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25
Ter, Jun

ONU Mulheres

  • A ONU Mulheres definiu em 2015 a campanha Dia Laranja Pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, efetivado no dia 25 de cada mês. “Data muito significativa para a conscientização de todos e todas sobre a necessidade imperiosa de acabarmos com essa violência que vitima mulheres todos os dias em nosso país”, diz Santa Alves, secretária de Comunicação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Distrito Federal (CTB-DF).

    Já para a secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CTB, Ivânia Pereira, “a existência de campanhas como essa e a presença constante das mulheres nas ruas e nas redes sociais têm sido fundamental para elevarmos o patamar da luta das mulheres por direitos iguais”.

    A mídia faz um papel perverso na propagação do machismo e das ideias patriarcais e arcaicas, diz ela. “De um modo geral, a mídia transforma a mulher em mercadoria, sempre com pouca roupa para vender os produtos e agradar aos homens”.

    Pereira afirma que estão “vendendo a inocência, a juventude e com isso criam o fetiche mercadológico dessa cultura machista, que chega a ser pedófila, muitas vezes”. Ela cita também a recente pesquisa do Datafolha, pela qual 33% dos entrevistados responsabilizam a vítima por ter sido estuprada.

    E ainda vem “esse desgoverno Temer e pretende uma reformulação do ensino médio tirando as matérias que cultivam a criatividade na juventude, como artes, filosofia e sociologia e educação física que propicia desenvolvimento corporal saudável”, reforça. Tem ainda a discriminação sofrida pelas mulheres no mercado de trabalho.

    Veja vídeo da ONU Mulheres sobre a campanha  

    “Somos as primeiras a serem demitidas e as últimas a serem recontratadas. Trabalhamos mais e ganhamos menos e ainda temos a tripla jornada”, acentua Pereira. Ela conta que “em pleno século 21, existem fábricas que obrigam as trabalhadoras a mostrarem seus absorventes com sangue todo mês, para provarem que não estão grávidas”.

    Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP, lembra dos 10 anos da Lei Maria da Penha. “Criada há 10 anos para punir os agressores de mulheres, a Lei Maria da Penha por si só não está sendo suficiente para inibir a violência. Precisamos de delegacias da mulher 24 horas e de mais aparatos repressivos, além de campanhas educativas”, afirma.

    A própria Maria da Penha diz em entrevista à BBC Brasil, que "hoje em dia a violência continua. Mas tem muita mulher que acha que só é violência quando ela está machucada. Ela não entende que a violência doméstica também é psicológica, moral, sexual". (Leia a entrevista na íntegra aqui).

    Para Bitencourt, “o movimento feminista está no rumo certo e enfrentando as adversidades do machismo com a cara e a coragem”. Pereira mostra fé na juventude. “Essas meninas estão firmes e fortes estudando o feminismo e mostrando para a sociedade que as mulheres não estão para brincadeira, principalmente na luta por igualdade de gênero”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Homens, mulheres, artistas e autoridades uniram forças contra a violência de gênero, na manhã deste domingo (11), quando participaram da Caminhada Eles por Elas, parte de uma campanha mundial idealizada pela ONU Mulheres e realizada na Bahia pelo governo do estado.

    O ato, no Dique do Tororó, em Salvador, marcou o encerramento dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que em solo baiano duram 21 dias, uma mobilização anual que acontece entre os dias 25 de novembro e 10 de dezembro, em mais de 160 países.

    Para a secretária da Mulher da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil na Bahia (CTB-BA), Marilene Betros, é muito importante encerrar essa campanha “dialogando com os homens para pôr fim às agressões que as mulheres sofrem todos os dias no Brasil”.

    Para ela, “as mulheres devem permanecer nas ruas e nas redes sociais firmes e fortes para derrotar o machismo arcaico, que deprecia a figura da mulher e impede a sociedade de avançar para uma vida sem violência e com respeito”.

    De acordo com a secretária estadual de Política para Mulheres (SPM-BA), Olívia Santana, o objetivo da ação, é mobilizar toda a população, sobretudo, o público masculino para a causa, remetendo à data 6 de dezembro, Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

    "Essa é uma campanha mundial criada pela ONU Mulheres que a Bahia adotou. Nós já fazemos ações de conscientização e encorajamento para as mulheres, mas elas são as vítimas. É necessário causar uma mudança na maneira que os homens enxergam as relações", afirma a secretária.

    A relações públicas, Sazana Martins, participou da caminhada ao lado do namorado, o psicólogo Steve Carvalho. Para ela, perceber a adesão do companheiro proporciona maior sensação de segurança.

    "Ele carregar a bandeira de combate à violência contra a mulher junto comigo me mostra que fiz a escolha certa em assumir relacionamento com ele. É muito importante para mim, mulher e negra, ter essa segurança", destaca.

    Para Steve, ele apenas reforça uma luta que é de todos. "É muito importante ações como esta de conscientização do público masculino. O homem precisa ter a consciência de que precisa respeitar e valorizar as mulheres, sem essa de sexo frágil", afirma.

    O gerente de RH, Gilvan Cerqueira, também é um dos homens que milita no combate à violência de gênero. Ele busca sempre reforçar o respeito às mulheres nas políticas de gestão de pessoas. "Sempre participo de ações como esta. Levo esses valores para o ambiente de trabalho, onde ainda existe muita desigualdade e violência. Acho que se cada um fizer sua parte, vamos conseguir mudar esta triste realidade", ressalta Cerqueira.

    A campanha é uma mobilização que consiste na luta pelo enfrentamento à violência contra as mulheres. No Brasil, tem início antecipado no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, configurando assim 21 dias de ações pelo fim da violência contra a mulher.

    “Queremos o fim do machismo, queremos discutir um mundo de igualdade, onde homens e mulheres dividam com responsabilidade as suas tarefas”, conclui Betros.

    Portal CTB com CTB-BA e Sinttelba

  • Num espaço de poucos dias, uma menina de apenas 16 anos foi estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro e outra foi vítima de estupro coletivo no Piauí. As notícias chocaram. Até agora a polícia indiciou somente quatro rapazes do Rio de Janeiro, inclusive, um deles mantinha um relacionamento com a menina há pelos menos 3 anos.

    “A situação de vulnerabilidade das mulheres só tende a piorar com esse governo golpista que acabou com o ministério que cuidava de políticas públicas para as mulheres”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ela, “a instalação desse governo, que é defendido por homens que pensam como o Jair Bolsonaro, vem acarretando muitos problemas para as mulheres, porque machismo para eles é elogio”.

    Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no país. Mas o professor Robson Sávio, que gravou programa de rádio para o Sindicato dos Professores de Minas Gerais estima que esse número é ainda mais assustador porque muitas ainda não denunciam a violência (leia aqui).

    Também é muito comum no Brasil denúncias de assédio sexual no mundo do trabalho e no transporte público como mostra o Instituto Patrícia Galvão de que dobrou o número de abusos sexuais no metrô de São Paulo em 4 anos.

    A coordenadora-geral da União Brasileira de Mulheres (UBM), Lúcia Rincón, não tem a menor dúvida de que “a atual situação de intolerância e misoginia que vivemos em nossa sociedade favorece esse tipo de violência “, porque “o patriarcado tem medo da emancipação feminina”, reforça.

    Ivânia concorda com ela. “Os homens que agem dessa maneira se assustam com as conquistas de espaços que tivemos nos últimos anos e com a instalação desse governo golpista sentem-se impunes para se vingar dos avanços sobre a questão da igualdade de gênero”.

    A coordenadora do Grupo Especial de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (GEVID), do Ministério Público do Estado de São Paulo, Silvia Chakian, em entrevista à BBC Brasil afirma que a certeza da impunidade motiva esse tipo de crime.

    Eles "agem em grupo, gravam e publicam a própria prova do crime que praticaram”, acentua. Isso para Silvia, “mostra o descaso para eventuais responsabilizações, descaso com a Justiça". Já a Organização das Nações Unidas Mulheres (ONU Mulheres) do Brasil exige punição aos agressores.

    “A ONU Mulheres solicita, aos poderes públicos dos estados do Rio de Janeiro e do Piauí, que seja incorporada a perspectiva de gênero na investigação, processo e julgamento de tais casos, para acesso à justiça e reparação às vítimas, evitando a sua revitimização”.

    Lúcia defende a necessidade de intensificação de ações que combatam a violência contra as mulheres. “Precisamos nos manter nas redes e nas ruas divulgando nossos princípios de solidariedade, de justiça social, de crença em relações fundadas nos direitos humanos”.

    “Temos que combater a propagação de ideias de que o lugar da mulher se circunscreve ao lar como defende o patriarcado”, acentua Ivânia. “Mostrar que o lugar das mulheres é onde elas quiserem e que isto não é contra os homens, mas sim em defesa de direitos iguais”.

    Para Ivânia, os casos de estupros, mostram que o “capitalismo oprime a todos, mas principalmentes as mulheres". Por isso, diz ela, "exigimos a punição de todos os agressores imediatamente. Chega de impunidade e de conivência com a violência". 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • “Vamos denunciar o governo brasileiro na Organização das Nações Unidas (ONU) por cometer atos de violência contra as mulheres”, explica Raimunda Leoni, secretária de Finanças da Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil e do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro.Ela se refere ao artigo da reforma trabalhista que permite às grávidas trabalharem em locais insalubres.

    “A denúncia se baseia no fato de que essa alteração da lei traz prejuízos às mulheres e para os seus filhos e filhas, porque essa criança pode nascer com problemas devido à exposição a situações de perigo”, acentua a sindicalista.A reforma trabalhista (Lei 13.467) sancionada pelo governo golpista de Michel Temer no dia 14 de julho altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no que diz respeito à restrição ao trabalho de gestantes e lactantes em ambientes insalubres.

    “A empregada gestante ou lactante será afastada, enquanto durar a gestação e a lactação, de quaisquer atividades, operações ou locais insalubres, devendo exercer suas atividades em local salubre”, diz o artigo 394-A da CLT.Já o texto da nova lei pretende que as mulheres grávidas e lactantes tenham atestado médico para serem impedidas de trabalhar em locais insalubres, caso contrário podem exercer a sua função independente da situação de sua gestação.

    A reforma trabalhista em seu artigo 394-A que "sem prejuízo de sua remuneração, nesta incluído o valor do adicional de insalubridade, a empregada deverá ser afastada de:I - atividades consideradas insalubres em grau máximo, enquanto durar a gestação;II - atividades consideradas insalubres em grau médio ou mínimo, quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de confiança da mulher, que recomende o afastamento durante a gestação;III - atividades consideradas insalubres em qualquer grau, quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de confiança da mulher, que recomende o afastamento durante a lactação".§ 3º - "Quando não for possível que a gestante ou a lactante afastada nos termos do caput deste artigo exerça suas atividades em local salubre na empresa, a hipótese será considerada como gravidez de risco e ensejará a percepção de salário-maternidade, nos termos da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, durante todo o período de afastamento § 3º".

    Por isso, afirma Leoni, a denúncia será encaminhada à ONU, à Organização Internacional do Trabalho (OIT) e à ONU Mulheres. “Não podemos aceitar em hipótese nenhuma tamanha violação aos direitos de vida das mulheres. Não nos calaremos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Começa neste sábado (25) a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres – uma mobilização anual que já atinge mais de 160 países pelos direitos das mulheres a uma vida digna e sem medo.

    “Além de abraçar essa campanha, as brasileiras devem estar engajadas permanentemente contra as violências das quais somos vítimas todos os dias no país”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o quinto país mais violento contra as mulheres. O 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que foram assassinadas 4.657 mulheres em 2016, “o que assusta porque esse número significa um crescimento de 3,5% em relação a 2015 e pior ainda notamos uma tendência de crescimento dos feminicídios”, denuncia Arêas.

    O movimento dos 16 Dias de Ativismo começou em 1991 quando mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres, nos Estados Unidos, decidiram intensificar campanhas para acabar com a violência contra as mulheres. A data escolhida foi em homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como Las Mariposas, assassinadas em 1961 por fazerem oposição ao regime do ditador Rafael Trujillo, na República Dominicana.

    Por isso, começa em 25 de novembro – Dia Internacional de Luta Contra a Violência às Mulheres – e se encerra no dia 10 de dezembro – Dia Mundial dos Direitos Humanos, passando pelo dia 6 de dezembro – Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

    Para Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ, “a campanha visa conscientizar as mulheres da importância se unirem, mas também dialogar com os homens para que entendam que não somos propriedades deles e temos os mesmos direitos a uma vida plena, feliz e sem medo”. 

    A CTB participa das diversas manifestações que ocorrerão nos 16 dias em todos os cantos do país e chama a atenção para a necessidade de eliminar as desigualdades, o assédio e a violência física e psicológica contra as mulheres.

    No mundo do trabalho vem crescendo as denúncias de assédio moral e sexual. A CTB fez uma cartilha sobre o tema para municiar as mulheres de argumentos contra esses abusos. “Muito importante as centrais sindicais entrarem no combate ao assédio moral e sexual”, afirma Arêas.

    Leia e imprima a cartilha sobre assédio moral e sexual da CTB.

    Para ela, “as mulheres já sofrem dupla jornada de trabalho e ainda têm que passar por essas humilhações o que provoca adoecimento físico e mental, o que, inclusive, dá enormes prejuízos para a sociedade.”

    Pesquisas estimam que poucas mulheres denunciam essa violência e com o acirramento da crise, estudiosos admitem que o número de denúncias diminui ainda mais.

    “É uma grande roda-viva porque as trabalhadoras ficam com mais medo ainda de perder o emprego, têm receio de contar para os companheiros e serem julgadas como provocadoras, então suportam tudo e claro adoecem”, diz Tereza Bandeira, secretária da Mulher do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações da Bahia.

    No Brasil, a campanha já começa em 20 de novembro - Dia Nacional da Consciência Negra – para denunciar a situação vivida pelas mulheres negras – 25% da população. “As negras sofrem dupla discriminação, recebem os menores salários, são mais assediadas e vivem em maior vulnerabilidade porque residem onde as políticas pública do Estado e a segurança não chegam”, reforça Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB.

    Aires Nascimento, secretária adjunta da Mulher Trabalhadora da CTB ressalta que nos últimos anos as políticas públicas avançaram no Brasil, mas “vivemos retrocessos porque o governo golpista ataca nossas conquistas”.

    Para ela, “o governo visa enfraquecer a Lei Maria da Penha e a do Feminicídio e isso vem causando mais violência contra as mulheres porque cresce nos algozes o sentimento de impunidade que vivíamos antes dessas leis”.

    Já Arêas ressalta os ataques aos direitos de decisão sobre o corpo das mulheres que a Proposta de Emenda á Constituição (PEC) 181/2015 em tramitação na Câmara dos Deputados, traz. “Essa PEC visa punir as vítimas de estupro, proibindo o aborto em qualquer circunstância, e premiar os criminosos com a paternidade”.

    A interrupção da gravidez no Brasil só é permitida nos casos de estupro, anencefalos (que não têm cérebro) e casos de risco de morte das mães.

    “Os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres leva para as ruas a discussão sobre as questões da igualdade de gênero, da liberdade e de podermos decidir sobre nossas vidas”, reforça Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB.

    ONU ilumina cartões-postais brasileiros

    Para marcar a campanha a Organização das Nações Unidas ilumina diversos monumentos no mundo. No caso brasileiro serão iluminados de laranja (a cor que simboliza a necessidade de combater a violência) alguns dos cartões postais do país.

    cristo redentor foto unic rio celio duraes

    Foto: UNIC Rio/Célio Durães

    Com o tema “Não deixar ninguém para trás”, A ONU pretende que as mulheres e meninas “sejam incluídas em todos os assuntos que as preocupam e projetar soluções para acabar com a violência junto com aquelas pessoas anteriormente omitidas, relegadas ou marginalizadas. Como comunidade global, podemos acabar com a violência contra mulheres e meninas, transformar instituições e unir os esforços para erradicar a discriminação, restaurar os direitos humanos e a dignidade e não deixar ninguém para trás”, afirma Phumzile Mlambo-Ngcuka, secretária-adjunta da ONU e diretora-executiva da ONU Mulheres.

    Estarão laranja a partir deste sábado (25) o Cristo Redentor (Rio de Janeiro), Elevador Lacerda (Salvador) e Palácio Buriti (Brasília). Vale conferir.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam 52% (mesma proporção da população geral) das 144.088.912 pessoas aptas a votar neste ano. E mesmo com a lei estabelecendo a cota mínima de 30%, as mulheres encontram dificuldades para serem firmadas como candidatas. Pelos dados do TSE, as negras enfrentam situação ainda pior.

    São 493.534 pessoas concorrendo a uma vaga em câmaras municipais e prefeituras nos 5.568 municípios, sendo 156.317 mulheres (31,6%). Porém, existem apenas 12,6% de candidatas a prefeitas e 17,4% para vice-prefeitas, enquanto para vereadoras são 32,9%. No Congresso atual as mulheres não passam de 10% e no ministério golpista não tem nenhuma.

    “Não chega nem perto da maioria, que representamos na população e no eleitorado”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A situação das mulheres negras é ainda pior. Negras e pardas são apenas 79.265 candidatas à vereadora e 652 para prefeita, ou 0,13%. De acordo com Carmela Zigoni, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, candidatas que se autodeclaram “negras” são ainda menos: 0,01% para às prefeituras e 2,64% querem ser vereadoras.

    mulheres negras eleicao

    Para a secretária da Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio, o baixo número de candidatas negras é um “reflexo do racismo, do machismo e do sexismo que imperam em nossa sociedade”.

    Na conjuntura do Brasil pós-golpe, “a situação tende a ficar ainda pior, pois os homens brancos que assaltaram o poder estão acabando com todos os programas para a população negra conseguir mais oportunidades e assim saírem da invisibilidade”.

    Custódio lembra que no Rio de Janeiro a candidatura de Jandira Feghali (PCdoB) à prefeitura está mobilizando as mulheres em defesa da paridade, “essencialmente as mulheres negras que sofrem dupla discriminação”. Além disso, Feghali, diz ela, “é uma mulher de fibra”. sem contar que Feghali foi a relatora da Lei Maria da Penha, aprovada em 2006.

    Já a secretária da Mulher da CTB-RJ, Kátia Branco, afirma que Feghali “vai ao segundo turno e vamos vencer essa eleição para que as mulheres botem a cidade maravilhosa no rumo do combate às desigualdades. A classe trabalhadora está com Jandira (Feghali)”. ela afirma que "as políticas de mobilidade urbana e de igualdade terão vez com ela na prefeitura".

    Cresce também a candidatura de Alice Portugal (PCdoB) para a administração municipal de Salvador. Ela diz que “tem muita gente cantando vitória antes da hora” e lembra que o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, estava atrás nas pesquisas, mas venceu a eleição por duas vezes.

    Em São Paulo, o candidato à reeleição Fernando Haddad (PT) é o único prefeito brasileiro a assinar o projeto da Organização da Nações Unidas (ONU) Mulheres “Cidade 50-50” (saiba mais aqui), comprometendo-se com a paridade entre mulheres e homens nos cargos públicos.

    Indígenas

    No que se refere aos povos indígenas, são 1.702 candidatos em todo o Brasil (0,3% do total), dentre os quais 29 para o cargo de prefeito e 1.613 para os cargos de vereador.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB com informações do Inesc

  • O Sinttel Bahia, em parceria com a Secretaria de Política para Mulheres - SPM e com a ONU Mulheres, promoverá ações nos “16 de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”. No período de 20 de novembro a 06 de dezembro, diversas entidades dos movimentos sociais promoverão atividades que terão como objetivo engajar homens e mulheres na luta pelo combate à violência sexual. O tema deste ano é “Machismo. Já passou da hora. #podeparar”.

    O Sinttel Bahia já é parceiro da ONU Mulheres no combate à violência, e desde o ano passado, realiza atividades para discutir o tema, aderindo à principal campanha do órgão mundial, o HeForShe (ElesPorElas), que também tem o objetivo de engajar os homens no combate à violência contra a mulher e ao feminicídio (assassinato de mulheres por razões da condição de sexo feminino).

    “Combater a violência de gênero é uma tarefa constante e que deve ter o engajamento de toda a sociedade. É um diálogo que deve ser realizado por todos, principalmente pelos homens, por isso devemos tê-los como parceiros nesta luta”, afirma Tereza Bandeira, secretária de mulheres do Sinttel Bahia.

    16 Dias de Ativismo

    Os 16 Dias de Ativismo começaram em 1991, quando mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), iniciaram uma campanha com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo. A data é uma homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, que se posicionaram contrárias ao ditador Trujillo, ficando conhecidas como “Las Mariposas”, e sendo assassinadas em 1960, na República Dominicana.

    Hoje, cerca de 130 países desenvolvem esta campanha. No Brasil, ela acontece desde 2003, por meio de ações de mobilização e esclarecimento sobre o tema. Vários municípios brasileiros já estão com as ações em andamento, mas a campanha em nível nacional será lançada oficialmente em Brasília em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres. Está previsto ainda para dezembro o lançamento, pelo governo federal, de um programa de promoção da igualdade de gênero.

    Feminicídio

    O Brasil é o quinto país do mundo em número de assassinatos de mulheres, segundo o Mapa da Violência de 2015. Esse e outros dados de violência de gênero foram reunidos no Dossiê Feminícídio, lançado em novembro pelo Instituto Patrícia Galvão. O levantamento também faz um alerta para a importância de dar visibilidade ao cenário de violência, a fim de mudar práticas consideradas normais que podem, no entanto, resultar em mortes.

    Fonte: Sinttel Bahia