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Sáb, Fev

Polícia Federal

  • A política cultural do governo golpista é a truculência policial e a falta de cultura

    Como se não bastasse a ação truculenta da Polícia Federal na madrugada desta segunda-feira (25) para cumprir ordem de reintegração de posse do Palácio Gustavo Capanema, um dos prédios do Ministério da Cultura (Minc) ocupado há 70 dias por artistas em defesa da cultura e da democracia.

    O Minc publicou nesta terça-feira (26), diversas portarias exonerando mais de 70 servidores que exerciam cargos de chefia. As dificuldades da cultura começaram com a posse do desgoverno golpista e a extinção do Minc. Os artistas realizaram um movimento de ocupações nas 27 capitais brasileiras de edifícios do ministério, o desgoverno voltou atrás.

    O movimento Ocupa Minc RJ tornou-se um dos principais símbolos de resistência ao golpe. A atriz e diretora Bia Lessa diz em vídeo que “aconteceram coisas muito extraordinárias “ nessa ocupação.

    Ali virou um “lugar de encontro de todas as classes sociais”. De acordo com ela, isso é o que “deveria acontecer em todos os campos da cultura”. Mas ela ressalva que a desocupação é muito triste, porque deixa o país mais pobre.

    Para Lessa, o movimento sustentado por mais de 2 meses no prédio do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pertencente ao Ministério da Cultura, “dá uma esperança de que o futuro possa ser muito legal”.

    Assista Bia Lessa

     

    Já o ator Humberto Carrão conta que os cariocas e fluminenses conhecem o jeito “PMDB de governar”, onde “as empreiteiras e as empresas de ônibus pensam a cidade”. Vários artistas disseram que a resistência continua.

    ocupa minc rj nenhum direito a menos

    Inclusive funcionários do Palácio Capanema desmentiram a direção do Minc de que estavam sendo impedidos de trabalhar. "Nunca fomos impedidos de entrar ou trabalhar (...) A gente conviveu muito bem com a ocupação", escreveu funcionária do Iphan.

    Veja Humberto Carrão

     

    Os artistas denunciam também a construção de mais um “muro da vergonha” para impedir a reocupação do prédio. Esse é o diálogo prometido pelo ministro interino Marcelo Calero, quando assumiu o Minc, cargo rejeitado por ao menos cinco mulheres?

    Para a secretária de Formação e Cultura da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Celina Arêas, a ação para desocupar o prédio no Rio de Janeiro, envergonha o Brasil, faltando poucos dias para a inauguração dos Jogos Olímpicos, época em que o mundo todo está de olho no país.

    “A cultura expressa a alma de uma nação e a sua desvalorização entristece o país todo e castra nossos sonhos de construir uma civilização onde prevaleça o amor, a generosidade, o respeito aos direitos humanos e a alegria”, finaliza Arêas.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Veja abaixo o manifesto da Frente Ampla de Trabalhadoras e Trabalhadores do Serviço Público pela Democracia

    Aprisionar o Palácio Capanema é aprisionar o sonho de um Brasil independente e para todos

    Em 1936, uma equipe de arquitetos liderada por Lucio Costa projetou no Rio de Janeiro o primeiro arranha-céu modernista construído no mundo: o Ministério da Educação e Saúde Pública, encomendado por Gustavo Capanema. O “risco original de Le Corbusier” para a obra fora em muito alterado pela equipe brasileira, composta ainda por ninguém menos que Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão e Ernani Vasconcellos. A principal invenção era o chão da quadra completamente aberto, o grande bloco elevado sobre um pilotis colossal, produzindo uma urbanidade única: um híbrido entre espaço público e privado, um símbolo de progressismo (em pleno Estado Novo), um modelo em todos os sentidos, globalmente reproduzido.

    A abertura e generosidade do hoje chamado Palácio Gustavo Capanema é parte do seu caráter. Era a esperança de que a industrialização traria independência econômica e cultural a todos, indistintamente, para além das oligarquias. É parte da configuração reconhecida mundialmente como Patrimônio Cultural. É parte de um grito de autodeterminação do povo brasileiro, que reverbera por décadas, e agora tentam sufocar. É o edifício-praça que acolhe o cidadão em seu cotidiano, que dá lugar a blocos carnavalescos populares, que abrigou o OcupaMinc na capital fluminense: um dos principais focos de resistência democrática ao gabinete conservador, misógino, racista, elitista, entreguista e opressor que se apossou do poder em nosso país por meio de um golpe de estado em 2016.

    Hoje, após uma brutal desocupação sem diálogo, a praça do Palácio Capanema foi cercada por um muro de aço e arame farpado. O pretexto era, ironicamente, a continuidade das obras de restauro do edifício. É na verdade um ato de desespero opressivo do gabinete golpista. É sinal inequívoco das reais intenções dessa caterva, cega pelo seu desejo de coagir, explorar, excluir.

    Aprisionar o edifício neste momento é aprisionar o sonho de uma nação para todos.

    O povo do Rio de Janeiro e de todo o Brasil saberá entender esta agressão e reagirá.

    Golpistas, não governarão!

    25 de julho de 2016

  • A prisão de Lula na mídia internacional

    O discurso do líder brasileiro como vítima de uma perseguição política está na imprensa estrangeira, que destaca ainda o favoritismo dele para as eleições presidenciais de outubro.

    A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de sábado (7), e seu discurso no ato político realizado em São Bernardo do Campo (SP), onde anunciou que se renderia à Polícia Federal, receberam grande destaque na imprensa estrangeira. O assunto está nas primeiras páginas de diversas publicações em todo o mundo e é um dos principais temas das agências internacionais de notícias. A foto de Lula, cercado por uma multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tirada por Francisco Proner, foi distribuída pela Reuters para todo o mundo e reproduzida em jornais influentes, como o inglês The Guardian e o canadense The Globe and Mail.

    As palavras-chave são a rendição do maior líder da esquerda brasileira, que está à frente na corrida presidencial, a transformação de Lula em preso político e a desconfiança sobre o sistema judiciário do país. O material produzido pelas principais agências de notícia – AP, Reuters, Bloomberg, AFP, EFE, DW e Prensa Latina – ganhou o mundo. Vários despachos foram sendo atualizados ao longo do dia.

    lula 

    O americano The New York Times traz longa reportagem assinada pelos correspondentes Manuel Androni, Ernesto Landoño e Shasta Darlington, com foto de Lalo de Almeida, destacando que Lula se rendeu para cumprir pena de 12 anos de prisão. “Sua prisão é uma reviravolta ignominiosa na notável carreira política de Lula, filho de trabalhadores rurais analfabetos que enfrentou os ditadores militares do Brasil como líder sindical e ajudou a construir um partido reformista de esquerda que governou o Brasil por mais de 13 anos”, diz a reportagem.

    Os correspondentes do NYT relatam que antes de se render às autoridades policiais federais, Lula, 72 anos, acusou promotores e juízes de intencionalmente persegui-lo com um caso infundado. “Eu não os perdoo por criar a impressão de que sou um ladrão”, disse um indignado Lula, rouco, diante de uma multidão reunida do lado de fora do sindicato de metalúrgicos. A reportagem destaca que, durante horas no sábado, em um impasse tenso, seus fervorosos defensores haviam bloqueado fisicamente sua rendição, antes de finalmente permitir que ele partisse.

    lula whashington post

    O americano Washington Post informa que Lula se entregou à Polícia Federal, mas disse que, mesmo encarcerado, vai fazer campanha política. Segundo o jornal, que destaca em foto Lula sendo levado nos braços do povo no berço do sindicalismo brasileiro, que a prisão “intensificou o drama político na maior nação da América Latina”. De acordo com o texto dos correspondentes Marina Lopes e Anthony Faiola, a cadeia transformou um homem que o presidente Barack Obama chamou de “o político mais popular da Terra” no prisioneiro mais famoso da região.

    O inglês The Guardian reproduz a foto distribuída pela Reuters com Lula cercado pela multidão e destaca em manchete: “Lula inicia sentença de prisão no Brasil depois de se entregar à polícia”. Segundo o diário, o ex-presidente promete provar sua inocência da corrupção depois de encerrar um impasse de dois dias com as autoridades. “Faça o que quiser, o poderoso pode matar uma, duas ou 100 rosas. Mas eles nunca conseguirão impedir a chegada da primavera”, discursou o líder político.

    O jornal canadense The Globe and Mail destaca em primeira página que Lula foi para a cadeia, “mas aqueles que ele defendeu lamentam o fim de uma era”, publicando também a foto de Francisco Proner, distribuída pela Reuters. O texto é da correspondente Stephanie Nolen, que abre a reportagem falando que Lula se entregou à Polícia Federal no sábado de noite, tendo feito antes um inflamado discurso de 55 minutos a apoiadores reunidos na frente do sindicato. “Foi o fim de uma dramática jornada de 48 horas que uniu o Brasil e forneceu suporte a uma extraordinária história política”, relata.

    “Muitos brasileiros anunciaram a visão de um líder supremamente poderoso em custódia da polícia como um ponto de virada para o país, um golpe contra a impunidade dos poderosos”, escreve a correspondente. Mas para outros, a prisão de Lula é um fim devastador para uma era de um tipo diferente de política. “Lula trouxe um poder para os pobres brasileiros - as pessoas foram viver acima da linha da pobreza, pessoas que nunca tinham estudado começaram a estudar, trabalhadores domésticos tiveram direitos quando antes eram todos escravizados", disse Elisa Lucinda, uma proeminente atriz, poeta e cantora. “Era um Brasil que nunca havia sido visto antes e agora vai desaparecer novamente”.

    O site russo Sputnik reporta que Lula se entregou à polícia. Os muitos despachos ao longo do dia foram reproduzidos em outras línguas, inclusive nos serviços em espanhol e português. Em um dos destaques no site, reportagem relata que embora tenha sido condenado por subornos, a Justiça não apresentou provas e que o ex-presidente é líder inconteste nas pesquisas de opinião para voltar ao poder nas eleições previstas para este ano. “A direita brasileira joga com fogo”, destaca.

    A emissora de TV Russia Today destacou no final da noite que Lula acabou com o impasse e se entregou à polícia. A reportagem aponta que, antes de se entregar, Lula se dirigiu a uma audiência de milhares de pessoas que estavam nas ruas de São Bernardo do Campo e discursou: “Quanto mais dias eles me deixarem (na cadeia), mais Lulas nascerão neste país”. A multidão gritou: “Libertem Lula!”.

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    Na Argentina, o jornal Clarín destacou em manchete de primeira página, que Lula já está preso em Curitiba para cumprir sua pena por corrupção. Outro jornal argentino, o Página 12, aponta que a detenção de Lula é um segundo golpe que o país vive, e que, durante todo o dia, o líder do PT recebeu o apoio e solidariedade de milhares de militantes e simpatizantes. Ele falou à multidão, onde disse que o único crime que cometeu “foi tirar milhões da pobreza” e que o golpe que começou com a deposição de Dilma Rousseff terminou com a decisão de impedi-lo de ser candidato à Presidência. Também o La Nación destacou em primeira página que Lula já está na sede da PF em Curitiba, onde cumprirá sua pena.

    Agências internacionais

    Matéria da AP, reproduzida em 10,6 mil sites noticiosos, relatou que Lula foi levado no início da noite sob custódia policial, depois de um confronto tenso com seus próprios partidários e três intensos dias que de fortes emoções por causa do seu encarceramento. “Apenas algumas horas antes, Lula disse a milhares de partidários que se entregaria à polícia, mas alegou inocência e disse que sua condenação por corrupção era simplesmente uma maneira de os inimigos garantirem que ele não fugisse – e possivelmente vencesse – as eleições presidenciais de outubro”, diz o texto assinado por Maurício Savarese e Peter Prengaman.

    Reportagem da AFP relata a tensão no final de sábado da saída de Lula da sede do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, apontando-o como favorito da eleição presidencial de outubro. O despacho destaca que “Lula se considera vítima de uma trama da elite para impedir que concorra a um terceiro mandato”. O jornal traz declaração forte do ex-presidente: “A obsessão deles é ter uma foto do Lula prisioneiro”, disse. O material foi replicado por 3,7 mil veículos de imprensa no mundo.

    A agência espanhola EFE, em despacho divulgado no final de sábado, relatou que Lula pôs fim à sua resistência e já estava nas mãos da Polícia Federal, destacando trecho do seu discurso em que confessou ter cometido um delito. “Eu cometi um crime: trazer os pobres para a faculdade, o que lhes permite comprar carros, eles têm alimentos”. “Serei um criminoso pelo resto da minha vida”. Texto, vídeo e fotos foram reproduzidos em 2.590 sites e veículos noticiosos em todo o mundo.

    Texto da Reuters, com a foto de Lula cercado pela multidão de simpatizantes e militantes de esquerda no pátio do sindicato onde começou sua vida política, foi reproduzido em dezenas de sites de notícias. A reportagem aponta que Lula se entregou à polícia, acabando com o impasse, no início da noite de sábado. Segundo a agência, “a prisão de Lula remove a figura política mais influente do Brasil, líder da campanha presidencial deste ano”. O texto especula que isso poderia aumentar as chances de um candidato centrista prevalecer. O despacho da agência foi reproduzido por 2.480 sites e jornais, inclusive o The New York Times.

    A Deutsche Welle deu em manchete que “o ex-presidente brasileiro Lula está na prisão”, que o primeiro prazo ele havia deixado passar, no sábado os seus seguidores impediram a sua detenção, mas o líder condenado por corrupção foi levado afinal por policiais. “Vários pedidos para permanecer em liberdade até o final do apelo foram negados”, relata a agência alemã. “Lula também pediu ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em Genebra uma liminar para evitar a detenção”.

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    Europa

    O diário espanhol El País deu manchete de primeira página para a prisão de Lula, destacando no título trecho do discurso do ex-presidente: “A morte de um combatente não para a revolução”. Segundo o jornal, o líder petista foi para a prisão no final da noite de sábado, condenado a 12 anos de prisão, mas que falou antes a uma multidão: “Não sou um ser humano mais. Eu sou uma ideia. E as ideias não se encerram”.

    O jornal francês Le Monde, por exemplo, em editorial na edição de sábado avalia que, mesmo Lula tendo caída em “desgraça” a Justiça brasileira terá que provar ao mundo que sua mobilização contra a corrupção é capaz de atingir também a outros grupos políticos. “A Operação Lava Jato deve demonstrar ao país que a prisão de Lula não é um ato político”, aponta o editorial.

    “A prisão daquele que continuará sendo um dos dirigentes mais marcantes da história do país não significa o fim dos processos. (...) A Lava Jato precisa ter a mesma severidade com outros caciques de partidos do centro e da direita”. E cita o ex-presidenciável tucano Aécio Neves, “suspeito de corrupção passiva e obstrução da justiça”, estranhando que “seu caso ainda não foi examinado pela Suprema Corte”.

    Em reportagem da correspondente Claire Gatinois, o Le Monde destacou que Lula se rendeu à polícia, abrindo a notícia com a declaração do ex-presidente para “uma multidão em lágrimas” de que “podem matar um combatente, mas a revolução continua". “Ofegante e animado”, descreve a jornalista, “o velho confirmou a sua rendição”.

    O tradicional jornal Liberation questionou em sua edição de domingo se a ida de Lula para prisão poderia ser interpretado como “um golpe de misericórdia na esquerda latina”. Ouvindo especialistas, o jornal relata que Lula é o candidato da esquerda reformista – “não revolucionária” – a mais amigável em relação aos mercados.

    “O resultado é que ele vai tornar-se radical”, analisa Patricio Navia, orientador acadêmico do Centro de abertura e desenvolvimento da América Latina (Cadal). Fontes ouvidas pelo jornal avaliam que a esquerda terá grandes dificuldades em voltar, mas que “enquanto as sociedades da região da América Latina forem marcadas pela pobreza, desigualdade e exclusão social, sempre haverá um desafio para mudar o status quo”.

    O jornal L’Humanité aponta um “golpe judicial e militar contra Lula”, reforçando o argumento da esquerda brasileira de que o ex-presidente está sendo perseguido. “O Supremo Tribunal do Brasil rejeitou na quarta-feira a libertação do ex-presidente Lula, que é o candidato presidencial em outubro. Contra o pano de fundo das ameaças do exército”, resume. O também francês Le Fígaro destacou que Lula anunciou que aceitava a sua prisão, mas a matéria ressalta que ele contestou as acusações que pesam contra si e disse que vai provar que seu julgamento é um “crime político”.

    Em outro despacho no mesmo jornal, o destaque foi a reportagem da agência France Press, também reproduzida no diário Le Progress, noticiando que, no final da tarde de sábado, Lula foi impedido de se entregar pelos simpatizantes que cercavam o sindicato dos metalúrgicos, onde ele despontou sua liderança, na região de São Bernardo do Campo. O material também foi reproduzido no canal France24, nos jornais La Provence e La Croix, no canadense Le Journal de Montreal, as emissoras de rádio DH, da Bélgica, e Radio Canada.

    O português Diário de Notícias, em reportagem do correspondente João Almeida Moreira, destacou que o último dia de liberdade de Lula, poderia ser de tristeza, com sua despedida e a missa em memória da sua falecida mulher como panos de fundo. Mas se tornou uma festa, com direito a set list escolhida pelo ex-presidente: “Asa Branca” e “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, “Apesar de Você”, de Chico Buarque, e o samba “Deixa a Vida me Levar”, de Zeca Pagodinho. A matéria reproduz trechos do discurso de Lula – “Eu não sou um ser humano, eu sou uma ideia, todos vocês agora vão virar Lula, eles acham que tudo o que acontece nesse país é responsabilidade do Lula, agora eu responsabilizo vocês” – e diz que o petista também citou Martin Luther King.

    Na Bélgica, a RTBF manteve flashes sobre Lula e a sua iminente prisão, durante a programação de sábado. Foram quatro destaques sobre o líder brasileiro, a última reportagem apontando que o petista foi impedido de se entregar à polícia pelos simpatizantes.

    Olímpio Cruz Neto é jornalista e escritor. Foto: Francisco Proner (destaque)

  • Artistas mantêm-se firmes e ocupam o Canecão no Rio contra desmonte da cultura

    Os artistas organizam o espaço para ser utilizado para atividades culturais

    Desde que o governo golpista tomou de assalto o Palácio do Planalto, os ativistas da cultura brasileira viram-se em apuros. Com a extinção do Ministério da Cultura (Minc), os artistas ocuparam prédios do Minc em todas as 27 capitais do país.

    O desgoverno Temer voltou atrás, mas o ministro interino, Marcelo Calero, parece que aceitou o cargo com a incumbência de desmontar o ministério. Depois de 73 dias ocupando o Palácio Gustavo Capanema no Rio, a PF cumpriu, à força, a reintegração de posse, na madrugada da segunda-feira (25).

    Parecia o fim do movimento #OcupaMincRJ, um dos principais focos de resistência aos golpistas. “Ledo e Ivo engano”, como diria Luiz Fernando Verissimo. Já na sexta-feira (29), informa o blog O Cafezinho, os artistas ocuparam o antigo Canecão.

    canecão

    “Importantíssimo o movimento de resistência dos artistas contra o golpe”, diz Celina Arêas, secretária de Formação e Cultura da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ela, toda atividade que a sociedade civil organizada faz de resistência ao golpe é fundamental neste momento em que se aproxima a votação do processo de impeachment no Senado Federal.

    “Já está mais do que comprovado que não existe nenhum crime cometido pela presidenta Dilma, então o impeachment já deveria estar arquivado”, argumenta.

    Sobre a questão cultural, Celina afirma que “foram os artistas os primeiros a reagir a esse golpe”, principalmente, porque “este modelo de golpe visa minar a resistência cerceando a educação, a cultura e toda a possibilidade de informação para a maioria da população”.

    Veja como foi a ocupação pelo vídeo abaixo 

    O Cafezinho acentua que “os artistas que estão dormindo no Canecão acreditam que há no novo local uma vantagem comparativa em relação ao Capanema: o governo federal não pode expulsá-los de lá através de reintegração de posse, pois somente o reitor da UFRJ detém esse poder”.

    “A Ocupa Minc RJ vai resistir até o Temer cair! Ocupamos outro prédio público federal, o antigo Canecão, novo polo de resistência contra o golpe”, dizem os organizadores do movimento em sua página do Facebook (acesse aqui).

    “A Ocupa Minc RJ resignificou o local, trazendo mais de 100 mil pessoas para acompanhar diversas atividades, diariamente. Ainda assim, o governo golpista reintegrou posse em uma megaoperação da Polícia Federal, escondendo o prédio com tapumes. Mais um golpe para o movimento que se tornou um coletivo durante todo esse processo” diz nota do movimento.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Até que ponto a educação sexual pode ajudar no combate à pedofilia?

    A partir da ação final da segunda fase da Operação Glasnost, da Polícia Federal (PF), que investiga crimes de abuso sexual à crianças e pedofilia, levou para a prisão 33 pessoas, entre elas, pais, professores, médicos, estudantes e um porteiro, com idades de 18 a 80 anos, o Portal CTB debate como coibir a pedofilia e o abuso sexual de crianças e jovens.

    A operação ocorreu em 14 estados, mas foi o Paraná que teve o maior número de prisões e apreensão de material pornográfico em computadores, celulares e máquinas fotográficas. De acordo com o delegado da PF, Flávio Augusto Palma Setti, esta ação chamou a atenção pela prisão inclusive de pais abusadores das filhas.

    O problema da pedofilia trouxe à tona o debate sobre a necessidade de ter educação sexual nas escolas como uma das formas de se coibir essa violência.

    “É fundamental o debate sobre as questões de gênero e sexo nas escolas para alertar as crianças e os jovens sobre o que é carinho e o que é abuso”, diz Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A sindicalista baiana concorda com a nadadora pernambucana Joanna Maranhão que criou a Organização Não Governamental (ONG) Infância Livre, para cuidar de crianças que sofrem abusos em Recife, a partir de sua própria experiência. Em uma entrevista à BBC Brasil, a atleta defende educação sexual nas escolas, inclusive para dificultar a ação de pedófilos.

    Para ela, "mais importante do que desmascarar o pedófilo é educar sexualmente as crianças. É preciso ter uma educação sobre isso, sobre qual carinho pode, qual não pode, o que são certas coisas. É preciso falar disso na escola".

    Betros reforça a necessidade de um amplo debate sobre a sexualidade para “além de coibir ações de pedófilos, orientar as crianças a identificar os abusos e as famílias a apoiarem suas filhas e filhos”.

    É muito importante também, diz, “orientar as educadoras e os educadores sobre como identificar os sinais do abuso que as crianças e jovens dão, porque em muitos casos, as vítimas não entendem o que está acontecendo, mesmo sentindo-se mal com a situação”.

    Ela defende a necessidade de efetivação de políticas públicas capazes de impedir a ação de abusadores com o aparelhamento dos conselhos tutelares que “não têm os equipamentos necessários para prestar ao atendimento devido”.

    Também há necessidade de “locais apropriados de atendimento para as vítimas, com médicos, psicólogos e tudo o que for preciso para salvar a vida da criança abusada. Porque a gravidade da agressão pode levar a vítima até ao suicídio por não enxergar saídas, principalmente porque boa parte dos agressores são pessoas próximas”, conclui.

    A escola exerce papel fundamental para alertar sobre essa violência contra vulneráveis. “Educação, diálogo e informação de qualidade são essenciais para coibir não só a pedofilia, mas toda a ação de exploradores sexuais”.

    Porém, alerta Betros, "somente a educação sexual nas escolas não basta, é necessário criar um amplo movimento nacional para proteger as nossas crianças, orientando as famílias a identificar as situações de violência".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Coletivo da Cidade

  • Bolsonaro não sabe o que fazer com a crise política criada pelo filho

    Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu apenas 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar a imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) pode ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Segredos explosivos

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno ensaiar um recuo, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Prometeu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e chegou a sinalizar com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    Mas a crise se avolumou e a permanência de Bebbiano tornou-se inviável, sendo provável que na segunda-feira (17) ele seja defenestrado do cargo. Isto pode ter um custo alto, uma vez que o ministro assumiu a presidência do PSL (partido pelo qual Bolsonaro se elegeu) em 2018, coordenou os gastos e tinha a chave do cofre e dos segredos financeiros da campanha presidencial, que contou com recursos de Caixa 2, que a legislação eleitoral não permite. Bebbiano detém segredos que têm o potencial de desestabilizar o governo e disse que quer uma "saída honrosa", embora não se saiba se a esta altura isto seja possível. 

    As manchas da corrupção perseguem o governo de Jair Bolsonaro, que todavia finge combater o mal. O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    O mercado respira nesses dias um clima de consternação e receio de que a sucessão de crises no Palácio em menos de 50 dias de (des)governo compromete a votação da reforma da Previdência ansiada pelos banqueiros e grandes capitalistas.

    Umberto Martins 

  • Bolsonaro não sabe o que fazer com a crise política criada pelo filho e ensaia recuo

    Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar uma imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) parece ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Mise en scène

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno voltar atrás, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Decidiu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e sinaliza com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    Umberto Martins 

  • Bolsonaro não sabe o que fazer com a crise política criada pelo filho e ensaia recuo

    Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar uma imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) parece ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Mise en scène

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno voltar atrás, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Decidiu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e sinaliza com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    Umberto Martins 

  • Bolsonaro não sabe o que fazer com a crise política criada pelo filho e ensaia recuo

    Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar uma imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) parece ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Mise en scène

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno voltar atrás, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Decidiu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e sinaliza com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    Umberto Martins 

  • Condução coercitiva de reitores da UFMG causa revolta no país inteiro

    Manifestação em solidariedade aos reitores detidos (Foto: Larissa Ricci-EM)

    “Estamos acompanhando essa ação da Polícia Federal contra a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) para impedir mais essa ação trôpega da PF”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “Parece que estamos virando um país sem leis”, reclama.

    A fala de Arêas denuncia condução coercitiva dos três últimos reitores e vice-reitores da UFMG nesta quarta-feira (6) durante a operação chamada "Esperança Equilibrista". Com essa operação a PF diz apurar um suposto desvio de recursos públicos destinados à construção e implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil, financiado pelo Ministério da Justiça, envolvendo R$ 4 milhões.

    Na madrugada foram levados à delegacia para depor o reitor Jaime Arturo Ramírez, e a vice-reitora Sandra Goulart Almeida e mais seis pessoas. De acordo com o jornal O Tempo, ocorreram 11 mandados de busca e apreensão com a participação de 84 policiais federais, 15 auditores da Controladoria Geral da União (CGU) e dois do Tribunal de Contas da União (TCU).

    Para Gilson Reis, vereador em Belo Horizonte e coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, essa ação é mais um absurdo promovido pelos golpistas no país.

    Para ele, essa é mais “uma tentativa de desmoralizar a universidade pública brasileira com objetivo de privatizar”. Ainda mais a UFMG que mora nos corações de todos os mineiros e “tanto compromisso tem com a nação brasileira, com a educação, com a ciência e tecnologia, com a evolução da nossa sociedade e do país”.

    ufmg luta foto raquel freitas g1

    Foto: Raquel Freitas-G1

    Já Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) divulgou nota de repúdio onde acusa a ação como “tentativa de golpe na UFMG”. “A ANPG e os pós-graduandos da UFMG estão mobilizados. Já havíamos denunciado, pela ocasião dos fatos na UFSC, que, neste momento vivemos em um período de ataques às instituições públicas e tais práticas chegam mais uma vez à universidade pública brasileira”.

    Leia a íntegra aqui.

    Já o Sindicato dos Professores de Minas Gerais condena a ação e afirma categoricamente que “não há fatos que justifiquem a condução coercitiva e midiaticamente espetaculosa que se fez dos atuais gestores da Universidade, bem como dos seus antecessores. A Constituição da República de 1988 assegura a todos o devido processo legal e a presunção de inocência – preceitos que não foram respeitados. Também não existe, por parte dos citados, nenhuma obstrução às investigações ou escusa a depoimentos esclarecedores, não existindo nenhum motivo concreto à ação ostensiva e deletéria da Polícia Federal”.

    Leia a íntegra da note de repúdio aqui.

    A CTB Educação-RS também repudia com veemêndia a ação truculenta da PF. O avanço do Estado de Exceção que estamos vivenciando no Brasil acontece abertamente, sem o menor pudor. Atentos a isso, devemos organizar maior e mais firme resistência à essas práticas truculentas e autoritárias, reunindo todo campo progressista e de todos os defensores da liberdade do povo brasileiro em torno dos ideais democráticos que sempre defendemos", diz trecho da nota.

    Leia a íntegra aqui.

    Reis explica também que essa ação despropositada da PF visa ainda impedir que “a reitora eleita (Sandra Goulart Almeida) assuma o seu mandato”. Para ele, “o Brasil precisa se levantar” contra as arbitrariedades que estão ocorrendo.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Conflito por terras indígenas se intensifica no Mato Grosso do Sul

    Uma liderança do povo Guarani e Kaiowá - que não quis se identificar - diz que os indígenas reocuparam a Fazendo Yvu em Caarapó, no Mato Grosso do Sul, depois que saiu publicado no Diário Oficial da União que “essa era uma terra indígena”.

    Os latifundiários da região discordam e defendem que as terras lhes pertencem. “A situação está muito tensa”, diz Ricardo Martins Froes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no MS (CTB-MS). “Parece uma guerra. O Estado tem que demarcar as terras indígenas com urgência”.

    Na terça-feira (14), um grupo de fazendeiros e pistoleiros invadiu a aldeia dos Guarani e Kaiowá, matando um indígena e ferindo, ao menos, outras seis pessoas, inclusive uma criança (leia mais aqui).

    De acordo com a liderança indígena, desde que saiu a publicação, determinando as terras para os indígenas, “os fazendeiros prometeram matar sete índios por cada fazenda ocupada. E estão se mostrando dispostos a isso”, afirma.

    “No domingo (19), invadiram outra fazenda aqui na região dando tiros, mas desta vez ninguém foi ferido”, realça. Essa pessoa também reivindica que haja mais policiamento para impedir a ação dos fazendeiros.

    “A Polícia Federal e a Força de Segurança Nacional estão aqui, mas eles não agem à noite e nós ficamos desprotegidos, porque os fazendeiros estão muito armados e nosso povo tem muitas mulheres, crianças e idosos”.

    Segundo a liderança, houve um acordo, intermediado pelas autoridades federais para os povos tradicionais “não avançarem nas ocupações, até ser feito um acordo”. O indígena garante que eles “respeitaram o acordo, mas os fazendeiros estão desrespeitando e ameaçando-nos”.

    De acordo com essa pessoa, vivem em Caarapó de 2 mil a 3 mil Guarani e Kaiowá, divididos em seis grupos. “É urgente que o governo promova a demarcação de nossas terras e indenize os fazendeiros para acabar com esse conflito que não é bom para ninguém”, conclui.

    Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), mais de 3 mil indígenas foram assassinados no estado desde 2000. O conflito que hoje se estende por toda a fronteira do MS com o Paraguai. Atinge municípios como Caarapó, Amambai, Ponta Porã e Paranhos.

    A solidariedade aos povos indígenas do Brasil vem crescendo. A relatora especial da Organização das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, diz que “desde que essas terras foram reconhecidas pelo Estado brasileiro como território indígena, os fazendeiros não poderiam mais clamar por sua propriedade”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Corrupção em família: em menos de 24h investigação chegou a mulher do presidente

    O ex-assessor e ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício José Carlos de Queiroz, foi citado em 1 relatório produzido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) por movimentações financeiras atípicas em uma conta no banco Itaú. Além de Flávio Bolsonaro, o relatório apontou transações  envolvendo o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) e sua esposa, a futura primeira-damaMichelle Bolsonaro.

    O policial militar teria movimentado, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017, R$ 1,2 milhão. Uma das transações, 1 cheque de R$ 24.000 foi destinado a Michelle.

    O documento é fruto do desdobramento da Operação Furna da Onça, ligada à Lava Jato no Rio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo, que revelou o caso nesta quinta (6).

    A Furna da Onça foi deflagrada há 1 mês e prendeu 10 deputados estaduais e 6 funcionários da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). O ex-governador do Rio Sérgio Cabral é 1 dos alvos da operação, que investiga 1 esquema de compra de apoio político de deputados cariocas, lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual.

    Ligações perigosas

    Fabrício Queiroz foi motorista e segurança de Flávio até outubro quando pediu exoneração do cargo de Assessor Parlamentar da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

    Já sua filha, Nathalia Melo de Queiroz era, até o mês passado, assessora lotada no gabinete do deputado federal e agora presidente eleito, Jair Bolsonaro. Em setembro, pelo gabinete dele, ela recebeu um salário de R$ 10.088,42.

    O documento não deixa claro quais são os valores das transferências, mas ao lado do nome de Nathalia está o valor total de R$ 84 mil.

    MPF confirma validade da operação

    O Ministério Público Federal (MPF) divulgou nota na tarde desta quinta (6) confirmando a existência do relatório do Coaf. A nota ainda explica que “como o relatório relaciona um número maior de pessoas, nem todos os nomes ali citados foram incluídos nas apurações, sobretudo porque nem todas as movimentações atípicas são, necessariamente, ilícitas. A íntegra do documento foi juntada aos autos para confirmar que não houve edição após envio pelo Coaf”.

    O documento faz parte da operação da Polícia Federal Furna da Onça.

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Crueldade contra Lula

    A Justiça e a Polícia Federal impediram o ex-presidente Lula, preso injustamente em Curitiba, de comparecer ao velório e enterro de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, que faleceu em decorrência de um câncer na terça-feira (29) e foi sepultado nesta quarta (30), às 13 horas.

    Negaram ao maior líder popular do Brasil um direito que deveria ser líquido e certo, já que está previsto de forma cristalina no artigo 120, inciso I, da Lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal). Foi um ato desumano, pautado pelo ódio cego contra o petista, que promoveu um governo democrático e popular orientado para o combate às desigualdades sociais, a valorização do Salário Mínimo e a defesa dos interesses nacionais.

    Leia abaixo a nota que a Direção Nacional do PT divulgou hoje sobre a crueldade, que o STF, embora reconhecendo tardiamente o direito do ex-presidente (garantido a toda e qualquer pessoa presa), não teve a coragem de impedir a tempo.  

    A decisão do Supremo Tribunal Federal, reconhecendo o direito legal de Lula, chegou tarde demais para que ele acompanhasse o sepultamento do irmão mais velho. A decisão também impôs restrições ao encontro de Lula que inviabilizavam a possibilidade dele ver o irmão pela última vez e estar com seus entes queridos no momento. Uma dessas restrições era a de que o encontro ocorresse em uma unidade militar. Quando a decisão foi divulgada, Vavá já estava sendo sepultado. As condições do corpo não permitiam aguardar os rituais da burocracia.

    A perseguição ao ex-presidente Lula não tem fim e neste episódio rebaixou-se ao nível da crueldade e da vingança. A Polícia Federal de Sergio Moro negou autorização para Lula acompanhar o velório do irmão Genival (Vavá) Inácio da Silva, que faleceu de câncer na terça (29) e foi sepultado hoje às 13 h.

    O artigo 120, parágrafo 1o., da Lei de Execução Penal garante a todo cidadão participar dos funerais de familiares: irmãos, pais e filhos. Esse direito legal e humanitário, que atende a todos os cidadãos, foi negado a Lula pelos mesmos perseguidores e carrascos que o condenaram e prenderam ilegalmente, para impedir que fosse eleito presidente da República.

    A autorização para Lula participar do velório do irmão era um ato meramente administrativo, conforme a lei. O responsável pela garantia desse direito era o delegado Luciano Flores, atual superintendente da Polícia Federal no Paraná, onde Lula está cumprindo sua injusta e ilegal pena de prisão.

    Ao receber petição da defesa de Lula para o comparecimento ao velório de Vavá, o delegado Flores alegou verbalmente que não tinha condições logísticas e materiais para transportar o ex-presidente até São Bernardo. No dia 4 de março de 2016, no entanto, o mesmo delegado Flores deslocou-se em avião da PF até São Bernardo, com uma grande equipe da Lava Jato, para submeter Lula a uma condução coercitiva ilegal no aeroporto de Congonhas.

    O atual ministro da Justiça, Sergio Moro, que determinou a condução coercitiva em 2016, nada fez para que seu subordinado cumprisse a lei. Ambos são cúmplices, junto com os procuradores da Lava Jato, da farsa judicial que levou Lula à prisão, sem ter cometido crime algum, sem acusações plausíveis e sem provas.

    Diante de mais esta agressão à lei e aos direitos de Lula, a defesa apelou sucessivamente à juíza responsável pela execução penal e ao desembargador de plantão no TRF-4. Ambos, com grande morosidade, reafirmaram sua notória parcialidade contra o ex-presidente Lula, submetendo-o a um regime de exceção por motivos claramente políticos.

    Lula já foi perseguido, falsamente acusado, condenado sem provas, teve negado o direito de disputar as eleições, de dar entrevistas, receber visitas religiosas e até de nomear seus próprios advogados.

    Negar-lhe, por ação, protelação ou omissão, o direito de compartilhar, com a família e os amigos, as despedidas ao irmão mais velho é um gesto mesquinho, além de ilegal, que reforça sua condição de preso político, vítima de odiosa armação jurídica.

    Nem mesmo a ditadura foi tão cruel e mesquinha em relação a Lula, que saiu da prisão por um dia, em abril de 1980, para participar do sepultamento da mãe, dona Lindu. Na época, Lula e outros dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos foram presos por 31 dias com base na Lei de Segurança Nacional.

    Não há justificativa “logística” nem “administrativa” para negarem esse direito a Lula, principalmente quando se considera que o Partido dos Trabalhadores se prontificou oficialmente a cobrir todas as despesas de transporte com o deslocamento do ex-presidente.

    O povo brasileiro, a comunidade jurídica nacional e internacional, as forças democráticas exigem para Lula um julgamento justo, o que significa o início do restabelecimento das garantias do estado de direito no Brasil.

    Toda solidariedade à família do companheiro Vavá, neste momento de dor. Toda solidariedade ao presidente Lula em mais esta violação aos seus direitos constitucionais e mais esta ofensa aos seus direitos humanos.

    Comissão Executiva Nacional do PT

     

    Portal CTB

  • Em vídeo, Paulo Moreira Leite denuncia censura ao direito de informação no Senado. Assista!

    O jornalista Paulo Moreira Leite, colunista do site Brasil 247, conta que foi impedido pela Polícia Federal de entrar no Senado hoje para cobrir a sessão do processo de impeachment contra a presidenta eleita pelo voto popular Dilma Rousseff.

    Leite disse em vídeo para o Brasil 247 que “a primeira vítima de uma guerra é a verdade”. Aí ele relata que está há 10 anos em Brasília, cobrindo a pauta política e que tem 40 anos de jornalismo.

    Falou também que nunca havia passado por uma situação dessas, nem mesmo na época da ditadura (1964-1985).

    O argumento da PF foi que isso ocorreu por “questões de segurança” e, pior ainda, diz ele, os policiais argumentaram estar cumprindo ordens estritas do presidente do Senado, Renan Calheiros e do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que preside o processo de impeachment.

    Quando a “informação se torna questão de segurança é porque a guerra está começando”, argumenta Leite. Mas ele contrapõe a isso afirmando que “o povo tem o direito de saber” o que ocorre no país, principalmente sobre algo tão grave que vai afetar a vida de todos e todas.

    Assista a denúncia 

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Folha de S.Paulo pede investigação às ameaças feitas a jornalistas por Bolsonaro

    O jornal Folha de S.Paulo fez uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo que a Polícia Federal investigue ameaças feitas a três de seus jornalistas e um diretor por causa da reportagem que revelou a doação de empresários para a campanha do candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, para a disseminação de milhões de notícias falsas (fake News) pelo aplicativo WhatsApp ainda no primeiro turno das eleições.

    Para o jornal paulista, há "indícios de uma ação orquestrada com tentativa de constranger a liberdade de imprensa". Segundo a direção da Folha, depois da publicação da reportagem da jornalista Patrícia Campos Mello, na quinta-feira (18), um dos números de WhatsApp do jornal recebeu mais de 220 mil mensagens, por meio de mais de 50 mil contas do aplicativo.

    Inclusive, o WhatsApp de Patrícia foi hackeado. Parte das mensagens mais recentes dela foi apagada e mensagens pró-Bolsonaro foram disparadas para alguns dos contatos da agenda telefônica da jornalista.

    Muitas mensagens ameaçando Patrícia e seus colegas Wálter Nunes e Joana Cunha, que colaboraram com a reportagem. O diretor-executivo do Datafolha, Mauro Paulino, também recebeu ameaças pelo Messenger e em sua residência. 

    Saiba sobre a reportagem da Folha que provovou a ira dos Bolsonaro aqui.

    A brutalidade de seguidores de Bolsonaro já causa inúmeras vítimas. As notícias se espalham pelo mundo e o candidato cai nas pesquisas. Emmanuel Colombié, diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na América Latina, afirmou que "os ataques do candidato Jair Bolsonaro e de seus apoiadores  contra o jornal Folha de S.Paulo são inaceitáveis e indignos de um partido que pretende governar o país".

    Para Raimunda Gomes, Doquinha, secretária de Comunicação da CTB, “o candidato insufla o ódio com seus discursos beligerantes”. Isso porque no domingo (21), em São Paulo, Bolsonaro disse que vai varrer o país das pessoas que não concordam com ele. Qualquer semelhança com Hitler não é mera coincidência.

    O editorial do jornal Valor Econômico desta quarta-feira (24) também repudia a ação dos seguidores do candidato que afirmou recentemente que vai exterminar quem pensa diferente dele.

    Para o Valor a ação dos extremistas e o discurso de Bolsonaro “lembra a utilizada pela ditadura militar, defendida pelo candidato do PSL ao longo de seus obscuros 27 anos de mandato como deputado federal”.

    O candidato que não comparece a debates porque tem medo do contraditório, de acordo com o jornal destinado a empresários, “hostilizou e ameaçou vários órgãos de imprensa e no domingo (21) nomeou a Folha de S.Paulo como fonte de fake news, indigna de receber verbas da publicidade oficial”.

    O editorial afirma ainda que “Bolsonaro tem pouco apreço pela democracia, como demonstrou em seguidos discursos públicos a favor da ditadura e da tortura. As instituições democráticas, construídas após 21 anos dessa ditadura, poderão ser tensionadas se Bolsonaro for eleito e governar com o mesmo espírito com que disputou as eleições”.

    Doquinha reforça a necessidade de união de todas as forças democráticas para virar o voto nesta eleição e espantar essa ameaça ao país. “Todos juntos por Haddad para até poder criticar o seu governo depois se julgar necessário”. 

    Portal CTB

  • Inquérito que investiga Flavio Bolsonaro chegou à Procuradoria Geral da República

    Os escândalos patrocinados pelo filho do presidente evidenciam a falsa moral que orienta o atual governo, eleito com a promessa demagógica de que vai combater a corrupção. Pior do que o enriquecimento relâmpago e depósitos milionários inexplicáveis é a relação, estranha e perigosa, de Flavio Bolsonaro com as milícias cariocas e o crime organizado. E o justiceiro Moro, grande herói dos nossos coxinhas, continua calado.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu da Polícia Federal (PF) um inquérito que investiga o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) por falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. O caso foi revelado por reportagem do jornal "O Globo" desta quarta-feira (6). O inquérito mira “negociações relâmpagos” de imóveis que resultaram num vertiginoso e inusitado aumento patrimonial do filho do presidente.

    Suspeita-se que o senador lavou dinheiro por meio da compra de imóveis e declarou à Justiça Eleitoral o valor de um apartamento abaixo do preço real. O caso corria em sigilo no Rio de Janeiro e foi remetido à PGR após a eleição de Flávio.

    Em nota, Flávio Bolsonaro busca tapar o sol com peneira. Afirma que a denúncia é "desprovida de fundamentação" e insinua que foi feita por um advogado ligado ao PT "com o único intuito de provocar desgaste político dos adversários". Nem de longe procura justificar o milagre do substancial aumento de patrimônio.

    Caberá à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, decidir se encaminha o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou se mantém as apurações na primeira instância. Vejamos se o comportamento da PRG não será o mesmo do ministro Luiz Fux, que determinou a paralisação das investigações contra o filho do presidente.

    A procuradoria diz que o caso será analisado “sob a ótica” do recurso julgado no Supremo que restringiu o foro privilegiado de deputados e senadores a crimes cometidos no exercício do mandato e relacionados à função. Neste caso não cabe o foro privilegiado, uma vez que as investigações foram abertas antes de Flávio assumir o mandato de senador, para o qual foi eleito em outubro do ano passado.

    O inquérito deve permanecer na primeira instância, já que até 2018 ele era deputado estadual no Rio e em maio do ano passado o STF reduziu o alcance do privilégio usufruído por deputados e senadores a processos sobre crimes cometidos durante o mandato e relacionados ao exercício do cargo parlamentar. Com cara limpa, o senador rebate as críticas, escamoteia as evidências e finge que não é com ele. Sabe que tem as costas largas e teve nesta quarta-feira (6) provas da cumplicidade do partido pelo qual se elegeu, o PSL (o mesmo do pai), que acaba de indicá-la para integrar a Mesa do Senado. É mais um escândalo com cheiro de pizza. 

    Umberto Martins, com informações das agências

  • João Bosco ataca ação da PF na UFMG e não admite utilização de sua música

    O cantor e compositor João Bosco disse que não autoriza a utilização de sua música “O bêbado e a equilibrista”, em parceria com Aldir Blanc, na operação “Esperança equilibrista” da Polícia Federal que levou coercitivamente o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e outros professores da universidade.

    Leia mais

    Condução coercitiva de reitores da UFMG causa revolta no país inteiro

    João Bosco tem mais de 40 anos de carreira com canções antológicas como “O rancho da goiabada”, “De frente pro crime”, “Kid cavaquinho”, “Dois pra lá, dois pra cá”, “Papel machê”, “O mestre sala dos mares”, “O ronco da cuíca”, entre muitas outras sempre em favor da liberdade, da democracia e da justiça.

    “O bêbado e a equilibrista” tornou-se o hino da anistia, que em 1979, permitiu a volta dos exilados políticos ao país. Começava a ruir a ditadura (1964-1985).

    Ouça "O bêbado e a equilibrista", de Aldir Blanc e João Bosco 

    “A operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira. Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental”, diz trecho da Nota do músico mineiro.

    Leia texto na íntegra abaixo:

    Recebi com indignação a notícia de que a Polícia Federal conduziu coercitivamente o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Ramirez, entre outros professores dessa universidade. A ação faz parte da investigação da construção do Memorial da Anistia.

    Como vem se tornando regra no Brasil, além da coerção desnecessária (ao que consta, não houve pedido prévio, cuja desobediência justificasse a medida), consta ainda que os acusados e seus advogados foram impedidos de ter acesso ao próprio processo, e alguns deles nem sequer sabiam se eram levados como testemunha ou suspeitos. O conjunto dessas medidas fere os princípios elementares do devido processo legal. É uma violência à cidadania.

    Isso seria motivo suficiente para minha indignação. Mas a operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira. Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental.

    Resta ainda um ponto. Há indícios que me levam a ver nessas medidas violentas um ato de ataque à universidade pública. Isso, num momento em que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, estado onde moro, definha por conta de crimes cometidos por gestores públicos, e o ensino superior gratuito sofre ataques de grandes instituições (alinhadas a uma visão mais plutocrata do que democrática). Fica aqui portanto também a minha defesa veemente da universidade pública, espaço fundamental para a promoção de igualdades na sociedade brasileira. É essa a esperança equilibrista que tem que continuar.

    João Bosco - 07/12/2017

  • Manuela D'Ávila denuncia agressão e expressa preocupação com segurança de Lula; assista

    Nesta segunda-feira (9), a presidenciável do PCdoB, Manuela D'Ávila denuncia em suas redes sociais ter sido agredida em frente à sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso desde sábado (7). Manuela participa de manifestação em favor da liberdade de Lula. 

    Assista à denúncia

    Ela posta foto do suposto agressor e afirma que ele se escondeu na sede da PF. Versão confirmada pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele e Manuela se dizem preocupados com a segurança do ex-presidente. "Estamos preocupados com a segurança do presidente Lula. Queremos saber o que ele come, o que ele bebe. Então é importante saber se essa pessoa trabalha aqui dentro", diz o senador Lindbergh. 

    Veja a explicação da presidenciável Manuela D'Ávila 

    A pré-candidata à Presidência da República do PCdoB, Manuela D'Ávila, confirma essa preocupação do senador petista e diz que vai mover ação judicial para esclarecer o fato. “O problema é que essa pessoa em particular saiu da sede (da PF) e voltou para lá. Eu posso deduzir que ele é carcereiro. Precisa ser identificado" diz.

    Portal CTB

  • Ministério Público do Rio investiga propina paga a policiais do caso Marielle

    As denúncias feitas pelo miliciano Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando de Curicica, sobre a existência de uma suposta caixinha paga a agentes públicos no Rio de Janeiro, serão investigadas em duas frentes após toda repercussão que receberam nos meios de comunicação. Depois de o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, se manifestar, na semana passada, a favor da abertura de um inquérito na Polícia Federal, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) decidiu seguir pelo mesmo caminho.

    De acordo com as promotoras Letícia Emili e Simone Sibilio, responsáveis pela investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em entrevista ao Jornal O Globo, o MP-RJ vai apurar os fatos narrados por Curicica. O miliciano sustenta que a Delegacia de Homicídios da Capital receberia uma propina fixa para deixar impunes os crimes atribuídos à contravenção. As promotoras aproveitaram a entrevista, no entanto, para ressaltar que não desejam a politização das investigações em respeito aos familiares das vítimas, de seus amigos e de toda a sociedade.

    As promotoras aproveitaram a entrevista para negar que o MP tenha se recusado a receber a cooperação da Polícia Federal no caso. Segundo elas, “a investigação está em curso, com atos de investigação a serem cumpridos. Em razão do sigilo, não há novas informações a serem divulgadas”.

    Fonte: CTB-RJ com informações do Jornal O Globo

     

  • O dia em que Lula nocauteou a Rede Globo

    Durante toda esta quarta-feira, acompanhei a cobertura que a Rede Globo (e seu braço pago, a GloboNews) fez sobre o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. Jornalistas e comentaristas animados, esfuziantes até, gargalhavam muitas vezes, fazendo os prognósticos sobre o depoimento. Mas toda essa euforia deu lugar à depressão. Sem tempo de editar os primeiros vídeos disponibilizados pela Justiça Federal – o que ocorreu por volta das 20 horas – e certa de que eles iriam terminar por afundar Lula e consagrar a Lava Jato e Sérgio Moro, a Globo arriscou e levou as imagens ao ar sem edição. Cometeu um grande erro. Lula nocauteou a Globo no 1º round.

    No Bom dia Brasil, a emissora se concentrou nos preparativos e acompanhou o “Dia de Lula”. Flashs mostravam Lula e Dilma se deslocando para Curitiba e o esquema de segurança armado ao redor da sede do Tribunal de Justiça.
    A GloboNews continuou a cobertura matinal no mesmo rumo, mas com foco maior nos comentários e análises. Nessa primeira etapa do dia, os comentaristas e âncoras especulavam sobre como seria o depoimento. O jornalista Valdo Cruz, mais torcendo do que analisando, chegou a dizer que era importante “prestar atenção no ambiente da sala de interrogação” porque poderia “sair até uma prisão por desacato”.

    Outra preocupação da emissora dos Marinho era com os prazos processuais. Cristiana Lobo disse que Moro costuma demorar de 20 a 30 dias para tomar as decisões após os interrogatórios – palavra que a Globo utilizou durante todo dia para salientar que Lula estava em Curitiba como réu, acusado de crimes. Condenado em primeira instância por Moro – já que em nenhum momento se aventou a hipótese de absolvição, aliás Lula está condenado por Moro e pela Globo desde o início da operação – o processo vai para julgamento em segunda instância, o que costuma demorar um ano, de acordo com as previsões de Cristiana Lobo e Valdo Cruz. Ou seja, Lula seria condenado – nunca julgado – entre maio e junho de 2018, o que o tornaria inelegível no período das convenções partidárias para as definições das candidaturas presidenciais.

    O discurso martelado ao longo do dia – de que Lula e o PT estão politizando o processo – soou pura demagogia, uma vez que a cobertura fez isso desavergonhadamente, e não só hoje. Aliás, isso foi mais ou menos dito por Anselmo Góis, que assumiu os comentários no período da tarde, sob o comando da sorridente Maria Beltrão, que não conseguiu esconder a empolgação. Qualquer um que ligou a TV na GloboNews nesta quarta-feira, 10, viu um clima no estúdio completamente estranho ao necessário distanciamento de uma cobertura jornalística.

    A todo momento, Maria Beltrão lembrava que a defesa de Lula teve negado o pedido para gravar o depoimento e que este pedido não fazia mesmo sentido, porque os trechos do interrogatório seriam enviados para a imprensa divulgar como tem sido feito até agora. A expectativa de todos no período da tarde se concentrou no acesso aos vídeos, como se eles fossem o grande ápice de todo o processo de condenação pública de Lula.

    Aos poucos, a GloboNews começou a mostrar imagens das manifestações “pró-Lula” e “pró-Lava Jato”. A diferença numérica era impossível de disfarçar. “Apesar de poucos estão bem animados”, repetiam os jornalistas, se referindo às poucas mais de 20 pessoas que estavam no Centro Cívico de Curitiba. Sobre as milhares de pessoas reunidas em frente à Universidade Federal do Paraná em apoio ao Lula, os comentários maldosos eram “quem será que está pagando”, “de onde saiu o dinheiro para aquela mobilização”.

    No final da tarde, ficou nítida a preocupação da equipe de jornalistas da GloboNews com a demora para o encerramento do depoimento. Para a emissora, que transmite conteúdo noticioso em toda a sua programação, isso não é necessariamente um problema. Então, porque a apreensão? Estavam preocupados na verdade com o carro chefe da empresa, o Jornal Nacional. Se o depoimento se alongasse o JN não teria conteúdo para noticiar.

    Mas eis que as 19:54 minutos a GloboNews veicula o primeiro vídeo disponibilizado pela equipe de Moro, com trechos do depoimento onde o juiz faz perguntas a Lula sobre o triplex. E para a decepção de todos o que se viu não foi um Lula agressivo – como eles alardearam durante todo o dia – ou um Lula fazendo discurso político, ou um tom beligerante. O primeiro trecho de cerca de 8 minutos do depoimento mostrou o inverso disso. Lula respondendo perguntas pontual e calmamente diante de um Juiz que não apresentou nenhuma prova contra ele. Após a exibição deste primeiro trecho era visível a consternação dos 6 jornalistas que estavam ao vivo, e que tentaram driblar as imagens, dizendo que Lula estava objetivo graças ao preparo de Sérgio Moro.

    Imediatamente voltei para o Jornal Nacional que acabara de começar. Bonner e Renata Vasconcelos estavam atônitos. Mas seguiram na linha de levar ao ar os vídeos sem edição. Os pouco mais de 15 minutos de trechos do depoimento que foram exibidos durante o JN já foram suficientes para mostrar que “o ambiente na sala de interrogação” foi totalmente inverso do que a Globo esperava: de um lado do ringue um Lula seguro, calmo e objetivo, respondendo a todas as perguntas. Do outro lado um juiz sem provas, com documentos sem assinaturas e de origem desconhecida.

    Pior ainda, nas considerações finais de Lula – momento em que o ex-presidente fez sua defesa e que não foi exibida pelo JN – ele denuncia todo o julgamento midiático do qual tem sido vítima e coloca a mídia e a Globo para dentro da sala do interrogatório. “A imprensa é o principal julgador desse processo”.

    Ele citou dados que demonstram como a cobertura da mídia foi seletiva. Desde março de 2014, segundo levantamento apresentado pelo ex-presidente, foram 25 capas da Isto É, 19 da Veja e 11 da revista Época todas contra Lula. Nos jornais impressos, foram veiculadas na Folha de S.Paulo 298 matérias contra Lula e apenas 40 favoráveis, “tudo com informações vazadas da Polícia Federal e Ministério Público”, disse Lula; no jornal O Globo foram 530 contra Lula e e 8 favoráveis, e no Estadão foram 318 contrárias e 2 favoráveis. Já o Jornal Nacional veiculou 18 horas e quinze minutos contra Lula nos últimos 12 meses. Ele também denuncia os vazamentos previlegiados à Rede Globo e ao Jornal Nacional.

    A Globo e o oligopólio midiático perderam feio a aposta de que Moro seria o grande vencedor da luta anunciada para o dia 10 de maio. No ringue armado pela mídia semana passada, quem ganhou de nocaute no primeiro assalto foi Lula. Claro que eles vão tentar melar o resultado e terão tempo de assistir as 5 horas de depoimentos para escolher os melhores momentos para veicular sistematicamente e tentar mudar o placar. Mas a luta do Estado Democrático de Direito e do devido processo legal saiu na frente. Vamos aguardar as próximas rodadas.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja às quintas-feiras.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

     

  • Para juíza de Santa Catarina, fazenda flagrada com escravos fez um “benefício à sociedade”

    Trabalhadores libertados na Superintendência Regional do Trabalho em Santa Catarina

    O repórter Piero Lacatelli, da ONG Repórter Brasil, fez uma denúncia inédita. A juíza do Trabalho Herika Machado da Silveira Fischborn de Santa Catarina invalidou a ação dos auditores que flagraram 156 trabalhadores em condições precárias em uma fazenda, com os documentos apreendidos e sem receber salários há pelo menos 2 meses.

    O flagrante ocorreu em abril de 2010, mas a sentença foi proferida em março deste ano. A auditora coordenadora da operação, Lilian Rezende, relata que neste mês levou o caso ao Conselho Nacional de Justiça e à Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).

    Ela denuncia que nem sequer foi ouvida pela juíza. “[É um processo] que desde o início me condena de pronto, sem permitir minha defesa”.

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    Texto nas paredes do dormitório da fazenda

    Segundo Fischborn, a escravidão se justificaria porque “[os] trabalhadores são, em sua maioria, viciados em álcool e em drogas ilícitas, de modo que (…) gastam todo o dinheiro do salário, perdem seus documentos e não voltam para o trabalho, quando não muito praticam crimes”.

    Para Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), é muito importante seguir denunciando e punindo o trabalho escravo no país. “Os governos Lula e Dilma fortaleceram o combate ao trabalho escravo e o Conatrae e os fiscais têm que fazer o seu trabalho para erradicarmos de vez essa chaga”.

    Ele lembra ainda que tramita no Senado o projeto 432/2013, de autoria de Romero Jucá (PMDB-RR), que visa “acabar com a expropriação de terras onde se verifique trabalho escravo, praticamente absolvendo os patrões flagrados”. 

    Em seu despacho a juíza diz ainda que “o fato de reter a CTPS (Carteira de Trabalho) somente causa, na realidade, benefício à sociedade. É cruel isto afirmar, mas é verdadeiro. Vive-se, na região serrana, situação limítrofe quanto a este tipo de mão de obra resgatada pelos auditores fiscais do trabalho que, na realidade, causa dano à sociedade”.

    A reportagem do Repórter Brasil conta que “sem dinheiro, documentos e transporte, os trabalhadores não conseguiam voltar para suas casas no interior do Rio Grande do Sul, de onde haviam saído com promessas de emprego. Eles sequer conseguiam chegar à cidade mais próxima, São Joaquim, a 40 quilômetros da fazenda onde trabalhavam, por estrada de chão”.

    Fischborn foi ainda mais longe e acusou os auditores de agir de “forma cruel” ao libertar os trabalhadores escravizados. “Ao ciclo vicioso de trabalho inadequado, vício, bebida, drogas, crack, crime e Estado passando a mão na cabeça”. Ela anulou “parte da operação dos auditores fiscais do trabalho, mas também pediu que a Polícia Federal os investigasse”, diz Lacatelli.

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    Situação das dependências destinadas aos trabalhadores escravizados

    Os auditores relatam uma situação na qual se configura trabalho análogo à escravidão. Não havia acomodação adequada. A fiscalização flagrou ainda que “os banheiros não possuíam portas e eram integrados aos quartos, fazendo com que a água do banho escorresse por debaixo das camas e aumentasse a umidade do local”.

    De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho escravo pode assumir diversas formas. “Pode estar relacionado com o tráfico de pessoas, que cresce rapidamente no mundo todo. Ele pode surgir de práticas abusivas de recrutamento que levam à escravidão por dívidas; pode envolver a imposição de obrigações militares a civis; pode estar ligado a práticas tradicionais; pode envolver a punição por opiniões políticas através do trabalho forçado e, em alguns casos, pode adquirir as características da escravidão e o tráfico de escravos de tempos passados”.

    Nunes reforça a posição da CTB contra a exploração do trabalho escravo e condena a decisão da juíza. “É incompreensível que uma juíza do Trabalho tome decisão carregada de preconceito e sem se ater aos fatos denunciados e ainda incrimine quem deu o flagrante”.

    dormitorio defazenda flagrada em trabalho escravo

    Dormitório destinado aos trabalhadores

    O ex-presidente do Conatrae, Rogério Sottili afirma que o combate ao trabalho escravo foi efetivado em 1995, mas ganhou força a partir de 2003, com o ex-presidente Lula e que em 20 anos foram libertados quase 50 mil trabalhadores.  Sendo que a maioria das pessoas em situação análoga à escravidão no país foram libertadas em áreas urbanas, boa parte na construção civil e indústria têxtil, a serviço de poderosas grifes.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Pistoleiros e fazendeiros matam índio em massacre à aldeia nesta terça (14), no Mato Grosso do Sul

    Movimentos fazem manifestação para denunciar o massacre e pedir justiça

    Fazendeiros e pistoleiros fortemente armados atacaram uma aldeia da etnia Guarani e Kaiowá, da terra indígena Dourados-Amambai Peguá, município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul (MS), nesta terça-feira (14).

    Segundo testemunhas os invasores entraram na terra indígena – à espera de demarcação - em 60 caminhonetes, atirando para todos os lados. “Conseguiram encurralar a gente, se organizaram em dois grupos”, conta Elson, liderança do Tekoha Tey Jusu.

    “A situação está muito tensa na região, porque os fazendeiros se armaram para retomar uma fazenda ocupada pelos índios”, diz Ricardo Martins Froes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no MS.

    Froes explica que a “demora na demarcação das terras indígenas insufla esses conflitos”. A tendência, segundo ele, é piorar. “O governador do estado é do PSDB e latifundiário e agora com esse governo golpista, os fazendeiros sentem-se acima da lei”.

    O pânico foi geral e o agente de saúde Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, da etnia Guarani e Kaiowá, de apenas 26 anos, foi morto com tiros pelas costas. Outros dez foram feridos, inclusive uma criança de 12 anos.

    Em protesto ao ataque, a Secretaria de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde, divulgou nota onde lamenta e denuncia a morte de Clodiodi. "O jovem agente foi morto covardemente, por homens armados que atiraram em cerca de mil indígenas”.

    No domingo (12), cerca de 100 famílias Guarani e Kaiowá ocuparam o território de Tekoha Toropaso, onde fica a Fazenda Yvu (local onde fica a aldeia que foi atacada). "Quando chegamos lá, não tinha ninguém na fazenda, só um funcionário que era indígena. Explicamos nossa luta e ele se propôs a ficar com nós", diz S.T. 

    ataque

    Depois do ataque, Elson diz que os índios estão muito revoltados com o que aconteceu e esperam providências imediatas das autoridades. “O povo guarani vai fazer o velório e enterrar lá, com a presença da Polícia Federal, a gente acionou o quanto antes para não acontecer isso que aconteceu".

    Já as lideranças indígenas e diversos movimentos sociais taxaram o ataque como uma ação paramilitar. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário “foram registrados ao menos vinte e cinco casos similares entre os Guarani e Kaiowá no estado”.

    Movimentos e entidades da sociedade civil organizada lançaram nesta quarta-feira (15) um abaixo-assinado para denunciar a situação perigosa para as nações indígenas do MS.

    “Nós exigimos às instâncias do Poder Público, em especial ao Ministério da Justiça, que tome providências imediatas e efetivas, afim de cessar os ataques paramilitares, punir os responsáveis pelo Massacre de Caarapó e garantir medidas de proteção imediata aos povos indígenas da região”, diz o manifesto (leia a íntegra do texto e assine aqui).

    “Se nenhuma providência for tomada com urgência pelos órgãos competentes, a situação pode piorar e muito”, acentua Froes. “A proporção da violência pode aumentar porque os índios estão reagindo para defender suas terras e sua gente”.

    Acesse também a página do movimento Pela CPI do Genocídio, que defende a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as mortes dos indígenas no país).

    Assista os vídeos sobre a ação dos fazendeiros:

     

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Suspeito de atrapalhar investigações, ex-ministro Geddel é preso pela PF

    Desde o início da madrugada nesta terça-feira (04), o ex-ministro Geddel Vieira Lima já está detido na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. A prisão preventiva foi pedida pela PF e pelos integrantes da Força-Tarefa da Operação Greenfield, a partir de informações fornecidas em depoimentos do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva, sendo os dois últimos em acordo de colaboração premiada.

    Em janeiro deste ano, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do ex-ministro, alvo da Operação Cui Bono, que investiga o suposto esquema de corrupção na Caixa no período entre 2011 e 2013 – período em que Geddel ocupou a vice-presidência de Pessoa Jurídica da instituição.

    Ao decretar a prisão preventiva do ex-ministro Geddel Vieira Lima, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal no Distrito Federal, autorizou a busca e apreensão de aparelhos celulares do investigado e a quebra do sigilo telefônico dos aparelhos apreendidos. O objetivo é buscar elementos para comprovar os contatos de Geddel com a esposa do doleiro Lúcio Funaro, preso na Operação Lava Jato.

    Na decisão, o juiz diz que Geddel entrou em contato por diversas vezes com a esposa de Funaro para verificar a disposição do marido preso em firmar acordo de colaboração premiada, o que pode caracterizar um exercício de pressão sobre Funaro e sua família. Segundo o magistrado, não é a primeira vez que Geddel tenta persuadir pessoas ou pressioná-las, lembrando o episódio em que o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero acusou Geddel de atuar para a liberação da construção de um imóvel em Salvador.

    Para o juiz, há provas até o momento da participação de Geddel no esquema de irregularidades apuradas na Operação Cui Bono e, se permanecer solto, ele pode atrapalhar as investigações. “É que em liberdade, Geddel Vieira Lima, pelas atitudes que vem tomando recentemente, pode dar continuidade a tentativas de influenciar testemunhas que irão depor na fase de inquérito da Operação Cui Bono, bem como contra pessoas próximas aos coinvestigados e os réus presos Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Lúcio Bolonha Funaro”, diz o juiz em sua decisão.

    Portal CTB com agências

  • Vandalismo: delegado da PF quebra som do acampamento pró-Lula e nada acontece; assista

    O responsável pela quebradeira do equipamento de som, na manhã desta sexta-feira (4), no Acampamento Marisa Letícia, em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, foi identificado. O ataque ocorreu perto de onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é preso político desde o dia 7 de abril.

    Veja como ele se aproveitou da distração dos acampados quando davam bom dia a Lula 

    Foi o delegado da PF e militante da extrema-direita, Gastão Schefer Neto. Ele foi, inclusive presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal no seu estado e é suplente de deputado federal pelo Partido da República (PR).

    Defensor do livre comércio de armas. Em sua campanha para a Câmara dos Deputados, em 2014, Schefer defendeu o porte de armas para os “cidadãos de bem”, a redução da maioridade penal e a violência contra os presos.

    Em sua página de Facebook posta muitos ataques a Lula, ao MST, aos políticos que defendem o socialismo, aliás há um cartaz atacando os “socialistas” onde tem a foto de Fernando Henrique Cardoso, de Lula, da ex-presidenta Dilma Rousseff, do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e de Adolf Hitler, entre outros. Pasmem.

    Acompanhe a cara de pau do vândalo e a falta de ação da polícia 

    Num ato de puro vandalismo, o delegado foi pego em flagrante pelos defensores de Lula. Schefer escapou de ser agredido pela pronta ação dos seguranças do acampamento.  Entregue à polícia, ele retorna ao local do crime com celular na mão, como se estivesse filmando, para intimidar os presentes, sem que a polícia interviesse.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB