Olimpíadas Rio 2016.

    Ela cita o comentário de Adam Kreek, da CBC, que fez críticas à jogadora de tênis canadense Eugenie Bouchard, por ela postar selfies com uma marca de pasta de dente nas mãos. “Talvez ela queira algo mais do quer ser uma competidora”, afirma.

    Mas os comentários só pioram. Ao noticiar a vitória da nadadora húngara, que quebrou o recorde mundial de sua categoria, outro apresentador diz: "Este é o homem responsável por fazer Katink Hosszú, sua esposa, uma nadadora diferenciada”.

    Nada igualável à manchete do jornal norte-americano "Chicago Tribune", ao noticiar a vitória de uma atleta: “Esposa de um jogador do Bears ganha uma medalha de bronze nas Olimpíadas do Rio hoje”. Dispensa comentários.

    Rusga ao vivo na Globo entre Cris Dias e William Waak  

    Durante um giro pelos resultados das competições da Rio 2016, na madrugada desta quinta-feira (18), foi ao ar um entrevero entre os apresentadores Cris Dias e William Waak. Ela disse hoje ele meu deu um oi e continuou: “vamos falar de vôlei”.

    O jornalista não se conteve e falou em tom agressivo com ela, quando ela perguntou: “você quer continuar?” e ele teve que se conter, visivelmente contrariado.

    A atitude da jornalista viralizou na internet, ganhando solidariedade de internautas. Já que Waak já havia ocorrido em falta com a cantora Anita. Justamente onde começou a rusga entre ele e a sua colega Dias.

    Ela começou perguntando para a Anita sobre a apresentação dela com Caetano Veloso e Gilberto Gil no final da abertura da Rio 2016. Waak disse “eu ia fazer a primeira pergunta, mas tudo bem continue”, e a apresentadora respondeu “é que eu também estou eufórica e emocionada”.

    Grosseria com Anita 

    A partir daí o jornalista foi um preconceito só em relação à Anita. Perguntou, inclusive, se ela estava com medo de rasgar o vestido no palco, porque não estava dançando como faz em outras apresentações suas.

    Ela respondeu que não. Ele insistiu, dizendo que cresceu ouvindo Caetano e Gil ao que ela respondeu que ela também. 

    Portal CTB

  • Prestes a representar o Brasil em sua quarta olimpíada, no Rio de Janeiro, a medalhista olímpica Joanna Maranhão sofreu uma agressão misógina (ódio às mulheres) e de intolerância na capital paulista. A nadadora pedalava pelas ciclovias da cidade quando o fato ocorreu.

    Ela explica que “foi obrigada a parar na ciclovia porque mais uma vez um carro estava estacionado em frente ao restaurante Crystal (uma pizzaria de gente rica). Então pedi ao motorista que tirasse seu veículo pois ali era proibido para carros”.

    Foi quando o rapaz respondeu: “Você vai esperar ter vaga no estacionamento. Tá achando que isso é o problema do país? Vagabunda petista”.

    joanna maranhao odio petista

    “Quem me conhece sabe que sou sangue quente, mas a agressividade desse jovem me pegou tão de surpresa, que eu fui embora e comecei a chorar. Triste situação, triste realidade, maldita polarização”, relatou, em sua rede social.

    No ano passado, Joanna sofreu ataques cibernéticos quando postou vídeo dispensando a torcida dos deputados federais que votaram a favor da redução da maioridade penal (leia e assista o vídeo aqui).

    Também ironizou os "paneleiros" quando o senador Aécio Neves (PSDB) foi acusado na Lava Jato e ninguém bateu panela (leia).

    Em entrevista recente à BBC Brasil, a atleta defendeu a inclusão de educação sexual nas escolas como forma séria de se combater a pedofilia (acesse aqui e saiba mais). Joanna diz ter superado há pouco uma depressão, causada por violência sexual sofrida na infância por um técnico de natação. Ela só teve coragem de denunciar o agressor em 2012, aos 21 anos.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências

  • Os Jogos Olímpicos Rio 2016 trazem a atenção de bilhões de pessoas para o Brasil. Com isso, a mídia internacional vem denunciando a ditadura em consolidação no país, através de um processo de impeachment fajuto (leia aqui).

    Mas outras mazelas da sociedade brasileira também entram em cena. Ao ganhar a medalha de ouro na categoria até 57 quilos, Rafaela Silva (negra e pobre) trouxe à tona as ofensas racistas que sofreu nos jogos de Londres 2012, quando perdeu a possibilidade de medalha.

    Agora, a postagem de um internauta em uma rede social, consegue cometer dois crimes de uma só vez. E a sua argumentação para justificar o que escreveu só faz piorar ainda mais. O membro do Conselho Federal de Administração Marcos Clay escreveu: "Eu odeio preto, mas essa goleira do Brasil tinha chance".

    A goleira em questão é Bárbara Micheline do Monte Barbosa, da seleção brasileira de futebol feminino. “É muita cara de pau. A pessoa escrever isso e depois dizer que foi brincadeira”, afirma Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Ao G1, da Globo, Clay, disse que "foi uma brincadeira de mau gosto... Uma brincadeira que infelizmente algumas pessoas se ofenderam, mas não era minha intenção. Tanto é que minha esposa é negra, todo mundo sabe disso. Quem me conhece sabe que eu não sou racista, tenho vários amigos que são negros, não tenho problema com isso".

    monica custodio 2014Para Custódio, esse tipo de argumentação é muito comum. Porém, “escrever ‘eu odeio preto’, significa o que? Brincadeira? Que tipo de brincadeira é essa? E aí a emenda fica pior do que o soneto, quando diz que a Bárbara ‘tinha chance’. Chance de que? Quem disse que ele tem alguma chance com ela?”

    Isso mostra, afirma a sindicalista da CTB, que em "pleno século 21", além de “racista esse rapaz é um tremendo de um machista” e reforça a proposta da ativista Nana Queiroz que lançou o “Guia Prático e Didático da Diferença entre Paquera e Assédio”, durante o carnaval, para ensinar os homens como paquerar, sem agredir (leia aqui).

    “Essa é mais uma postagem racista na internet e é necessário ir fundo na questão e, dentro da lei, punir todos as postagens racistas e discriminatórias para acabar com esse tipo de atitude”, reforça Custódio.

    Ela lembra ainda que a prática de racismo é crime inafiançável e imprescritível, mas que “dificilmente alguém é punido, porque a própria Justiça age com racismo, infelizmente”.

    Clay tenta se defender. "Uma pessoa pegou meu post e republicou dando uma conotação de racismo. Deve ter alguma coisa contra mim. Já fiz uma retratação dizendo que era uma brincadeira. O povo de hoje está muito melindrado, ninguém pode mais falar nada nas redes sociais que vira polêmica”.

    “Parece que as pessoas perderam completamente o bom senso, principalmente após o afastamento da presidenta Dilma e querem expressar toda a sua animalidade nas redes sociais”, afirma Custódio.

    Para ela, “somente organizados e unidos, os afrodescendentes brasileiros conseguirão combater com mais tenacidade a chaga do racismo”. Ela convoca todos à luta porque “combater o racismo é defender o processo civilizatório brasileiro e o desenvolvimento da humanidade”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • De origem humilde e patrocinado pelo programa Bolsa Atleta, Isaquias Queiroz entra para a história ao ganhar a sua terceira medalha olímpica na manhã deste sábado (20). Ele se transformou no primeiro brasileiro a conquistar três medalhas numa única edição dos jogos.

    Nesta manhã ele e Erlon de Souza levaram a prata na competição de canoagem em dupla de 1.000 metros. Perderam por centésimos de segundos para a dupla alemã, mas já fizeram história nesse esporte pouco cotado no país.

    Ao ganhar sua primeira medalha – prata no individual de 1.000 metros, Queiroz disse que “essa medalha tem um significado especial por ter vindo de um projeto social, mas me dá tristeza ver que isso acabou no Brasil. Os EUA são uma potência no esporte porque lá existe incentivo do governo”.

    Ele se refere ao programa Bolsa Atleta, que desde 2006 vem patrocinando diversos atletas para melhorar a performance brasileira nas olimpíadas. Queiroz levou três medalhas: duas de prata (1.000 m individual e dupla) e bronze nos 200 metros individual.

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    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Damien Meyer/AFP

  • A primeira medalha de ouro para o Brasil na Rio 2016, saiu na tarde desta segunda-feira (8). A judoca Rafaela Silva, de 24 anos, venceu a atleta da Mongólia Sumiya Deorjsurem. Esta foi a segunda Olimpíada da brasileira.

    “Em Londres, chamaram minha filha de macaca. Agora, estamos aqui”, disse dona Zenilda, mãe de Rafaela. Isso porque nos jogos de 2012, ela aplicou um golpe ilegal e foi desclassificada. O fato gerou inúmeras ofensas racistas contra a judoca, negra e criada na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

    Foi graças ao trabalho do Instituto Reação e a dedicação de seus pais, que Rafaela ingressou no judô. Com apenas 24 anos, ela já acumula títulos importantes. 

    Em 2011, já mostrava a que se dispunha e venceu Ketleyn Quadros – a primeira judoca brasileira e subir num pódio olímpico – e competiu nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, no México, ficando com a medalha de prata.

    No mesmo ano, foi vice-campeã mundial adulta em Paris, com apenas 19 anos de idade. Em 2013 ganhou ouro no Pan-americano e em agosto, Rafaela entrou para a história do Judô brasileiro ao tornar-se a primeira brasileira a se sagrar campeã mundial na categoria.

    "Em 2014 e 2015 ninguém treinou mais do que eu. Torcida estava ajudando bastante, balançando o ginásio, e eu não podia decepcionar", declarou ela à ESPN Brasil, após a sua vitória, com muita humildade, mas com a certeza de que derrotou os racistas.

    Portal CTB