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Ter, Nov

The New York Times

  • Chico Science: 20 anos sem o principal expoente do Manguebeat

    Há 20 anos, o Brasil perdia um de seus artistas mais inovadores: Francisco de Assis França, o Chico Science, teve sua breve e intensa carreira encerrada em um domingo. Era 2 de fevereiro de 1997, quando a vida do músico foi interrompida aos 30 anos de idade em um acidente de carro.

    O músico encabeçou o movimento Manguebeat, que projetou mundialmente a cena cultural que fervilhava no Recife. Ana Sousa, curadora da Ocupação Chico Science, realizada pelo Itaú Cultural em 2010, considera que o músico deu voz a uma cena musical prestes a explodir.

    “Chico Science foi uma espécie de abre alas, foi o porta-voz desse processo. A relevância dele está no campo das composições e criações, mas é também desse cara que era do palco, que trouxe essa mise-en-scene de novo pra cena pernambucana”, considera.

    Há muito o Brasil não via um movimento musical e estético alcançar tamanha projeção, a ponto de o crítico musical Jon Pareles, no jornal norte-americano The New York Times, apresentar Science como fundador do movimento de maior impacto na música brasileira desde a Tropicália. O texto é “Chico Science, 30, Brazilian Pop Music Star”, publicado após a morte do músico.

    “As letras combinam protesto político com imagens visionárias, e Chico Science as performou com exuberância, misturando movimentos de break-dance com a ciranda brasileira, usando um chapéu de palha de pescador tradicional e óculos escuros de um rocker”, descreveu Pareles na edição de 5 de fevereiro de 1997 do jornal.

    “Ele era um gênio artista. Acho que para além da questão musical, ele era um performer. Até quando dava entrevista, ele não era o Chico, era o Chico Science... se construía nessa persona e isso exige muita consciência artística”, considera Ana Sousa.

    Entre abril de 1994 até o dia do acidente, Science gravou dois discos que alcançaram repercussão mundial, com prensagens nos EUA, Europa e Japão, e realizou duas turnês mundiais à frente da banda Chico Science & Nação Zumbi.

    Chico Science e Nação Zumbi interpretam Maracatu Atòmico, de Jorge Mautner: 

    “Parece que alguma coisa estava dizendo: ‘olha, corre e faz um monte porque não vai durar muito’. A sensação é essa, pela quantidade de coisas que a gente conseguiu fazer. É como se a gente tivesse correndo contra o tempo”, considera Paulo André Pires, empresário da banda.

    “Ele era um cara empenhado no sonho dele, nas coisas que queria fazer, tinha uma visão estratégica do trabalho muito boa. Tinha toda uma coisa de pensar o trabalho, a evolução da banda, a música e o contexto social em que o trabalho estava inserido”, lembra a irmã Goretti, com quem Chico morava em um apartamento no Recife.

    Auge da carreira: 1996

    O ano de 1996 projetou Chico Science & Nação Zumbi definitivamente para o mundo após o lançamento do segundo disco, Afrociberdelia. A banda se mudou do Recife para o Rio de Janeiro em dezembro de 1995 para facilitar o contato com o mercado fonográfico.

    “Pra que a gente fizesse mais show, estivesse mais perto e disponível, a gente resolveu mudar pro Rio porque a gravadora era lá também”, lembra o empresário.

    Os músicos trabalharam no disco até janeiro de 1996. Ainda nesse mês, se apresentaram no festival Hollywood Rock Brasil, ao lado de nomes como The Cure, Smashing Pumpkins, Supergrass e Page & Plant. O disco Afrociberdelia foi lançado em julho, momento em que a banda seguia para sua segunda turnê internacional, que percorreu sete países da Europa e EUA.

    Chico Science & Nação Zumbi passou por treze cidades e tocou em festivais de música pop entre 11 e 27 de julho daquele ano. Tocou ao lado de nomes como Beck, Nick Cave, Coolio e Ministry. Na Alemanha, se apresentou para 20 mil pessoas em Karlsruhr.

    A banda participou pela segunda vez do Montreaux Jazz Festival, na Suiça, onde os brasilienses do Paralamas do Sucesso fizeram o show de abertura para os músicos do Recife. O disco Afrociberdelia chegou ao 5º lugar na World Music Charts Europa.

    Cansaço

    Ao final de um ano, Chico se sentia cansado com o volume de trabalho e pediu para tirar férias. Foram oito shows em outubro e nove em novembro, quando a banda teve que entregar o apartamento alugado no Rio. O último show com a presença de Science aconteceu no dia 2 de dezembro, no Canecão.

    “Chico estava reclamando de muito trabalho.... essa intensidade, quase um show a cada três dias. Eu falava pra ele: ‘cara, vamos parar quando acabar o contrato do apartamento, tu tira férias e volta pro Carnaval’”, lembra o empresário Paulo André.

    A cidade, de Chico Science e Nação Zumbi: 

    Quando voltou ao Recife, Chico passou a dividir um apartamento com a irmã Goretti, que compartilhou com o músico seus últimos meses de vida. Única mulher de quatro filhos, pouco mais velha que Chico, o caçula, Goretti também lembra que o fim de 1996 foi de muito cansaço para o músico.

    “Nessa época, a memória que eu tenho mais forte era de muito cansaço. Cansado mesmo dessa coisa da turnê, do trabalho, do disco... essa coisa toda e queria descansar um pouco. Tanto que ele disse que chegou a desmarcar compromisso porque ele queria umas férias”, lembra.

    Após a entrega do apartamento, os músicos tiraram férias de dois meses e Chico seguiu para a Europa.

    Novas influências e projetos

    Na volta ao Brasil, após o período de descanso, a irmã Goretti lembra de um Chico renovado.
    “Ele voltou refeito, cheio de boas ideias, ouvindo muita bossa nova, muito apaixonado.Tava num momento muito tranquilo e ouvindo Elis Regina e Taiguara, todo apaixonadinho”, lembra.

    Chico também queria um retorno maior do trabalho que, apesar da repercussão, não tocava com frequência nas rádios brasileiras. Um dos projetos era passar um tempo em Nova York para difundir mais o trabalho nos EUA e tentar uma aproximação da Nação Zumbi com o hip hop norte americano.

    “Com essa dificuldade no Brasil de rádio não querer tocar, a ideia da gente era investir internacionalmente. Então a gente já tinha pensado em passar uns dois meses por exemplo em Nova York”, lembra Pires.

    O contrato de Chico Science & Nação Zumbi com a Sony previa a gravação de três discos. Com dois deles já lançados – Da Lama ao Caos (1994) e Afrociberdelia (1996), o mangueboy também pensava em como tocar sua carreira de forma independente num futuro próximo.

    “Chico pensava em fazer um selo pra lançar também outros artistas, fazer um projeto social – que era o Antromanque. Chico era um cara muito inquieto e a fim de fazer muita coisa.”

    Todos estão surdos, de Chico Science e Nação Zumbi: 

    O dia do acidente

    Science seguia em direção ao Recife onde se apresentaria pela primeira vez em um trio elétrico no bloco na Pancada do Ganzá, do músico e humorista Manoel da Nóbrega, marcado para 20h do dia 3 de fevereiro, na praia de Boa Viagem. Ele chegou a subir no trio elétrico ao lado do humorista uma semana antes em uma prévia para divulgar a apresentação no carnaval. Seria a última vez que Chico se apresentava ao público.

    O Fiat Uno da cor branca que o músico dirigia se chocou contra um poste na rodovia PE-1, divisa entre Olinda e Recife (PE), às 19h30.

    Um policial militar que estava em um ônibus viu o acidente e desceu para prestar socorro. O músico foi levado ao Hospital da Restauração, mas já chegou sem vida ao local cerca de uma hora e meia após o acidente.

    “Ele chegou morto, então nem colocaram ele numa maca. Ele estava no chão de uma sala de hospital, todo perfeito, mas com uma longa poça de sangue embaixo da cabeça, porque teve um corte profundo na nuca”, lembra Paulo André.

    A família do músico acionou a Justiça, após perícia no carro que o cantor conduzia, para constatar que a fivela metálica de segurança se rompeu no impacto com o poste. Em 2007, quando completaram dez anos do acidente, a família do músico recebeu indenização por meio de um acordo com a empresa Fiat.

    Como seria Chico Science hoje?

    A pergunta passou pela cabeça de sua irmã ao encontrar com o músico Siba, conterrâneo e contemporâneo de Chico, no aeroporto em Recife.

    “Ele tava com a barba branca e eu fiquei olhando pra ele e pensando, assim, como seria o rosto de Chico hoje? Aí fiquei tentando achar que cara ele teria. Talvez menos cabelo, a barba grisalha, um pouquinho barrigudo, apesar que ele corria sete quilômetros por dia. Ele era maravilhoso. Eu acho que uma vantagem de morrer cedo é que você fica com a idade que você tinha. Então vamos imaginá-lo um homem no auge da sua maturidade, com toda alegria e leveza que ele tinha aos 30, quando foi embora.”

    A questão sobre como seria Chico hoje em dia também chegou a Paulo André por meio da pergunta de um jornalista.

    “Ele estaria interagindo em todas as formas de redes sociais possíveis, estaria interagindo com o mundo. Isso facilitaria muito a interação dele com outros artistas porque ele também era muito de trocar ideia, de conhecer outra galera”, imagina o produtor.

    Ouça na íntegra o disco Da lama ao caos: 

    Por Leandro Melito, da  EBC

  • A prisão de Lula na mídia internacional

    O discurso do líder brasileiro como vítima de uma perseguição política está na imprensa estrangeira, que destaca ainda o favoritismo dele para as eleições presidenciais de outubro.

    A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de sábado (7), e seu discurso no ato político realizado em São Bernardo do Campo (SP), onde anunciou que se renderia à Polícia Federal, receberam grande destaque na imprensa estrangeira. O assunto está nas primeiras páginas de diversas publicações em todo o mundo e é um dos principais temas das agências internacionais de notícias. A foto de Lula, cercado por uma multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tirada por Francisco Proner, foi distribuída pela Reuters para todo o mundo e reproduzida em jornais influentes, como o inglês The Guardian e o canadense The Globe and Mail.

    As palavras-chave são a rendição do maior líder da esquerda brasileira, que está à frente na corrida presidencial, a transformação de Lula em preso político e a desconfiança sobre o sistema judiciário do país. O material produzido pelas principais agências de notícia – AP, Reuters, Bloomberg, AFP, EFE, DW e Prensa Latina – ganhou o mundo. Vários despachos foram sendo atualizados ao longo do dia.

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    O americano The New York Times traz longa reportagem assinada pelos correspondentes Manuel Androni, Ernesto Landoño e Shasta Darlington, com foto de Lalo de Almeida, destacando que Lula se rendeu para cumprir pena de 12 anos de prisão. “Sua prisão é uma reviravolta ignominiosa na notável carreira política de Lula, filho de trabalhadores rurais analfabetos que enfrentou os ditadores militares do Brasil como líder sindical e ajudou a construir um partido reformista de esquerda que governou o Brasil por mais de 13 anos”, diz a reportagem.

    Os correspondentes do NYT relatam que antes de se render às autoridades policiais federais, Lula, 72 anos, acusou promotores e juízes de intencionalmente persegui-lo com um caso infundado. “Eu não os perdoo por criar a impressão de que sou um ladrão”, disse um indignado Lula, rouco, diante de uma multidão reunida do lado de fora do sindicato de metalúrgicos. A reportagem destaca que, durante horas no sábado, em um impasse tenso, seus fervorosos defensores haviam bloqueado fisicamente sua rendição, antes de finalmente permitir que ele partisse.

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    O americano Washington Post informa que Lula se entregou à Polícia Federal, mas disse que, mesmo encarcerado, vai fazer campanha política. Segundo o jornal, que destaca em foto Lula sendo levado nos braços do povo no berço do sindicalismo brasileiro, que a prisão “intensificou o drama político na maior nação da América Latina”. De acordo com o texto dos correspondentes Marina Lopes e Anthony Faiola, a cadeia transformou um homem que o presidente Barack Obama chamou de “o político mais popular da Terra” no prisioneiro mais famoso da região.

    O inglês The Guardian reproduz a foto distribuída pela Reuters com Lula cercado pela multidão e destaca em manchete: “Lula inicia sentença de prisão no Brasil depois de se entregar à polícia”. Segundo o diário, o ex-presidente promete provar sua inocência da corrupção depois de encerrar um impasse de dois dias com as autoridades. “Faça o que quiser, o poderoso pode matar uma, duas ou 100 rosas. Mas eles nunca conseguirão impedir a chegada da primavera”, discursou o líder político.

    O jornal canadense The Globe and Mail destaca em primeira página que Lula foi para a cadeia, “mas aqueles que ele defendeu lamentam o fim de uma era”, publicando também a foto de Francisco Proner, distribuída pela Reuters. O texto é da correspondente Stephanie Nolen, que abre a reportagem falando que Lula se entregou à Polícia Federal no sábado de noite, tendo feito antes um inflamado discurso de 55 minutos a apoiadores reunidos na frente do sindicato. “Foi o fim de uma dramática jornada de 48 horas que uniu o Brasil e forneceu suporte a uma extraordinária história política”, relata.

    “Muitos brasileiros anunciaram a visão de um líder supremamente poderoso em custódia da polícia como um ponto de virada para o país, um golpe contra a impunidade dos poderosos”, escreve a correspondente. Mas para outros, a prisão de Lula é um fim devastador para uma era de um tipo diferente de política. “Lula trouxe um poder para os pobres brasileiros - as pessoas foram viver acima da linha da pobreza, pessoas que nunca tinham estudado começaram a estudar, trabalhadores domésticos tiveram direitos quando antes eram todos escravizados", disse Elisa Lucinda, uma proeminente atriz, poeta e cantora. “Era um Brasil que nunca havia sido visto antes e agora vai desaparecer novamente”.

    O site russo Sputnik reporta que Lula se entregou à polícia. Os muitos despachos ao longo do dia foram reproduzidos em outras línguas, inclusive nos serviços em espanhol e português. Em um dos destaques no site, reportagem relata que embora tenha sido condenado por subornos, a Justiça não apresentou provas e que o ex-presidente é líder inconteste nas pesquisas de opinião para voltar ao poder nas eleições previstas para este ano. “A direita brasileira joga com fogo”, destaca.

    A emissora de TV Russia Today destacou no final da noite que Lula acabou com o impasse e se entregou à polícia. A reportagem aponta que, antes de se entregar, Lula se dirigiu a uma audiência de milhares de pessoas que estavam nas ruas de São Bernardo do Campo e discursou: “Quanto mais dias eles me deixarem (na cadeia), mais Lulas nascerão neste país”. A multidão gritou: “Libertem Lula!”.

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    Na Argentina, o jornal Clarín destacou em manchete de primeira página, que Lula já está preso em Curitiba para cumprir sua pena por corrupção. Outro jornal argentino, o Página 12, aponta que a detenção de Lula é um segundo golpe que o país vive, e que, durante todo o dia, o líder do PT recebeu o apoio e solidariedade de milhares de militantes e simpatizantes. Ele falou à multidão, onde disse que o único crime que cometeu “foi tirar milhões da pobreza” e que o golpe que começou com a deposição de Dilma Rousseff terminou com a decisão de impedi-lo de ser candidato à Presidência. Também o La Nación destacou em primeira página que Lula já está na sede da PF em Curitiba, onde cumprirá sua pena.

    Agências internacionais

    Matéria da AP, reproduzida em 10,6 mil sites noticiosos, relatou que Lula foi levado no início da noite sob custódia policial, depois de um confronto tenso com seus próprios partidários e três intensos dias que de fortes emoções por causa do seu encarceramento. “Apenas algumas horas antes, Lula disse a milhares de partidários que se entregaria à polícia, mas alegou inocência e disse que sua condenação por corrupção era simplesmente uma maneira de os inimigos garantirem que ele não fugisse – e possivelmente vencesse – as eleições presidenciais de outubro”, diz o texto assinado por Maurício Savarese e Peter Prengaman.

    Reportagem da AFP relata a tensão no final de sábado da saída de Lula da sede do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, apontando-o como favorito da eleição presidencial de outubro. O despacho destaca que “Lula se considera vítima de uma trama da elite para impedir que concorra a um terceiro mandato”. O jornal traz declaração forte do ex-presidente: “A obsessão deles é ter uma foto do Lula prisioneiro”, disse. O material foi replicado por 3,7 mil veículos de imprensa no mundo.

    A agência espanhola EFE, em despacho divulgado no final de sábado, relatou que Lula pôs fim à sua resistência e já estava nas mãos da Polícia Federal, destacando trecho do seu discurso em que confessou ter cometido um delito. “Eu cometi um crime: trazer os pobres para a faculdade, o que lhes permite comprar carros, eles têm alimentos”. “Serei um criminoso pelo resto da minha vida”. Texto, vídeo e fotos foram reproduzidos em 2.590 sites e veículos noticiosos em todo o mundo.

    Texto da Reuters, com a foto de Lula cercado pela multidão de simpatizantes e militantes de esquerda no pátio do sindicato onde começou sua vida política, foi reproduzido em dezenas de sites de notícias. A reportagem aponta que Lula se entregou à polícia, acabando com o impasse, no início da noite de sábado. Segundo a agência, “a prisão de Lula remove a figura política mais influente do Brasil, líder da campanha presidencial deste ano”. O texto especula que isso poderia aumentar as chances de um candidato centrista prevalecer. O despacho da agência foi reproduzido por 2.480 sites e jornais, inclusive o The New York Times.

    A Deutsche Welle deu em manchete que “o ex-presidente brasileiro Lula está na prisão”, que o primeiro prazo ele havia deixado passar, no sábado os seus seguidores impediram a sua detenção, mas o líder condenado por corrupção foi levado afinal por policiais. “Vários pedidos para permanecer em liberdade até o final do apelo foram negados”, relata a agência alemã. “Lula também pediu ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em Genebra uma liminar para evitar a detenção”.

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    Europa

    O diário espanhol El País deu manchete de primeira página para a prisão de Lula, destacando no título trecho do discurso do ex-presidente: “A morte de um combatente não para a revolução”. Segundo o jornal, o líder petista foi para a prisão no final da noite de sábado, condenado a 12 anos de prisão, mas que falou antes a uma multidão: “Não sou um ser humano mais. Eu sou uma ideia. E as ideias não se encerram”.

    O jornal francês Le Monde, por exemplo, em editorial na edição de sábado avalia que, mesmo Lula tendo caída em “desgraça” a Justiça brasileira terá que provar ao mundo que sua mobilização contra a corrupção é capaz de atingir também a outros grupos políticos. “A Operação Lava Jato deve demonstrar ao país que a prisão de Lula não é um ato político”, aponta o editorial.

    “A prisão daquele que continuará sendo um dos dirigentes mais marcantes da história do país não significa o fim dos processos. (...) A Lava Jato precisa ter a mesma severidade com outros caciques de partidos do centro e da direita”. E cita o ex-presidenciável tucano Aécio Neves, “suspeito de corrupção passiva e obstrução da justiça”, estranhando que “seu caso ainda não foi examinado pela Suprema Corte”.

    Em reportagem da correspondente Claire Gatinois, o Le Monde destacou que Lula se rendeu à polícia, abrindo a notícia com a declaração do ex-presidente para “uma multidão em lágrimas” de que “podem matar um combatente, mas a revolução continua". “Ofegante e animado”, descreve a jornalista, “o velho confirmou a sua rendição”.

    O tradicional jornal Liberation questionou em sua edição de domingo se a ida de Lula para prisão poderia ser interpretado como “um golpe de misericórdia na esquerda latina”. Ouvindo especialistas, o jornal relata que Lula é o candidato da esquerda reformista – “não revolucionária” – a mais amigável em relação aos mercados.

    “O resultado é que ele vai tornar-se radical”, analisa Patricio Navia, orientador acadêmico do Centro de abertura e desenvolvimento da América Latina (Cadal). Fontes ouvidas pelo jornal avaliam que a esquerda terá grandes dificuldades em voltar, mas que “enquanto as sociedades da região da América Latina forem marcadas pela pobreza, desigualdade e exclusão social, sempre haverá um desafio para mudar o status quo”.

    O jornal L’Humanité aponta um “golpe judicial e militar contra Lula”, reforçando o argumento da esquerda brasileira de que o ex-presidente está sendo perseguido. “O Supremo Tribunal do Brasil rejeitou na quarta-feira a libertação do ex-presidente Lula, que é o candidato presidencial em outubro. Contra o pano de fundo das ameaças do exército”, resume. O também francês Le Fígaro destacou que Lula anunciou que aceitava a sua prisão, mas a matéria ressalta que ele contestou as acusações que pesam contra si e disse que vai provar que seu julgamento é um “crime político”.

    Em outro despacho no mesmo jornal, o destaque foi a reportagem da agência France Press, também reproduzida no diário Le Progress, noticiando que, no final da tarde de sábado, Lula foi impedido de se entregar pelos simpatizantes que cercavam o sindicato dos metalúrgicos, onde ele despontou sua liderança, na região de São Bernardo do Campo. O material também foi reproduzido no canal France24, nos jornais La Provence e La Croix, no canadense Le Journal de Montreal, as emissoras de rádio DH, da Bélgica, e Radio Canada.

    O português Diário de Notícias, em reportagem do correspondente João Almeida Moreira, destacou que o último dia de liberdade de Lula, poderia ser de tristeza, com sua despedida e a missa em memória da sua falecida mulher como panos de fundo. Mas se tornou uma festa, com direito a set list escolhida pelo ex-presidente: “Asa Branca” e “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, “Apesar de Você”, de Chico Buarque, e o samba “Deixa a Vida me Levar”, de Zeca Pagodinho. A matéria reproduz trechos do discurso de Lula – “Eu não sou um ser humano, eu sou uma ideia, todos vocês agora vão virar Lula, eles acham que tudo o que acontece nesse país é responsabilidade do Lula, agora eu responsabilizo vocês” – e diz que o petista também citou Martin Luther King.

    Na Bélgica, a RTBF manteve flashes sobre Lula e a sua iminente prisão, durante a programação de sábado. Foram quatro destaques sobre o líder brasileiro, a última reportagem apontando que o petista foi impedido de se entregar à polícia pelos simpatizantes.

    Olímpio Cruz Neto é jornalista e escritor. Foto: Francisco Proner (destaque)

  • Boa notícia: Aquarius é o filme do ano e não para de brilhar, juntamente com a atriz Sonia Braga

    Depois de provocar polêmica ao denunciar o golpe de Estado no Brasil, no Festival de Cannes, na França, em maio, o filme Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, não para de ganhar prêmios e a atriz Sonia Braga também vem abocanhando importantes troféus pelo mundo afora.

    A obra-prima de Mendonça Filho ficou em quarto lugar entre os melhores filmes do ano, no ranking da principal revista de cinema do mundo, a francesa Cahiers du Cinéma. Também entrou na lista do Top 10 do jornal norte-americano The New York Times. O importante crítico A. O. Scott o colocou em sétimo lugar.

    Ao fazer a apresentação da obra no Prêmio Fênix, na Cidade do México , o ator Wagner Moura, mais uma vez, denunciou a ditadura (assista vídeo abaixo) que se implanta no país e disse sentir orgulho da classe artística que sempre resistiu às ditaduras e ainda resiste.

    Wagner Moura apresenta Aquarius no Prêmio Fênix 

    Para ele, neste momento, Aquarius “sintetiza a resistência dos artistas à ditadura militar e, agora, ao que eu chamo o golpe político contra uma presidenta eleita”. Moura saiu do palco ovacionado e o filme levou os prêmios de melhor direção (Mendonça Filho) e melhor atriz (Sonia Braga).

    O jornal espanhol El País narra que “ao receber o Prêmio Fênix, limitou-se a dizer que seu país vive um momento ‘muito difícil’. No tapete vermelho, entretanto, brincava. Quando os fotógrafos gritavam “à direita!” para captar outro ângulo, respondia sorridente: “Nunca, eu não faço isso”.

    Com o ano quase acabando, mais uma premiação chegou nesta segunda-feira (12). Braga recebeu o prêmio de melhor atriz da Associação dos Críticos de Cinema de San Diego, Estados Unidos.

    A revista norte-americana Rolling Stone, também listou Sonia Braga entre as melhores atuações do ano pelo papel da protagonista Clara no filme de Mendonça Filho. Parece que somente o Ministério da Cultura golpista não “viu” as qualidades de Aquarius.

    O filme nos leva a uma viagem incrível de sonhos, magia e cultura. Onde se vê claramente as nuances da luta de classes num país único como é o Brasil. Na resistência fica a esperança no futuro (leia mais aqui, aqui e aqui).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Divulgação (cena do filme)

    Assista o filme completo 

  • Câmara dos Deputados mancha a imagem do Brasil e imprensa internacional afirma que é golpe

    Repercutiu  muito mal na imprensa internacional, a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma neste domingo (17) pela Câmara dos Deputados, que agora tiraram a semana toda de folga.

    Além do que o jornal Folha de S.Paulo publicou matéria ontem (18) com Eliseu Padilha, homem forte de Michel "vaza" Temer de que empresários cederam jatinhos para buscar os deputados que tinham deixado Brasília. A que preço?

    O jornal britânico The Guardian ironizou ao publicar o sim de Paulo Maluf, "que está na lista vermelha da Interpol por conspiração". Assim como lembrou os votos de Nilton Capixiba, "acusado de lavagem de dinheiro", nota o artigo. E ainda diz que "'pelo amor de Deus, sim!', declarou Silas Camara, que está sob investigação por falsificação de documentos e apropriação indevida de fundos públicos".

    O jornal nota ainda que a maioria dos que votaram sim estão sendo acusados de crimes diversos, mas seguem "protegidos por seu status como parlamentares".

    O espanhol El País chamou de "circo" o que aconteceu neste domingo no plenário da Câmara, em Brasília. Lembra que o presidente da Casa, Eduardo Cunha tem sobre si inúmeras acusações de corrupção, assim como o ainda vice-presidente Michel Temer.

    "Lembraram os parlamentares aos telespectadores de Xuxa (quando ela apresentava programa infantil) que aproveitavam sua participação ao vivo no programa para cumprimentar eternamente a mãe, o marido, a amante o primo, o enteado, o vizinho, os amigos e o porteiro", lembra o El País.

    O maior jornal do mundo o norte-americano The New York Times fez editorial em que afirma categoricamente ter sido golpe à democracia a votação dos deputados brasileiros. "Dilma, que foi reeleita em 2014 por quatro anos, está sendo responsabilizada pela crise econômica do país e pelas revelações das investigações de corrupção que envolvem a classe política brasileira”, afirma o editorial.

    O New York Times conclui que se Dilma sobreviver a esse golpe, precisará reunir as forças sociais e políticas para "consertar a economia e erradicar a corrupção".

    O também norte-americano The Washington Post chama de "golpe suave" o que está em marcha no Brasil, refereindo-se a décadas passadas quando os golpes eram feitos pelas Forças Armadas e agora acontecem por união entre parlamentares, setor judiciário e mídia. O jornal lembra que o país está dividido. 

    "O país acompanha nervosamente diante do abismo, dividido sobre seu futuro e a própria legalidade do processo, que Dilma e seus defensores dizem que é um golpe institucional e um ataque à jovem democracia do Brasil", diz.

    La Nacion, da Argentina, diz que “Dilma Rousseff ficou à beira do julgamento político”. Segundo o jornal, a crise no Brasil está longe de acabar e o país se encontra com “uma presidenta na porta da saída de emergência, um Congresso que festeja com euforia o trauma político que divide o país, um oficialismo que define como golpe um procedimento previsto pela Constituição e um eventual novo mandatário também suspeito de corrupção”. Em resumo, o país vive três crises de uma só vez: econômica, política e moral.

    Segundo o chileno "El Mercurio", ao votarem a favor do impeachment, os deputados federais brasileiros “deixaram à beira do precipício a experiência mais emblemática do ciclo de governos de esquerda da América Latina”.

    Para o jornal Página 12, o Brasil viveu um virtual golpe institucional, presidido pelo político mais denunciado por corrupção. Na matéria, intitulada Um golpe visto vivo e direto, o jornal diz que a decisão de julgar Dilma Rousseff ficou nas mãos de um parlamentar que é “réu no Supremo Tribunal Federal”, que até o processo terminar o governo estará imobilizado e que o vice-presidente, Michel Temer, “sem legitimidade alguma”, terá que enfrentar “a anunciada oposição duríssima dos movimentos sociais, dos principais grupos sindicais e de todos os que não se resignam ao golpe institucional”.

    Repercutiu no mundo todo a votação transmitida ao vivo da Câmara dos Deputados. Votação que manchou a imagem do Brasil que virou pilhéria. 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

     

  • Charge mostra ratos contra Dilma, corroendo os interesses nacionais

    A arte mostra a presidenta Dilma - reeleita em 2014 com mais de 54 milhões de votos - acuada em um banquinho cercado de ratos, representando os políticos da direita brasileira. O golpe travestido de impeachment fajuto.

    O tiro não poderia ser mais certeiro. Os ratos são os quase 400 parlamentares - do Senado e da Câmara dos Deputados - envolvidos em diversos atos ilicítos, juntamente com o Judiciário atuando para afastar definitivamente a presidenta Dilma, sem nenhuma comprovação de crime de responsabilidade.

    E assim cessarem todas as investigações da Lava Jato e outras. Mas principalmente acabarem com as conquistas da classe trabalhadora e com os programas de distribuição de renda dos últimos anos, que tirou milhões da pobreza.

    Portal CTB

  • Crime hediondo: vereadora Marielle Franco foi executada no Rio de Janeiro nesta quarta (14)

    Repercute no mundo inteiro o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol), 38 anos, no Rio de Janeiro, sob intervenção militar, na noite desta quarta-feira (14). Além de sua atuação na Câmara de Vereadores em favor dos Direitos Humanos e dos mais pobres, ela lutava contra o racismo, a LGBTfobia, em defesa da juventude, das mulheres e pela cultura da paz.

    De acordo com a polícia que investiga o crime, ela levou pelos menos quatro tiros, o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, outros três. Pelo menos nove projéteis foram encontrados no carro dela. “É preciso parar com essa barbárie toda, a vida não pode ser desprezada dessa forma”, diz Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “O golpe urdido contra a Nação brasileira feriu de morte a democracia, implantou o Estado de Exceção e, covardemente, vai sangrando o nosso povo”, reforça.

    Ato na Cinelândia, Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (15) 

    “Há fortes indícios de que a sua execução foi política porque ela acusava policiais militares por agirem com truculência e com abusos contra a população mais pobre do Rio, acusava também atos de corrupção”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. Ela lembra do filme "Tropa de Elite", de José Padilha, que retrata o vínculo de milícias cariocas com políticos e criminosos.

    A sindicalista acredita que “com mais essa execução de uma mulher, negra, de esquerda e defensora dos Direitos Humanos, mostra que estamos sendo governados por pessoas sem compromisso com a vida e com o respeito à dignidade humana”.

    Após a tristeza se espalhar com a notícia desse crime, várias manifestações já começam a ocorrer em todo o país exigindo “uma investigação rigorosa e a prisão de todos os culpados, inclusive de supostos mandantes”, afirma Custódio.

    "A luta de Marielle nos serve de inspiração e seguiremos nas ruas e nas lutas em defesa de um mundo melhor e mais justo, mundo este que motivou a militância da companheira da qual tão cedo nos despedimos", diz Paulo Sérgio Farias, presidente da CTB-RJ (leia a íntegra aqui).

    atos marielle

    A vereadora mostra a sua luta e sua coragem ao denunciar a violência de policiais no bairro do Acari, no Rio, em seu Facebook no sábado (10): "Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior".

    acari parem de nos matar

    A Câmara dos Deputados fez sessão solene em homenagem à vereadora assassinada e a Cinelândia foi literalmente tomada na manhã desta quinta-feira (15) no Rio de Janeiro. E a repercussão desse crime não para.

    A notícia corre mundo pelas páginas dos mais importantes veículos de comunicação. “The New York Times”, “The Washington Post” e na rede ABC News, nos Estados Unidos, o espanhol “El País” e o britânico “The Guardian", entre eles.

    Custódio questiona também a intervenção militar no Rio de Janeiro. “Os soldados do Exército brasileiro foram fotografados revistando mochilas de crianças em portas de escolas, mas foram incapazes de proteger a vida de Marielle”, reclama.

    Em 28 de fevereiro, ela havia se tornado relatora da comissão destinada a acompanhar a intervenção federal no Rio de Janeiro. Internautas espalham pelas redes sociais a certeza de que "não foi assalto".

    Para Custódio “tiraram a vida de mais uma mulher, negra, pobre e guerreira pelos direitos do povo”. Ela defende que “o movimento sindical, movimentos sociais, partidos políticos democráticos, mulheres, negros e todas as pessoas que acreditam que um outro mundo é possível devem se unir para defender a vida das pessoas que lutam”.

    marielle franco ato cinelandia rj 15 03 2018

    Diversos artistas também prestam solidariedade á família. "Ela lutava pela paz, por oportunidades iguais para todos. Denunciava a corrupção na câmara, na polícia...", escreveu Mônica Iozzi. Milhares de pessoas tomaram a Cinelândia, no centro da capital fluminense, para homenagear Marielle Franco e exigir punição dos criminosos (foto acima).

    “Um sentimento de revolta toma conta do Rio de Janeiro e de todo o país”, afirma Custódio. “Morreu a preta da maré,/a negra fugida da senzala/que foi sentar com "os dotô" na sala/e falar de igual pra igual com "os homi"./A negra que burlou a fome de se saber,/que fez crescer dentro dela, o conhecimento./Aquela, que por um momento de humanidade,/sonhou com a justiça, lutou por liberdade/e ousou ir mais alto,/do que permitia sua cor./"Mas preta sabida, não pode!/Muito menos pobre! Não tem valor."/Diziam as más línguas na multidão./E ela ousou tirar seus pés do chão./Morreu./Morreu a "preta sem noção",/que falava a verdade na cara do patrão,/que carregava a coragem, como bagagem,/no coração./O tiro foi certo,/acertou com maldade,/ecoando seco no centro da cidade” (Anielli - Poeta de Volta Redonda-RJ).

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Em pouco mais de 2 minutos, TV Al Jazeera mostra a hipocrisia do golpe no Brasil. Assista!

    O repórter Mehdi Hasan, da TV Al Jazeera, uma das maiores audiências do mundo, fez uma reportagem de pouco mais de 2 minutos com o sugestivo título “O impeachment de Dilma no Brasil: um caso de estudo da hipocrisia?” (Veja o original aqui).

    Hasan é o mesmo jornalista que encostou Fernando Henrique Cardoso na parede recentemente e deixou o ex-presidente sem resposta para justificar o afastamento da presidenta Dilma Rousseff (saiba mais aqui).

    Em reportagem para o programa “UpFront” (Na Frente), o jornalista ironiza o golpe de Estado jurídico-parlamentar em marcha no país e revela ao mundo que o vice-presidente Michel Temer - que tomou de assalto o cargo de Dilma – está inelegível por 8 anos, por crimes eleitorais.

    Assista a reportagem da Al Jazeera 

    Primeiramente “Fora, Temer!”

    Assim como o maior jornal do mundo, o norte-americano The New York Times (leia aqui) e a TV CNN, também norte-americana (assista aqui), a Al Jazeera apresenta a falta de vergonha da elite brasileira que golpeia a democracia contra os interesses nacionais.

    Hasan mostra ainda que Temer também pode sofrer impeachment. E denuncia que o processo contra Dilma foi detonado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em julgamento por seus pares, acusado de mentir sobre contas ilegais na Suíça, entre outras inúmeras acusações.

    Além disso, o jornalista denuncia que o presidente do Senado, Renan Calheiros, é acusado na Operação Lava Jato, entre outros ilícitos. Juntamente com diversos outros parlamentares e ministros interinos do Temer, sendo que alguns deles já foram até afastados.

    Mostra para o mundo também que 303, dos 513 deputados federais, estão envolvidos em crimes diversos, que vão de corrupção à utilização de trabalho escravo, passando por acusações de assassinatos. Recentemente, um deles, Marco Feliciano (PSC-SP), foi acusado de estupro por uma jovem.

    O governo golpista, mesmo sem a definição do impeachment, já mostra as garras violando direitos humanos e elaborando projetos que tiram todos os direitos da classe trabalhadora, como o 13º salário e as férias remuneradas, além de arrasar com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Fique de olho!

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Foi um escravo que criou a receita do uísque Jack Daniel’s

    Rezava a história oficial que a receita do uísque mais famoso do mundo era de autoria do reverendo Dan Call, que possuía uma destilaria, onde Nearis Green era escravo. Depois de 150 anos de mentira, a Jack Daniel’s reconhece que quem ensinou a receita a Daniel, na verdade foi o negro Green.

    “Muito interessante essa questão porque ressalta a negação de 150 anos da história real”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Leia mais no site da Jack Daniel's.

    A sindicalista acredita na necessidade de se contar a história da classe trabalhadora, “sob o nosso ponto de vista”. Como, de acordo com ela, fez Clóvis Moura (1925-2003), um dos mais importantes historiadores da luta dos escravos contra o sistema que os oprimia, entendendo-os como trabalhadores e trabalhadoras.

    “Uma reportagem do jornal americano ‘The New York Times’ (leia matéria original aqui) revelou que a partir de agora quem visita a fábrica do destilado em Tennesse, nos Estados Unidos, ouve a história verdadeira. A versão mais antiga, contada até poucas semanas atrás, omitia a participação de Nearis Green”, conta o portal da “Revista Fórum”.

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    Nearis Green (único negro na foto) com a equipe da destilaria do reverendo Dan Call

    O historiador Michael Twitty diz que os escravos possuíam pleno conhecimento da fabricação de bebidas alcoólicas, competência que vinha de seus antepassados e que foi largamente utilizada pelos senhores de escravos.

    “Existe algo que precisa ser dito, na verdade, os africanos e os europeus eram dois povos do sudeste americano que traziam uma tradição ancestral de fazer bebidas alcoólicas”, afirma o historiador norte-americano.

    Para Mônica, “há a necessidade de se reconhecer não apenas o papel de Green na criação desse uísque, mas o papel importante que os seres humanos negros escravizados tiveram na construção das nações para onde foram levados, atuando na criação de uma nova cultura”.

    Ela explica que no caso do uísque os escravos tiveram fundamental importância. “Mesmo porque o uísque para os norte-americanos é como a cachaça para os brasileiros, com uma importância social, econômica e cultural”, afirma.

    Assim, diz ela, o conhecimento do processo de fabricação do uísque se tornava da maior importância “em todas as atividades, inclusive nas atividades que se pode chamar de culturais”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Jornal The New York Times denuncia ao mundo o golpe no Brasil

    Considerado o diário mais importante do mundo, o jornal The New York Times (NYT) faz uma série de reportagens sobre o golpe de Estado jurídico-parlamentar em marcha contra a democracia brasileira.

    A equipe de correspondentes acompanhou algumas manifestações em defesa do Estado Democrático de Direito e das conquistas sociais dos últimos 13 anos. Os jornalistas norte-americanos produziram um vídeo, visualizado no mundo inteiro.

    Assista o vídeo do NYT 

    Camila Márdila (a Jéssica de Que Horas Ela Volta?) gravou uma chamada à resistência ao golpe. "Algo muito importante ainda está pra acontecer, não tem nada definido... A gente tem que prestar muita atenção ao que pode acontecer nos próximos dias nesse país, e não é só nas Olimpíadas”, diz a atriz.

    Veja Camila Márdila

     

    O vídeo “Golpe x Democracia”, do grupo Juventude Decidida, pergunta: "De que lado você está? De Eduardo Cunha, com várias acusações de atos ilícitos, ou de Dilma, sem nenhuma acusação comprovada?"

    Veja o vídeo e decida 

    Com muita irreverência, centenas de brasileiros e brasileiras tomaram a Times Square em Nova York, Estados Unidos, em defesa da democracia e pelo “Fora Temer”, no domingo (31). Chico César canta “as velhas raposas querem o galinheiro”...

    Assista

    Os Jornalistas Livres gravam vídeo de uma solenidade com a presença de políticos graúdos do PSDB paulista sobre a questão da saúde, onde ocorre um protesto contra o desmanche do SUS e os políticos se fazem de desentendidos.

    Estavam presentes José Serra (ministro interino das Relações Exteriores), Fernando Capez (presidente da Assembleia Legislativa de SP), Geraldo Alckmin (governador de SP), David Uip (secretário de Estado da Saúde) e Ricardo Barros (ministro da saúde do interino).

    Repare a cara de pau dos tucanos 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Charge: Latuff

  • Mídia internacional mostra a ditadura do governo golpista de Michel Temer

    Os correspondentes da mídia internacional já perceberam a impossibilidade de confiar na isenção da imprensa burguesa nacional. Por isso, resolveram ir às ruas cobrir as manifestações contra o governo golpista de Michel Temer - há mais de 2 meses no Palácio do Planalto.

    leia mais

    Jornal The New York Times denuncia ao mundo o golpe no Brasil

    O jornal The New York Times (NYT) divulga o seu segundo vídeo sobre as manifestações pelo "Fora Temer" durante a realização dos Jogos Olímpícos Rio 2016 e denuncia a censura promovida por esse desgoverno em reportagem (leia o texto original aqui).

    Assista o vídeo do NYT que o mundo todo está vendo


    Outro grande jornal norte-americano, The Washington Post também fez reportagem sobre os torcedores expulsos dos estádios por estarem com cartazes com a inscrição “Fora Temer”. "uma palavra que tem conotações amargas em um país que vivia sob uma ditadura militar”, afirma o Post (leia a íntegra aqui).

    Sem filtro, a TV Italiana mostra a sonora vaia que o golpista Temer levou em seu discurso relâmpago na abertura dos Jogos.

    Assista 

    Ao contrário disso, para a presidenta Dilma é só alegria. Desta vez, ela foi recebida por milhares de pessoas na tenda do Circo da Democracia, em Curitiba.

    Veja a diferença 

    Enquanto isso os repórteres da Rede Golpe de Televisão (ex-TV Globo) continuam enfrentando dificuldades.

    Assista 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy com agências

  • Mulheres derrotam Donald Trump em eleição histórica nos Estados Unidos

    A terça-feira (6) entra para a história dos Estados Unidos como o dia em que as mulheres derrotaram o presidente Donald Trump, eleito dois anos antes atacando as questões de gênero, os imigrantes e defendendo propostas racistas e xenófobas. As semelhanças com Jair Bolsonaro não param por aí. Trump também é acusado de utilização de fake news para derrotar a adversária democrata Hillary Clinton.

    “As estadunidenses se mobilizaram para avançar nas lutas por igualdade de direitos”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, com base em informações do jornal The New York Times. Com o resultado o Partido Democrata conquistou maioria na Câmara, mas se mantém em minoria no Senado. Nas duas casas legislativas, a representação feminina já ultrapassa os 20%.

    De acordo com as repórteres Susan Chira e Kate Zernike , “as mulheres participaram de grupos de base determinadas a reconquistar o controle democrata sobre a Câmara, e lotaram organizações que as prepararam para concorrer aos cargos. Como candidatas, elas quebraram regras e derrotaram a sabedoria política convencional”.

    Até o momento já eram 92 eleitas, em 435 parlamentares, superando o recorde anterior de 84 para a Câmara dos Representantes. “Como ativistas, expandiram a definição das questões femininas para além da educação e dos direitos reprodutivos, incluindo assistência médica, imigração, violência armada e proteção do meio ambiente”, assinalam as repórteres. No Senado foram eleitas 10 mulheres nas 35 vagas em disputa.

    camara dos representantes como era como fica v5

    Para Celina, o resultado da eleição da maior potência capitalista do mundo, significa “uma pedra no caminho dos projetos anti-imigração, belicista e armamentista, contra os direitos humanos de Trump”.

    Foram muitas boas novidades. Pelos democratas: em Massachusetts, Ayanna Pressley se tornou a primeira negra eleita. Rashida Tlaib, em Michigan e Ilhan Omar, em Minnesota serão as primeiras muçulmanas no Congresso. Sharice Davids derrubou um republicano no Kansas e Deb Haaland prevaleceu no Novo México, tornando-se as primeiras indígenas eleitas para o Congresso. No Tennessee, Marsha Blackburn, uma republicana, tornou-se a primeira mulher do estado eleita para o Senado.

    Kelly Dittmar, cientista política da agência de Rutgers, disse ao New York Times que "para algumas mulheres, isso significava não esperar a sua vez", enquanto “para outras, isso também significava concorrer de uma maneira que adotasse o gênero e a raça como um trunfo para a candidatura e a manutenção de escritórios, em vez de um obstáculo que precisam superar para ter sucesso no mundo da política eleitoral masculino".

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    Jared Polis foi eleito no Colorado como o primeiro governador de um estado estadunidense, assumidamente gay, também pelos democratas. “Ampla derrota para Trump, que viu suas plataformas principais ruírem”, analisa a sindicalista da CTB.

    Especialistas indicam polarização entre o eleitorado masculino e feminino, muito parecido com o fenômeno que aconteceu na eleição brasileira. “A luta das mulheres não vai parar enquanto houver discriminação, violência e preconceito. O resultado dessa eleição vai além dos números e traz grande signifido político para avançarmos na unidade em defesa da igualdade e do respeito a todas as pessoas”, finaliza Celina. Para ela, a reeleição de Trump em 2020 está comprometida "para o bem da humanidade".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • New York Times detecta machismo nos ataques às mandatárias de países latino-americanos

    O principal jornal dos Estados Unidos, The New York Times(NYT) publicou recentemente uma reportagem “South America’s Powerful Women Are Embattled. Is Gender a Factor?” (“Mulheres no poder são alvo de machismo latente na política da América Latina?”).

    “Gênero, dizem os analistas, não é a causa dos atuais problemas das líderes. Mas, acrescentam eles, o declínio coletivo das três mulheres aponta para uma persistência de atitudes machistas na região, especialmente dentro do establishment político”, afirma o NYT.

    Esse declínio, segundo o jornalista argentino Sergio Berensztein, mostra que há “forças poderosas que resistem a estas mudanças”. Já a secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira afirma que “o capitalismo reforça o patriarcado para manter o poder dos ricos contra os pobres”.

    Para a sindicalista, “a pressão contra as mulheres no poder é muito mais intensa em relação aos homens. Isso ocorre porque a luta por igualdade de gênero, assusta a elite. Então atacam as mulheres como se fossem responsáveis pelos erros dos homens”.

    “É como se as líderes mulheres estivessem recebendo toda a repercussão pela corrupção dos homens”, diz Farida Jalalzai, professora de política de gênero na Universidade Estadual de Oklahoma para o NYT. “Seria surpreendente se não houvesse a dinâmica do gênero por trás disso”, reforça.

    O jornal norte-americano destaca ainda que vários políticos têm sido acusados de corrupção. Mas tem sobrado para as mulheres. Nesse contexto, “as mídias locais têm contribuído muito para perpetuar os ataques às mulheres mandatárias de seus países”, lembra Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP.

    A presidenta do Chile, Michelle Bachelet também é citada na reportagem porque enfrenta problemas similares às suas vizinhas. Tem sido sistematicamente acusada de atos ilícitos que, lá como aqui, são feitos sem provas.

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    Em relação ao Brasil, o jornal diz que “a indignação pública sobre um escândalo de propinas na companhia nacional de petróleo se aglutinou em torno de Dilma e ajudou a impulsionar o processo de impeachment, mesmo que ela não esteja diretamente nomeada na investigação”.

    Aqui, fala Ivânia, “os ataques misóginos à presidenta Dilma têm sido a tônica da mídia, como fez a revista IstoÉ, com várias acusações sem nenhuma comprovação, tentando dizer que as mulheres não são preparadas emocionalmente para governar”.

    Manifestação de mulheres contra a cultura do estupro na avenida Paulista em São Paulo:

     

    “Mesmo que o sistema de cotas venha impulsionando as carreiras de mulheres políticas na região, há uma sensação de que as atitudes tradicionais nunca realmente ficaram para trás”, diz o NYT. “A mais recente safra de esposas presidenciais, dizem os observadores, são modelos de feminilidade”.

    A reportagem cita o governo golpista de Michel Temer, “que nomeou um gabinete desprovido de mulheres” e “é casado com uma ex-participante de concurso de beleza”. Marcela Temer foi personagem da reportagem “bela, recatada e do lar”, da revista Veja, que provocou fúria das feministas, tão deslavado machismo”, diz Gicélia.

    Na Argentina não é muito diferente, diz o jornal. Juliana Awada, esposa do presidente Mauricio Macri, é uma designer de moda e faz o jogo “bela, recatada e do lar”, quase tanto quanto a esposa do Temer.

    Berensztein cita alguns exemplos de “atitudes machistas residuais”. Tanto que “Isabel Macedo, a nova noiva de Juan Manuel Urtubey, um proeminente governador argentino com ambições presidenciais, foi uma atriz de telenovelas, como tem Angélica Rivera, a primeira-dama do México”, observa a reportagem.

    Mas, nem tudo está perdido. O NYT ressalta o movimento de mulheres que tomou as ruas, principalmente no Brasil, mas também na Argentina com o movimento “Ni Una Menos”, também contra os sucessivos estupros ocorridos no país.

    No Brasil, as mulheres tomam as ruas para combater tenazmente a cultura do estupro, que levou o ator pornô, Alexandre Frota, ao Ministério da Educação para propor cerceamento do debate de gênero nas escolas e censura aos educadores.

    ChX212dU4AAZy01“Estaremos nas ruas e nas escolas, todas por nós e sempre unidas vamos transformar o mundo. O machismo mata, mas o feminismo nos redime e constrói o mundo novo”, afirma Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

    O debate de gênero nas escolas é essencial para a “construção de uma sociedade mais humana”, realça Camila. “Uma civilização só avança com conhecimento e conhecimento pressupõe democracia e liberdade”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy, com agências

  • O filme “Eu, Daniel Blake” é um chamamento à ação revolucionária

    O ator Dave Johns e o diretor Ken Loach em cenário de "Eu, Daniel Blake"

    Quem ainda bota fé nas “boas intenções” do presidente golpista Michel Temer na reforma da previdência precisa urgente ir ao cinema assistir a obra-prima do inglês Ken Loach, “Eu, Daniel Blake". Palma de Ouro no importante Festival de Cannes, na França, em 2016.

    O filme está em cartaz no Brasil desde janeiro deste ano. Com uma direção aguçada, roteiro bem amarrado, contundente, elenco afinadíssimo, fotografia, trilha sonora e enquadramentos beirando à perfeição, a película provoca e atiça.

    De um modo diferente tem a mesma percepção do brasileiro “Vidas Secas” (1963), onde Nelson Pereira dos Santos captou toda a dimensão humana do livro homônimo do grande escritor alagoano Graciliano Ramos.

    “Vidas Secas” fala da aridez do sertão nordestino em décadas passadas, provocando a secura das vidas, desumanizando as relações, transformando as pessoas em nada, menos valorizados que bichos.

    Tanto que o jornalista Vincent Canby escreveu no jornal norte-americano "The New York Times" que o filme é “um chamamento às armas”.

    Mais de 50 anos depois, “Eu, Daniel Blake”, traz para a telona o mesmo impacto de “Vidas Secas”. No meio urbano, numa cidade nas proximidades de Londres, Blake (Dave Johns) é afastado do trabalho por causa médica. Começa seu infortúnio para receber seu seguro saúde.

    Somente isso já daria à obra o impacto suficiente para mexer com corações e mentes do público. Mas vem mais. Blake encontra Katie (Hayley Squires), mãe de duas crianças que os “pais” não assumiram.

    Desempregada, Katie enfrenta dificuldades ainda maiores para dar sustento à sua família e, por não conseguir emprego, parte para uma via alternativa. Assim como um vizinho de Blake, imigrante, busca maneira de sobreviver à margem do mercado de trabalho.

    A trama se passa em um país do primeiro mundo, mesmo assim, a intromissão imperialista não escapa ao olho crítico do diretor, que mostra uma empresa norte-americana e terceirizada, responsável por decidir sobre a seguridade social da classe trabalhadora inglesa.

    Dá para imaginar a situação indefinidamente pior em países pobres ou emergentes. Imagine um quase sessentão, sem aposentadoria, de licença médica, na fila da Previdência Social para receber seus direitos, enquanto ainda os tem.

    A obra impacta qualquer um que ainda nutra alguma esperança. Um chamamento à ação revolucionária. Porque no final, só fica faltando o diretor aparecer para dizer: a realidade é ainda pior do que mostrei na tela. E aí, o que você vai fazer a respeito?

    Enfim, todo sindicato deveria exibir essa obra para seus representados.

    Assista trailer 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Primeiro brasileiro a ganhar o Prêmio Pulitzer de jornalismo critica o golpe e a Globo nos EUA

    O fotógrafo brasileiro Maurício Lima ao receber o Pulitzer, na noite da quinta-feira, (28), denunciou o golpe em marcha no Brasil e atacou o partidarismo da mídia nacional, liderada pela Rede Globo, mais conhecida como Rede Golpe de Televisão.

    Pulitzer é um dos prêmios de jornalismo mais importantes de mundo, tendo sua cerimônia de entrega muito concorrida e grande audiência. Na noite de premiação da Overseas Press Club of America (organizadora do prêmio) compareceram os 500 maiores líderes da imprensa mundial.

    "Considero muito importante falar algumas palavras para vocês. Sou do Brasil e tenho certeza que vocês devem saber o que está acontecendo lá nesse momento. E particularmente somos aqui um time de jornalistas do mais alto nível”, afirmou.

    Por isso, “gostaria de expressar meu apoio à liberdade de imprensa e à democracia, que é exatamente o que não está acontecendo no Brasil nesse momento. Sou contra o golpe", concluiu e saiu muito aplaudido.

    O paulista Maurício Lima é fotógrafo do jornal norte-americano The New York Times e ganhou o Prêmio Pulitzer 2016 de Melhor Reportagem Fotográfica por seu trabalho sobre os refugiados na Europa. Como essa abaixo:

    foto mauricio lima pulitzer refugiados

    Poucos dias atrás, o mineiro Sebastião Salgado (um dos maiores fotógrafos do mundo) denunciou o golpe conservador numa rádio francesa. Várias reportagens sobre o Brasil têm saído nas mais importantes mídias mundiais, como a CNN e a Al Jazeera, além de publicações impressas.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com Intercept, Jornalistas Livres e Mídia Ninja

    Veja como foi o discurso comovente de Maurício Lima:

  • Um dos mais influentes artistas da história, Bob Dylan é premiado com o Nobel de Literatura

    Temperamental, o cantor e compositor americano Bob Dylan continua fazendo jus à sua fama de mal-humorado: mais de um dia se passou, e o bardo não se dignou a atender um telefonema da academia sueca que acaba de lhe conceder o prêmio Nobel de Literatura.

    Dylan, 75 anos, é o primeiro músico a ganhar a distinção literária em mais de um século (antes dele, a honraria fora concedida apenas ao musicista indiano Rabindranath Tagore, em 1913). 

    Na definição dos jurados, Dylan foi homenageado por ter criado, ao longo dos seus mais de 70 álbuns e centenas de canções, uma nova expressão poética dentro da grande tradição norte-americana da canção. Reconhecimento que vai além dos dois livros que efetivamente publicou, Tarântula (1966) e Chronicles 1 e 2, sua autobiografia.

    Nascido Robert Allen Zimmerman, o rebelde garoto americano trocou o sobrenome de família pelo prenome do seu poeta favorito (Dylan Thomas) e encantou uma geração de hippies e fãs do country e do folk para depois "os apunhalar pelas costas", como muitos críticos disseram, ao trazer às suas melodias harmonizadas com gaita e violão uma guitarra distorcida, barulhenta – roqueira.

    Seu repertório produziu clássicas canções de protesto, com letras socialmente engajadas, que bradavam contra a violência racial, a política excludente e o imperialismo americano. Dylan nunca aceitou o rótulo, por mais que Blowing in the WindThe Times They are-a Changing, Mr Tambourine Man ou Hurricane sejam ainda hoje libelos humanistas, hinos a refletir sobre os tempos e suas perversas injustiças.

    Na década de 1960, Dylan era o homem que não fazia concessões. Ele esculhambava com sarcasmo os empolados articulistas da revista Time, e não tentou contemporizar quando, durante um show em Manchester Free Trade Hall, em 1966, num intervalo entre as músicas, alguém da ala country da plateia o acusou: - Judas (por causa do uso das guitarras).

    Dylan virou-se para a banda e gritou: “Play it fucking loud” (Toque isto muito alto), e assim introduziu a próxima música do repertório: o clássico Like a Rolling Stone, para delírio do público – ou pelo menos parte dele.

    A voz rouca da discórdia nunca esmoreceu. E está aí mesmo uma das contradições mais fascinantes de Dylan: em mais de meio século de carreira, ele elevou a sua obra a um patamar universal.

    É interpretado por uma diversificada gama de músicos que vai da cantora pop Sheryl Crowe ao brasileiro Zé Ramalho, do reggae de Bob Marley ao rock dos Rolling Stones ou a MPB de Caetano Veloso (além da banda mineira Skank que fez uma versão da canção I want you, de Dylan, intitulada Tanto).

    A sua música é interpretada por vozes delicadas como Gal Costa e Joan Baez, e também funciona perfeitamente bem em versões roqueiras de bandas como os Byrds, Guns´n Roses ou de Neil Young.

    A universalidade de sua música também pode ser observada através da biografia do artista escrita pelo jornalista Robert Shelton, lançada há alguns anos no Brasil: “No Direction Home: a Vida e a Música de Bob Dylan” (Larousse). 

    O livro enfoca a trajetória do músico e mostra a competência que ele teve em criar sólidas redes sociais junto a artistas que admirava, com uma profícua troca de composições e letras.

    Nesta célebre galeria de amigos estão John Lennon, Johnny Cash, Allen Ginsberg e muitos outros. O livro, inclusive, emprestou seu título à cinebiografia dirigida por Martin Scorsese em 2005, e forneceu bases para o roteiro de um outro filme que está sendo produzido atualmente sobre o artista. 

    Confira alguns clássicos de Bob Dylan: 

    Natália Rangel - Portal CTB