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Sex, Abr

Unegro

  • 25 de julho: escravidão e patriarcado atingem a vida das mulheres negras na América Latina e Caribe

    O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha é um marco de reflexão e de luta sobre as condições de vida das mulheres negras triplamente atingidas pelo entrelaçamento do racismo e do machismo com a brutal exploração capitalista. As marcas dos 388 anos de escravidão e do patriarcado atingem duramente a vida das mulheres negras na América Latina e Caribe resultando em baixos salários, altíssimo desemprego, chefias de famílias em situação de pobreza extrema, mortes em decorrência de abortos clandestinos e inseguros, altas taxas de feminicídio, baixo acesso a sistemas públicos de saúde, cultura do estupro, invisibilidade e sub-representação nos espaços de poder.

    A situação global das mulheres negras tem passado por sensível piora devido à duradoura crise do capitalismo que tem representado o aprofundamento das desigualdades sociais, econômicas e raciais. No Brasil com o Golpe de 2016 e o avançado Estado de Exceção, milhões de mulheres negras tem tido suas vidas e de suas famílias atravessadas pela violência, desemprego e desesperança. A alteração deste estado de coisas depende em grande medida da organização popular e da realização e eleições livres e limpas para a retomada da democracia e um projeto de país com justiça social e equidade.

    Assim, a União de Negras e Negros Pela Igualdade (Unegro) nos marcos dos seus 30 anos de luta contra o racismo, o machismo e por uma sociedade com justiça social, equidade e livre da exploração de classe, conclama sua militância à uma ativa participação na construção do Encontro Nacional de Mulheres Negras em dezembro próximo em Goiânia e também na continuidade da resistência para interrupção do golpe e suas medidas além de ampla participação no processo eleitoral resgatando o Brasil para a maioria de sua população e elegendo especialmente mulheres negras comprometidas e progressistas para os espaços de decisão e poder.

    Salve as mulheres negras latino-americanas e caribenhas!

    Ângela Guimarães é presidenta da União de Negras e Negros Pela Igualdade (Unegro).

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

     

  • A herança do Partido dos Panteras Negras 50 anos depois marca corações e mentes no mundo

    O punho cerrado era o gesto característico de protesto dos Panteras Negras

    Neste mês faz 50 anos que surgiu o Partido dos Panteras Negras para Autodefesa, nos Estados Unidos, para reunir e representar os negros e negras que desejavam o fim das diferenças. “Organizou-se fortemente e cresceu rápido por colocar a luta racial no contexto da luta de classes”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    De acordo com o historiador Augusto Buonicore, o grupo “desde o início, adotou o marxismo como referência teórica da sua ação e logo se transformou no inimigo público número um do FBI (a polícia federal norte-americana)”.

    Isso porque os Panteras Negras acreditavam no confronto com os racistas para construir uma sociedade socialista, portanto, sem classes e sem discriminações. “Eles foram a primeira tentativa mais avançada de organização dos afro-americanos para a construção de uma nação mais solidária e justa e bem no centro do império do capitalismo”, afirma Custódio.

    "Panteras Negras: todo poder ao povo" (1997), de Lee Lew-Lee 

    O partido nasceu no meio de um forte acirramento das lutas pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Nasceram como uma radicalização do movimento pacifista liderado pelo grande herói Martin Luther King (1929-1968), tão importante quanto os Panteras no combate ao racismo. 

    “O Black Panther Party (Partido dos Panteras Negras) se tornou referência obrigatória para todos os movimentos contra o racismo e pelos direitos civis da população negra ao redor do mundo pela postura contestadora, combativa e pela extrema preocupação com a formação teórica e política da militância e de constituição dos seus núcleos de atuação espalhados nos Estados Unidos, mas em permanente articulação com povos oprimidos do mundo”, afirma Ângela Guimarães, presidenta da União dos Negros pela Igualdade (Unegro).

    Para mostrar a diferença essencial entre o que os Panteras Negras defendiam e os seguidores de Luther king, Bobby Seale, presidente do partido, diz que “embora os Panteras Negras acreditem no nacionalismo negro e na cultura negra, eles não acreditam que levarão à liberdade negra ou à derrubada do sistema capitalista, e são, portanto, ineficientes”.

    Luther King seria assassinado cerca de 1 ano e meio após a criação do movimento dos Panteras, em 4 de abril de 1968. Inicialmente liderado por Malcolm X (assassinado em 21 de fevereiro de 1965), o grupo se notabilizou e ganhou inúmeros adeptos rapidamente.

    Tão famosos ficaram que os atletas velocistas dos 200 metros rasos, Tommie Smith (medalha de ouro) e John Carlos (medalha de bronze) na Olimpíada da Cidade do México em 1968, após receberem a medalha levantaram os punhos cerrados (como na foto abaixo), manifestação característica deles.

    panteras negras 1968

    Esse símbolo também foi adotado pelo jogador Sócrates (1954-2011) na comemoração de seus gols relembrando os Panteras e em protesto contra a ditadura brasileira, vigente na época em que ele atuou pelo Corinthians (veja foto abaixo). O centroavante do Atlético Mineiro, Reinaldo coemorava seus gols com o mesmo gesto e os mesmos motivos. Dizem alguns estudiosos que ele foi cortado da seleção brasileira por isso.

    socrates faz a tradicional comemoracao de gol depois de ajudar o corinthians a fazer 3 a 1 sobre o sao jose no parque antarctica pelo campeonato paulista de 1983 1315269166866 1920x1080

    “Neste momento onde há uma crise profunda do capitalismo no mundo acompanhada do recrudescimento do racismo e sexismo e os ideais dos Panteras materializado no seu programa torna-se ainda mais atual e necessário”, argumenta Guimarães.

    Mulheres negras e o feminismo

    Cientes da necessidade de propagar as suas propostas, criaram em 1967 a publicação semanal “The Black Panther”, que parou de circular em 1971, depois de 4 anos. “De um grupo exclusivamente masculino, ele logo passou a aceitar o ingresso de mulheres, que chegaram a representar mais da metade da militância”, diz Buonicore.

    “A militância feminina dos Panteras Negras marcou definitivamente o movimento feminista ajudando a colocar na pauta a questão das mulheres negras”, afirma Custódio. Uma das mais importantes militantes é Angela Davis, que tem seu livro “Mulher, raça e classe”, que ganhou recentemente tradução inédita em português.

    mulher raca classe angela davis

    Para ela essa é uma das heranças fundamentais para a luta das mulheres negras em todo mundo, deixada pelos Panteras. “O movimento feminista tinha dificuldade de entender as questões específicas das mulheres negras”, reforça.

    Outro fato importante, segundo a cetebista, é inserir a questão da igualdade racial no âmbito da luta de classes. “Interessante os Panteras defenderem a superação do capitalismo para atingirmos uma sociedade realmente igualitária, onde todos sejam respeitados”.

    Já Guimarães afirma que “a radicalidade em contestar a violência racial, mas sobretudo em situá-la como parte de uma violência sistêmica do capitalismo situou os Panteras como um dos movimentos-referência para as lutadoras e lutadores antirracismo de todo o mundo e para a Unegro os Panteras Negras são fontes permanentes de estudo, admiração e referência”.

    Custódio lembra ainda que coube aos Panteras Negras ressaltar as espeficidades da “beleza negra, ainda hoje renegada pelos eurocentristas, para quem só há beleza na tez branca, cabelos lisos e olhos claros”. Os Panteras Negras “fizeram muito bem, assumindo os cabelos black e os traços de sua negritude, mostrando toda a beleza do povo negro”, afirma Custódio.

    Os Panteras Negras existiram até 1989, após perda de militantes e penetração popular. Mas seus ideais permanecem nos corações e mentes de milhares de pessoas em todo o mundo. “A luta pela emancipação dos negros e negras se espalhou pelo mundo e isso ninguém tira de nós”, sintetiza.

    Para ela, “os Panteras deram uma contribuição fundamental para a compreensão de que a luta antirracista é uma das facetas da luta de classes, porque o racismo foi forjado para oprimir uma parcela substancial da humanidade”.

    Por isso, diz ela, “é importante a valorização dos 50 anos dos Panteras Negras e tudo o que eles somaram para a compreensão da necessidade de avançarmos para a superação do capitalismo e a construção de um mundo onde prevaleça a igualdade, a liberdade e o respeito”.

    Afinal, “lutar contra o racismo é lutar pela emancipação da humanidade”, conclui Custódio. “O legado que os Panteras deixaram é tão essencial para a superação da conjuntura atual que pode ser comprovado com a apresentação da Beyoncé (cantora negra norte-americana) no Super Bowl (final do campeonato de futebol americano nos Estados Unidos), onde fez referência direta aos Panteras Negras e causou frisson”.

    Assista a apresentação de Beyoncé para milhões de telespectadores (confira a tradução da letra aqui).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A Unegro completa 29 anos nesta sexta-feira (14)

    Nesta sexta-feira (14), a nossa gloriosa União de Negros pela Igualdade (Unegro) completa seus 29 anos de atuação ininterrupta na luta contra o racismo e todas as formas de discriminação, contra as desigualdades de gênero e toda a exploração capitalista.

    Nestes quase 30 anos, enfrentamos muitas batalhas, acumulamos vitórias, mas sobram desafios. A dureza e a profundidade da crise no Brasil nos convocam a jamais esmorecer e continuar lutando por um mundo livre de racismo, sexismo e LGBTfobia, as múltiplas intolerâncias e perseverar na construção de uma sociedade socialista e multirracial!

    Avante militância!!

    Parabéns pelos 29 anos de luta da Unegro!!

    Ângela Guimarães, presidenta da Unegro.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • A Unegro faz a primeira reunião para organizar a Marcha da Consciência Negra, em novembro

    A União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro) convida os movimentos de São Paulo interessados em participar da primeria reunião para organizar a 15ª Marcha da Consciência Negra na maior metrópole do país, nesta quarta-feira (22), às 18h30, na Câmara Municipal de São Paulo.

    Começa assim o processo de construção e organização da Marcha do 20 de Novembro - Dia Nacional da Consciência Negra. A reunião é aberta a militantes dos movimentos sociais, negros e simpatizantes da causa. Rebele-se Contra o Racismo!

    Serviço

    O que: Reunião para organização da 15ª Marcha da Consciência Negra em São Paulo

    ONde: Câmara Municipal de São Paulo (Viaduto Jacareí, 100, centro)

    Quando: Quarta-feira (22), às 18h30

    Portal CTB

  • CTB-DF participa de debate sobre os 130 anos da Abolição nesta terça-feira (15), em Brasília

    A Casa Manga com Leite, que se autodefine como “um espaço para debater as coisas da vida” convida as pessoas interessadas em compreender a conjuntura pela qual o país passa para a palestra “A Luta pela Verdadeira Abolição”, nesta terça-feira (15), às 18h30. O debate faz parte do evento Casa da Prosa.

    “A Lei Áurea trouxe a liberdade em 13 de maio de 1888, mas no dia seguinte deixou os seres humanos escravizados ao deus-dará, sem trabalho, sem terra, sem moradia, sem nenhuma indenização”, afirma Santa Alves, secretária de Combate ao Racismo da CTB-DF.

    ctb df santa alves casa manga com leite

    Ela, que também é presidenta da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), é uma das palestrantes do evento. As outras pessoas são Maria da Conceição Silva, da Unegro e o jornalista João Negrão.

    “O nosso debate é para refletirmos sobre os reflexos dessa Abolição inconclusa na atualidade, onde a população afrodescendente vive marginalizada pelo mercado do trabalho, na educação, na saúde e em todos os âmbitos da sociedade”, acentua Alves.

    Ela complementa afirmando ainda que “nós mulheres somos as mais prejudicadas no mercado de trabalho, ganhamos menos que os homens, somos demitidas após ter filho e as últimas a conseguir emprego. As mulheres negras vivem em situação ainda mais degradante”.

    Por isso, a presença de todas e todos nesse debate “é essencial para encontrarmos soluções para essas questões que em pleno século 21 impedem que a maioria da população brasileira tenha as mesmas possibilidades de vida que a minoria”, conclui Alves.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • CTB-RJ convida a classe trabalhadora para o ato da Dia da Consciência Negra nesta segunda (20)

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção Rio de Janeiro (CTB-RJ) convida a classe trabalhadora a participar de ato do Dia Nacional da Consciência Negra nesta segunda-feira (20), no Monumento ao Zumbi, centro da capital fluminense, a partir das 6h da manhã, com atividades culturais programadas para às 13h.

    "A CTB-RJ juntamente com a Unegro (União de Negras e Negros pela Igualdade) realiza esse ato par refletir sobre a importância de a população negra ter mais consciência de sua força e dos direitos que estão sendo tirados por esse governo golpista", diz Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ e dirigente da CTB nacional.

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    Ela explica que as trabalhadoras e trabalhadores negros são os que mais sofrem em épocas de crise, "principalmente as mulheres negras que estão na base da pirâmide social". Além disso, "as estatísticas comprovam que os negros são os primeiros a perder o emprego e têm mais dificuldade de se recolocar".

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    Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB nacional, convida a militância a ir para as ruas nesta segunda-feira porque "precisamos do apoio de cada um de vocês, que estão na trincheira de luta contra todas as formas de preconceito, racismo, machismo, lesbofobia e homofobia". Ela complementa seu convite afirmando que todas as pessoas "que têm no sangue a luta pela emancipação humana e reconhece que estamos em uma grande luta contra o fascismo deve tomar as ruas para fortalecer a democracia e a luta por igualdade".

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • O Brasil perde uma de suas mais importantes guerreiras com a morte de Luiza Bairros

    A manhã desta terça-feira (12) entra para a história como o dia em que o Brasil perdeu uma “importante guerreira da causa da igualdade racial e de gênero”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A ex-ministra Luiza Bairros, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, entre 2011 e 2014, morreu hoje, aos 63 anos, vítima de câncer no pulmão, do qual se tratava há meses. O velório tem início ainda hoje, às 20h, e o sepultamento será na quinta feira (14), às I5 horas, na capela 9 do Cemitério João XXIII, em Porto Alegre.

    “Hoje é um dia de tristeza por uma irreparável perda. Mas, também de reverência a uma longa e brilhante trajetória de luta por toda a população negra, especialmente pelas mulheres negras brasileiras”, diz Ângela Guimarães, presidenta da União de Negros pela Igualdade (Unegro). 

    “Nosso compromisso é honrar o legado, a vida e seguir adiante com as bandeiras dessa grande brasileira que tanto nos ensinou a lutar com garra, brilho e competência. Que o Orun a receba, na certeza que junto com Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e outras estrelas guerreiras, continuará a nos inspirar a não retroceder nunca”, afirmou.

    Mônica reforça o importante legado deixado pela ex-ministra. “As políticas e ideias defendidas por ela na campanha pelo bem viver, com valorização da mulher negra enquanto protagonista de sua própria história, foi fundamental para elevarmos o patamar de nossa luta”, disse ela. "A trajetória dela reforça a nossa luta, principalmente pelo empoderamento das mulheres negras. Aquelas que trabalham como domésticas e muitas vezes não veem suas reivindicações colocadas pelas bandeiras feministas”.

    A presidenta afastada, Dilma Rousseff, emitiu uma nota sobre o falecimento de sua ex-ministra. “Luiza foi uma incansável militante da causa negra e da democracia brasileira. Sua obra permanece viva e continua sendo um símbolo da luta contra o preconceito e em favor das melhores causas da vida política nacional”.

    Trajetória

    Luiza Helena Bairros nasceu em Porto Alegre e se graduou em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Concluiu mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, morando em Salvador a partir de 1979. Seu doutorado ocorreu na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

    Importante militante do Movimento Negro Unificado, sempre esteve na linha de frente das principais lutas desenvolvidas contra o racismo e pelo fim da violência contra a mulher. Trabalhou na Organização das Nações Unidas em 2001 e em 2005.

    Foi secretária da Igualdade Racial da Bahia em governos do PT e ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de 2011 a 2014. Em sua gestão foi criada o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), importante órgão para a formulação de políticas públicas para a população negra no país.

    “O Brasil está de luto e o nosso coração chora a morte dessa guerreira brasileira, fundamental para o desenvolvimento de políticas de combate às desigualdades e ao preconceito. Mas a luta dela permanece em nós na criação de políticas públicas para a criação de um país mais justo e igual”, diz Mônica.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Unegro entra na Justiça contra a falta de atrizes e atores negros em novela da Globo

    Giovanna Antonelli, as crianças Rafaela Brasil e Thales de Miranda e Emílio Dantas formam uma família da novela (Foto: Divulgação)

    A União de Negros pela Igualdade (Unegro) entrou com uma Ação Civil Pública nesta quinta-feira (10) contra a Rede Globo por causa da ausência de atrizes e atores negros na novela “Segundo Sol”, que estreia nesta segunda-feira (14), às 21h.

    Como a novela se passa em Salvador e quase não tem negras e negros, "a acão da Unegro é plenamente justificada", diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a capital baiana tem quase 3 milhões de habitantes, sendo a cidade com maior número de negras e negros do país.

    Para Custódio, essa é uma manifestação do racismo e da tentativa de branquear a sociedade brasileira. “Essa novela estreia um dia após o Brasil completar 130 anos da Abolição dos Escravos, dessa Abolição inconclusa porque não contemplou os direitos dos seres humanos escravizados e a emissora age com esse descaso à nossa formação social, étnica e cultural”.

    Ângela Guimarães, presidenta da Unegro, afirma que essa ação foi movida para que a maioria da população brasileira seja respeitada. Trecho da ação ajuizada diz que “a prática racista fere a toda uma população, haja vista que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad-IBGE), a população brasileira estimada no ano passado, 2017, era de 205 milhões e 500 mil habitantes, sendo que os negros representam hoje a maioria”. A população brasileira conta com 55% de negros e pardos.

    “Se para implementar essas obrigações for necessária a readequação do roteiro, que sejam adotadas as medidas pela emissora”. Custódio concorda com ela. “A televisão acaba por não refletir a maioria da população brasileira para vender a imagem que somos um país de maioria branca, escamoteando a realidade”, afirma Custódio.

    Fruto, argumenta, da mentalidade escravista que ainda predomina na sociedade brasileira. Por isso, “é fundamental refletir sobre o que representam os 130 anos da Abolição e como a mentalidade escravocrata impede a nação de reconhecer a rica herança de origem africana em nossa formação em todos os níveis”.

    A sindicalista explica que “essa negação é desumana e joga para fora do país, um Brasil inexistente que parece habitar o imaginário da nossa elite econômica, que se envergonha do que somos”.

    Por isso, diz Custódio, “o que a Unegro promove é mais uma forma de luta, inteligível e mobilizadora no aspecto da defesa de nossa história e do resgate da identidade e da alma das brasileiras e brasileiros”.

    A Ação Civil Pública é de número 8003021-97.2018.8.05.0001 e tramita na 2ª Vara Especial da Fazenda Pública, em Salvador. 

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações do Portal Vermelho

  • Venha debater a situação da população negra na política pelas redes sociais nesta quinta (17)

    O portal Alma Preta e a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP) promovem um bate-papo pelas redes sociais, com transmissão ao vivo pelo Facebook do Alma Preta nesta quinta-feira (17), das 19h às 21h30. Alma Preta é um portal jornalístico sobre as questões das negras e negros.

    “População Negra e Representatividade Política" é o tema da conversa e a sua participação é fundamental.  Após o evento, o portal irá disponibilizar o vídeo completo no site (www.almapreta.com). Haverá blocos de perguntas para jornalistas da mídia alternativa presentes e para as pessoas que acompanharem e participarem pelas redes sociais.

    Em pauta, a pesquisa "Afrodescendentes e Política", realizada pelo Painel BAP (especializado em assuntos sobre a população negra no Brasil) em novembro de 2017 e divulgada recentemente pelo Portal Alma Preta entre outras mídias.

    Os debatedores serão Juarez Xavier, militante do movimento negro e professor da Unesp de Bauru e Mariana Antoniazzi, socióloga e uma das responsáveis pela pesquisa. A conversa será mediada por Renata Rosa, militante do movimento negro e membro da direção nacional da União de Negros Pela Igualdade (Unegro).

    Confirme presença no evento aqui.

    Pesquisa Afrodescendentes e Política disponível em: www.painelbap.com.br/afroepolitica

    Serviço

    Bate-Papo em Rede: população negra e representatividade política

    Transmissão da página Alma Preta no Facebook

    Quinta-feira (17), às 19h

    Portal CTB com informações da assessoria de imprensa da deputada Leci Brandão