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Sex, Jul

Petroleiros

  • No terceiro dia da greve nacional dos petroleiros, a mobilização em defesa da Petrobras demonstra força crescente. Essa é a avaliação do secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, que participou de uma reunião do comitê da greve no Sindicato dos Petroleiros de São Paulo nesta terça-feira (3). Reunido com outros trabalhadores do setor, Divanilton dialogou com os movimentos sociais da capital paulista para pedir apoio.

    “Essa greve não se refere a uma questão econômica, é uma defesa da Petrobras e seus investimentos. É uma pauta em defesa do Brasil. O novo plano de negócios que a Petrobras definiu retira mais de R$ 500 bilhões de investimento até 2019, e isso tem um impacto na economia de quase 1,5% do PIB brasileiro. Os terceirizados estão sendo demitidos, os cortes de investimentos prejudicam as atividades, tem gente desembarcando por conta de plataformas desativadas, a indústria naval está rompendo contratos”, explicou a dirigente cetebista. “A velocidade da adesão a essa greve tem sido maior que a de todas as outras, nós observamos aqui, justamente por ser uma luta contra algo concreto”, completou.

    A mobilização dos trabalhadores já atinge todo o país. Apenas no Rio de Janeiro, onde é produzido 80% do petróleo nacional, 45 plataformas já aderiram ao movimento, além das refinarias, e há operações parecidas na Bahia, no Espírito Santo, no Rio Grande do Norte, em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Amazonas e Ceará, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. A tabela ao final do texto detalha o progresso da greve.

    Corte de investimentos 

    Depois de mais de 100 dias em silêncio, os representantes da Petrobras não se manifestaram sobre o manifesto de seus trabalhadores, contrários ao ajuste draconiano que a empresa detalhou em seu Plano de Negócios e Gestão (PNG). Para agravar a situação, não compareceram à reunião organizada pelo Ministério Público do Trabalho - algo que foi encarado como uma afronta pela Federação Única dos Petroleiros, e que foi o estopim da paralisação. "A ausência da empresa reflete o desinteresse em buscar uma solução negociada no que diz respeito às questões levantadas pela Federação e principalmente sobre o regramento da greve", ressaltou o MPT na ata da audiência.

    “Os cortes de investimentos, venda de ativos, interrupção de obras e paralisação de projetos impactam o desenvolvimento e a soberania nacional. Segundo estudos do próprio governo, para cada R$ 1 bilhão que a Petrobrás deixa de investir no país, o efeito sobre o PIB é de R$ 2,5 bilhões. Se o PNG não for alterado, a estimativa é de 20 milhões de empregos deixarão de ser gerados até 2019”, dizia o relatório da FUP, ignorado pela empresa e pelo governo.

    Apesar de reconhecerem a dificuldade imposta pela queda no preço do petróleo mundo afora, os petroleiros oferecem uma proposta alternativa que sugere alongar a dívida da Petrobras, com compensações no longo prazo, para preservar o plano de investimento da empresa e desenvolvimento nacional.

    O documento sugere também que o governo aproveite o momento de queda no valor das ações da Petrobras para fechar seu capital, troque dívidas em dólares por reais e utilize a logística e a infraestrutura já disponível para gerar valor imediato. Cita como exemplo a instalação de cabos de fibra ótica nas faixas de dutos, por exemplo, para explorar comercialmente os dutos de mais maneiras.

    Quadro atualizado da greve

    Norte Fluminense

    Adesão de  41 plataformas, sendo que 25 estão totalmente paradas. Além disso, oito plataformas estão com restrição de produção e outras oito foram passadas para as equipes de "pelegos". Cerca de 400 a 450 mil barris deixaram de ser produzidos. No Terminal de Cabiúnas, não há rendição de turno.

    Bahia

    RLAM e terminais da Transpetro sem troca de turno. Fafen parada, Termoelétrica e PBio, sem trocas de turno. Campos de produção terrestre também na greve, com algumas unidades completamente paralisadas.

    Espírito Santo                                                                                 

    Operação do Terminal Aquaviário de Vitória está paralisada. No Terminal de Barra do Riacho, foi suspenso o recebimento de gás e o navio que está atracado no TABR não será operado. A P-58 está com 50% da produção reduzida, os trabalhadores desembarcaram e foram substituídos pela equipe de contingência.  Na Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), os operadores entregaram a unidade para a supervisão.  No Terminal Norte Capixaba, a unidade também foi entregue ao gerente e aos supervisores.

    Rio Grande do Norte

    nas plataformas marítimas, a produção foi interrompida em 13 unidades. Os trabalhadores dos campos de produção terrestre também aderiram à greve. As unidades do Pólo de Guamaré estão sem troca de turno. A Refinaria Clara Camarão está com a produção parada.

    São Paulo

    Na Recap e na Replan, a greve está com 100% de adesão dos trabalhadores do turno. Ambas as refinarias foram entregues para as equipes de contingência.

    Duque de Caxias

    A REDUC e a Termoelétrica permanecem sem troca de turnos. A Petrobrás continua impedindo a presença das direções sindicais dentro das unidades.

    Minas Gerais

    Na Regap e na Termoelétrica, os trabalhadores não estão realizando a troca de turno.

    Pernambuco e Paraíba

    Os trabalhadores do Terminal da Transpetro em Suape e da Refinaria Abreu e Lima continuam cortando a rendição dos turnos.

    Amazonas

    A Reman e os Terminais de Coari e Solimões permanecem sem troca de turno.

    Ceará

    Lubnor segue sem rendição de turno. Em Paracuru e na Usina de Biodiesel, os trabalhadores sendo mantidos em cárcere privado.

    Rio Grande do Sul

    Refap, Terminal de Rio Grande e a Termoelétrica Sepé Tiaraju seguem sem trocas de turno.

    Paraná e Santa Catarina

    Na Repar e na Usina do Xisto (SIX), não há troca de turno e as unidades foram entregues às equipes de contingência. Na Fafen, a greve a produção da unidade está paralisada.

     

    Portal CTB, com informações da FUP

  • O tratamento benevolente que a imprensa comercial vem dando à Petrobras depois do afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff começa a ganhar traços óbvios com a mais recente onda de notícias sobre a empresa. Nesta segunda-feira (12), com o a avaliação otimista de que o Brasil se tornará o maior produtor de petróleo do mundo fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em 2017, a imprensa se desmanchou em otimismo.

    O fato, em si, é motivo de grande comemoração: com sete novas plataformas no pré-sal e 260 mil barris de petróleo a mais por dia, o Brasil terminará 2017 com produção diária de 3,37 milhões de barris. E isso deve acontecer em meio a um momento de contração da oferta mundial de petróleo, o que valoriza o produto. Só na América Latina, a OPEP prevê uma queda de 70 mil barris diários em 2016, aumentando o peso brasileiro na oferta regional em um momento de expansão de demanda por combustíveis. Some a isso as recentes quedas no custo de extração do petróleo da camada do pré-sal e não há projeção que coloque a empresa em um cenário ruim.

    Ainda assim, a mudança na retórica pode ser um choque. O texto mais recente no Estadão, por exemplo, não menciona em uma linha os casos de corrupção da empresa, a queda vertiginosa nos preços do petróleo desde 2008 ou o estado de endividamento da empresa. Quem lê sem conhecimento prévio poderia imaginar se tratar de uma empresa admirada pelos jornalistas, sem problemas, longe dos problemas de Brasília. A mesma pessoa ficaria chocada ao descobrir que, por mais de dez anos, a mesma imprensa bombardeou a estatal com todo tipo de crítica e desmoralização, a ponto de convencer a população de que a Petrobras estaria “falida” (apesar de ter seu patrimônio líquido expandido em 600% no mesmo período).

    “O ataque à reputação da companhia tem o objetivo de ‘quebrar a espinha da Petrobras’ e, assim, inviabilizar o modelo de partilha imposto pelo marco regulatório”, escreveu o ex-presidente da Petrobras e professor aposentado da UFBA, José Sergio Gabrielli. O executivo lembrou em carta aberta que, entre 2002 e 2015, o número de plataformas da empresa mais que dobrou, de 36 para 82, e que o resultado desse investimento foi o reconhecimento unânime da importância da empresa pela comunidade internacional.

    “Essa é a empresa real – com números reais – que querem esconder, valendo-se das denúncias que surgiram com a Operação Lava Jato, o que gerou o clima de forte especulação que fez a companhia perder tanto valor de mercado em tão pouco tempo. A Petrobras é uma empresa sólida, mas a campanha em curso – em discurso uníssono na imprensa – visa enfraquecê-la”, complementou. Ele enxerga nas possibilidades de exploração do petróleo nacional por estrangeiros o interesse primário desses ataques - algo que seria descontrolado numa eventual reversão do regime de partilha para o de concessões.

    comissao defesa petrobrasA imprensa não dá voz aos atos e argumentos dos petroleiros, que são os especialistas do setor. Por quê?

    Para o petroleiro e secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, a principal estratégia desse grupo é usar a campanha anticorrupção como cavalo-de-Troia para desmoralizar a estatal diante do mercado e facilitar/baratear o seu desmonte. “Desde a sua fundação, a Petrobrás sempre foi alvo de tentativas de desestabilização. Só mais recentemente, durante o governo Lula, o seu papel de indutora da economia nacional tem sido resgatado. Portanto essa é uma disputa permanente. A grande mídia brasileira nunca aprovou as mudanças na legislação que permitiram à Petrobras dar o salto que deu nos últimos 10 anos”, explicou. Ele vê na definição das regras de exploração o aspecto central da disputa, e avalia: “Elas são o ponto da luta, porque determinam de quem é e para quem servirá essa nossa riqueza. Atualmente, as empresas devem atuar submetidas à premissa de pertencimento ao Brasil, e isso não agrada aos interesses empresariais”.

    Ao povo, a tragédia; ao capital, a promessa

    A tática por trás da mudança no tratamento midiático é reforçada por uma série de editoriais do pós-golpe, saídos de veículos como a Folha e o Globo, em que os barões da comunicação usam a crise econômica como pretexto para retomar as privatizações. Repetidamente, eles se aproveitam da bagunça nacional para pregar sua agenda econômica: Estado mínimo, com a desconstrução de todas as estatais e remoção de diversos diretos sociais. Criam a imagem de um governo incompetente e corrupto, cuja única salvação é a anulação completa.

    Fazem, assim, uma jogada combinada a mando das multinacionais petrolíferas, que possuem também um braço parlamentar no Brasil. Enquanto os jornalistas convencem a população da desimportância das estatais, um grupo numeroso de políticos comandados por José Serra vai empurrando as leis que deixarão nas mãos dessas gigantes o controle do petróleo e do gás. Ainda na terça-feira (12), conseguiram uma grande vitória: deram mais um passo na aprovação da urgência da tramitação da entrega do pré-sal. O requerimento foi aprovado por uma maioria esmagadora na Câmara, 337 votos a favor e 105 contrários.

    Um paradoxo vai se estabelecendo. Ao mesmo tempo em publicam suas reportagens denunciando a corrupção e o estado deteriorado das contas, os grandes veículos exaltam as possibilidades de lucro da Petrobras, dando a entender que o problema se restringe ao governo. Essa contradição tem objetivo claro: criar no mercado a percepção de um bom negócio, enquanto isola a população de participar dessa discussão.

    O jogo duplo desmobiliza as resistências populares contra o entreguismo e faz com que os petroleiros pareçam bandidos por defenderem o que construíram. Mais importante: abre o caminho político para a tomada de controle dos recursos brasileiros pelo empresariado internacional.

    “Retirar da Petrobras a condição de operadora do pré-sal significa retroceder à lógica predatória e imediatista da época na qual o mercado era dominado por sete grandes companhias internacionais. Significa, em última instância, renunciar à gestão estratégica de um recurso finito e não renovável”, explicou o jornalista Marcelo Zero, comentarista do setor. “Sem essa gestão estratégica, o Brasil poderá se converter em mero exportador açodado de petróleo cru, ao sabor dos interesses particulares e imediatistas de empresas estrangeiras, contribuindo para deprimir preços internacionais e deixando de investir em seu próprio desenvolvimento”, complementou.

    E qual seria o interesse das empresas de comunicação em promover esse cenário? Essencialmente agradar seus anunciantes e donos. São duas realidades atrasadas e que, neste caso, convergem contra os interesses da população: por um lado, há mais de 150 parlamentares que são donos, direta ou indiretamente, de veículos de comunicação pelo país, cujas campanhas políticas foram ou serão financiadas pelas ditas petrolíferas - para eles, defender o interesse dessas gigantes é garantir o próprio futuro em Brasília; por outro lado, grandes anunciantes como bancos e seguradoras são todos acionistas dessas multinacionais, e exigem das redes nas quais anunciam que propaguem visões de realidade que favoreçam seus negócios.

    A estrutura da mensagem abandona a busca pela verdade e se transforma pela conveniência de quem detém o controle das publicações - mais controle da opinião pública, mais dinheiro para os oligopólios e seus mestres. Morre o jornalismo em cada redação.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Reformas estruturais importantes, na década passada, tornaram a indústria naval nacional mais preparada para concorrer com as maiores do mundo. Centenas de empresas foram criadas e mais de 82 mil trabalhadores tinham emprego garantido nos estaleiros, situação bem diferente da década de 1990, quando o país, sem uma indústria local, pagava US$ 10 bilhões por ano para afretar navios de bandeira estrangeira.

    A falta de investimentos e a decisão do governo de acabar com a participação obrigatória da Petrobras, reduzindo drasticamente a exigência do conteúdo local (de 65% para 25%), podendo chegar a zero, podem decretar a falência total da indústria naval.

    O argumento de que a Petrobras está endividada é um embuste. A dívida da Petrobras tem a ver apenas com a queda do preço internacional do petróleo, os investimentos que ela fez no pré-sal e os fatores cambiais. Só.

    Todas as petroleiras estão atualmente endividadas e passando por situação de crises e, mesmo assim, estão correndo para o Brasil em busca do “ouro” que está sendo entregue.

    Nada impede a Petrobras de continuar como operadora única do pré-sal e manter o conteúdo local mínimo nos patamares que permitem fortalecer a indústria nacional, gerando emprego para milhares de trabalhadores.

    A contratação no exterior de sete plataformas, entre 11 previstas para até 2019, além de outras já transferidas para a Ásia, é um crime. A própria Petrobras sabe que a contratação no exterior não é garantia de cumprimento de prazos e de custos menores relativos.

    São um crime contra a indústria e a engenharia local os chamados desinvestimentos de US$ 21 bilhões para o biênio 2017-2018, que não significam outra coisa senão colocar à venda imensos campos de petróleo, já descobertos através de investimentos bilionários da Petrobras.

    A venda desses ativos e o fim do conteúdo local são os descaminhos por onde a Petrobras deixará de cumprir o seu papel de indutora do crescimento nacional e de geradora de riqueza e trabalho para o povo, detentora que é do monopólio de reservas monumentais de 200 bilhões a 300 bilhões de barris de petróleo e gás equivalente no pré-sal.

    O movimento nacional em defesa da indústria naval não vai permitir que o Brasil ande para trás. Não depois que o país soergueu este setor com grande esforço e investimentos públicos, principalmente, do Fundo de Marinha Mercante, FGTS e FAT. Inclusive para formação de mão de obra qualificada, com cursos técnicos, de engenharia naval e de outras especializações e pós graduações de milhares de trabalhadores.

    Todo esse esforço não pode naufragar. Ainda há tempo de mudar essa visão do governo em relação à Petrobras, reconhecendo os erros e acreditando que é possível melhorar e avançar em uma sociedade mais justa, com os empregos e o desenvolvimento de que o país tanto precisa.

    Jesus Cardoso é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Na tarde desta quinta-feira (7), foi aprovado em comissão especial o projeto de lei 4.567/16, que retira a obrigatoriedade de a Petrobras participar da extração de petróleo do pré-sal. O placar da comissão especial sobre o projeto ficou em 22 votos favoráveis e 5 contrários. O resultado joga a proposta para o plenário da Câmara dos Deputados, onde uma composição amplamente conservadora tende a aprovar a entrega do pré-sal em tempo recorde.

    Para Aldemir Caetano de Carvalho, secretário de Administração e Finanças da Federação Única dos Petroleiros e dirigente nacional da CTB, o momento exige mobilização total dos trabalhadores. “Existe quase 100% de possibilidade de esse projeto ser aprovado agora. O resultado já era esperado, inclusive por esta margem, pois cada deputado que era convencido a votar contra era sumariamente substituído pelos partidos golpistas”, explicou.

    O dirigente enfatizou que o quadro desfavorável tem causado grande indignação e revolta nos petroleiros pelo Brasil, que estão reunidos em plenária até o fim desta semana para deliberar sobre um plano de resistência.

    “Só uma mobilização popular pode reverter esse quadro tão desfavorável agora. A princípio vamos definir a mobilização no Plenafup, mas adianto que faremos denúncia dos principais líderes entreguista nos estados, com outdoor e panfletagens nas suas bases eleitorais. Ao mesmo tempo, vamos conversar com todos os parlamentares com o intuito de convencê-los a votarem contra”, detalhou. Ele disse ainda que a FUP já está em contato com lideranças de outras categorias profissionais, como professores, médicos e a indústria naval, para que as ações em defesa do pré-sal sejam realizadas de forma ampla e nacional.

    “A maior privatização desde FHC”

    Os petroleiros enfrentam as tentativas de dilapidar a Petrobras desde as eleições de 2014, quando o equilíbrio político foi recomposto por uma maioria absoluta de representantes do empresariado e do pensamento reacionário. Já em 2015, o novo Plano de Gestão e Negócios para a empresa tentava, entre outras graves consequências, detonar os investimentos em tecnologia e prospecção até 2019, além de vender ativos da companhia e parte dos próprios campos do pré-sal. Foi necessária uma paralisação nacional com mais de 100 mil participantes para que a diretoria voltasse à mesa de negociações. "É o maior plano de privatização da Petrobras desde o governo FHC", disse José Araújo, coordenador geral do Sindipetro-RN, à época.

    caetano plenafupCaetano fala ao plenário da PlenaFUP

    Desde então, o Congresso Nacional tem tentado, sob a articulação do senador José Serra (PSDB-SP), encontrar formas de entregar a exploração do petróleo nacional às transnacionais do setor, mas a união dos trabalhadores do setor em torno do tema provou-se o maior obstáculo aos planos entreguistas. "O nosso trabalhador tem consciência. A Petrobras tem um papel estratégico na diminuição das desigualdades regionais, e isso não pode ser menosprezado", refletiu.

    Para o deputado Davidson Guimarães (PCdoB-BA), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras, o projeto é parte de um plano maior de desconstrução da soberania nacional, e só pode ser impedido pela ação coordenada de diferentes categorias sindicais e sociais. “Toda a estrutura produtiva da Petrobras é um patrimônio da companhia, mas também é fundamental para o desenvolvimento nacional. Sem ela, a nossa capacidade econômica decai. Por isso, não podemos permitir que seja vendida - ou melhor, doada -, pois é disso que se trata o projeto tucano”, denunciou em encontro recente do grupo.

    O deputado federal Henrique Fontana (PT-RS) endossou essa visão ao longo de sua participação na comissão especial do PL 4.567/16, que se reúne desde março, e foi um dos mais ferverosos dissidentes durante o processo de votação da quinta-feira. “Temos aqui, como Parlamento, o dever de manter esta exploração nas mãos da Petrobras. Agora que o filet mignon está na mesa para ser servido, vossas excelências querem retirar esta lucratividade da mão da Petrobras”, protestou durante o processo.

    Trâmite

    O parecer final da comissão sugere alteração as regras atuais de exploração do petróleo do pré-sal, que determinam que a exclusividade da Petrobras na coordenação das operações. Na prática, isso garante o controle dos poços, equipamentos e compras, mesmo nas áreas concedidas a outras empresas do setor. A proposta de José Serra tira o controle da estatal sobre as áreas cedidas, assim como restringe a obrigação de a Petrobras participar com no mínimo de 30% dos investimentos de cada consórcio.

    Com o resultado na comissão, a proposta segue para o plenário da Câmara, ainda com data a ser definida. A eleição do próximo presidente da Casa é a prioridade neste momento, e pode inclusive definir o humor do Congresso para levar essa matéria adiante. Enquanto isso, a comissão especial ainda precisa analisa destaques apresentados ao projeto, que não devem imprimir mudanças relevantes no teor atual.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (5) o Projeto de Lei 4.567/2016, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), que retira a obrigatoriedade da participação da Petrobras na exploração do petróleo do pré-sal. Apesar da oposição do bloco trabalhista, o texto principal foi aprovado por um placar de maioria absoluta: 292 a 101. Para seguir para o Senado, é necessário apenas que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), coloque em votação as emendas propostas pelos parlamentares.

    A lei atual, que estabelece o regime de partilha do pré-sal, determina que a Petrobras receba pelo menos 30% do petróleo retirado de qualquer bacia brasileira, além de sujeitar todos os campos ao controle da estatal. Desta forma, o governo tem condições de aferir a produção bruta e controlar as políticas que regem o setor, influenciando desde o valor cobrado pelos combustíveis até o ritmo da indústria naval brasileira. Os defensores da nova lei argumentam que a empresa não teria mais condições de arcar com essa obrigatoriedade.

    Pontos importantes contra a privatização do pré-sal:

    ✅ Repassar campos para empresas estrangeiras nesse momento é conceder a elas o direito de fazer reserva de ativos brasileiros para vender em momentos de alta;

    ✅ Somente no campo de Libra, a perda para a União será de R$ 246 bilhões;

    ✅ Os investimentos em Saúde e Educação perderiam R$ 50 bilhões;

    ✅ A Petrobras tem mais de R$ 100 bilhões em caixa. O lucro bruto cresceu R$ 98,6 bilhões (23%) em 2015;

    ✅ A Petrobras já recuperou R$ 30 bilhões dos R$ 60 bilhões perdidos com o controle de preços dos derivados do petróleo;

    ✅ A Petrobrás é líder mundial em tecnologia para exploração em águas profundas. Ela produz um barril a US$ 16, enquanto as concorrentes não fazem por menos de US$ 22;

    ✅ O endividamento em dólares da Petrobras caiu 5% em 2015;

    ✅ A expectativa é que a produção atinja 3,4 milhões de barris por dia em 2021.


    “Acabar com o regime de partilha significa acabar com o conteúdo nacional. Foi esse sistema que ajudou a construir toda a cadeia industrial brasileira. Isso faz parte de uma disputa de mercado”, falou o coordenador-geral dos petroleiros do Rio Grande do Norte, José Araujo. “A dívida da Petrobras não pode ser usada de desculpa para entregar o petróleo! Essa dívida é muito elástica, pois sofre com a flutuação do dólar e do preço do petróleo, mas não vai ser paga amanhã. É um negócio para 100 anos, que vai ser fácil de resolver quando o petróleo subir”, explicou.

    Esse foi também o argumento da bancada progressista na Câmara, que alertou sobre os enormes prejuízos para a União que traria a medida. Apenas no campo de Libra, eles chegariam a R$ 246 bilhões - algo que se refletiria diretamente sobre os royalties do petróleo, cujo destino é atender a saúde e educação públicas.

    A medida não passa a valer imediatamente - para que isso aconteça, é preciso que ela seja aprovada no Senado e sancionada pelo presidente Michel Temer. Por outro lado, com a predominância de parlamentares conservadores no Senado e a tendência entreguista do governo, é improvável que o projeto sofra alterações relevantes. Os deputados do PT, PCdoB, PSOL, PDT e Rede buscam atrasar o resultado com a apresentação de emendas e adiamentos.

    Resultado da votação do pré-sal atende interesses das nações imperialistas, afirma presidente da CTB

    Desmontando o Brasil

    Araújo explica que o discurso sobre a ineficiência e a corrupção na Petrobras é utilizado de forma malandra pelos golpistas: “Muitas vezes, o mercado só fala o que lhe interessa e ignora o impacto social que a empresa tem. Há um movimento irracional de auto-depreciação das estatais, e a manipulação das ações da Petrobras está sendo feita de forma aberta”, denuncia. Ele conta que a Federação Única dos Petroleiros já requereu por diversas vezes uma vistoria nas ações da empresa, mas teve acesso negado repetidamente.

    “Há muitas decisões sendo tomadas que não fazem sentido, no longo prazo. Vender os dutos da Transpetro, por exemplo - de que adianta você fazer caixa agora, mas entregar o controle do transporte dos produtos? Estamos desmontando a cadeia produtiva por causa de uma dívida que não representa 1% do patrimônio do pré-sal!”, explica.

    Diferente das tentativas anteriores de privatização, a intenção de Michel Temer é desmontar a Petrobras aos pedaços. Sob o pretexto da dívida da empresa - que hoje atinge US$ 139 bilhões -, seu governo coloca um duplo ataque aos petroleiros: por um lado, tenta vender instalações fundamentais para multinacionais concorrentes (algo que cobriria apenas 10% do valor da dívida); por outro, tenta entregar os próprios campos de exploração a elas. A categoria, ameaçada, entrou em greve.

    Os número por trás da transação revelam que isso poderia ser um péssimo negócio para país. Só na recente venda do Campo de Carcará para a norueguesa Statoil, por exemplo, as reservas de 4 bilhões de barris daquela área foram vendidas por US$ 2,5 bilhões, rendendo US$ 0,62 por unidade. O mesmo barril é vendido por US$ 8,51 no atacado pela empresa. Na ponta do lápis, chega-se a um resultado estarrecedor: só nesta única venda, a Petrobras perdeu US$ 40 bilhões, que seria o total da dívida a ser paga até 2020.

    "Eles estão usando os problemas financeiros como uma desculpa, e nós não vamos tolerar isso", disse à Reuters o líder petroleiro Deyvid Bacelar, fazendo referência ao discurso da nova cúpula. A Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) corrobora essa posição: em carta aberta, critica os novos caminhos da empresa desde o golpe de Estado.

    “Através de carta, a AEPET reitera que existem alternativas ao plano de privatização já em curso e que pode alienar cerca de um terço do patrimônio da estatal. A venda de ativos rentáveis compromete o fluxo de caixa futuro, entrega o mercado nacional aos competidores privados ou intermediários, fragiliza o desenvolvimento tecnológico soberano, transfere a propriedade de riquezas naturais finitas e estratégicas”, escreve a AEPET.

    Este mesmo caso se repete em cada um dos campos que agora serão vendidos para estrangeiros. Será que vale a pena fazer um negócio desses?

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Entidades sindicais, movimentos sociais e parlamentares lotaram nesta quarta-feira (5) o auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados num ato de protesto contra a PEC 241/2016, projeto que congela investimentos públicos em áreas estratégicas como Educação, Saúde, Transporte Público e demais áreas sociais. A proposta, encaminhada ao Congresso por Michel Temer, pode ser votada ainda esta semana pela Casa.

     "PEC 241 nada mais é do que tirar o povo do orçamento", disse a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), em seu discurso no ato.

    Para o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Ferreira, “uma vez aprovada, essa PEC vai significar menos Samu, menos cirurgia oncológica, menos Saúde da Família. A aprovação dessa PEC vai significar a morte. Por isso devemos batizar a 241 como a PEC da morte. Não podemos admitir que o principal contrato com o povo brasileiro, que foi a Constituição de 1988, seja rasgado”.

    Ontem (4), um relatório favorável à proposta foi apresentado pelo relator,  deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), enquanto o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciava a votação da PEC para a segunda-feira (10).

    Um acordo entre a relatoria e o governo alterou o início do congelamento dos recursos de saúde e educação, que começaria em 2017, para 2018, com o intuito de diminuir a resistência entre os parlamentares.

    “Essa PEC não pode passar, temos que denunciar deputados e senadores que apóiam esse projeto do governo golpista que quer entregar nosso País para a privatização, terceirização e para os interesses norte-americanos. Então estamos aqui neste ato unificado para tentar sensibilizar a população a acordar para as ameaças desse projeto”, afirmou João Paulo Ribeiro (JP), Secretário do Serviço Público e dos Trabalhadores Públicos da CTB.

    Carmen Lúcia, representante da União Brasileira de Mulheres (UBM) no CNS, diz que o congelamento de gastos públicos com Saúde por 20 anos "significa também que não podemos criar um serviço novo porque esse dinheiro não cresce. Então, isso é um retrocesso sem tamanho, não vamos poder dar conta dos serviços que a área demanda porque não vamos atender nem aos serviços existentes quanto mais instituir novos. A população aumenta e o dinheiro não".

    Ao discursar em nome da CTB, Aldemir Caetano destacou - "Tudo aquilo que estava sendo construído à luz da democracia, à luz do desenvolvimento, à luz dos direitos sociais está agora sendo detido. E o grande exemplo disso é a PEC 241, aliada a uma série de projetos que estão no parlamento". 

     

    Confira aqui a íntegra do seu discurso:

     

     

     De Brasília, Ruth de Souza - Portal CTB

  • Sob forte resistência de parlamentares da oposição, foi aprovado nesta quinta-feira (7) o Projeto de Lei 4.567/16, que retira a obrigatoriedade da Petrobras participar da extração de petróleo da camada do pré-sal. O placar da comissão especial sobre o projeto ficou em 22 votos favoráveis e 5 contrários.

    Com o resultado na comissão, que analisa o assunto desde março, a proposta segue para o plenário da Câmara. O colegiado ainda analisa destaques apresentados ao projeto.

    O parecer do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) altera as regras atuais que determinam que a estatal brasileira é a única operadora da exploração nesta camada, garantindo exclusividade sobre decisões como a definição de critérios para avaliação de poços, equipamentos de produção e compras.

    A proposta, que foi costurada ainda no Senado pelo atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, também restringe a obrigação de a Petrobras participar, com no mínimo de 30% dos investimentos, de consórcios para exploração do pré-sal apenas para áreas estratégicas.

    Oposição

    Lideranças do PDT, PCdoB, PSOL e PT argumentam que o projeto quer entregar o pré-sal às multinacionais estrangeiras."Pelo bem do Brasil, por um futuro de investimentos fortes, para manter o papel estratégico que tem a Petrobras no desenvolvimento de um setor industrial fundamental, temos que fazer o oposto do que está propondo a base golpista de Temer", protestou Henrique Fontana (PT-RS).

    Segundo o petista, o interesse das empresas na operação do pré-sal reflete a lucratividade da camada. "Temos aqui, como Parlamento, o dever de manter esta exploração nas mãos da Petrobras. Agora que o filet mignon está na mesa para ser servido, vossas excelências querem retirar esta lucratividade da mão da Petrobras", completou.

    Base aliada

    Por outro lado, tucanos e peemedebistas defenderam a iniciativa. Para o grupo favorável ao texto, a mudança das regras do atual sistema de partilha vai ampliar os investimentos no setor.

    Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA) afirmou que a Petrobras não será retirada do jogo. "Estamos dando oportunidade", afirmou ao destacar que a estatal precisa "recuperar sua imagem".

    Segundo ele, a Petrobras continuará sendo "a grande empresa" neste setor mas não tem condições, neste momento, de manter as atuais competências. "É fundamental para os estados, como o meu, ter investimentos", completou.

    Da Agência Brasil

  • A Câmara dos Deputados sediou nesta terça-feira (9) uma sessão de discussão sobre o Projeto de Lei 4.567/16, apenas duas semanas depois de a Petrobras ter anunciado sua primeira venda de uma bacia petrolífera sob o governo Temer. O PL versa especificamente sobre a condição de operadora única que a Petrobras dispõe sobre os campos do pré-sal, e pode ser uma pá de cal sobre as pretensões do uso das reservas como alavancas para o desenvolvimento brasileiro.

    A CTB participou dos debates através de seu secretário de Relações Internacionais, Divanilton Pereira. Tendo desenvolvido uma longa carreira no setor, Pereira tomou a tribuna para fazer uma análise dos impactos do PL no longo prazo, e foi enfático: abrir o pré-sal para multinacionais é entregar a soberania energética do país. Para ele, os leilões do pré-sal e o fim do regime de partilha andam lado a lado com o projeto estabelecido desde o golpe de Estado de Michel Temer.

    “Neste cenário de volatilidade política e econômica, as estatais de petróleo são instrumentos estratégicos para garantir o ritmo de desenvolvimento de um país. Não é só o caso brasileiro, mas de todo o mundo. O Brasil, que ainda tem um legado de desenvolvimento tardio e dependente, tem no pré-sal a melhor oportunidade histórica para lastrear a superação desse estágio”, explicou Pereira, argumentando contra a aprovação do PL.

    Externando a posição da CTB, Pereira defendeu que a legislação petrolífera no Brasil não deve obedecer às oscilações de mercado de curto prazo ou a anseios de acionistas privados, que não participam do projeto nacional de desenvolvimento. O foco de qualquer legislação deve ser de interesse do desenvolvimento brasileiro, com destaque para o financiamento da educação e a saúde pública. “Inverter essa lógica é desnacionalizar a legislação atual”, concluiu.

    Razões ocultas

    Como revelado pelo jornal O Globo, a escolha da atual direção é a de vender pedaços da empresa para pagar o “elevado endividamento” da Petrobras - algo em torno de R$ 450 bilhões. “O que está se ensaiando é gravíssimo para o futuro da Petrobras. Diferente das tentativas anteriores de privatização, o plano agora é desmontar a Petrobras aos pedaços. Não é só a Bacia de Santos que está sendo negociada - existem vendas no nordeste, nos polos petroquímicos”, explicou à CTB o coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN), José Araújo.

    “Esse negócio de vender ativos para pagar dívida não faz sentido. A dívida total da Petrobras, apesar de ser alta, é um compromisso de longuíssimo prazo, normal neste setor. Tem capitalização que a Petrobras faz para um prazo de 100 anos! Com tantos trilhões de dólares em petróleo esperando extração, vender uma plataforma só para pagar uma pequena parcela dessa dívida é simplesmente irracional”, continuou.

    Os petroleiros se opõem veementemente ao PL 4.567, cujas ideias retornam desde 2013 em diversos formatos. Diante de um equilíbrio político extremamente desfavorável, a categoria já paralisou as ações da Petrobras mais de uma vez, seja diante das tentativas de detonar os investimentos em tecnologia e prospecção, seja diante da venda de ativos da companhia e parte dos próprios campos do pré-sal. "O que se pretende é dar início ao maior plano de privatização desde o governo FHC", disse José Araújo, coordenador geral do Sindipetro-RN, durante a mais recente delas.

    Trâmite

    O PL foi recentemente aprovado em sua Comissão Especial e passa agora por consultas públicas, antes de ser votado em regime de urgência pela Câmara. De lá, seguirá para o Senado, onde deve ser apoiado sem grande resistência. “Só uma mobilização popular pode reverter esse quadro tão desfavorável agora. Estamos conversando com todos os parlamentares com o intuito de convencê-los a votarem contra”, disse Aldemir Caetano de Carvalho, secretário de Administração e Finanças da Federação Única dos Petroleiros e dirigente nacional da CTB.

    Se for aprovado, a nova lei mudará as regras atuais de exploração do petróleo do pré-sal, que determinam que a exclusividade da Petrobras na coordenação das operações. Na prática, a forma atual garante o controle dos poços, equipamentos e compras, mesmo nas áreas concedidas a outras empresas do setor. A proposta de José Serra tira o controle da estatal sobre as áreas cedidas, assim como restringe a obrigação de a Petrobras participar com no mínimo de 30% dos investimentos de cada consórcio.

    “O PL 4.567 é mais uma manobra política, típica daqueles que já desistiram de apostar nos valores e na competência do país”, denunciou Divanilton. “A CTB compreende que a situação política nacional, conjugada com fatores geopolíticos, são os elementos centrais que sustentam esse golpe contra o Brasil”, concluiu.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) promoveu hoje a conferência “Os royalties do petróleo são da educação e da saúde”, no qual entidades de educação de todo o país se encontraram para discutir o papel do fundo do pré-sal no projeto de desenvolvimento nacional. A CTB esteve no evento, representada pela Secretária Nacional de Comunicação, Raimunda “Doquinha” Gomes.

    Você pode assistir à gravação de toda a conferência na janela logo abaixo.

    Simultaneamente, a Câmara dos Deputados votava um requerimento de urgência para o Projeto de Lei 6.726/13, que pretende revogar o regime de partilha do petróleo e dar fim à exigência de que a estatal participe da exploração de todos os campos. Assinado por sete líderes partidários (representando DEM, PSDB, PSC, PSB, PMDB, PRB, PSD, PP e PTB), o item precisa apenas de maioria simples para ser aprovado, e será um catalisador para o ataque especulativo do qual a Petrobras esta sendo alvo desde 2013.

    “Esses royalties são a garantia de que alcançaremos o objetivo dos 10% do PIB aplicados na Educação. Como o petróleo representa 13% do PIB brasileiro, a retirada dos royalties tornaria a situação muito difícil”, explicou Doquinha. “É importante que o debate não fique apenas nas salas da escola, mas que a mensagem se expanda para toda a sociedade. Se nós não tivermos os movimentos sociais e sindicais agindo de forma coesa, vamos perder essa batalha”, disse aos professores.

    O evento foi enriquecido pela análise técnica de autoridades da Federação Única dos Petroleiros, que soam unânimes na denúncia das intenções entreguistas dos partidos de oposição. Um dos dados mais interessantes a serem expostos foi da diferença total de arrecadação entre o modelo de concessão (que vende os campos a empresas estrangeiras) e partilha (que as obriga a entregar 40% da produção para a Petrobras): de acordo com uma pesquisa realizada na Unicamp, a União perderia mais de R$ 1 trilhão em recursos para a saúde e a educação ao longo do período de exploração do pré-sal se voltasse a adotar o primeiro modelo. Apenas no Campo de Libra, a arrecadação cairia de R$ 606 bilhões para R$ 556 bi - um perda superior a R$ 50 bilhões.

    “Esse projeto [de privatização] não tem outro objetivo além de ter nos retirar o projeto de educação de qualidade para gerações futuras. Hoje, o que esta em disputa não é quem é mais ou menos corrupto, como eles querem fazer parecer, mas qual projeto de país escolheremos. A opção da CTB é seguir com o objetivo de dar espaço para quem foi historicamente roubado da possibilidade de se desenvolver com saúde e educação adequados”, declarou Doquinha à plateia.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Apesar da oposição em bloco do setor petrolífero e industrial, o governo Temer decidiu nesta quinta-feira (23) reduzir pela metade as exigências de participação das indústrias brasileiras na extração do petróleo nacional. A justificativa do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, é que, “melhor que porcentual alto, inexequível, é um porcentual baixo que todos possam atingir”.

    A estimativa se dá em cima de um conjunto completamente novo de regras, que reduz de 70 para apenas 6 o número de segmentos descritos na Política de Conteúdo Local, além de baixar agressivamente os percentuais exigidos em cada um. A proposta reduzir ainda a multa por descumprimento desses mínimos.

    “É uma política que vai exportar empregos”, lamentou o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso. Ele explicou que, diante da concorrência desequilibrada que essa indústria passará a sofrer em relação aos importados, que chegam ao Brasil com isenção total de impostos, é provável que haja uma migração agressiva da cadeia de produção para países com custos associados mais baixos. Em sua primeira entrevista após o fato, ele disse esperar também que haja uma "desmobilização da indústria e dos centros tecnológicos" que permitiram ao Brasil tomar a liderança mundial na exploração em águas ultraprofundas.

    A decisão do governo está em sintonia com as grandes petroleiras multinacionais, que pediam a mudança desde a abertura dos leilões para empresas estrangeiras. Gigantes como Shell e BP argumentavam que a exigência tornava os equipamentos muito mais caros, e que a indústria nacional não tinha capacidade de entrega - algo que, por sua vez, os obrigava a investir nessa mesma indústria nacional.

    Aprovada na Câmara, a venda do pré-sal é um atentado contra o futuro da economia brasileira

    Para efeito de registro: essas são as mesmas empresas que fizeram lobby agressivo contra o regime de partilha do pré-sal, desde o primeiro dia do modelo, ao lado do senador José Serra (PSDB-SP).

    “A decisão é um desastre para a indústria brasileira”, analisou o secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, que trabalha no setor do petróleo. “Essa redução vai acelerar ainda mais o processo de desindustrialização que abate o país, e aumenta de forma significativa o risco de o Brasil acabar com a ‘doença holandesa’, em que o país fica refém da indústria de bens primários”, explicou. Para o dirigente, experiências similares em países como a Venezuela e a Rússia demonstram que é preciso tomar medidas para segurar a cadeia de produção dos derivados do petróleo e do gás natural dentro do país, sob o risco de acabarmos nos tornando “colônia” das potências petrolíferas.

    As novas regras não valerão para as rodadas de junho e julho de 2017. Conforme o resultado das negociações a partir de setembro, o governo disse estar “aberto a revisões mais à frente”. Para que passem a valer, no entanto, as alterações ainda precisam da validação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para março.

    O golpe, nos números

    A mudança extensiva nas regras da Política de Conteúdo Local começa no número de setores controlados, que despenca de 70 para 6. A análise da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) é que, na ponta do lápis, isso fará cair em 50% a exigência real de participação brasileira na cadeia produtiva. Segundo o ministro de Minas e Energia, as novas regras de conteúdo local valerão, em princípio, para todos os leilões de petróleo e gás.

    A nova PCL determina que, em terra, 50% dos materiais e serviços sejam feitos por brasileiros, tanto para a exploração de óleo e gás quanto para o desenvolvimento dos derivados. Já em alto mar, a coisa piora bastante: no caso da exploração, o percentual fica em 18% e a construção de poços e plataformas pede 25%, enquanto o sistema de coleta e escoamento exige 40% de mão-de-obra nacional. O sistema atual, pelo qual o governo checa a origem de ao menos 90 itens necessários a todo esse processo, será descartado.

    As multas sobre o descumprimento da exigência também cairão consideravelmente, de 60% para 40%. O governo promete compensar a redução com um aumento progressivo em caso de reincidência, chegando a 90%, e o fim dos pedidos de “waiver” (descumprimento autorizado) pelas empresas que não atingirem as cotas mínimas - algo que virou objeto de imbróglio jurídico em anos recentes.

    “É mais uma decisão lamentável. A alteração da Lei da Partilha, com o afastamento da Petrobrás do direito da operação, foi o primeiro golpe. Depois, a renovação do Repetro, prorrogando os subsídios e favorecendo a importação de bens e serviços. Agora, a redução brutal do conteúdo local mínimo”, lamentou o presidente da Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet), Felipe Coutinho. “Estamos entrando em mais um ciclo do tipo colonial”.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Guilherme Estrella foi diretor de Exploração da Petrobras durante uma década, entre 2003 e 2012, e foi um dos responsáveis pela descoberta da maior reserva de petróleo dos últimos 50 anos - o pré-sal brasileiro. O geólogo concedeu uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo nesta quarta-feira (2), na qual se posiciona de forma contundente contra a mudança no regime de exploração atual das bacias petrolíferas, como proposto pelo senador José Serra (PSDB/SP). Em sua visão, remover a obrigatoriedade da Petrobras como operadora dos futuros campos de exploração seria "o fim da picada" - um passo gigante na desconstrução no já concluído projeto de autonomia energética nacional.

    A entrevista pode ser acessada na íntegra e de forma digitalizada CLICANDO AQUI.

    Além de contar um pouco sobre o processo de descoberta do pré-sal e falar sobre sua importância para a estabilidade econômica brasileira, o cientista comentou sobre o impacto da Operação Lava Jato na vida real da empresa, e como ela tem sido utilizada para desvirtuar o trabalho dos petroleiros: "Se [a Lava Jato] afetou [a Petrobras], foi do ponto de vista emocional. A empresa continua tendo sustentação de longo prazo. E tem uma coisa que só a Petrobras tem: a hegemonia do mercado brasileiro. Foi a Petrobras que investiu. Vai no Alto Amazonas. Não tem Shell lá, tem a BR. Essas empresas [multinacionais] só vêm para o filé mignon."

    Portal CTB

  • Nesta quinta-feira (16), o governo brasileiro viverá um momento decisivo para a indústria nacional, pois vai decidir sobre o futuro da Política de Conteúdo Local nas operações de Petrobras. Em reunião estarão o Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, representantes dos Ministérios da Casa Civil e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, além de empresários e sindicalistas do setor.

    O racha vivido no meio começou com o pedido de isenção das obrigações da Petrobras com a indústria brasileira no campo de Libra, apresentado pelo novo presidente da estatal, Pedro Parente, pouco tempo depois de sua posse. O governo diz que isso tornaria os próximos leilões mais “atrativos” para estrangeiros. Os trabalhadores, que isso poderia resultar um UM MILHÃO de novos desempregados.

    Ao contrário de outras situações em que Michel Temer encontrou consenso entre os golpistas, porém, desta vez quem criticou a medida foi um de seus maiores aliados, Paulo Skaf. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) chegou a publicar um editorial na Folha de S.Paulo em que chamava a medida de “equívoco” nascido do “ranço ideológico”.

    “O que está equivocado é o entendimento sobre o papel das instituições de Estado, que é justamente definir e implementar políticas capazes de gerar empregos de qualidade, além de investimentos e conhecimento tecnológico para o país. Isso é política de Estado, especialmente necessária num momento de crise como este”, escreveu Skaf. “A taxa de crescimento acumulada nesse período mostra o que o país perderia não fossem essas regras. Em investimentos, por exemplo, a economia em geral cresceu 71%. Já no mesmo conjunto de setores industriais acima citado, o salto foi de 242%”.

    Como um dos principais articuladores do golpe, Skaf agiu desde a reeleição de Dilma Rousseff para desestabilizar o pacto político que permitiu ao Brasil segurar as pontas durante a crise econômica de 2008. Durante o período crítico da crise política, chegou a acusar os governos do PT de agravarem a desindustrialização pela defesa da Petrobras, insuflando o impeachment com uma campanha de desinformação econômica. Agora isso ameaça afetar sua própria federação - a mesma campanha anti-nacional que fraturou as instituições do país.

    Projeto ultraliberal

    “A ideia dessas reformas que estão aí é a da ultraliberalização econômica, em que o governo perde a capacidade de interferir na renda da classe financeira. Perde também a capacidade de determinar o rumo econômico do país, e nos transforma novamente numa colônia em que o investidor vem aqui, explora o que tem que explorar e sai do país”, explicou o professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani. “O objetivo é matar o Estado brasileiro por asfixia financeira, manter essa lógica de submissão ao mercado”, analisou.

    Para o acadêmico, o enfraquecimento da Política de Conteúdo Local está no conjunto de medidas de achatamento da proteção social, “algo que a elite brasileira nunca conseguiu reconhecer completamente”. Entre isso, o congelamento dos gastos pela PEC 55 e as reformas trabalhista e previdenciária, o governo Temer estaria encaminhando “o fim do pacto de solidariedade de 88”.

    “A retração na economia real é até positiva para eles, porque aumenta o desemprego e cria as condições para degradar os salários e condições de trabalho”, concluiu.

    A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) foi uma das entidades que se manifestou de forma dura contra o desincentivo ao conteúdo local. Em artigo publicado pelo engenheiro José Veloso, especialista no setor, a entidade chama a medida de “crime de lesa pátria”. Eles argumentam que é exagerada a atenção que Pedro Parente dá ao encarecimento de operações pela indústria brasileira.

    “O sucesso da rodada [de leilões das operações] depende de fatores como: a qualidade das áreas ofertadas, estabilidade política do país, do ambiente regulatório, da burocracia, dos tributos locais, das exigências ambientais, da tradição em respeito aos contratos, da constância de regras, do custo do país (no caso, CUSTO BRASIL) e exigências como a de Conteúdo Local, entre outros”, analisam. A tentativa de individualizar o fracasso de quaisquer operações a um dos fatores teria objetivo político, sobretudo o de acelerar o processo de entrega do setor petrolífero brasileiro às multinacionais.

    É positivo que as entidades industriais se rebelem diante disso. A última pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias revelou que a capacidade instalada da indústria brasileira atingiu em 2016 o menor nível em 13 anos, com faturamento real em queda de 12,1% e -7,5% no número de postos de trabalho. Vale a pergunta: não estava óbvio que as medidas de austeridade de Michel Temer teriam impacto negativo no setor?

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • "Somos 100% Petrobras", avisaram os petroleiros e petroleiras que acompanharam audiência pública na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados Federais nesta terça (04).

    Na oportunidade foi alertado sobre a importância estratégica do refino de petróleo para o país e para a Petrobrás. A Brigada Petroleira, que vem atuando em Brasília contra o PLC 78, acompanhou o debate.

    O deputado Bohn Gass (PT-RS), um dos requerentes da audiência, fez duras críticas ao discurso em defesa da privatização da estatal e destacou pelos menos três mentiras que sustentaram o discurso contra a manutenção da empresa estatal.

    "A primeira lorota é de que privatizando vai angariar recursos para o Estado. Mentira. Porque vendem a preço de banana, não têm nenhum recurso que viria para o tal do caixa. Segunda falácia: vai ter eficiência. Imagina a empresa privada falando da Petrobras, que é uma empresa pública, que foi premiada no mundo porque foi a maior, por exemplo, de prospecção no fundo do mar. E terceiro grande engodo: os preços para o consumidor vão ser menores", observou Gass.

    Os parlamentares presentes manifestaram preocupação com a possível privatização do setor pela Petrobras e defendem um amplo debate nacional sobre o tema. “Os desinvestimentos em refino distanciaram a Petrobras de seu objeto social, que tem foco na integração das atividades e na cadeia de agregação de valor”, destacaram.

    Portal CTB - Com informaçõe da FUP

  • Como reação à aprovação do Projeto de Lei do Senado 131/2015, que tira da Petrobras a condição de operadora única do pré-sal, o conjunto dos movimentos sociais está organizando uma marcha a Brasília na próxima quarta-feira (2). CTB, CUT, FUP, UNE, UBES, MST e a Frente Brasil Popular são algumas das agremiações que já anunciaram presença nas galerias da Câmaras dos Deputados na ocasião, quando será votado pelos deputados o texto substitutivo, proposto pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR).

    Para o deputado federal Davidson de Magalhães (PCdoB-BA), a manifestação será essencial para tentar reverter uma decisão que considera desastrosa. "Temos que lutar para que isso não se concretize. Esse projeto aprovado, de autoria do senador José Serra (PSDB/SP), é fruto das relações estreitas que ele tem com a Chevron e com a Shell, duas multinacionais petroleiras. Essa ligação já está denunciada publicamente, e poderá representar um retrocesso", disse Magalhães. O representante explicou que a atual lei de partilha confere à Petrobras o cargo de operadora das operações de retirada de petróleo do país - cargo que possibilita o controle estrito do ritmo da produção de petróleo, assim como o controle dos custos de produção. "Nesse sentido, o substitutivo do Jucá, apesar de um pouco melhor do que o projeto do Serra, tira da Petrobras a condição de operadora única, abrindo um brecha para as empresas multinacionais. Com outra operadora, não apenas será dificultado o controle da extração e dos preços do petróleo, como também a nossa possibilidade  favorecer as indústrias da cadeia de petróleo e gás do Brasil, a partir do chamado 'conteúdo nacional'", explicou.

    Na análise de Magalhães, o texto vai contra as tendências internacionais de monopolização estatal da produção de petróleo. Ele lembra que, de acordo com o Banco Mundial, as empresas setoristas respondem a 70% da produção mundial de petróleo e 90% da produção mundial de reservas provadas, porque trata-se de um mercado estratégico para a estabilidade econômica e política das nações.

    "A produção de petróleo deve ser encarada como uma política de governo, pelo impacto que tem no mercado. A manifestação deve se dar em cima disso. Mais do que isso: além de a Petrobras estar batendo recordes de produção na área do produção do pré-sal, nos tornando não apenas auto-suficientes, como também exportadores de petróleo, ela conseguiu levar o custo de extração do pré-sal a US$ 8 o barril, enquanto a média mundial é US$ 15. A vantagem é palpável", disse, em defesa da empresa estatal.

    A lei nova desobrigará a estatal de participar dos consórcios com 30%, mas determina que a palavra final em relação a preferência da Petrobras será da Presidência da República. No dia de sua votação pelo Senado, estudantes e trabalhadores do setor petroleiro protestaram durante todo o dia do lado de fora da Casa, mas foram proibidos de entrar no plenário.

    Sintomaticamente, lobbystas de diversas petrolíferas multinacionais puderam comparecer ao plenário desimpedidos. Na ocasião, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou o acordo, que classificou como "uma aliança entre o governo e o PSDB". Para a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), "só há um objetivo (do projeto) - pressionar um governo que está fraco, para fazer um leilão onde a Petrobras não vai poder entrar e eles vão entrar e pagar um preço de banana".

    Portal CTB

  • A gestão de Pedro Parente à frente da Petrobras tem sido tumultuada desde o primeiro dia na relação com os petroleiros, mas a temperatura atingiu novos níveis na última sexta-feira (16), depois da última reunião entre a diretoria e as entidades de trabalhadores.

    Além de desrespeitar os termos do acordo coletivo firmado em novembro, oferecendo um reajuste de 4,97% (frente aos 10,67% de inflação de 2015), a empresa falou em corte de pagamentos a horas extras e até de redução nos turnos de trabalho dos funcionários. Por fim, tentou convencê-los de que os funcionários mais bem pagos não precisariam de reajuste.

    A resposta foi um fragoroso “NÃO” por parte dos petroleiros.

    "A proposta apresentada pela Petrobras é afronta aos trabalhadores. A FUP e seus sindicatos darão uma resposta dura", externou o coordenador da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel, em um comunicado oficial. “Nada vai garantir as nossas reivindicações, a manutenção do nosso salário, se não for a luta. A FUP e seus sindicatos darão uma resposta dura”, diz a nota, mais adiante.

    A indignação em torno das medidas de Parente são um caso constante desde que ele assumiu o controle da estatal, por determinação de Michel Temer. A missão que lhe foi incumbida é contrária a tudo o que foi feito desde 2003: em seu novo plano de negócios, a Petrobras reduz por conta própria a meta de produção de petróleo no Brasil, favorece a venda de pedaços da companhia, tanto no Brasil quanto no exterior, e facilita a entrada de concorrentes de outros países nos campos que ela descobriu.

    "Eles estão usando os problemas financeiros como uma desculpa, e nós não vamos tolerar isso", disse à Reuters o líder petroleiro Deyvid Bacelar, fazendo referência ao discurso da nova cúpula. A Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) corrobora essa posição: em carta aberta, critica os novos caminhos da empresa desde o golpe de Estado.

    “Através de carta, a AEPET reitera que existem alternativas ao plano de privatização já em curso e que pode alienar cerca de um terço do patrimônio da estatal. A venda de ativos rentáveis compromete o fluxo de caixa futuro, entrega o mercado nacional aos competidores privados ou intermediários, fragiliza o desenvolvimento tecnológico soberano, transfere a propriedade de riquezas naturais finitas e estratégicas”, escreve a AEPET.

    Greve em defesa do Brasil

    Baceltar explica que, entre a oferta empobrecida da última reunião e o plano de desmonte colocado em curso, as chances de uma greve de dimensões nacionais cresce cada vez mais. "Como no ano passado, o salário não é a coisa mais importante", completa.

    A última greve levada adiante pela categoria, em novembro de 2015, atingiu proporções dramáticas, e foi disparada por outra tentativa de desmonte da empresa. Quase uma centena de plataformas de extração de petróleo foram paralisadas em toda a costa brasileira, especialmente no Rio de Janeiro.

    Na época, o secretário de Relações Internacionais da CTB e também petroleiro, Divanilton Pereira, explicou o tamanho da comoção: “A greve não se refere a uma questão econômica, é uma defesa da Petrobras e seus investimentos. É uma pauta em defesa do Brasil. O novo plano de negócios que a Petrobras definiu retira mais de R$ 500 bilhões de investimento até 2019, e isso tem um impacto na economia de quase 1,5% do PIB brasileiro. Os terceirizados estão sendo demitidos, os cortes de investimentos prejudicam as atividades, tem gente desembarcando por conta de plataformas desativadas, a indústria naval está rompendo contratos”.

    Além da FUP, a Federação Nacional dos Petroleiros também manifestou intensa irritação com a nova proposta. Entre as duas, estão representadas 19 entidades sindicais do setor.

    Portal CTB

  • Foi preciso uma greve histórica para que a Petrobrás acolhesse as propostas que a FUP e os seus sindicatos tentaram por mais de 100 dias discutir com os gestores. As iniciativas elencadas na Pauta pelo Brasil para retomada dos investimentos da empresa serão analisadas em um grupo de trabalho paritário, que terá 60 dias para elaborar um relatório que será encaminhado à direção da companhia, ao Conselho de Administração e ao governo federal. Também garantimos na luta que nenhum direito dos trabalhadores fosse retirado, preservando para todo o Sistema Petrobrás as conquistas obtidas pela categoria nos últimos 13 anos.

    Respaldados pela greve, a FUP e os seus sindicatos buscaram junto à presidência da Petrobrás o atendimento de outros pleitos considerados determinantes para a categoria. Nesta sexta-feira (13), a empresa formalizou em documento os pontos que foram discutidos com o presidente Aldemir Bendine.

    Isonomia para trabalhadores da Fafen-PR – a Petrobrás propõe implementar até 31 de janeiro de 2016 o pagamento do ATS para os trabalhadores da Fafen-PR, nos mesmos moldes praticados no Sistema, bem como o pagamento da defasagem de 3% em relação à RMNR, retroativo a primeiro de setembro, e a implantação parcial do PCAC.

    Dias parados - a Petrobrás garante a compensação de metade dos dias parados e propõe o desconto do restante, sem reflexos para o trabalhador. A empresa também se compromete a discutir com a FUP e com os sindicatos eventuais sanções a excessos, nos mesmos moldes do que ocorreu na greve de 2013, quando garantimos que nenhum trabalhador fosse punido.

    Com uma conjuntura e uma correlação de forças totalmente desfavoráveis aos trabalhadores, essas conquistas só foram possíveis porque os petroleiros atenderam ao chamado da FUP e dos sindicatos e realizaram uma greve essencialmente ideológica, que apontou para a sociedade que a defesa da soberania nacional está acima de qualquer interesse corporativista.

    Vencemos a primeira grande batalha de uma guerra que só está começando. Os rumos da Petrobrás, do pré-sal e do Brasil continuam em disputa e o único enfrentamento possível é através da luta de classes. Nossa greve apontou o caminho e reafirmou que os petroleiros e petroleiras não se curvarão ao mercado, nem aos predadores que agem dentro e fora da empresa.

    Indicativos para as assembleias

    Reunido no Rio de Janeiro desde a tarde desta quinta-feira (12), o Conselho Deliberativo da FUP indicou por unanimidade:

    • Aprovação da proposta apresentada pela Petrobrás no dia 11 de novembro, onde a empresa responde a Pauta pelo Brasil e garante a renovação do Acordo Coletivo
    • Suspensão da greve
    • Manutenção do estado de greve

    A orientação é que os sindicatos iniciem imediatamente as assembleias para submeter os indicativos aos trabalhadores.

    GT discutirá alternativas para o PNG

    As propostas elencadas na Pauta pelo Brasil para garantir a retomada dos investimentos e a preservação dos ativos da Petrobrás serão analisadas em um grupo de trabalho técnico e paritário, formado por representantes da empresa e da FUP, que terá 60 dias para elaborar um relatório que será encaminhado à direção da companhia e ao governo federal.

    O trabalho será baseado em estudos feitos pelo Grupo de Economia da Energia da UFRJ e pelo Grupo Interministerial, que analisaram os principais impactos já causados pela retração do setor petróleo. Esses estudos apontam que, para cada R$ 1 bilhão que a Petrobrás deixa de investir no país, o efeito negativo sobre o PIB é de R$ 2,5 bilhões. A estimativa é de que 20 milhões de empregos deixarão de ser gerados até 2019, em função dos desinvestimentos.

    Foi através de grupos de trabalho que vencemos dentro da empresa disputas ideológicas, semelhantes a que travamos agora, garantindo conquistas estruturantes para a categoria, como o PCAC, o regramento da PLR, o Plano Petros 2, o Benefício Farmácia, pagamento dos níveis para os aposentados, auxílio deslocamento, hora extra na troca de turno, o Anexo 2 da NR-30, entre outras.

    Fortalecimento do Sistema Petrobrás

    Pela primeira vez, teremos a chance de disputar os rumos do plano de negócios da Petrobrás, propondo alternativas para o endividamento que levem em conta os impactos da redução dos investimentos no PIB, na geração de empregos, na balança comercial do setor e na arrecadação de royalties. Essa conquista será decisiva na luta para manter a integração do Sistema Petrobrás, preservando a Transpetro e demais subsidiárias. A greve reafirmou que o maior acionista da Petrobrás é o povo brasileiro e não o mercado.

    Nenhum direito a menos

    Outra vitória da greve é a manutenção das conquistas dos últimos 13 anos, que a categoria consolidou no atual Acordo Coletivo. As propostas iniciais da Petrobrás eram de redução de direitos e de salários. Através da luta, garantimos o atendimento do item 13 da Pauta pelo Brasil, onde a FUP e os seus sindicatos deixaram claro que não aceitariam retrocesso nos direitos adquiridos pela categoria. Soma-se a isso, o restabelecimento da mesa de negociação integrada, que trouxe de volta as subsidiárias e o RH, contrariando os que apostaram na fragmentação do processo para enfraquecer as representações sindicais.

    Da FUP

  • Os funcionários da Petrobras decidiram nesta quinta-feira (29) rejeitar a proposta de Acordo Coletivo oferecida pela cúpula da empresa, e declararam Estado de Greve em todo o Brasil. Diante da intransigência do presidente da estatal, Pedro Parente, a categoria aprovou a medida com 95% de todos os votos da assembleia.

    A decisão vem em resposta ao que o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, definiu como “uma afronta aos trabalhadores”. A Federação Nacional dos Petroleiros se manifestou no mesmo sentido. A proposta da Petrobras, além de desrespeitar os termos do acordo coletivo firmado em novembro de 2015, oferece um reajuste de 4,97% (frente aos 10,67% de inflação de 2015), autoriza cortes de pagamento a horas extras e nos turnos de trabalho, e limita severamente as correções salariais para funcionários mais bem pagos. Como não houve avanço na proposta, a ameaça de greve se concretizou.

    É bom lembrar que o “Estado de Greve” não consiste em uma paralisação imediata, mas na articulação das medidas para realizá-la. A qualquer momento, e por qualquer motivo, os trabalhadores podem cruzar os braços. Enquanto isso não acontece, a categoria segue em uma outra estratégia: a chamada “Operação Para Pedro” [em referência a Pedro Parente]. Ela consiste no cumprimento rigoroso de todos os procedimentos e itens de segurança previstos pelas Normas Regulamentadoras e pela ANP - um análogo das “operações padrão” a que normalmente recorre a Polícia Federal, e que provoca atrasos em toda a empresa.

    Já nesta quinta, os petroleiros organizaram um trancaço no heliporto do Farol, no norte fluminense, com o objetivo de impedir vôos para as plataformas. Dali saem os helicópteros para toda a bacia de Campos, que produz 60% do petróleo brasileiro.

    A coordenação da greve se reúne ainda nesta quinta com a cúpula da Petrobras para uma nova rodada de negociação.

    Luta contra a privatização

    Para além da pauta salarial, a FUP explicou que decidiu pela paralisação por conta do programa de desinvestimento da Petrobras, que tem por meta vender US$ 34,6 bilhões em ativos da empresa até 2018. Isso vem acompanhado por uma redução na meta de produção de petróleo de longo prazo, favorecendo a venda de pedaços da companhia, tanto no Brasil quanto no exterior, para facilitar a entrada de concorrentes.

    "Eles estão usando os problemas financeiros como uma desculpa, e nós não vamos tolerar isso", disse à Reuters o líder petroleiro Deyvid Bacelar, fazendo referência ao discurso da nova cúpula. A Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) corrobora essa posição: em carta aberta, critica os novos caminhos da empresa desde o golpe de Estado.

    “Através de carta, a AEPET reitera que existem alternativas ao plano de privatização já em curso e que pode alienar cerca de um terço do patrimônio da estatal. A venda de ativos rentáveis compromete o fluxo de caixa futuro, entrega o mercado nacional aos competidores privados ou intermediários, fragiliza o desenvolvimento tecnológico soberano, transfere a propriedade de riquezas naturais finitas e estratégicas”, escreve a AEPET.

    A última greve levada adiante pela categoria, em novembro de 2015, atingiu proporções dramáticas, e foi disparada por outra tentativa de desmonte da empresa. Quase uma centena de plataformas de extração de petróleo foram paralisadas em toda a costa brasileira, especialmente no Rio de Janeiro.

    Portal CTB

  • A Assembleia Legislativa da Bahia realizou na segunda-feira (14) uma audiência pública em repúdio ao projeto que prevê o fim da exclusividade da Petrobras na exploração do pré-sal. O ato teve a presença do deputado federal e presidente da Frente Em Defesa da Petrobras, Davidson Magalhães (PCdoB-BA).

    O encontro teve a participação maciça de petroleiros e parlamentares em defesa dos campos terrestres e da manutenção do desenvolvimento da Petrobras. “O petróleo é nosso e a Petrobras é do povo brasileiro”, afirmou, sob aplausos, o deputado. Magalhães destacou que é preciso a união de todos os setores: “Não podemos permitir que seja vendida [a reserva do pré-sal], ou melhor, doada, pois é disso que se trata o projeto tucano. Toda a estrutura produtiva é um patrimônio da companhia e fundamental para o desenvolvimento nacional”.

    Participaram também da mesa debatedora o ex-presidente da estatal, Jose Sergio Gabrielli, representantes da FUP, Zé Maria Rangel, da FNP, Adelson Costa, Sindipetro, Daniel Barcelar e os deputados estaduais Rosemberg Pinto, Alex Lima, Joseildo Ramos, Hildecio Meireles, além do líder do governo, Zé Neto, e da deputada federal Moema Gramacho.

  • A tentativa de abrir o capital e fazer uma privatização envergonhada da Petrobras é vista com preocupação entre os setores que defendem a estatal brasileira como parte da soberania nacional. Entre as propostas que ameaçam a Petrobras, está um estudo apresentado no início de julho pela direção da empresa para abertura de capital. Nesta lógica, o risco será também de um efeito cascata que afeta todas as subsidiárias da empresa. Mesmo com reações contrárias, a venda da BR distribuidora, subsidiária de distribuição de combustível, segue a todo vapor à revelia do debate público.

    Para denunciar essa ação quase que silenciosa, os sindicatos ligados aos trabalhadores do Sistema da Petrobras, organizaram protestos unificados em Minas Gerais. No dia 24 de julho, os trabalhadores realizaram uma paralisação de 24 horas com manifestações em frente a Refinaria Gabriel Passos (Regap) e no Terminal de Betim da BR Distribuidora (Tebet). O ato foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo de Minas Gerais (Sitramico) e Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindpetro/MG).

    Para o presidente do Sitramico, Leonardo Luiz de Freitas, a história da Petrobras está ligada ao poder dos brasileiros de reagir aos interesses entreguistas e lutar pelo patrimônio nacional. Nessa mesma defesa que ocorre desde a criação da Petrobras está a origem das reações de agora. “Não vamos aceitar de maneira passiva essa possibilidade de privatização da Petrobras. É uma luta pelo emprego, contra a perda de direitos e também um ato em prol da preservação da democracia no País.” Leonardo diz ainda que aguardam a manifestação do presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, sobre os questionamentos feitos pelos sindicatos.

    Além de ser uma das maiores empresas do Brasil, a Petrobras tem um impacto fundamental no desenvolvimento da indústria, na geração de emprego e em grande parte dos investimentos sociais que o povo brasileiro precisa. O desmonte da empresa, orquestrado por setores que querem entregar o patrimônio nacional ao capital estrangeiro, representa o desvio deste objetivo.

    Outra grande ameaça de desintegrar a Petrobras tramita no Senado, nas mãos do senador José Serra (PSDB). O senador tucano tenta retomar a proposta que estava em curso no Brasil na época do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). A estratégia de fatiamento da Petrobras, falida nos governos tucanos, volta agora a conta gotas, em projetos separados. O Projeto de Lei do Senado (PLS) 131/2015, pretende aumentar o lucro dos acionistas e diminuir a participação da Petrobras nos consórcios de exploração do petróleo na camada do pré-sal. O ataque à soberania nacional proposto pelo projeto desencadeou novas manifestações em todo o país.

    Por Mariana Arêas, da CTB-MG

  • O supercomputador Santos Dumont, o maior da América Latina, foi inaugurado em janeiro deste ano no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ). Desde seu ligamento, tornou-se parte essencial de projetos nacionais de pesquisa, como o mapeamento de proteínas que causam o Mal de Alzheimer, o mapeamento genético do vírus da zika, a simulação de novos tratamentos cardiológicos e a modelagem de projetos nas áreas de energia, petróleo e gás - incluindo aí o pré-sal. Nesta semana, teve que ser desligado por falta de repasses do Ministério da Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), comandado por Gilberto Kassab.

    Desde a fusão do Ministério da Ciência com a pasta das Comunicações, definida pelo vice-presidente Michel Temer assim que assumiu a presidência, a comunidade científica brasileira tem reclamado que o tratamento já secundarizado dado ao MCTI foi agravado pelas atribuições das Comunicações. Os movimentos ligados àquela área dizem o mesmo, e ambos os lados condenam a indicação de Kassab para o comando - alegam que ele não tem domínio algum dos assuntos.

    Agravando a falta de expertise, o novo ministério teve o orçamento reduzido, ao ponto de não conseguir manter nem ao menos os programas anteriores em funcionamento. O custo de manutenção do Santos Dumont é de R$ 500 mil ao mês, quase 80% de todo o financiamento do LNCC. Segundo o diretor do laboratório, Augusto Gadelha, o supercomputador tem participação essencial em mais de 80 projetos, com novos pedidos a cada dia. “No mês de maio, vimos que não havia a possibilidade de manter o computador ligado e tivemos a decisão de desligá-lo, diante da imprevisibilidade de chegada dos recursos para a energia elétrica”, explicou.

    Além do prejuízo às pesquisas, a paralisação do supercomputador também pode causar danos irreversíveis ao equipamento. A infraestrutura precisa ser refrigerada constantemente e, sem uso, corre o risco de dano permanente. O presidente da academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, teme por ainda mais cortes de dinheiro como parte do programa de austeridade fiscal implementada pelo governo interino.

    Apesar de conhecer a situação, o MCTIC afirma que não há previsão de anúncio de novos recursos.

    Portal CTB

  • A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (29) a venda de sua participação no bloco exploratório BM-S-8, localizado na Bacia de Santos, para a companhia norueguesa Statoil. Trata-se do primeiro lote entregue a uma multinacional desde o início do governo provisório de Michel Temer.

    O preço para a participação no bloco exploratório foi definido em US$ 2,5 bilhões, que integram o programa de alienação de ativos que a companhia leva adiante. O objetivo é arrecadar US$ 14,4 bilhões só em 2016.

    Como revelado pelo jornal O Globo, a escolha da atual direção é a de vender pedaços da empresa para pagar o “elevado endividamento” da Petrobras - algo em torno de R$ 450 bilhões. A justificativa para a eleição deste campo em particular seria a sua demora para que entrasse em operação - mesmo com investimento, serão necessários ao menos mais cinco anos para que ele passe a funcionar.

    “O que está se ensaiando é gravíssimo para o futuro da Petrobras. Diferente das tentativas anteriores de privatização, o plano agora é desmontar a Petrobras aos pedaços. Não é só a Bacia de Santos que está sendo negociada - existem vendas no nordeste, nos polos petroquímicos”, explicou à CTB o coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN), José Araújo. “Esse negócio de vender ativos para pagar dívida não faz sentido. A dívida total da Petrobras, apesar de ser alta, é um compromisso de longuíssimo prazo, normal neste setor. Tem capitalização que a Petrobras faz para um prazo de 100 anos! Com tantos trilhões de dólares em petróleo esperando extração, vender uma plataforma só para pagar uma pequena parcela dessa dívida é simplesmente irracional”, continuou.

    Esse é o consenso entre os petroleiros da Federação Única dos Petroleiros, que classificaram a dívida da estatal como “irrisória” diante das oportunidades econômicas do pré-sal. Em manifesto da campanha “Todo o Petróleo Tem que Ser Nosso”, a categoria manifesta apoio integral à exploração estatal do recurso no Brasil: “A Petrobras tem um patrimônio gigantesco de óleo e gás no pré-sal, sendo que a dívida da empresa, somada aos desvios estimados, representa não mais que 1% desse patrimônio”.

    O campo do Carcará, que engloba o BM-S-8, tem um dos maiores potenciais de exploração de todo o pré-sal, com bilhões de barris submersos. Antes da venda, ele era operado pela Petrobras, que detinha 66% de toda a operação, em parceria com a Petrogal Brasil (14%), a Queiroz Galvão Exploração e Produção (10%) e a Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás (10%). Com a venda, a Statoil ganha também prioridade na compra dos blocos vizinhos, tornando-se virtualmente a detentora do campo.

    Portal CTB