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Dom, Jul

Reforma Previdência

  • Diante de um público de 200 mil pessoas, lideranças sindicais, sociais e políticas reafirmaram nesta quarta-feira (1/5), Dia Internacional do Trabalhador, a disposição para convocar uma greve geral contra a reforma da Previdência do governo Bolsonaro (PSL). No 1º de Maio mais representativo da história – com todas as centrais sindicais, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo –, cresceu o consenso para uma nova paralisação nacional, já pré-convocada para 14 de junho.

    Por André Cintra

    “O golpe de 2016 abortou o sonho do povo brasileiro e impôs um retrocesso inédito, com medidas como a contrarreforma trabalhista e o congelamento dos gastos públicos. Foi uma orientação reacionária que o governo Bolsonaro está aprofundando”, declarou Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).

    Segundo ele, “é um momento importante, um momento de reflexão”, que passa pela unidade das centrais e do conjunto do movimento sindical. “Temos de buscar uma perspectiva de desenvolvimento para o País, de geração de empregos, de um Brasil melhor.”

    Na opinião Ubiraci Oliveira, o Bira, presidente da CGTB, “este é um momento histórico. Os trabalhadores do Brasil se uniram contra esse crime que é a reforma da Previdência”. De acordo com Bira, a proposta de desmonte da Previdência Social apresentada pelo ministro Paulo Guedes (Economia) “é ruim para todo mundo, mas é pior para as mulheres”.

    O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou que o sindicalismo não pode sucumbir a uma “reforma que tira direitos e mantém privilégios”. Luiz Gonçalves, o Luizinho, da Nova Central (NCST), ressaltou a unidade: “Estamos juntos com as demais centrais contra essa mentira que está prevalecendo”. Para Vagner Freitas – que preside a CUT –, “a única forma de barrar essa reforma é fazer o enfrentamento nas ruas. É greve geral!”.

    Políticos

    O deputado federal Orlando Silva, presidente do PCdoB-SP, acusou o presidente Jair Bolsonaro de liderar uma gestão entreguista, “a serviço das grandes empresas” e de interesses externos. “Bolsonaro tem um governo formado por um bando de malucos e um bando de usurpadores. Ele brinca com a democracia e quer acabar com a luta dos trabalhadores, com os sindicatos”, afirmou Orlando.

    O parlamentar destacou o bem-sucedido empenho do movimento sindical para viabilizar um Dia do Trabalhador unificado, em conjunto com as frentes e com os partidos de oposição ao governo Bolsonaro. “Esta é a reposta que temos de dar: todos unidos em defesa da democracia, dos direitos e do nosso povo. Hoje tem de ser o começo, o primeiro passo de uma grande caminhada, que vai produzir uma grande greve geral e dizer ‘não’ à reforma da Previdência!”.

    Dois candidatos à Presidência nas eleições 2008, Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL), marcaram presença no 1º de Maio Unitário. “Não é nem uma reforma da Previdência. A gente precisa chamar a coisa pelo nome: é a destruição da Previdência pública no Brasil, disse Boulos. “Claro que temos diferenças. Mas, quando se trata de defender direitos, este palco fala a mesma língua.”

    Haddad retomou uma bandeira de sua campanha eleitoral: “Temos que defender que a pessoa tenha um livro numa mão e uma carteira de trabalho na outra”. E defendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado sem provas e preso desde abril de 2018. “Não teremos paz e segurança enquanto Lula estiver preso”, disse Haddad.

    Pela Frente Brasil Popular falou João Pedro Stédile, dirigente nacional do MST. “Nós, dos movimentos populares, estamos aqui para cerrar fileiras com o movimento sindical e dizer que mobilizaremos nossa base contra a reforma da Previdência”, afirmou Stédile. “O povo brasileiro não suportará nenhuma perda de direitos. Viva o povo brasileiro! Lula livre!”

     

    Com informações de vermelho.org.br

  • Por Altamiro Borges

    Finalmente, as centrais sindicais brasileiras decidiram se unir para enfrentar a brutal ofensiva neofascista contra o trabalho e a democracia. Após mais de três décadas de cisão, os protestos do Dia Internacional dos Trabalhadores serão unitários neste 1º de Maio. O eixo das manifestações será a luta em defesa da aposentadoria, contra a “deforma” previdenciária do carrasco Jair Bolsonaro. Os atos em todo o país, convocados pelas 10 centrais – seis delas reconhecidas oficialmente –, servirão como um esquenta para a greve geral já marcada para 14 de junho.

    A unificação gerou surpresa na mídia burguesa. A Folha registrou: “O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) motivou uma união inédita. Pela primeira vez na história do sindicalismo nacional, todas as centrais estarão sobre o mesmo palanque no 1º de maio. As medidas nas áreas da Previdência e trabalho encampadas pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes provocaram uma parceria singular. Contra a aprovação da reforma, CUT e Força Sindical se uniram na organização da festa do Dia do Trabalhador. Com um orçamento de R$ 700 mil – fruto do rateio das dez centrais –, os sindicalistas pretendem reunir 200 mil trabalhadores no Vale do Anhangabaú, na região central da cidade de São Paulo”.

    A Folha patronal – que critica o “ultradireitista” Jair Bolsonaro, mas defende de forma apaixonada o seu golpe da Previdência – até tenta destilar veneno contra o protesto unitário, afirmando que a razão principal da unidade é a asfixia financeira do sindicalismo. “Editada às vésperas do Carnaval, a Medida Provisória 873 suspende o desconto da contribuição sindical da folha de pagamento, exigindo que a cobrança dos trabalhadores que desejam contribuir com os sindicatos de suas categorias ocorra via boleto bancário. Sob ameaça de perda de arrecadação, as centrais decidiram unir esforços”.

    O ato no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, terá a presença dos dirigentes das dez centrais sindicais, dos líderes dos partidos contrários à “deforma” previdenciária e das direções da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo – que reúnem MST, UNE, MTST e a quase totalidade dos movimentos sociais brasileiros. Em outros estados também estão programados atos unitários. Confira a programação parcial das atividades, segundo painel elaborado pela CUT:

    *****

    BAHIA

    14h00 – 1º de maio unificado no Farol da Barra, em Salvador.

    BRASÍLIA

    13h00 – Ato do 1º de maio da classe trabalhadora no Taguaparque, com apresentações culturais de Vanessa da Mata, Odair José, Israel e Rodolffo, entre outras atrações locais.

    No 1º de maio também será celebrado os 40 anos do Sindicato dos Professores de Brasília (Sinpro-DF).

    CEARÁ

    15h00 – Ato unificado na Praia de Iracema, em Fortaleza, com concentração na Avenida Beira Mar, próximo ao espigão da Rui Barbosa.

    GOIÁS

    14h00 – Concentração na Praça Cívica, em frente ao Coreto.

    17h00 – Ato político e atividades culturais com shows e outras atrações na Praça Universitária.

    MATO GROSSO

    16h00 – Ato político e cultural, com artistas regionais, na Praça Cultural do Bairro Jardim Vitória, em Cuiabá.

    MATO GROSSO DO SUL

    9h00 às 12h00 – Ato unificado do 1º de maio na Rua Anacá com a Rua Barueri, bairro Moreninha II

    PARAÍBA

    14h00 – Caminhada com concentração em frente ao Centro de Zoonoses dos Bancários

    17h00 – Ato cultural no Mercado Público de Mangabeira

    PERNAMBUCO

    9h00 – Concentração na Praça do Derby, em Recife

    PIAUÍ

    8h00 – Ato do 1º de maio na Praça da Integração, em Teresina.

    RIO DE JANEIRO

    9h00 às 14h00 – Ato na Praça Mauá, com barraquinhas para coleta de assinaturas do abaixo-assinado contra a reforma da Previdência, além de outras atividades organizadas pelos sindicatos e movimentos populares.

    14h00 às 17h00 –Os trabalhadores e trabalhadoras sairão em bloco pelas ruas, intercalando bloco e fala política das centrais sindicais e movimentos que compõem as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo.

    SERGIPE

    8h00 – Concentração do ato na Praça da Juventude ─ Conjunto Augusto Franco. Em seguida, caminhada em direção aos Arcos da Orla de Atalaia, onde ocorrerá um ato político e cultural com coleta de assinaturas do abaixo-assinado contra a reforma da Previdência.

    RIO GRANDE DO SUL

    Porto Alegre

    15h00 – Ato na Orla do Guaíba - programação completa será definida nesta terça-feira (23)

    Caxias do Sul

    14h00 – Ato nos Pavilhões da Festa da Uva

    Bagé

    14h00 – Concentração na Praça do Coreto, com aminhada pela Avenida 7 de Setembro;

    Erechim

    10h00 – Concentração no Bairro Atlântico

    Passo Fundo

    14h00 às 17h00 – Ato no Parque da Gare

    Pelotas

    14h00 às 18h00 – Ato com mateada e atividades artísticas na Praça Dom Antônio Zattera

    Santa Maria

    10h00 às 17h00 – Atividades com ato ecumênico, almoço coletivo, apresentações culturais, mateada, lançamento do Comitê Regional contra a Reforma da Previdência e ato público no Alto da Boa Vista, no bairro Santa Marta.

    Ijuí

    14h00 – Concentração seguida de ato na Praça Central.

    Rio Grande – (a definir)

    SANTA CATARINA

    Florianópolis

    9h30 – Debates sobre a Reforma da Previdência e atividades culturais na comunidade do Mont Serrat

    Palhoça

    Debates sobre a Reforma da Previdência e atividades na ocupação Nova Esperança.

    Blumenau

    15h00 – Ato público em defesa da Previdência na Praça da Prefeitura.

    SÃO PAULO (região metropolitana e interior)

    Campinas

    9h30 – Concentração no Largo do Pará com caminhada até o Largo da Catedral

    10h30 – Ato no Largo da Catedral

    11h00 – Ida ao 1º de maio em São Paulo, no Vale do Anhangabaú

    *A Missa dos Trabalhadores na Catedral será das 9h00 às 10h30

    Osasco

    6h30 – 11º Desafio dos Trabalhadores, tradicional corrida e caminhada de rua do dia 1º de maio, com concentração a partir das 6h30.

    São Bernardo do Campo

    Ação Interreligiosa

    9h00 – Concentração na Rua João Basso, 231, com procissão até a Igreja da Matriz

    9h30 – Missa

    Sorocaba

    14h00 às 22h00 – O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) organiza um ato político-cultural no Parque dos Espanhóis, com a presença de Ana Cañas, Detonautas, Francisco El Hombre, entre outros

  • Com o objetivo de organizar a luta e já firmar uma agenda de ação em torno da luta dos trabalhadores e trabalhadoras, as centrais sindicais (CTB, CSB, CUT, Força Sindical, Nova Central, Intersindical, CSP-Conlutas, CGTB), dirigentes de grandes sindicatos e federações e o Dieese, se reunirão na tarde desta terça (15) e avisam “haverá em defesa de uma aposentadoria digna, garantia dos direitos, valorização do salário  e unidade em defesa do país”.

    “Até aqui, a soma da Greve Geral e do Ocupe Brasília, com a grande marcha das centrais, foi na positiva e galvanizou uma base e resistência fundamentais na última etapa. Por outro lado, a forte ofensiva ideológica, com base em um jogo estratégico de palavras e focada nos anseios mais fundamentais da população, alcançou vitórias, como: a Emenda Constitucional 95, a Terceirização e a Reforma Trabalhista”, externou Adilson Araújo, presidente nacional da CTB, ao fazer análise da conjuntura e elencar alguns dos retrocessos vividos em 2018, sobretudo a resultante Jair Bolsonaro presidente.

    Ele destacou que “na batalha da Reforma da Previdência é preciso analisar no detalhe, para enfrentar a disputa de narrativa nas redes e nas ruas e revelar o brutal ataque que esconde essa proposta”, emendou.

    Adilson também lembrou da “Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora” como veículo de conscientização do conjunto da classe trabalhadora. “Precisamos enfrentar o canto da sereia com debate político, muita mobilização e trabalho”.

    E completou: “Repensar, hoje, significa dialogar, impulsionar o ânimo nas bases e mostrar qual o papel histórico do movimento sindical”.

    Unidade e iniciativa

    O Fórum das Centrais inicia o ano com unidade e iniciativa para organizar a resistência. Unitariamente, as centrais e demais entidades “reafirmaram sua posição contrária a qualquer proposta de reforma que fragilize, desmonte ou reduza o papel da Previdência Social Pública”, diz a nota aprovada nesta terça (15).

    Durante a reunião, as centrais aprovaram nota. Leia íntegra a seguir:

    Centrais orientam luta em 2019

    Reunidas nesta terça (15), as centrais sindicais (CSB, CTB.CUT, Força Sindical, Nova Central, CSP - Conlutas, Intersindical e CGTB) reafirmaram sua posição contrária a qualquer proposta de reforma que fragilize, desmonte ou reduza o papel da Previdência Social Pública.

    Centrais Sindicais Brasileiras decidem:

    - Realização de “Plenária Unitária das Centrais em defesa da Previdência e contra o fim da aposentadoria” no dia 20 fevereiro;

    - Orientar a realização de plenárias estaduais e assembleias de trabalhadores para construir a mobilização, decidirem formas de luta e paralisações para enfrentar as propostas do governo e alertar os trabalhadores sobre a nefasta proposta de reforma da Previdência e ataques aposentadoria;

    São Paulo, 15 de janeiro de 2019

    Vagner Freitas, Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)

    Miguel Torres, Presidente da Força Sindical

    Adilson Araújo, Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

    Antônio Neto, Presidente Interino da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)

    José Calixto Ramos, Presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST)

    Edson Índio, Secretário Geral da Intersindical

    Atnagoras Lopes, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-CONLUTAS

    Ubiraci Dantas, Presidente da CGTB

    Portal CTB

  • Com o objetivo de organizar a luta e já firmar uma agenda de ação em torno da luta dos trabalhadores e trabalhadoras, as centrais sindicais (CTB, CSB, CUT, Força Sindical, Nova Central, Intersindical, CSP-Conlutas, CGTB), dirigentes de grandes sindicatos e federações e o Dieese, se reunirão na tarde desta terça (15) e avisam “haverá em defesa de uma aposentadoria digna, garantia dos direitos, valorização do salário  e unidade em defesa do país”.

    “Até aqui, a soma da Greve Geral e do Ocupe Brasília, com a grande marcha das centrais, foi na positiva e galvanizou uma base e resistência fundamentais na última etapa. Por outro lado, a forte ofensiva ideológica, com base em um jogo estratégico de palavras e focada nos anseios mais fundamentais da população, alcançou vitórias, como: a Emenda Constitucional 95, a Terceirização e a Reforma Trabalhista”, externou Adilson Araújo, presidente nacional da CTB, ao fazer análise da conjuntura e elencar alguns dos retrocessos vividos em 2018, sobretudo a resultante Jair Bolsonaro presidente.

    Ele destacou que “na batalha da Reforma da Previdência é preciso analisar no detalhe, para enfrentar a disputa de narrativa nas redes e nas ruas e revelar o brutal ataque que esconde essa proposta”, emendou.

    Adilson também lembrou da “Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora” como veículo de conscientização do conjunto da classe trabalhadora. “Precisamos enfrentar o canto da sereia com debate político, muita mobilização e trabalho”.

    E completou: “Repensar, hoje, significa dialogar, impulsionar o ânimo nas bases e mostrar qual o papel histórico do movimento sindical”.

    Unidade e iniciativa

    O Fórum das Centrais inicia o ano com unidade e iniciativa para organizar a resistência. Unitariamente, as centrais e demais entidades “reafirmaram sua posição contrária a qualquer proposta de reforma que fragilize, desmonte ou reduza o papel da Previdência Social Pública”, diz a nota aprovada nesta terça (15).

    Durante a reunião, as centrais aprovaram nota. Leia íntegra a seguir:

    Centrais orientam luta em 2019

    Reunidas nesta terça (15), as centrais sindicais (CSB, CTB.CUT, Força Sindical, Nova Central, CSP - Conlutas, Intersindical e CGTB) reafirmaram sua posição contrária a qualquer proposta de reforma que fragilize, desmonte ou reduza o papel da Previdência Social Pública.

    Centrais Sindicais Brasileiras decidem:

    - Realização de “Plenária Unitária das Centrais em defesa da Previdência e contra o fim da aposentadoria” no dia 20 fevereiro;

    - Orientar a realização de plenárias estaduais e assembleias de trabalhadores para construir a mobilização, decidirem formas de luta e paralisações para enfrentar as propostas do governo e alertar os trabalhadores sobre a nefasta proposta de reforma da Previdência e ataques aposentadoria;

    São Paulo, 15 de janeiro de 2019

    Vagner Freitas, Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)

    Miguel Torres, Presidente da Força Sindical

    Adilson Araújo, Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

    Antônio Neto, Presidente Interino da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)

    José Calixto Ramos, Presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST)

    Edson Índio, Secretário Geral da Intersindical

    Atnagoras Lopes, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-CONLUTAS

    Ubiraci Dantas, Presidente da CGTB

    Portal CTB

  • O ano legislativo se inicia nesta sexta-feira (2) com a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional. A Reforma da Previdência, proposta pelo governo Temer por meio da PEC 287/16, será um dos temas centrais a partir de então. A intenção do governo e seus aliados é aprovar, ainda este mês, a proposta que deixará trabalhadores públicos, privados e rurais cada vez mais longe do sonho da aposentadoria.
     
    A reforma de Temer, na opinião de diversos especialistas, tem demonstrado apenas caráter político e econômico, representando um grande retrocesso social. Medidas como a idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para as mulheres trarão inúmeros prejuízos,  penalizando, inclusive, as mulheres, que terão que trabalhar ainda mais tempo, incluindo a dupla e, às vezes, a tripla jornada que têm na atividade profissional e do lar, além do fim da aposentadoria por tempo de contribuição. A reforma não alivia em nada para os trabalhadores, que terão que contribuir com a Previdência por, no mínimo, 15 anos e, se quiserem alcançar a aposentadoria integral, terão que comprovar, no mínimo, 40 anos de contribuição.
     
    Para vender a Reforma,  a propaganda do governo anuncia uma previdência deficitária e diz que a mudança é necessária e combate privilégios de uma classe que escolheu para crucificar  - a dos servidores públicos,  considerados por ele como "privilegiados ".
     
    O Portal CTB ouviu o Presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil  (ANFIP), Floriano Martins de Sá Neto. "Os dois pilares da reforma são estes: a diminuição do gasto social e a entrega da Previdência complementar dos servidores aos bancos", diz Martins de Sá. Confira os principais pontos da entrevista!
     

    As últimas informações divulgadas pelo governo apontam um déficit de R$ 268,8 bilhões na Previdência Social. Esse rombo realmente existe? 

    Todo ano é a mesma coisa, o governo parece que tem o prazer sórdido de anunciar o déficit da Previdência Social.  Não acredite nos números do governo! Se todo ano esse déficit aumenta,  porque a Previdência nunca quebrou? Porque o governo mente, distorce toda a realidade, mistura as previdências - regime geral, social, que têm lógicas e sistemáticas diferentes.  O governo anuncia esses números usando uma estratégia,  que é tratar a previdência do regime geral,  INSS, sem apartar da Seguridade Social. É uma conta que se força à mão para apresentar a Previdência do regime geral como deficitária. O governo pega a despesa do INSS e compara com apenas uma única fonte - a da folha de salários. 
     
    Não há nenhuma condição do governo dá o calote, como ele vem divulgando, dizendo que se não fizer reforma haverá problema. O sistema [previdenciário] é estruturado sob a forma do orçamento da Seguridade Social.  Existem outras fontes que sustentam a Previdência e essas fontes foram ao longo desses últimos anos amplamente superavitárias, algo em torno de R$50 milhões, em superávit.  Tivemos um problema pontual em 2016 - houve efetivamente um déficit de R$57 milhões, já corrigido. A própria Constituição dá o caminho para cobrir o déficit - se há falta de recursos na Seguridade Social, o dinheiro deve vir do orçamento fiscal - e assim foi feito. 
     
    E sobre o discurso de que a reforma combate privilégios?
     
    Esse é um dos pontos que revela o caráter mentiroso do governo.  O trabalhador rural, por exemplo, não me parece privilegiado, e ele será duramente atingido, caso essa reforma prospere.  Outra tática foi colocar os servidores públicos como algozes,  quando, na verdade, não ataca os verdadeiros privilegiados, que são os  políticos, por exemplo. A proposta de emendas constitucionais não trata das renúncias, das anistias, que seria outra maneira de se resolver o desequilíbrio das despesas. 
     
    A quem a reforma Previdência interessa/beneficia?
     
    Tivemos uma emenda aprovada em 2016, a EC 95 [antiga PEC247], que instituiu o teto do gasto público.  Este será o primeiro ano em que nós teremos esse limitador. Então o que acontece é basicamente isso - haverá nos próximos 20 anos, de trevas, que teremos daqui pra frente, um limitador da despesa. Na realidade, o governo se auto-impôs esse limite e agora, para que possa fazer aí seus investimentos, pagar emendas parlamentares, ter a gestão do seu orçamento fiscal,  etc, quer avançar sobre nossos direitos. 
     
    É isso - a reforma da Previdência é uma imposição da PEC do teto dos gastos, que o próprio governo aprovou, se autolimitou e agora busca recursos, retirando direitos dos trabalhadores. Temos que denunciar  - um dos pilares da reforma é reduzir o gasto social para sobrar espaço para outros gastos. A outra questão diz respeito a nós servidores públicos. O servidor hoje já não  se aposenta mais como antigamente  - o teto é o mesmo do regime geral.  Na verdade, a reforma já foi feita em 2003 - esta é a realidade. Agora, como os servidores ainda têm uma renda maior em relação aos demais trabalhadores (não são os servidores que ganham muito,  são os trabalhadores da iniciativa privada que ganham pouco) o governo quer tornar a Previdência complementar dos servidores um objeto de entrega. A Previdência complementar fechada poderá agora, se a emenda for aprovada, ser explorada pela previdência aberta, os bancos. Reafirmo - os dois pilares da reforma são estes: a diminuição do gasto social e a entrega da Previdência complementar dos servidores aos bancos.
     
    De Brasília,  Ruth de Souza  - Portal CTB 
     
     
     
     
  • Trabalhadores e trabalhadoras farmacêuticas dizem não a reforma da previdência que retira direitos e condena à miséria cerca de quatro mil munícipios do país, segundo estudod a  Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social (Anfip).

    Para alertar a paopulação do que esconde essa maléfica reforma, a Anfip criou um grupo de trabalho que está focado na produção do livro “A Previdência Social e a Economia dos Municípios”. A edição, revista e ampliada,teve sua última versão publciada em 2011 e é de autoria do Auditor Fiscal Álvaro Sólon de França, ex-presidente da Entidade.

     Acompanhe:

     

    Portal CTB

  • Proposta de reforma no sistema de aposentadorias e pensões dos militares, acompanhada pela restruturação da carreira e do aumento do soldo, enviada nesta quarta-feira (20) ao Congresso pelo governo Jair Bolsonaro, deverá tornar mais difícil a aprovação da reforma da Previdência, diz a jornalista Miriam Leitão; Hoje o rombo é de R$ 40 bilhões. O déficit real é menor porque não há contribuição patronal. Mesmo assim, o ganho médio de R$ 1 bi por ano não resolve o buraco", diz

    247 - A proposta de reforma no sistema de aposentadorias e pensões dos militares, acompanhada pela restruturação da carreira e do aumento do soldo, enviada nesta quarta-feira (20) ao Congresso pelo governo Jair Bolsonaro, deverá tornar mais difícil a aprovação da reforma da Previdência, diz a jornalista Miriam Leitão em seu blog no jornal O Globo. "Se o gasto médio anual será de R$ 8,6 bilhões, o que está acontecendo é uma elevação de cerca de 34% no custo da folha dos militares da ativa, que hoje é de R$ 25 bilhões", destaca. Para ela, este aumento enfraqueceu o discurso oficial de combate aos privilégios e da necessidade do ajuste fiscal.

    Apesar disso, ela ressalta que "as Forças Armadas têm razão quando dizem que criou-se uma defasagem nos últimos anos entre a carreira militar e outras do setor público". O problema, porém, segundo ela, é que "as regras foram decididas dentro das Forças Armadas. À equipe econômica coube engolir e justificar algo que desafina completamente com tudo o que vem sendo dito pelo ministro Paulo Guedes", ressalta.

    "Ontem ele afirmou que a previdência dos militares será superavitária após a reforma. Não será, evidentemente. Hoje o rombo é de R$ 40 bilhões. O déficit real é menor porque não há contribuição patronal. Mesmo assim, o ganho médio de R$ 1 bi por ano não resolve o buraco", observa.

    "Os militares continuarão com vantagens que já estão caindo para todos os funcionários públicos e nunca existiram para os outros trabalhadores, como a paridade e a integralidade. Ou seja, vão se aposentar com o mesmo salário e na reserva receberão todos os reajustes que forem dados para os da ativa", pontua.

     

    Fonte: brasil247.com