Sidebar

22
Qua, Maio

Resistência

  • Desde de novembro, a classe trabalhadora francesa ocupa as ruas contra a agenda neoliberal da gestão de Emmanuel Macron. O primeiro-ministro da França, Édouard Philippe, anunciou nesta terça (04), a suspensão do reajuste do imposto sobre combustíveis que estava previsto para 1º de janeiro.

    Denominado movimento dos "coletes amarelos" (Gilets Jaunes, no francês), os protestos tiveram início no dia 17 de novembro com o objetivo denunciar a redução do poder de compra das famílias provocada pelo aumento de impostos sobre o diesel.

    A pauta do movimento não se restringia apenas a revogação do aumento, o lema dos manifestantes era a "renúncia de Macron", e a denúncia da queda do padrão de vida dos franceses sob a gestão neoliberal atual.

    Alerta para a criminalização da política

    De acordo com análise da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV (FGV-DAPP), a eclosão do movimento dos coletes amarelos na França parece estar   seguindo os mesmos passos das manifestações que aconteceram em junho de 2013 e a greve de caminhoneiros, de maio de 2018.

    A FGV indica que as manifestações que parte de uma organização não partidária reúne pessoas com divergências políticas extremas, tendo como seu principal palco de atuação as redes sociais.

    O apoio aos coletes amarelos conseguiu agregar até mesmo os dois extremos do cenário político francês. Divididos em seis grupos – Verde, Amarelo, Marrom, Lilás, Laranja e Azul Claro -, a divisão dos perfis com mais ações de retuítes se mostrou desigual, tendo o grupo Lilás formado por 50,5% dos perfis entre os dias 17 e 26 de novembro.

    Confira o gráfico

     

    Portal CTB - Com informações da agências internacionais

  • "Não podemos ter dúvidas do que está por trás do golpe", avisa Adilson Araújo, presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em entrevista aos jornalistas Railídia Carvalho e Toni C., ao alertar sobre a agenda regressiva da gestão interina de Michel Temer.

    Programa de privatização de Temer quer vender o Brasil por R$ 30 bilhões

    Na oportunidade, Araújo falou sobre a natureza do golpe, sua geografia e o que sofrerão os trabalhadores e trabalhadoras caso as reformas da Previdência e Trabalhista sejam aprovadas.

  • O ex-presidente Lula falou com exclusividade ao EL PAÍS e à 'Folha' na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, na manhã desta sexta-feira

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra em um pequeno auditório da superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Lá dentro, é esperado pelos jornalistas do EL PAÍS e do jornal Folha de S. Paulo. Chega de tênis, camisa social, calça jeans e paletó cinza, e um calhamaço de papeis embaixo do braço. Senta-se numa mesa ao centro com alguns poucos microfones. Não está feliz nem triste. Nem tampouco envelhecido. Mas está diferente. “Tudo bem?”, diz ele aos presentes, ainda com o rosto um pouco fechado, e se dirige para uma mesa improvisada ao centro, onde fica de frente para o repórter do EL PAÍS e para Mônica Bergamo da Folha, que vão conduzir a entrevista. “Antes de vocês fazerem a primeira pergunta... quero fazer um micropronunciamento para tratar especificamente do meu caso, e depois do caso do Brasil”, diz ele, em tom grave.

    Suas mãos tremem um pouco quando começa a ler. Seu rosto fica vermelho olhando para o texto que traz um rosário de críticas contra seus julgadores. “Sei muito bem qual lugar que a história me reserva. E sei também quem estará na lixeira.” Lula critica o ex-juiz Sergio Moro, responsável pela sua condenação, a Operação Lava Jato, e o procurador Deltan Dallagnol. “Reafirmo minha inocência, comprovada em diversas ações”. O silêncio é absoluto, apesar da presença de delegados da Polícia Federal e de três oficiais armados, todos a serviço da PF, que está sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça, conduzido por Sergio Moro.

    Lula está engasgado e sabe que esta entrevista é a oportunidade para falar depois de um ano silenciado pela prisão em abril de 2018. A conversa tem início e o ex-presidente ainda mantém um semblante sério. Mas uma pergunta quebra a rigidez. Quando é questionado sobre a morte do irmão Vavá, em janeiro deste ano, e o neto, Arthur Araújo Lula da Silva, de 7anos, dois meses depois. “Esses dois momentos foram os mais graves”, lembra ele, citando também a perda do ex-deputado Sigmaringa Seixas, morto no final do ano passado. “O Vavá é como se fosse um pai pra família toda. E a morte do meu neto foi uma coisa que efetivamente não, não, não… [pausa e chora]. Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Porque eu já vivi 73 anos, eu poderia morrer e deixar meu neto viver."

    “Não tem problema que eu fique aqui para o resto da vida. Quem não dorme bem é o Moro”

    Lula diz que há outros momentos que o deixam triste, com uma mágoa profunda. “Quando vejo essa gente que me condenou na televisão, sabendo que eles são mentirosos, sabendo que eles forjaram uma história, aquela história do powerpoint do Dallagnol, aquilo nem o bisneto dele vai acreditar naquilo. Esse messianismo ignorante, sabe? Então eu tenho muitos momentos de tristeza aqui. Mas o que me mantém vivo, e é isso que eles têm que saber, eu tenho um compromisso com este país, com este povo”, completa.

    lulafelizelpais

     

    Começa a entrevista, que virou caso de Justiça. Só foi realizada após a interferência do Supremo Tribunal Federal. Uma conversa que vai durar duas horas. E o ex-presidente começa a relaxar. É o Lula de sempre. Ele está igual. Quem esperava vê-lo envelhecido ou derrotado, se frustra. Ele tem fúria. E obsessão para provar sua inocência. “Não tem problema que eu fique aqui para o resto da vida. Quem não dorme bem é o Moro, Dallagnol e o juiz do TRF-4 [que confirmou sua condenação em segunda instância].”

    Os detalhes desta conversa serão publicados ao longo do dia no site e nas redes sociais do EL PAÍS.

     

    Com informações de brasil.elpais.com

  • Um dia após nova condenação sem provas, povo sai às ruas de São Paulo em solidariedade ao ex-presidente e pela manutenção dos direitos dos trabalhadores.

    A nova condenação sem provas de Lula, cuja sentença repete os erros jurídicos que o levou à prisão política, teve como reação imediata mais um ato em defesa da liberdade do ex-presidente com centenas de pessoas nas ruas de São Paulo na tarde de quinta-feira (7). Com a presença de lideranças de partidos progressistas e de movimentos sociais, a iniciativa reiterou também a importância de manter a luta contra a perseguição política ao maior líder popular da história do Brasil aliada ao enfrentamento e à resistência contra a agenda de retrocessos do novo governo.

    O ato também serviu como espécie de prévia para a jornada de lutas que acontece entre os dias 7 e de 10 abril, data que marca um ano do cárcere político imposto a Lula com o propósito de o tirar da disputa das últimas eleições presidenciais (da qual venceria) e enfraquecer a agenda da esquerda – que atende aos anseios do povo em detrimento aos interesses do mercado. Até abril muita ação e mobilização deve acontecer, inclusive no campo jurídico.

    Candidatura ao Nobel fortalece resistência

    A candidatura de Lula ao próximo Prêmio Nobel da Paz, proposto pelo argentino Adolfo Perez Esquivel, que já ganhou o Nobel da Paz, contribui para o fortalecimento da resistência, pois no curto prazo de um mês o abaixo-assinado respaldando a indicação conseguiu 500 mil assinaturas.

    A campanha Lula Livre ganhou o mundo, pois os setores democráticos e progressistas da sociedade em todos os continentes reconhecem no presidente Lula uma liderança que colocou o Brasil e a América Latina no caminho da justiça social e do reconhecimento internacional.

    As razões para a candidatura de Lula ao posto de Nobel da Paz são muitas: além de promover a paz e fazer um governo pautado pelo diálogo e por agenda voltada ao respeito e ampliação dos direitos do povo brasileiro, Lula deixou legado altamente positivo na história do Brasil ao combater a fome, a pobreza e a precariedade das relações entre capital e trabalho.

    Com informações da Agência PT de Notícias

  • Teve inicio no último sábado, 24 de fevereiro, e prossegue até o dia 28, em Caracas, capital da Venezuela, a Assembleia Internacional dos Povos. O evento reúne cerca de 400 pessoas oriundas dos cinco continentes e representam mais de 100 movimentos sociais, que manifestam sua solidariedade à “Revolução Bolivariana” e à soberania da Venezuela, ao mesmo tempo em que condenam e denunciam a ingerência do imperialismo norte-americano, que ameaça abertamente com a intervenção militar.  O Brasil participa com 30 delegados/as, dirigentes de diferentes organizações e  movimentos sociais, incluindo o movimento sindical.

    A  dirigente Vânia Marques, secretaria de Movimentos Sociais  da CTB e trabalhadora rural da Bahia, representa a central na reunião. "Apesar de todo o terrorismo que as mídias oficiais tem disseminado no Brasil”, observou, “o clima aqui é de resistência, segundo venezuelanos com quem tive a oportunidade de conversar. Esse não é o primeiro ataque do imperialismo estadunidense contra o país. Por onde se anda respiramos ares de revolução, nas artes, pinturas, grafites, o patriotismo e o chavismo estão presente nas ruas”.

    Segundo Vânia, o primeiro dia do encontro traduziu o forte sentimento de resistência e solidariedade. As falas acenam para uma forte aliança internacionalista dos povos. É preciso enfrentar o avanço do imperialismo de forma organizada, e desmascarar as mentiras que, através da mídia burguesa, espalha pelo mundo a fora.

  • Em Belém, a empresa de transporte rodoviário, Monte Cristo, vinha descumprindo os acordos assinados com o Sindicato e desrespeitando os direitos dos trabalhadores rodoviários. Diante desse quadro, onde os trabalhadores não conseguiram nada na via negocial, não restou ao Sindicato opção que não fosse convocar a categoria para assembleia geral para uma decisão coletiva. Os trabalhadores deliberaram pela deflagração da greve até que seus direitos fossem assegurados.

    Os trabalhadores não aceitavam a continuidade de descumprimento do acordo que determinou a implantação do ponto eletrônico biométrico, como forma de evitar a imposição de jornada de trabalho excessiva, irregular e de não pagamento de horas extras. E após 3 dias de paralisação, de forte participação da categoria e condução classista do Sindicato, a empresa buscou amparo na justiça, para a interferência na luta dos trabalhadores.

    Uma decisão despropositada da justiça não dobrou a resistência dos rodoviários. A concessão de uma liminar que proibia a presença do Sindicato de realizar seu trabalho de convencimento, impondo a distância de 300 metros distante do portão da garagem. A liminar teve cumprimento com dezenas de policiais militares e da cavalaria, incluiu até a ameaça de uso de forças do Exército Brasileiro.

    Foi uma decisão equivocada e sem base legal, pois o uso das forças armadas é definido em legislação como os artigos 142 e 144 da Constituição Federal e artigo 15 parágrafo 2, da Lei complementar 97/1999. O artigo 142 da Carta Magna diz que "As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. 

    São três, portanto, as suas funções, a saber: 1) garantir a defesa da Pátria, 2) garantir os Poderes constituídos e 3) a pedido de quaisquer deles (Poderes constituídos) assegurar o cumprimento da lei e da ordem e os artigos (136 a 144), dá às Forças Armadas (142 a 143) e às forças de segurança pública (144) tais funções, que podem ser exercidas em crises internas invocando o “estado de defesa” (crise localizada) ou de “sítio” (generalizada), o que não acontecia naquela greve de trabalhadores, na defesa de direitos que vinha, sendo descumpridor pela empresa.

    O maior responsável pela bagunça no transporte público é a prefeitura de Belém na figura do prefeito Zenaldo Coutinho, que não fiscaliza as empresas. “Esses são uns dos maiores fatores que implicam em um mau atendimento a população", disse Altair Bandão, presidente do Sindicato dos Rodoviários do Pará.

     

    A UNIDADE DOS TRABALHADORES MANTÉM A LUTA E AVANÇA NAS CONQUISTAS

    Mesmo após a liminar, extrapolando os limites legais, e a presença de policiais, cachorros e cavalos, os trabalhadores manifestaram a disposição de seguirem na luta. Não garantindo o funcionamento das linhas. A categoria com o apoio e presença do Sindicato dos Rodoviários mostrou sua disposição de seguir em greve e conquistar seus direitos.

    No sábado (16/03) às 12 horas, a empresa chamou o Sindicato para apresentar proposta de atender a maioria das demandas da classe trabalhadora. Os trabalhadores realizam assembleia geral, sob comando do seu Sindicato e, atendidas suas reivindicações suspendem a greve e decidem pelo retorno ao trabalho, vitoriosos e confiantes na força da categoria.

    AS PRINCIPAIS CONQUISTAS 

    O presidente do Sindicato, Altair Brandão, satisfeito com o resultado do movimento, parabenizou a garra dos rodoviários, agradece a confiança de todos no Sindicato e na sua diretoria e apresentou as principais conquistas. Além do compromisso de utilização do ponto biométrico, ficou acordado:

     

    * Garantia de pagamento das horas extras;

    * Não vão ser descontados os dias parados;

    * Ressarcimento de multas indevidas cobradas dos motoristas;

    * Pagamento das horas extras, retiradas dos trabalhadores;

    * Ressarcimento dos valores dos salários e ticket nas faltas indevidas dos trabalhadores que não faltaram serviço;

    * Efetuar o pagamento de férias dos trabalhadores conforme CLT atualizada no artigo 145. (Pagamento deverá ser feito até 2 dias antes do gozo);

    * Entregar o contra cheque para os trabalhadores antes ou no dia do pagamento do mesmo;

    * Acabar com o assédio moral aos cobradores pelo tempo de retorno para a garagem, para a prestação de conta.

    Ao final da assembleia Altair Brandão, que é Vereador de Belém, pelo PCdoB, e presidente do Sindicato dos Rodoviários, agradeceu aos trabalhadores e trabalhadoras pela confiança no Sindicato e ressaltou que as conquistas são frutos das lutas e da unidade da categoria e de seu instrumento de lutas, o Sindicato.

    Jonh Carvalho, diretor da CTB/PA e do Sindicato dos Trabalhadores em Carro Forte, Transporte de Valores e Escolta Armada (SINDFORTE), esteve acompanhando as mobilizações e o movimento grevista, parabenizou a garra e a coragem da categoria e do Sindicato dos Rodoviários em enfrentar os patões e arrancar conquistas para os trabalhadores.

  • Após 41 dias de greve, os servidores públicos da cidade de Formoso, localizado na região Noroeste de Minas, decidiram voltar ao trabalho nessa segunda (10).

    A decisão foi aprovada durante assembleia realizada no Sindicato dos Servidores Públicos de Buritis (Sindiburi), logo após a assinatura de um Termo de Audiência entre o Sindicato e a Administração Municipal. No documento, a prefeitura se compromete a depositar os salários dos meses de julho e agosto até a próxima sexta-feira (14/12).

     O presidente do Sindiburi, Erni Prado Fonseca (foto acima), explica que o atraso no pagamento dos salários é resultado da má gestão municipal. “A atual administração contratou um número excessivo de cabos eleitorais. Além do mais, gastou muito dinheiro com festas e contratação de shows artísticos”, diz ele.

     Ainda de acordo com o Termo de Audiência assinado entre o sindicato e a prefeitura, os pagamentos seguintes também serão quitados. Leia abaixo:

    I) Os pagamentos dos meses de JULHO e AGOSTO serão integralmente quitados até no máximo dia 14/12/2018;

    II) Os pagamentos seguintes serão quitadosusando 62,5% de todos os repasses ao município; como exemplo, para cada 1000 reais 625 serão destinados para pagamentos dos servidores;

    III) NÃO HAVERÁ CORTE DE PONTO dos servidores grevistas;

    IV) O município prestará contas ao SINDIBURI de todos os repasses, via ofício.

    whatsapp image 2018 12 11 at 15.52.33 1

    whatsapp image 2018 12 11 at 15.52.32

    Acompanhe Circular do Sindicato:

    INFORMATIVO SINDIBURI
    08.Dez.2018

    DEPOIS DE 41 DIAS DE GREVE EM FORMOSO/MG, SINDIBURI DETERMINA RETORNO AO TRABALHO, APÓS ACORDO EM AUDIÊNCIA.

    O SINDIBURI deflagrou greve em Formoso/MG, que iniciou em 30.Out, por atrasos salariais, entre outros motivos, sendo que atualmente são 5 meses de atraso, de julho a novembro.

    Em audiência realizada ontem (07.Dez) no fórum de Buritis, com a presença do MM Juiz e do Promotor de Justiça, do SINDIBURI representado pelo seu presidente Erni Prado Fonseca, e Dr. Vânio Ferreira, da prefeitura pelo chefe de gabinete e advogadas, e da Câmara pelo presidente vereador Celso, sendo que no hall estavam presentes muitos servidores e vereadores de Formoso, chegou-se ao seguinte acordo, conforme Termo de Audiência:

    I) Os pagamentos dos meses de julho e agosto serão integralmente quitados até no máximo dia 14/07/2018;

    II) Os pagamentos seguintes serão quitados usando 62,5% de todos os repasses ao município; como exemplo, para cada 1000 reais 625 serão destinados para pagamento dos servidores;

    III) NÃO HAVERÁ CORTE DE PONTO dos servidores grevistas;

    IV) O município prestará contas ao SINDIBURI de todos os repasses, via ofício.

    Mediante o acertado na audiência, o SINDIBURI, representante legal da categoria, determina o encerramento da greve e o retorno ao trabalho de todos os servidores na próxima segunda-feira (10/10/2018).
    ________________

    Um sindicato só se faz forte e atuante com você participando.

    SINDIBURI - vigilante, combativo, apartidário.

    Erni Prado Fonseca
    Presidente do Sindiburi.

    CTB Minas

  • Por Gilson Reis*

    Desde a posse de Temer, que possibilitou a eleição de Bolsonaro, os sindicatos têm sido atacado pelas políticas governamentais, em benefício do capital. A estrutura e organização sindical no Brasil se tornaram, nos últimos 40 anos, tema presente no cotidiano dessas entidades. O assunto engloba as estruturas horizontais e verticais e todo o complexo sistema organizativo sindical dos assalariados. A organização por local de trabalho continua sendo o maior desafio, ainda hoje muito debilitada e distante da realidade dos trabalhadores. Portanto, a necessidade de estruturação e enraizamento dos sindicatos nos locais de trabalho é um objetivo permanente a ser alcançado.

    A pulverização de milhares de pequenos sindicatos de categoria é outro permanente desafio para a nossa estrutura sindical. A unicidade sindical, que deveria conter a expansão sindical e o pluralismo, em certa medida favoreceu uma lógica sempre defendida pelo capital como referência para a representação sindical dos trabalhadores, ou seja, sua fragmentação em pequenas e frágeis estruturas. Os sindicatos por empresa sempre foram um sonho acalentado pelos ultraliberais, que consideram que a organização sindical deve estar atrelada à organização do capital e de seus interesses cumulativos.

    As estruturas verticais — centrais, confederações e federações — são outros importantes e decisivos instrumentos na estruturação e organização da luta e resistência dos trabalhadores. Neste momento, são ainda mais importantes, devido à permanente movimentação do capital que busca a concentração e a centralização, seja através de monopólios, oligopólios ou cartéis, constituindo-se em grandes empresas regionais, nacionais e internacionais.

    Ao longo do tempo, as centrais sindicais estiveram presentes nas grandes lutas dos trabalhadores e nos momentos decisivos da história. Somente no Governo Lula elas alcançaram a condição de legalidade, pois a elite política e empresarial brasileira sempre buscou interferir e dificultar sua existência. Mesmo diante de todas as dificuldades, os trabalhadores brasileiros conquistaram e organizaram poderosas centrais sindicais, referência mundial, que interferiram de forma decisiva nos destinos do país nas ultimas décadas.

    Em 2014, com a quarta vitória eleitoral das forças democráticas e populares, as elites políticas, econômicas e sociais locais, articuladas ao grande capital internacional, a setores fundamentalistas, parte do judiciário e com o apoio estadunidense, derrubaram o Governo Dilma e estabeleceram uma nova agenda para o pais, a “ponte para o futuro”. O programa, eminentemente ultraliberal, conduziu o país a uma profunda crise política, econômica e social e garantiu, num pleito atípico e fraudulento, a eleição de um agrupamento ainda mais conservador nos costumes e ainda mais ultraliberal na economia.

    Um dos pilares dessa nova ordem política é justamente o ataque aos trabalhadores e suas organizações sindicais. A reforma trabalhista do governo golpista de Temer mudou profundamente as relações de trabalho. Mudou amplamente a legislação, a Justiça do Trabalho e o financiamento das entidades sindicais. Criou inúmeras modalidade de contratos de trabalho — incluindo contratação temporária e/ou intermitente —; tornou a terceirização ampla e irrestrita, precarizou as leis trabalhistas, impôs o negociado sob o legislado, dentre outras medidas. A Justiça do Trabalho foi cerceada e controlada pela nova legislação, o que dificulta aos trabalhadores recorrer às instâncias do Judiciário para reaver parte de seus direitos negados pelo capital.

    Todavia, o ataque é mais perverso no financiamento das entidades sindicais, estrangulando toda a sua estrutura. Em consonância, o Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu a contribuição negocial ou assistencial somente para os filiados aos sindicatos.

    Os ataques deferidos pelos golpistas e empresários feriram gravemente a estrutura, organização e o direito do trabalho. São inevitáveis os confrontos entre capital e trabalho. Está sendo elaborado um novo arcabouço jurídico que garanta uma legislação equilibrada e avançada em substituição à CLT. Esse estatuto deve ser um instrumento convergente de nossas ações e debates para o próximo período.

    Várias ações dos magistrados da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho vêm movimentando a sociedade com debates, manifestações e ações políticas. Mostra à sociedade o quanto são graves e inoportunas as mudanças ocorridas no último período na legislação trabalhista. O movimento sindical deve condenar o fim da Justiça do Trabalho.

    Centrais, confederações, federações e sindicatos precisam ampliar o debate sobre o financiamento das entidades. Os próprios trabalhadores vão reconhecendo as trapaças e mentiras ditas pelos representantes do capital. A contribuição compulsória aos sindicatos através de mensalidades, para todos que forem abrangidos pela convenção o acordo coletivo, é um dos pilares dessa agenda. A contribuição direta ajuda a conscientizar os trabalhadores sobre a importância dos sindicatos e de sua estrutura organizativa, cria sinergia e adesão política à entidade. Entretanto, somente com a contribuição mensal voluntária os sindicatos teriam dificuldades em sua gestão e financiamento. A imensa rotatividade de emprego, pouquíssima democracia nos locais de trabalho, grande precarização do trabalho, principalmente com a terceirização ampla e irrestrita, dificultam a relação dos terceirizados com os sindicatos profissionais, dentre outras dificuldades.

    A contrarreforma de Temer, a expansão do capital privado na rede de ensino, a constituição de grandes conglomerados no setor, as dificuldades impostas pelas novas relações de trabalho, o avanço do fundamentalismo na educação, o modelo privatista de Bolsonaro, a desregulamentação proposta pelo governo, a privatização das escolas públicas etc. colocaram a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) no centro da luta política e sindical. O fortalecimento político e material da entidade será decisivo para o avanço de toda a estrutura política e organizativa dos professores e auxiliares da educação privada no país.

    Não é prudente manter sindicatos frágeis, com bases restritas, com pequena capacidade material, com fragilidades financeiras e de representação. Sindicatos que não jogam o papel diante do grande capital, da expansão privatista e da precarização do trabalho. Fundir sindicatos, criar sindicatos regionais e/ou estaduais, com maior capacidade material, política e organizativa são desafios. A organização no local de trabalho, a presença de jovens nas entidades, da participação das mulheres, da representatividade racial, abrir espaços para a participação de grupos LGBTI nas estruturas sindicais, dentre outras medidas, estão igualmente na ordem do dia.

    O movimento sindical brasileiro precisa reinventar-se e pensar novas formas de organização e estrutura para enfrentar os imensos retrocessos verificados no mundo do trabalho desde o golpe que depôs a presidenta Dilma Roussef. Os trabalhadores carecem de um movimento sindical forte e unitário, que enfrente os desafios que a situação política impõe. À luta!

    *Coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Establecimentos de Ensino – Contee