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Sáb, Fev

UFMG

  • Condução coercitiva de reitores da UFMG causa revolta no país inteiro

    Manifestação em solidariedade aos reitores detidos (Foto: Larissa Ricci-EM)

    “Estamos acompanhando essa ação da Polícia Federal contra a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) para impedir mais essa ação trôpega da PF”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “Parece que estamos virando um país sem leis”, reclama.

    A fala de Arêas denuncia condução coercitiva dos três últimos reitores e vice-reitores da UFMG nesta quarta-feira (6) durante a operação chamada "Esperança Equilibrista". Com essa operação a PF diz apurar um suposto desvio de recursos públicos destinados à construção e implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil, financiado pelo Ministério da Justiça, envolvendo R$ 4 milhões.

    Na madrugada foram levados à delegacia para depor o reitor Jaime Arturo Ramírez, e a vice-reitora Sandra Goulart Almeida e mais seis pessoas. De acordo com o jornal O Tempo, ocorreram 11 mandados de busca e apreensão com a participação de 84 policiais federais, 15 auditores da Controladoria Geral da União (CGU) e dois do Tribunal de Contas da União (TCU).

    Para Gilson Reis, vereador em Belo Horizonte e coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, essa ação é mais um absurdo promovido pelos golpistas no país.

    Para ele, essa é mais “uma tentativa de desmoralizar a universidade pública brasileira com objetivo de privatizar”. Ainda mais a UFMG que mora nos corações de todos os mineiros e “tanto compromisso tem com a nação brasileira, com a educação, com a ciência e tecnologia, com a evolução da nossa sociedade e do país”.

    ufmg luta foto raquel freitas g1

    Foto: Raquel Freitas-G1

    Já Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) divulgou nota de repúdio onde acusa a ação como “tentativa de golpe na UFMG”. “A ANPG e os pós-graduandos da UFMG estão mobilizados. Já havíamos denunciado, pela ocasião dos fatos na UFSC, que, neste momento vivemos em um período de ataques às instituições públicas e tais práticas chegam mais uma vez à universidade pública brasileira”.

    Leia a íntegra aqui.

    Já o Sindicato dos Professores de Minas Gerais condena a ação e afirma categoricamente que “não há fatos que justifiquem a condução coercitiva e midiaticamente espetaculosa que se fez dos atuais gestores da Universidade, bem como dos seus antecessores. A Constituição da República de 1988 assegura a todos o devido processo legal e a presunção de inocência – preceitos que não foram respeitados. Também não existe, por parte dos citados, nenhuma obstrução às investigações ou escusa a depoimentos esclarecedores, não existindo nenhum motivo concreto à ação ostensiva e deletéria da Polícia Federal”.

    Leia a íntegra da note de repúdio aqui.

    A CTB Educação-RS também repudia com veemêndia a ação truculenta da PF. O avanço do Estado de Exceção que estamos vivenciando no Brasil acontece abertamente, sem o menor pudor. Atentos a isso, devemos organizar maior e mais firme resistência à essas práticas truculentas e autoritárias, reunindo todo campo progressista e de todos os defensores da liberdade do povo brasileiro em torno dos ideais democráticos que sempre defendemos", diz trecho da nota.

    Leia a íntegra aqui.

    Reis explica também que essa ação despropositada da PF visa ainda impedir que “a reitora eleita (Sandra Goulart Almeida) assuma o seu mandato”. Para ele, “o Brasil precisa se levantar” contra as arbitrariedades que estão ocorrendo.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • João Bosco ataca ação da PF na UFMG e não admite utilização de sua música

    O cantor e compositor João Bosco disse que não autoriza a utilização de sua música “O bêbado e a equilibrista”, em parceria com Aldir Blanc, na operação “Esperança equilibrista” da Polícia Federal que levou coercitivamente o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e outros professores da universidade.

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    Condução coercitiva de reitores da UFMG causa revolta no país inteiro

    João Bosco tem mais de 40 anos de carreira com canções antológicas como “O rancho da goiabada”, “De frente pro crime”, “Kid cavaquinho”, “Dois pra lá, dois pra cá”, “Papel machê”, “O mestre sala dos mares”, “O ronco da cuíca”, entre muitas outras sempre em favor da liberdade, da democracia e da justiça.

    “O bêbado e a equilibrista” tornou-se o hino da anistia, que em 1979, permitiu a volta dos exilados políticos ao país. Começava a ruir a ditadura (1964-1985).

    Ouça "O bêbado e a equilibrista", de Aldir Blanc e João Bosco 

    “A operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira. Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental”, diz trecho da Nota do músico mineiro.

    Leia texto na íntegra abaixo:

    Recebi com indignação a notícia de que a Polícia Federal conduziu coercitivamente o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Ramirez, entre outros professores dessa universidade. A ação faz parte da investigação da construção do Memorial da Anistia.

    Como vem se tornando regra no Brasil, além da coerção desnecessária (ao que consta, não houve pedido prévio, cuja desobediência justificasse a medida), consta ainda que os acusados e seus advogados foram impedidos de ter acesso ao próprio processo, e alguns deles nem sequer sabiam se eram levados como testemunha ou suspeitos. O conjunto dessas medidas fere os princípios elementares do devido processo legal. É uma violência à cidadania.

    Isso seria motivo suficiente para minha indignação. Mas a operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira. Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental.

    Resta ainda um ponto. Há indícios que me levam a ver nessas medidas violentas um ato de ataque à universidade pública. Isso, num momento em que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, estado onde moro, definha por conta de crimes cometidos por gestores públicos, e o ensino superior gratuito sofre ataques de grandes instituições (alinhadas a uma visão mais plutocrata do que democrática). Fica aqui portanto também a minha defesa veemente da universidade pública, espaço fundamental para a promoção de igualdades na sociedade brasileira. É essa a esperança equilibrista que tem que continuar.

    João Bosco - 07/12/2017

  • Programa Extra-classe debate a essência do SUS e a saúde da população; assista

    O programa Extra-classe, do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG), que foi ao ar no sábado (23), pela Rede Minas, debateu os 30 anos do SUS e as suas implicações na saúde das brasileiras e dos brasileiros.

    A concepção do Sistema Único de Saúde (SUS) surgiu com a promulgação da Constituição Federal em 5 de outubro de 1988, como um "sistema ímpar no mundo, que garante acesso integral, universal e igualitário à população brasileira, do simples atendimento ambulatorial aos transplantes de órgãos", definido pelo Ministério da Saúde.

    Em pouco mais de 25 minutos, o Extra-classe expõe as preocupações de especialistas com a possibilidade do fim do SUS, com a intenção nesse sentido demonstrada pelo governo golpista de Michel Temer, com a proposta de criação de planos de saúde com preços mínimos e, claro, atendimento mínimo.

    O programa já inicia com uma voz em off afirmando que o Brasil é o único país no mundo com mais de 100 milhões de pessoas atendidos por um sistema público de saúde. O SUS “tem que ser protegido de qualquer tentativa de removê-lo da nossa Constituição”, afirma Gilberto Reis, professor e médico sanitarista.

    Já para o professor em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), João Ângelo Machado o “SUS foi uma ruptura com um conceito que vinha há décadas no Brasil” de uma saúde para poucos.

    Para ele, no período da democratização do país, os especialistas “colocaram a saúde num patamar muito próximo da qualidade de vida das pessoas”, visando levar saúde para todas e todos.

    Assista o Extra-classe 30 anos do Sistema Único de Saúde (SUS) 

    Mariana Arêas, jornalista e especialista em Comunicação em Saúde, define o nascimento do SUS relacionado à “percepção da população de que a saúde é um direito”. Além disso, acentua, passou a integrar uma “estratégia de nação” soberana e saudável.

    O SUS nasceu baseado no modelo inglês, o National Health Service Britânico. Érico Colen, diretor de Comunicação do Sindicato de Saúde de Minas Gerais e especialista em saúde pública, afirma que ocorreu uma discussão ética na criação do sistema britânico no pós-Segunda Guerra Mundial.

    A discussão feita pelos britânicos acontecia sobre “o que era mais importante para o cidadão inglês”, conta. Porque “na Inglaterra não era aceitável que qualquer pessoa, qualquer nação enriquecesse com o sofrimento de outras pessoas”,

    E no Brasil foi próximo. “Como vamos reconstruir a cidadania brasileira? Era a pergunta” com o fim da ditadura (1964-1985). “O SUS foi fator premente”, finaliza Colen. Enquanto Machado afirma que “o SUS incomoda porque tem uma proposta igualitária” e as pessoas que acreditam que a “igualdade não é relevante” não aceitam saúde pública para todas as pessoas.

    O programa questiona a extinção do SUS. “Das políticas públicas o SUS é a mais sensível aos cortes”, diz Paulo César Machado, psiquiatra. Já o professor da UFMG discorre sobre a existência de grandes grupos contrários ao SUS por meros interesses econômicos e cita a Emenda Constitucional 95 como extremamente prejudicial às políticas públicas e à nação.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB