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Ter, Jun

Simone De Beauvoir

  • Neste Dia Internacional da Mulher - 8 de março -, o Portal CTB seleciona oito canções de diferentes autoras que intercaladas mostram que a luta das mulheres pela emancipação feminina tem história. O que comprova mais uma vez que a música popular brasileira desde sempre esteve antenada com os principais temas do momento histórico e, como toda boa arte, transcendem o tempo e permanecem atuais. Aprecie sem moderação.

    “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta", diz Simone de Beauvoir. Lutar por igualdade de gênero é lutar pela emancipação da humanidade.

    Vamos ás canções que elas falam por si:

    Machuca, de Chiquinha Gonzaga

     

    Flor Mulher, de Luana Hansen 

    Baila Comigo, de Rita Lee e Roberto Carvalho 

    Bate a Poeira, de Carol Conka 

    Alvorecer, de Dona Ivone Lara e Décio Carvalho

    Da Menina, de Tulipa Ruiz 

    Voz de Mulher, Sueli Costa e Abel Silva 

    Infinito Particular, de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown 

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Pouca gente sabe, mas a escritora inglesa Virginia Woolf, conhecida por clássicos como Mrs. Dalloway (Ed. Cosac Naify), Ao Farol (Ed. Autêntica) e As Ondas (Ed. Novo Século), é também autora de um importante ensaio que marcou a luta feminista a partir dos anos 1920. Um Teto Todo Seu (Ed. Tordesilhas), que estava esgotado há algum tempo, acaba de ganhar nova edição no Brasil.

    O livro reproduz a conferência histórica que Virginia ministrou em 1928, em Newham e Girton - duas faculdades frequentadas por mulheres dentro da Universidade de Cambridge, na Inglaterra -, falando sobre mulheres e a ficção.

    “Era uma conferência organizada numa universidade que aceitava mulheres, num país e numa época onde as mulheres sequer podiam entrar em bibliotecas que possuíam manuscritos de Shakespeare”, explica Carla Cristina Garcia, professora da PUC, que atua na área de Sociologia de Gênero, Estudos Feministas e Lazer Urbano.

    Ela começa a conferência falando da diferença encontrada no próprio prédio da universidade, conta Carla. Na ala onde dormem os estudantes homens, o jantar é maravilhoso, há abundância. Já o jantar servido na ala feminina era uma sopinha sem graça, praticamente uma água com sal.

    “E a partir dessa ideia da diferença entre a alimentação das moças e rapazes, ela vai mostrando como as mulheres ainda têm fome de conhecimento, fome de lugar no mundo e, principalmente (que é de onde vem o título do livro), de um teto todo seu. Ela vai defender o quanto é importante que a mulher tenha o dinheiro dela e um teto só dela para poder escrever. Porque o mundo fica requerendo da gente muita coisa, o que impossibilita um momento só nosso, que é o que criatividade precisa”.

    Ao falar da sua teoria, Virginia também vai contando a história da Literatura, passando por autoras inglesas do século 19, como Jane Austen, as irmãs Brontë, Emily e Charlotte, além da George Eliot.
    Carla desenvolveu uma lista de romancistas que trouxeram grande contribuição ao feminismo. Ela ressalta que é importante lembrar que vai depender muito também do olho de quem lê para entender o que as escritoras estão colocando.

    “Elas não estão escrevendo só porque são feministas, mas a maneira como são construídas as personagens femininas vão fazendo com que se tornem heroínas e inspirem gerações futuras de mulheres”.

    Margaret Atwood

    É uma escritora canadense que cria personagens femininas totalmente fora do padrão que se espera num cânone que tem uma fórmula definida de romances escritos por mulheres. Em A Noiva Ladra (Ed. Rocco), ela cria personagens do mal e trata de assuntos como estratégia militar. No livro A Odisseia da Penélope (Ed. Companhia das Letras), ela reconta o famoso mito subvertendo a narrativa original. Não é a história do marido que viaja e, sim, da mulher que vai tecer e desmanchar, mas renunciando à passividade. Ela faz uma nova leitura da Penélope, personagem emblemática da fidelidade e da obediência feminina, que passa a ocupar o centro da história.

    Gioconda Belli

    Ela é da Nicarágua e trata não só da questão feminina, como fala do papel da mulher latino-americana. Seu principal romance é O País das Mulheres (Ed. Record), cuja personagem principal é Viviana Sansón - presidenta de Fáguas, um pequeno país latino-americano. Pelas memórias de Viviana, vamos conhecendo a história do Partido da Esquerda Erótica (PEE) e de suas integrantes, todas convictas de que o poder exercido pelas mulheres, com humor e amor, pode conquistar o que em séculos o poder masculino não alcançou.

    Angelica Carter

    Escritora e jornalista inglesa, também escreveu ensaios, poemas, críticas, contos infantis e colaborou com o cineasta Neil Jordan na criação do roteiro de A Companhia dos Lobos, baseado em O Quarto do Barba-Azul, de sua autoria. No livro 103 contos de fadas (Ed. Companhia das Letras) ela reconta sob o ponto de vista feminista os contos de fadas, colocando o protagonismo das mulheres nas histórias já tão conhecidas por trazerem mocinhas indefesas, o que muda totalmente o sentido das histórias.

    Isabel Allende

    Escritora chilena que mora nos Estados Unidos há muito tempo e seu livro mais famoso é a Casa dos Espíritos (Ed. Bertrand Brasil). Suas protagonistas nunca são mulheres fracas, não há uma sequer que coloque em cheque a questão da subalternidade feminina ou situações em que você imagine que as mulheres não irão atuar e nem tomar a frente da própria história. Ela também dá muitas palestras hoje em dia sobre o lugar das mulheres tanto no mundo literário quanto político.

    Clarice Lispector

    Clarice tem que aparecer sempre. Ainda que ela não trate diretamente de questões feministas, não há nada mais feminista do que um livro como A Paixão Segundo G.H. (Ed. Rocco). Ela serve para tudo e ninguém passa impune à sua leitura. Perto do Coração Selvagem, A Hora da Estrela (Ed. Rocco), todos são ótimos romances. Ela enfia o dedo na ferida sem dó, e propõe questões humanas com protagonistas femininas.

    Laura Esquiavel

    É uma autora mexicana que ficou famosa pelo livro Como Água para Chocolate (Ed. Martins Fontes), em que relaciona a arte de cozinhar aos amores, desamores, risos e prantos. Nos últimos 20 anos ela fez diferença no cenário que se chamou de boom das novelas femininas, exatamente por fazer um questionamento de dentro para fora.

    Lygia Fagundes Telles

    Entre as escritoras nacionais, a Lygia tem uma história importante no feminismo. Se formou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco nos anos 1940, época em que os estudantes do curso eram majoritariamente homens. Seu livro As Meninas (Ed. Companhia das letras) foi escrito e lançado em plena ditadura militar e traz a história de Lorena, Ana Clara e Lia em meio às pressões da época. Já A Disciplina do Amor (Ed. Companhia das Letras), conta episódios da sua vida entremeados com ficção.

    Nélida Piñon

    Ela é pouco lida no Brasil, mas importantíssima na Literatura Brasileira e mundial. Foi a primeira mulher presidenta da Academia Brasileira de Letras e é muito traduzida lá fora. Não é uma leitura fácil, mas é maravilhosa. Tem crônicas, contos e romances importantes como A Doce Canção de Caetana (Ed. Record), A República dos Sonhos e Vozes do Deserto - neste último ela revela a mulher oculta por trás do mito da mais famosa narradora da literatura oriental, Scherazade.

    Isak Dinesen

    É o pseudônimo de Karen Blixen. É dinamarquesa e teve uma fazenda na África por muito tempo, no começo do século 20. Quando retorna à Dinamarca, resolve ser escritora e publica A Fazenda Africana (Ed. Cosac Naify) que inspirou o filme Entre Dois Amores, com Meryl Streep e o Robert Redford. O livro tem como ponto de partida a vida amorosa infeliz de uma baronesa europeia que se recusa a assumir seu papel dominante no mundo colonial. O marido transmite-lhe sífilis logo no primeiro ano de casamento e segue sua vida de playboy, enquanto ela fica sozinha à frente da fazenda de café.

    Simone De Beauvoir

    As leituras de Simone são praticamente obrigatórias. Não apenas O Segundo Sexo (Ed. Quetzal) que é a Bíblia feminista, mas todos os seus romances como A Convidada (Ed. Nova Fronteira), que aborda questões existencialistas, o amor de diversos ângulos, o ciúme, a decepção, raiva, frustração. Ela vai tratar não só das suas preocupações filosóficas, mas ponderando o papel da mulher nelas.

    Fonte: Vermelho, Maria Fernanda Moraes

  • O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) constitui um marco na história política do Brasil. Sua criação em 1985 (Lei 7.353/85) representa a luta das mulheres brasileiras na afirmação de sua igualdade social como fator fundamental para um verdadeiro processo de democratização de nossas instituições políticas, após 21 anos de ditadura militar. O CNDM teve um papel fundamental na garantia dos direitos da mulher na Constituição de 1988.

    Desde então o CNDM tem exercido a função de propor, avaliar e fiscalizar as políticas públicas com vistas a promoção dos direitos das mulheres (Decreto nº 8.202 de 2014). Exerce esse controle através de suas integrantes, representantes da diversidade do universo de mulheres brasileiras e atuantes na defesa de seus direitos através de redes, articulações, entidades de classe, associações, sindicatos e organizações não governamentais.

    Cumprindo seus objetivos o CNDM coordenou as 4 grandes Conferências Nacionais para a elaboração de políticas públicas para as mulheres, em articulação com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). A esse ciclo virtuoso de conquistas e avanços, enfrentamos hoje o desmonte do Ministério da Mulher da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que passa a ser. uma subsecretaria do Ministério da Justiça.

    Acompanhamos, com muita preocupação e indignação, o desenrolar do golpe que a cada passo desmonta as políticas sociais, sobretudo com a Publicação da Nº 611/junho de 2016, que desmobilizou e inviabilizou por 90 dias todas as atividades dos Conselhos de Controle Social, vinculados ao Ministério da Justiça. Se não bastasse, outra grande perda com a publicação do decreto publicado no último dia 22/06/2016, transferindo e subtraindo os recursos no valor de R$12.927.981,00 já destinados à SPM, para Presidência da República.

    cndm manifesto

    Para além dos desmandos, das contradições e das irregularidades amplamente denunciadas, tanto do encaminhamento deste processo, quanto das figuras que o encaminham, sobre as quais pesam múltiplas e comprovadas acusações, preocupamo-nos também com o papel da grande mídia. Em ação determinada e articulada com setores do judiciário e do parlamento, esta mídia ora fabrica, ora repercute seletivamente notícias, fatos e factoides que ajudam a construir a versão de um crime inexistente que se quer legitimar, sem o menor respeito à diversidade em suas fontes, ou à pluralidade de opiniões, como deveria ser a função de uma mídia minimamente imparcial e descente. Quem são os beneficiários dessa manipulação?

    Culparam a presidenta pela crise econômica em curso, embora saibam que a crise é global, e vem se arrastando, atingindo economias de grandes países capitalistas em todo o mundo. Utilizaram-se de repertórios machistas e misóginos para difamar a figura da presidenta eleita pelo simples fato de ser mulher. Charges, memes, hashtags pornográficas, adesivos alusivos ao estupro da presidenta, reportagens de jornais e revistas traduzem o duro viés do discurso misógino, fundado no patriarcalismo estrutural presente na sociedade brasileira. Os meios utilizados para desconstruir a imagem da presidenta Dilma enquanto gestora e mulher, não agridem somente a ela, agridem a todas nós mulheres e motivam a incitação e apologia do crime contra mulheres, tão evidenciado nos últimos dias.

    A absurda reforma ministerial realizada pelo governo ilegítimo encabeçado pelo vice Michel Temer logo após a votação pela admissibilidade do processo de impeachment no Senado, modificou diversas prioridades políticas do mandato eleito democraticamente pela população brasileira. Vários ministérios foram limados ou desmontados. Qual será o destino dos programas sociais? Qual será o destino dos projetos que defendiam mulheres, negros, LGBTTs, pessoas com deficiência, pessoas sem moradia?

    O nosso país é constituído majoritariamente de mulheres e de negros e o governo interino, de forma compatível com a atitude retrógrada e discriminadora, não indicou nenhuma mulher, nenhum negro para compor o primeiro escalão do seu governo ilegítimo. Além dessa atitude claramente machista e racista, indicou para dirigir as principais pastas da administração federal, um grupo de deputados federais que incluía vários investigados e com ordens de prisão decretadas conforme fartamente divulgado pela mídia.

    Se não bastasse, sob denúncias de setores da própria mídia, o presidente ilegítimo nomeia a ex-deputada federal Fátima Pelaes, que defende a submissão do estado às crenças religiosas e está sendo processada no seu Estado do Amapá, por desvio de três milhões de reais do Ministério do Turismo. Isso é uma vergonha para as mulheres brasileiras que se manifestam contra sua nomeação por todo o país.

    Se não bastasse, o presidente ilegítimo nomeou a ex-deputada federal Fátima Pelaes que se opõe ao Estado laico e defende a submissão deste às crenças religiosas. A nova secretária, além de tudo, ainda é alvo de processo no seu Estado do Amapá, por desvio de quatro milhões de reais do Ministério do Turismo. Isso é uma agressão a todas as mulheres brasileiras que se manifestam contra sua nomeação por todo o país.

    É inaceitável que os compromissos eleitos nas urnas sejam vendidos.

    E lembrando Simone de Beauvoir: Estamos vigilantes

    "Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.
    Simone de Beauvoir

    Assinam este manifesto as entidades da sociedade civil que compõem o pleno do CNDM - 26 JUNHO DE 2016.

    Redes e Articulações feministas e de defesa dos direitos das mulheres

    1) Articulação Brasileira de Lésbicas/ABL
    Conselheira: KAROLINE SOARES CHAVES
    2) Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica/ABMCJ
    Conselheira: RENATA SCHMIDT CARDOSO
    3) Associação Nacional de Travestis e Transexuais/ANTRA
    Conselheira: CHOPELLY GLAUDYSTTON PEREIRA DOS SANTOS
    4) Confederação das Mulheres do Brasil/CMB
    Conselheira: LIDIA CORREA DA SILVA
    5) Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil –
    BPW Brasil
    Conselheira: EUNICE APARECIDA DA CRUZ
    6) Fórum de Mulheres do Mercosul Brasil/FMM
    Conselheira: JEANETE MAZZIEIRO
    7) Fórum Nacional de Mulheres Negras/FNMN
    Conselheira: SILVANA DO AMARAL VERISSIMO
    8) Liga Brasileira de Lésbicas/LBL
    Conselheira: SILVANA BRAZEIRO CONTI
    9) Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia/MAMA
    Conselheira: MARIA ANTONIA S. SALGADO
    10) Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil/MMC
    Conselheira: JUSTINANA INÊS CIMA
    11) Parto do Princípio - Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa
    Conselheira: CRISTIANE YUKIKO KONDO
    12) Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos/RNFS
    Conselheira: SHEILA REGINA SABAG KOSTIN
    13) União Brasileira de Mulheres/UBM
    Conselheira: LÚCIA HELENA RINCON AFONSO
    14) União de Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira/UMIAB
    Conselheira: ROSIMERE MARIA VIEIRA TELES
    15) União Nacional dos Estudantes (UNE)
    Conselheira: BRUNA COUTO ROCHA

    Organizações de caráter sindical, associativa, Entidades de Classe que atuam na promoção dos direitos das mulheres

    1) Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO)
    Conselheira: Ana Maria Costa
    2) Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil/CTB
    Conselheira: Ivânia Pereira da Silva Teles
    3) Central Única dos Trabalhadores/CUT
    Conselheira: Mara Luzia Feltes
    4) Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação/CNTE
    Conselheira: Isis Tavares Neves
    5) Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura/CONTAG
    Conselheira: Alessandra da Costa Lunas
    6) Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos/FENATRAD
    Conselheira: Sueli Maria de Fátima Santos
    7) Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria/CNTI
    Conselheira: Sônia Maria Zerino da Silva
    8) Conselho Federal de Psicologia (CFP)
    Conselheira: Valeska Maria Zanello de Loyola

    Conselheiras de notório conhecimento das questões de gênero

    1) Jacqueline Pitanguy de Romani
    CEPIA – Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
    2) CONSELHEIRA EMÉRITA: CLARA CHARF