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Qui, Abr

The Washington Post

  • A prisão de Lula na mídia internacional

    O discurso do líder brasileiro como vítima de uma perseguição política está na imprensa estrangeira, que destaca ainda o favoritismo dele para as eleições presidenciais de outubro.

    A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de sábado (7), e seu discurso no ato político realizado em São Bernardo do Campo (SP), onde anunciou que se renderia à Polícia Federal, receberam grande destaque na imprensa estrangeira. O assunto está nas primeiras páginas de diversas publicações em todo o mundo e é um dos principais temas das agências internacionais de notícias. A foto de Lula, cercado por uma multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tirada por Francisco Proner, foi distribuída pela Reuters para todo o mundo e reproduzida em jornais influentes, como o inglês The Guardian e o canadense The Globe and Mail.

    As palavras-chave são a rendição do maior líder da esquerda brasileira, que está à frente na corrida presidencial, a transformação de Lula em preso político e a desconfiança sobre o sistema judiciário do país. O material produzido pelas principais agências de notícia – AP, Reuters, Bloomberg, AFP, EFE, DW e Prensa Latina – ganhou o mundo. Vários despachos foram sendo atualizados ao longo do dia.

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    O americano The New York Times traz longa reportagem assinada pelos correspondentes Manuel Androni, Ernesto Landoño e Shasta Darlington, com foto de Lalo de Almeida, destacando que Lula se rendeu para cumprir pena de 12 anos de prisão. “Sua prisão é uma reviravolta ignominiosa na notável carreira política de Lula, filho de trabalhadores rurais analfabetos que enfrentou os ditadores militares do Brasil como líder sindical e ajudou a construir um partido reformista de esquerda que governou o Brasil por mais de 13 anos”, diz a reportagem.

    Os correspondentes do NYT relatam que antes de se render às autoridades policiais federais, Lula, 72 anos, acusou promotores e juízes de intencionalmente persegui-lo com um caso infundado. “Eu não os perdoo por criar a impressão de que sou um ladrão”, disse um indignado Lula, rouco, diante de uma multidão reunida do lado de fora do sindicato de metalúrgicos. A reportagem destaca que, durante horas no sábado, em um impasse tenso, seus fervorosos defensores haviam bloqueado fisicamente sua rendição, antes de finalmente permitir que ele partisse.

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    O americano Washington Post informa que Lula se entregou à Polícia Federal, mas disse que, mesmo encarcerado, vai fazer campanha política. Segundo o jornal, que destaca em foto Lula sendo levado nos braços do povo no berço do sindicalismo brasileiro, que a prisão “intensificou o drama político na maior nação da América Latina”. De acordo com o texto dos correspondentes Marina Lopes e Anthony Faiola, a cadeia transformou um homem que o presidente Barack Obama chamou de “o político mais popular da Terra” no prisioneiro mais famoso da região.

    O inglês The Guardian reproduz a foto distribuída pela Reuters com Lula cercado pela multidão e destaca em manchete: “Lula inicia sentença de prisão no Brasil depois de se entregar à polícia”. Segundo o diário, o ex-presidente promete provar sua inocência da corrupção depois de encerrar um impasse de dois dias com as autoridades. “Faça o que quiser, o poderoso pode matar uma, duas ou 100 rosas. Mas eles nunca conseguirão impedir a chegada da primavera”, discursou o líder político.

    O jornal canadense The Globe and Mail destaca em primeira página que Lula foi para a cadeia, “mas aqueles que ele defendeu lamentam o fim de uma era”, publicando também a foto de Francisco Proner, distribuída pela Reuters. O texto é da correspondente Stephanie Nolen, que abre a reportagem falando que Lula se entregou à Polícia Federal no sábado de noite, tendo feito antes um inflamado discurso de 55 minutos a apoiadores reunidos na frente do sindicato. “Foi o fim de uma dramática jornada de 48 horas que uniu o Brasil e forneceu suporte a uma extraordinária história política”, relata.

    “Muitos brasileiros anunciaram a visão de um líder supremamente poderoso em custódia da polícia como um ponto de virada para o país, um golpe contra a impunidade dos poderosos”, escreve a correspondente. Mas para outros, a prisão de Lula é um fim devastador para uma era de um tipo diferente de política. “Lula trouxe um poder para os pobres brasileiros - as pessoas foram viver acima da linha da pobreza, pessoas que nunca tinham estudado começaram a estudar, trabalhadores domésticos tiveram direitos quando antes eram todos escravizados", disse Elisa Lucinda, uma proeminente atriz, poeta e cantora. “Era um Brasil que nunca havia sido visto antes e agora vai desaparecer novamente”.

    O site russo Sputnik reporta que Lula se entregou à polícia. Os muitos despachos ao longo do dia foram reproduzidos em outras línguas, inclusive nos serviços em espanhol e português. Em um dos destaques no site, reportagem relata que embora tenha sido condenado por subornos, a Justiça não apresentou provas e que o ex-presidente é líder inconteste nas pesquisas de opinião para voltar ao poder nas eleições previstas para este ano. “A direita brasileira joga com fogo”, destaca.

    A emissora de TV Russia Today destacou no final da noite que Lula acabou com o impasse e se entregou à polícia. A reportagem aponta que, antes de se entregar, Lula se dirigiu a uma audiência de milhares de pessoas que estavam nas ruas de São Bernardo do Campo e discursou: “Quanto mais dias eles me deixarem (na cadeia), mais Lulas nascerão neste país”. A multidão gritou: “Libertem Lula!”.

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    Na Argentina, o jornal Clarín destacou em manchete de primeira página, que Lula já está preso em Curitiba para cumprir sua pena por corrupção. Outro jornal argentino, o Página 12, aponta que a detenção de Lula é um segundo golpe que o país vive, e que, durante todo o dia, o líder do PT recebeu o apoio e solidariedade de milhares de militantes e simpatizantes. Ele falou à multidão, onde disse que o único crime que cometeu “foi tirar milhões da pobreza” e que o golpe que começou com a deposição de Dilma Rousseff terminou com a decisão de impedi-lo de ser candidato à Presidência. Também o La Nación destacou em primeira página que Lula já está na sede da PF em Curitiba, onde cumprirá sua pena.

    Agências internacionais

    Matéria da AP, reproduzida em 10,6 mil sites noticiosos, relatou que Lula foi levado no início da noite sob custódia policial, depois de um confronto tenso com seus próprios partidários e três intensos dias que de fortes emoções por causa do seu encarceramento. “Apenas algumas horas antes, Lula disse a milhares de partidários que se entregaria à polícia, mas alegou inocência e disse que sua condenação por corrupção era simplesmente uma maneira de os inimigos garantirem que ele não fugisse – e possivelmente vencesse – as eleições presidenciais de outubro”, diz o texto assinado por Maurício Savarese e Peter Prengaman.

    Reportagem da AFP relata a tensão no final de sábado da saída de Lula da sede do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, apontando-o como favorito da eleição presidencial de outubro. O despacho destaca que “Lula se considera vítima de uma trama da elite para impedir que concorra a um terceiro mandato”. O jornal traz declaração forte do ex-presidente: “A obsessão deles é ter uma foto do Lula prisioneiro”, disse. O material foi replicado por 3,7 mil veículos de imprensa no mundo.

    A agência espanhola EFE, em despacho divulgado no final de sábado, relatou que Lula pôs fim à sua resistência e já estava nas mãos da Polícia Federal, destacando trecho do seu discurso em que confessou ter cometido um delito. “Eu cometi um crime: trazer os pobres para a faculdade, o que lhes permite comprar carros, eles têm alimentos”. “Serei um criminoso pelo resto da minha vida”. Texto, vídeo e fotos foram reproduzidos em 2.590 sites e veículos noticiosos em todo o mundo.

    Texto da Reuters, com a foto de Lula cercado pela multidão de simpatizantes e militantes de esquerda no pátio do sindicato onde começou sua vida política, foi reproduzido em dezenas de sites de notícias. A reportagem aponta que Lula se entregou à polícia, acabando com o impasse, no início da noite de sábado. Segundo a agência, “a prisão de Lula remove a figura política mais influente do Brasil, líder da campanha presidencial deste ano”. O texto especula que isso poderia aumentar as chances de um candidato centrista prevalecer. O despacho da agência foi reproduzido por 2.480 sites e jornais, inclusive o The New York Times.

    A Deutsche Welle deu em manchete que “o ex-presidente brasileiro Lula está na prisão”, que o primeiro prazo ele havia deixado passar, no sábado os seus seguidores impediram a sua detenção, mas o líder condenado por corrupção foi levado afinal por policiais. “Vários pedidos para permanecer em liberdade até o final do apelo foram negados”, relata a agência alemã. “Lula também pediu ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em Genebra uma liminar para evitar a detenção”.

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    Europa

    O diário espanhol El País deu manchete de primeira página para a prisão de Lula, destacando no título trecho do discurso do ex-presidente: “A morte de um combatente não para a revolução”. Segundo o jornal, o líder petista foi para a prisão no final da noite de sábado, condenado a 12 anos de prisão, mas que falou antes a uma multidão: “Não sou um ser humano mais. Eu sou uma ideia. E as ideias não se encerram”.

    O jornal francês Le Monde, por exemplo, em editorial na edição de sábado avalia que, mesmo Lula tendo caída em “desgraça” a Justiça brasileira terá que provar ao mundo que sua mobilização contra a corrupção é capaz de atingir também a outros grupos políticos. “A Operação Lava Jato deve demonstrar ao país que a prisão de Lula não é um ato político”, aponta o editorial.

    “A prisão daquele que continuará sendo um dos dirigentes mais marcantes da história do país não significa o fim dos processos. (...) A Lava Jato precisa ter a mesma severidade com outros caciques de partidos do centro e da direita”. E cita o ex-presidenciável tucano Aécio Neves, “suspeito de corrupção passiva e obstrução da justiça”, estranhando que “seu caso ainda não foi examinado pela Suprema Corte”.

    Em reportagem da correspondente Claire Gatinois, o Le Monde destacou que Lula se rendeu à polícia, abrindo a notícia com a declaração do ex-presidente para “uma multidão em lágrimas” de que “podem matar um combatente, mas a revolução continua". “Ofegante e animado”, descreve a jornalista, “o velho confirmou a sua rendição”.

    O tradicional jornal Liberation questionou em sua edição de domingo se a ida de Lula para prisão poderia ser interpretado como “um golpe de misericórdia na esquerda latina”. Ouvindo especialistas, o jornal relata que Lula é o candidato da esquerda reformista – “não revolucionária” – a mais amigável em relação aos mercados.

    “O resultado é que ele vai tornar-se radical”, analisa Patricio Navia, orientador acadêmico do Centro de abertura e desenvolvimento da América Latina (Cadal). Fontes ouvidas pelo jornal avaliam que a esquerda terá grandes dificuldades em voltar, mas que “enquanto as sociedades da região da América Latina forem marcadas pela pobreza, desigualdade e exclusão social, sempre haverá um desafio para mudar o status quo”.

    O jornal L’Humanité aponta um “golpe judicial e militar contra Lula”, reforçando o argumento da esquerda brasileira de que o ex-presidente está sendo perseguido. “O Supremo Tribunal do Brasil rejeitou na quarta-feira a libertação do ex-presidente Lula, que é o candidato presidencial em outubro. Contra o pano de fundo das ameaças do exército”, resume. O também francês Le Fígaro destacou que Lula anunciou que aceitava a sua prisão, mas a matéria ressalta que ele contestou as acusações que pesam contra si e disse que vai provar que seu julgamento é um “crime político”.

    Em outro despacho no mesmo jornal, o destaque foi a reportagem da agência France Press, também reproduzida no diário Le Progress, noticiando que, no final da tarde de sábado, Lula foi impedido de se entregar pelos simpatizantes que cercavam o sindicato dos metalúrgicos, onde ele despontou sua liderança, na região de São Bernardo do Campo. O material também foi reproduzido no canal France24, nos jornais La Provence e La Croix, no canadense Le Journal de Montreal, as emissoras de rádio DH, da Bélgica, e Radio Canada.

    O português Diário de Notícias, em reportagem do correspondente João Almeida Moreira, destacou que o último dia de liberdade de Lula, poderia ser de tristeza, com sua despedida e a missa em memória da sua falecida mulher como panos de fundo. Mas se tornou uma festa, com direito a set list escolhida pelo ex-presidente: “Asa Branca” e “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, “Apesar de Você”, de Chico Buarque, e o samba “Deixa a Vida me Levar”, de Zeca Pagodinho. A matéria reproduz trechos do discurso de Lula – “Eu não sou um ser humano, eu sou uma ideia, todos vocês agora vão virar Lula, eles acham que tudo o que acontece nesse país é responsabilidade do Lula, agora eu responsabilizo vocês” – e diz que o petista também citou Martin Luther King.

    Na Bélgica, a RTBF manteve flashes sobre Lula e a sua iminente prisão, durante a programação de sábado. Foram quatro destaques sobre o líder brasileiro, a última reportagem apontando que o petista foi impedido de se entregar à polícia pelos simpatizantes.

    Olímpio Cruz Neto é jornalista e escritor. Foto: Francisco Proner (destaque)

  • Câmara dos Deputados mancha a imagem do Brasil e imprensa internacional afirma que é golpe

    Repercutiu  muito mal na imprensa internacional, a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma neste domingo (17) pela Câmara dos Deputados, que agora tiraram a semana toda de folga.

    Além do que o jornal Folha de S.Paulo publicou matéria ontem (18) com Eliseu Padilha, homem forte de Michel "vaza" Temer de que empresários cederam jatinhos para buscar os deputados que tinham deixado Brasília. A que preço?

    O jornal britânico The Guardian ironizou ao publicar o sim de Paulo Maluf, "que está na lista vermelha da Interpol por conspiração". Assim como lembrou os votos de Nilton Capixiba, "acusado de lavagem de dinheiro", nota o artigo. E ainda diz que "'pelo amor de Deus, sim!', declarou Silas Camara, que está sob investigação por falsificação de documentos e apropriação indevida de fundos públicos".

    O jornal nota ainda que a maioria dos que votaram sim estão sendo acusados de crimes diversos, mas seguem "protegidos por seu status como parlamentares".

    O espanhol El País chamou de "circo" o que aconteceu neste domingo no plenário da Câmara, em Brasília. Lembra que o presidente da Casa, Eduardo Cunha tem sobre si inúmeras acusações de corrupção, assim como o ainda vice-presidente Michel Temer.

    "Lembraram os parlamentares aos telespectadores de Xuxa (quando ela apresentava programa infantil) que aproveitavam sua participação ao vivo no programa para cumprimentar eternamente a mãe, o marido, a amante o primo, o enteado, o vizinho, os amigos e o porteiro", lembra o El País.

    O maior jornal do mundo o norte-americano The New York Times fez editorial em que afirma categoricamente ter sido golpe à democracia a votação dos deputados brasileiros. "Dilma, que foi reeleita em 2014 por quatro anos, está sendo responsabilizada pela crise econômica do país e pelas revelações das investigações de corrupção que envolvem a classe política brasileira”, afirma o editorial.

    O New York Times conclui que se Dilma sobreviver a esse golpe, precisará reunir as forças sociais e políticas para "consertar a economia e erradicar a corrupção".

    O também norte-americano The Washington Post chama de "golpe suave" o que está em marcha no Brasil, refereindo-se a décadas passadas quando os golpes eram feitos pelas Forças Armadas e agora acontecem por união entre parlamentares, setor judiciário e mídia. O jornal lembra que o país está dividido. 

    "O país acompanha nervosamente diante do abismo, dividido sobre seu futuro e a própria legalidade do processo, que Dilma e seus defensores dizem que é um golpe institucional e um ataque à jovem democracia do Brasil", diz.

    La Nacion, da Argentina, diz que “Dilma Rousseff ficou à beira do julgamento político”. Segundo o jornal, a crise no Brasil está longe de acabar e o país se encontra com “uma presidenta na porta da saída de emergência, um Congresso que festeja com euforia o trauma político que divide o país, um oficialismo que define como golpe um procedimento previsto pela Constituição e um eventual novo mandatário também suspeito de corrupção”. Em resumo, o país vive três crises de uma só vez: econômica, política e moral.

    Segundo o chileno "El Mercurio", ao votarem a favor do impeachment, os deputados federais brasileiros “deixaram à beira do precipício a experiência mais emblemática do ciclo de governos de esquerda da América Latina”.

    Para o jornal Página 12, o Brasil viveu um virtual golpe institucional, presidido pelo político mais denunciado por corrupção. Na matéria, intitulada Um golpe visto vivo e direto, o jornal diz que a decisão de julgar Dilma Rousseff ficou nas mãos de um parlamentar que é “réu no Supremo Tribunal Federal”, que até o processo terminar o governo estará imobilizado e que o vice-presidente, Michel Temer, “sem legitimidade alguma”, terá que enfrentar “a anunciada oposição duríssima dos movimentos sociais, dos principais grupos sindicais e de todos os que não se resignam ao golpe institucional”.

    Repercutiu no mundo todo a votação transmitida ao vivo da Câmara dos Deputados. Votação que manchou a imagem do Brasil que virou pilhéria. 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

     

  • Crime hediondo: vereadora Marielle Franco foi executada no Rio de Janeiro nesta quarta (14)

    Repercute no mundo inteiro o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol), 38 anos, no Rio de Janeiro, sob intervenção militar, na noite desta quarta-feira (14). Além de sua atuação na Câmara de Vereadores em favor dos Direitos Humanos e dos mais pobres, ela lutava contra o racismo, a LGBTfobia, em defesa da juventude, das mulheres e pela cultura da paz.

    De acordo com a polícia que investiga o crime, ela levou pelos menos quatro tiros, o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, outros três. Pelo menos nove projéteis foram encontrados no carro dela. “É preciso parar com essa barbárie toda, a vida não pode ser desprezada dessa forma”, diz Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “O golpe urdido contra a Nação brasileira feriu de morte a democracia, implantou o Estado de Exceção e, covardemente, vai sangrando o nosso povo”, reforça.

    Ato na Cinelândia, Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (15) 

    “Há fortes indícios de que a sua execução foi política porque ela acusava policiais militares por agirem com truculência e com abusos contra a população mais pobre do Rio, acusava também atos de corrupção”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. Ela lembra do filme "Tropa de Elite", de José Padilha, que retrata o vínculo de milícias cariocas com políticos e criminosos.

    A sindicalista acredita que “com mais essa execução de uma mulher, negra, de esquerda e defensora dos Direitos Humanos, mostra que estamos sendo governados por pessoas sem compromisso com a vida e com o respeito à dignidade humana”.

    Após a tristeza se espalhar com a notícia desse crime, várias manifestações já começam a ocorrer em todo o país exigindo “uma investigação rigorosa e a prisão de todos os culpados, inclusive de supostos mandantes”, afirma Custódio.

    "A luta de Marielle nos serve de inspiração e seguiremos nas ruas e nas lutas em defesa de um mundo melhor e mais justo, mundo este que motivou a militância da companheira da qual tão cedo nos despedimos", diz Paulo Sérgio Farias, presidente da CTB-RJ (leia a íntegra aqui).

    atos marielle

    A vereadora mostra a sua luta e sua coragem ao denunciar a violência de policiais no bairro do Acari, no Rio, em seu Facebook no sábado (10): "Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior".

    acari parem de nos matar

    A Câmara dos Deputados fez sessão solene em homenagem à vereadora assassinada e a Cinelândia foi literalmente tomada na manhã desta quinta-feira (15) no Rio de Janeiro. E a repercussão desse crime não para.

    A notícia corre mundo pelas páginas dos mais importantes veículos de comunicação. “The New York Times”, “The Washington Post” e na rede ABC News, nos Estados Unidos, o espanhol “El País” e o britânico “The Guardian", entre eles.

    Custódio questiona também a intervenção militar no Rio de Janeiro. “Os soldados do Exército brasileiro foram fotografados revistando mochilas de crianças em portas de escolas, mas foram incapazes de proteger a vida de Marielle”, reclama.

    Em 28 de fevereiro, ela havia se tornado relatora da comissão destinada a acompanhar a intervenção federal no Rio de Janeiro. Internautas espalham pelas redes sociais a certeza de que "não foi assalto".

    Para Custódio “tiraram a vida de mais uma mulher, negra, pobre e guerreira pelos direitos do povo”. Ela defende que “o movimento sindical, movimentos sociais, partidos políticos democráticos, mulheres, negros e todas as pessoas que acreditam que um outro mundo é possível devem se unir para defender a vida das pessoas que lutam”.

    marielle franco ato cinelandia rj 15 03 2018

    Diversos artistas também prestam solidariedade á família. "Ela lutava pela paz, por oportunidades iguais para todos. Denunciava a corrupção na câmara, na polícia...", escreveu Mônica Iozzi. Milhares de pessoas tomaram a Cinelândia, no centro da capital fluminense, para homenagear Marielle Franco e exigir punição dos criminosos (foto acima).

    “Um sentimento de revolta toma conta do Rio de Janeiro e de todo o país”, afirma Custódio. “Morreu a preta da maré,/a negra fugida da senzala/que foi sentar com "os dotô" na sala/e falar de igual pra igual com "os homi"./A negra que burlou a fome de se saber,/que fez crescer dentro dela, o conhecimento./Aquela, que por um momento de humanidade,/sonhou com a justiça, lutou por liberdade/e ousou ir mais alto,/do que permitia sua cor./"Mas preta sabida, não pode!/Muito menos pobre! Não tem valor."/Diziam as más línguas na multidão./E ela ousou tirar seus pés do chão./Morreu./Morreu a "preta sem noção",/que falava a verdade na cara do patrão,/que carregava a coragem, como bagagem,/no coração./O tiro foi certo,/acertou com maldade,/ecoando seco no centro da cidade” (Anielli - Poeta de Volta Redonda-RJ).

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • FSM emite nota de apoio à luta da classe trabalhadora francesa

    Em nota publicada nesta terça (11) a Federação Sindical Mundial (FSM) divulgou nota em solidariedade a classe trabalhadora francesa em luta neste momento. A nota se refere às manifestações dos “coletes amarelos” na França – os gilets jaunes. 

    "A FSM, como organização sindical e internacionalista, pede que seus membros protestem em 14 de dezembro nas embaixadas francesas em seus países", diz a nota.

    Na nota, a Federação informa que os trabalhadores e trabalhadoras organizam para esta sexta (14) greves e protestos com diversas bandeiras, entre elas:

    - Aumento do salário mínimo
    - aumento das pensões
    - Medidas de segurança social
    - Saúde pública gratuita

    Leia íntegra da nota:

    Portal CTB

  • Mídia internacional mostra a ditadura do governo golpista de Michel Temer

    Os correspondentes da mídia internacional já perceberam a impossibilidade de confiar na isenção da imprensa burguesa nacional. Por isso, resolveram ir às ruas cobrir as manifestações contra o governo golpista de Michel Temer - há mais de 2 meses no Palácio do Planalto.

    leia mais

    Jornal The New York Times denuncia ao mundo o golpe no Brasil

    O jornal The New York Times (NYT) divulga o seu segundo vídeo sobre as manifestações pelo "Fora Temer" durante a realização dos Jogos Olímpícos Rio 2016 e denuncia a censura promovida por esse desgoverno em reportagem (leia o texto original aqui).

    Assista o vídeo do NYT que o mundo todo está vendo


    Outro grande jornal norte-americano, The Washington Post também fez reportagem sobre os torcedores expulsos dos estádios por estarem com cartazes com a inscrição “Fora Temer”. "uma palavra que tem conotações amargas em um país que vivia sob uma ditadura militar”, afirma o Post (leia a íntegra aqui).

    Sem filtro, a TV Italiana mostra a sonora vaia que o golpista Temer levou em seu discurso relâmpago na abertura dos Jogos.

    Assista 

    Ao contrário disso, para a presidenta Dilma é só alegria. Desta vez, ela foi recebida por milhares de pessoas na tenda do Circo da Democracia, em Curitiba.

    Veja a diferença 

    Enquanto isso os repórteres da Rede Golpe de Televisão (ex-TV Globo) continuam enfrentando dificuldades.

    Assista 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy com agências