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Ter, Fev

Titãs

  • CTB condena ataque misógino feito por brasileiros na Copa da Rússia

    “A violência contra as mulheres cada vez mais toma caráter inimaginável, porque quando pensamos que não se pode ser mais babaca, machista e misógino, alguns homens brasileiros se superam”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    A ativista feminista e sindicalista mineira se refere à agressão cometida por um grupo de turistas brasileiros na Copa do Mundo 2018 a uma jovem russa. “Esse tipo de gente enxerga as mulheres como meros objetos para a sua luxúria, por isso utilizam de palavras de baixo calão sem que a moça soubesse o significado porque certamente não sabem conversar com uma mulher”, acentua Arêas.

    Quatro dos agressores foram identificados. Diego Valença Jatobá é advogado e político no interior de Pernambuco. Tanto que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Pernambuco divulgou nota condenando a atitude de Jatobá.

    “A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco, por intermédio da Comissão da Mulher Advogada, reafirma seu compromisso de trabalho incansável para que os princípios do Estado Democrático de Direito sejam resguardados, proporcionando-se às mulheres a garantia de exercício de suas liberdades individuais e sexuais, com igualdade de espaço, de oportunidades e, sobretudo, de tratamento", diz trecho da nota.

    Outro agressor identificado é o tenente da Polícia Militar de Santa Catarina, Eduardo Nunes. A PM catarinense afirma que abrirá inquérito administrativo disciplinar por conduta incompatível e promete apurar os fatos e tomar providências.

    Os outros dois são Luciano Gil Mendes Coelho, engenheiro civil, de Picos (PI) e Felipe Wilson, supervisor de vôo da Latam, em Guarulhos (SP).

    Assista a estupidez dos turistas brasileiros 

    Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ, revela ter ficado estupefata com tamanha agressão “à todas as mulheres do mundo. Essa atitude francamente anti-mulher beira a insanidade mental. A que ponto podem chegar homens para agredir mulheres?”, questiona.

    O ataque misógino à jovem russa ocorreu no sábado (16) e os agressores filmaram e postaram em redes sociais no Brasil e na Rússia. “Certamente porque se acham impunes”, diz Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP.

    Ela lembra que  Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que 1/3 das mulheres no mundo sofrem ou sofrerão violência de gênero. “O que eles ganham com isso senão a vontade de diminuir as mulheres porque têm medo delas”, sintetiza.

    A jornalista Julieth González Therán, enviada especial da Deutsche Welle a Moscou, ainda nem tinha começado a Copa e numa reportagem um homem apareceu de surpresa a agarrou e beijou seu rosto sem a permissão dela.

    “Não merecemos esse tratamento. Somos igualmente competentes e profissionais. Compartilho a alegria do futebol, mas devemos identificar os limites entre afeto e assédio”, postou a repórter colombiana em seu Twitter.

    A agressão dos brasileiros está em todas as conversas, sendo que a atitude “da maioria das pessoas é de repugnância”, conta Érika Piteres, secretária da Mulher da CTB-ES. “Algumas pessoas começam a achar que é natural agredir mulheres, pensam que nós gostamos disso, mas estão redondamente enganados, porque nós queremos é ser respeitadas”.

    Os Titãs têm uma composição em homenagem a esses assediadores: "Bichos escrotos"

    No Brasil a situação de vida das mulheres beira a calamidade como mostra o Atlas da Violência 2018, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Somente em 2016, foram mortas 4.645 mulheres, um acréscimo de 15,3% sobre 2015. No mesmo ano, as polícias brasileiras registraram 49.497 estupros no país, sendo que 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos, lembrando que pelos estudos do Ipea, somente 10% das vítimas denunciam os estupros.

    Além disso, os ataques às jornalistas têm se tornado corriqueiros tanto que elas criaram a página no Facebook Deixa Ela Trabalhar. “Parece que está tudo do avesso e o normal é agredir as mulheres”, assinala Arêas. “Precisamos nos unir ainda mais e dar um basta em tudo isso”.

    Acompanhe a página Deixa Ela Trabalhar aqui.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Reprodução

  • Dez músicas para comemorar com muita reflexão os 10 anos da CTB

    No dia 12 de dezembro de 2007 nascia a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), para mostrar a força da classe trabalhadora num ritmo bem brasileiro, classista, de luta, democrático e repeitando a diversidade do país. São 10 anos de um caminho trilhado pelos interesses da nação e do povo que trabalha rumo a um sociedade mais justa e mais igual.

    Abaixo dez músicas do cancioneiro popular brasileiro que representam uma face da vida do país, da classe trabalhadora e da luta por liberdade, direitos iguais e uma vida digna para todos. CTB é a central que veio para ficar e mostrar que trabalhadores e trabalhadoras devem lutar de braços dados contra a opressão e a injustiça.

    Velha Roupa Colorida, de Belchior

    "Você não sente nem vê
    Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
    Que uma nova mudança em breve vai acontecer
    E o que há algum tempo era novo jovem
    Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer"

     

    E Vamos à Luta, de Gonzaguinha

    "Aquele que sabe que é negro
    O coro da gente
    E segura a batida da vida
    O ano inteiro
    Aquele que sabe o sufoco
    De um jogo tão duro
    E apesar dos pesares
    Ainda se orgulha
    De ser brasileiro
    Aquele que sai da batalha"

    Um Satélite na Cabeça, de Chico Science

    "Eu sou como aquele boneco
    Que apareceu no dia na fogueira
    E controla seu próprio satélite

    Andando por cima da terra
    Conquistando o seu próprio espaço
    É onde você pode estar agora"

     

    Refavela, de Gilberto Gil

    "A refavela
    Revela o salto
    Que o preto pobre tenta dar
    Quando se arranca
    Do seu barraco prum bloco do BNH"

    Hoje, de Taiguara

    "Hoje
    Homens de aço esperam da ciência
    Eu desespero e abraço a tua ausência
    Que é o que me resta, vivo em minha sorte" 

    Homem Primata, de Titãs

    "Desde os primórdios
    Até hoje em dia
    O homem ainda faz
    O que o macaco fazia
    Eu não trabalhava
    Eu não sabia
    Que o homem criava
    E também destruía" 

    Porta Estandarte, de Geraldo Vandré

    "Por dores e tristezas que bem sei
    Um dia ainda vão findar
    Um dia que vem vindo
    E que eu vivo pra cantar
    Na Avenida girando, estandarte na mão pra anunciar" 

    Dias de Luta, Dias de Glória, de Charlie Brown Jr.

    "A vida me ensinou a nunca desistir
    Nem ganhar, nem perder, mas procurar evoluir
    Podem me tirar tudo que tenho
    Só não podem me tirar as coisas boas
    Que eu já fiz pra quem eu amo" 

    Rancho da Goiabada, de João Bosco e Aldir Blanc

    "Os bóias-frias quando tomam umas biritas
    Espantando a tristeza
    Sonham , com bife à cavalo, batata frita
    E a sobremesa
    É goiabada cascão, com muito queijo, depois café
    Cigarro e o beijo de uma mulata chamada
    Leonor, ou Dagmar" 

    Primeiro de Maio, de Chico Buarque e Milton Nascimento

    "Hoje a cidade está parada
    E ele apressa a caminhada
    Pra acordar a namorada logo ali
    E vai sorrindo, vai aflito
    Pra mostrar, cheio de si
    Que hoje ele é senhor das suas mãos
    E das ferramentas" 

    Afinal são 10 anos de pessoas juntas nas ruas, nas redes sociais, em todos os estados, na cidade e no campo, pessoas determinadas a construir o mundo novo, onde os meios de produção passem para as mãos da classe trabalhadora e a desigualdade desapareça de vez do planeta. Dez anos parecem poucos, mas basta olhar para trás para ver o quanto já se caminhou. A CTB faz aniversário, mas a festa é sua. Só não esqueça que existem direitos para recuperar e um país para reconstruir.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Foto: Manoel Porto