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Sex, Abr

Portal Vermelho

  • Che Guevara: “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”

    Para marcar a data do assassinato de um dos mais importantes revolucionários da história da humanidade, Che Guevara, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Distrito Federal (CTB-DF) exibe a primeira parte do filme Che, do norte-americano Steven Soderbergh, nesta segunda-feira (9), ás 1830, na sede da CTB-DF (SRTVS, quadra 701, Edifício Palácio da Imprensa, Sobreloja, sala 07).

    A prisão do líder guerrilheiro na selva da Bolívia e seu assassinato pelo exército boliviano sob as ordens da CIA (agência de espionagem dos Estados Unidos) no dia 9 de outubro de 1967 caiu como uma bomba nas mentes de jovens do mundo inteiro, numa época em que a juventude saia para as ruas contra o patriarcado e sonhava mudar o mundo.

    Assista o vídeo Che, o guerrilheiro movido por amor 

     

    “Fosse de bicicleta, moto, carona, barco ou avião, um detalhe era fundamental para o revolucionário, ele nunca abriu mão de usar botas seguras e confortáveis. Para ele, os sapatos eram um componente importante de um guerrilheiro e os relatos dão conta de que quando foi capturado, estava descalço. Os assassinos de Che cortaram suas mãos para dificultar o reconhecimento do cadáver, sem saber que eram os pés a identidade da lenda”, escreve a jornalista Mariana Serafini, no Portal Vermelho.

    Tanto que o mausoléu em sua homenagem, inaugurado em 1997, quando chegaram os restos mortais do guerrilheiro à Cuba, 30 anos após sua execução na Bolívia, já foi visitado por mais de 4,7 milhões de pessoas.

    Veja Che: o argentino, de Steven Soderbergh 

    Argentino de nascimento, Che virou cidadão do mundo e um dos maiores heróis da história da humanidade. Morreu com apenas 39 anos, estaria prestes a completar 90 anos. Se transformou num dos mais importantes líderes da Revolução Cubana em 1959, foi ministro do país que adotou de coração, mas não se conteve. Queira espalhar a revolução.

    “Ernesto Che Guevara recebeu e enriqueceu essa herança espiritual, e decidiu formar seu caráter para assumir, com os fatos e com a consagração de sua vida, o compromisso que reputou irrenunciável: o de defender com seu enorme talento, valor e virtudes o direito dos pobres de América e a aspiração bolivariana e martiniana de integração moral das pátrias latino-americanas”, diz Armando Hart, importante guerrilheiro cubano.

    Veja a segunda parte Che : a guerrilha, de Steven Soderbergh

     

    Nestes tempos bicudos, a lembrança de Che Guevara é essencial para revitalizar a vontade de transformar o mundo em um lugar onde todas as pessoas possam viver e sonhar sem medo de repressão e violências. Como o herói mundial disse: “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Chico Buarque é censurado pelo jornal O Globo ao comentar a condenação de Lula

    Acostumado a enfrentar a censura da ditadura civil-militar (1964-1985), o cantor, compositor e escritor Chico Buarque foi censurado pelo jornal O Globo, da família Marinho. A assessoria do artista conta que a redação do diário carioca encomendou uma declaração de Chico sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo juiz Sergio Moro.

    Ironicamente, Chico enviou por e-mail a frase “O Globo faz a diferença” e acrescentou “quero que publiquem”. Os editores entenderam o recado. Não publicaram a frase do artista por perceber a alusão feita ao prêmio anual “Quem faz diferença”, do jornal dos Marinho.

    Isso porque em 2015, o juiz curitibano de primeira instância ganhou como a Personalidade do Ano, justamente por seu trabalho na operação Lava Jato. Com essa fina ironia Chico Buarque condena a atuação de Moro e de O Globo, totalmente partidários contra o ex-presidente.

    A declaração de Chico sairia publicada nesta sexta-feira (14), juntamente com as de Beth Carvalho, Zé Celso, Kleber Mendonça Filho e Silvia Buarque, entre outros. “Um absurdo que isso aconteça nesse mesmo momento em que perdemos as conquistas de Getúlio Vargas para os trabalhadores. Lula foi condenado sem provas, não querem que ele seja candidato a presidente, sabem que ele vai ganhar a eleição”, diz a cantora Beth Carvalho.

    Um recado de Chico Buarque a ditadores de plantão: 

    Já o cineasta Kleber Mendonça Filho, afirma ser “uma vergonha, mais uma num país que desrespeita cada vez mais a cidadania”. Enquanto o teatrólogo José Celso Martinez Correa afirma que “para realizar seu grande sonho – ou melhor, seu marketing –, Moro decreta a prisão de Lula, justamente quando é julgado o Fora Temer, e a maioria do povo brasileiro quer Diretas Já”.

    O cineasta Luiz Carlos Barreto também critica o fato de Moro ter declarado a sentença no dia seguinte à aprovação da reforma trabalhista, que já configura um golpe muito duro contra o povo brasileiro. “No dia seguinte em que se aprova a reforma trabalhista, que fez o Brasil regressar à era pré-Revolução Industrial da Inglaterra, condenar sem provas o maior líder popular do país é um complô de agitação para jogar o Brasil numa convulsão social”.

    Para a atriz Silvia Buarque, filha de Chico, “é uma condenação que já estava prevista por conta do golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência”.

    O jornal O Globo tentou mostrar “isenção” ouvindo artistas que condenam o modus operandi do juiz Sergio Moro, mas a sagacidade de Chico Buarque, mais uma vez desmontou essa farsa.

    Durante a outra ditadura Chico inventou muitas maneiras de enganar a censura e denunciá-la, agora denuncia a censura de quem vive falando em “liberdade de expressão”, quando o assunto é democratização dos meios de comunicação.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com Brasil 247, O Cafezinho, Portal Vermelho e O Globo. Foto: Mídia Ninja

  • Governo Temer fecha Farmácia Popular e pretende extinguir o SUS. Você vai deixar?

    O Ministério da Saúde acaba de fechar as 517 farmácias populares mantidas pelo governo federal no país. Mantém, porém, o convênio com redes farmacêuticas privadas com o Aqui Tem Farmácia Popular.

    Elgiane Lago, secretária de Saúde da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirma que essa decisão deixa claro “o caráter elitista e privatista do governo golpista de Michel Temer”.

    Para ela, acabar com um programa tão “necessário para a população mais carente privilegia as grandes redes farmacêuticas em detrimento de quem precisa de remédio e não terá dinheiro para comprá-lo, porque o mercado não está nem aí para a saúde das pessoas”.

    Ricardo Barros, ministro da Saúde, alega que ”O programa tem uma verba de R$ 100 milhões por ano. Desse total, 80% eram destinados ao pagamento de aluguéis e salários”. Mesmo que isso aconteça, diz Lago, “o governo pode fazer ajustes para melhorar, mas acabar com a parte pública do programa para cortar gastos é uma política que custará caro à população”.

    Ao todo o programa atingia 4.481 municípios, sendo a maioria em parceria com redes privadas, que têm os remédios subsidiados pelo governo, ou seja, “é dinheiro público para o setor privado. Essa economia me parece meio inconsistente”, diz a cetebista.

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    Para maioria absoluta da população, a saúde está piorando como o governo Temer

    Assine petição em defesa do SUS e dos idosos porque a vida humana não é mercadoria

    “É preciso considerar que a Farmácia Popular tem mais de 10 anos e uma avaliação muito positiva ao cumprir o papel ao qual sempre se destinou, que não é o de substituir a assistência farmacêutica prestada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas de garantir que usuários da saúde suplementar possam ter a garantia de acesso a assistência farmacêutica, como é o caso de pessoas que não têm a mínima capacidade de aquisição de medicamentos mas que contam com cobertura de planos coletivos oferecidos por seus empregadores”, diz Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde à repórter Verônica Lugarini, do Portal Vermelho.

    “Saúde não pode ser tratada como mercadoria”, acentua Lago. Ela lembra também que o Sistema Único de Saúde (SUS) corre risco de extinção porque “o governo federal cede às empresas de planos de saúde e quer criar o que chama de planos com preços mínimos, só não diz que o atendimento também será mínimo”.

    O SUS foi criado pela Constituição promulgada em 1988 e se tornou um dos maiores programas de saúde do mundo. “Ainda existem problemas a serem sanados, mas avançam,os muito e tirar isso da população é dar a certeza de falta de tratamento para os que mais precisam”, acentua Lago.

    Para Chioro, essa econimia é burra. “O que nós temos agora é um alinhamento ideológico e prático entre o ministro da Saúde, Ricardo Barros, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. E isso representa uma concepção de governo muito clara e deletéria para a saúde”. Inclusive o Tribunal de Contas da União investiga irregularidades no fechamento dessas unidades da Farmácia Popular.

    Vigilância em saúde e defesa do SUS

    Esse debate faz parte da 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, entre 27 de fevereiro e 2 de março, em Brasília, realizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) com o tema “Vigilância em Saúde: Direito, Conquista e Defesa de um SUS Público de Qualidade”.

    Ronald Santos, presidente do CNS, afirma que “de forma coletiva, vamos trabalhar para se fazer cumprir os preceitos básicos: construir uma sociedade livre, justa e solidária, garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e a marginalização, reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos”.

    A CTB participa dessa conferência e tem atuação significativa na defesa do SUS e do Programa Farmácia Popular. “A reforma trabalhista já propicia grandes problemas para a classe trabalhadora na questão da saúde, acabar com o SUS e com a Farmácia Popular pode agravar ainda mais e provocar mais adoecimentos”, diz Lago.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Inspirado na resistência turca, Ciro Gomes convoca povo às ruas para derrubar golpe

    Ao participar do 64º Conselho Nacional de Entidades Gerais da União Nacional dos Estudantes, O presidenciável do PDT, Ciro Gomes disse ao Portal Vermelho (ver abaixo) sentir até inveja do povo turco que saiu às ruas para defender a democracia e com isso reverteu a tentativa de golpe.

    “Vi mulheres tirando cinto e enfrentando baionetas, fiquei com muita inveja desse exercício de cidadania, claro que no Brasil tudo é diferente (...) mas a luta pela democracia e respeito à prevalência do voto popular, como único caminho de acesso à Presidência da República inspiradora é que deve nos orientar”, afirmou Ciro Gomes.

     Ciro Gomes diz que essa pode ser a última chance de a democracia vencer: 

    Já o advogado de defesa da presidenta Dilma, José Eduardo Cardozo, no mesmo evento disse que se o impeachment "fosse um julgamento normal, a absolvição já teria sido feita. No há acusações sérias contra a presidenta da República, proporcionado por setores golpistas que querem a afirmação de um projeto conservador para o país". 

    Resistência

    A presidenta Dilma atacou com firmeza os golpistas em ato promovido pela Frente Brasil Popular em Teresina, no Piauí, na sexta-feira (15). Nesta segunda-feria (18) ela estará na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), proferindo uma palestra sobre educação, ciência e tecnologia, áreas estratégicas para o desenvolvimento do país, tão menosprezadas pelo desgoverno golpista.

    De acordo com a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), em depoimento exclusivo ao Portal CTB, a Comissão de Impeachment do Senado vota no dia 5 de agosto o processo de impeachment, e se aprovado, vai a plenário no dia 9. Para ela, há grandes possibilidades de o golpe ser enterrado nesse dia (saiba mais aqui).

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy com informações do Portal Vermelho e do site da União Nacional dos Estudantes. Foto: Marcelo Casal Jr.

     

  • Jornalista José Trajano é demitido da ESPN por “contenção de despesas”

    A ESPN rescindiu nesta sexta-feira (30) o contrato com o jornalista José Trajano alegando contenção de despesas. A informação foi confirmada ao Portal Vermelho pelo próprio Trajano em conversa por telefone no início desta tarde. O jornalista, fundador do canal e atuante na empresa há 21 anos, definiu as razões alegadas pela ESPN como “esquisitas”. Para ele, “não tiveram coragem de dizer os reais motivos”.

    Um dos comentaristas esportivos mais populares do país, Trajano se surpreendeu com a notícia, que foi dada a ele em uma reunião de “cinco minutos” realizada na quinta-feira (29) com o “German”. German Von Hartenstein é o diretor da ESPN.

    “Eu esperava que isso acontecesse há algum tempo mas não agora”, disse Trajano.

    Combate ao golpe

    Contundente no posicionamento político, José Trajano havia sido “orientado” pela ESPN a amenizar os comentários políticos após ele se declarar contra o golpe de Estado, que se consolidou no país contra a presidenta eleita Dilma Rousseff.

    Ao Portal Vermelho, ele gravou um vídeo convocando os paulistanos a participarem de atos na paulista. Também esteve presente em manifestações contra o golpe promovidas por entidades que atuam pela democratização da comunicação.

    Críticas ao governo Temer

    Em um meio de raras manifestações políticas, Trajano fez críticas ao governo interino de Michel Temer e condenou com veemência as declarações de Romero Jucá, que afirmou em gravações que o objetivo do impeachment contra a presidenta era acabar com as investigações da Lava Jato já que Dilma deu toda a autonomia para que a operação se fortalecesse.

    Protesto contra cultura do estupro

    “Sem papas na língua”, o comentarista foi alvo de comentários da turma do ódio nas redes sociais quando criticou a participação de Danilo Gentili em um programa da emissora. Ao vivo, Trajano fez um protesto.

    “O canal abrigou esta semana um personagem engraçadinho, que se porta como um sujeito que faz apologia do estupro. Em nome do humor, dizendo que no humor cabe tudo. Esse grupo ficou enojado com a presença dele”, declarou Trajano. Em 2012, Gentili elogiou uma relação sexual no programa Big Brother. Na cena, a participante estava alcoolizada.

    O jornalista apresentava o programa Linha de Passe na ESPN todas as segundas e sextas-feiras.

    Fonte: Portal Vermelho, por Railídia Carvalho

  • Jovens de todas as idades ocupam a Saraiva em lançamento de livro, nesta sexta (15)

    A galera toda estará presente na noite de autógrafos do escritor pernambucano Urariano Mota, nesta sexta-feira (15), às 19h, na Livraria Saraiva, no Shopping Pátio Paulista (rua 13 de maio, 1.947, piso Paraíso), em São Paulo.

    A editora LiteraRua com a Saraiva traz o escritor para lançar o seu mais novo romance “A mais longa duração da juventude”. O tema promete repercussão. Já confirmaram presença ao lançamento a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) Marianna Dias, o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Emerson Santos e Nayara Souza, presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), entre outras fundamentais lideranças da juventude. A ex-presidenta da UNE, Carina Vitral também garantiu presença. Agora só falta você confirmar.

    Autor de “Soledad no Recife” (2009) e “O filho renegado de Deus” (2013), “Urariano sabe como poucos mesclar memória e ficção. E de tal maneira as confunde na textura da escrita que, nela, o real vira imaginado, e o imaginado assume as formas do real. E o tempo funde as duas pontas do relato, entre o passado e o presente. Fundidos por uma reflexão fina, ligada – para dizer como se dizia há quase meio século – pela análise concreta de situações concretas”, escreve José Carlos Ruy no prefácio da obra.

    “Soledad no Recife” conta a tragédia de Soledad Barrett, mulher do cabo Anselmo – talvez o maior traidor da resistência à ditadura (1964-1985). Cabo Anselmo entregou para a polícia política a sua companheira grávida. Na narrativa de Mota sobra emoção e reflexão sobre a vida e a necessidade de se lutar pelo que se acredita.

    De acordo com os divulgadores, “A mais longa duração da juventude” apresenta “o espírito jovem e o sonho de um amanhã melhor está em cada palavra das mais de 300 páginas. Um convite aos jovens que hoje dão continuidade às lutas em defesa dos seus sonhos e de um país inclusive e que olhe por seu povo”.

    Além de escritor Urariano Mota é colunista do Portal Vermelho, do Brasil 247 e do Diário de Pernambuco. Também colabora como o Jornal GGN, do jornalista Luís Nassif. O lançamento deste livro vai com certeza esquentar ainda mais a noite calorenta desta sexta. Não perca!

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    O escritor pernambucano Urariano Mota lança romance sobre a juventude em São Paulo

    Serviço:

    Lançamento: “A mais longa duração da juventude”

    Onde: Livraria Saraiva, Shopping Pátio Paulista, Piso Paraíso, Rua 13 de Maio, 147

    Quando: Sexta-feira (15), às 19h

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy, com informações de agências

  • Jovens mortos em chacina de Maricá davam aula de hip-hop para crianças

    Os cinco adolescentes executados em Maricá, no domingo (25), organizavam Rodas Culturais para ensinar às crianças a cultura do rap e da rima. A chacina causou indignação em parentes e integrantes do movimento do hip-hop que agora temem a continuidade da repressão. A investigação aponta que os meninos foram mortos pela milícia e, infelizmente, esse fato endossa as estatísticas de que adolescentes negros e pobres são as maiores vítimas da violência.

    “Fala galera, estamos trazendo a 14º edição do RUASIA e estamos aqui convidando você que gosta de poesia ou curte qualquer forma de expressão cultural. Como o evento é em praça publica(sic) não tem que pagar nada é só participar! Traga seus pais, avós, tios, filhos e netos para apreciar a cultura poética da nossa cidade”.

    Essa é uma das chamadas no Facebook do Nação Hip-Hop, entidade que organiza eventos culturais, e da qual participavam os cinco jovens assassinados a tiros, no último domingo (25), dentro do Conjunto Residencial Carlos Marighella, em Maricá (RJ). Eles voltavam do show do cantor Projota no centro da cidade e haviam acabado de chegar no conjunto do Minha Casa Minha Vida.

    Os cinco meninos foram mortos a alguns passos de suas casas. Sávio Oliveira de apenas 20 anos era conhecido como Soul, e Matheus Bittencourt (18 anos), chamado de Mabí, Marco Jhonata, de 17, Matheus Baraúna, de 16, e Patrick da Silva Diniz.

    Os cinco jovens eram inocentes e envolvidos com atividades culturais na comunidade. Eles organizavam e davam aula para crianças de 8 a 10 anos na Roda Cultural Independente de Hip-Hop chamada de Bronx.

    Amigo de Sávio e de Matheus, o presidente do Nação Hip-Hop de Maricá-RJ, Saulo Carter que é conhecido como Roots Mc, disse em entrevista ao Portal Vermelho que todos eles eram muito ligados à cultura de rua.

    “Eu os conheço há muitos anos, desde quando a gente andava de skate... os dois eram muito extrovertidos, nunca tiveram problema com ninguém e nunca se revoltaram. Muito pelo contrário, eles eram dois meninos alto astral. Nunca soube de algum problema que os envolvesse”, disse.
    “O Soul era o mestre de cerimônias nas rodas, ele que puxava o grito de guerra. Já o Mabi era DJ, ele que colocava o som”, falou Roots.

    Soul era compositor, produtor e mestre de cerimônia das batalhas de rimas, estava gravando um CD de hip hop com os amigos ligados ao movimento. O Sávio foi mestre de cerimônia da Roda Cultural no ato contra a condenação do Lula no Circo Voador.

    Já Mabí era DJ e participava da roda cultural Darcy Ribeiro, realizada de quinze e quinze dias em Itaipuaçu.

    Marco Jonathan era dançarino e participou de projetos da Prefeitura. Ganhou o duelo do passinhos e se preparava para ser MC, com algumas músicas de rap prontas.

    Cerca de 60 jovens e crianças participaram desses eventos que aconteciam na área de lazer do próprio conjunto. O intuito era de ensinar os jovens a cultura do hip hop e também promover o discurso político. Porém, essa movimentação emancipadora sempre desagradou quem usa farda.

    “A Roda Cultural em si já era malvista, não só da área deles, mas em todos os lugares da cidade. Tem a Roda de Poesia que tem um cunho totalmente político, em que batemos no sistema, que falamos da polícia e abordamos a desigualdade... Então acredito que isso incomoda muita gente. Mesmo assim, prefiro não acreditar que isso seja uma forma de silenciar a cultura dos artistas da cidade”.

    Logo após a chacina, a imprensa destacou que o Conjunto Residencial Carlos Marighella vinha sendo um local de tráfico de drogas, entretanto, ficou comprovado que nenhum deles tinha ficha criminal ou qualquer ligação com o tráfico. Infelizmente, a morte de inocentes não é exceção no cenário brasileiro. De acordo com uma pesquisa da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e pelo Senado Federal, a cada 23 minutos um jovem negro morre no Brasil.

    O estudo apontou ainda que 56% da população brasileira concorda com a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco”.

    As informações da pesquisa são alarmantes, porém não são uma revelação. Jovens que moram na periferia, são negros e pobres sofrem as consequências da violência urbana, seja ela de origem policial ou não.

    “Parece que estamos vivendo um filme de crime, onde da meia noite até seis horas manhã está liberado matar qualquer um, os mais pobres no caso, e quem é rico se salva”, desabafou Roots Mc.

    A investigação indica que a chacina foi cometida por milicianos. A delegada titular da delegacia de homicídios de Niterói, Bárbara Lomba, informou que as armas utilizadas no crime eram pistolas calibre 380, que todos os tiros foram dados na cabeça e as vítimas estava perfiladas. Todas essas características do crime indicam os jovens foram assassinados por milicianos.

    "Mandaram deitar e atiraram nas cabeças. Foi execução. Não houve nem resistência nem tentativa de fuga. Todos os tiros partiram de uma arma só, pois havia projéteis de uma mesma arma deflagrados no local [...] Ainda não há identificação de suspeito, mas indicações fortes. Há reclamações da atuação de milícias no local. Comprovadamente, eles não estavam fazendo nada de ilícito na área de convivência do conjunto habitacional", disse a delegada Bárbara Lomba ao G1.

    “É um crime sem explicação. Estavam no lugar errado, na hora errada. O sentimento é o de que pagaram pelo que não fizeram. Meu sobrinho era um menino do bem. A família está abalada. Ele e os amigos eram rapazes que gostavam de cantar e dançar. Iam inclusive fazer um clipe. Meu sobrinho estava juntando dinheiro para isso e o pai prometeu ajudá-lo se houvesse necessidade”, contou um parente de Sávio Oliveira, sob condição de anonimato, ao jornal Extra.

    Não são apenas os parentes dos jovens que demonstram medo do que pode acontecer daqui para frente. Saulo expõe a mesma preocupação:

    “Aqui na cidade não foi a primeira vez que aconteceu isso. Sabemos que sempre houve repressão. Há alguns anos, inclusive, eu mesmo tomei dura da polícia fazendo Roda Cultural. A polícia chegou a pedir para parar a roda, tive que conversar com o policial para não acabar com o evento. E agora, depois dessas mortes, estamos com medo de saber quem pode ser o próximo ou o que pode acontecer”.

    Violência incessante

    Casos como esse vêm acontecendo frequentemente, principalmente no Rio de Janeiro. Um dia antes outro adolescente também chamado Matheus foi morto. O jovem Matheus da Silva Duarte, de 19 anos, morreu durante confronto entre policiais e traficantes no sábado (24) na Rocinha. De acordo com parentes ele tinha o sonho de ser militar e trabalhava como príncipe de valsa.

    Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que negros representam 71% das vítimas de homicídios no país e que de 2005 a 2015, o número de brancos assassinados caiu 12% e o de negros subiu 18%. Pesquisas confirmam que jovens negros sem estudo são maiores vítimas de violência.

    Enquanto isso, a intervenção militar continua sendo uma medida paliativa e eleitoreira. Efetivamente a intervenção não solucionou ou diminuiu os crimes no Rio, ela tem acirrado a disputa entre a milícia e os traficantes.

    Conclue-se que adolescentes com planos e esperanças são punidos pelas fardas todos os dias e, assim como mostrou a pesquisa citada acima, “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco”. Todos esses meninos eram negros.

    Fonte: Portal Vermelho, por Verônica Lugarini

  • Laís Gouveia, jornalista do Portal Vermelho, é agredida por fascista em São Paulo

    “Estava com uma amiga no bar, isso mesmo, duas mulheres sozinhas em um bar numa quinta-feira à noite. Estava tudo divino maravilhoso quando fomos abordadas por um senhor com cara de bonachão, alto, que questionou se éramos socialistas. Olhei com uma cara de ‘oi??’ e continuei a conversa com minha amiga”, a repórter do Portal Vermelho, Laís Gouveia descreve assim a cena na qual sofreu agressão em um bar em São Paulo.

    De acordo com a jornalista, não satisfeito o agressor começou a falar “vai pra Cuba”, quando ela começou a tentar explicar o quanto ele estava sendo inconveniente se metendo na conversa de duas pessoas estranhas.

    “Nesse momento ele deu um safanão em meu braço e eu comecei a gravar a cena. Aí ele me deu um soco no braço e jogou meu celular no lixo”, conta Gouveia. Ela explica ainda que não pode fazer um boletim de ocorrência porque não sabe o nome do agressor, por isso é importantíssimo a divulgação da foto dele (abaixo) para que alguém ajude na identificação e essa violência não fique impune.

    agressor de lais gouveia

    De acordo com ela, os funcionários do bar convidaram ela e amiga para entrar, protegendo-as do perigo. “Eu só pensava em chegar viva em casa”, diz. “Como feminista, comunista e jornalista eu não poderia ficar sem tomar uma atitude”.

    No dia seguinte, diz a jornalista, “fui a uma Delegacia da Mulher fazer um boletim de ocorrência, acompanhada da militante feminista da União Brasileira de Mulheres da cidade de São Paulo, Cláudia Silva, que me deu todo apoio”.
    Infelizmente, relata, “o BO não pôde ser feito porque eu não sei o nome do agressor” e ninguém no bar soube ajudar na identificação”. Mas Gouveia diz que vai até o fim com essa denúncia.

    “Faço isso porque eu não aguento mais viver numa sociedade que expõe a mulher como lixo dessa forma. Faço isso porque eu perdi uma colega estuprada até a morte nos últimos dias e também porque eu tenho direito de ser o que que eu quiser, inclusive socialista”, conclui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Morre Moniz Bandeira, um dos mais importantes intelectuais brasileiros

    Morreu na Alemanha, onde era cônsul honorário do Brasil, nesta sexta-feira (10), Moniz Bandeira, aos 81 anos. Professor universitário, cientista político e historiador, especialista em política exterior do Brasil.

    Bandeira tinha problemas cardíacos e estava internado desde outubro. Ele morreu por volta das 14h na cidade alemã de Heidelberg. Ele deixa a mulher Margot Elisabeth Bender, de nacionalidade alemã, e o filho, Egas.

    O intelectual era doutor em Ciência Política pela USP, professor aposentado de história da política exterior do Brasil na Universidade de Brasília e professor-visitante nas universidades de Heidelberg, Colônia, Estocolmo, Buenos Aires, Nacional de Córdoba e Técnica de Lisboa.

    “Para as comemorações dos 100 anos da Revolução Russa foram reeditados os seus livros: “O ano vermelho: Revolução Russa e seus reflexos no Brasil “ e "Lênin - vida e obra", que destacam o divisor de águas que representou a revolução de 1917 com a edificação do primeiro país socialista e os seus efeitos nas lutas revolucionários no mundo todo.

    Inclusive, em 2015, foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE), em reconhecimento pelo seu trabalho como "intelectual que vem repensando o Brasil há mais de 50 anos".

    No ano seguinte foi homenageado na UBE com o seminário "80 anos de Moniz Bandeira", ocasião em que sua obra foi destacada por importantes personalidades do meio acadêmico, político e diplomático. 

    Moniz Bandeira também teve uma importante trajetória de militância política. Filiado ao Partido Socialista Brasileiro, dentro do qual foi um dos organizadores da corrente Política Operário (Polop), acompanhou João Goulart em seu exílio no Uruguai após o golpe de 1964.

    Em declaração ao Portal Vermelho, João Augusto Rocha, professor da Universidade Federal da Bahia, cujo livro sobre a morte de Anísio Teixeira seria prefaciado por Moniz Bandeira, afirmou que “perdemos talvez o mais destacado cientista político brasileiro da atualidade, com projeção internacional, em pleno vigor intelectual, perto dos 82 anos de idade. Seu conhecimento sobre o mundo diplomático destaca-se sobretudo pelo extenso e profundo acompanhamento do processo de reciclagem do imperialismo, particularmente em seus ataques sobre o Brasil”.

    Dentre suas obras, destacam-se:

    • 2016 - A Desordem Mundial. O Espectro da Total Dominação. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 644 pp.
    • 2013 - A Segunda Guerra Fria. Geopolítica e Dimensão Estratégica dos Estados Unidos. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 714 pp.
    • 2009 - Poética. Rio de Janeiro, Editora Record, 144 pp.
    • 2005 - Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque). Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 854 pp. Obra traduzida e publicada na China e na Argentina.
    • 2004 - As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos (De Collor de Melo a Lula). Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 417 pp.
    • 2003 - Brasil, Argentina e Estados Unidos (Da Tríplice Aliança ao Mercosul). Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 920 pp. Obra traduzida e publicada na Argentina.
    • 2000 – O Feudo – A Casa da Torre de Garcia d’Ávila: da conquista dos sertões à independência do Brasil. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 601 pp.
    • 1999 – Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. II (2ª. revista, aumentada e atualizada de Brasil-Estados Unidos: A Rivalidade Emergente. São Paulo, Editora SENAC, 224 pp.
    • 1998 – De Martí a Fidel – A Revolução Cubana e a América Latina. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 687 pp.
    • ______ Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. I (Terceira edição revista de Presença dos Estados Unidos no Brasil – Dois Século de História e Brasil. São Paulo, Editora SENAC, 391 pp.
    • 1995 - Brasil e Alemanha: A Construção do Futuro. Brasília, Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais / Fundação Alexandre de Gusmão, 697 pp.
    • 1994 - O “Milagre Alemão” e o Desenvolvimento do Brasil - As Relações da Alemanha com o Brasil e a América Latina (1949-1994). São Paulo, Editora Ensaio, 246 pp. Obra traduzida para o alemão: Das Deustche Wirtschaftswunder und die Brasilien Entwicklung, Frankfurt, Vervuert Verlag, 1995.
    • 1993 - Estado Nacional e Política Internacional na América Latina - O Continente nas Relações Argentina - Brasil. São Paulo, Editora Ensaio, 304 pp; 2ª. ed., 1995, 336 pp. 1995.
    • 1992 - A Reunificação da Alemanha - Do Ideal Socialista ao Socialismo Real - São Paulo, Editora Ensaio, 182 pp. 2ª. ed. revista, aumentada e atualizada, 2001, Editora Global/Editora da Universidade de Brasília, 256 pp.
    • 1989 – Brasil - Estados Unidos : A Rivalidade Emergente - 1955-1980 - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 328 pp; 2ª. ed., São Paulo, Editora SENAC, 1999, 224 pp.
    • 1987 - O Eixo Argentina-Brasil (O Processo de Integração da América Latina) – Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 118 pp.
    • 1985 - O Expansionismo Brasileiro (A Formação dos Estados na Bacia do Prata – Argentina, Uruguai e Paraguai - Da Colonização ao Império) - Rio de Janeiro, Editora Philobiblion, 291 pp. – 2ª . ed., 1995, Editora Ensaio /Editora da Universidade de Brasília, São Paulo, 246 pp. 3ª ed., 1998, Editora Revan/Editora da Universidade de Brasília, Rio de Janeiro, 254.pp.
    • _____ Trabalhismo e Socialismo no Brasil - A Internacional Socialista e a América Latina - São Paulo, Editora Global, 56 pp;
    • 1979 - Brizola e o Trabalhismo - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1ª e 2ª edições, 204 pp.
    • _____ A Renúncia de Jânio Quadros e a Crise Pré-64 - São Paulo, Editora Brasiliense, 180 pp.
    • 1975 - Cartéis e Desnacionalização (A Experiência Brasileira - 1964-1974) - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 207 pp.; 2ª ,1975; 3ª ed., 1979
    • 1977 O Governo João Goulart - As Lutas Sociais no Brasil (1961-1964) - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 186 pp.; 2ª ed. dezembro de 1977, 3ª, 4ª e 5ª ediçõe 1978; 6ª ed. 1983; 7ª ed. revista e aumentada, 320 pp. 2001.
    • 1973 - Presença dos Estados Unidos no Brasil (Dois Séculos de História) - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 470 pp. 2ª ed., 1979; 3ª ed. São Paulo, Editora SENAC 1998, 391 pp.
    • 1967 - O Ano Vermelho - A Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 418 pp.; 2ª ed., Editora Brasiliense, 1980.

    Portal CTB com Carta Capital e Portal Vermelho

  • Mulheres contam como é difícil sair de um relacionamento abusivo numa sociedade machista

    Essa pergunta veio à tona após a denúncia de censura no programa Altas Horas, da Rede Globo, feita pela jornalista maranhense Letycia Oliveira ao Portal Vermelho. Ela conta que foi convidada pelo programa para contar como superou a sua história de violência doméstica. As pesquisas indicam que a maioria das mulheres brasileiras já sofreram esse tipo de agressão.

    A jornalista diz também que a produção ligou para ela dizendo que a entrevista não iria mais para o ar, por questões de segurança dela e da filha. “Eles não tinham noção de quão forte seria aquele depoimento, e mais, que aquilo poderia chocar mais do que as novelas”, diz.

    Quando “um garoto do auditório me fez uma pergunta, a ‘clássica’, ‘por que a mulher volta pro agressor?’. Eu respondi que a mulher está só, muitas vezes depressiva, com a estima arrasada, e ama o agressor, ele pede desculpa, diz que vai mudar e você volta, e apanha de novo”.

    jornalista feminista censurada altas horas

    Letycia Oliveira no programa Altas Horas (Reprodução)

    Praticamente as mesmas respostas dadas pela estudante de jornalismo Natália Belizário no site do Geledés. “Não podemos esquecer que relacionamentos abusivos não são marcados somente por violência física, mas também por violência psicológica”, afirma.

    A secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira, confirma o que elas dizem. “Vivemos numa sociedade onde quase tudo é proibido à mulher, inclusive trazer à tona a sua vida doméstica”.

    Além disso, afirma a sindicalista, “em muitos casos a mulher sente medo e vergonha de denunciar o agressor”. Pereira diz ainda que a violência de gênero vinha sendo combatida de forma tenaz nos governos Lula e Dilma, “mas agora nos assombram retrocessos enormes”.

    "É fundamental superar a cultura machista e conservadora, não apenas por parte dos juristas e legisladores. Há que se respeitar as conquistas democráticas e assim contribuirmos com a cultura do respeito e de uma educação libertária. A sociedade mudou, mas precisa se humaniza cada vez mais", afirma Ailma Maria de Oliveira, presidenta da CTB-GO.

    Para Érika Pistere, secretária da Mulher da CTB-ES, ressalta a importância da aprovação da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio como formas de punir o agressor, mas ressalva a “falta de mais delegacias da Mulher, que elas funcionem 24 horas, em todos os dias da semana”.

    Além disso, Piteres acredita na necessidade de se “trabalhar melhor as políticas públicas que facilitem a denúncia da violência e também se faça um trabalho de recuperação da autoestima das agredidas. E ainda as proteja”.

    A colocação da sindicalista capixaba é confirmada pela história contada poro Kaique Dalapola no site ponte.org, onde ele relata a denúncia de uma jovem que foi assediada no cinema de um shopping em Recife e se viu obrigada a registrar a ocorrência com homens, sendo desrespeitada e aconselhada a desistir.

    Já Piteres lembra da recente pesquisa do ActionAid Brasil, pela qual 87% das brasileiras relatam já terem sofrido assédio sexual na rua, no transporte público, no trabalho, entre outros locais.

    Assista vídeo do grupo Mulheres que podem 

    “Pensam que se a mulher está sozinha, está disponível, se usa short ou saia curta está querendo. Ignoram que somos livres para ir e vir para onde quisermos e vestir as roupas com as quais nos sentimos bem, sem significar que queremos ter relações com desconhecidos”, diz.

    A ActionAid mostra também, no mesmo levantamento que 86% das entrevistadas mudam de atitude para se proteger. A estudante Ninive Nascimento conta viver em constante insegurança no caminho que faz de casa, em Heliópolis (favela da capital paulista) para o trabalho, depois para a faculdade e de volta para casa tarde da noite.

    “Não existe ponto de ônibus em Heliópolis. Então, eu tenho que fazer a pé todo o caminho de casa até a rua principal e o ponto de ônibus. O ponto de ônibus é escuro e não tem segurança”, reclama.

     Ninive Nascimento Heliopólis sp 1

    Ninive Nascimento, em Heliópolis, voltando para casa (ActionAid Brasil)

    Pereira argumenta que o assédio sexual é o primeiro passo para a violência doméstica e para o estupro. "A mentalidade patriarcal acredita que pode fazer o que quiser com a mulher, pois ela pertence ao homem. Por isso, é fundamental combater essa mentalidade de todas as formas, principalmente com união de todas, irmanadas no desejo de viver sem medo".

    Para denunciar:

    Ligue 180

    Disque 100

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O escritor pernambucano Urariano Mota lança romance sobre a juventude em São Paulo

    Nesta quinta-feira (14), a partir das 19 horas, haverá o pré-lançamento do livro A Mais Longa Duração da Juventude, de Urariano Mota, à Rua Rego Freitas, 192, centro de São Paulo.

    Urariano Mota é o escritor e jornalista que colabora com veículos da imprensa nacional e lusófona. Colunista do Portal Vermelho e do Brasil 247, colabora com o Jornal GGN e publica quinzenalmente no Diário de Pernambuco.

    Entre suas obras literárias, destacam-se “Soledad no Recife” (Editora Boitempo, 2009) e “O filho renegado de Deus” (Bertrand Brasil, 2013).

    Em “Soledad no Recife”, o escritor recria os últimos dias de Soledad Barrett, a mulher do cabo Anselmo, que o agente infiltrado entregou para a morte no Recife em 1973, em plena ditadura militar. É uma novela de referência sobre o terror de Estado no Brasil.

    Em “O filho renegado de Deus”, o autor percorre a formação da infância no Recife dos pobres, dos moradores de beco. Esse romance lhe deu o primeiro lugar do Prêmio Guavira 2014.

    Abordagem ambiciosa

    Agora, com “A mais longa duração da juventude” (LiteraRUA, 2017), o escritor faz uma intersecção precisa e emocionante do tempo literário e político: o amor, a militância e o sexo em uma memória histórica que vai de 1970 a 2017. Neste romance, a imortalidade é construída na rebeldia que resiste.

    “E porque somos agentes da duração, a nossa vida é a resistência ao fugaz. Nós só vivemos enquanto resistimos. Nós alcançamos a imortalidade, isto é, o que transcende a sobrevivência ao breve, porque a imortalidade não é a permanência de matusaléns decrépitos. Nós só a alcançamos pelo que foi mortal, mortal, e sempre mortal não morreu.” (A mais longa duração da juventude, Urariano Mota, LiteraRUA, SP, 2017)

    A luta dos adolescentes e jovens adultos por um mundo melhor e mais justo - e os traumas que podem ocorrer a partir dessa ousadia - são o pano de fundo abordado pelo jornalista neste livro.
    A obra é um retorno a memórias do pós-ditadura, mas, ao mesmo tempo, traz uma ponte para o futuro ao relacionar a militância de esquerda dos anos 1960 ao protesto dos estudantes brasileiros na atualidade. “Tenho que contar essa história, senão isso vai ficar perdido. Certas coisas não vão ser ditas se você não falar”, afirma Urariano ao Diario de Pernambuco.

    O autor dos romances Os corações futuristas, Soledad no Recife e O filho renegado de Deus, além de Dicionário amoroso do Recife, pontua que o romance, segundo ele, o mais ambicioso de sua trajetória, foi detonado a partir da morte de um amigo querido, o escritor, jornalista e militante comunista Marco Albertim. “A primeira coisa a destacar é a seguinte: eu não procurei escrever somente sobre a ditadura. Quando eu estava indo visitar pensões onde morei, vi uma passeata de adolescentes protestando com bandeiras por uma educação melhor. Foi quando me ocorreu o fato de que havia uma duração mais longa da juventude. Quem esteve na clandestinidade e foi ao limite da entrega da propria vida está nesses jovens das ocupações de escolas e universidades”.

    A partir desta sensação de eterno retorno, Urariano traz uma apropriação e reflexão muito pessoal sobre passagens vividas por quem ainda começava a vida na época da ditadura, assim como ele. “A trama do romance, escrito em primeira pessoa, começa a partir de um personagem que encontra o narrador, de posse de um LP de Ella Fitzgerald, em frente ao Cinema São Luiz. A militância desses jovens do pós-1964, assim como a vida sexual e afetiva deles, são abordadas no livro. Ao longo da obra, ele procura retomar essas vidas, vai de novo aos abrigos onde morou e percebe uma relação com os jovens de hoje”. Personagens presentes em outros títulos, como a paraguaia Soledad Barrett, voltam a ser citados com novos fatos de sua vida. A filha única dela, Ñasaindy Barrett, também entra no romance como personagem.

    A intensidade dessas experiências que borram e transbordam os limites entre ficção e memória são, segundo Urariano, motor para sua criação. O impacto da história de Soledad Barrett, por exemplo, morta enquanto estava grávida pelo próprio marido, o Cabo Anselmo, é um dos exemplos. “Achava necessário tirar um trauma de juventude. Quando se escreve um romance, ele é um fruto de sua experiência de vida. No momento da narração, descubro verdades desconhecidas para mim. O escritor irlandês Bernard Shaw dizia assim: ‘a melhor forma de mentir é contar a verdade’. Não percebemos o quanto a vida é curta, mas ela é uma coisa muito séria. Não podemos apenas brincar de viver”.

    A versão eletrônica pode ser adquirida na internet. Já a o livro físico estará disponível no lançamento.

    Leia um trecho da obra em primeira mão:

    I wonder why. Eu não sei por quê, não entendo qualquer motivo ou razão, inclusive a mais absurda, eu não sei por que acabo de comprar um disco de Ella Fitzgerald, o long-play Ella, de 1969. Eu não tenho nem mesmo um toca-discos para ouvi-la. Mas que felicidade dá nos lábios, feito um menino com um chocolate que não poderá comer, mas ainda assim feliz pelo cheiro e textura do chocolate. É inexplicável que eu esteja feliz quando encontro Luiz do Carmo em frente ao Cine São Luiz, que ao me ver exibindo a capa de Ella, pergunta:

    - Você tem vitrola para ouvir o disco?

    - Eu não tenho, mas quando tiver uma, já tenho Ella Fitzgerald.

    Na hora, estamos com 19 anos, não temos ainda a maturidade da expressão verbal para o sentimento, apenas possuímos uma timidez que atrapalha até o pensamento em silêncio. O que não disse ali é isto: quero ter Ella comigo, acariciar a sua capa (que pobreza, meu Deus, dói até a lembrança neste instante). Quero antegozar a sua voz, a doçura que apenas ouvi por segundos e me derrubou num encanto, lá na Aky Discos. Quero prelibar a sua canção, encontrando-a junto a meu peito. Por quê, I wonder why? Porque, uma simplificação diria, quando o detalhe material do toca-discos chegar, eu já estarei com o disco ideal para o suporte da mercadoria. Ou num paradoxo, se o toca-discos é inacessível, eu tenho o disco de Ella, que não posso ouvir. Mas imaginá-lo, posso. Então acaricio feliz o potencial do que virá, ou viria, ou nunca, que importa, tenho Ella com a mesma certeza do apostador que vai à loja de roupas antes de comprar um bilhete na loteria.

    Leia a apresentação do romance:

    Um sonho que a repressão não destrói

    Por José Carlos Ruy

    Um dia desses, conversando com minha filha, uma moça de 21 anos que estuda Letras, ela me falava, contrariada, de tantas moças e rapazes (e movimentos e artistas “jovens”) que parecem envelhecidos pela recusa a correr riscos, e pela vontade de ter todas as garantias e segurança que a sociedade oferece. São jovens na idade, mas não no coração, dizia ela.

    Esta lembrança me ocorre no momento em que escrevo a “apresentação” a este livro extraordinário a que Urariano Mota deu um título preciso: A mais longa duração da juventude. Um relato ficcional amplamente ancorado na memória dos jovens que, por volta de 1970, resistiam à ditadura no Recife, como tantos outros Brasil afora. E traziam inscrito em sua bandeira, com letras de um vermelho flamejante: “revolução e sexo”. Nesta ordem, adverte Urariano.

    Rapazes e moças que, por volta de seus vinte anos, viviam às voltas com as agruras da luta política e revolucionária, e os ardores do sexo que despertava. Agruras e ardores narrados com a precisão de acontecimentos “de ontem”, que continuam presentes, quase meio século depois, com a mesma e intensa realidade do brilho das estrelas de que conhecemos somente a luz que cruzou milhares de anos-luz, estrelas que talvez nem existam mais no momento em que sua imagem nos alcança.

    A luz dessas estrelas é semelhante ao sonho que, hoje, meio século mais tarde, aqueles jovens ainda sonham mesmo que seus corpos já não tenham a força dos vinte anos. Mas o viço e o vigor do sonho permanecem. E fazem mais longa a duração da juventude.

    Urariano Mota sabe do que trata. Autor de tantos livros, entre os quais se destacam Soledad no Recife (2009) e O filho renegado de Deus (2013), tecidos com o relato do vivido e do trágico (sobretudo Soledad no Recife) junto com o imaginado (como em O filho renegado de Deus) Urariano sabe como poucos mesclar memória e ficção. E de tal maneira as confunde na textura da escrita que, nela, o real vira imaginado, e o imaginado assume as formas do real. E o tempo funde as duas pontas do relato, entre o passado e o presente. Fundidos por uma reflexão fina, ligada – para dizer como se dizia há quase meio século – pela análise concreta de situações concretas.

    Não é filosofia, quer Urariano. Mas é reflexão fina, humanamente fina e que tem o dom de trazer à vida, com seus matizes, os debates com que aqueles jovens de esquerda, revolucionários, desenhavam seu futuro, o futuro de todos, do país e da humanidade.

    Sonho que levou o garoto de 1969 a comprar um disco de Ella Fitzgerald onde poderia ouvir I wonder why, se tivesse vitrola (palavra antiga para toca-discos, também antiquada no tempo dos igualmente em superação cd players). Não importa que não tivesse! Teria, um dia, e ouviria a cantora cuja voz amava. Sonho semelhante ao que tantos anos depois, quando já não existia a ameaça da repressão ditatorial, queria uma bandeira do Partido Comunista do Brasil para envolver o caixão do amigo morto.

    Sonho de abnegação, igualdade, de liberdade, de justiça para todos, de desapego perante os bens materiais e construção de um mundo novo, socialista.

    Sonho embargado pela memória cruel da sordidez da delação do infame Cabo Anselmo, que levou Soledad e tantos outros à morte na tortura ou pelas balas da repressão da ditadura.
    Nesta permanência da juventude não há, como há em Goethe, nenhum pacto com o demônio, como aquele pelo qual o poeta buscou a garantia da juventude permanente.

    Não. Há o sonho fincado na herança Marx, Engels, Lênin, Mao Tse Tung, Ho Chi Minh, Che Guevara e tantos outros. Povoado por Turguêniev, Dostoievski, Tolstoi, Proust, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Manoel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e também tantos outros.
    “Eu não sou um velho. Aliás, nós não somos velhos”, diz um diálogo neste livro maravilhoso. “Eu sei. O tesão de mudar o mundo continua”.

    É o resumo escrito, lembrado, do sonho. Sonho que os jovens de meio século atrás ainda sonham. Como Vargas, Zacarelli, Luíz do Carmo, Nelinha, Alberto, Soledad, a turma toda.

    Este é um livro que une, com a arte da memória, 1970 e 2016 – se fosse possível fixar parâmetros tão fixos... É um livro que olha o passado não pelo retrovisor que encara o acontecido faz tanto tempo. É um livro que faz do passado os faróis que iluminam o caminho do futuro. E reduz a distância no tempo revivendo, tanto tempo depois, a mesma luta que uniu, e une, tanta gente.
    Um sonho contra o qual a barbárie e a estupidez dos cabos anselmos da repressão da ditadura foi impotente. E não o destruiu. E que é a senha para a mais longa duração da juventude.

    Fonte: Fundação Maurício Grabois

  • Presidenta Dilma ganha direito de resposta contra matéria misógina da revista IstoÉ

    Uma boa notícia na véspera do grande ato “Fora Temer”, promovido pela Frente Povo Sem Medo, com ampla participação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB): a presidenta Dilma ganhou direito de resposta contra a revista IstoÉ.

    A Justiça Cível de Brasília, concedeu direito de resposta para a presidenta Dilma contra o ataque misógino (ódio às mulheres) feita pela revista IstoÉ em 1º de abril (Dia da Mentira) com a chamada de capa “as explosões nervosas da presidente” (saiba mais aqui), informa o Portal Vermelho.

    A juíza  Débora Bergamasco afirma que o direito à informação “tem que ser guiado pela veracidade do conteúdo publicado”. Para ela, “o direito de resposta é pautado tanto pela ampla defesa quanto pelo direito público à informação verídica”.

    Dilma afirma que quando a mídia “distorce ou inventa fatos e ofende pessoalmente aqueles que acusa, incorre em crime contra a honra e, no limite, contra o Estado Democrático de Direito”.

    “Essa vitória não é apenas da presidenta Dilma contra uma agressão sofrida por um meio de comunicação que fez reportagem escondendo-se em supostas fontes que ninguém sabe quem são”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    “É uma importante vitória de todas as brasileiras atingidas em cheio por essa matéria carregada de rancor e ódio às mulheres”, complementa. “Espero que consigamos também desmitificar outras matérias tipo a “bela, recatada e do lar” (leia mais aqui).

    Os advogados da presidenta pretendem mover outras ações contra a revista IstoÉ, por novas publicações consideradas ofensivas contra a honra de Dilma e da família da presidenta, que foram alvo de duas outras reportagens publicadas em julho. Utilizando-se de ilações e factoides, a revista disse que a família de Dilma teria recebido ilegalmente segurança e carros, no que consistira um abuso.

    Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP diz que “o direito de resposta deveria ter sido concedido já na semana seguinte à publicação infame”. Para ela, “nesses casos de ataque à honra de pessoas pela mídia a Justiça deveria agir com maior rapidez e rigidez”.

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    A presidenta Dilma reforça que o direito de resposta concedido pela Justiça não é uma vitória apenas dela, mas de toda a sociedade brasileira. Ângela Meyer, diretora de Comunicação da União da Juventude Socialista de São Paulo defende uma nova lei de mídia para coibir "ataques sem provas a pessoas".

    “Desde que assumiu o governo em janeiro de 2011, Dilma vem sofrendo ataques misóginos de uma imprensa sem nenhum compromisso com os fatos”, afirma Meyer. “E é uma luta desigual, pois a comunicação, no Brasil está nas mãos de meia dúzia de famílias, que monopolizam e desinformam a sociedade. Isso tem que mudar”.

    “A ‘reportagem’ de capa desta revista me ofende, sem dúvida, por me atribuir comportamento que não condiz com minha atitude pessoal e meu temperamento”, afirma Dilma, mas “estende a agressão a todas as mulheres brasileiras, guerreiras que, no seu dia a dia”.

    Já Pereira diz que a Justiça agora deve fiscalizar a consecução desse direito de resposta. “Como diz a sentença da juíza, a resposta tem que ter o mesmo espaço e a mesma publicidade do ataque sofrido pela presidenta”.

    Importante também ressaltar que a presidenta garante ao Brasil 247 que em sua volta ao governo pretende encaminhar um plebiscito sobre novas eleições para a Presidência da República, além de revogar todos os atos com retiradas de direitos feitos pelo desgoverno Temer.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy 

  • Railídia Carvalho lança o seu primeiro disco em Belém do Pará nesta sexta (15)

    A cantora e compositora paraense Railídia Carvalho, que adotou São Paulo, lança o seu primeiro disco Cangalha em Belém do Pará nesta sexta-feira (15). Ela se apresenta no Teatro Waldemar Henrique, às 19h30, e garante um show que mostra o Brasil contemporâneo com as músicas da raiz cultural do país.

    Na estrada desde 1999, levando para os palcos a diversidade musical brasileira, Railídia, que também é jornalista do Portal Vermelho, disse à colega Mariana Serafini que está criando um show que tem diversos timbres: "Esse batuque do Brasil, coisas do Pará, os sambas dos meus contemporâneos, composições nossas”.

    De acordo com a cantora, o lançamento no Pará ocorre porque o seu disco está impregnado da sonoridade de Belém, onde a musicalidade está à flor da pele e a mistura de gêneros musicais domina a cena.

    Ela conta que apenas em 2009 começou a “achar que poderia ter uma carreira como cantora”. Em 2012 conheceu o violonista Paulo Godoy e “começamos a montar o grupo do CD". 

    A integrante do grupo Inimigos do Batente, afirma que “a roda de samba da qual faço parte até hoje foi a minha escola. O grupo se apresenta há 13 anos no bar Ó do Borogodó, na capital paulista. “Foi onde consolidei o meu repertório e me formei como cantora”.

    Railídia Carvalho fala sobre o seu amor pelo Pará 

    Ela conta também que “em 1999 começamos uma roda de samba no Bar do Cidão chamada 33 Palitos porque se dizia que o Cyro Monteiro afirmava que a caixa para estar afinada precisava de 33 palitos”.

    Em 2003 o grupo passou por mudanças na formação e começa a se apresentar no Centro Esportivo Raul Tabajara, na Barra Funda, a convite da União Nacional dos Estudantes (UNE) e aí surgiu o Inimigos do Batente.

    Segundo Railídia, o seu primeiro álbum traz o DNA do Pará, apesar de já estar morando há 20 anos na capital paulista. Tem batuque amazônico como o marabaixo, referências do carimbó, tem boi bumbá. As expressões afrobrasileiras estão muito presentes.

    Ela escolheu cantar os gêneros musicais de raiz africana porque “na verdade acho que é cantar os nossos ancestrais. É a música que mais me emociona porque ela nasce de uma situação de violência, preconceito, escravidão e extermínio desses povos e de sua cultura”.

    Ouça a canção Cangalha (Douglas Germano e Railídia Carvalho) 

    Railídia complementou que a resistência cultural na tradição afro-basileira é o que comove e Cangalha fala sobre isso. “Mesmo de uma situação de opressão, nasce essa música linda, vem os batuques, o samba, a música religiosa, muitas das manifestações populares”.

    Como a canção Cangalha, que é um Ijexá, que é uma nação africana formada pelos escravizados vindos de Ilesa na Nigéria, atualmente é ritmo musical presente nos afoxés.

    Acompanhe Ô Linda (tradicional) 

    Acompanhada pelos músicos Paulo Godoy (violino), Felipe Siles (piano e sax), Helinho Guadalupe (cavaquinho), Koka Pereira (percussão) e Tiago Belém (bateria). O disco traz composições autorais, sambas, marabaixo, bumbá, marcha-rancho e outras influências da cultura popular, entre elas a religiosidade afro-brasileira. A produção musical é de André Magalhães (Estúdio Zabumba e A Barca) e produção executiva de Stefânia Gola (Ó produções).

    Em um trabalho colaborativo, o cenário está sendo realizado por alunos da Escola de Teatro da Universidade Federal do Pará, orientados pelo professor Jorge Torres e pelo professor e diretor de teatro Marton Maués. Na idealização e montagem do cenário participam Cássia Rejane, Jean Cardoso, Humberto Malaquias e Roseane La Roque.

    A cantora garante não gostar de viver a rotina. O que transparece na música título de seu primeiro disco. “De rotina me acabo/dou cabo de mim/quem é que vive assim?/e quem merece, enfim?”, mas, “enxergo além da muralha/que a vida não é só batalha/meu peito é a minha cangalha/pra eu carregar”.

    Que todos carreguem a sua cangalha com tanto talento.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. foto: Clécio Almeida

  • Sociedade se levanta contra a reforma do ensino médio e governo Temer recua mais uma vez

    Pegou muito mal a medida provisória 746, com proposta de reformulação do ensino médio. Com a reação popular, o governo golpista se viu forçado a recuar. Principalmente por causa do retrocesso da MP. E a intenção de enxugar o currículo e de tornar as matérias de artes, educação física, sociologia e filosofia como facultativas.

    O Ministério da Educação (MEC) disse que cometeu um erro e essas matérias continuarão sendo obrigatórias, mas quem acredita?. O ministro Mendonça Filho diz que no último ano é que os estudantes terão que escolher entre exatas e humanas.

    Mesmo com o recuo do MEC, a presidenta do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG), Valéria Morato, acredita que essa reforma atende aos interesses do grande capital, em detrimento da educação pública. "Volta a ideia do Estado Novo, para formar as pessoas para o mercado de trabalho sem pensar no entendimento de Nação”, diz.

    Para Morato, essa “é uma investida da Escola Sem Partido que quer impor uma linha única de pensamento." Ela também ataca a proposta de privilegiar o ensino de inglês e excluir o espanhol. “Não querem que dialoguemos com os povos da América Latina".

    Por que impedir de pensar?

    O vocalista do grupo Detonautas, Tico Santa Cruz, postou em sua página do Facebook um texto detonando a MP golpista. “Qual o objetivo por trás da retirada de artes, sociologia, filosofia do currículo das escolas no ensino médio?”, questiona.

    reforma ensino medio frota

    E responde que  o objetivo é simples. “Tirar o senso crítico e a capacidade dos alunos de pensar a sociedade, a própria educação, a política e a cidadania”. De acordo com Cruz, as “artes estimulam a imaginação, a sociologia ensina os jovens a pensar e a filosofia apresenta ao aluno e à aluna os mais diversos tipos do pensamento humano”.

    Já a cantora e compositora Leci Brandão, deputada estadual pelo PCdoB-SP, não tem dúvidas do caráter desse desgoverno. "Seria muita inocência da nossa parte esperar que um governo não eleito, fruto de um golpe na democracia, mantivesse uma postura democrática tendo a caneta nas mãos”.

    Para ela, “é um desrespeito, um absurdo, passar por cima de tudo o que foi construído até agora com a participação de alunos, profissionais da educação, entidades e movimentos sociais”.

    “Esse projeto traz riscos à educação porque fragmenta o ensino, apresenta a possibilidade de condicionar a educação apenas de forma técnica, a partir dos cursos profissionalizantes. Esse processo acarretaria numa formação massiva de mão-de-obra barata”, pontua Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    Fontes do meio esportivo afirmam que os atletas estão proibidos de falar sobre questões políticas e que envolvam os programas sociais para atletas.

    Mas a jornalista esportiva Lu Castro, especialista em futebol feminino, diz que se o ensino médio perder as aulas de educação física, “o desenvolvimento do esporte olímpico no país terá ainda mais dificuldades”. No caso do futebol feminino, por exemplo, “não será atrativo para as meninas e continuará não acontecendo”.

    Educação para robôs

    Tico Santa Cruz afirma que “não querem pensadores, querem reprodutores, robôs, que não questionarão nada. Conhecimento nunca é demais e o medo deles (golpistas) é que nós tenhamos conhecimento”.

    O artista mata a xarada. “Mas para quem pode pagar estas matérias estarão no currículo, ou seja, quem vai continuar pensando a sociedade”? Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação aprofunda um pouco mais a questão à repórter Laís Gouveia do Portal Vermelho.

    "A MP é totalmente dissonante das discussões atuais sobre o ensino médio. Discorda dos debates da Conferência Nacional de Educação e das melhores pesquisas sobre essa etapa feitas aqui e no mundo, que dizem basicamente que uma reforma do ensino médio feita sem envolver alunos e professores tem enormes chances de dar errado", reforça.

    Cara chama atenção para a questão do financiamento. Segundo ele, a proposta "liberaliza demais a distribuição de recursos para a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio Integral. A transferência de recursos financeiros prevista para esse fim será efetivada automaticamente pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), dispensada a celebração de convênio, acordo, contrato ou instrumento congênere, mediante depósitos em conta corrente específica. Segundo, o texto legaliza parcerias público-privadas".

    Assine aquiuma petição do site Avaaz contra a reforma autoritária e esdrúxula do ensino médio.

    Resistência

    Para o enfrentamento ao projeto do governo golpista, foi criado o Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio, composto por dez entidades ligadas à educação. O novo movimento defende que o ensino médio seja compreendido como educação básica.

    Portanto, “deve ser comum e de direito a todos e todas”. Assim, o ensino médio não pode ficar circunscrito “em migalhas que configuram uma ameaça à educação básica pública e de qualidade para os filhos e filhas da classe trabalhadora”, diz em seu texto de apresentação.

    Valéria Morato ressalta ainda uma preocupação sobre os impactos da MP nos profissionais da educação. "Sem a exigência do diploma, os professores dessas disciplinas vão ter no mínimo metade do mercado de trabalho cortado".

    Mesma preocupação de Xavier Filho, diretor Jurídico do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica. Ela argumenta que “aumentar a carga horária dos professores, muitas vezes forçados a trabalhar em até três escolas para complementar o salário, prejudicará os ganhos desses profissionais”.

    A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) divulgou nota repudiando a MP anti-educação pública. “Acima de tudo, nós, estudantes secundaristas brasileiros, queremos participar e opinar sobre essa nova escola e a reforma do ensino médio (...) Convocamos a todos os setores e movimentos da educação, cultura e esporte a se somarem na luta contra mais esse gesto autoritário de um governo ilegítimo que ameaça o futuro da nossa juventude com um ato agressivo contra a educação brasileira”.

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    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com colaboração de Mariana Arêas, de Belo Horizonte

  • Temer veta aumento do Bolsa Família e escancara que seu governo é para os ricos

    “Ao vetar o aumento de 4,6% que seria concedido para o programa Bolsa Família no mês de julho, o presidente ilegítimo Michel Temer mostra a que veio”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ele, o argumento de que esse aumento custaria R$ 800 milhões aos cofres públicos não cola porque ”até o Banco Mundial defende aumento de recursos para esse programa que atende mais de 12 milhões de famílias”.

    Já a ex-ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, disse ao Portal Vermelho que "a saída para a crise teria que ser aumentar a renda da população e com isto fortalecer o mercado interno. Nossa maior riqueza são os 210 milhões de brasileiros. Com renda a população voltaria a consumir e reaqueceria a economia'’.

    O Bolsa Família foi instituído por medida provisória em outubro de 2003, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Virou lei em janeiro de 2004 e desde então vem atendendo milhões de famílias.

    De acordo com informações do próprio governo, o programa atende famílias que tenham renda per capita de até R$ 170, sendo que cada família recebe atualmente em média R$ 174 por mês.

    Neste ano estão sendo atendidas pouco mais de 12 milhões de famílias, sendo que em 2010 chegou a atender quase 13 milhões. “O Bolsa Família é um dos maiores programas de distribuição de renda de todo o mundo, copiado por outros países e que tirou mais de 40 milhões de brasileiros da miséria. Não pode acabar até o país extrerminar com  a pobreza absoluta”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Folhapress

  • Vida de Dom Paulo, “inimigo número 1 da ditadura”, será contada em filme

    O jornalista Ricardo de Carvalho leva para a telona a vida de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal símbolo da resistência à ditadura fascista (1964-1985). Sua importância no combate à tortura e na disseminação de ideias democráticas é reconhecida por quem sofreu a repressão.

    Com estreia prevista para novembro, o documentário “Coragem – As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns”, dirigido por Carvalho, com base em suas duas biografias sobre dom Arns. São eles: “O Cardeal e o Repórter” e “O Cardeal da Resistência”.

    Muito importante. Dom Paulo completou na quarta-feira (14), 95 anos e neste ano fez 50 anos de sua ordenação como bispo. Foi voz firme contra os desmandos dos ditadores e em defesa dos humildes e dos perseguidos.

    Carvalho conta que o cardeal “foi, sem dúvida, a mais importante fonte de informações contra o regime militar. Como jornalista que é, dom Paulo não errava uma e tudo que dizia ou denunciava, vinha com provas, relatos... Foi assim quando o pastor Jaime Wright, ligadíssimo a dom Paulo, me passou, em 1978, a conta-gotas, a primeira lista de desaparecidos políticos checadas em diferentes fontes”.

    Formado em Sorbonne, Paris, França. Em 1972, criou Comissão Justiça e Paz de São Paulo. Também foi o principal organizador da famosa publicação “Brasil Nunca Mais”, em 1985, com relatos das prisões e torturas nos porões da ditadura.

    brasil nunca mais

    Como conta a ativista comunista Ana Martins, “ele fomentou a criação das comunidades de base, além de discutirem os princípios religiosos, o evangelho, discutia também as condições de vida o que possibilitou um engajamento”.

    Já o militante comunista  e ex-preso político Aldo Arantes, destaca que a “sua coragem pessoal e a sua atitude eram uma afronta ao regime militar. Isso ficou claro quando, depois da Chacina da Lapa, em 1976, fui preso. Na tortura os carrascos xingavam o cardeal de todos os nomes imagináveis. Manifestavam um ódio imenso ao se referir à figura dele”.

    A sua coragem em desafiar os militares pode ser notada em seu sermão no culto ecumênico em memória do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências da polícia política do regime, em São Paulo", em 31 de outubro de 1975.

    Num período de muita violência e perseguição política, Dom Paulo disse na catedral da Sé, na capital paulista: "Não matarás. Quem matar, se entrega a si próprio nas mãos do Senhor da História e não será apenas maldito na memória dos homens, mas também no julgamento de Deus!".

    O jornalista José Carlos Ruy conta no Portal Vermelho que, em uma entrevista juntamente com Roldão Arruda, para o jornal Movimento (importante órgão de resistência à ditadura), “com cuidado, perguntei a ele sobre a existência de Deus. Recebi a resposta de um homem sábio: sei do que você está falando! Você não acredita, mas para Deus isso não tem importância; o que conta é a ação e vocês estão na luta ao lado do povo. Para Deus, é o que vale”.

    Em outra celebração, Dom Paulo fez sermão ainda mais contundente contra a prática da tortura: "Ninguém toca impunemente no homem, que nasceu do coração de Deus, para ser fonte de amor em favor dos demais homens. Desde primeiras páginas da Bíblia Sagrada até a última, Deus faz questão de comunicar constantemente aos homens que é maldito quem mancha suas mãos com o sangue de seu irmão. Nem as feras do Apocalipse hão de cantar vitórias diante de um Deus que confiou aos homens sua própria obra de amor. A liberdade - repito - a liberdade humana nos foi confiada como tarefa fundamental, para preservarmos, todos juntos, a vida do nosso irmão, pela qual somos responsáveis, tanto individual quanto coletivamente".

    Grande incentivador das Comunidades Eclesiais de Base, que visavam aproximar a igreja dos mais pobres, Dom Paulo criou em 1985 a Pastoral da Infância, juntamente com sua irmã Zilda Arns, morta em 2010, em acidente no Haiti.

    Dom Paulo é daquelas figuras raras. Dedicação total à causa da liberdade e do respeito pela vida e pela dignidade humana. Jamais seguiu o caminho fácil de ceder aos poderosos e se manteve firme ao lado dos oprimidos, mesmo com riscos.

    Por isso, o ativista comunista Haroldo Lima junta a sua voz aos que devem “solidariedade militante na luta pela liberdade nas horas decisivas e desejo: longa, longa vida a Dom Paulo Evaristo Arns”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB