Sidebar

19
Sex, Abr

PSOL

  • Artistas fazem ato pela democracia e contra a perseguição a Lula, em São Paulo

    Em dia de greve histórica dos metroviários, a Casa de Portugal ficou lotada para o Ato pela Democracia e pelo Direito de Lula ser Candidato. Não poderia ser diferente. Casa cheia ávida pelo discurso do protagonista da festa, na noite desta quinta-feira (18), na capital paulista.

    Ana Cañas, Leci Brandão, Renato Braz, Aílton Graça, Alice Ruiz, Odair José, Chico César, gente do rap e do funk e muitos outros marcaram presença e posição política contra o golpe de Estado de agosto de 2016 que tirou Dilma Rousseff da Presidência.

    Todos unidos pela fala do grande jurista Fábio Konder Comparato: “Precisamos organizar o povo, é ele que vai vencer a oligarquia” e complementou afirmando ser “indispensável tributar as grandes fortunas” para tirar o país da crise e combater as desigualdades.

    Celso Amorim, Gleisi Hoffmann (presidenta do PT), Walter Sorrentino (vice-presidente do PCdoB), Fernando Haddad, Raduan Nassar, Nita Freire, Gilmar Mauro (MST), Pedro Gorki (Ubes) e Guilherme Boulos (MTST) levaram solidariedde a Lula.

    Gilberto Maringoni, do PSol, afirmou que na quarta-feira (24) quem estará “sendo julgado somos nós e a democracia brasileira”. Ele defendeu a formação de uma frente ampla contra o golpe. Já Sorrentino falou sobre a necessidade de unidade popular para um projeto nacional de desenvolvimento.

    Representando a juventude, Marianna Dias, presidenta da União Nacional dos Estudantes, emocionou com seu discurso em favor da esperança. “A esperança dos indignados que lutam” e concluiu que “a democracia vai vencer com a força da juventude que resiste”.

    Para Gleisi Hoffmann esse processo é surreal. “Não é só porque não tem prova, é porque não tem crime”, disse. Como disse Leci Brandão, dirigindo-se a Lula, "a covardia está aí! A gente sabe que o grande problema é que os golpistas não aceitam o seu pecado, que foi tratar as pessoas com respeito, você respeita a diversidade do Brasil”.

    Por volta das 23h chegou a vez do discurso mais esperado. Luiz Inácio Lula da Silva com o microfone nas mãos começou dizendo não ter sido ele que chegou ao poder porque “fomos nós que chegamos. Não fui eu que governei, fomos nós que governamos”.

    E aí falou até quase meia noite sobre o seu processo, o que o governo de Michel Temer está fazendo com o patrimônio nacional e com os direitos da classe trabalhadora e não poupou a Rede Globo que age como partido político, mesmo tendo concessão pública para operar a TV, ainda, de maior audiência no país.

    Lula encerrou o ato afirmando que deseja ser candidato á Presidência para a Petrobras voltar a “financiar, através de royalties do pré-sal, a educação, a saúde, a ciência e a tecnologia” porque para a economia crescer o Estado “tem quer fazer mais investimentos”.

    Enfim, o ex-presidente disse querer voltar a governar para devolver o “Brasil para os brasileiros, a Petrobras para os brasileiros e não para eles”, referindo aos Estados Unidos, de onde conglomerados do sistema financeiro sustentam o golpe de Estado de 2016.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Mídia Ninja

  • Começa nesta sexta-feira (3) audiência pública sobre a descriminalização do aborto

    Começa nesta sexta-feira (3) a discussão sobre a legalização do aborto no Supremo Tribunal Federal (STF), a audiência pública vai até a segunda-feira (6) e conta com a participação de representantes da sociedade civil tanto pró como contra a descrimiminalização das mulheres que fazem aborto.

    "Não temos estatísticas precisas, mas sabemos que milhares de mulheres interrompem a gravidez por ano no Brasil", diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. O movimento feminista se une com o objetivo de cosnseguir esse "avanço civilizatório importante", afirma Celina. Sendo "necessário entender a legalização da possibilidade de se interromper a gravidez até a décima segunda semana de gestação como uma questão de saúde pública e de direito da mulher de decidir sobre o seu corpo".

    Por isso, a Frente Nacional Contra a Criminializaçao das Mulheres e pela Legalização do Aborto inicia uma campanha em todo o país contra a criminalização do aborto. “Temos um problema de saúde pública porque as mulheres pobres correm sérios riscos ao fazerem aborto em clínicas clandestinas sem a menor condição”, argumenta Celina. "Precisamos de políticas públicas que protejam e acolham as mulheres em situação de risco e o debate sobre a descriminalização do aborto se faz fundamental porque afeta profundamente a vida das mulheres".

    Em 2016, a primeira turma do STF revogou a prisão de médicos e funcionários de uma clínica de aborto do Rio de Janeiro. O ministro Luís Roberto Barroso afirmou que "como pode o Estado – isto é, um delegado de polícia, um promotor de justiça ou um juiz de direito – impor a uma mulher, nas semanas iniciais da gestação, que a leve a termo, como se tratasse de um útero a serviço da sociedade, e não de uma pessoa autônoma, no gozo de plena capacidade de ser, pensar e viver a própria vida?".

    Entre os dias 3 e 6, o STF promove audiência pública sobre a descriminalização do aborto até a décima segunda de gestação. A audiência conta com  transmissão ao vivo pela TV Justiça, pela Rádio Justiça e pelo canal do STF no YouTube. 

    Acompanhe a audiência ao vivo 

    Representantes da sociedade civil de setores variados, especialistas e instituições e organizações nacionais e internacionais poderão contribuir com o debate da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 442 (ADPF 442), ajuizada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSol).

    Na audiência, falarão representantes de 13 entidades em cada turno, sendo que cada um deles terá 20 minutos para fazer sua explanação. As brasileiras pretendem uma grande mobilização para repetir o sucesso que as argentinas, forçando a Câmara dos Deputados de seu país a aprovar a legalização do aborto, que agora terá votação no Senado.

    “Pretendemos chegar em 28 de setembro – Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Legalização do Aborto – com essa importante vitória”, assinala Celina. Caravanas de mulheres de todo o país já lota as proximidades do STF, em Brasília, nesta sexta-feira (3).

    Juntamente com as manifestações pela legalização do aborto, ocorrerá o Festival pela Vida das Mulheres, porque no Brasil ocorrem quase 5 mil feminicídios todos os anos. E são registrados quase 50 mil estupros anualmente, sendo que as estimativas apontam um número dez vezes maior.

    A proposta é usar as cores verde e roxa durante as manifestações, fazer debates, reuniões e tomar as ruas. Na quarta-feira (8) está programada uma manifestação em frente ao Consulado da Argentina, em São Paulo, na avenida paulista, 2.313.

    Contra as mulheres, existem projetos no Congresso Nacional para a criminalização do aborto em qualquer circunstância. A legislação brasileira permite a interrupção da gravidez em casos de etupro, risco de morte da mãe e anencéfalos (sem cérebro). “A nossa luta é pela vida das mulheres”, garante Celina. “Nos países onde o aborto é legalizado, essa prática diminuiu por causa do trabalho de educação promovido em torno do assunto”.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB. Foto: O Globo

  • Contra o meio ambiente e populações tradicionais, o governo paulista entrega parques a empresas

    A Cachoeira das Andorinhas , no Vale do Ribeira, é uma das belezas naturais que serão exploradas

    A mídia burguesa quase não publicou, mas na terça-feira (7), a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou o Projeto de Lei (PL) 249/2013, do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que libera 25 parques estaduais à iniciativa privada, por um prazo de 30 anos.

    Com o costumeiro autoritarismo, o governador e seus aliados não consultaram as comunidades indígenas e quilombolas, residentes em alguns desses parques. “É um verdadeiro atentado à natureza e às populações tradicionais, que tiram sua subsistência dessas regiões”, afirma Antoninho Rovaris, secretário de Meio Ambiente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    "Na prática o que esse projeto propõe é que essas áreas passem a ser exploradas por empresas que deverão cobrar ingressos da população que quiser ter acesso a esses locais. Fora isso, as áreas de manejo poderão ser exploradas de outras formas o que pode comprometer o equilíbrio ambiental da região", afirma a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB).

    Até a secretária estadual de Meio Ambiente, Patrícia Iglecias reconhece que "é possível ter cobrança de tarifa se isso ficar claro em um estudo, mas esse não é o objetivo. E mesmo em situações com cobrança de tarifa, o que se faz é regras para isenções para quem mora na região ou para quem é do município”.

    caverna do diabo eldorado

    Nem a famosa Caverna do Diabo escapa

    Rovaris diz que “é mais um projeto movido pela sanha capitalista, que não respeita absolutamente nada. Põe o lucro acima de tudo”. Para ele, “entregar à iniciativa privada áreas de conservação é contra qualquer atitude de bom senso. Significa apenas o começo de destruição que os neoliberais pretendem fazer”.

    A coordenadora do Programa Vale do Ribeira do Instituto Socioambiental, Raquel Pasinato, diz que as comunidades que, segundo ela, “já são parte da região”, não foram consultadas e podem ficar sem ter onde morar. Cinco áreas de conservação localizam-se no Vale do Ribeira e afetam várias comunidades.

    trilha Parque Estadual da Cantareira

    Trilha do Parque Estadual da Cantareira faz parte da lista privatista

    Já o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) diz que “agora estamos assistindo a essa afronta, a esse crime, de entregar 25 parques estaduais para madeireiras e empresas privadas”.

    A deputada estadual Marcia Lia (PT) reclama que “ninguém se dignou a chamar os ambientalistas” para debater sobre o PL. "Entendemos que aquela população que vive nesses parques, os caiçaras, os quilombolas, as populações ribeirinhas, os indígenas, enfim, toda essa população que vive há muitos anos nesses espaços será prejudicada”.

    David Martim, líder indígena da Aldeia Jaraguá, que fica no parque estadual de mesmo nome, também objeto da privatização, vê no projeto uma ameaça a anos de esforços pelo reconhecimento das terras indígenas. "Para nós, indígenas, nossa terra é a nossa casa", diz. Das três aldeias que formam o complexo tradicional, no Jaraguá, duas ainda aguardam demarcação.

    Abaixo a lista completa dos parques que serão privatizados:

    PE Campos do Jordão
    PPE Cantareira
    PE Intervales
    PE Turístico do Alto Ribeira
    PE Caverna do Diabo
    PE Serra do Mar (Núcleo Santa Virginia)
    PE Serra do Mar (Núcleo São Paulo)
    PE Jaraguá
    PE Carlos Botelho
    PE Morro do Diabo
    PE Ilha do Cardoso
    PE de Ilha Bela
    PE Alberto Löfgren
    Caminho do Mar
    Estação Experimental de Araraquara
    Estação Experimental de Assis
    Estação Experimental de Itapeva
    Estação Experimental de Mogi Guaçu
    Estação Experimental de Itirapina
    Floresta Estadual de Águas de Santa Bárbara
    Floresta Estadual de Angatuba
    Floresta Estadual de Batatais
    Floresta Estadual de Cajuru
    Floresta Estadual de Pederneiras
    Floresta Estadual de Piraju

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com Rede Brasil Atual, Portal Vermelho, Folha de S.Paulo e G1

  • De Shaperville à Marielle Franco: a resistência à discriminação racial

    Cena do filme "Corra!" (Get Out), de Jordan Peele, que denuncia o racismo (Crédito: Divulgação)

    O 21 de março foi instituído, em 1966, pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em homenagem às vítimas do episódio conhecido como Massacre de Shaperville, ocorrido nessa data em 1960.

    Em pleno apartheid (regime sul-africano de segregação racial, que vigorou de 1948 a 1994), a polícia da África do Sul reprimiu e matou 69 pessoas que participavam de uma marcha de mais de 20 mil negros contra a Lei do Passe, que determinava espaços restritos aos negros.

    “Combater o racismo é defender a emancipação da humanidade”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “O que está acontecendo atualmente no Brasil é assustador porque mostra uma virulência extremada contra uma população que foi o sustentáculo da nação por quase quatro séculos como escravos”, acentua.

    Para ela, no ano em que acontecem os 130 anos da Abolição, “é essencial refletirmos sobre as nossas ações para barrar o avanço das ideias conservadoras, racistas, sexistas e misóginas”.

    A sindicalista lembra ainda o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) no dia 14 deste mês. Para ela, esse crime hediondo remonta à mesma visão de ódio e de discriminação racial da África do Sul sob o apartheid.

    “O Brasil ainda não superou totalmente a mentalidade escravista. A reação às políticas afirmativas e mais ainda contra as pessoas que ousam levantar a voz pela igualdade de condições de vida está matando mais do que muitas guerras”, diz.

    marielle franco presente

    A questão é tão marcante, lembra Custódio, que uma empresária do Pará decidiu fazer a festa de 15 anos da filha com o tema “Imperial Garden" e postou nas redes sociais fotos de um ensaio preparativo da festa onde a menina está vestida de sinhá e é servida por atores interpretando escravos.

    A cena é tão grotesca que a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pará decidiu enviar uma representação ao Ministério Público pedindo providências. A empresária nega a acusação de racismo.

    Ela disse ao G1 que “racismo é uma acusação pesada. Em nenhum momento passou pela nossa cabeça menosprezar uma raça, tanto que em nossa família existem negros e índios”.

    Custódio comenta a atitude da empresária. “O racismo está tão internalizado, que as pessoas já acham natural discriminar negras e negros”. Nesse caso, “remontam ao passado escravista que parece estar na psiquê da elite brasileira”.

    Outro episódio demonstrativo da intolerância e do ódio às origens sociais e culturais africanas do Brasil, está no fato de o Sesi de Volta Redonda (RJ) ceder à pressão de grupos fundamentalistas religiosos proibindo a utilização do livro “Omo-Oba: Histórias de Princesas”, de Kiusam de Oliveira, mesmo depois de adotá-lo em seu currículo.

    Everaldo Vieira, secretário de Combate à Discriminação Racial da Fetim-BA, afirma que o ódio já atinge níveis inimagináveis e é necessário reagir. Após o assassinato de Marielle Franco, “milhares de Marielle surgiram e se espalham por todo canto deste país” dando uma lição de mobilização política pela “eliminação do racismo, do ódio, da intolerância religiosa” e a defesa intransigente “dos direitos humanos”, lutando pela “retomada da economia, da soberania, da inclusão e do poder político nas mãos da classe trabalhadora”.

    Custódio concorda com ele afirmando que “é fundamental o movimento sindical atuar de forma mais contundente pela igualdade, combatendo o genocídio da juventude negra e a discriminação racial no mundo do trabalho, onde os negros ganham menos e as negras salários muito menores ainda”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Mobilização total para lotar as ruas do Brasil neste sábado (20) contra o retrocesso

    Agora é Haddad para o Brasil voltar a crescer com justiça social (Foto: Ricardo Stuckert)

    Há dias que ficam para a história. O próximo sábado, 20 de outubro, será um deles. Neste dia, através de uma grande mobilização nacional, o povo irá manifestar seu amor pelo Brasil, por essa pátria tão forte quanto diversa. Vamos levantar nossas vozes, em cada cidade, para rechaçar os ataques e ameaças à nossa democracia e aos nossos direitos políticos e sociais.

    Um dos candidatos que disputam o segundo turno se posiciona explicita e orgulhosamente como o representante de tempos sombrios da história brasileira, superados pela resistência e manifestação massiva do povo brasileiro que resultou na redemocratização e na derrota da ditadura militar, que perdurou por 21 anos.

    A candidatura de Jair Bolsonaro apoia a ditadura militar, defende explicitamente a violação dos direitos humanos, questiona os direitos das minorias, e a ocorrência comprovada de torturas. Além disso, ameaça constantemente com a quebra da normalidade democrática. Suas mal apresentadas propostas indicam um projeto político de continuidade e aprofundamento dos ataques aos direitos políticos e sociais do povo brasileiro.

    Nunca na história do Brasil tivemos tanta necessidade de resguardar a Constituição. O nosso voto nesse pleito eleitoral pode impedir que a democracia brasileira fique em mãos perigosas e inescrupulosas, que já deu provas do que representa.

    Do outro lado, temos a candidatura de Fernando Haddad que, neste segundo turno, representa uma Frente Ampla pela democracia, com os apoios dos partidos (PDT, PSB e PSOL) e também de um conjunto de lideranças, artistas, movimento social e cívico que tem como objetivo resguardar a democracia e nossos direitos políticos e sociais impondo uma derrota nas urnas a Jair Bolsonaro e o seu projeto de atraso. Só o voto em Haddad, pode impor essa derrota. Por isso agora todos/as somos #HaddadSim.

    As mulheres foram para as ruas no primeiro turno e com uma imensa manifestação do #EleNão e ajudaram a garantir o segundo turno. Agora é preciso que toda a sociedade civil, mais uma vez, se organize para mostrar a nossa indignação e amor pelo Brasil, resistir e virar o jogo nas urnas no dia 28 de outubro.

    Vamos derrotar novamente todos aqueles que querem tirar os direitos trabalhistas, civis e sociais, aqueles que querem devastar o Brasil e entregar todas as nossas riquezas, como a Amazônia e o pré-sal. Vamos imprimir uma fragorosa derrota àqueles que não querem ver o povo brasileiro com toda a sua diversidade como protagonista de sua história e do país.

    Em defesa do Brasil, da democracia e dos direitos. Vamos às ruas!

    Movimento Mulheres Unidas Contra Bolsonaro
    Frente Brasil Popular
    Frente Povo Sem Medo

  • Não deixe que a política radical de Marielle seja explorada ou apagada

    No domingo (18), a Rede Globo dedicou 45 minutos de seu popular programa “Fantástico” à execução de Marielle Franco e ao assassinato de seu motorista, Anderson Gomes. Essa história vem dominando as manchetes no Brasil durante a última semana, e continua recebendo destaque em órgãos de imprensa do mundo todo.

    Esse não foi um caso em que a cobertura da Globo elevou uma história à proeminência nacional. Muito pelo contrário: O que nós vimos foi a Globo tentando assumir o controle de uma história que explodiu online graças ao ativismo cidadão e à raiva inconformada causada pelo crime, sem que se precisasse de ajuda ou amplificação dos grandes veículos de imprensa. Essa é uma das poucas vezes em que a grande mídia brasileira foi uma espectadora, não o motor, de uma história.

    A Globo pôde ver que a reação ao assassinato de Marielle vinha crescendo e se fortalecendo, indo em direções que deixam as elites brasileiras profundamente desconfortáveis. A cobertura que vimos ontem no Fantástico foi a tentativa da Globo de retomar o controle da narrativa.

    Houve partes da reportagem do Fantástico que foram genuinamente informativas e jornalisticamente impecáveis, em especial a exposição detalhada e baseada em fatos de Sonia Bridi, onde ela mostrou o, de forma assustadora, o profissionalismo e a competência demonstrados pelos criminosos, indicando de maneira convincente que seja lá quem tenha sido o mandante dessa execução sabia exatamente como o crime seria investigado pela polícia e como evitar detecção. Esse fato aterrorizante é uma peça fundamental do quebra-cabeça que é entender quem mandou matar Marielle.

    Outras partes foram verdadeiramente comoventes e apresentadas de forma belíssima, em especial as entrevistas com Mônica Tereza, a esposa inconsolável de Marielle, a sua filha, seus pais e sua irmã. A inclusão proeminente da vida e morte de Anderson, bem como uma entrevista conduzida forma muito delicada com sua viúva, são também elogiáveis.

    O programa fez jus à trajetória notável e inspiradora da vida de Marielle: da pobreza, privação e maternidade solteira aos 19, ao curso de Mestrado, ativismo pelos direitos humanos, empoderamento político e votação massiva em sua candidatura à câmara municipal em 2016.

    Esse não foi um momento insignificante na mídia brasileira: uma negra, lésbica, da Maré e do PSOL homenageada e glorificada numa das plataformas de mídia mais importantes da Globo, com milhões de pessoas assistindo. A esposa de Marielle foi incluída com destaque, e não escondida.

    As perspectivas de vários políticos de esquerda e ativistas foram incluídas de maneira respeitosa. E eles condenaram e criticaram os politicos e juízes de direita que vem espalhando mentiras sobre a vida de Marielle. Tudo isso deve ser celebrado.

    Mas Marielle era, antes de tudo, uma pessoa política: uma radical, no melhor e mais nobre sentido da palavra. Foi seu radicalismo que a tornou uma inspiração para tantos indivíduos sem voz, e uma ameaça a tantos grupos poderosos e corruptos. Seu ativismo e suas crenças políticas eram a essência de Marielle, uma parte fundamental de sua identidade, a peça central daquilo que a tornou uma figura com tanta força e poder.

    O crime que terminou com sua vida foi também estritamente político. Não há maneira de compreender a vida e o assassinato de Marielle sem uma sincera e clara discussão de sua vida política. O que faz de seu caso tão jornalisticamente relevante é sua política, que por sua vez produziu os motivos políticos para que alguém a quisesse morta. Estes são os assuntos mais difíceis e complicados, além de os mais importantes, na cobertura da vida e da morte de Marielle.

    E foram estes assuntos que o Fantástico evitou quase completamente – com exceção do momento em que os manipulou descaradamente para seus próprios interesses. No único trecho em que tratava de sua vida política, o fazia de maneira banal, com uma discussão condescendente da definição de “direitos humanos”, que o Fantástico basicamente reduziu a uma declaração paliativa e incontroversa de que todos os humanos nascem livres e devem ser tratados igualmente: proposições que virtualmente todo político brasileiro, da direita à esquerda, endossaria alegremente.

    O Fantástico drenou a política de Marielle de sua vibração, seu radicalismo e sua força, e a converteu em um gibi simplista de clichés vazios que, na prática, não seriam questionados por ninguém.

    Extinguir a sensibilidade política real de Marielle foi crucial para alcançar os objetivos da Rede Globo. As emoções derivadas do brutal assassinato de Marielle foram contundentes e poderosas. A questão é: para que fins estas emoções serão direcionadas? Que consequências elas forjarão?

    Em última análise, o que o Fantástico realmente buscava se tornou cristalino no fim de sua cobertura. Tomaram o poder ainda crescente da história de Marielle, e tentaram limita-lo à uma simples e apolítica história de interesse ordinário, algo que nos faz chorar, sentir-nos tristes, empáticos, e talvez até irritados, mas não de uma maneira que faria o espectador adotar as causas de Marielle, ou devotar sua vida à agenda política que ela simbolizava.

    A Rede Globo e seus companheiros da elite cultural enxergam um grave perigo nos efeitos do assassinato de Marielle. Eles podem ver que o caso está acordando pessoas tradicionalmente desapoderadas para a crueldade das desigualdades sociais e da intolerável criminalidade de suas forças policiais. O crime está estimulando moradores de favelas a se organizar e mobilizar.

    RJ - Rio de Janeiro - 03/15/2018 - Vel river of the councilwoman Marielle Franco - Women raise their hands in protest of the death of Marielle. The morning of this Thursday (15) in Cinel India, the wake of the councilwoman Marielle Franco, who was murdered last night in the center of Rio, after reporting abuses committed by police officers in Acari. Photo: Ian Cheibub / AGIF (via AP) As mulheres levantam as mãos em protesto contra a morte de Marielle no Rio de Janeiro em 15 de março de 2018. Photo: Ian Cheibub/AGIF/AP
    Esse crime está apontando um dedo não para os traficantes de drogas ou criminosos comuns – a narrativa favorita da Globo – mas às forças utilizadas pelas elites do país para impor seus interesses e assegurar seus privilégios: seus exércitos, suas polícias, seu sistema político tradicionalmente masculino, branco e rico.

    São estes grupos e essa política que Marielle dedicou sua vida a combater – uma luta que vai muito além da agradável, inapelável e inócua ideia de “direitos humanos” que o Fantástico priorizou. Aqueles que se sentem ameaçados pelo ativismo e pelos princípios políticos de Marielle percebem que sua morte está fortalecendo esta luta – e querem desesperadamente redirecionar estas poderosas emoções para longe do que ela acreditava e inspirava, em direção a uma ameaça menor ao poder do status quo.

    Leia mais

    De Shaperville à Marielle Franco: a resistência à discriminação racial

    É por isso que o Fantástico investiu pesado nas emoções humanas nesta reportagem – o sofrimento, o choro dos parentes, o assassinato de um pai de família trabalhador que sustentava seu bebê, a raiva que todos sentimos quando uma vida humana é violentamente extinta, a música fúnebre que nos deixa tristes – e ignoraram os aspectos políticos assustadores da vida de Marielle.

    A Globo sabe que não pode deter ou limitar o poder das emoções, então ela tenta torná-lo apolítico e portanto inofensivo. Ela quer que toda essa tristeza e indignação caiam no buraco negro da irrelevância política, como uma de suas super-emotivas novelas, onde o assassinato de Marielle não tenha significado nenhum além de deixar as pessoas um pouco mais irritadas com a escalada da violência no Brasil.

    Mas ainda pior que a supressão das convicções politicas de Marielle foi a tentativa do Fantástico de despolitizar sua morte – ao tentar explorar a imagem de Marielle para obter apoio à uma política que ela detestava: a “intervenção” militar de Michel Temer no Rio de Janeiro. Depois de 45 minutos construindo tristeza e raiva pelo assassinato, o Fantástico canalizou esses sentimentos de forma manipulativa e exploradora, subvertendo as causas políticas de Marielle.

    Imediatamente em seguida aos segmentos homenageando Marielle veio um sobre o assassinato horrível de uma criança no complexo do Alemão, indo em seguida para um repórter em Brasília que informou que o presidente estava naquele momento em uma reunião com ministros em busca de mais recursos para a intervenção.

    Foi nesse momento que ficou clara a agenda odiosa e ameaçadora do Fantástico. Não se tratou somente de eliminar o riso de que a morte de Marielle galvanizasse apoio para a causa política à que ela dedicou sua vida. Foi ainda pior: exploraram a morte de Marielle para fortalecer tudo que ela lutou contra.

     A mensagem do Fantástico foi tão óbvia quanto foi detestável: “agora que passamos todo esse tempo te deixando triste e com raiva pelo assassinato brutal de Marielle, você deve entender que a intervenção militar de Temer é justificada”. Oficiais do PSOL e outros ativistas de esquerda reconheceram imediatamente o que estava acontecendo e denunciaram essa distorção.

    Glenn Greenwald é jornalista e editor do Intercept Brasil. 

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Observatório da Democracia é lançado em Brasília

    Durante seminário sobre as perspectivas do governo Bolsonaro, as fundações do PCdoB, PT, PSOL, PDT, PSB e Pros lançaram nesta quinta (31), em Brasília, o Observatório da Democracia.

    Acesse o Observatório da Democracia aqui!

    De acordo com texto base de fundação, o Observatório nasce com o compromisso de manutenção da soberania e da democracia no País.

    “A conjuntura cobra absoluto monitoramento do governo atual, com posições em relação a ele, a partir da produção de informações consistentes e verdadeiras”, diz  James Lewis, representante da Fundação João Mangabeira (PSB).

    Frente Ampla em defesa da democracia, do Brasil e dos direitos do povo

    Durante a tarde o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, comentou a necessidade das forças progressistas de buscarem a construção de uma frente ampla. "Essa visão de frente ampla, nas condições atuais, tem como centro de gravidade, o seu mote, a defesa da democracia ameaçada como posição para o avanço das outras grandes bandeiras. Porquanto o pressuposto da liberdade politica, partidária, sindical, minorias, de organização e mobilização popular é que permite prosseguir na luta pelos direitos do nosso povo e a soberania nacional. As ameaças à liberdade política são explícitas – o governo tem um ímpeto saliente de autoritarismo e tendência fascistizante" destacou Renato.

    "Como se relaciona as forças populares ou uma frente popular, que reúna a esquerda com a frente ampla? Os comunistas do PCdoB, com sua longa experiência nesses períodos antidemocráticos e de restrição às liberdades têm pontuado que o campo popular deve se constituir como um núcleo da frente democrática ampla, procurando indicá-la para as posições oposicionistas mais consequentes. São frentes de conteúdo popular dentro de uma frente maior de perfil democrático. Desse modo, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo devem fazer parte dessa frente sem diluir-se nela, mas sendo uma base de unidade popular dentro da frente maior. Daí a importância da crescente unidade popular" completou o presidente da FMG.

    Ato de lançamento

     

    Ao final do dia, lideranças nacionais dos seis partidos participaram de um grande ato de lançamento do Observatório. As presidentas nacionais do PCdoB, Luciana Santos e do PT, Gleisi Hoffmann, além do ex-candidato a presidente da República Guilherme Boulos participaram da atividade.

    A presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuca, Luciana Santos lembrou que "é preciso mais do que nunca que a gente aprofunde esse debate e faça a resistência necessária. Resistência, amplitude e muita sagacidade".
    Ela reafirmou a necessidade das forças progressistas lutarem pela democracia.  "Nós precisamos garantir um processo de acúmulo de forças pela democracia. Bandeira que por si só é ampla" afirmou Luciana.

    Portal CTB - Com informações do Portal Vermelho

  • Presidente da UDR vai coordenar a “reforma agrária” de Bolsonaro

    A cada hora uma notícia desagradável emerge das hostes do futuro governo Bolsonaro. Reportagem do jornal “Folha de São Paulo” desta quinta-feira (22) informa que o presidente eleito criou uma secretaria de Assuntos Fundiários, subordinada ao Ministério da Agricultura, para gerenciar a reforma agrária. Será chefiada pelo atual presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Nabhan Garcia.

    Seria cômico se não fosse trágico. A UDR foi fundada em 1985 com o objetivo de defender os interesses dos latifundiários brasileiros na Constituinte e combater a reforma agrária. Conforme registra o Wikipedia “a entidade notabilizou-se na segunda metade dos anos 1980 por sua disposição beligerante no campo. Entre 1985 e 1989, quando se encontrava no pico de suas atividades, as mortes no campo chegaram a 640”.

    Milícias e fraudes

    Em 2005, o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Terra, deputado João Alfredo (PSOL - Ceará) pediu o indiciamento de um grupo de pessoas, dentre as quais o presidente da UDR, Nabhan Garcia, por apropriação ilegal de terra pública, falso testemunho e ameaça. Além dos indiciamentos, o relator pediu que o Ministério Público de São Paulo apurasse o possível envolvimento da UDR com milícias privadas no Pontal do Paranapanema. O relator pediu também a investigação de outras cinco pessoas por fraude envolvendo títulos de propriedade de terras pertencentes à União.

    A UDR inspirou a criação do Grupo de Defesa da Propriedade, uma organização composta por fazendeiros e empresários do setor rural que atua de modo radical na defesa dos grandes fazendeiros pressionando membros dos poderes Judiciário e Executivo, governos estaduais e federais ou formando milícias para a defesa de suas propriedades. Sua atuação no campo é caracterizada pela ampliação e consolidação da violência.

    Mas Garcia, que é amigão do presidente eleito, declarou que vai realizar uma reforma agrária “saudável, sem invasões” e “com pessoas que têm vocação. Não vai ter mais reforma ideológica”. Em matéria de cinismo, falsidade e demagogia Bolsonaro e Cia não encontram rivais, são mesmo os campeões.

  • STF recebe ação pedindo a suspensão da reforma do ensino médio

    "Dispor por medida provisória sobre tema tão complexo, que claramente não reclama urgência, é temerário e pouco democrático, por impor prazo extremamente exíguo para debate que já está ocorrendo nos meios educacionais e, sobretudo, no Congresso Nacional”, diz trecho da ação movida pelo PSOL.

    O partido entrou no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (28), com um pedido de Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) à Medida Provisória (MP) 746. “Muito boa essa ação do PSOL porque não se pode brincar de mudar a educação sem um amplo debate com os setores envolvidos e com a sociedade”, afirma Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    O PSOL argumenta que a questão deveria ser debatida amplamente, incluindo as diversas visões de entidades de professores e estudantes, "e não ter sido encaminhada de forma unilateral, como fez o governo".

    Já a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) defende que a reforma imposta pelo governo golpista tem um “caráter limitador de direitos e de expectativas de aprendizagens”.

    Para a Contee, os estudantes do ensino fundamental também perdem por causa da revogação da Lei 11.161/2005, que determina o ensino de espanhol. Porque acaba com a “valorização da cultura latino-americana que vinha sendo feito pelas escolas de ensino médio, sobretudo das regiões de fronteira”.

    A entidade anuncia que também ingressará com uma Adin contra a MP 746, para “suspender os efeitos dessa lei impositiva (e impostora), implementada por meio de medida provisória”. Já o deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE) apresenta 28 emendas à MP.

    Lopes explica que as suas emendas pretendem neutralizar os efeitos negativos da MP 746, justamente porque "o ensino médio tem sido um dos gargalos da educação básica, seja pelo reduzido acesso de adolescentes e jovens em relação aos concluintes do ensino fundamental, seja pelas dificuldades de permanência e êxito dos alunos”.

    Para o PSOL, a medida pauta, dessa forma, a segmentação e o empobrecimento da aprendizagem, “reduzindo o conhecimento comum e restringindo o acesso à informação em toda sua riqueza”.

    O deputado lembra que existe "o Projeto de Lei 6840/2013, sobre a reforma do ensino médio, que está pronto para ser votado, após passar por um amplo debate com a sociedade. Também por isso, não se justifica tentar impor de cima para baixo uma reforma tão abrangente”.

    Betros argumenta que é “inadmissível qualquer proposta de mudança na educação sem debate. E fazer isso através de medida provisória mostra o caráter desse governo golpista, além de representar a privatização do ensino médio e o fim do sonho dos filhos dos trabalhadores em ingressar na universidade”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • STF retoma audiência sobre a descriminalização do aborto e católicas dão seu recado; assista

    O Supremo Tribunal Federal (STF) reinicia, nesta segunda-feira (6), a audiência pública sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 442 (ADPF 442), ajuizada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

    A discussão começou na sexta-feira (3) e a relatora da ação, ministra Rosa Weber deverá apresentar seu relatório após a manifestação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge se pronunciar a respeito. Depois o pleno do STF deve votar.

    Leia mais

    Começa nesta sexta-feira (3) audiência pública sobre a descriminalização do aborto

    Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, defende a necessidade de um amplo debate sobre o tema com base na Pesquisa Nacional de Aborto, da Anis: Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, em parceria com a Universidade de Brasília.

    Assista o documentário das Católicas pelo Direito de Decidir 

    De acordo com o estudo, 78% das mulheres que decidem pela interrupção da gestação já possuem filhos e 65% delas são casadas ou em relacionamentos estáveis. “O maior problema reconhecido por todas as pessoas que estudam o tema é a violência contra as mulheres pobres e a intromissão sobre a vida das mulheres, impedindo-as de decidir e querendo controlar-lhes as ações”, diz Celina. 

    A sindicalista lembra que há projetos no Congresso Nacional para criminalizar o aborto em qualquer circustância e o "Estatuto da Família, que de família não tem nada, que coloca o feto acima da mulher".

    Viver sem medo e com direito à decisão

    Visão compartilhada pela grafiteira Gabi Bruce no documentário “Mosaico: ADPF 442 e descriminalização do aborto no Brasil”. A artista de rua afirma que a forma de parir quando você é branca é um processo, quando você é negra é outro processo”.

    Ela conta sobre a sua gestação. Porque quando quis para si um processo de gestação com toda a segurança, foi questionada: “isso é coisa de rico”, diziam a ela. Por isso, Gabi defende que “a maternidade deve ser uma escolha”.

    Celina argumenta contra a violência crescente no país vitimando milhares de mulheres todos os anos. Ela lembra que o aborto é permitido pela legislação em casos de estupro, risco de morte das mães e embriões anencefalos. "Ser mãe não pode ser uma obirgação determinada pelo Estado", além disso, diz que "o excessivo número de mortes de mulheres por causa de abortos mal feitos não pode continuar". 

    O estudo da Bioética, coordenado por Débora Diniz, Marcelo Medeiros e Alberto Madeiro, mostra também que mais de meio milhão de mulheres realizam aborto inseguro todos os anos, quase uma por minuto. Entre 2006 e 2015, dado mais recente, o Brasil registrou 770 óbitos por abortos mal feitos, no Sistema Único de Saúde (SUS).

    Já a MC Brisaflow questiona o papel do Estado e os interesses da sociedade patriarcal sobre os corpos das mulheres. “Por que é tão vendido que é tão legal ser mãe?”, pergunta. Sem deixar livre a opção.

    “A mulher que faz o aborto é nossa vizinha, parente, colega de trabalho, Impossível não ter várias conhecidas que recorreram ao aborto inseguro”, aponta, para a revista CartaCapital, a doutora em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da USP e pesquisadora na área de direitos reprodutivos femininos, Deborah Delage.

    nempresanemmorta

    Já Zeca Rosado, coordenadora do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, apoia a descriminalização do aborto com base em argumentos dos próprios dogmas da igreja católica.

    Ela cita o “recurso à própria consciência” e a máxima de que “onde há dúvida, há liberdade”. Zeca afirma que “a sociedade mudou, as mulheres mudaram” e não querem o destino somente de serem mães. Toda “pessoa nascida com vida, depende da proteção do Estado”, afirma a religiosa, como consta na Constituição Federal.

    Um grande número de mulheres rumou para Brasília com intuito de acompanhar a audiência pública e de verde e roxo mostram a força das mulheres e introduzem a campanha #NemPresaNemMorta, hashtag que viraliza na internet contra a criminalização das mulheres que fazem aborto, acompanhe a página oficial do movimento aqui.

    Como diz Celina, “a maioria que fala contra o aborto nessa audiência defende posições sem nenhuma racionalidade porque querem que o Estado seja submetido à religião e que se intrometa na vida das mulheres, como o patriarcado sempre fez, impedindo-as de serem donas de seus próprios destinos”.

    Ficha técnica do documentário

    “Mosaico: ADPF 442 e descriminalização do aborto no Brasil”. Com roteiro e direção de Elisa Gargiulo, o vídeo mescla os depoimentos da médica ginecologista Ana Lucia Cavalcante, da compositora e MC Brisaflow, de Gabi Bruce, grafiteira, ilustradora, produtora cultural, militante do movimento Hip Hop e iarobá, e também de Maria José Rosado, socióloga e presidenta da organização Católicas pelo Direito de Decidir. O minidoc conta ainda com o apoio do Fundo Elas.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB