Sidebar

27
Qui, Jun

Trabalho

  • Nem tomou posse e Jair Bolsonaro já enfrenta inúmeras polêmicas em seu projeto de “terra arrasada” para o Brasil. Até os industriais mostram seu descontentamento quando o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, fala em “desvio de finalidade” do Sistema S.

    De acordo com Guedes, “o ponto focal é colocar o Sistema S prestando contas” para dessa forma, “trazê-lo para a moderna governança corporativa”.

    Já Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Serviço Social do Comércio (Sesc) paulista, diz à Folha de S.Paulo, estar observando que eles “imaginam que o compromisso do chamado Sistema S inteiro é a formação profissional”.

    Miranda explica que “o Sesc não tem compromisso com formação profissional, o Sesi (Serviço Social da Indústria) também não. Para isso tem o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e o Senai (Serviço Nacional da Indústria), que foram criados com essa finalidade”.

    O chamado Sistema S foi criado em 1946, mantido por industriais, sob a forma de patrocínios. Por isso, a reclamação da equipe do governo de extrema direita. Somente no ano passado, segundo a Receita Federal foram devolvidos ao Sistema S, R$ 16,4 bilhões.

    Além do Senac, Senai, Sesc, Sesi, compõem o Sistema S, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e Serviço Social de Transporte (Sest).

    “Pelo jeito o futuro governo vem com uma fome de anteontem para acabar com todos os projetos que têm dado certo na educação e na cultura e nega a importância do Sistema S”, afirma Ronaldo Leite, secretário de Formação e Cultura da CTB.

    Sem cultura e esporte país anda para trás

    As investidas de Bolsonaro não se restringem, no entanto, ao Sistema S. Em sua reforma ministerial, “não há espaço para os ministérios do Trabalho e do Meio Ambiente, por exemplo, que dirá retomar o de Política para as Mulheres, de Igualdade Racial, Direitos Humanos e Cidadania”, conta Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    A proposta do governo eleito em 28 de outubro, remonta ao período anterior ao fim da ditadura (1964-1985), quando tanto a Cultura quanto o Esporte faziam parte do Ministério da Educação – na época Ministério da Educação e Cultura, daí a sigla MEC.

    O Ministério da Cultura (MinC) nasceu em 1985 no governo de José Sarney, marcando o início da chamada “Nova República”. Já em 1990, com a posse do primeiro presidente eleito pelo voto direto depois de 1960, Fernando Collor de Mello transformou o MinC em secretaria.

    A produção cultural no período Collor capengou profundamente com os cortes de patrocínios governamentais. O cinema por exemplo, chegou perto da produção zero, vivendo de filmes de Xuxa e dos Trapalhões, praticamente. Com o impeachment de Collor em 1992, Itamar Franco deu status de ministério novamente à Cultura.

    Já o Esporte ganhou status de ministério em 1995, com a posse de Fernando Henrique Cardoso, com o nome de Ministério Extraordinário do Esporte, que teve Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, como seu ministro.

    Em seu segundo mandato, FHC, transformou em Ministério do Esporte e Turismo. Somente em 2003, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi nomeado Ministério do Esporte.

    “O esporte e a cultura são fundamentais para a formação de uma nação”, argumenta Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais, Esporte e Lazer da CTB. “Como o futuro governo pretende criar condições para tirar a juventude das ruas se não valoriza a cultura e o esporte?”, pergunta.

    Para ela, “a juventude precisa da prática esportiva para a sua formação cognitiva, motora e emocional e a cultura acrescenta à criatividade e às possibilidades de se transformar o mundo num lugar bom de se viver para todas as pessoas”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Acordar para ir ao trabalho e ter a sensação de estar indo para a forca. Exaustão, cansaços físico e mental, fadiga, falta de disposição e de apetite, má qualidade do sono, ansiedade. Se alguém se identifica com as características, é bom ligar o sinal de alerta, porque pode estar acometido pela Síndrome de Burnout. 

    De acordo com a OMS, a Síndrome de Burnout se trata de um estresse crônico e esgotamento, relacionados ao ambiente de trabalho. A Organização Mundial de Saúde vai incluir a doença na próxima Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que entra em vigor em 2022. 

    A síndrome é comum em profissionais que trabalham diariamente sob pressão. É o caso dos bancários. Na busca cega por resultados cada vez mais lucrativos, os bancos impõem metas inatingíveis aos trabalhadores. O dia a dia nas agências é estressante, de sobrecarga e assédio. O resultado só pode ser o adoecimento. 

    E os números assustam. O total de bancários que receberam benefícios acidentários ou previdenciários cresceu 30%, entre 2009 e 2017. Saiu de 13.297 para 17.310. Mais de 50% dos casos se referem a transtornos mentais. No período, houve elevação de 61,5%. Já as enfermidades relacionadas a lesões por esforço repetitivo, que antes ocupavam o topo da lista, tiveram avanço de 13%. 

     

    burnout

    Diferenças entre Burnout, estresse e depressão 

    Apesar de sintomas semelhantes, Síndrome de Burnout, estresse e depressão são problemas de saúde diferentes, conforme classifica a OMS (Organização Mundial da Saúde). 
    A Síndrome de Burnout é consequência do estresse crônico e tem ligação direta com o ambiente laboral. O transtorno se desenvolve de forma gradual em função de desajustes entre o trabalho e a pessoa. Carga horária exaustiva, conflitos, falta de autonomia ou excesso de responsabilidades são alguns dos fatores que podem desencadear a doença. 

    Já a depressão é uma doença psiquiátrica crônica, que pode afetar indivíduos de todas as idades. Predisposição genética e eventos traumáticos estão entre os fatores que contribuem para o aparecimento da doença. 

    O estresse, por sua vez, é a forma como o corpo reage às situações de grande esforço emocional e também pode atingir pessoas de todas as idades. As causas variam, mas podem ser em função de conflitos no ambiente familiar, problemas de saúde, dificuldade no trabalho e em relacionamentos, por exemplo.

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • Empresários bancaram 3,3 milhões de mensagens ilegais para eleger Jair Bolsonaro, através de Caixa 2. O presidente da extrema direita faz cara de honesto e parece comprometido com o combate à corrupção, mas sua eleição foi obtida à custa de mensagens mentirosas divulgadas massivamente no Whatsapp. Saiu caro, mas pelo jeito foram seus amigos empresários que bancaram a conta. Agora ele retribui com uma política econômica que reduz direitos e conquistas da classe trabalhadora para beneficiar os donos do capital. 

    O espanhol Luis Novoa, dono da Enviawhatsapps, confirmou que empresários brasileiros contrataram programa de sua agência para fazer disparos de mensagens em massa, pelo Whatsapp, em favor do então candidato Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha eleitoral de 2018. Em gravação obtida pelo jornal Folha de S.Paulo, Novoa alega que só soube do uso político quando algumas linhas telefônicas utilizadas passaram a ser cortadas pelo aplicativo de mensagens.

    Segundo a reportagem, “empresas, açougues, lavadoras de carros e fábricas” brasileiras contrataram os serviços de Novoa. Até então, ele disse achar normal, pois muitas empresas utilizam os disparos pelo Whatsapp para fazer marketing comercial.

    “Mas aí começaram a cortar nossas linhas, fomos olhar e nos demos conta de que todas essas contratações, 80%, 90%, estavam fazendo campanha política”, diz o espanhol. Perguntado se faziam campanha para um partido político, Novoa responde: “Eram campanhas para Bolsonaro”.

    Caixa 2

    Os cortes das linhas se deve à proibição, pelo próprio Whatsapp, do envio em massa de mensagens. A legislação eleitoral brasileira também proíbe empresários de fazer doações para campanhas políticas. O caso, agora confirmado, foi revelado em outubro de 2018, pelo mesmo jornal.

    À época, cada contrato de “pacote de mensagens” podia custar até R$ 12 milhões. A rede de lojas Havan, de Luciano Hang, estaria entre as empresas envolvidas no escândalo, que ficou conhecido como “caixa 2 do Bolsonaro“. A operação, arquitetada para interferir no resultado do segundo turno das eleições presidenciais, teria envolvido o envio de centenas de milhares de mensagens, em favor do então candidato Bolsonaro e com conteúdos negativos ao opositor, Fernando Haddad (PT).

    Questionado, o empresário espanhol negou envolvimento com campanhas políticas no Brasil. “É mentira, não trabalhamos com empresas que tenham enviado (mensagens de) campanhas políticas no Brasil”, afirmou Novoa.

    Mas numa gravação “sem permissão” de uma “conversa informal”, o empresário assume o uso político, ainda que não com a participação direta da campanha de Bolsonaro. “Estávamos tendo muitíssimos cortes, fomos olhar os IPs, era tudo do Brasil, olhamos as campanhas, eram campanhas brasileiras”. Segundo a Folha, os brasileiros compraram cerca de 40 licenças do software da agência espanhola. Cada linha pode disparar até 500 mensagens por hora – portanto, o pacote permitia até 20 mil disparos por hora com conteúdo relacionado às últimas eleições. Com isso, o pacote espanhol era capaz de enviar até 3,3 milhões de mensagens por semana em favor da campanha eleitoral de Bolsonaro.

    Confissão

    Em vídeo postado nas redes sociais ainda durante a campanha para o primeiro turno das eleições de 2018, empresários apoiadores de Bolsonaro afirmam que fizeram contribuição ilegal para a campanha do agora presidente. Em vídeo, Luciano Hang e Mário Gazin, dono de uma rede varejista que leva o seu nome, pedem votos para Bolsonaro. “Primeiro turno, Bolsonaro. Pra não ter escolha, pra nós não termos que gastar mais dinheiro, pra não ficar todo mundo gastando para o segundo turno”, diz o dono das Lojas Gazin.

    Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), apenas as campanhas oficiais podem fazer contratação de impulsionamento de conteúdo eleitoral nas redes sociais.

    ​“A contratação do serviço de impulsionamento deve ser realizada exclusivamente por partidos, coligações, candidatos ou seus representantes e diretamente por meio da ferramenta responsável pelo serviço, cujo provedor deve ter sede e foro no Brasil, ou com filial, sucursal, escritório, estabelecimento ou representante legalmente estabelecido no país”, segundo lei de outubro de 2017. Além disso, está proibido o uso de ferramentas de automatização, como os softwares de disparo em massa.

    Apuração

    Ainda em outubro passado, o PT entrou com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cobrando a apuração das denúncias de caixa 2 em benefício de Bolsonaro. Oito meses depois, ninguém foi ouvido no processo. Segundo reportagem da Folha, a área técnica do tribunal informa ainda não haver decisão quanto a pedidos de depoimentos de testemunhas, nem a Polícia Federal enviou relatório da investigação aberta sobre o tema.

    O processo está nas mãos do corregedor-geral eleitoral, ministro Jorge Mussi. Se comprovado o crime de caixa 2, a ação poderá resultar na cassação da chapa vencedora, – Bolsonaro presidente e o general Hamilton Mourão, vice –, por abuso de poder econômico.

    A investigação não apenas não evoluiu, como Mussi excluiu do processo o empresário Peterson Rosa Querino, dono da agência Quickmobile, também suspeita de prestar serviço de disparos em massa pelo WhatsApp em favor da campanha do candidato da extrema-direita. O empresário foi procurado pela Justiça, em três tentativas, e não foi encontrado. Em abril, o PT recorreu da decisão, pedindo para que Querino fosse notificado em outro endereço. O ministro negou, alegando que o pedido foi apresentado fora do prazo.

    Advogados do PT, Eugênio Aragão e Marcelo Schimidt entraram com mandado de segurança contra a decisão de Mussi. Eles alegam haver indícios de que Querino registrou em documento recente um endereço onde não residia, impossibilitando que fosse localizado “É nítida a tentativa do representado Peterson Querino de se furtar à execução da lei”, afirma a defesa petista. O mandado de segurança aguarda decisão do ministro do TSE, Edson Fachin, que também ocupa uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).