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Qui, Jun

primavera feminista

  • Num espaço de poucos dias, uma menina de apenas 16 anos foi estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro e outra foi vítima de estupro coletivo no Piauí. As notícias chocaram. Até agora a polícia indiciou somente quatro rapazes do Rio de Janeiro, inclusive, um deles mantinha um relacionamento com a menina há pelos menos 3 anos.

    “A situação de vulnerabilidade das mulheres só tende a piorar com esse governo golpista que acabou com o ministério que cuidava de políticas públicas para as mulheres”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ela, “a instalação desse governo, que é defendido por homens que pensam como o Jair Bolsonaro, vem acarretando muitos problemas para as mulheres, porque machismo para eles é elogio”.

    Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no país. Mas o professor Robson Sávio, que gravou programa de rádio para o Sindicato dos Professores de Minas Gerais estima que esse número é ainda mais assustador porque muitas ainda não denunciam a violência (leia aqui).

    Também é muito comum no Brasil denúncias de assédio sexual no mundo do trabalho e no transporte público como mostra o Instituto Patrícia Galvão de que dobrou o número de abusos sexuais no metrô de São Paulo em 4 anos.

    A coordenadora-geral da União Brasileira de Mulheres (UBM), Lúcia Rincón, não tem a menor dúvida de que “a atual situação de intolerância e misoginia que vivemos em nossa sociedade favorece esse tipo de violência “, porque “o patriarcado tem medo da emancipação feminina”, reforça.

    Ivânia concorda com ela. “Os homens que agem dessa maneira se assustam com as conquistas de espaços que tivemos nos últimos anos e com a instalação desse governo golpista sentem-se impunes para se vingar dos avanços sobre a questão da igualdade de gênero”.

    A coordenadora do Grupo Especial de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (GEVID), do Ministério Público do Estado de São Paulo, Silvia Chakian, em entrevista à BBC Brasil afirma que a certeza da impunidade motiva esse tipo de crime.

    Eles "agem em grupo, gravam e publicam a própria prova do crime que praticaram”, acentua. Isso para Silvia, “mostra o descaso para eventuais responsabilizações, descaso com a Justiça". Já a Organização das Nações Unidas Mulheres (ONU Mulheres) do Brasil exige punição aos agressores.

    “A ONU Mulheres solicita, aos poderes públicos dos estados do Rio de Janeiro e do Piauí, que seja incorporada a perspectiva de gênero na investigação, processo e julgamento de tais casos, para acesso à justiça e reparação às vítimas, evitando a sua revitimização”.

    Lúcia defende a necessidade de intensificação de ações que combatam a violência contra as mulheres. “Precisamos nos manter nas redes e nas ruas divulgando nossos princípios de solidariedade, de justiça social, de crença em relações fundadas nos direitos humanos”.

    “Temos que combater a propagação de ideias de que o lugar da mulher se circunscreve ao lar como defende o patriarcado”, acentua Ivânia. “Mostrar que o lugar das mulheres é onde elas quiserem e que isto não é contra os homens, mas sim em defesa de direitos iguais”.

    Para Ivânia, os casos de estupros, mostram que o “capitalismo oprime a todos, mas principalmentes as mulheres". Por isso, diz ela, "exigimos a punição de todos os agressores imediatamente. Chega de impunidade e de conivência com a violência". 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O estupro bárbaro de uma adolescente no Rio de Janeiro, reacendeu com muita força o debate sobre as questões de gênero e como vencer a cultura do estupro em nossa sociedade.

    “A juventude, principalmente as meninas, está nas ruas e continuará até que nenhuma mulher seja estuprada no país”, diz a presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes.

    Ela entende que a cultura do estupro predomina no mundo, “não é só no Brasil”, afirma. “A questão só se alvoroçou após a divulgação desse crime hediondo de uma secundarista, ainda adolescente”.

    Isso, para Camila, mostra a necessidade imperiosa de o debate das questões de gênero ser levado para dentro da escola. “Já passou da hora de o debate ser colocado, estamos em pleno século 21 e esses machistas com medo de debater com a mulherada”, reforça.

    Ela conta também que a repressão às meninas está muito presente nas escolas. “A cultura do estupro é muito sentida por nós já no início da puberdade”, fala. “A violência está nos olhares, nas mexidas e às vezes nas tentativas de nos tocar sem nossa permissão”.

    A presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas (CTB-AM), Isis Tavares, confirma essa questão e conta que alguns anos atrás, em Manaus, fizeram uma atividade na escola pedindo para as crianças e jovens desenharem ou escreverem o que acontece em suas casas.

    Assista manifestação desta quarta (1) na Paulista, em São Paulo, "Todas Por Elas" (emocionante):

    “O resultado foi assustador. Muitos desenhos de crianças mostravam familiares no quarto e a menina gritando não, não”, revolta-se. Uma aluna de 14 anos, muito introvertida, magrinha e malvestida entregou o seu trabalho diretamente a mim e me contou sua história.

    “Ela me contou que o tio a molestava há anos, mas nunca foi houve penetração, mas que ela resolveu me contar porque acreditava que o mesmo tio molestava a sua irmã de apenas 10 anos”, relata Isis.

    Como educadora responsável, Isis contou para a mãe que ficou louca. “Ela vivia com um homem que não era o pai das meninas e levava as duas para a casa da mãe por questão de segurança e foi ali que aconteceu”.

    Camila diz que histórias como essas revoltam ainda mais as feministas mais conscientes, mas ela sabe que isso acontece em todos os lugares. “Nós vivemos com medo. Medo de andar sozinha a noite, medo e usar roupa curta, medo de usar transporte público”.

    Mas “precisamos encarar esses canalhas e mostrar que estupro não é sexo é crime, é desumanidade”, ataca. Ela acentua que também o assédio sexual deve ser coibido e punido quando necessário.

    “Os homens precisam entender que quando uma garota diz não quero, significa não quero e pronto", diz. “Inclusive nas escolas somos reprimidas por causa de nossas roupas, do cabelo e do comportamento, somos julgadas o tempo todo”.

    Ela explica que a Ubes recebe algumas denúncias como a de um professor de Goiás que trocava “favores sexuais” para dar nota boa às alunas. “Uma covardia sem fim”.

    Ela realça também que a mídia não cumpre o seu papel social de debater essas questões com seriedade. “Uma novela da Globo mostrava uma adolescente molestada pelo padrasto e incriminava a vítima, em vez do agressor”, reflete.

    Mas, a primavera feminista, desde o ano passado está movimentando a sociedade e forçando esse necessário debate. “Chega de mulheres e meninas estupradas todos os dias”, reforça Camila. “Estaremos nas ruas e nas escolas, todas por nós e sempre unidas vamos transformar o mundo. O machismo mata, mas o feminismo nos redime e constrói o mundo novo”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Eduardo Valente

  • A partir das 18h, a Praça Afonso Arinos, no centro da capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, será palco de mais um protesto pelo fim da violência contra as mulheres. A manifestação faz parte da campanha Ni Una Menos (Nenhuma a Menos). Saiba mais pela página do evento no Facebook aqui.

    O movimento que se empoderou (entenda o termo aqui) após o assassinato violento da menina Lúcia Pérez, de 16 anos, em Buenos Aires no dia 8 de outubro. O crime causou comoção mundial e a manifestação ocorreu em vários países no mesmo dia - 19 de outubro. Muitas manifestações se espalham pelo Brasil com a Primavera Feminista aderindo ao Ni Una Menos.

    “A sociedade brasileira se sente aprisionada com a velocidade dos projetos do governo golpista que retiram nossos direitos”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Ela lembra que John Lennon disse nos anos 1970 que a mulher era o negro do mundo, numa referência à escravidão e à exploração desumana. “A luta contra o machismo é a luta pela emancipação da humanidade, por isso as mulheres estão tomando as ruas como na Polônia, na Argentina, no Brasil, enfim no mundo todo para acabar com essa chaga”.

    “As manifestações vêm denunciando a cultura do estupro porque ninguém aguenta mais tamanha barbárie, as meninas estão sendo assassinadas com requintes de crueldade”, complementa.

    A sindicalista defende a unidade do movimento feminista e com isso “juntar toda a sociedade para acabar com o machismo. A mídia tem que assumir a responsabilidade de difundir a necessidade de políticas públicas que visem a igualdade de gênero, a começar pela educação, levando esse debate para dentro das escolas”.

    De acordo com Pereira, a sociedade está se degradando com tanta violência, tratando a mulher como objeto. “Num país como o Brasil onde os direitos humanos são cada vez mais desrespeitados, os direitos da classe trabalhadora e das chamadas minorias podem ir para o ralo se não fizermos nada. Devemos agir e unir todas as mulheres e fazer greve como as argentinas fizeram. Basta de violência”.

    São Paulo

    Ocorre nesta quinta-feira também um ato na frente do Tribunal de justiça do Estado de São Paulo, durante o a sessão de julgamento que apreciará o recurso de apelação da estudante de Medicina de 19 anos, vítima de estupro cometido por seu ex-namorado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O algoz foi absolvido no primeiro julgamento.

    Rio Grande do Sul

    Inúmeras entidades assinam nota de repúdio ao do deputado estadual e candidato a prefeito de Santa Maria (RS), Jorge Pozzobom (PSDB). Ele disse que daria de presente “um superbonder” para a sua empregada doméstica ao saber que ela estava grávida do quarto filho (leia a íntegra da nota aqui).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Paciência é uma virtude revolucionária, disse Lênin com toda a razão. O golpe vai galgando o poder passo a passo, mas não sem resistência, não sem luta e não sem todo o mundo saber que golpe é golpe.

    E não adianta todos os argumentos toscos de senadores, deputados federais, futuros ministros nomeados por esse governo interino, que já nasce sob a égide da desconfiança e da submissão ao capital internacional, sob o comando da família Marinho, dona da Rede Globo.

    Já nasce com o manto de golpista, antidemocrático e antipopular. Surge para golpear a classe trabalhadora, rasgando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e todas as conquistas sociais dos últimos anos.

    Não à toa, não há nenhuma mulher no ministério do governo golpista. Provavelmente porque para essa gente mulher somente no tanque e na cozinha. Retrocesso fundamentalista que se iguala ao Estado Islâmico, com a diferença de que esse é assumido. Os golpistas querem as mulheres caladas e subservientes. Duvido, no entanto, que consigam deter a privmavera feminista que está nas ruas, nas redes e na vida.

    Obviamente que as notícias ruins sumirão do noticiário e o governo golpista será exaltado pela mídia tupiniquim, já desacreditada no mundo inteiro. Compete a nós, neste momento, denunciar essa mídia para as brasileiras e brasileiros, mostrando os reais objetivos dessa gente.

    Na madrugada deste 12 de maio, sofremos mais um golpe. Duro é verdade, mas ainda há resistência e não podemos nos calar neste momento. “É preciso estar atento e forte”, diz a música dos anos 1960. Resistir é fundamental.

    Porque amanhã vai ser outro dia e a história não perdoa traidores. Nasce um governo provisório misógino, calcado no ódio, na violência, na discriminação e no patriarcado. A serviço de interesses de grandes corporações financeiras.

    Nasce ilegítimo e fadado ao fracasso. Natimorto. Zumbi de filmes de terror. Nasce para levar ao poder os setores mais atrasados da elite brasileira, que prefere manter seus dedos e anéis intactos, às custas da liberdade e da vida dos outros. Nasce para matar, mas pode morrer naufragado na própria soberba e na ilegitimidade.

    A sua tática agora fatalmente será consolidar-se no poder sob o manto da mentira e da corrupção escondida debaixo do tapete. E para manterem-se no poder, além de aumentarem as mentiras repetidas diariamente, terão que consolidar o golpe do impeachment.

    Mas para o golpe dar certo, terão que tirar Luiz Inácio Lula da Silva da disputa eleitoral, porque a eleição de 2018 faz parte da estratégia dos golpistas para conseguirem legitimidade.

    Por isso, é essencial seguir o exemplo dessa brava guerreira brasileira, Dilma Rousseff, que resistiu e resiste com a coragem de quem sabe que está do lado da história, da vida, da Justiça e principalmente do povo brasileiro.

    Perdemos mais uma batalha, mas ainda não perdemos a guerra. Foram 55 senadores que apoiaram o golpe nesta votação de admissibilidade. Para consolidar o impeachment, eles precisam de 54 votos. A presidenta Dilma teve mais de 54 milhões de votos e isso não conta para eles.

    A Globo e seus subalternos midiáticos jogarão todo o peso para manter esses votos e continuarão com os vazamentos seletivos de seus cúmplices da Polícia Federal, do Ministério Público e até do Supremo Tribunal Federal, que tem dado mostras de falta de coragem para seguir a Constituição.

    Mas jamais deterão as nossas consciências. A guerra ainda não acabou. A vida exige resistência, persistência e crença no futuro. Não na ponte quebrada dos golpistas sem voto, mas no futuro baseado na solidariedade, na igualdade de direitos e no respeito ao ser humano. Como disse Mano Brown, vocalista do grupo Racionais MC's sobre o dia 17 de abril. Para ele foi o "dia em que o povo virou as costas para a Dilma".

    O Brasil voltará a ser uma "república de bananas", quintal dos Estados Unidos ou o povo levantará a sua voz e defenderá suas casas, seus salários, seus empregos, as escolas de seus filhos e filhas, mais médicos ou se calará e consentirá no golpe, resta saber. Temos agora seis meses para que essa decisão seja tomada. 

    Marcos Aurélio Ruy é jornalista do Portal CTB.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.