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16
Ter, Jul

The Guardian

  • Arte do grafiteiro paulistano Paulo Ito (Foto: André Penner/AP)

    "Vi ontem um bicho
    Na imundície do pátio
    Catando comida entre os detritos.

    Quando achava alguma coisa,
    Não examinava nem cheirava:
    Engolia com voracidade.

    O bicho não era um cão,
    Não era um gato,
    Não era um rato.

    O bicho, meu Deus, era um homem".

                (O Bicho, de Manuel Bandeira)

    O jornal britânico The Guardian (leia matéria original aqui) mostra, nesta quarta-feira (19), os efeitos perversos da política de contenção de gastos do governo Michel Temer. “O Brasil caiu em sua pior recessão em décadas, com 14 milhões de pessoas desempregadas”, reforça a reportagem.

    Aliado ao aumento do desemprego, Nivaldo Santana, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirma que “o arrocho salarial e os cortes em investimentos de programas sociais alimentam a crise e o consequente aumento da pobreza, num país que avançava celeremente no combate à miséria”.

    O economista Francisco Menezes diz ao jornal britânico que "o Brasil voltará ao mapa de fome", se o governo insistir nesse rumo de congelamento de investimentos no setor público e em programas sociais.

    Em 2014, o Brasil saiu do mapa da fome. “Isso só aconteceu porque tivemos dois governos voltados para o crescimento da economia”, acentua Santana. “Agora acontece o inverso, o que só faz agravar a crise, o desemprego, a recessão".

    De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a pobreza absoluta no Brasil caiu de 25% em 2004 para 8% em 2014, mas já no ano seguinte aumentou para 11% e se agrava ainda mais com as medidas tomadas pelo governo Temer.

    O relator especial sobre pobreza extrema e direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Philip Alston, criticou em matéria do The Guardian, a Proposta de Emenda à Constituição 55 (PEC 55), recentemente aprovada no Congresso Nacional. Santana critica também a reforma trabalhista, jpá sancionada por Temer, a reforma da previdência em tramitação no Congresso e a tercriização ilimitada, já aprovada.

    "A crise só pode se acentuar dessa maneira. O governo ilegítimo acaba com os direittos da classe trabalhadora, corta investimentos nos setores sociais e nos programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família e ainda acabaou com a Política de Valorização do Salário Mínimo. Isso só faz piorar", afirma Santana.

    "É completamente inadequado congelar apenas despesas sociais e amarrar as mãos de todos os futuros governos por mais duas décadas”, argumenta Alston. O economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo também critica o projeto do governo que assumiu em 2016 após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

    Ele diz ao Brasil de Fato que os projetos neoliberais só farão agravar a crise. "É como se o motor do carro começasse a pifar no meio da estrada, e o motorista quisesse consertar a lataria".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O discurso do líder brasileiro como vítima de uma perseguição política está na imprensa estrangeira, que destaca ainda o favoritismo dele para as eleições presidenciais de outubro.

    A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de sábado (7), e seu discurso no ato político realizado em São Bernardo do Campo (SP), onde anunciou que se renderia à Polícia Federal, receberam grande destaque na imprensa estrangeira. O assunto está nas primeiras páginas de diversas publicações em todo o mundo e é um dos principais temas das agências internacionais de notícias. A foto de Lula, cercado por uma multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tirada por Francisco Proner, foi distribuída pela Reuters para todo o mundo e reproduzida em jornais influentes, como o inglês The Guardian e o canadense The Globe and Mail.

    As palavras-chave são a rendição do maior líder da esquerda brasileira, que está à frente na corrida presidencial, a transformação de Lula em preso político e a desconfiança sobre o sistema judiciário do país. O material produzido pelas principais agências de notícia – AP, Reuters, Bloomberg, AFP, EFE, DW e Prensa Latina – ganhou o mundo. Vários despachos foram sendo atualizados ao longo do dia.

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    O americano The New York Times traz longa reportagem assinada pelos correspondentes Manuel Androni, Ernesto Landoño e Shasta Darlington, com foto de Lalo de Almeida, destacando que Lula se rendeu para cumprir pena de 12 anos de prisão. “Sua prisão é uma reviravolta ignominiosa na notável carreira política de Lula, filho de trabalhadores rurais analfabetos que enfrentou os ditadores militares do Brasil como líder sindical e ajudou a construir um partido reformista de esquerda que governou o Brasil por mais de 13 anos”, diz a reportagem.

    Os correspondentes do NYT relatam que antes de se render às autoridades policiais federais, Lula, 72 anos, acusou promotores e juízes de intencionalmente persegui-lo com um caso infundado. “Eu não os perdoo por criar a impressão de que sou um ladrão”, disse um indignado Lula, rouco, diante de uma multidão reunida do lado de fora do sindicato de metalúrgicos. A reportagem destaca que, durante horas no sábado, em um impasse tenso, seus fervorosos defensores haviam bloqueado fisicamente sua rendição, antes de finalmente permitir que ele partisse.

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    O americano Washington Post informa que Lula se entregou à Polícia Federal, mas disse que, mesmo encarcerado, vai fazer campanha política. Segundo o jornal, que destaca em foto Lula sendo levado nos braços do povo no berço do sindicalismo brasileiro, que a prisão “intensificou o drama político na maior nação da América Latina”. De acordo com o texto dos correspondentes Marina Lopes e Anthony Faiola, a cadeia transformou um homem que o presidente Barack Obama chamou de “o político mais popular da Terra” no prisioneiro mais famoso da região.

    O inglês The Guardian reproduz a foto distribuída pela Reuters com Lula cercado pela multidão e destaca em manchete: “Lula inicia sentença de prisão no Brasil depois de se entregar à polícia”. Segundo o diário, o ex-presidente promete provar sua inocência da corrupção depois de encerrar um impasse de dois dias com as autoridades. “Faça o que quiser, o poderoso pode matar uma, duas ou 100 rosas. Mas eles nunca conseguirão impedir a chegada da primavera”, discursou o líder político.

    O jornal canadense The Globe and Mail destaca em primeira página que Lula foi para a cadeia, “mas aqueles que ele defendeu lamentam o fim de uma era”, publicando também a foto de Francisco Proner, distribuída pela Reuters. O texto é da correspondente Stephanie Nolen, que abre a reportagem falando que Lula se entregou à Polícia Federal no sábado de noite, tendo feito antes um inflamado discurso de 55 minutos a apoiadores reunidos na frente do sindicato. “Foi o fim de uma dramática jornada de 48 horas que uniu o Brasil e forneceu suporte a uma extraordinária história política”, relata.

    “Muitos brasileiros anunciaram a visão de um líder supremamente poderoso em custódia da polícia como um ponto de virada para o país, um golpe contra a impunidade dos poderosos”, escreve a correspondente. Mas para outros, a prisão de Lula é um fim devastador para uma era de um tipo diferente de política. “Lula trouxe um poder para os pobres brasileiros - as pessoas foram viver acima da linha da pobreza, pessoas que nunca tinham estudado começaram a estudar, trabalhadores domésticos tiveram direitos quando antes eram todos escravizados", disse Elisa Lucinda, uma proeminente atriz, poeta e cantora. “Era um Brasil que nunca havia sido visto antes e agora vai desaparecer novamente”.

    O site russo Sputnik reporta que Lula se entregou à polícia. Os muitos despachos ao longo do dia foram reproduzidos em outras línguas, inclusive nos serviços em espanhol e português. Em um dos destaques no site, reportagem relata que embora tenha sido condenado por subornos, a Justiça não apresentou provas e que o ex-presidente é líder inconteste nas pesquisas de opinião para voltar ao poder nas eleições previstas para este ano. “A direita brasileira joga com fogo”, destaca.

    A emissora de TV Russia Today destacou no final da noite que Lula acabou com o impasse e se entregou à polícia. A reportagem aponta que, antes de se entregar, Lula se dirigiu a uma audiência de milhares de pessoas que estavam nas ruas de São Bernardo do Campo e discursou: “Quanto mais dias eles me deixarem (na cadeia), mais Lulas nascerão neste país”. A multidão gritou: “Libertem Lula!”.

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    Na Argentina, o jornal Clarín destacou em manchete de primeira página, que Lula já está preso em Curitiba para cumprir sua pena por corrupção. Outro jornal argentino, o Página 12, aponta que a detenção de Lula é um segundo golpe que o país vive, e que, durante todo o dia, o líder do PT recebeu o apoio e solidariedade de milhares de militantes e simpatizantes. Ele falou à multidão, onde disse que o único crime que cometeu “foi tirar milhões da pobreza” e que o golpe que começou com a deposição de Dilma Rousseff terminou com a decisão de impedi-lo de ser candidato à Presidência. Também o La Nación destacou em primeira página que Lula já está na sede da PF em Curitiba, onde cumprirá sua pena.

    Agências internacionais

    Matéria da AP, reproduzida em 10,6 mil sites noticiosos, relatou que Lula foi levado no início da noite sob custódia policial, depois de um confronto tenso com seus próprios partidários e três intensos dias que de fortes emoções por causa do seu encarceramento. “Apenas algumas horas antes, Lula disse a milhares de partidários que se entregaria à polícia, mas alegou inocência e disse que sua condenação por corrupção era simplesmente uma maneira de os inimigos garantirem que ele não fugisse – e possivelmente vencesse – as eleições presidenciais de outubro”, diz o texto assinado por Maurício Savarese e Peter Prengaman.

    Reportagem da AFP relata a tensão no final de sábado da saída de Lula da sede do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, apontando-o como favorito da eleição presidencial de outubro. O despacho destaca que “Lula se considera vítima de uma trama da elite para impedir que concorra a um terceiro mandato”. O jornal traz declaração forte do ex-presidente: “A obsessão deles é ter uma foto do Lula prisioneiro”, disse. O material foi replicado por 3,7 mil veículos de imprensa no mundo.

    A agência espanhola EFE, em despacho divulgado no final de sábado, relatou que Lula pôs fim à sua resistência e já estava nas mãos da Polícia Federal, destacando trecho do seu discurso em que confessou ter cometido um delito. “Eu cometi um crime: trazer os pobres para a faculdade, o que lhes permite comprar carros, eles têm alimentos”. “Serei um criminoso pelo resto da minha vida”. Texto, vídeo e fotos foram reproduzidos em 2.590 sites e veículos noticiosos em todo o mundo.

    Texto da Reuters, com a foto de Lula cercado pela multidão de simpatizantes e militantes de esquerda no pátio do sindicato onde começou sua vida política, foi reproduzido em dezenas de sites de notícias. A reportagem aponta que Lula se entregou à polícia, acabando com o impasse, no início da noite de sábado. Segundo a agência, “a prisão de Lula remove a figura política mais influente do Brasil, líder da campanha presidencial deste ano”. O texto especula que isso poderia aumentar as chances de um candidato centrista prevalecer. O despacho da agência foi reproduzido por 2.480 sites e jornais, inclusive o The New York Times.

    A Deutsche Welle deu em manchete que “o ex-presidente brasileiro Lula está na prisão”, que o primeiro prazo ele havia deixado passar, no sábado os seus seguidores impediram a sua detenção, mas o líder condenado por corrupção foi levado afinal por policiais. “Vários pedidos para permanecer em liberdade até o final do apelo foram negados”, relata a agência alemã. “Lula também pediu ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em Genebra uma liminar para evitar a detenção”.

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    Europa

    O diário espanhol El País deu manchete de primeira página para a prisão de Lula, destacando no título trecho do discurso do ex-presidente: “A morte de um combatente não para a revolução”. Segundo o jornal, o líder petista foi para a prisão no final da noite de sábado, condenado a 12 anos de prisão, mas que falou antes a uma multidão: “Não sou um ser humano mais. Eu sou uma ideia. E as ideias não se encerram”.

    O jornal francês Le Monde, por exemplo, em editorial na edição de sábado avalia que, mesmo Lula tendo caída em “desgraça” a Justiça brasileira terá que provar ao mundo que sua mobilização contra a corrupção é capaz de atingir também a outros grupos políticos. “A Operação Lava Jato deve demonstrar ao país que a prisão de Lula não é um ato político”, aponta o editorial.

    “A prisão daquele que continuará sendo um dos dirigentes mais marcantes da história do país não significa o fim dos processos. (...) A Lava Jato precisa ter a mesma severidade com outros caciques de partidos do centro e da direita”. E cita o ex-presidenciável tucano Aécio Neves, “suspeito de corrupção passiva e obstrução da justiça”, estranhando que “seu caso ainda não foi examinado pela Suprema Corte”.

    Em reportagem da correspondente Claire Gatinois, o Le Monde destacou que Lula se rendeu à polícia, abrindo a notícia com a declaração do ex-presidente para “uma multidão em lágrimas” de que “podem matar um combatente, mas a revolução continua". “Ofegante e animado”, descreve a jornalista, “o velho confirmou a sua rendição”.

    O tradicional jornal Liberation questionou em sua edição de domingo se a ida de Lula para prisão poderia ser interpretado como “um golpe de misericórdia na esquerda latina”. Ouvindo especialistas, o jornal relata que Lula é o candidato da esquerda reformista – “não revolucionária” – a mais amigável em relação aos mercados.

    “O resultado é que ele vai tornar-se radical”, analisa Patricio Navia, orientador acadêmico do Centro de abertura e desenvolvimento da América Latina (Cadal). Fontes ouvidas pelo jornal avaliam que a esquerda terá grandes dificuldades em voltar, mas que “enquanto as sociedades da região da América Latina forem marcadas pela pobreza, desigualdade e exclusão social, sempre haverá um desafio para mudar o status quo”.

    O jornal L’Humanité aponta um “golpe judicial e militar contra Lula”, reforçando o argumento da esquerda brasileira de que o ex-presidente está sendo perseguido. “O Supremo Tribunal do Brasil rejeitou na quarta-feira a libertação do ex-presidente Lula, que é o candidato presidencial em outubro. Contra o pano de fundo das ameaças do exército”, resume. O também francês Le Fígaro destacou que Lula anunciou que aceitava a sua prisão, mas a matéria ressalta que ele contestou as acusações que pesam contra si e disse que vai provar que seu julgamento é um “crime político”.

    Em outro despacho no mesmo jornal, o destaque foi a reportagem da agência France Press, também reproduzida no diário Le Progress, noticiando que, no final da tarde de sábado, Lula foi impedido de se entregar pelos simpatizantes que cercavam o sindicato dos metalúrgicos, onde ele despontou sua liderança, na região de São Bernardo do Campo. O material também foi reproduzido no canal France24, nos jornais La Provence e La Croix, no canadense Le Journal de Montreal, as emissoras de rádio DH, da Bélgica, e Radio Canada.

    O português Diário de Notícias, em reportagem do correspondente João Almeida Moreira, destacou que o último dia de liberdade de Lula, poderia ser de tristeza, com sua despedida e a missa em memória da sua falecida mulher como panos de fundo. Mas se tornou uma festa, com direito a set list escolhida pelo ex-presidente: “Asa Branca” e “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, “Apesar de Você”, de Chico Buarque, e o samba “Deixa a Vida me Levar”, de Zeca Pagodinho. A matéria reproduz trechos do discurso de Lula – “Eu não sou um ser humano, eu sou uma ideia, todos vocês agora vão virar Lula, eles acham que tudo o que acontece nesse país é responsabilidade do Lula, agora eu responsabilizo vocês” – e diz que o petista também citou Martin Luther King.

    Na Bélgica, a RTBF manteve flashes sobre Lula e a sua iminente prisão, durante a programação de sábado. Foram quatro destaques sobre o líder brasileiro, a última reportagem apontando que o petista foi impedido de se entregar à polícia pelos simpatizantes.

    Olímpio Cruz Neto é jornalista e escritor. Foto: Francisco Proner (destaque)

  • Repercutiu  muito mal na imprensa internacional, a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma neste domingo (17) pela Câmara dos Deputados, que agora tiraram a semana toda de folga.

    Além do que o jornal Folha de S.Paulo publicou matéria ontem (18) com Eliseu Padilha, homem forte de Michel "vaza" Temer de que empresários cederam jatinhos para buscar os deputados que tinham deixado Brasília. A que preço?

    O jornal britânico The Guardian ironizou ao publicar o sim de Paulo Maluf, "que está na lista vermelha da Interpol por conspiração". Assim como lembrou os votos de Nilton Capixiba, "acusado de lavagem de dinheiro", nota o artigo. E ainda diz que "'pelo amor de Deus, sim!', declarou Silas Camara, que está sob investigação por falsificação de documentos e apropriação indevida de fundos públicos".

    O jornal nota ainda que a maioria dos que votaram sim estão sendo acusados de crimes diversos, mas seguem "protegidos por seu status como parlamentares".

    O espanhol El País chamou de "circo" o que aconteceu neste domingo no plenário da Câmara, em Brasília. Lembra que o presidente da Casa, Eduardo Cunha tem sobre si inúmeras acusações de corrupção, assim como o ainda vice-presidente Michel Temer.

    "Lembraram os parlamentares aos telespectadores de Xuxa (quando ela apresentava programa infantil) que aproveitavam sua participação ao vivo no programa para cumprimentar eternamente a mãe, o marido, a amante o primo, o enteado, o vizinho, os amigos e o porteiro", lembra o El País.

    O maior jornal do mundo o norte-americano The New York Times fez editorial em que afirma categoricamente ter sido golpe à democracia a votação dos deputados brasileiros. "Dilma, que foi reeleita em 2014 por quatro anos, está sendo responsabilizada pela crise econômica do país e pelas revelações das investigações de corrupção que envolvem a classe política brasileira”, afirma o editorial.

    O New York Times conclui que se Dilma sobreviver a esse golpe, precisará reunir as forças sociais e políticas para "consertar a economia e erradicar a corrupção".

    O também norte-americano The Washington Post chama de "golpe suave" o que está em marcha no Brasil, refereindo-se a décadas passadas quando os golpes eram feitos pelas Forças Armadas e agora acontecem por união entre parlamentares, setor judiciário e mídia. O jornal lembra que o país está dividido. 

    "O país acompanha nervosamente diante do abismo, dividido sobre seu futuro e a própria legalidade do processo, que Dilma e seus defensores dizem que é um golpe institucional e um ataque à jovem democracia do Brasil", diz.

    La Nacion, da Argentina, diz que “Dilma Rousseff ficou à beira do julgamento político”. Segundo o jornal, a crise no Brasil está longe de acabar e o país se encontra com “uma presidenta na porta da saída de emergência, um Congresso que festeja com euforia o trauma político que divide o país, um oficialismo que define como golpe um procedimento previsto pela Constituição e um eventual novo mandatário também suspeito de corrupção”. Em resumo, o país vive três crises de uma só vez: econômica, política e moral.

    Segundo o chileno "El Mercurio", ao votarem a favor do impeachment, os deputados federais brasileiros “deixaram à beira do precipício a experiência mais emblemática do ciclo de governos de esquerda da América Latina”.

    Para o jornal Página 12, o Brasil viveu um virtual golpe institucional, presidido pelo político mais denunciado por corrupção. Na matéria, intitulada Um golpe visto vivo e direto, o jornal diz que a decisão de julgar Dilma Rousseff ficou nas mãos de um parlamentar que é “réu no Supremo Tribunal Federal”, que até o processo terminar o governo estará imobilizado e que o vice-presidente, Michel Temer, “sem legitimidade alguma”, terá que enfrentar “a anunciada oposição duríssima dos movimentos sociais, dos principais grupos sindicais e de todos os que não se resignam ao golpe institucional”.

    Repercutiu no mundo todo a votação transmitida ao vivo da Câmara dos Deputados. Votação que manchou a imagem do Brasil que virou pilhéria. 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

     

  • Repercute no mundo inteiro o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol), 38 anos, no Rio de Janeiro, sob intervenção militar, na noite desta quarta-feira (14). Além de sua atuação na Câmara de Vereadores em favor dos Direitos Humanos e dos mais pobres, ela lutava contra o racismo, a LGBTfobia, em defesa da juventude, das mulheres e pela cultura da paz.

    De acordo com a polícia que investiga o crime, ela levou pelos menos quatro tiros, o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, outros três. Pelo menos nove projéteis foram encontrados no carro dela. “É preciso parar com essa barbárie toda, a vida não pode ser desprezada dessa forma”, diz Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “O golpe urdido contra a Nação brasileira feriu de morte a democracia, implantou o Estado de Exceção e, covardemente, vai sangrando o nosso povo”, reforça.

    Ato na Cinelândia, Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (15) 

    “Há fortes indícios de que a sua execução foi política porque ela acusava policiais militares por agirem com truculência e com abusos contra a população mais pobre do Rio, acusava também atos de corrupção”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. Ela lembra do filme "Tropa de Elite", de José Padilha, que retrata o vínculo de milícias cariocas com políticos e criminosos.

    A sindicalista acredita que “com mais essa execução de uma mulher, negra, de esquerda e defensora dos Direitos Humanos, mostra que estamos sendo governados por pessoas sem compromisso com a vida e com o respeito à dignidade humana”.

    Após a tristeza se espalhar com a notícia desse crime, várias manifestações já começam a ocorrer em todo o país exigindo “uma investigação rigorosa e a prisão de todos os culpados, inclusive de supostos mandantes”, afirma Custódio.

    "A luta de Marielle nos serve de inspiração e seguiremos nas ruas e nas lutas em defesa de um mundo melhor e mais justo, mundo este que motivou a militância da companheira da qual tão cedo nos despedimos", diz Paulo Sérgio Farias, presidente da CTB-RJ (leia a íntegra aqui).

    atos marielle

    A vereadora mostra a sua luta e sua coragem ao denunciar a violência de policiais no bairro do Acari, no Rio, em seu Facebook no sábado (10): "Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior".

    acari parem de nos matar

    A Câmara dos Deputados fez sessão solene em homenagem à vereadora assassinada e a Cinelândia foi literalmente tomada na manhã desta quinta-feira (15) no Rio de Janeiro. E a repercussão desse crime não para.

    A notícia corre mundo pelas páginas dos mais importantes veículos de comunicação. “The New York Times”, “The Washington Post” e na rede ABC News, nos Estados Unidos, o espanhol “El País” e o britânico “The Guardian", entre eles.

    Custódio questiona também a intervenção militar no Rio de Janeiro. “Os soldados do Exército brasileiro foram fotografados revistando mochilas de crianças em portas de escolas, mas foram incapazes de proteger a vida de Marielle”, reclama.

    Em 28 de fevereiro, ela havia se tornado relatora da comissão destinada a acompanhar a intervenção federal no Rio de Janeiro. Internautas espalham pelas redes sociais a certeza de que "não foi assalto".

    Para Custódio “tiraram a vida de mais uma mulher, negra, pobre e guerreira pelos direitos do povo”. Ela defende que “o movimento sindical, movimentos sociais, partidos políticos democráticos, mulheres, negros e todas as pessoas que acreditam que um outro mundo é possível devem se unir para defender a vida das pessoas que lutam”.

    marielle franco ato cinelandia rj 15 03 2018

    Diversos artistas também prestam solidariedade á família. "Ela lutava pela paz, por oportunidades iguais para todos. Denunciava a corrupção na câmara, na polícia...", escreveu Mônica Iozzi. Milhares de pessoas tomaram a Cinelândia, no centro da capital fluminense, para homenagear Marielle Franco e exigir punição dos criminosos (foto acima).

    “Um sentimento de revolta toma conta do Rio de Janeiro e de todo o país”, afirma Custódio. “Morreu a preta da maré,/a negra fugida da senzala/que foi sentar com "os dotô" na sala/e falar de igual pra igual com "os homi"./A negra que burlou a fome de se saber,/que fez crescer dentro dela, o conhecimento./Aquela, que por um momento de humanidade,/sonhou com a justiça, lutou por liberdade/e ousou ir mais alto,/do que permitia sua cor./"Mas preta sabida, não pode!/Muito menos pobre! Não tem valor."/Diziam as más línguas na multidão./E ela ousou tirar seus pés do chão./Morreu./Morreu a "preta sem noção",/que falava a verdade na cara do patrão,/que carregava a coragem, como bagagem,/no coração./O tiro foi certo,/acertou com maldade,/ecoando seco no centro da cidade” (Anielli - Poeta de Volta Redonda-RJ).

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • “O Brasil vive um momento especialmente dramático de sua história. Nas eleições mais conturbadas após o fim da ditadura civil-militar, assistimos à perigosa afirmação, por um dos candidatos à Presidência, de princípios antidemocráticos, expressos num discurso fundado no ódio, na intolerância e na violência”, diz trecho da carta das brasileiras em defesa da democracia (leia a íntegra da carta abaixo).

    Depois de ultrapassar o número de 2 milhões de integrantes, em poucos dias, a página de Facebook Mulheres Unidas Contra Bolsonaro foi hackeada e o Facebook a tirou do ar para averiguar os acontecimentos (Saiba mais aqui). Depois dessa violência, começama surgir diversas páginas com o mesmo teor.

    A página foi reativada no domingo (16). Além do ataque cibernético, pessoas ligadas ao candidato Jair Bolsonaro disseminaram fakes pelas redes sociais sobre o grupo. Eduardo, deputado federal e filho do candidato da extrema-direita, divulgou texto acusando o jornal britânico The Guardian de mentir sobre as integrantes do grupo e a sua procedência.

    Além disso, o deputado afirmou que "uma página qualquer do Facebook tinha 1 milhão de seguidores quando foi vendida para a esquerda. Então, sem qualquer vergonha, eles mudaram o nome dela para 'Mulheres Unidas Contra Bolsonaro' e saiu alardeando por aí que havia uma onda de mulheres contra o presidenciável", como mostra o jornal El País Brasil.

    A página retornou às verdadeiras proprietárias agora como “secreta”, ou seja, para participar desse grupo somente recebendo convite ou indicação de alguém que já está. De acordo com uma das administradoras o hacker foi identificado. Usa o nome de Eduardo Shinok. A página dele no Facebook não está mais disponível. De acordo com essa administradora ele recebeu ajuda da namorada no hackeamento. A investigação prossegue.

    Portal CTB

    Leia a carta na íntegra:

    Carta das brasileiras em defesa da democracia, da igualdade e respeito à diversidade

    O Brasil vive um momento especialmente dramático de sua história. Nas eleições mais conturbadas após o fim da ditadura civil-militar, assistimos à perigosa afirmação, por um dos candidatos à Presidência, de princípios antidemocráticos, expressos num discurso fundado no ódio, na intolerância e na violência.

    Se a posição deste  candidato era pública, tendo sido reiteradamente manifesta  ao longo dos 27 anos em que vem atuando na Câmara Federal, causa perplexidade a adesão a tais princípios por parte significativa da sociedade brasileira.

    O tratamento desrespeitoso dirigido às mulheres, aos negros,  indígenas, homossexuais,  o culto à  violência, a   agressão contra adversários, a defesa da tortura  e de torturadores,  constituem  manifestações que devem ser combatidas por aqueles que acreditam nos princípios civilizatórios que possibilitam a existência de uma sociedade democrática e plural.

    Neste contexto, nós, mulheres, vítimas  de agressões e desqualificações por parte deste candidato, viemos à público expressar nosso mais veemente repúdio aos princípios por ele defendidos, conclamando a população brasileira a se unir na defesa da democracia, contra o fascismo e a barbárie.

    Somos muitas, para além de um milhão que integra este grupo. Defendemos candidatos e candidatas distintas, dos mais diferentes matizes político- ideológicos.  Temos experiências e visões de mundo diversas,  assim como são distintas nossas idades, orientação sexual, identidades étnico- raciais e de gênero, classe social,  regiões do país em que vivemos, posições religiosas, escolaridade e atividade profissional. Na verdade, nos constituímos como coletivo a partir de uma causa comum, expressa nesta carta: a rejeição à prática política do candidato  e aos  princípios que a regem. Nos constituímos nas redes sociais, unidas  numa corrente crescente e ativa, pela necessidade de tornar pública nossa posição no exercício da cidadania e participação, a partir da identidade feminina que nos congrega. 

     Nós, mulheres, historicamente inferiorizadas e marginalizadas, sujeitas  a toda sorte de violência e  desrespeito,  recusamos hoje o silêncio e a submissão, herdeiras de uma luta  há muito travada por mulheres que nos antecederam.

    Somos aquelas que constituem a maioria do eleitorado brasileiro, ainda que sub-representadas na política partidária. Somos aquelas que, gestando  e alimentado  novas vidas, defendemos o direito de todos e todas  a uma vida digna. Somos aquelas que, temendo pelas  nossas vidas, pelas vidas de nossos filhos, filhas,   companheiros e companheiras, diante da violência que assola e corrói  a sociedade brasileira,  somos contra a liberação do porte de armas, que  só irá piorar o já dramático quadro atual.

    Somos aquelas que, recebendo salários inferiores, com menor chance de contratação e progressão nos espaços de trabalho,  entendemos que cabe  aos governantes, à semelhança do que já ocorre em muitos países, construir políticas de igualdade salarial entre homens e mulheres.

    Somos aquelas que , vítimas  de assédio, estupro, agressão e feminicídio, defendemos  o direito à liberdade no exercício da vida afetiva e sexual,  demandando do   Estado proteção e punição aos crimes contra nós cometidos 

    Somos aquelas que protestam contra a perseguição e violência contra a população LGBTQ, porque entendemos que  cada ser humano tem direito a viver sua identidade de gênero e orientação sexual.

    Somos aquelas que se insurgem contra todas as formas de racismo e xenofobia, que defendem um país   social  e racialmente mais justo  e igualitário, que respeite as diferenças e  valorize as ancestralidades.

    Somos aquelas que combatem o falso moralismo e a censura às expressões artísticas, que defendem a livre manifestação estética, o acesso à cultura em suas múltiplas manifestações.

    Somos aquelas que defendem  o acesso à informação e a uma educação sexual responsável, através de  livros, filmes e materiais que eduquem as crianças e jovens para o mundo contemporâneo. 

    Somos aquelas que defendem  o diálogo e parceria com  escolas,   professores e professoras  na educação de nossos filhos e filhas, sustentados  na laicidade, no aprendizado da ética, da cidadania e dos direitos humanos.

    Somos aquelas  que querem um país com políticas sustentáveis, que respeitem e protejam o meio ambiente e os animais, que garanta o direito à terra pelas  populações tradicionais que nela vivem e trabalham.  

    Somos muitas, somos milhões, somos: 

    #MulheresUnidasContraBolsonaro

    Contra o ódio, a violência e a intolerância

  • O ataque a tiros contra o ônibus da caravana do ex-presidente Lula nesta terça-feira (27), no Paraná, repercutiu na imprensa internacional. Periódicos renomados de diversas partes do globo destacaram a notícia sobre a violência de grupos fascistas que dispararam quatro tiros contra dois ônibus que integravam a caravana.

    O jornal britânico The Guardian afirmou: “Ninguém ficou ferido, e o candidato à presidência não estava nos ônibus atingidos, que transportavam convidados e jornalistas”, informou a matéria, que incluiu uma fala de Gleisi Hoffmann, presidenta do PT: “não é normal que em uma democracia pessoas atirem contra uma caravana democrática”.

    O jornal espanhol El País também publicou sobre o atentado, lembrando que o próprio Lula já havia denunciado que a caravana estava sendo perseguida por “grupos fascistas”, e que antes dos tiros atiraram pedras; o jornal lembra ainda que Lula lidera as sondagens para as eleições presidenciais desse ano. O veículo denúncia ainda a violência no Brasil. “A violência de cunho político superou nesse mês a barreira das ameaças no Brasil com o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, conhecida pela sua luta contra o racismo, a discriminação e por suas denúncias contra os abusos policiais nas favelas”.

    O jornal português Publico também publicou sobre os tiros que atingiram os ônibus da caravana de Lula. “Antes dos disparos, no comício em Foz do Iguaçu, Lula falou das recepções que enfrentou no Sul do país, descrevendo algumas situações como ‘selvajaria’”, escreveu o jornal.

    A multiestatal Telesur também noticiou o fato e destacou o tom fascista das manifestações. Ressaltou que, antes do ataque a tiros, outros grupos já haviam feito ações hostis contra o ex-presidente ao longo de sua passagem pelo sul do país.

    Já o argentino Página/12 destacou a resposta de Lula ao ataque. O ex-presidente se pronunciou nas redes sociais. “Se pensam que com pedras e tiros vão quebrar minha disposição de lutar estão enganados”.

    A agência iraniana HispanTV também ressaltou que os tiros contra os dois ônibus aconteceram depois de uma sequência de manifestações hostis contra o ex-presidente.

    Fonte: Portal Vermelho

     

  • Vestidas de preto, mais de 6 milhões de polonesas realizaram a maior manifestação de massa dos últimos anos. Elas tomaram as ruas do país contra a proposta de retirada de direitos nesta terça-feira (4).

    “O projeto que as polonesas rejeitaram nas ruas não é muito diferente dos projetos que tramitam no Congresso Nacional", diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A revista Deutsche Welle conta que milhões de mulheres vestiram preto - para representar o luto pela perda de direitos reprodutivos - e gritaram palavras de ordem, afirmando que querem médicos, "não missionários".

    Imediatamente após a manifestação de massa, o vice-primeiro-ministro da Polônia, Jaroslaw Gowin, afirmou que o parlamento não aprovará a proibição total do aborto. Se o projeto fosse aprovado, assim como no Brasil, os médicos também poderiam ser presos.

    Além disso, a imprensa internacional mostra que a proposta criminaliza todos os tipos de aborto e prevê inclusive prisão para quem realizar aborto. No Brasil, temos o projeto de lei 5069/13, de autoria do deputado federal cassado Eduardo Cunha.

    “O PL 5069 além de criminalizar as mulheres, os profissionais da medicina, torna a mulher uma mera máquina reprodutiva”, argumenta Pereira. Ela reforça ainda que esse projeto proíbe inclusive a utilização da pílula do dia seguinte, que pode prevenir a gravidez indesejada.

    Marta Lempart, advogada de 37 anos que convocou a manifestação na cidade de Breslávia, explicou ao Nexo Jornal que a manifestação foi convocada pelo no Facebook e conta com uma organização dom comitês espalhados por todo o país.

    “Somos de organizações diversas, mas não são as organizações que fazem o protesto. São mulheres furiosas. Há dezenas de mulheres que não são parte de nenhuma organização, são donas de casa, mulheres corajosas de cidades pequenas que organizaram um ato pela primeira vez na vida”, afirmou Lempart.

    Até a reacionária igreja católica polonesa, passou a defender que o aborto possa ser realizado quando as gestações oferecerem riscos à saúde da mãe, diz o jornal britânico The Guardian. “A igreja é tratada como autoridade no debate sobre o aborto”, contou a feminista Anna Mielech.

    Desde 1993, o aborto pode ocorrer na Polônia em caso de risco de morte para a mãe, má formação do feto ou em casos de estupro ou incesto. “As polonesas derrotaram a proposta de acabar com ao menos essas possibilidades”, diz Pereira.

    Gowin disse que o protesto "nos fez pensar e foi uma lição de humildade, (...) avaliamos a importância destes protestos e a boa intenção de grande parte dos que protestaram”.

    Para a cetebista “as brasileiras devem retomar as ruas e mostrar a força da mulher e derrotar todos os projetos que acabam com nossas conquistas”. Além disso, “devemos mostrar que sabemos o que queremos e queremos ser livres e viver sem medo de violência e opressão”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências