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Ter, Jun

Revolução Russa

  • Depois da polêmica provocada na Festa Literária de Paraty (Flip) deste ano envolvendo a falta de escritores negros no evento, a nova curadora da Flip, a jornalista e historiadora Josélia Aguiar, tomou a decisão de homenagear o escritor Lima Barreto.

    Essa homenagem vem em boa hora, porque se há um escritor brasileiro que se possa dizer injustiçado e desprezado, esse é Afonso Henriques de Lima Barreto. Porque a crítica literária da época desprezou a linguagem coloquial utilizada pelo autor para narrar a vida de pessoas comuns.

    O seu livro de estreia, "Recordações do escrivão Isaías Caminha", foi muito criticado por ser considerado “personalista demais”, em vez de verem ali o início da renovação da literatura brasileira.

    A primeira biografia do escritor foi publicada em 1952. O clássico “A vida de Lima Barreto”, de Francisco de Assis Barbosa, conta como o autor carioca sofria com as críticas e o desprezo que a elite sentia por ele.

    Isso tudo porque a sua autodenominada “literatura militante” era confundida muitas vezes como relatos autobiográficos. Porém, Barreto usou sua escrita para denunciar as mazelas da sociedade racista, colonialista e que desprezava o povo.

    Como escreveu o escritor paulista Monteiro Lobato: “De Lima Barreto não é exagero dizer que lançou entre nós uma fórmula nova de romance. O romance de crítica social sem doutrinarismo dogmático. Conjuga equilibradamente duas coisas: o desenho dos tipos e a pintura do cenário. É um revoltado, mas um revoltado em período manso de revolta. Em vez de cólera, ironia; em vez de diatribe, essa nonchalance filosofante de quem vê a vida sentado num café, amolentado por um dia de calor”.

    A curadora da Flip 2017 que vai lançar uma obra sobre o escritor baiano Jorge Amado disse ao El País Brasil que “ele lia muito Lima Barreto nos anos 30 e o considerava ‘o escritor do povo’”.

    Lima Barreto 2

    Filho de ex-escravos, o pai tornou-se tipógrafo, a mãe professora de 1ª à 4ª séries, Lima Barreto dizia sobre si: “Nasci mulato, pobre e livre”. Apadrinhado pelo Visconde de Ouro Preto, tornou-se jornalista e transformou-se em um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos.

    Reagiu com sarcasmo à hipocrisia da elite brasileira, que ele considerava preconceituosa. Simpático ao anarquismo inicialmente, impressiona-se com a Revolução Russa, de 1917, então começa a militar na imprensa socialista.

    Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu a 13 de maio de 1881, no Rio de Janeiro. Cedo descobriu seus pendores literários e era comumente encontrado na Biblioteca Nacional. Critica com veemência a visão elitista, arrogante, passadista e ufanista de parte dos literatos da época.

    Recusado pela Academia Brasileira de Letras por duas vezes, foi maltratado pela crítica, justamente por ser revolucionário na forma de escrever as vicissitudes do homem comum do povo, com uma linguagem coloquial, que fugia aos padrões elitistas da literatura do início do século 20.

    a vida de lima barreto

    O autor de “Clara dos Anjos”, “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, ”O Homem que Sabia Javanês”, entre outros clássicos foi vencido pelo alcoolismo falecendo aos 41 anos, no Rio de Janeiro, em 1º de novembro de 1922.

    Com essa homenagem, a Flip resolve dois problemas de uma vez só. Coloca em cena os escritores negros, invariavelmente marginalizados, e faz justiça ao talento inovador de Lima Barreto, que trouxe modernidade à literatura brasileira.

    Algumas de suas obras:

    Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909)
    O Homem que Sabia Javanês (1911)
    Aventuras do Dr. Bogóloff (1912)
    Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915)
    Numa e a Ninfa (1915)
    Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919)
    Histórias e Sonhos (1920)
    Os Bruzundangas (1922)
    Clara dos Anjos (1948)
    Outras Histórias e Contos Argelinos (1952)
    Contos do Reino de Jambom (1953)

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Lucia Rincon é Coordenadora Geral da União Brasileira de Mulheres (UBM). No centenário da Revolução Russa, ela fala sobre a importância das mulheres naquele momento histórico de conquista popular.

    Qual o papel desempenhado pelas mulheres na Revolução de Outubro de 1917?

    As mulheres tiveram uma participação importante na Revolução Russa. Elas foram às ruas iniciando aquele movimento com uma participação de protesto exigindo pão para os filhos e filhas e os regresso regresso dos maridos das trincheiras na primeira guerra mundial.

    Qual o legado social para as mulheres deixado pela União Soviética?

    O legado da luta das mulheres na União Soviética é inestimável! No continente europeu, foi na União Soviética o primeiro onde as mulheres conquistaram o direito de voto. Foi também o primeiro a conquistar o direito ao aborto. E não só uma conquista solta, mas a conquista legislada regulamentada onde as mulheres tinham acesso ao aborto legal com uma legislação geral que tinha como princípio reconhecimento de que as mulheres são seres humanos como os homens e, portanto, eram importantes para revolução e consideradas como elementos participantes e construtores da vida social. Importante registrar também que nesse momento, o direito das mulheres se estabeleceu garantindo inclusive o divórcio, a pedido de qualquer um dos cônjuges, então se reconhecia o direito da mulher se apropriar de sua vida, do processo reprodutivo, e de ter uma participação igualitária no seio da sociedade.

    Como você enxerga a relação entre a luta das mulheres e a luta pelo socialismo?

    São indissociáveis a luta das mulheres e a luta pelo socialismo. Isso porque a luta das mulheres, de forma consequente, precisa reconhecer os direitos humanos das mulheres e, o socialismo, é a luta que garante em busca de um estado que reconheça o direito para homens e mulheres em condições de igualdade. A luta pelo socialismo é a luta que significa instituir um governo da maioria, que reconheça os direitos do Povo trabalhador e de todo mundo nessa sociedade, de tal forma que a legislação e as políticas públicas levem em consideração que estão tratando com com seres humanos e construindo, antes de qualquer, condições para as pessoas viverem com dignidade. O socialismo tem como perspectiva a construção da sociedade humana feliz, igualitária, sem exploração do homem pelo homem, sem opressão de um ser humano pelo outro, e é essa a luta das mulheres: a luta para que possamos viver em condições de igualdade, para que não sejamos mais consideradas cidadãs de segunda categoria.

    Em que patamar você identifica que está situada a luta das mulheres na atualidade?

    Para responder a essa questão é preciso entendermos que o estágio de desenvolvimento da conquista de direitos na sociedade capitalista e patriarcal se estabelece diferentemente em cada sociedade. No Brasil, hoje, vivemos um momento de grande retrocesso porque para se conquistar condições de igualdade precisamos ter um processo democrático. Em nosso país, tivemos um grande retrocesso em termos daqueles que estão ocupando o estado usarem o aparato para formulação de leis conservadoras. Seja no executivo, seja no legislativo, hoje, os personagens que ocupam esses espaços são majoritariamente conservadores. portanto. cheio de preconceitos contra as mulheres, contra os homossexuais, contra os transgêneros, contra os negros e as negras, então nós precisamos conquistar no nosso país novos avanços democráticos. Somente numa sociedade democrática poderemos nos organizar e sair do estado de resistência em que estamos para garantir os poucos avanços que tivemos nos últimos 15 anos.

    Da CTB-RJ

  • Na última terça-feira (7), a Revolução Russa completou seu centenário e Moscou foi palco de uma grande manifestação que iniciou com uma caminhada do monumento de Pushkin até a Praça da Revolução em frente ao Teatro Bolshoi onde está um imponente busto de Marx concluindo com um ato e show.

    Mais de 5.000 pessoas de todo o mundo participaram da celebração. A Federação Sindical Mundial (FSM) participou da homenagem representada pelo membro do Conselho Presidencial da organização, Vincent Kapenga e pela diretora da central indiana (AITUC), Vahidha Nizam.

    Confira abaixo o vídeo:

    Portal CTB 

     

     

     

  • No dia 28 de abril deste ano, aconteceu a maior greve geral da história do país, 40 milhões de trabalhadores e trabalhadoras cruzaram os braços. Para um melhor entendimento das lutas da classe trabalhadora brasileira, Carlos Pronzato realiza o documentário “1917: A Greve Geral”.

    O cineasta argentino, radicado no Brasil, acredita ser muito importante a compreensão da história para se entender o presente. Por isso, adotou a forma de documentários para suas obras.

    “Não tenho como objetivo construir peças de museus, mas filmes que deem voz aos que são marginalizados ou rejeitados pela história oficial”, diz Pronzato. “Uso a plataforma audiovisual com temas sociopolíticos juntamente com materiais históricos para que não percam a vigência”.

    Última nação a abolir a escravidão em 1888, o Brasil de 1917 engatinhava em seu processo de urbanização e industrialização. A República marginalizava a população negra do mundo do trabalho, empurrando-a para a periferia, e trazia para o país operários europeus, com a clara intenção de branquear a sociedade.

    pronzato lopreto velozo filme greve 1917

    Pronzato conversa com Christina Lopreato, acompanhado do cinegrafista Xeno Velozo, no vão do Masp, em São Paulo (Foto: Marcelo Chaves)

    A primeira greve geral ocorrida no Brasil, se deu basicamente em São Paulo e Rio de Janeiro por onde a industrialização se acelerava. E com a chegada de operários da Europa em crise, e forte influência do clima criado com a Revolução Russa, a greve se agiganta com o assassinato do sapateiro espanhol José Martinez, de apenas 21 anos.

    “O auge deste período foi a greve geral de julho de 1917, que paralisou a cidade de São Paulo durante vários dias. Os trabalhadores em greve exigiam aumento de salário. O comércio fechou, os transportes pararam e o governo impotente não conseguiu dominar o movimento pela força. Os grevistas tomaram conta da cidade por trinta dias”, conta o historiador Hermínio Linhares em seu livro “Contribuição à história das lutas operárias no Brasil”.

    Os grevistas queriam a liberdade das pessoas presas por participar do movimento, direito de associação da classe trabalhadora, abolição da exploração do trabalho de crianças com menos de 14 anos, contra o trabalho noturno de jovens com menos de 18 anos e das mulheres e aumento salarial, jornada de trabalho de 8h diárias, entre outras reivindicações.

    Em suas obras mais recentes, Pronzato examinou por dentro as ocupações de escolas em São Paulo 2015 com a obra “Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile! Escolas ocupadas em São Paulo”, lançado no início de 2016. Também documentou as escolas ocupadas no Paraná no ano passado no filme “Ocupa tudo: escolas ocupadas no Paraná”, que estreou neste ano.

     Assista o filme Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile! Escolas ocupadas em São Paulo

    Influenciado pelo neorrealismo italiano (movimento cultural surgido nos anos finais da Segunda Guerra Mundial, com grande destaque no cinema) e pelo Cinema Novo (movimento cinematográfico surgido na década de 1950 com a vontade de levar às telonas a alma do Brasil), Pronzato busca levar reflexão sobre os fatos que marcam a história recente da classe trabalhadora e dos movimentos sociais de contraposição ao capitalismo.

    “Ao refletir sobre a primeira greve geral do Brasil, pretendo recuperar o espírito dos grevistas de 1917”, realça o documentarista. Ele também contou a trajetória de Che Guevara na Bolívia até o seu assassinato em 1967, no filme “Carabina M2, uma arma americana – o Che na Bolívia” (2008) e “A Revolta do Buzu” (2002), sobre protestos contra aumento de tarifa no transporte público de Salvador.

    Com larga utilização do Arquivo Público do Estado de São Paulo e Arquivo Edgard Leuenroth de Campinas (SP) ele remonta a história com acervo fotográfico e de texto de rara qualidade.

    Também agradece a Francisco Foot Hardman, Christina Lopreato e José Luiz Del Roio. Ele conta ainda que iniciou sua mais recente obra em meados de 2016 e o prevê a conclusão para o mês que vem. Com edição de Renato Bazan.

    Assista Ocupa tudo: escolas ocupadas no Paraná

    Para o cineasta é fundamental contar essa história, justamente para melhor compreensão da conjuntura política do país neste momento. “Vivemos uma situação de graves retrocessos, mas a classe trabalhadora dá mostras de reação e resistência”.

    “Tenho como fundamento em minha obra a colaboraçao com as questões populares e com isso trazer reflexão e ajudar na construção de uma nova sociedade. Somente com conhecimento podemos avançar com mais qualidade", conclui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e a Fundação Maurício Grabois convidam o filósofo marxista italiano Domenico Losurdo para refletir, junto à classe trabalhadora e às correntes progressistas, sobre  legado da Revolução Russa à humanidade. 
     
    A atividade é aberta ao público e ocorre nesta terça-feira (3) a partir das 19 horas no Sindicato dos Engenheiros (rua Genebra, 25 – centro da capital paulista, próximo à estação anhangabaú do metrô).  

    Domenico Losurdo veio ao Brasil convidado pela Boitempo e pelo Sesc em São Paulo para participação no Seminário Internacional 1917: o ano que abalou o mundo (que ocorre no Sesc Pinheiros entre 26 e 29 de setembro), e tem o apoio da Fundação Maurício Grabois. 
     
     
    Portal CTB 
  • Cartaz ”Livros”, para o departamento estatal da imprensa de Leningrado (Utilizando a foto de Lilya Brik), 1924

    Um resultado do florescimento artístico e da experimentação criativa na Rússia Revolucionária foi a foto que ilustra essa matéria. O cartaz foi desenhado pelo artista Ródchenko em 1924 a partir da fotografia de Lilya Brik, não só musa, mas protagonista ativa da revolução de 1917.

    Na obra, ela grita “Livros!”: a fotomontagem, que tinha o intuito de fazer propaganda para a Imprensa Estatal de Leningrado, exaltava os valores soviéticos de incentivo à cultura.

    Aleksandr Rodchenko, o autor da montagem, trabalhou como escultor, pintor, artista gráfico, fez cartazes para cinemas e teatros, para fábricas e desenhou capas de discos e móveis. Entre 1922 e 1926 dedicou-se a fotomontagens, como esta, que se tornou uma das imagens mais icônicas produzidas no século passado (e presente). Libertos dos limites do realismo, artistas uniram ilustrações e fotografias para criar cartazes dramáticos e modernos que desafiavam os limites da arte, e Rodchenko foi um deles. Se dedicou a fotografia por sentir que esta estava predestinada a oferecer com mais realidade as impressões confusas às quais os moradores das grandes cidades estão expostos em seu dia a dia.

    Rodchenko também fotografou Brik em uma capa para a revista LEF, panfletos de propaganda do “comando social” e fotomontagens. Foi fotografada por Martine Franck em 1976. Em 1923, o rosto de Lily com olhos arregalados ilustrou a capa de Pro Eto, poema de Vladimir Maiakovsky. Pablo Picasso, com quem ela também conviveu, teria lhe apelidado de “a musa da vanguarda Russa”. E ela foi mesmo. Mas não só: Lilya não só deu cara à revolução, como também participou ativamente dela, criando.

    Foto: Lilya Brik em vestido Dourado, 1924. Por Alexander Rodchenko

    Lilya Yurevna Kagan nasceu em 1891 em Moscou. Filha de um advogado judeu e de uma professora de música, recebeu junto com sua irmã Elsa uma educação típica de classe média alta europeia: tocavam piano e falavam francês e alemão. Seu círculo social era formado por artistas e escritores russos, além de viajantes que traziam consigo notícias e ideias novas dos novos movimentos políticos e de vanguarda, que estavam em erupção na época.

    Aos 20 anos casou-se com Osip Brik, poeta futurista. Seu casamento, influenciado pelas novas ideias progressistas e revolucionárias, foi pouco convencional para os padrões da época. O companheirismo viria a frente da monogamia e, com essa liberdade, manteve uma relação com o poeta russo Vladimir Mayakovsky, antes companheiro de sua irmã. Quando esta foi morar em Paris, as duas continuaram mantendo correspondência, nunca havendo ressentimento. Em uma carta de Mayakovsky para Lilya, amor de sua vida, ele escreveu: “o amor é vida. O amor é o coração de tudo. Se ele interromper o seu trabalho, todo o resto morre, faz-se excessivo, desnecessário. (…) sem você não há vida. ”

    Formada em arte e arquitetura pelo Instituto de Moscou, Brik produziu e dirigiu o documentário "Jews on the land", sobre fazendas coletivas judaicas na Rússia, com roteiro de Maiakovski e Viktor Shklovsky. Em 1929, dirigiu o filme "Steklyanny glaz" (O olho de vidro), uma paródia sobre "cinema burguês". Além disso, ela praticou balé, atuou e também escrevia poesia.

    Lilya viveu uma vida artística e estimulante. É reconhecida até hoje como uma percursora da arte soviética, alguém que influenciou e inspirou outros talentos emergentes. Quando foi diagnosticada com uma doença terminal em 1978, cometeu o suicídio, para que nunca tivesse que depender de outra pessoa. Tinha 86 anos e uma história incrível deixada para trás, que mais tarde lhe deu a imortalidade.

    Mulher de personalidade forte e presença marcante, não foi a única artista do movimento construtivista russo pós-revolução. Segundo a curadora de arte e historiadora britânica Briony Fer, em seu livro “Realismo, racionalismo, surrealismo – a arte no entre-guerras”, “um traço notável da vanguarda russa pré e pós-revolucionária era o fato de contar, entre seus membros, com uma proporção de mulheres artistas bem maior do que qualquer outro movimento de vanguarda."

    Além disso, a Imagem da mulher, incluída no movimento dos trabalhadores russos, foi amplamente utilizada pela propaganda soviética. Neles, as mulheres são representadas como peça chave na sociedade, fortes, inteligentes, como são. O "agitprop", termo cunhado pela abreviação das palavras agitação e propaganda, foi utilizado como ferramenta de divulgação dos ideais marxistas-leninistas a operários e trabalhadores, muitas vezes tendo a mulher como protagonista.

    Os cartazes soviéticos, assim, não só revolucionaram a estética- como aqueles coloridos e ousados para longas inovadores em preto e branco que surgiram no cinema em 1920-, como também a ordem social da época no momento em que colocam a mulher como protagonista; contrastando, por exemplo, de propagandas norte-americanas entre 1930 e 1960, fortemente machistas.

    Acima temos a comparação entre um cartaz soviético de 1941 e um cartaz norte-americano de 1950, aproximadamente. No primeiro, chamado "Mãe Pátria", criado pelo artista Irakli Moissejewitsch, faz referência à proposta de que o serviço militar obrigatório abrangesse as mulheres, que surgiu após o lançamento da Operação Barbarossa de invasão da União Soviética por tropas nazistas em 22 de junho de 1941. Nele, vê-se uma mulher forte, à frente na decisão de combater, serviço teoricamente masculino.

    No segundo, temos a publicidade de uma marca de gravata norte-americana. Nela, a mulher, representada como esposa, está ajoelhada ao lado do marido, em posição serviçal e submissa, oferecendo-lhe o café da manhã. O texto diz: "mostre a ela que o mundo é dos homens" ou "mostre a ela que é um mundo de homens".

    O cartaz acima, entitulado "Dia Internacional da Mulher Trabalhadora é o dia de julgamento da concorrência socialista", de 1930, foi criado pela artista russa Valentina Kulagina (1902 – 1987).

    Este, entitulado "Dia Internacional da Mulher Trabalhadora – é o dia de luta do proletariado", de 1931, também é de Valentina. Combinando técnicas de pintura com fotografias e outros elementos gráficos, ela foi uma das figuras centrais do Construtivismo no início do século 20, ao lado de El Lissitzky, Alexander Rodchenko e o própio marido, Gustav Klutsis.

    O cartaz acima entitula-se "Fascismo – o inimigo mais cruel das mulheres", de 1941, produzido por Nina Vatolina (1915 – 2002). A artista estudou no Instituto de Moscou (1937 – 1942), especializando-se em pintura, principalmente de retratos. No auge da sua carreira, nos anos 60, decidiu mudar de direção e seguir carreira na literatura, tendo sido publicada pela editora "Soviet Artist".

    Este último chama-se "Se não eu e você, então quem?", de 1987, da artista Tarasova Ljudmila Semenovna. Nascida em 1937 em Moscou, após estudar no Colégio de Arquitetura de Moscou, concluiu seus estudos na Universidade Estatal Stroganov de Artes e Indústria.

    Fonte: Portal Vermelho, por Alessandra Monterastelli

  • Morreu na Alemanha, onde era cônsul honorário do Brasil, nesta sexta-feira (10), Moniz Bandeira, aos 81 anos. Professor universitário, cientista político e historiador, especialista em política exterior do Brasil.

    Bandeira tinha problemas cardíacos e estava internado desde outubro. Ele morreu por volta das 14h na cidade alemã de Heidelberg. Ele deixa a mulher Margot Elisabeth Bender, de nacionalidade alemã, e o filho, Egas.

    O intelectual era doutor em Ciência Política pela USP, professor aposentado de história da política exterior do Brasil na Universidade de Brasília e professor-visitante nas universidades de Heidelberg, Colônia, Estocolmo, Buenos Aires, Nacional de Córdoba e Técnica de Lisboa.

    “Para as comemorações dos 100 anos da Revolução Russa foram reeditados os seus livros: “O ano vermelho: Revolução Russa e seus reflexos no Brasil “ e "Lênin - vida e obra", que destacam o divisor de águas que representou a revolução de 1917 com a edificação do primeiro país socialista e os seus efeitos nas lutas revolucionários no mundo todo.

    Inclusive, em 2015, foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE), em reconhecimento pelo seu trabalho como "intelectual que vem repensando o Brasil há mais de 50 anos".

    No ano seguinte foi homenageado na UBE com o seminário "80 anos de Moniz Bandeira", ocasião em que sua obra foi destacada por importantes personalidades do meio acadêmico, político e diplomático. 

    Moniz Bandeira também teve uma importante trajetória de militância política. Filiado ao Partido Socialista Brasileiro, dentro do qual foi um dos organizadores da corrente Política Operário (Polop), acompanhou João Goulart em seu exílio no Uruguai após o golpe de 1964.

    Em declaração ao Portal Vermelho, João Augusto Rocha, professor da Universidade Federal da Bahia, cujo livro sobre a morte de Anísio Teixeira seria prefaciado por Moniz Bandeira, afirmou que “perdemos talvez o mais destacado cientista político brasileiro da atualidade, com projeção internacional, em pleno vigor intelectual, perto dos 82 anos de idade. Seu conhecimento sobre o mundo diplomático destaca-se sobretudo pelo extenso e profundo acompanhamento do processo de reciclagem do imperialismo, particularmente em seus ataques sobre o Brasil”.

    Dentre suas obras, destacam-se:

    • 2016 - A Desordem Mundial. O Espectro da Total Dominação. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 644 pp.
    • 2013 - A Segunda Guerra Fria. Geopolítica e Dimensão Estratégica dos Estados Unidos. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 714 pp.
    • 2009 - Poética. Rio de Janeiro, Editora Record, 144 pp.
    • 2005 - Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque). Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 854 pp. Obra traduzida e publicada na China e na Argentina.
    • 2004 - As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos (De Collor de Melo a Lula). Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 417 pp.
    • 2003 - Brasil, Argentina e Estados Unidos (Da Tríplice Aliança ao Mercosul). Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 920 pp. Obra traduzida e publicada na Argentina.
    • 2000 – O Feudo – A Casa da Torre de Garcia d’Ávila: da conquista dos sertões à independência do Brasil. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 601 pp.
    • 1999 – Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. II (2ª. revista, aumentada e atualizada de Brasil-Estados Unidos: A Rivalidade Emergente. São Paulo, Editora SENAC, 224 pp.
    • 1998 – De Martí a Fidel – A Revolução Cubana e a América Latina. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 687 pp.
    • ______ Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. I (Terceira edição revista de Presença dos Estados Unidos no Brasil – Dois Século de História e Brasil. São Paulo, Editora SENAC, 391 pp.
    • 1995 - Brasil e Alemanha: A Construção do Futuro. Brasília, Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais / Fundação Alexandre de Gusmão, 697 pp.
    • 1994 - O “Milagre Alemão” e o Desenvolvimento do Brasil - As Relações da Alemanha com o Brasil e a América Latina (1949-1994). São Paulo, Editora Ensaio, 246 pp. Obra traduzida para o alemão: Das Deustche Wirtschaftswunder und die Brasilien Entwicklung, Frankfurt, Vervuert Verlag, 1995.
    • 1993 - Estado Nacional e Política Internacional na América Latina - O Continente nas Relações Argentina - Brasil. São Paulo, Editora Ensaio, 304 pp; 2ª. ed., 1995, 336 pp. 1995.
    • 1992 - A Reunificação da Alemanha - Do Ideal Socialista ao Socialismo Real - São Paulo, Editora Ensaio, 182 pp. 2ª. ed. revista, aumentada e atualizada, 2001, Editora Global/Editora da Universidade de Brasília, 256 pp.
    • 1989 – Brasil - Estados Unidos : A Rivalidade Emergente - 1955-1980 - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 328 pp; 2ª. ed., São Paulo, Editora SENAC, 1999, 224 pp.
    • 1987 - O Eixo Argentina-Brasil (O Processo de Integração da América Latina) – Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 118 pp.
    • 1985 - O Expansionismo Brasileiro (A Formação dos Estados na Bacia do Prata – Argentina, Uruguai e Paraguai - Da Colonização ao Império) - Rio de Janeiro, Editora Philobiblion, 291 pp. – 2ª . ed., 1995, Editora Ensaio /Editora da Universidade de Brasília, São Paulo, 246 pp. 3ª ed., 1998, Editora Revan/Editora da Universidade de Brasília, Rio de Janeiro, 254.pp.
    • _____ Trabalhismo e Socialismo no Brasil - A Internacional Socialista e a América Latina - São Paulo, Editora Global, 56 pp;
    • 1979 - Brizola e o Trabalhismo - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1ª e 2ª edições, 204 pp.
    • _____ A Renúncia de Jânio Quadros e a Crise Pré-64 - São Paulo, Editora Brasiliense, 180 pp.
    • 1975 - Cartéis e Desnacionalização (A Experiência Brasileira - 1964-1974) - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 207 pp.; 2ª ,1975; 3ª ed., 1979
    • 1977 O Governo João Goulart - As Lutas Sociais no Brasil (1961-1964) - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 186 pp.; 2ª ed. dezembro de 1977, 3ª, 4ª e 5ª ediçõe 1978; 6ª ed. 1983; 7ª ed. revista e aumentada, 320 pp. 2001.
    • 1973 - Presença dos Estados Unidos no Brasil (Dois Séculos de História) - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 470 pp. 2ª ed., 1979; 3ª ed. São Paulo, Editora SENAC 1998, 391 pp.
    • 1967 - O Ano Vermelho - A Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 418 pp.; 2ª ed., Editora Brasiliense, 1980.

    Portal CTB com Carta Capital e Portal Vermelho

  • Foto: Joca Duarte/Reprodução

    Com os principais temas sobre a feminilidade, a revista Mulher de Classenúmero 6 está sendo distribuída pelo país afora. "Esta edição mostra que as mulheres estão no front da resistência aos ataques aos direitos e conquistas da classe trabalhadora", diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Traz uma entrevista exclusiva com a deputada estadual Manuela D'Ávila (PCdoB-RS). "Não há como abstrair a dimensão de ser mulher na fábrica, no campo ou no escritório com as responsabilidades sociais que nossa cultura patriarcal impõe às mulheres", diz a deputada comunista. "Quem não perceber isso estará cada vez mais distante de suas bases", complementa.

    Além dessa entrevista, a revista tem reportagem sobre o 8 de março - Dia Internacional da Mulher -, em São Paulo e um recorte sobre a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras. Apresenta também o Encontro Nacional da CTB: Visão Classista sobre a Diversidade Social, ocorrido em novembro de 2016, no Rio de Janeiro, onde a CTB criou o Coletivo LGBT.

    A socióloga Mary Garcia Castro escreve sobre o que ela chama de o "novo feminismo". Castro diz que "existe um novo feminismo que está decendo da favela e, por vielas próprias, enfrentando a ordem capitalista patriarcal".

    Já a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral lista as perdas para a juventude com o golpe. "Em todos os momentos da história brasileira, a juventude nas ruas foi responsável por definir os rumos do país. Não há porque tal roteiro ser diferente neste momento".

    mulher de classe

    Como não poderia deixar de ser, as dificuldades enfrentadas pelas trabalhadores rurais e como elas se organizam para resistir aos desmandos do governo golpista. A dirigente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Abgail Pereira faz um balanço sobre a luta sindical e política sob a ótica das mulheres.

    "Nossos caminhos se econtram, onde quer que estejamos, porque nossa prática é pautada pela defesa dos interesses maiores de nosso povo, fundamentada nos princípios da defesa da liberdade, da democracia e do desenvolvimento econômico com valorização da classe trabalhadora".

    "O Estado pode contribuir para a promoção dos direitos das mulheres por meio de diversas intervenções no sistema educacional", diz Marilene Betros em artigo sobre os mais importantes debates sobre a educação como área estratégica para o desenvolvimento nacional.

    Também a 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres não escapou do crivo da equipe da Mulher de Classe. Assim como um histórico da atuação das mulheres no front da Revolução Russa, que em 2017 completa 100 anos.

    A coordenadora-geral da UBM, Lúcia Rincon relata os acontecimentos do Congresso da Federação Democrática Internacional. Um artigo de Ivânia Pereira sobre a Comuna de Paris e uma crítica do filme "Eu, Daniel Blake" e a poesia "Com Licença Poética", de Adélia Prado fecham a edição. Boa Leitura!

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  • Inaugurada na quarta-feira (5) com aula do renomado jurista José Carlos Arouca, a Escola Nacional de Formação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), tem a sua primeira aula na segunda-feira (17).

    Com o tema Os Precursores do Movimento Sindical e o Manifesto Comunista como Origem do Direito do Trabalho, os juristas Antônio Renan Arrais e Cláudio Henrique Gouvêa versarão sobre a luta da classe trabalhadora para conquistar “condições humanizadas de trabalho, porque sem resistência não se conquista direitos, porque as classes dominantes se organizam para explorar o trabalho”.

    Arrais explica que o Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, publicado originalmente em 21 de fevereiro de 1848, se transformou no principal marco do Direito do Trabalho. “Antes dele as relações de trabalho eram determinadas pelos patrões. O Manifesto é uma espécie de conclamação aos trabalhadores e trabalhadoras para se organizarem para defender seus interesses”.

    A aula de Arrais aprofundará a história de como a organização da classe trabalhadora mudou as relações de trabalho no mundo. “A necessidade de se defender da exploração do capital, fez a classe trabalhadora se organizar em sindicatos”.

    Faça a inscrição aqui.

    Inclusive, conta ele, a Organização Internacional do Trabalho foi criada em 1919, dois anos após a Revolução Russa, que “difundiu pelo mundo as ideias revolucionárias e a possibilidade de construção do socialismo em contraposição ao capitalismo”.

    O jurista também se refere à recém-aprovada reforma trabalhista no Brasil. “Essa reforma é a legalização do trabalho precário, deixando trabalhadores e trabalhadoras à mercê dos interesses do patrão. Certamente isso irá provocar muitas questões referentes ao Direito do Trabalho”.

    Quem quiser aprofundar o conhecimento sobre o tema, terá que comparecer à primeira aula da Escola Nacional de Formação da CTB, nesta segunda-feira (17), às 19h, na sede do Sindicato dos Oficiais Marceneiros de São Paulo, à rua das Carmelitas, 149, centro, na capital paulista.

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  • A cantora e compositora chilena Violeta Parra nasceu no dia 4 de outubro de 1917. Ela se tornaria uma das mais importantes vozes das populações mais pobres da América Latina com suas canções políticas e esperançadas. 

    Além de se transformar na principal compositora chilena, Parra estudou a cultura popular de seu país. De família pobre, abandonou a escola em 1934 para cantar com seus irmãos, tornando-se uma das mais importantes folcloristas do chile, viajando pelo país para conhecer a vida e as canções dos camponeses.

    Ela encantou o mundo com canções antológicas e necessárias como “Gracias a la Vida”, popularizada no Brasil por Elis Regina (vídeo abaixo).

    “Graças à vida, que tem me dado muito
    Me deu o som e o abecedário
    E com ele, as palavras que penso e profiro
    Mãe, amigo, irmão e luz iluminando
    A rota da alma de que estou amando” 

    Em 1949, gravou seu primeiro disco na dupla feita com sua irmã Hilda, Las Hermanas Parra. Nunca mais parou até falecer em 5 de fevereiro de 1967, antes de completar 50 anos. Revolucionária em sua arte e em sua vida. Dedicou-se a cantar os saberes de seu povo com suas dores, seus amores, mas sempre com olhos no mundo novo.

    Tanto que os musicólogos Manuel Deniz Silva e Pedro Rodrigues escreveram na “Revista Vírus”, que “Violeta Parra, cantora, compositora, pintora, ligou a sua música à revolução de uma forma particular - com a sua voz e a sua guitarra mergulhou a canção-testemunho e a canção popular da América do Sul num caldo de revolta”.

    “Volver a los 17” (video abaixo), que para estudiosos refere-se à Revolução Russa que ocorreu em 1917, ano do seu nascimento, é bem apropriada para o centenário da revolução que mudaria o mundo e para denunciar as atrocidades feitas em nome do combate ao comunismo.

    “Voltar aos 17 depois de viver um século
    É como decifrar sinais sem ser sábio competente
    Voltar a ser de repente tão frágil como um segundo
    Voltar a sentir profundo como um menino diante de Deus
    Isso é o que sinto neste instante fecundo” 

    Influenciou o canto de muitas gerações pelo continente, entres eles os brasileiros Milton Nascimento e Chico Buarque. Precisa maior reverência do que essa? “O importante do legado de Violeta está na magnitude da sua obra” diz com razão a sua filha Isabel Parra.

    Num tempo tão sombrio, muito importante comemorar o centenário de tão importante voz que canta a vontade de mudar o mundo e transformá-lo num lugar bom para se viver, sem violência e sem discriminações. Violeta Parra representa a força da mulher latino-americana contra a cultura do estupro. Violeta Parra nos brindou com centenas de importantes obras, para interpretar e melhorar a vida de todo mundo.

    Já em “Casamiento de los Negros” (ouça abaixo), a poeta denuncia o racismo, mas canta a força da população negra em resistir e construir o novo.

    “Formou um casamento
    Todo coberto de negro
    Negros os noivos e os padrinhos
    Negros cunhados e sogros
    E o sacerdote que os casou
    Era dos mesmos negros” 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Fundação Violeta Parra