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Ter, Jun

UBM

  • Com o tema “Educadoras em Defesa da Democracia Nenhum Passo Atrás”, teve início hoje (5), em São Paulo, o 2º Encontro Mulheres Educadoras, promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

    Estão entre os temas principais a defesa da democracia e a participação feminina na política. O evento, que acontece no Marabá Hotel e termina na sexta-feira (6) também discutirá os desafios das entidades sindicais na luta pelos direitos das mulheres.

    A secretária de formação da CTB, Celina Arêas, abriu o evento destacando a gravidade da conjuntura política nacional e a importância deste debate em um momento em que as garantias democráticas estão ameaçadas e que é fundamental estar mobilizado e bem informado para impedir qualquer passo atrás nos direitos.  

    Lúcia Rincon, coordenadora-geral da União Brasileira de Mulheres (UBM), diz que o encontro fornece mais subsídios para uma análise da realidade das mulheres hoje. “Muito importante esse encontro com profissionais da educação pública e privada, num debate riquíssimo para traçarmos metas e caminhos, formatando lutas e conteúdos para que consigamos discutir a situação das mulheres em nossa sociedade”, diz 

    Já Isis Tavares, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas (CTB-AM) e secretária de Relações de Gênero da CNTE, acredita que “um conjunto de projetos que representam retrocessos nos direitos das pessoas em curso no Congresso Nacional devem ser amplamente debatidos". Por isso, reforça ela, “pensamos este encontro com mulheres educadoras”.

    Lúcia acredita que as pessoas estão muito atuantes “interagindo, muito interessadas em conhecer e se apropriar de elementos que nos ajudem a aumentar unidade das forças progressistas para travar o enfrentamento às leis que apontam para o passado, com forte opressão às mulheres”.

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    “Os ataques aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, aos direitos humanos e aos avanços nas políticas públicas para as mulheres, poderão anular conquistas e avanços para a construção de uma sociedade mais democrática”, afirma Isis.

    De acordo com ela, o “nosso encontro pretende evidenciar e refletir juntamente com todas as presentes o que está realmente em jogo no país, a partir da perspectiva da luta das mulheres por uma sociedade mais justa e feliz”.

    “Um jogo sujo", define Isis, “para atacar a primeira mulher a ocupar a Presidência da República e com isso, atacar todas as mulheres que são belas, mas trabalham e lutam por uma vida plena de direitos”.

    Segundo Lúcia, as participantes do encontro mostram que as mulheres estão “muito estimuladas a travar a boa batalha nas ruas, nas escolas, levando o necessário debate sobre a construção de relações de gênero num novo patamar, respeitoso, onde homens e mulheres estejam unidos e unidas para construirmos a sociedade solidária”.

    Serviço

    O que: Educadoras em Defesa da Democracia Nenhum passo atrás
    Onde: Marabá Hotel – Avenida Ipiranga, 757 – São Paulo
    Quando: Sexta-feira (6)
    9h: Os desafios das Centrais e entidades de trabalhadores/as em educação na luta mulheres. (Raimunda Gomes-Doquinha, secratária de Imprensa e Comunicação da CTB; Junéia Batista: secretária da Mulher Trabalhadora da CUT; Isis Tavares: secretária de Relações de Gênero da CNTE; Rita de Cássia de Almeida: Coordenadora da Secretaria de Gênero e Etnia da Contee).
    12h30: Almoço
    14h: Educação – Novo PNE (Plano Nacional de Educação) Gênero e igualdade de gênero na sala de aula Madalena Guasco Peixoto: Doutora em Educação, Professora titular do Departamento de Fundamentos da Educação da Faculdade de Educação da PUC/SP; Coordenadora Geral da Contee.
    17h: Encaminhamentos
    18h: Encerramento

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações da Contee e CNTE

  • “Não dá mais para continuar assim”, assevera Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Ela se refere a mais um feminicídio que ceifou a vida da militante da União da Juventude Socialista (UJS) e da União Brasileira de Mulheres (UBM), Débora Soriano, de apenas 23 anos.

    Soriano foi estuprada e assassinada. “Débora era uma jovem mulher, com a vida toda pela frente, cheia de sonhos e expectativas, mas que foi brutalmente violentada e assassinada. Débora acreditava em uma sociedade melhor e mais justa, irradiava alegria de viver e esperança em um mundo novo, para ela e seus dois filhos pequenos”, diz nota da UBM. Leia a íntegra no final.

    A secretária de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de São Paulo, Denise Mota Dau também prestou solidariedade. “A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM) de São Paulo manifesta sua revolta e tristeza com a notícia da morte da jovem que foi violentada e morta”, diz trecho de nota divulgada pela SMPM.

    “O machismo mata”, diz Dau. “Para combater essa dura realidade é fundamental a continuidade e ampliação de políticas públicas que priorizem a vida das mulheres”, afirma.

    “A CTB se indigna com mais esse crime hediondo e exige apuração rigorosa para a imediata prisão do algoz”, reforça Pereira. “As mulheres não podem mais a levar a vida com medo. Precisamos tomar as ruas e denunciar todo o tipo de agressão, desde um assovio indesejado na rua até a violência física. As mulheres precisam se unir para dar um basta definitivo”.

    De acordo com Pereira, "há necessidade de punições mais severas aos crimes hediondos como esse". A UJS e a UBM estão convidando a todas e todos para um grande ato de solidariedade à família dessa jovem no vão do Masp, na avenida Paulista, neste domingo (18), às 14h. Compareça para dar fim a tanta violência contra as mulheres.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Leia a íntegra da nota da UBM e UJS:

    Do luto à luta!

    Nenhuma Débora a menos!

    Foi com imenso pesar e indignação que recebemos a notícia da morte da jovem Débora Soriano. O machismo ceifou a vida de mais uma de nós, diante de um poder público que pouco ou nada faz para combater a violência patriarcal. Débora era uma jovem mulher de 23 anos, com a vida toda pela frente, cheia de sonhos e expectativas, mas que foi brutalmente violentada e assassinada. Débora acreditava em uma sociedade melhor e mais justa, irradiava alegria de viver e esperança em um mundo novo, para ela e seus dois filhos pequenos.

    Nos solidarizamos com a família neste momento de dor e despedida e exigimos dos órgãos responsáveis que este crime bárbaro seja esclarecido e o autor, rigorosamente punido. Não admitimos que os crimes contra as mulheres continuem sendo secundarizados e esquecidos pelas autoridades. Nós não esqueceremos!

    A morte trágica de Débora reforça a necessidade de políticas públicas para as mulheres, para que não precisemos mais nos despedir de nenhuma de nós desta maneira.

    Por isso, convocamos a todas as mulheres a se somarem a nós neste domingo 18 de dezembro, às 14h na Paulista por Débora e por todas as mulheres que morrem vítimas do machismo e do feminicídio.

  • O vídeo tem a participação de dezenas de dirigentes sindicais de vários países e visa o fortalecimento da campanha Ni Una Menos (Nenhuma a Menos) que viralizou na internet nesta semana após o brutal assassinato da menina Lúcia Pérez, de 16 anos, na Argentina no sábado (15).

    A violência gerou uma consternação geral. Espalharam-se manifestações em vários países contra a violência às mulheres. Uma multidão tomou as ruas da capital argentina, Buenos Aires, na quarta-feira (19); saiba mais aqui.

    A capital paulista também foi tomada no domingo (23), com a presença de milhares de ativistas do feminismo gritando contra o feminicídio e todo o tipo de violência que vitimam as mulheres no Brasil e no mundo.

    “Já passa da hora de as mulheres se unirem ainda mais para pôr fim de uma vez por todas à gama de violência que somos vítimas todos os dias. Que vão de uma cantada grosseira no meio da rua ao assassinato, passando por discriminações várias”, reforça Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A sindicalista sergipana faz referência ao levantamento feito pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), a pedido da Organização das Nações Unidas (ONU), pelo qual o Brasil ocupa a 5ª posição no ranking global de feminicídios entre os 83 países pesquisados. Perde somente para El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

    De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 56.000 mulheres são assassinadas no paíse número próximo são estupradas (sabendo que a maioria nao denuncia esse tipo de crime), a maioria por pessoas conhecidas ou que mantiveram relacionamento. “Mortas pelo simples fato de existirem e serem mulheres”, reclama Pereira.

    Já para Maria das Neves, da União Brasileira de Mulheres (UBM), esses crimes “não são crimes passionais. São assassinatos que as vítimas sofrem por serem mulheres”. Ela defende maior divulgação da Lei do Feminicídio, sancionada pela presidenta Dilma recentemente.

    No vídeo, Carmen Lizarra Gorridiatégui, da Central Nacional de Trabalhadores do Panamá diz “não ao feminicídio. Mulheres juntas contra esta tragédia. Nenhuma morte mais”. O grito dela ecoou em todos os cantos do mundo e várias sindicalistas repetiram. Para Pereira, "somente nas ruas e com muita unidade, as mulheres poderão virar esse jogo".

    Assista 

    “O feminicídio expressa a afirmação estrita de posse, igualando a mulher a um objeto. Mulher não é um objeto. Mulher é um ser humano com o direito a decidir sobre sua vida”, finaliza Lucia Maria, da Frente da Mulher na Luta por Igualdade de Direitos, da Flemacon.

    Pereira lembra da manifestação massiva que ocorreu na Polônia recentemente contra a retirada de direitos das mulheres (leia aqui), como “um bom exemplo a ser seguido na organização das feministas por equidade no Brasil e no mundo”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Ao analisar o seminário sobre a reforma da previdência ocorrida nesta terça-feira (18) na sede do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), em Brasília, a presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas (CTB-AM), Isis Tavares, afirma que fica claro a conotação de acabar com a previdência pública.

    Ela explica que o seminário foi proposto pelas conselheiras que representam a sociedade civil no CNDM. “A apresentação dos representantes do governo repete a mesma retórica de sempre”.

    Eles “alegam que a reforma é necessário devido ao déficit fiscal. Por isso, igualar a idade entre homens e mulheres seria fundamental. Além de equiparar com outros países para modernizar. Mas não falam nada sobre os direitos sociais e a inconstitucionalidade do projeto”, afirma Tavares.

    Já para a coordenadora-geral da União Brasileira de Mulheres (UBM), Lúcia Rincon, o encontro mostrou mais uma vez a diferença de “quem busca as políticas públicas para a melhoria de vida da população e quem busca otimizar o capital financeiro, beneficiando os grandes empresários”.

    Rincon conta ainda que o governo mostra desconhecimento da realidade brasileira. “O representante da Secretaria da Previdência insistiu em comparações impossíveis de serem feitas, porque eles têm legislações diferentes, mas também têm condições de vida e trabalho profundamente diferentes”, afirma.

    Enquanto o representante do governo, Arnaldo Barbosa Lima, diz que “quem quer se aposentar ganhando mais, trabalha mais". Ele também chama a argumentação contrária à reforma de muito “criativa” e “irresponsável”.

    A presidenta da CTB-AM, no entanto, acentua a necessidade de se entender que existe na sociedade brasileira com muita discrepância entre homens e mulheres no mercado de trabalho, além da dupla jornada de trabalho.

    “Vivemos numa sociedade com grandes diferenças entre ricos e pobres, homens e mulheres, negros e brancos”, acentua Rincon. “Há também muita discriminação com relação à orientação sexual das pessoas”.

    Por isso, “é preciso que apontemos para a sociedade os equívocos quando dizem que a previdência dá prejuízo. Mais importante ainda é ter a clareza de que estão jogando o ônus da crise para a classe trabalhadora”.

    Rincon garante ainda que “as mulheres têm uma sobrecarga de tensões em nosso cotidiano que dificulta a nossa realização plena na vida e no mundo do trabalho. Sobrecarga causada pelo excesso de tarefas que a sociedade nos impõe”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte: Latuff

  • Num espaço de poucos dias, uma menina de apenas 16 anos foi estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro e outra foi vítima de estupro coletivo no Piauí. As notícias chocaram. Até agora a polícia indiciou somente quatro rapazes do Rio de Janeiro, inclusive, um deles mantinha um relacionamento com a menina há pelos menos 3 anos.

    “A situação de vulnerabilidade das mulheres só tende a piorar com esse governo golpista que acabou com o ministério que cuidava de políticas públicas para as mulheres”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ela, “a instalação desse governo, que é defendido por homens que pensam como o Jair Bolsonaro, vem acarretando muitos problemas para as mulheres, porque machismo para eles é elogio”.

    Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no país. Mas o professor Robson Sávio, que gravou programa de rádio para o Sindicato dos Professores de Minas Gerais estima que esse número é ainda mais assustador porque muitas ainda não denunciam a violência (leia aqui).

    Também é muito comum no Brasil denúncias de assédio sexual no mundo do trabalho e no transporte público como mostra o Instituto Patrícia Galvão de que dobrou o número de abusos sexuais no metrô de São Paulo em 4 anos.

    A coordenadora-geral da União Brasileira de Mulheres (UBM), Lúcia Rincón, não tem a menor dúvida de que “a atual situação de intolerância e misoginia que vivemos em nossa sociedade favorece esse tipo de violência “, porque “o patriarcado tem medo da emancipação feminina”, reforça.

    Ivânia concorda com ela. “Os homens que agem dessa maneira se assustam com as conquistas de espaços que tivemos nos últimos anos e com a instalação desse governo golpista sentem-se impunes para se vingar dos avanços sobre a questão da igualdade de gênero”.

    A coordenadora do Grupo Especial de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (GEVID), do Ministério Público do Estado de São Paulo, Silvia Chakian, em entrevista à BBC Brasil afirma que a certeza da impunidade motiva esse tipo de crime.

    Eles "agem em grupo, gravam e publicam a própria prova do crime que praticaram”, acentua. Isso para Silvia, “mostra o descaso para eventuais responsabilizações, descaso com a Justiça". Já a Organização das Nações Unidas Mulheres (ONU Mulheres) do Brasil exige punição aos agressores.

    “A ONU Mulheres solicita, aos poderes públicos dos estados do Rio de Janeiro e do Piauí, que seja incorporada a perspectiva de gênero na investigação, processo e julgamento de tais casos, para acesso à justiça e reparação às vítimas, evitando a sua revitimização”.

    Lúcia defende a necessidade de intensificação de ações que combatam a violência contra as mulheres. “Precisamos nos manter nas redes e nas ruas divulgando nossos princípios de solidariedade, de justiça social, de crença em relações fundadas nos direitos humanos”.

    “Temos que combater a propagação de ideias de que o lugar da mulher se circunscreve ao lar como defende o patriarcado”, acentua Ivânia. “Mostrar que o lugar das mulheres é onde elas quiserem e que isto não é contra os homens, mas sim em defesa de direitos iguais”.

    Para Ivânia, os casos de estupros, mostram que o “capitalismo oprime a todos, mas principalmentes as mulheres". Por isso, diz ela, "exigimos a punição de todos os agressores imediatamente. Chega de impunidade e de conivência com a violência". 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Este tema é um desafio dos mais oportunos para nós da UBM (União Brasileira de Mulheres), da corrente feminista emancipacionista, que defendemos que gênero e raça se realizam em uma estrutura de classe. E mais que características, gênero e raça são processos históricos pautados em hierarquias, opressões e explorações, que se corporifcam em relações sociais e modos como se é tratada/o em instituições diversas, no mercado de trabalho e pelo Estado. Os governos preocupados com bem-estar social e de orientação social democrata modelam políticas compensatórias, no entanto, se omitem de políticas redistributivas. Consideram a pobreza um grande mal e não as desigualdades sociais e a produção de riquezas para poucos.

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    Agora que o governo impostor se apossou do Estado brasileiro, até as políticas compensatórias estão em risco e com a PEC da maldade, que congela investimentos sociais por duas décadas, não vai ter nem como fscalizar a aplicação da lei Maria da Penha, o combate à violência contra as mulheres e os programas por uma educação não sexista. Com a chegada desta onda fundamentalista conservadora que proíbe até de se falar em gênero nas escolas, por considerar o tema uma “ideologia”, isso tudo já era.

    Mas o mundo se move e as mulheres se agitam. Voltando ao desafo: sim, existe um novo feminismo que está descendo da favela e, por vielas próprias, enfrentando a ordem capitalista patriarcal. É um feminismo que não equaciona o projeto do feminismo emancipacionista, que tem como frente mais imediata a emancipação política e como horizonte a emancipação humana. Identifca-se com o que vem sendo chamado de “feminismo negro”, advoga a interseccionalidade de raça, classe e gênero, insistindo que sexismo, racismo e situação de classe se realizam por opressões que se combinam. Angela Davis (foto), uma das precursoras deste feminismo, observa, a partir do ambiente de esquerda norte-americano, nos anos 1980:

    “As organizações de esquerda têm argumentado dentro de uma visão marxista e ortodoxa que a classe é a coisa mais importante. Claro que classe é importante. É preciso compreender que classe informa a raça. Mas a raça também informa a classe. E gênero informa a classe. A gente precisa refetir bastante para perceber as intersecções entre raça, classe e gênero. Ninguém pode assumir a primazia de uma categoria sobre as outras.”

    Um dos princípios básicos do feminismo é descolar do corpo, da materialidade das condições de vida das mulheres, muitas assujeitadas, dóceis e passivas, outras tendendo a rebeliões. Então primeiro há que se conhecer quem é a mulher da favela, suas condições de vida, aqui também englobando aquela nas áreas urbanas periféricas, os ditos ‘bolsões de pobreza’, e como ela vem se fazendo feminista, ou seja, lutando individual e coletivamente por direitos que desestabilizem hierarquias entre homens e mulheres e reivindicando políticas de Estado contra violências e condições infra-humanas de vida.

    Mães públicas

    Nas falas de mulheres jovens que afrmam orientação libertária: “Vou pro funk e fco com quem eu quero. O corpo é meu”. Junto dessa consciência moldes comunitários, tanto de ajuda mútua no cuidar dos flhos da vizinha ou de se unirem contra um marido violento, como as ações em movimento social. Vem chamando atenção as associações de mães de jovens mortos pela polícia que se unem para pedir justiça. O caso das mães públicas é um tipo singular de feminismo. Cito as Mães de Acari, que por quase 15 anos gritaram pelos corpos dos flhos, depois da chacina de Acari, em 1990, quando 11 jovens foram sequestrados, assassinados e sumidos por forças policiais, no Rio.

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    As Mães de Acari desencadearam um movimento internacional. Hoje são vários os movimentos de mães contra “o terrorismo de Estado”, a violência policial nas periferiase envolve o engajamento com a coisa pública, como a busca do corpo do flho morto e por justiça pelo assassinato legitimado pelo Estado. Sim há um feminismo que vem das favelas que se anuncia, em que os direitos do eu e do nós se acentuam e que há que se apoiar e seguir. Além
    do Complexo do Alemão, outros casos são registrados de um feminismo “por mim e por muitos”. Entre outros movimentos contemporâneos, cito as Mães de Maio, as Mães de Copacabana, as Mães do Rio. Mães públicas, mães de muitos.

    Por Mary Garcia Castro, socióloga e membro da União Brasileira de Mulheres (UBM). Foto: Geledés

    Texto publicado originalmente na revista Mulher de Classe número 6, de Abril de 2017.

  • Mais de 400 mulheres e homens do campo e da cidade se uniram em Aracaju, na manhã desta quarta-feira (8), para comemorar o Dia Internacional da Mulher, dizer não ao fim da aposentadoria e exigir a saída de Temer da presidência. Eles participaram de uma aula pública, no auditório do Sindicato dos Bancários de Sergipe (Seeb-SE) e, em seguida, saíram em caminhada pelas principais ruas do Centro comercial da capital sergipana em direção à Praça General Valadão, onde um ato público e uma grande roda de ciranda encerraram a manifestação organizada pela União Brasileira de Mulheres (UBM), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Sergipe (CTB-SE), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetase) e União da Juventude Socialista (UJS).

    O auditório do Sindicato dos Bancários ficou lotado durante a aula pública. Na ocasião, a advogada da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SE, Valdilene Martins, defendeu o respeito às mulheres, o fim da invisibilidade e fez um alerta. “Cuidado com a sobrecarga de trabalho que vem disfarçada de elogios de que as mulheres são umas guerreiras porque dão conta dos filhos, do trabalho e dos afazeres domésticos. Nós não somos burros de carga. Por trás dessas supermulheres, tem uma brutal má divisão de atribuições”, enfatizou.

    O advogado Thiago D’Ávila Fernandes condenou a reforma da Previdência e assegurou que ela é nefasta para todos, mas, principalmente, para as mulheres e, especialmente, as que trabalham no campo. Segundo ele, não se pode oferecer tratamento jurídico igual quando se vive numa sociedade desigual. “Hoje, no Brasil, as mulheres já trabalham 73 dias a mais que o homem em um ano. Ao longo de 35 anos, elas trabalham sete anos a mais. E o governo ainda diz desconhecer essa dupla jornada de trabalho”, critica.

    Fernandes ressaltou ainda que a Constituição Federal estabelece que devem ser assegurados aos cidadãos bem-estar e justiça social e isso só é possível com o sistema de seguridade que garanta a todos saúde, educação e previdência social. Maria Aíres Nascimento, da Fetase, salientou que as trabalhadoras e os trabalhadores rurais são contrários à reforma da Previdência, e não aceitam o aumento da idade para a aposentadoria, a contribuição individual, a desvinculação da pensão da aposentadoria e o desmonte da LOAS. “A Previdência é nossa e ninguém tira ela da roça. Não recuaremos um passo. Fica aposentadoria e sai Temer”, conclamou.

    ctb se 8 marco edval

    O presidente da CTB-SE, Edival Góes, defendeu uma maior participação feminina política e nos partidos. “As mulheres tem uma melhor formação, estão mais preparadas e precisam ocupar cargos de poder, inclusive no Congresso, nas Assembleias e nas Câmaras de Vereadores”, disse. Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB Nacional e presidenta do Seeb-SE, criticou o projeto de reforma trabalhista e disse que o objetivo é enfraquecer os sindicatos.

    Ela criticou ainda a cultura do estupro e o aumento da violência contra a mulher, e lembrou que, apesar de tudo, as mulheres têm o que comemorar, a exemplo da Lei Maria da Penha. “Esse é momento de irmos para as ruas, de reconhecer que uma vida sem violência é um direito nosso”, afirmou.

    E foi cantando o refrão de uma música das mulheres camponesas – “Pra mudar a sociedade do jeito que a gente quer, é participando sem medo de ser mulher” – que homens e mulheres deixaram o sindicato e iniciaram a caminhada. Durante o percurso, os manifestantes gritavam palavras de ordem como Fora, Temer. Já na Praça General Valadão, as trabalhadoras e os trabalhadores encerraram o ato com uma roda de ciranda assumindo o compromisso de voltarem às ruas no dia 15 de março contra as reformas do governo Temer.

    Niúra Belfort - CTB-SE

  • Atos públicos na capital e interior, paralisações e uma caminhada pelas principais ruas do centro comercial de Aracaju (SE) marcaram o Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência em Sergipe. Os professores e servidores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) paralisaram as atividades e não houve aula também nas escolas públicas da capital e do estado.

    Liderados pelas centrais sindicais - CTB, CUT, UGT e CSP Conlutas -, os trabalhadores e trabalhadoras sergipanos foram às ruas e disseram não à Reforma da Previdência e ao governo golpista de Temer, e condenaram a intervenção
    federal no Rio de Janeiro.

    Apropriação

    As manifestações tiveram início às 7 horas, com um protesto na frente da agência do INSS, da Avenida Ivo do Prado na capital sergipana. Entidades como a UBM, Cebrapaz e sindicatos de trabalhadores aderiram ao protesto. Durante o ato, a vice-presidenta da CTB e presidenta do Sindicato dos Bancários de Sergipe (Seeb-SE), denunciou a tentativa do governo de se apropriar da contribuição previdenciária dos trabalhadores.

    “Querem se apropriar, inclusive, da parte solidária dessa contribuição que garante àqueles, que não tiveram acesso ao trabalho formal, o direito a um ganho mínimo na sua aposentadoria. Esses mesmos usurpadores querem falir a
    Previdência Social para beneficiar o capital privado”, disse Ivânia Pereira.

    Injustiça

    A líder sindical ressaltou ainda que a luta contra a reforma é de todos os brasileiros, aposentados ou não. “É dos homens, das mulheres e dos jovens que ainda não entraram no mercado de trabalho, porque se permitirmos, eles vão quebrar a Previdência e ninguém mais vai se aposentar”, enfatizou.

    Shirley Morales, presidenta do Sindicato dos Enfermeiros do Estado (Seese-SE), exigiu justiça. “Enquanto alguns legisladores dizem que a população tem que trabalhar mais para ter direito à sua aposentadoria, governantes e
    legisladores se aposentam muito mais cedo. Que injustiça é essa?”, questionou.

    Intervenção

    Após o ato no INSS, os manifestantes fizeram uma caminhada pelas ruas da capital em direção à sede da Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego (SRTE) onde realizaram mais um ato público. O presidente da CTB-SE, Adêniton Santana, condenou a intervenção no Rio e salientou que essa foi uma estratégia do governo para desviar o foco da Reforma da Previdência.

    Para o dirigente sindical, Temer não tem os votos necessários para aprovar a reforma e criou um fato político para ter mais tempo para pressionar os deputados e senadores a se posicionarem a favor do projeto do governo.

    “Nós temos que ter consciência de que a luta da sociedade contra a Reforma da Previdência deve continuar. Vamos manter a mobilização contra essa proposta que penaliza os trabalhadores”, enfatizou.

    Consequências

    A presidente da UBM-SE, Maria da Pureza Sobrinha, avaliou como positiva as manifestações desse dia de luta, principalmente pela participação das mulheres nos atos. "Esse projeto traz consequências maiores para as mulheres, especialmente as trabalhadoras rurais, as domésticas e as  professoras. Elas têm aposentadorias diferenciadas dos demais trabalhadores, mas o projeto acaba com isso. Se a reforma passar, elas não vão mais se aposentar", esclareceu.

    Niúra Belfort - CTB-SE