Sidebar

25
Ter, Jun

Prêmio Nobel da Paz

  • Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil condena golpe de Estado no país

    A jurista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carol Proner fala sobre a sentença do Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil, condenando o golpe de Estado ocorrido no país com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff.

    “Além de servir como denúncia e conscientização das pessoas, a decisão desses renomados juristas de diversos países tem uma função didática, já que está mais do que comprovado não haver nenhum motivo para o impedimento da presidenta”, diz.

    Organizado pela Frente Brasil Popular e pela Via Campesina Internacional, o Tribunal Internacional ocorreu no Rio de Janeiro durante a terça-feira (19) e a quarta-feira (20) e contou com a presença de juristas provenientes de diversos países, como Itália, México, França, Espanha e Costa Rica, todos especializados em direitos humanos e defensores da liberdade. A condenação ao golpe foi unânime.

    “Isso já mostra que toda essa história de ‘pedaladas fiscais’, não passou de desculpa para a efetivação desse golpe parlamentar”, afirma Proner. Mas, fala, “todo o mundo já sabe que a presidenta não cometeu crime para perder o seu mandato legítimo”.

    A decisão do Tribunal Internacional pela Democracia, de acordo com Proner, "é um contraponto às argumentações sem sentido da jurista Janaína Paschoal e servirá para levar ainda mais adiante a denúncia do golpe a instâncias internacionais".

    A condenação do Tribunal Internacional diz que o impedimento da presidenta “viola a Constituição brasileira, a Convenção Americana de Direitos Humanos e o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, constituindo um verdadeiro golpe de Estado”.

    carol proner

    Carol Proner diz que o Tribunal Internacional é um contraponto aos argumentos de Janaína Paschoal

    Para o bispo mexicano Raul Veras, candidato ao Prêmio Nobel da Paz, em 2012, o processo de impeachment à mandatária brasileira “não se trata de algo isolado, é algo articulado, muito bem pensado e apoiado por um poder que parece ter seus tentáculos nos cinco continentes e visa interromper um projeto político”.

    A professora da Universidade Carlos III em Madri (Espanha) Maria José Farinas Dulce, acredita que estamos sofrendo “uma contrarrevolução neoliberal e conservadora, que rompe as bases sociais e integradoras. Estamos em regressão democrática, em regressão constitucional, portanto, estamos em luta”.

    “O que está acontecendo aqui é uma conspiração contra a democracia”, afirma Azedeh Shahshahani, jurista iraniana-norte-americana. “Aqueles que estão falando contra Dilma Rousseff são acusados de corrupção e devem ser punidos por isso. Se um presidente pode continuar ou não a presidir, não deveria depender de ter a maioria no Congresso. Esse processo está baseado em algo que só pode ser definido como: capitalista, misógino e fascista”.

    Proner também ressalta o caráter misógino e machista da elite brasileira, que “vestiu a camisa da seleção brasileira e foi para a rua pedir o impeachment e agora esse silêncio, quase constrangedor, diante de todas as comprovações de que não há crime de responsabilidade da presidenta”.

    A professora de Direito da UFRJ lembra que a perícia do Senado não encontrou sinal de crime da presidenta e recentemente o Ministério Público Federal a inocentou das acusações sobre o que a mídia chama de “pedaladas fiscais”.

    Então fica claro, para ela, “ninguém mais tem dúvida de que esse processo de impeachment visa atacar as políticas de combate às desigualdades e a democracia”. Por isso, ela pergunta: “os senadores vão jogar a biografia no lixo e aprovar o impeachment?”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O presidente colombiano Juan Manuel Santos recebeu, nesta sexta-feira (7), o Prêmio Nobel da Paz, o anunciou foi feito em Oslo na Noruega. Santos foi destacado por seus "esforços resolutos" para alcançar a paz no país após 52 anos de guerra civil, que deixou mais de 200 mil mortos. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) saudou a iniciativa. 

    Farc lamenta vitória do "não" em plebiscito sobre acordo de paz com governo colombiano


    "A CTB acha importante o presidente colombiano receber o Prêmio Nobel da Paz, porque entendemos que sua construção é fruto de longo processo das partes envolvidas", destacou o secretário de Políticas Sociais da central sindical, Rogério Nunes. 

    Em setembro, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo daquele país assinaram um histórico acordo de paz, após quatro anos de diálogo, no entanto a consultar popular para referendar o acordo teve resultado negativo.

    Ao saber da indicação, Santos foi entrevistado por um integrante do comitê do nobel, e, por telefone, expressou: “Recebo esse prêmio em nome do povo, que sofreu tanto por causa dessa guerra, especialmente, as milhares de vítimas. A mensagem é: devemos perseverar até o fim dessa guerra. Nós estamos muito, muito próximos [da paz], precisamos apenas nos esforçar um pouco mais. É um ótimo estímulo para construirmos a paz na Colômbia”, afirmou.

    Nesse sentido, Rogério Nunes, concorda com o presidente colombiano. “Não interessa para a sociedade, os trabalhadores, os movimentos sociais a permanência e continuidade de uma guerra que só traz prejuízo não só ao país e a população, mas também todo continente americano”, frisou.

    “Nosso interesse é difundir e defender a paz, que nossas lutas sejam políticas, disputas eleitorais, de projetos, porque só quem sofre com isso são as pessoas, principalmente, a população mais humilde”, disse.

    O sindicalista denunciou ainda que “existem outros interesses em jogo também. Nós sabemos que a indústria armamentista, que tem no país norte-americano, seu grande produtor, por isso aplaudimos a indicação do presidente Santos como Nobel da Paz e reiteramos nosso apoio”, disse.

    Portal CTB 

  • Dom Paulo visita uma favela em São Paulo, em 1972 (Foto: O São Paulo)

    Termina nesta semana, a exposição Dom Paulo Evaristo Arns, 95 anos, que leva grande público ao Centro Cultural dos Correios, no centro da capital paulista. A programação envolve rodas de conversa e atividades culturais dentro da exposição fotográfica sobre esse ícone da democracia brasileira.

    A mostra organizada em seis eixos temáticos: Sociedade, Democracia, Produção Intelectual, Igreja, Comunicação e Política, debate temas do mundo contemporâneo, bem ao estilo das preocupações e da pregação de Dom Paulo.

    Confira a programação completa abaixo

    evaristo arns exposicao

    Tem debate sobre a situação dos refugiados, educação popular, os efeitos da democracia corintiana e na quinta-feira (20), às 11h30, dirigentes de cinco centrais sindicais debatem os impactos das reformas trabalhista e da previdência na vida de quem vive da força de trabalho.

    Adilson Araújo, presidente da CTB, representa a central no evento. Através da política é “que vamos esclarecer a sociedade o quanto estão sendo danosos os acontecimentos posteriores ao impeachment da presidenta Dilma. Em dois anos muita coisa aconteceu e a vida piorou”, diz.

    Para ele, o principal objetivo do golpe de 2016 é desmantelar o Estado e acabar com os direitos da classe trabalhadora. E as reformas trabalhista e da previdência mostram isso. Mas, garante, “o Brasil pode resgatar o desenvolvimento soberano com justiça social, distribuição de renda e valorização do trabalho. As eleições deste ano sçao fundamentais para isso”.  

    Tem também apresentação da peça Lembrar é resistir, todos os dias da exposição, das 14h30 às 15h30. A programação termina com apresentação do Coro Luther King, no domingo (23), às 16h.

    Dom Paulo

    O arcebispo emérito do Brasil, Dom Paulo Evaristo Arns faleceu no dia 14 de dezembro de 2016, aos 95 anos, quase todos dedicados ao bem-estar das pessoas menos favorecidas. Foi considerado o inimigo público número 1 da ditadura (1964-1985). Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, em 1998.

    Leia mais

    Democracia brasileira perde um de seus maiores defensores com morte de Dom Paulo Evaristo Arns

    Serviço:

    O que: Dom Paulo Evaristo Arns, 95 anos

    Onde: Centro Cultural dos Correios São Paulo, avenida São João, s/nº, Vale do Anhangabaú, centro (perto dos metrôs Anhangabaú e São Bento)

    Quando: Terça-feira (21) a domingo (23), das 11 às 17h

    Quanto: grátis

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • O Comitê Norueguês do Nobel anunciou os vencedores do Prêmio Nobel da Paz 2018, nesta sexta-feira (5), em Oslo, capital da Noruega. Por suas atividades de combate às guerras e à violência sexual, o médico congolês Denis Mukwege e a ativista da minoria yazidi Nadia Murad, do Iraque, venceram a disputa entre as 115 organizações e os 216 indivíduos indicados. O prêmio é de aproximadamente US$ 1 milhão e será entregue numa cerimônia em Oslo em 10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos.

    “Muito merecido o Nobel da Paz para esses ativistas”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “Os dois têm um trabalho fundamental para resgatar as vítimas desses crimes hediondos". 

    Para a sindicalista mineira, o exemplo de resistência e luta de ambos serve “de inspiração para todas as pessoas que defendem a cultura da paz e não acreditam no poder das armas e da opressão para resolver nenhum tipo de problema”.

    O médico ginecologista Mukwege, de 63 anos, conta horrores sobre vítimas de estupro na guerra da República Democrática do Congo. Ele ganhou o prêmio pela sua dedicação no atendimento das vítimas e na ajuda ao encaminhamento de suas vidas, depois de atendidas, cuidadas e medicadas.

    Nadia, de 25 anos, foi sequestrada pelo Estado Islâmico em 2014, no Iraque e transformada em escrava sexual, juntamente com outras 3 mil meninas, da minoria yazidi - grupo étnico-religioso do Iraque. Ela permaneceu três meses como escrava.  Quando conseguiu escapar do grupo defensor do ódio e da violência às minorias, se transformou numa ardorosa defensora das vítimas de estupro.

    "Denis Mukwege e Nadia Murad colocaram sua segurança pessoal em risco ao combaterem com coragem crimes de guerra e buscarem justiça para suas vítimas", explica em nota o Comitê responsável pelo Nobel da Paz. "Eles promoveram a fraternidade entre nações ao aplicarem princípios da legislação internacional", complementa.

    Berit Reiss-Andersen, presidente do comitê norueguês, afirma que a intenção com a premiação dos ativistas é passar para o mundo uma "mensagem de conscientização, de que as mulheres precisam de proteção e de que agressores devem ser processados e responsabilizados por suas ações".

    A jovem Nadia conta à BBC News que foi raptada com milhares de meninas quando os fanáticos do Estado Islâmico cercaram a sua aldeia, depois invadiram, mataram os homens e as mulheres mais velhas. Escravizaram crianças e as mulheres mais jovens.

    Ela conta que até meninas de 10 anos foram transformadas em escravas sexuais. "Perguntei por que faziam aquilo conosco, por que haviam matado nossos homens, por que nos estupraram violentamente. Disseram-me que 'os yazidis são infiéis, não são um povo das Escrituras, são um espólio de guerra e merecem ser destruídos'".

    Para Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB, “o fanatismo leva pessoas e grupos à cegueira" e isso "é um passo para o uso da violência e do abuso”. Ela acredita, porém, que a cultura do estupro ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio, onde fica o grupo Estado Islâmico. “Muitos grupos de diversos países defendem abertamente a violência contra as mulheres, contra a juventude e às chamadas minorias”, diz.

    O médico Mukwege relata também à BBC a sua experiência e o terror experimentado ao atender vítimas da Guerra do Congo. “Comecei a me perguntar o que estava acontecendo”, relata. Para ele, a violência sexual se transformou em "arma de guerra”.

    Ele já atendeu mais de 30 mil vítimas de abuso sexual com ferimentos graves em seu país, que vive uma guerra civil que deixou mais de 6 milhões de mortos, e milhares de mulheres vêm sendo submetidas a estupros.

    Celina analisa o perigo que grupos extremisntas representam para a sociedade. "Ainda mais quando são misóginos (ódio às mulheres), racistas e LGBTfóbicos. É necessário muita reflexão sobre os projetos de defensores do ódio, da opressão e da utilização de armas como segurança pública”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações da BBC News. Foto: Picture Alliance/Dpa

  • Um dia após nova condenação sem provas, povo sai às ruas de São Paulo em solidariedade ao ex-presidente e pela manutenção dos direitos dos trabalhadores.

    A nova condenação sem provas de Lula, cuja sentença repete os erros jurídicos que o levou à prisão política, teve como reação imediata mais um ato em defesa da liberdade do ex-presidente com centenas de pessoas nas ruas de São Paulo na tarde de quinta-feira (7). Com a presença de lideranças de partidos progressistas e de movimentos sociais, a iniciativa reiterou também a importância de manter a luta contra a perseguição política ao maior líder popular da história do Brasil aliada ao enfrentamento e à resistência contra a agenda de retrocessos do novo governo.

    O ato também serviu como espécie de prévia para a jornada de lutas que acontece entre os dias 7 e de 10 abril, data que marca um ano do cárcere político imposto a Lula com o propósito de o tirar da disputa das últimas eleições presidenciais (da qual venceria) e enfraquecer a agenda da esquerda – que atende aos anseios do povo em detrimento aos interesses do mercado. Até abril muita ação e mobilização deve acontecer, inclusive no campo jurídico.

    Candidatura ao Nobel fortalece resistência

    A candidatura de Lula ao próximo Prêmio Nobel da Paz, proposto pelo argentino Adolfo Perez Esquivel, que já ganhou o Nobel da Paz, contribui para o fortalecimento da resistência, pois no curto prazo de um mês o abaixo-assinado respaldando a indicação conseguiu 500 mil assinaturas.

    A campanha Lula Livre ganhou o mundo, pois os setores democráticos e progressistas da sociedade em todos os continentes reconhecem no presidente Lula uma liderança que colocou o Brasil e a América Latina no caminho da justiça social e do reconhecimento internacional.

    As razões para a candidatura de Lula ao posto de Nobel da Paz são muitas: além de promover a paz e fazer um governo pautado pelo diálogo e por agenda voltada ao respeito e ampliação dos direitos do povo brasileiro, Lula deixou legado altamente positivo na história do Brasil ao combater a fome, a pobreza e a precariedade das relações entre capital e trabalho.

    Com informações da Agência PT de Notícias

  • O dia 18 de julho entrou para a história porque em 1918 nascia, nessa data, Nelson Rolihlahla Mandela, que se tornaria um dos principais líderes mundiais do século 20. Sua trajetória de combate ao apartheid (regime de segregação racial sul-africano, de 1948 a 1994), o transformou num dos maiores símbolos de resistência ao racismo e à violência do Estado contra a maioria da população de seu país. Mas a sua resistência ultrapassou fronteiras ao se tornar um líder mundial na luta antirracista.

    Por isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) transformou o dia do seu aniversário no Dia Internacional Nelson Mandela. “A vida desse ícone deve ser reverenciada porque se dedicou integralmente a uma causa. E mesmo preso não se rendeu e pôde levar seu povo ao poder acabando com a segregação e a desumanização da maioria da população sul-africana”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Mantido prisioneiro por determinação da CIA (agência de espionagem estadunidense), passou 27 anos na prisão do regime segregacionista da África do Sul, conquistando a liberdade em 1990 para se tornar o primeiro presidente negro do país, em 1994, cargo que só deixaria em 1999, com amplo apoio popular.

    “Com a força de um libertador traduziu a luta contra a apartheid, pela luta dos direitos civis, humanos e pela soberania de seu país”, afirma Mônica. O líder negro faleceu no dia 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos, deixando um legado como poucos de resistência e abnegação pela causa de um mundo mais justo e igual.

    Nobel da Paz

    Com muita justiça recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1993, pela sua trajetória em favor dos oprimidos, porque a sua luta transcendeu as fronteiras-sul-africanas e frutificou pelo mundo. "O valor deste prêmio que dividimos será e deve ser medido pela alegre paz que triunfamos, porque a humanidade comum que une negros e brancos em uma só raça humana teria dito a cada um de nós que devemos viver como as crianças do paraíso", disse em seu discurso na premiação do Nobel da Paz que dividiu com o último presidente branco de seu país, Frederik de Klerk.

    Carinhosamente chamado por seu povo de Madiba, virou referência mundial pela paz e pela emancipação humana. “Primeiro presidente livre de uma das nações que compõe o berço da humanidade, Mandela se constrói no cenário contemporâneo das lutas de classe, e de direitos como um herói para vários povos em todo mundo”, acentua Mônica.

    Muitas comemorações ocorrem na África do Sul e em diversos países para homenagear um dos grandes homens que a humanidade conheceu. No âmbito progressista popular, Mandela tem a grandeza equivalente a Martin Luther King, Fidel Castro, Che Guevara, Mahatma Ghandi, Malcolm X, Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva. Todos que lutaram e lutam em favor de seus povos, da igualdade de direitos e por um mundo de paz e justiça.

    Assista Mandela - a Luta pela Liberdade (2007), de Billie August 

    Massacre de Shaperville

    Mandela deixou sua terra natal para cursar Direito na primeira universidade para negros da África do Sul. Despontava aí o grande líder que viria a ser. Em 1952, é eleito presidente do Congresso Nacional Africano (CNA), principal organização sul-africana contra o apartheid pela democracia, que marginalizava a imensa maioria da população sul-africana, com mais de 80% constituída de negros.

    Defensor da luta pacifista mudou sua trajetória a partir do Massacre de Shaperville em 21 de março de 1960, quando uma manifestação pacífica de aproximadamente 5 mil negros contra a Lei do Passe, que os obrigava a manter uma caderneta na qual dizia onde eles poderiam ir. O protesto foi duramente reprimido causando 69 mortes e 180 pessoas ficaram feridas. Justificou a mudança de posição do CNA ao declarar mais tarde que “nós adotamos a atitude de não violência só até o ponto em que as condições o permitiram. Quando as condições foram contrárias, abandonamos imediatamente a não violência e usamos os métodos ditados pelas condições”, sintetizou o pensamento de seus compatriotas. Para a sindicalista carioca, “a grandiosidade de Mandela se forjou na luta cotidiana de seu povo, como se forjam os grandes heróis".

    Ele iniciou sua trajetória fundando a Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano para organizar os jovens e orientar suas atividades por participação na vida política do país. Foi Mandela quem dirigiu o braço armado do CNA, após perceber que a luta pacífica enfrentava enormes dificuldades de execução, devido à repressão da minoria branca. Dessa forma, transformou-se no mais importante líder popular da história da África do Sul e pela liderança na luta contra o racismo e pela democracia constituiu-se numa figura exponencial para todos os que acreditam num futuro melhor para todos.

    Mandela é uma dessas pessoas raras, abnegadas, que dedicam a vida à causa da humanidade para levar a mensagem de fé na própria humanidade e na justiça social com liberdade e igualdade de direitos. Por isso, conhecer a vida de Nelson Mandela é conhecer a história da África do Sul e do mundo do século 20.

    Violência cresce

    Mesmo assim, lembra Mônica, “vivemos uma onda conservadora com um ataque brutal aos direitos humanos e à liberdade de ir e vir das pessoas”. Ela se refere às imensas dificuldades colocadas pelas nações do Primeiro Mundo à entrada de imigrantes, em sua maioria, pretos e pobres. O Atlas da Violência 2018 constata essa dura realidade, inclusive em países emergentes como o Brasil do golpe de 2016.

    Para piorar, a Organização Não Governamental britânica Oxfam mostra que em 2017, 82% da riqueza produzida no mundo ficou nas mãos de apenas 1% da população, enquanto metade dos mais pobres ficou sem nada.

    No Brasil, um dos países de maior concentração de renda, uma pessoa que receba um salário mínimo por mês tem que trabalhar 19 anos para ganhar o salário mensal de 0,1% da população.

    Essa disparidade cruel reforça “os ataques aos imigrantes oriundos de países pobres, enquanto imigrantes brancos de países ricos são festejados”. Além disso, somente em 2016, foram assassinados mais de 30 mil jovens entre 15 e 29 anos no país, 70% negros, pobres, moradores da periferia.

    Por essas e outras é que a Organização das Nações Unidas (ONU) transformou o dia do seu aniversario, 18 de julho, como o Dia Internacional Nelson Mandela. Por isso, “devemos mais do que nunca, levantar bem alto a bandeira pela liberdade, pela superação da exploração do homem pelo homem, por igualdade de direitos, e paz no mundo”, reforça Mônica.

    Para ela, Mandela é um dos principais heróis da luta contra o racismo no mundo e, por isso, seu centenário deve ser celebrado por todos os que acreditam no mundo novo e no homem novo. “A força de Nelson Mandela está na alma de quem defende a justiça e a solidariedade”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB