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Seg, Jun

Rússia

  • A alegria dos senegaleses em sua vitória sobre a Polônia contagiará os brasileiros? (Foto: Fifa)

    Os resultados da 21ª edição da Copa do Mundo de Futebol, na Rússia, comprovam a tese de especialistas do esporte de que a atuação dos atletas difere em jogos amistosos e em campeonatos oficiais, principalmente no maior deles: a Copa do Mundo.

    E apesar da demonstração de mau caráter de um grupo de torcedores brasileiros, a Copa segue ainda sem empolgar muito a torcida canarinho, justamente porque quando ameaçou pegar, a seleção brasileira jogou um balde de água fria na esperança, jogando mal contra a Suíça. Mas nesta sexta-feira (22), a equipe comandada por Tite pode se recuperar.

    A bola cheia até o momento vai para a boa vitória do Senegal, única seleção, entre as 32 da Copa, a ter um técnico negro, contra a Polônia, por 2 x 1, na terça-feira (19). Valeu uma alegre comemoração de senegaleses nas ruas de São Paulo.

    Na rodada da quarta-feira (20), Portugal venceu o Marrocos e a Espanha derrotou o Irã, ambos por 1 x 0, as seleções europeias somam quatro pontos e o Irã três por ter vencido o Marrocos no primeiro jogo. Grupo ainda indefinido. Portugal enfrenta o Irã e a Espanha o Marrocos na próxima rodada.

    O Uruguai derrotou a Arábia Saudita pelo mesmo placar em que derrotou o Egito em sua estreia nesta Copa: 1 x 0. A seleção sul-americana soma seis pontos e já está classificada juntamente com a Rússia para a próxima fase. As duas seleções se enfrentam na última rodada desta fase para decidir o primeiro lugar do grupo A.

    Nos jogos desta quinta-feira (21), a Dinamarca enfrenta a Austrália, às 9h. Duas seleções que vêm participando das últimas copas e mostrando bom futebol, mas ainda não emplacaram. Às 12h entram em campo França e Peru.

    Duas seleções de tristes recordações para o Brasil. Em plena ditadura militar, em 1978, na Copa na Argentina, o Peru enfrentou a seleção da casa numa disputa direta com o Brasil, sendo o slado de gols fundamental para a classificação da nossa seleção. Os hermanos precisavam golear e venceram por 6 x 0, num episódio que ficou marcado por uma suposta entrega de jogo pelos peruanos.

    Já a França como todo mundo sabe derrotou o Brasil na final de 1998 em seu país por 3 x 0, num jogo também marcado por estranhas circunstâncias com uma suposta convulsão sofrida pelo atacante Ronaldo, que teria entrado em campo apenas por exigência de patrocinadores. Já em 2006, a mesma França eliminou o Brasil na segunda fase do campeonato.

    A Argentina tenta se recuperar da péssima atuação contra a Islândia, às 15h contra a Croácia. Os croatas que já venceram a Nigéria por 2 x 0 têm mostrado um bom futebol em copas, desde o fim da Iugoslávia no início dos anos 1990. A vida do time de Lionel Messi não está fácil.

    Já o Brasil enfrenta a Costa Rica, nesta sexta-feira (22), às 9h pela sua reabilitação e para ganhar a confiança da torcida. Lembrando aos atletas brasileiros que jogo é jogo, treino é treino e não existe mais time “bobo” em Copa do Mundo. Um pouco de amor ao país pode fazer bem.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • A Copa da Rússia começou com 32 seleções de países de todos os continentes. Agora as 16 melhores colocadas na fase de grupos se enfrentam num esquema de “mata-mata”, ou seja a equipe vencedora segue adiante e a outra volta para casa, com o consolo de estar entre as 16 melhores do mundo, dentre as quais não está mais a Alemanha, uma das surpresas negativas da 21ª Copa do Mundo da Federação Internacional de Futebol (Fifa).

    Neste sábado (30) se enfrentam as seleções da Argentina e França, às 11h e Uruguai e Portugal, às 15h. Os vencedores jogam pelas quartas de final, na sexta-feira (6), às 11h. 

    Já no domingo (1º) jogam Espanha e Rússia, às 11h e a Croácia pega a Dinamarca, às 15h. Os vencedores se enfrentam no sábado (7), às 15h.

    O Brasil entra em campo na segunda-feira (2) contra outro latino-americano, o México, às 11h. A Bélgica pega o Japão, único asiático a se classificar para esta fase, às 15h. Se o Brasil passar pelos mexicanos pega o vencedor desse jogo, na sexta-feira (6), às 15h.

    Encerram as oitavas a Suécia contra a Suíça, às 11h e a Colômbia versus a Inglaterra, às 15h, na terça-feira (3). Os vencedores fazem as quartas de final no sábado (7), ás 11h. Os quatro times que vencerem fazem a semifinal.

    As bolas fora dos torcedores brasileiros e também de outros países assediando as mulheres estraga o espetáculo, mas a festa segue e os babacas vão ficando para trás. São boas as chances de ao menos uma seleção latino-americana chegar à final no domingo (15). Será o hexa tão desejado desde a conquista do penta em 2002.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Numa longa e dura audição no Congresso dos EUA, Michael Cohen comparou Donald Trump a um chefe da máfia, e acusou-o de o ter obrigado a mentir sobre os pagamentos para abafar relações extraconjugais.

    Em muitos aspectos, a aguardada audição do antigo advogado pessoal de Donald Trump no Congresso norte-americano esta quarta-feira (27), tem sido tudo aquilo que prometia ser: horas e horas de um espetáculo televisivo impensável há poucos anos, com Michael Cohen a descrever um Presidente dos EUA em exercício como uma espécie de chefe da máfia, habituado a mandar ameaçar os inimigos e a mentir de forma descarada para atingir os seus objetivos

    Mas a forma como os congressistas do Partido Republicano trataram esta testemunha da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, pondo em causa a sua credibilidade de uma forma por vezes brutal, indica que os dois lados da barricada – o Partido Democrata e o Partido Republicano – podem estar já a montar o cenário para uma peça ainda mais dramática: a abertura de um processo de impeachment do Presidente Trump na Câmara dos Representantes.

    "Vergonha" de defender Trump

    Quando Michael Cohen chegou ao Congresso para ler o seu depoimento inicial, por volta das 9h30 locais, as palavras que ia disparar contra Trump já eram conhecidas, uma vez que foram previamente divulgadas pela imprensa norte-americana.

    "Tenho vergonha de ter participado na ocultação dos atos ilícitos do sr. Trump, em vez de prestar atenção à minha própria consciência. Tenho vergonha, porque sei o que o sr. Trump é. É um racista. É um vigarista. É batoteiro."

    Para além das questões de carácter, que foram muito discutidas em milhares de notícias sobre Donald Trump nos últimos anos (desde que anunciou a sua candidatura à presidência dos EUA, em Junho de 2015), o depoimento de Michael Cohen voltou a implicar o presidente norte-americano em crimes durante a campanha e já na Casa Branca.

    Michael Cohen voltou a dizer, no Congresso, que Donald Trump o reembolsou dos pagamentos a uma antiga atriz de filmes pornográficos. Meses antes das eleições de novembro de 2016, a atriz, conhecida como Stormy Daniels, pediu 130 mil dólares para não contar que teve relações sexuais com Trump – um escândalo que poderia prejudicá-lo nas eleições. Cohen diz que fez esse pagamento por ordem de Trump, e que este lhe passou cheques quando já era presidente dos EUA.

    Não é claro se esta informação vai acrescentar algo às investigações que ainda estão a decorrer – a do procurador Robert Mueller, supervisionada pelo Departamento de Justiça, mas também as do Congresso.

    Cohen levou com ele a cópia de um cheque assinado por Trump, com dinheiro retirado da sua conta pessoal, mas isso pode ser pouco relevante. No ano passado, depois de meses a negar ter feito quaisquer pagamentos para abafar antigos casos amorosos, o Presidente norte-americano admitiu que passou cheques em seu nome pessoal, querendo dizer que o caso não pode ser visto como um problema de campanha eleitoral, mas sim da sua vida privada.

    Crimes sem acusação

    Mas a questão é que a decisão final sobre se Trump pode vir a responder em tribunal por quaisquer crimes, enquanto está a cumprir mandato na Casa Branca, cabe ao chefe do Departamento de Justiça. E o recém-empossado general William Bar, é conhecido por defender a tradição do departamento de considerar que um presidente em exercício não pode responder em tribunal.

    Como colaborador muito próximo de Trump durante mais de uma década, entre 2006 e 2018, Michael Cohen foi arrastado para o centro da investigação sobre as suspeitas de conluio entre a campanha de Trump e a Rússia nas eleições de 2016, liderada pelo procurador especial Robert Mueller.

    Em abril de 2018, o FBI fez buscas nos seus escritórios e em sua casa, e o então advogado do presidente transformou-se rapidamente num alvo importante do procurador Mueller – em dezembro de 2018, foi condenado a três anos de prisão, depois de se ter declarado culpado de vários crimes de fraude fiscal e bancária.

    Por isso, é difícil que Michael Cohen tenha dito alguma coisa na sua audição no Congresso que a equipe do procurador especial não conheça. O que empurra tudo o que se passou esta quarta-feira para uma realidade paralela, que parece estar a ganhar forma num Congresso dividido: estará o Partido Democrata a preparar terreno para a abertura de um processo de impeachment?

    Pressão sobre o Partido Democrata

    Em causa está a forma como os congressistas do Partido Republicano trataram Michael Cohen, bombardeando o antigo advogado – e os milhões de norte-americanos que acompanharam a audição ao vivo – com duras acusações contra o seu carácter.

    Afinal, Michael Cohen admitiu, em dezembro, que mentiu ao Congresso em 2017 sobre os negócios de Trump na Rússia – por isso, argumentaram os congressistas republicanos, como se atreve o Partido Democrata a pôr no lugar de testemunha principal, na Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, um "mentiroso compulsivo condenado"?

    A atitude agressiva dos congressistas republicanos revela também que o partido permanece ao lado do Presidente Trump – e se esteve ao lado dele até agora não é provável que o abandonem por causa do depoimento de um antigo advogado que trataram como se fosse um ser abjeto.

    É uma forma de desacreditar Michael Cohen como principal testemunha num possível processo de impeachment contra Trump, desejado por alguns dos congressistas do Partido Democrata da ala mais progressista, eleitos em novembro do ano passado.

    Mas se a maioria da Câmara dos Representantes abrir um processo de impeachment, isso está longe de significar que o presidente será destituído. Para que isso aconteça, é preciso que o Senado julgue as acusações desse impeachment e que condene o presidente com uma maioria de dois terços – um cenário pouco provável num Senado de maioria republicana e em que os congressistas conservadores se mantêm ao lado de Trump.

    Seja como for, o episódio joga luz sobre a personalidade do presidente dos EUA, que se arvora ditador do mundo e cujo governo está empenhado neste momento em desestabilizar e destruir a Venezuela para se apoderar das maiores reservas de petróleo do mundo sob a falsa bandeira da defesa da democracia e dos direitos humanos.

    Fonte: artigo de Alexandre Martins no site português Público

  • Que os jogadores brasileiros joguem com alegria e possam comemorar uma boa atuação. Vitória é consequência

    A partir das 9h desta sexta-feira (22) começa a definição do futuro da seleção brasileira na Copa do Mundo 2018, na Rússia. Uma derrota como aconteceu com os argentinos complica o futuro da seleção no campeonato.

    A Argentina perdeu por 3 x 0 para a Croácia, já classificada para a próxima fase com duas vitórias. A derrota deisou os hermanos em situação extremamente difícil com apenas um ponto (que dó).

    Depois do mau resultado no empate com a Suíça pelo placar de 1 x 1, em sua estreia da Copa da Rússia, embalada pela mídia tupiniquim, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) protocolou na Federação Internacional do Futebol (Fifa) reclamações contra o árbitro mexicano César Ramos, que teria deixado de apitar um pênalti e não assinalado uma falta do atacante suíço que fez o gol de empate.

    Faltou autoconfiança aos atletas brasileiros na primeira partida e faltou mais ainda sentimento de brasilidade, entrega e amor ao esporte. Perder ou ganhar, às vezes empatar, faz parte do jogo, mas o jogo é jogado como dizem especialistas em futebol.

    Qualidade técnica o Brasil tem. Mas para superar os adversários numa Copa do Mundo é preciso mais do que malabarismos. É necessário empenho. Não se pode imaginar jogadores como Garrincha, Pelé, Didi, Domingos da Guia e tantos outros craquesficarem lamentando más arbitragens e não superarem determinações táticas e atuarem sem medo de serem felizes, sem medo de errar. Só erra quem tenta.

    Contra a Suíça, os jogadores brasileiros pareceram estar com medo de tentar as jogadas e errarem e serem condenados pela mídia, como aconteceu, por exemplo, com o goleiro da seleção de 1950, Moacir Barbosa Nascimento, que foi eleito pela mídia como o culpado pela derrota na final da Copa, em pleno Maracanã, no Rio de Janeiro, para o Uruguai por 2 x 1.

    A mídia é implacável com o seus “galvões buenos” que têm sempre que apontar um culpado como bode expiatório para a derrota. Por isso, Nelson Rodrigues já dizia que os jogadores precisam de atendimento psicológico para suportar a pressão.

    Uma vitória contra a Costa Rica, país da América Central, nesta sexta pode deixar o time mais solto, confiante e com isso jogar melhor. Ganhar ou perder faz parte do jogo, mas é preciso jogar bem e com vontade de vencer.

    Outros jogos

    A Islândia, que empatou com a Argentina em sua estreia, enfrenta a Nigéria, derrotada pela Croácia. Uma vitória sobre os africanos piora ainda mais a situação da seleção sul-americana. Fecha essa rodada o jogo entre a Sérvia e a Suíça, do grupo do Brasil, que precisa vencer hoje para ainda sonhar com o título.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Robert Michael/AFP

  • A seleção de Adenor Leonardo Bachi faz sua estreia na Copa do Mundo 2018, no verão da Rússia, maior país do mundo em extensão, neste domingo (17), às 15h (horário de Brasília), contra a seleção da Suíça, sem esconder o jogo. A escalação já está definida pelo técnico Adenor, mais conhecido como Tite, que mostra confiança na jovem equipe que comanda.

    Nesta primeira fase, a seleção brasileira está no grupo E que além da Suíça tem Costa Rica e Sérvia. 

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    Escalação da seleção brasileira repete a equipe que venceu a Áustria no último amistoso antes da Copa (Foto: CBF)

    Nesse jogo de estreia contra a gélida Suíça, acostumada a jogar na retranca, tanto que em 2006, na Alemanha, foi eliminada na segunda fase nos pênaltis, pela Ucrânia, sem sofrer gols no tempo normal de jogo. Foram quatro empates em 0 x 0.

    Tite renovou a equipe brasileira e deu consistência tática ao time. O diferencial do futebol brasileiro está justamente na qualidade individual de seus atletas. Resta saber se ao entrar em campo na Arena Rostov, o talento individual dos jogadores brasileiros estarão a serviço do coletivo, formando uma equipe com o propósito de jogar bom futebol e vencer.

    Sem mania de passado, mas inspiram jogadores como Garrincha, Didi, Pelé, Djalma Santos, Sócrates, Tostão, sempre atuando de forma objetiva e com sentimento de equipe. E desta vez não será preciso combinar com os russos, como disse Garrincha ao técnico para mostrar que a determinação tática dependeria também da circunstância e do talento dos jogadores.

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    Treinamento da seleção canarinho (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

    De acordo com Tite, os onze atletas que entrarão em campo são Alisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda, Marcelo, Casemiro, Paulinho, Philippe Coutinho, Willian, Neymar e Gabriel Jesus. Um time que pode fazer a diferença, se entrar com disposição e sentimento de brasilidade.

    Essa estreia mostrará a que veio essa seleção, que pode recuperar o brilho do futebol brasileiro. A conferir.

    Serviço

    O que: Copa do Mundo 2018 - Brasil x Suíça

    Onde: Arena Rostov (Rússia)

    Quando: Domingo (17), às 15h (horário de Brasília)

    Escalações prováveis:

    Brasil: Alisson; Danilo, Miranda, Thiago Silva, Marcelo, Casemiro, Paulinho, Philippe Coutinho; Neymar, Willian e Gabriel Jesus.

    Suíça: Bürki; Lichtsteiner, Schär, Djourou e Moubandj, Xhaka, Behrami , Dzemaili, Zuber, Gavranovic e Shaqiri.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Inglaterra e Tunísia se enfrentaram na França em 1998 (Foto: Getty Images)

    Três jogos dão sequência à 21ª Copa do Mundo de Futebol, na Rússia. O dia começa com a Suécia enfrentando a Coreia do Sul, às 9h. A Bélgica joga contra a seleção do Panamá, em sua primeira participação em Copa do Mundo, às 12h.  

    Mas a partida do dia é entre a Inglaterra e a Tunísia, na expectativa de um bom futebol. Já que três das candidatas ao título decepcionaram na primeira vez que entraram em campo nesta Copa. A campeã de 2014, a Alemanha perdeu para o México por 1 x 0, a Argentina empatou em 1 x 1 com a Islândia e o Brasil também empatou com esse placar com a Suíça.

    Mas o jogo que chama mais a atenção é a estreia da Inglaterra contra a Tunísia, às 15h. Campeã uma única vez em 1966, em seu país, a seleção inglesa sempre é uma das forças do futebol, já que o esporte nasceu em terras britânicas, dizem historiadores.

    Os primeiros resultados mostram que as seleções não estão para brincadeiras. Inglaterra e Tunísia se enfrentaram pela última vez na Copa do Mundo da França, em 1998, com vitória da seleção devota à Rainha Elizabeth 2ª, por 2 x 0, mas vinte anos depois os tunisianos prometem resistência.

     Brasil: um jogo para esquecer

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     Neymar decepcionou junto com toda a equipe na estreia contra a Suíça (Foto: UOL)

    A seleção brasileira não começou bem, mas pode se recuperar. Jogou mal e cedeu empate à Suíça. Faltou confiança e jogadas individuais mais ousadas para furar o bloqueio costumeiro feito pelos suíços. Restam duas partidas pela primeira fase e Neymar, Gabriel Jesus, Coutinho e companhia precisam se soltar em campo e acreditar no potencial da equipe.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Rússia goleia a Arábia Saudita na abertura da Copa do Mundo 2018 (Foto: UOL)

    Depois de golear a Arábia Saudita por 5 x 0 na abertura da Copa do Mundo 2018, a dona da casa Rússia volta a campo nesta terça-feira (19), às 15h (horário de Brasília) contra o Egito. Sem tradição no futebol, essa é a terceira participação da seleção egípcia no mundial da Federação Internacional de Futebol (Fifa). As outras duas ocorreram na Itália (1934 e 1990).

    Já a Rússia, após o fim da União Soviética, em 1991, só não participou da edição de 2010, na África do Sul, mas não teve nenhum grande destaque nos mundiais. Neste ano, não disputou as eliminatórias por ser o país sede do evento e até o momento foi a única seleção a golear um adversário.

    O primeiro jogo desta terça-feira é entre a Colômbia e o Japão, às 9h. O país sul-americano tem progredido no futebol, mas ainda não conseguiu nenhum grande resultado em Copas do Mundo, já o Japão apresenta um futebol veloz, mas precisa evoluir na qualidade técnica para almejar resultados melhores.

    Na outra partida dessa rodada entram em campo a Polônia e o Senegal, às 12h. Esta é a segunda Copa da seleção seleganesa. A outra foi em 2002, na Coreia do Sul e Japão, ficando em sétimo lugar. Na primeira fase venceu a França por 1 x 0, empatou com a Dinamarca 1 x 1 e com o Uruguai 3 x 3. Nas oitavas de final venceu a Suécia por 2 x 1 e nas quartas de final perdeu para a Turquia por 1 x 0.

    Já a seleção polonesa traz em seu currículo dois terceiros lugares. Em 1974, na então Alemanha Ocidental, a Polônia venceu o Brasil por 1 x 0 e em 1982, na Espanha, venceu a disputa com a França por 3 x 2.

    Bichos escrotos

    O maior vexame da Copa até o momento está por conta de um grupo de turistas brasileiros que propagam vídeos assediando mulheres que não entendem nada do que eles falam, achando que isso tem graça. Tipo de gente sem nada na cabeça e que acham que podem fazer qualquer coisa porque têm dinheiro. Dificilmente serão superados em estupidez. Bichos escrotos é pouco para esses que envergonham a nação brasileira lá fora.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) expressa seu mais veemente repúdio ao assassinato do Embaixador da Rússia na Turquia, Andrei Karlov, morto nesta segunda-feira (19). 

    O diplomata realizava um discurso durante a abertura da exposição "Rússia com olhos dos turcos" na capital do país, Ancara, quando um homem vestido de terno e gravata disparou pelo menos oito tiros contra ele que não resistiu aos ferimentos.

    A CTB se solidariza com a família do embaixador, o povo e o presidente russo, Vladmir Putin e ratifica seu apoio às contundentes ações e esforços da Rússia em defesa da paz na Síria e em toda a região.

    O apoio da Rússia ao governo sírio foi essencial para a recente libertação de Alepo na reconquista das áreas ocupadas por rebeldes extremistas, apoiados por potências imperialistas ocidentais e países da região.

    Além de ser um ato de barbárie, este atentado tem por objetivo causar tensão e desestabilização regional, ao tratar-se do assassinato de um diplomata cujo ofício, por definição, é a promoção da paz e do diálogo.

    Adilson Araújo, presidente da CTB 
    Divanilton Pereira, secretário de Relações Internacionais 

    Foto: EPA/SERGEI ILNITSKY

  • “A violência contra as mulheres cada vez mais toma caráter inimaginável, porque quando pensamos que não se pode ser mais babaca, machista e misógino, alguns homens brasileiros se superam”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    A ativista feminista e sindicalista mineira se refere à agressão cometida por um grupo de turistas brasileiros na Copa do Mundo 2018 a uma jovem russa. “Esse tipo de gente enxerga as mulheres como meros objetos para a sua luxúria, por isso utilizam de palavras de baixo calão sem que a moça soubesse o significado porque certamente não sabem conversar com uma mulher”, acentua Arêas.

    Quatro dos agressores foram identificados. Diego Valença Jatobá é advogado e político no interior de Pernambuco. Tanto que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Pernambuco divulgou nota condenando a atitude de Jatobá.

    “A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco, por intermédio da Comissão da Mulher Advogada, reafirma seu compromisso de trabalho incansável para que os princípios do Estado Democrático de Direito sejam resguardados, proporcionando-se às mulheres a garantia de exercício de suas liberdades individuais e sexuais, com igualdade de espaço, de oportunidades e, sobretudo, de tratamento", diz trecho da nota.

    Outro agressor identificado é o tenente da Polícia Militar de Santa Catarina, Eduardo Nunes. A PM catarinense afirma que abrirá inquérito administrativo disciplinar por conduta incompatível e promete apurar os fatos e tomar providências.

    Os outros dois são Luciano Gil Mendes Coelho, engenheiro civil, de Picos (PI) e Felipe Wilson, supervisor de vôo da Latam, em Guarulhos (SP).

    Assista a estupidez dos turistas brasileiros 

    Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ, revela ter ficado estupefata com tamanha agressão “à todas as mulheres do mundo. Essa atitude francamente anti-mulher beira a insanidade mental. A que ponto podem chegar homens para agredir mulheres?”, questiona.

    O ataque misógino à jovem russa ocorreu no sábado (16) e os agressores filmaram e postaram em redes sociais no Brasil e na Rússia. “Certamente porque se acham impunes”, diz Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP.

    Ela lembra que  Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que 1/3 das mulheres no mundo sofrem ou sofrerão violência de gênero. “O que eles ganham com isso senão a vontade de diminuir as mulheres porque têm medo delas”, sintetiza.

    A jornalista Julieth González Therán, enviada especial da Deutsche Welle a Moscou, ainda nem tinha começado a Copa e numa reportagem um homem apareceu de surpresa a agarrou e beijou seu rosto sem a permissão dela.

    “Não merecemos esse tratamento. Somos igualmente competentes e profissionais. Compartilho a alegria do futebol, mas devemos identificar os limites entre afeto e assédio”, postou a repórter colombiana em seu Twitter.

    A agressão dos brasileiros está em todas as conversas, sendo que a atitude “da maioria das pessoas é de repugnância”, conta Érika Piteres, secretária da Mulher da CTB-ES. “Algumas pessoas começam a achar que é natural agredir mulheres, pensam que nós gostamos disso, mas estão redondamente enganados, porque nós queremos é ser respeitadas”.

    Os Titãs têm uma composição em homenagem a esses assediadores: "Bichos escrotos"

    No Brasil a situação de vida das mulheres beira a calamidade como mostra o Atlas da Violência 2018, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Somente em 2016, foram mortas 4.645 mulheres, um acréscimo de 15,3% sobre 2015. No mesmo ano, as polícias brasileiras registraram 49.497 estupros no país, sendo que 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos, lembrando que pelos estudos do Ipea, somente 10% das vítimas denunciam os estupros.

    Além disso, os ataques às jornalistas têm se tornado corriqueiros tanto que elas criaram a página no Facebook Deixa Ela Trabalhar. “Parece que está tudo do avesso e o normal é agredir as mulheres”, assinala Arêas. “Precisamos nos unir ainda mais e dar um basta em tudo isso”.

    Acompanhe a página Deixa Ela Trabalhar aqui.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Reprodução

  • Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Na última terça-feira (7), a Revolução Russa completou seu centenário e Moscou foi palco de uma grande manifestação que iniciou com uma caminhada do monumento de Pushkin até a Praça da Revolução em frente ao Teatro Bolshoi onde está um imponente busto de Marx concluindo com um ato e show.

    Mais de 5.000 pessoas de todo o mundo participaram da celebração. A Federação Sindical Mundial (FSM) participou da homenagem representada pelo membro do Conselho Presidencial da organização, Vincent Kapenga e pela diretora da central indiana (AITUC), Vahidha Nizam.

    Confira abaixo o vídeo:

    Portal CTB 

     

     

     

  • A decadência dos EUA e a ascensão da China são os fenômenos econômicos e geopolíticos mais relevantes do nosso tempo. Eles dão o tom dos conflitos internacionais e explicam a estratégia agressiva dos EUA para preservar e se possível ampliar a sua hegemonia.

    Entre os meios usados pelo império para manter o domínio global destacam-se a chamada guerra híbrida e as revoluções coloridas, que transformaram a realidade do Oriente Médio e levaram a mudanças de regime no leste europeu favoráveis a Washington e contrários aos interesses da Rússia. Esta, sob o governo Putin, transformou-se na mais forte e poderosa aliada da China na batalha por uma nova ordem internacional esboçada em iniciativas como a formação do Brics, a criação do Banco Asiático de Investimentos e Infraestrutura e de uma nova “Rota da Seda”.

    Os países da América Latina e Caribe também são palcos deste duelo, com os EUA em aliança com as forças conservadoras locais, principalmente as de extrema-direita, trabalhando para destruir as experiências de governos progressistas que, eleitos pelo povo, que derrotaram a Alca (em 20015) e deflagraram um processo de transição geopolítico na região hostil a Washington, que estimulou golpes de Estado em Honduras (2009), no Paraguai (2012) e Brasil (2016) para reverter o cenário político.

    Objetivos na Venezuela

    Neste momento, a Casa Branca não poupa esforços e conspira abertamente para derrubar o regime bolivariano liderado por Nicolás Maduro, que significativamente é apoiado por Moscou e Pequim. São dois os principais objetivos dos EUA na Venezuela: apoderar-se das maiores reservas de petróleo do mundo e conter a expansão da China na região que os imperialistas norte-americanos consideram como seu “quintal’. O resto é retórica sem substância real.

    A China é a nação mais rica e mais próspera do globo hoje. O histórico das estatísticas econômicas revela a superioridade do seu socialismo de mercado sobre o capitalismo neoliberal do Ocidente. O governo estadunidense, presidido pelo bilionário Donald Trump, iniciou uma temporada de guerra comercial contra o gigante asiático com o objetivo de interromper e reverter a sua ascensão. Até agora não teve êxito, mas estende sua estratégia agressiva não só para o campo comercial. Suas apostas provavelmente contemplam também a chamada guerra híbrida e lembram os eventos de 1989 na Praça da Paz Celestial, nos quais ficaram impressas as impressões digitais subversivas do poderoso império.

    Abaixo reproduzimos reportagem publicada recentemente no jornal “Valo Econômico”, assinada por Katsuji Nakazawa e intitulada “Exigências dos EUA abalam as bases do poder na China”, sobre o alarme que autoridades chinesas fizeram soar sobre a necessidade de prevenir contra a tentativa de fazer vingar no país uma “revolução colorida”. As frases entre parênteses foram observações críticas acrescentadas pela Redação do Portal CTB.

    Aniversário da revolução

    A polícia da China terá de impedir uma “revolução colorida” neste ano, o 70º aniversário da fundação da República Popular da China. A afirmação foi feita recentemente por uma importante autoridade da ordem pública, surpreendendo analistas da China no exterior.

    A advertência veio de Zhao Kezhi, conselheiro de Estado e ministro da Segurança Pública, uma autoridade com poderes de vice-premiê, encarregada de manter a ordem pública. É raro que autoridades chinesas se referirem publicamente à necessidade de evitar levantes populares num país em que o regime do Partido Comunista é tido como perfeito.

    Mas, no discurso feito na reunião nacional anual do ministério, em 17 de janeiro, Zhao disse que a polícia precisa “enfatizar a prevenção e oposição a ‘revoluções coloridas’, e lutar com firmeza para proteger a segurança política da China”. A transcrição do discurso se encontra no site do ministério.

    Defender o sistema socialista

    “Temos de defender com firmeza a liderança do Partido Comunista Chinês e o sistema socialista de nossa nação”, afirmou ele, acrescentando que a polícia precisa ainda “reagir contra todos os tipos de infiltração e atividades subversivas de forças estrangeiras hostis”.

    O termo revoluções coloridas é uma referência aos movimentos de democratização que varreram a extinta União Soviética, o Leste Europeu e o Oriente Médio nas últimas décadas, derrubando regimes autoritários duradouros (na verdade, trata-se de governos aliados à Rússia, substituídos por aliados de Washington; na Ucrânia foi instalado um governo golpista de feição neofascista apoiado pelos EUA e a Otan).

    Muitos movimentos receberam o nome de cores de flores. A Revolução Laranja de 2004-2005 na Ucrânia é um exemplo, assim como a Revolução Jasmim de 2010-2011 na Tunísia, que desencadeou a Primavera Árabe.

    A China também registrou clamores parecidos em 2011, mas mensagens disseminadas na internet foram rapidamente sufocadas, com as autoridades entrando em modo de gerenciamento de crise.

    Números invejáveis

    A economia da China cresceu 6,6% em 2018 e foi novamente estimulada no começo deste mês por um aumento de 8,5% no consumo no feriado do Ano Novo chinês. Embora os dois números sejam invejáveis pelos padrões globais, eles não dão aos líderes chineses conforto suficiente.

    Olhando em retrospecto, a economia chinesa vem crescendo desde a introdução, em 1978, da política de “reforma e abertura”. Apesar dos altos e baixos, a população chinesa não interrompeu sua marcha em busca de mais prosperidade. Seu sentimento de satisfação com a política econômica tem sido a pedra fundamental da legitimidade do partido para governar.

    É difícil prever o que acontecerá numa sociedade acostumada a crescer 10% ao ano se, de repente, o bolo crescer pouco. Mas essa incerteza provavelmente é o que levou o presidente Xi Jinping a alertar para o risco de um “cisne negro” em um pronunciamento recente. A expressão refere-se a eventos inesperados de grandes proporções.

    Estratégia de Big Data

    Por décadas a China alertou contra a teoria da Evolução Pacífica, uma crença de que o Ocidente, principalmente os Estados Unidos, estariam tentando transformar gradualmente o sistema socialista da China via meios pacíficos.

    O Ocidente, diz a tese, faria isso espalhando ideias políticas e estilos de vida ocidentais e incitando o descontentamento, encorajando grupos a se mobilizar e a enfrentar o Partido Comunista.

    A ansiedade é um reflexo do trauma sofrido pela China ao assistir o colapso da União Soviética, em 1991. A cautela da China com a teoria da Evolução Pacífica posteriormente se transformou em vigilância contra a ameaça mais iminente das revoluções coloridas.

    No discurso de janeiro, o chefe de polícia, Zhao Kezhi, falou sobre como evitar uma revolução colorida. A polícia vai empregar uma “estratégia de Big Data”, disse ele, e usar tecnologia digital de ponta.

    Na China, já aconteceu de um criminoso procurado pela Justiça ser presos num grande show de música. Câmeras de vigilância instaladas nas arenas e outros espaços públicos permitem o uso de sistemas de reconhecimento facial. O mesmo sistema monitora hóspedes que chegam a hotéis.

    Supremacia tecnológica

    Essa estratégia de Big Data é viabilizada por empresas de tecnologia como a Hikvision Digital Technology e Hytera Communications. Sediada em Hangzhou, a Hikvision é a maior fabricante de câmeras de vigilância do mundo, enquanto a Hytera, sediada em Shenzhen, é uma grande fabricante de equipamentos de rádio e sistemas de rádio para a polícia.

    Essas empresas estão agora no centro da disputa entre os EUA e a China que, à primeira vistas parece envolver questões econômicas e comerciais, mas no fundo é uma luta pela supremacia tecnológica.

    Os EUA começaram a impor sanções a essas companhias com a aprovação da Lei de Autorização de Defesa Nacional, no terceiro trimestre de 2018. A partir de agosto de 2020, empresas que estiverem usando em seus escritórios produtos fabricados por cinco companhias chinesas de tecnologia, incluindo a Hikvision e a Hytera, serão proibidas de fazer negócios com órgãos do governo dos EUA.

    Mobilizar o Big Data e acelerar a “China Digital” são pilares importantes do “Made in China 2025”, o programa chinês de desenvolvimento de setores “high-tech”. Washington já exigiu que a China abandone totalmente a iniciativa.

    O controle duro exercido pela China sofre a informação é bem representado pelo bloqueio a plataformas internacionais de redes sociais, como Google e Facebook. O temor é que o fluxo livre de informações possa ameaçar o sistema de governo do Partido Comunista (afinal, conforme mostraram informações vazadas pelo Wikileaks as grandes empresas de informática dos EUA estão associadas ao serviço de espionagem global montado pela CIA, NSA e Pentágono).

    Enquanto isso, o WeChat e outras redes sociais chinesas podem ser usadas livremente nos países ocidentais. O Ocidente teme que, por meio delas, informações possam ser coletadas em todo o mundo pela China. Memes da internet que criticam o Partido são deletados e, em alguns casos, as contas são suspensas abruptamente.

    Com uma confiança recém-adquirida em suas habilidades de tecnologia da informação, a China está trocando sua tradicional posição defensiva por uma mais ofensiva, tentando ampliar o alcance de sua rede de informações.

    A batalha pela supremacia dos dados é o que está por trás da decisão de excluir a gigante tecnológica chinesa Huawei Technologies do fornecimento de infraestrutura para as redes de comunicação 5G da próxima geração. Os EUA querem impedir que informações de todo o mundo, inclusive do próprio país, fluam para a China.

    Enquanto houver confronto, são mínimas as possibilidades de a China permitir buscas no Google e acesso ilimitado ao Facebook em seu território, sem censura.

    Guerra comercial

    Permitir isso afetaria a base da política de propaganda e de governança do partido. O mesmo vale para as negociações comerciais entre EUA e China, que entraram numa fase crítica antes do prazo final de 1º de março para que os dois países cheguem a um acordo.

    O representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, que liderou a delegação americana em Pequim, na semana passada, disse que “questões estruturais” são importantes, assim como mecanismos para fazer a China cumprir os acordos. Mas a China insiste que é impossível mudar a base de seu sistema econômico. As divisões entre os EUA e a China são grandes.

    O principal foco das negociações sino-americanas não está mais no desequilíbrio comercial bilateral. Está na “proteção da segurança política da China”, segundo disse o ministro da Segurança Pública, Zhao, em seu discurso.

    As exigências comerciais dos EUA se aproximam do centro do regime do partido. A insistência de Washington para que Pequim elimine os subsídios às estatais chinesas é um exemplo disso.

    O fortalecimento das empresas estatais é um dos pilares da “nova era” de Xi. O próprio presidente chinês faz vários apelos por estatais “mais fortes, melhores e maiores”. Se os EUA interferirem, as conquistas de Xi poderão ser invalidadas, e sua autoridade, minada (note-se que a política da China, neste e em outros aspectos, é uma antítese da receita neoliberal que o governo estadunidense pretendem impor a todo o mundo).

    Até mesmo companhias estatais ineficientes podem ter lucro e sobreviver na China, pois recebem tratamento favorável do governo, que permite seus oligopólios.

    Além do mais, mudanças de pessoal na cúpula das estatais são feitas com o mesmo mecanismo que o partido e o governo usam no rearranjo de suas lideranças. Executivos graduados de estatais são trocados regularmente segundo interesses do Comitê Central do partido. Eles não são executivos no sentido ocidental da palavra, e sim burocratas que desempenham um papel no Partido Comunista.

    Assim, Xi não pode negar a si próprio esse pilar da “nova era”. Como a liderança chinesa não pode abrir mão de seu controle sobre o Big Data, que ela usa para manter a rede de vigilância que, acredita, irá evitar uma revolução colorida.

    Antes das negociações comerciais da semana passada, o presidente americano, Donald Trump, não deixou claro se se reuniria com Xi, pressionando o líder chinês. O governo Trump ameaça aumentar as sobretaxas impostas a US$ 200 bilhões em produtos importados da China, de 10% para 25%, se não houver acordo até 1º de março. O tempo está acabando (na verdade já acabou sem que se chegasse a um acordo e um novo prazo final para o encerramento das negociações foi fixado: 27 de março, quando Trump tem um encontro marcado com Xi na Flórida).

  • A parceria entre China e Rússia ganhou novo impulso na última semana, com o encontro dos presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin em Moscou na véspera da comemoração do Dia da Vitória, 9 de maio, no 70º aniversário da vitória da União Soviética contra a Alemanha nazista. Os dois mandatários fecharam um acordo de US$ 25 bilhões em empréstimos chineses a empresas russas e diversos outros compromissos mútuos, inclusive um pacto pelo “reforço da aliança global” entre as duas nações.

    O presidente chinês enalteceu a “forte amizade” entre Pequim e Moscou, nascida, conforme afirmou, “nos combates da 2ª Guerra Mundial”, nos quais os dois povos guerrearam contra o eixo nazifascista - os soviéticos lutaram contra os alemães enquanto os chineses enfrentaram o imperialismo japonês. Putin afirmou que a China “é a principal aliada estratégica da Rússia”. Os dois líderes alertaram para o risco emergente do neofascismo no mundo.

    Merece também registro a realização da “Cooperação Marítima 2015”, exercício militar conjunto das duas potências nucleares no Mediterrâneo. Uma coluna de tropas chinesas participou da parada do Dia da Vitória, em mais um sinal da “forte amizade” mencionada por Jinping. Registre-se que os dois países, componentes do Brics, também fecharam recentemente um ousado acordo energético que em 30 anos pode mobilizar US$ 400 bilhões.

    Contraponto

    O fortalecimento da parceria entre Rússia e China ocorre no momento em que se acirram os conflitos diplomáticos entre os EUA e o governo Putin, alvo de sanções econômicas e uma dura campanha de isolamento e desestabilização, que o império promove em aliança com as potências capitalistas da Europa manobrando a perigosa situação da Ucrânia (onde patrocinaram um golpe e a ascensão de neofascistas ao poder) e procurando expandir o domínio da Otan na região.

    O governo Obama pretende sufocar Putin com as sanções e forçar a Rússia ao recuo e à humilhação na Ucrânia. Pressionados pela Casa Branca, os líderes do chamado Ocidente (EUA, União Europeia e Japão) boicotaram a comemoração, que não obstante reuniu 30 líderes estrangeiros e o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. Foi um acontecimento emblemático das transformações que estão em curso no mundo e das contradições a elas subjacentes.

    A China não só não aderiu às crescentes hostilidades do império contra Putin como faz gestos e toma atitudes concretas para evitar o isolamento político e a asfixia financeira da Rússia pelas potências capitalistas. É o caso dos empréstimos de US$ 25 bilhões anunciados dia 8, que certamente vão aliviar a situação do país, cuja economia está em crise devido à queda do preço do petróleo e às sanções ocidentais. Alguns analistas apostavam que Pequim não ia se juntar a Moscou, afrontando Washington, e nem estaria preparada para socorrer financeiramente a Rússia, mas os fatos apontam o contrário.

    O contraste entre os dois movimentos é notório e reflete uma disputa bem mais abrangente do que aparenta em torno da liderança mundial, peleja que se dá nos marcos de uma crise da hegemonia ou da sangrenta e controvertida Pax Americana. Embora os protagonistas principais sejam os Estados Unidos e a China, eles não são os únicos atores relevantes deste drama histórico.

    O fortalecimento da aliança entre Rússia e China, duas potências militares com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, tem o potencial de alterar substancialmente a correlação de forças internacional e criar um sonoro contraponto ao exercício, sempre unilateral, da hegemonia dos EUA. Constitui também mais uma evidência de que a ordem mundial remanescente dos acordos de Breton Woods está esgotada e o mundo vive, por consequência, uma transição para um novo tempo que abre caminho através das contradições e da luta, num processo que não será tranquilo ou pacífico e cujo desfecho não está desenhado.

    Convergência de interesses

    Embora o palco desses acontecimentos possa parecer distante do Brasil, assim como da Venezuela e outros países latino-americanos, a verdade é que eles estão estreitamente interligados à luta de classes que se desenvolve em nossas sociedades e que, como em todo o mundo, está em franco acirramento.

    Há uma fina sintonia entre o empenho da China e do Brics por uma nova ordem internacional e as iniciativas de governos, nações e povos latino-americanos e caribenhos pela integração política e econômica e pelo desenvolvimento soberano, traduzidos na rejeição da Alca e criação da Celac, caminho que nos conduz a um novo arranjo geopolítico regional que se contrapõe objetivamente aos desígnios do império estadunidense.

    As convergências de interesses no plano da economia política superam e ofuscam as divergências no intercâmbio comercial entre as indústrias brasileiras e chinesas, embora estas não sejam irrelevantes. A China, que hoje é a maior economia do mundo, se transformou na principal parceira comercial do Brasil (desde 2009) e da América Latina.

    Acumulou também um forte “cacife financeiro” para respaldar sua influência econômica, conforme notou o jornal Valor em editorial. Ao longo dos últimos anos o Estado chinês emprestou mais de US$ 50 bilhões à Venezuela, investiu um valor superior a US$ 20 bilhões na Argentina, países rebeldes ao FMI e submetidos ao forte boicote do sistema financeiro ocidental, e oferta projetos de infraestrutura no valor de US$ 59 bilhões ao Brasil.

    Os investimentos chineses no exterior têm mais sentido político, estratégico, do que os realizados pelas potências ocidentais na medida em que estão sujeitos predominantemente ao controle direto do Estado e não das multinacionais, ou seja, do capital privado, cujo objetivo maior é sempre em primeiro plano o lucro. Ou seja, tais investimentos não se submetem necessariamente à lógica estreita do capital e percorrem um caminho diferente do trilhado pelos EUA e Europa. A Petrobras obteve em abril um empréstimo de US$ 3,5 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China no momento em que o sistema financeiro ocidental negava crédito e procurava sufocar a estatal.

    O estabelecimento de uma ordem internacional efetivamente democrática e multilateral, defendido pelos dirigentes do Partido Comunista Chinês, coincide com o anseio e a luta dos povos, nações e governos progressistas pela integração soberana e por um novo arranjo geopolítico regional.

    Os interesses dos EUA em Nossa América estão alinhados aos das forças mais obscuras e reacionárias, ao que podemos caracterizar de um modo geral como interesses de classe das burguesias locais. Já os objetivos atuais da China, em que pesem as contradições que rondam a corrente comercial e as relações de troca, convergem objetivamente com os interesses da classe trabalhadora e dos governos progressistas na região e em particular com a luta por um Brasil socialmente justo, democrático e soberano, que colidem com os propósitos da burguesia imperialista estadunidense e seus lacaios por aqui, recrutados no seio da burguesia nacional.

    O Brics tem tudo a ver com a Celac, a Unasul, a Alba e o Mercosul. E absolutamente nada a ver com a Alca. A ascensão da China à condição de grande potência financeira pode ser uma válvula de escape para os países economicamente dependentes que estão hoje submetidos ao tacão de ferro do sistema financeiro do dito Ocidente, às chantagens e imposições de rentistas e fundos abutres norte-americanos e europeus. O reforço da aliança econômica, política e militar entre China e Rússia é uma notícia alvissareira para a humanidade e oxalá que promova “um escudo poderoso da paz e da segurança mundial”, conforme disse Fidel Castro, capaz de conter os ímpetos belicosos do império e afastar o fantasma da guerra, que voltou a assombrar e pode abortar a história humana.

    Umberto Martins é jornalista e assessor político da CTB 

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Em uma reunião na casa da produtora cultural Paula Lavigne, no Rio de Janeiro, um grupo de artistas "homenageou" o presidente ilegítimo Michel Temer com dois sambas em favor das Diretas Já, na sexta-feira (23).

    Os vídeos postados no YouTube viralizaram na internet. Letícia Sabatella, Lúcio Mauro Filho e Janaína Diniz Guerra cantam versos improvisados, acompanhados pelos cavaquinhos de Xande de Pilares e Mosquito.

    Xô, Vampirão 

     “Xô, Vampirão” ironiza a viagem de Temer à Rússia. Lúcio Mauro canta “Vampirão foi lá pra Rússia/Mas ninguém deu atenção/Vladimir ficou ‘Putin’/e gritou Xô, Vampirão”. Já Sabatella emenda os seus versos dizendo que “eu queria entender se existe uma razão/ Que sustente a hipocrisia amedrontando a nação”.

    No samba “513, Fora Temer é o assunto”, o grupo de artistas manda um recado aos 513 deputados federais para aceitarem a denúncia contra Temer de corrupção passiva. “Desse jeito o bagulho tá doido e o nosso país tá perdido. 513, Fora Temer é o assunto”. Recado direto. Fora Temer e Diretas Já são os assuntos.

    513, Fora Temer é o assunto 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

     

  • Por Manlio Dinucci (*) em Il Manifesto

    Constranger o adversário a se tensionar excessivamente para desequilibrá-lo e abatê-lo: não é um movimento de judô, mas o plano contra a Rússia elaborado pela Rand Corporation, o mais influente think tank dos EUA que, com uma equipe de milhares de especialistas, apresenta-se como a mais confiável fonte mundial de inteligência e análise política para os governantes dos Estados Unidos e seus aliados.

    A Rand Corp se jacta de ter contribuído para elaborar a estratégia de longo prazo que permitiu aos Estados Unidos vencer a guerra fria, obrigando a União Soviética a consumir seus recursos no confronto estratégico.

    É neste modelo que se inspira o novo plano, o “Overextending and Unbalancing Russia” (1), publicado pela Rand.

    Segundo seus analistas, a Rússia permanece um potente competidor dos Estados Unidos em alguns campos fundamentais. Por isto, os EUA devem perseguir, juntamente com seus aliados, uma estratégia integral de longo prazo que explore sua vulnerabilidade.

    Assim, analisam vários modos para obrigar a Rússia a desequilibrar-se, indicando para cada um desses modos as probabilidades de sucesso, os ganhos, custos e riscos para os EUA.

    Os analistas da Rand consideram que a maior vulnerabilidade da Rússia é a econômica, que se deve à sua forte dependência das exportações de petróleo e gás, cujas receitas podem ser reduzidas tornando mais pesadas as sanções e aumentando as exportações energéticas estadunidenses.

    Trata-se de fazer com que a Europa diminua a importação do gás natural russo, substituindo-o por gás natural liquefeito transportado por mar de outros países.

    Outra maneira de danificar ao longo do tempo a economia da Rússia é encorajar a emigração de pessoal qualificado, em particular os jovens russos com alto grau de instrução.

    No campo ideologico e informativo, trata-se de encorajar os protestos internos e ao mesmo tempo minar a imagem da Rússia no exterior, excluindo-a de fóruns internacionais e boicotando os eventos esportivos internacionais que ela organiza.

    No campo geopolítico, armar a Ucrânia permite aos EUA explorar o ponto de maior vulnerabilidade externa da Rússia, mas isto deve ser calibrado para manter a Rússia sob pressão sem chegar a um grande conflito no qual ela levasse a melhor.

    No campo militar os EUA podem obter altos ganhos, com baixos custo e risco, do aumento das forças terrestres dos países europeus da Otan em uma função anti-Rússia.

    Os EUA podem ter alta probabilidade de êxito e altos ganhos, com riscos moderados, sobretudo investindo pesadamente em bombardeiros estratégicos e mísseis de ataque de longo alcance dirigidos contra a Rússia.

    Sair do Tratado INF (2) e posicionar na Europa novos mísseis nucleares de médio alcance apontados para a Rússia garante suas altas probabilidades de sucesso, mas também comporta elevados riscos.

    Calibrando cada opção para obter o efeito desejado – concluem os analistas da Rand – a Rússia acabará pagando o preço mais alto no confronto com os EUA, mas também estes deverão investir grandes recursos subtraindo-os de outros escopos. Prenunciando, assim, um forte aumento ulterior da despesa militar dos EUA e da Otan, em detrimento dos gastos sociais.

    Este é o futuro que projeta a Rand Corporation, o mais influente think tank do Estado profundo, ou seja, do centro subterrâneo do poder real mantido pela oligarquia econômica, financeira e militar, o qual determina as escolhas estratégicas não só dos EUA, mas de todo o Ocidente.

    As “opções” previstas pelo plano são na realidade apenas variantes da mesma estratégia de guerra, cujo preço em termos de sacrifícios é pago por todos nós.

    (1) Ultrapassando e desequilibrando a Rússia
    (2) Intermediate-Range Nuclear Forces (Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário), assinado pelos Estados Unidos e a então União Soviética em 8 de dezembro de 1987.

    (*) Jornalista e geógrafo

    Tradução de José Reinaldo Carvalho, editor da Página da Resistência

  • Especialistas russos estão na Venezuela como parte do acordo de cooperação técnico-militar de 2001 com Caracas, que não precisa de mais aprovação, informou o Kremlin após relatos da chegada de dois aviões militares com tropas e cargas. Diante das relações do governo Trump, a chancelaria russa respondeu que os EUA ainda consideram "a América Latina uma área de seus interesses exclusivos; seu próprio 'quintal' e exige obediência inquestionável" como era nos tempos coloniais sob a Doutrina Monroe.

    A Rússia desenvolve suas relações com a Venezuela "em estrita conformidade com a Constituição deste país e no pleno respeito de sua legislação", declarou a representante oficial do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova.

    Acordo

    O acordo existente foi ratificado tanto pela Rússia quanto pela Venezuela, e "não exige aprovação adicional da Assembleia Nacional da Venezuela", ressaltou.

    Zakharova estava respondendo a um pedido da mídia para comentar sobre a suposta "intromissão" russa nos assuntos venezuelanos.

    Na sequência de relatos de que dois aviões militares russos transportando cerca de 100 militares e cargas desembarcando no país no sábado, a Organização dos Estados Americanos (OEA) classificou como "um ato prejudicial à soberania venezuelana", enquanto o Departamento de Estado dos EUA insistiu em que era "uma escalada imprudente da situação" no país.

    Intervenção imperialista

    Um dos mais fortes defensores da derrubada do governo de Nicolás Maduro, o conselheiro de Segurança dos EUA, John Bolton, também ficou indignado ao escrever no Twitter que: "os EUA não tolerarão forças militares estrangeiras hostis se intrometendo nos objetivos comuns de democracia, segurança e democracia do Hemisfério Ocidental, e o estado de direito."

    Washington reconheceu o líder da oposição, Juan Guaidó, como o presidente legítimo da Venezuela e chegou a considerar a chamada "intervenção humanitária" para derrubar Nicolás Maduro do poder.

    Zakharova respondeu a Bolton dizendo que suas palavras provam que os EUA ainda consideram "a América Latina uma área de seus interesses exclusivos; seu próprio 'quintal' e exige obediência inquestionável" como era nos tempos coloniais sob a Doutrina Monroe.

    Doutrina Monroe

    A Doutrina Monroe, nomeada em homenagem ao presidente dos Estados Unidos James Monroe, era uma política de oposição ao colonialismo europeu no hemisfério ocidental a partir de 1823, com Washington essencialmente reivindicando a administração das Américas. Ao mesmo tempo, a doutrina afirmava que os EUA não interfeririam nos assuntos internos dos países europeus.

    Se os americanos negam a outros países o acesso ao Hemisfério Ocidental, ele levanta a questão "o que eles estão fazendo no Hemisfério Oriental?", questionou a diplomata russa, referindo-se à forte presença militar dos EUA na Europa e seu envolvimento em "revoluções coloridas" nos Estados da antiga União Soviética e nos Balcãs.

    "Talvez, eles acreditem que as pessoas desta parte do mundo ficarão agradecidas quando Washington mudar seus líderes intencionalmente e matar os indesejados. Ou os EUA ainda acreditam que as pessoas estão esperando que os americanos lhes tragam a democracia nas asas de seus bombardeiros. Pergunte aos iraquianos, líbios ou sérvios sobre isso", afirmou a representante do Ministério de Relações Exteriores russo.

    A Rússia também fez questão de deixar claro nesta quinta-feira (28) que as tropas que chegaram nos últimos dias à Venezuela permanecerão no país "o tempo que for necessário" para o regime de seu aliado, o presidente Nicolás Maduro; na quarta-feira (26), o presidente norte-americano, Donald Trump, pediu à Rússia que saia da Venezuela, após a tensão criada pelo envio de militares e materiais russos para Caracas; e o chanceler brasileiro, o lacaio Ernesto Araújo, repetiu o que foi dito por Washington, que os militares russos enviados à Venezuela devem deixar o país se o seu propósito for o de "manter o governo de esquerda no poder". Levou uma banana e foi ignorado pelos russos.

    Fonte: Sputnik e 247

  • A bola começou a rolar nos gramados russos no dia 14 de junho. A seleção brasileira vem ganhando a confiança da torcida aos poucos. Empatou na estreia e engrenou três sucessivas vitórias por dois a zero, classificando-se para as Quartas de Final da 21ª Copa do Mundo de Futebol, na Rússia.

    Se vencer a Bélgica, o Brasil poderá participar da sua 12ª semifinal num campeonato em que ergueu a taça cinco vezes, ficou em segundo lugar outras duas. Esteve entre as três melhores seleções em outras duas vezes e ficou em quarto lugar também duas.

    Ganhar ou perder faz parte do esporte, mas na vida e na política é preciso estar atento e forte para não dar chance ao inimigo de dominar o campo e atacar os direitos conquistados com muito suor da noite para o dia como o desgoverno Temer vem fazendo desde que assaltou o poder em 2016.

    É preciso se ligar porque os congressistas estão aproveitando a Copa para aprovar projetos que afetam negativamente a vida de todo mundo, sem que as pessoas se atentem para isso. Dilapidam o patrimônio nacional, mantêm o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preso, sem nenhuma prova de nada do que o acusam e tentam de todas as formas omitir os seus ilícitos e abusos de poder com Supremo Tribunal Federal e tudo.

    Então torça para o Brasil ser campeão pela sexta vez na Copa do Mundo, mas lute para o nosso país ser campeão em respeito aos Direitos Humanos, à Justiça e na igualdade de direitos, ganhando todos os campeonatos da educação, da saúde e da produção de alimentos saudáveis.

    Assim como ganhar o hexa recupera o prestígio do futebol brasileiro, as eleições de outubro são uma ótima chance de o Brasil recuperar o prestígio internacional que tinha antes do golpe de Estado de 2016 e elevar a autoestima do povo.

    Então não anule seu voto, não se abstenha, participe e escolha um candidato ou uma candidata que tenha compromisso com o desenvolvimento nacional livre da tutela de conglomerados econômicos estrangeiros e com a liberdade.

    Marcos Aurélio Ruy é jornalista.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Obscurecida por uma cortina de fumaça midiática que nos quer convencer de que se trata de um dilema entre democracia (concebida como um valor universal) e ditadura, os conflitos políticos que sacodem a Venezuela e envolvem todo o seu entorno adquirem cada vez mais os contornos de um embate geopolítico que opõem notoriamente os Estados Unidos à China e à Rússia.

    O objetivo à margem da retórica é o controle das maiores reservas de petróleo do mundo e preservação da hegemonia mundial. A Europa, embora aparentemente em cima do muro e desfiando contradições e remorsos, tende a respaldar as aventuras da Casa Branca.

    O governo de Nicolás Maduro conta com o apoio da China (que investiu cerca de US$ 70 bilhões na Venezuela) e da Rússia, que defendem o consagrado direito internacional das nações à autodeterminação, que por definição exclui e condena a possibilidade de intervenção estrangeira em pelejas domésticas, princípio também proclamado pela Celac e pelos governos progressistas da América Latina e Caribe.

    Onda conservadora

    Mas a onda conservadora que invadiu o continente ao longo dos últimos anos, distribuindo golpes de Estado e fortalecendo políticos conservadores, alterou as percepções e a correlação de forças políticas, revertendo o processo de integração regional que desaguou na Celac e desenhou um novo arranjo geopolítico hostil ao hegemonismo de Washington, que parece ter recuperado o comando da situação.

    Não se pode dizer por quanto tempo o quadro atual prevalecerá, mesmo porque ele não está em sintonia com as transformações econômicas, objetivas e silenciosas, ocorridas nas últimas décadas, traduzidas na ascensão da China, que se transformou na maior economia do planeta, e na progressiva decadência do poderio econômico relativo dos EUA.

    A sensação de declínio, ampliada com Donald Trump e sua guerra comercial, deixou os imperialistas americanos ainda mais arrogantes e belicosos. A forma com que se conduzem diante da crise na Venezuela, apoiando abertamente um golpe de Estado, é emblemática. Os EUA deflagraram o que alguns críticos do imperialismo caracterizaram como guerra híbrida, uma espécie de guerra por procuração, terceirizada, promovida por lacaios.

    Porém, frente à resistência do governo Maduro, que conta com o precioso apoio das Forças Armadas, da Corte Suprema e da população mais pobre, o impasse se agravou e crescem os indícios de que a guerra híbrida tende a evoluir para uma intervenção militar direta.    

    Intervenção militar

    Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova, o governo dos Estados Unidos está "preparando o cenário" para uma intervenção militar no país e a narrativa de "intervenção humanitária" (para defesa da democracia) não passa de uma "operação de encobrimento". A decisão de intervir militarmente já foi tomada, de acordo com informações da porta-voz ao RT, canal estatal russo de televisão.

    “Continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”, disse a representante do governo da Rússia, aliado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

    A crise no país sul-americano se acentuou depois que o deputado oposicionista Juan Guaidó, com o apoio dos Estados Unidos, se autoproclamou presidente República. Ele foi reconhecido por uma série de países aliados aos EUA e pela União Europeia. Países como China, Turquia e Rússia, no entanto, seguem reconhecendo a legitimidade de Maduro.

    Para a porta-voz do governo da Rússia, a presença de militares norte-americanos na área de fronteira da Venezuela, que ocupam essas regiões sob a justificativa da “ajuda humanitária”, não passa de uma “operação de encobrimento” que tem, por objetivo, a intervenção militar direta.

    Operação de encobrimento

    “Nesta situação, você chega a uma conclusão óbvia: de que Washington já tomou a decisão de intervir militarmente na Venezuela. Todo o resto é operação de encobrimento”, disparou.

    As declarações de Zajárova vêm quatro dias após o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, admitir que tem a intervenção militar como uma “opção” para resolver a crise na Venezuela.

    “Gostaria de lembrar que tais declarações de autoridades norte-americanas são uma violação direta do artigo da Carta da ONU, que obriga todos os membros da organização a não ameaçarem ou fazerem o uso da força em suas relações internacionais”, disse a porta-voz.

    Cúmulo do cinismo

    Na mesma declaração desta quinta-feira (7), a porta-voz do governo russo chamou de “cúmulo do cinismo” a postura dos Estados Unidos ao criticar o governo de Nicolás Maduro ao mesmo tempo em que impõe sanções econômicas que agravam a crise no país.

    “Eles dizem que os venezuelanos vivem mal com este governo. Bem, não imponham sanções! Deixe o estado vivo para que se desenvolva e resolva seus próprios problemas, não os agrave”, pontuou. A hipocrisia já foi considerada por um atento observador como um patrimônio nacional dos EUA, embora seja um patrimônio exclusivo das suas classes dominantes. É, com efeito, uma arte na qual são inigualáveis.

    Umberto Martins, jornalista, editor do Portal CTB e autor do livro "O golpe do capital contra o trabalho".