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Sex, Abr

União Europeia

  • Bolsonaro e os seus sofríveis seis minutos

    A coluna Notas Internacionais da Socióloga e Cientista Política, Ana Prestes, desta quarta (23), destaca repercuções da presença do Brasil no Fórum Econômico Mundial e a conjuntura na Venezuela. Acompanhe: 

    Notas internacionais (por Ana Prestes) 23/01/19

    – Bolsonaro falou e o mundo ouviu. Era abertura do Fórum Econômico Mundial que ocorre há quase 40 anos em Davos. O chairman Klaus Schwab tentou arrancar mais algumas palavras com as perguntas pós-pronunciamento. Foi difícil. Foi sofrível. Teve propaganda turística sobre a Amazônia e o Pantanal, teve Deus e a família, “direitos humanos reais”, Ministros modelo (Moro, Guedes, Araújo), teve apenas 9% de território pra agricultura e 30% (dado errado, por sinal) para florestas, teve investimento em segurança, teve deseologização e “nada de esquerda voltar a governar na América Latina!”. Faltou terminar a participação com um “é o que tem pra hoje”. Foi o primeiro presidente do hemisfério sul, da América Latina e fora do G7 a abrir o evento.
     

    – O chanceler Ernesto Araújo avançou ainda mais na retórica anti-Maduro e se referiu ontem em mensagem via twitter ao presidente da Venezula como “ex-presidente”. Enquanto isso, o auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó tomou para si uma das funções do poder executivo e nomeou o embaixador “especial” da Venezuela na OEA. Alinhados, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o conselheiro de segurança da Casa Branca, John Bolton, se pronunciaram sobre o país no dia de ontem. Pence convocou o “bom povo” da Venezuela para ir às ruas nesse 23 de janeiro e Bolton voltou a afirmar que o governo Trump só reconhece a Assembleia Nacional venezuelana como a “única instituição democrática legítima da Venezuela”.

    – São esperadas grandes manifestações e confrontos nesse 23 de janeiro na Venezuela. O 23 de janeiro é uma data simbólica no país, pois nesta mesma data, em 1958, uma insurreição cívico-militar derrubou o ditador Marcos Pérez Jiménez. A derrubada foi precedida por uma grande greve geral e na noite do dia 22 a Marinha e a Guarda de Caracas se pronunciaram contra o presidente, fazendo com que esse fugisse para Santo Domingo na manhã do dia 23. Em 2019, tanto a oposição como o governo Maduro reivindicam a data como símbolo de suas aspirações.

    – A alta representante da UE para Relações Exteriores, Federiga Mogherini, informou que está sendo criado um grupo internacional para ajudar no diálogo entre Nicolás Maduro e a oposição na Venezuela. O grupo deve começar a trabalhar nas primeiras semanas de fevereiro. Chefes das missões dos estados-membros da UE em Caracas têm se reunido com membros do governo Maduro e da Assembleia Nacional (oposição). Cerca de um milhão de europeus vivem na Venezuela.

    – A Arábia Saudita anunciou que deixará de importar frango de cinco frigoríficos brasileiros. Até ontem, portanto, eram 30 os frigoríficos do Brasil que forneciam para o país, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O embargo teria sido por critérios técnicos, mas não foram divulgados quais. O tipo de carne de importação suspensa e a halal, que segue os princípios do Islã tanto no abate como no processamento. As empresas brasileiras tiveram que adaptar suas fábricas e funcionários para a preparação da carne a ser exportada. A Arábia Saudita é o país que mais importa carne de frango do Brasil, seguido da China, do Japão e da África do Sul.

    – Foi fechado nessa terça (22) um novo tratado de cooperação franco-alemão com a intenção de abrir caminho para a criação de um Exército europeu. O tratado aponta para uma convergência das políticas econômica, externa e de defesa, além de uma “assembleia parlamentar comum” a ser composta por 100 deputados entre franceses e alemães. Há ainda uma cláusula de defesa mútua, no caso de agressão a um dos países. O último tratado do gênero foi assinado em 1963 pelo então chefe do Estado francês, general Charles de Gaulle e o então chanceler alemão Konrad Adenauer.

    – Se está tudo bem entre França e Alemanha, não se pode dizer o mesmo sobre a relação entre França e Itália. Os líderes dos dois principais partidos da coalizão que governa a Itália, Movimento 5 Estrelas e Liga, Luigi di Maio e Matteo Salvini, têm atacado sistematicamente o presidente francês Emmanuel Macron na temática da migração. Eles acusam a França de provocar a chegada de migrantes na Europa pro conta de uma suposta política “neocolonialista” na África. Os ataques provocaram a convocação por parte de Macron da embaixadora italiana na França, Teresa Castaldo, para explicações. O embate maior se dá em torno da relação com a Líbia e a intenção dos italianos de fechar em absoluto suas fronteiras para migrantes africanos que chegam dos portos líbios. Há poucas semanas, Di Maio também manifestou apoio explícito aos jalecos amarelos que protestam contra Macron há mais de 10 semanas.

    – Seguindo seu plano contra o furto de combustíveis, o governo mexicano convocou em quatro dias 2000 motoristas para conduzirem os caminhões tanque que farão o abastecimento dos postos de distribuição de gasolina no país, substituindo a chegada do combustível pelos dutos que são perfurados para furto. Há poucos dias uma explosão matou quase 100 pessoas em dos pontos de assalto aos dutos. Os caminhões não estão imunes aos assaltos nas estradas, mas o governo está pagando pra ver.

    – A União Europeia mandou avisar: um Brexit duro (sem acordo) vai implicar no estabelecimento de uma fronteira física entre a Irlanda e a Irlanda do Norte.

    – O Itamaraty, que sempre primou pelo princípio da reciprocidade no caso da concessão de vistos de entrada no Brasil para cidadãos de outros países, pode vir a liberar unilateralmente os vistos para norte-americanos e canadenses. Os EUA, por seu lado, não demonstram nenhuma intenção de liberar vistos para brasileiros. Aliás, desde 2018 os brasileiros têm enfrentado maiores obstáculos para obter o visto para os EUA, com exigência de entrevistas presenciais a grupos de idade que eram dispensados, como menores de 16 anos e maiores de 65 (passou a ser maiores de 14 e menores de 79). Seria algo benevolente ao extremo por parte do chanceler Araújo, sem pedir nada em troca.

    – O tribunal constitucional do Congo declarou Felix Tshisekedi presidente do país, após eleições bastante conturbadas em 30 de dezembro de 2018. O candidato que ficou em segundo lugar no pleito, Martin Fayulu alega fraudes e não reconheceu a declaração. A União Africana também pediu suspensão do resultado por “sérias dúvidas” sobre o processo eleitoral.

    – Outro país conflagrado na África nos últimos dias é o Zimbabue. As forças de segurança do país estão reprimindo violentamente os sequentes protestos no país gerados pela alta dos combustíveis em até 150%. São os maiores protestos desde a queda de Mugabem em 2017.

    – Um mês e um dia é o período de duração da paralisação parcial do governo dos EUA por conta do impasse em torno da construção de um muro na fronteira com o México.

    *Ana Prestes é socióloga, doutora em Ciência Política, foi assessora sindical de políticas educacionais e chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Esporte e da Secretária de Educação no município de Contagem. Nascida em Moscou, durante o exílio de sua família, perseguida pela ditadura no Brasil, Ana Prestes também é neta do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, e sempre se dedicou às lutas em defesa da democracia, da cultura e da educação. Atualmente trabalha na assessoria de comissões da Câmara dos Deputados.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

  • Merkel: "Não haverá acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia"

    Nesta quarta (12), a chanceler alemã, Angela Merkel,  informou que com Jair Bolsonaro, não haverá acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. 

    A chanceler ainda destacou que Bolsonaro torna o tratado cada vez  mais difícil de ser alcançado. O mesmo anúncio já havia sido feito pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

    A reação dos dois líderes se dá pela escancarada submissão anunciada do Brasil aos interesses dos Estados Unidos, o que compromete a imagem e a economia do país.

    Portal CTB - Com informações da Reuters

  • Notas internacionais, por Ana Prestes: 12 de dezembro de 2018

    O Portal CTB reproduz as Notas Internacionais produzidas pela Socióloga e Cientista Política, Ana Prestes.

    Notas internacionais (12/12/18)

    - O Brasil assinou o Pacto Mundial para Migração, junto a mais de 160 países, em Conferência que terminou ontem em Marrakech, no Marrocos. O futuro chanceler, no entanto, Ernesto Araújo, anunciou que o Governo Bolsonaro tirará o Brasil do pacto. Segundo Araújo, “a imigração não deve ser tratada como questão global, mas sim de acordo com a realidade e a soberania de cada país”. Para o atual chanceler, Aloysio Nunes, sair do pacto será um retrocesso, pois o Brasil exerce uma “liderança positiva” no tema da imigração. O pacto ainda vai a voto novamente em 19 de dezembro na Assembleia Geral da ONU.

    - Ganhou repercussão internacional o caso do médium João de Deus que tem sido acusado por inúmeras mulheres, do exterior inclusive, por abuso sexual durante seus atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola em Abadiânia de Goiás. Foi uma mulher holandesa a primeira a fazer a denúncia publicamente, via entrevista em rede de TV brasileira. Depois dela, já são 240 mulheres denunciantes.

    - A vice-ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Hotovely, disse “esperar que a embaixada brasileira se mude para Jerusalém em janeiro”. O comentário foi relatado por um jornal israelense Haaretz. Ainda segundo a vice-ministra, que lidera campanha para trazer mais embaixadas para Jerusalém: “o mundo é simples – nós tivemos apenas uma capital nos últimos 3000 anos, e é Jerusalém”.

    - Enquanto isso, chegou às mãos de Bolsonaro pai uma carta assinada pelo secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, na qual se alerta o presidente eleito que a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém pode prejudicar as relações brasileiras com os países árabes. Na carta, o secretário geral pede que se “considere o ponto de vista árabe como uma maneira de preservar a duradoura amizade”.

    - Além da carta da Liga Árabe, a Organização para a Cooperação Islâmica, através dos embaixadores dos países que integram o grupo e atuam no Brasil, assinaram memorando para Bolsonaro, após encontro na embaixada da Palestina em Brasília. Na carta, os embaixadores dizem que os países muçulmanos têm “alto apreço pelo apoio histórico do Brasil” às causas árabes e destacam o reconhecimento do Estado da Palestina e o apoio à “solução de dois estados”. A organização para a Cooperação Islâmica reúne 57 países no Brasil.

    - A Venezuela recebeu esta semana dois bombardeiros russos para a realização de exercícios militares conjuntos. São dois aviões com capacidade nuclear. Vieram também cerca de cem funcionários do governo russo. A Venezuela também tem contado com o apoio turco e iraniano na resistência à ofensiva norte-americana, aliada à Colômbia (agora membro da OTAN), sobre o país.

    - Pagou uma fiança de US$ 7,5 milhões e foi liberada da prisão no Canadá a diretora financeira da chinesa Huawei, Meng Wanzhou, isso após a China haver prendido um ex-diplomata canadense. O diplomata foi primeiro secretário da embaixada do Canadá em Pequim de 2014 a 2016 e hoje é um consultor em relações internacionais. Meng se libertou um dia após China e EUA aprofundarem as conversações iniciadas por Trump e Xi Jinping durante o G20. A conversa foi via ligação telefônica entre o vice-primeiro ministro chinês, Liu He, e o secretário do tesouro dos Steven Mnuchin.

    - Já são 48 (número necessário) as cartas de deputados pedindo votação sobre a continuidade ou não de Theresa May como primeira ministra britânica. A votação ocorre na sequência da retirada do projeto do Brexit de votação do parlamento britânico. A votação do Brexit foi adiada e enquanto isso, May viaja para se reunir com autoridades europeias na tentativa de reconstruir o acordo, sem muito sucesso até aqui. O ponto mais difícil de resolver é o que trata da fronteira entre a República da Irlanda (integrante da UE) e a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido).

    - A Austrália deve anunciar hoje (12) o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Não mudarão o local da embaixada australiana para Jerusalém, mas é uma mudança importante e certamente fruto de pressões israelenses que fazem uma campanha mundial para a mudança de status de Jerusalém.

    - O Brasil é hoje o 9º país cujos cidadãos são rejeitados nos pontos de entrada da União Europeia. O número aumentou em 45% em 2018, em relação a 2017. O acordo firmado de um pacto global sobre imigração, no Marrocos, nos últimos dias, poderia ser um instrumento para ajudar esses brasileiros, mas o futuro governo vai se retirar do acordo.

    - Está forte a tensão na Bolívia, com vários protestos que questionam a candidatura de Evo à reeleição. Ontem (11) um Tribunal Eleitoral, em Santa Cruz, foi incendiado. Outros prédios públicos também foram atacados. Os protestos são contra a autorização do Tribunal Constitucional que garante a candidatura de Evo para o período de 2020 – 2025, desconsiderando um referendo de 2016. Nesse referendo a população votou pela não possibilidade de reeleição de Evo. No dia de ontem (11) a ONU se pronunciou manifestando o direito de Evo à reeleição e pedindo tranquilidade no processo eleitoral boliviano.

    - O “personalidade do ano” da revista norte-americana Time, ficou para quatro representantes do mundo da comunicação. São eles, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, morto na Turquia de forma pouco esclarecida até aqui em episódio que envolve o príncipe herdeiro saudita, a jornalista Maria Ressa, perseguida nas Filipinas pelo governo de Rodrigo Duterte, dois repórteres da Reuters presos na Birmânia, Wa Lone e Kyaw Soe Oo e o jornal local Capital Gazette, de Annapolis (Maryland, EUA), que teve cinco funcionários mortos em junho.

    *Ana Prestes é socióloga, doutora em Ciência Política, foi assessora sindical de políticas educacionais e chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Esporte e da Secretária de Educação no município de Contagem. Nascida em Moscou, durante o exílio de sua família, perseguida pela ditadura no Brasil, Ana Prestes também é neta do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, e sempre se dedicou às lutas em defesa da democracia, da cultura e da educação. Atualmente trabalha na assessoria de comissões da Câmara dos Deputados.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

  • Recessão na Itália mostra que União Europeia ainda não superou a crise

    A Itália entrou oficialmente em recessão técnica depois que seu Produto Interno Bruto (PIB) recuou dois trimestres consecutivos.

    No quarto trimestre do ano, o PIB caiu 0,2%, depois de uma queda de 0,1% no terceiro trimestre.

    Uma recessão técnica é definida por dois trimestres consecutivos de queda do PIB.

    O primeiro-ministro Giuseppe Conte disse na quarta-feira que esperava uma contração da economia no quarto trimestre, mas afirmou que espera voltar a crescer no segundo trimestre de 2019.

    Em todo o ano de 2018, o crescimento foi de 0,8%. Antes da queda do PIB no terceiro trimestre do ano passado, a economia italiana teve 14 trimestres consecutivos de pequenos aumentos.

    O recuo da produção foi atribuído pelos analistas a fatores como a desaceleração da economia europeia, especialmente da Alemanha, tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos e relutância das empresas italianas em investir.

    O cenário italiano, deprimente, é um sinal de que a União Europeia ainda não superou a crise econômica que irrompeu em 2011 no rastro da Grande Recessão dos EUA, deflagrada no final de 2007. O declínio do capitalismo europeu é acompanhado de uma grave crise social, ofensiva contra o Estado de Bem Estar Social e ascensão política da da extrema direita, e com ela da intolerância, voltada principalmente contra imigrantes, ou seja da xenofobia.

    Com agências

  • Reunião do G20: “ultima chance” de um acordo ainda em 2018?

    O Portal CTB reproduz as Notas Internacionais diárias produzidas pela socióloga e cientista política, Ana Prestes, desta quarta (13).

    Notas internacionais (13/12/18)

    - Desde segunda (10) estão reunidos no Uruguai os negociadores do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A reunião é vista como a “ultima chance” de um acordo ainda em 2018, mas todos com a forte impressão de que qualquer decisão poderá ser mudada pelo futuro governo Bolsonaro. Caso haja avanço até amanhã (14), a Argentina convocará reunião ministerial dos dois blocos para tentar fechar os últimos detalhes de um acordo que está há 19 anos em negociação. Merkel parece aberta a concessões e colocou pressão ontem dizendo que o tempo está se esgotando, pois sob um governo Bolsonaro será mais difícil. Um dos grandes bloqueadores tem sido a França, que na última reunião do G20 disse que só fecha acordo com firmantes do Acordo Climático de Paris, em clara alusão ao futuro governo Bolsonaro.

    - Theresa May sobreviveu. Não foi aprovada a moção de censura apresentada por parlamentares de seu partido (Conservador) ontem (12) no parlamento britânico. Ela permanece sendo a líder do partido e por consequência a primeira ministra. No entanto, não foi sem custos. Ela se comprometeu a deixar a liderança do partido antes de 2022, quando ocorrem as próximas eleições. Seu grande desafio continua sendo dar um desfecho ao Brexit, o que parece cada vez mais difícil.

    - Macri, presidente argentino, cancelou a confirmação de sua vinda ao Brasil para a posse do presidente Jair Bolsonaro em 1º. de janeiro. A alegação é de que estará em férias com sua família na Patagônia. Os jornais argentinos, no entanto, especulam que os efeitos das notícias sobre suspeita de corrupção no seio da família Bolsonaro, envolvendo filho e esposa do presidente eleito, podem ter influenciado na decisão. Macri já está com uma popularidade baixíssima, tem a própria família (pai e irmão) envolvida em um escândalo de corrupção e não quer desgastar ainda mais sua imagem na entrada do ano novo que para ele será eleitoral. A Argentina é um dos principais parceiros comerciais e políticos do Brasil na América do Sul.

    - Os ataques entre EUA e China continuam. O último episódio foi a alegação do secretário de estado norte-americano, Mike Pompeo de que o recente vazamento de dados do grupo Marriot (rede hoteleira) teria sido fruto de espionagem chinesa. Estima-se que os dados de 500 milhões de clientes da rede Marriot tenham sido hackeados em novembro. Os americanos se dizem especialmente preocupados, pois seus militares e funcionários de agencias governamentais se hospedam nessa rede.

    - As acusações sobre a China no “caso Marriot” ocorrem ainda no calor da recente prisão da executiva financeira do grupo chinês Huawei. Solta sob fiança, Meng Wanzhou aguarda decisão sobre sua possível extradição para os EUA, onde está acusada de fraude pela justiça americana. A Huawei é hoje a maior fabricante mundial em equipamentos de telecomunicações e a segunda em smartphones e tem causado grande incomodo por estar à frente das concorrentes em tecnologia para a rede móvel de 5ª geração (5G). A mobilização do aparato judicial dos EUA contra a empresa vem no bojo da guerra estabelecida com a China. Segundo os americanos, a tecnologia 5G da Huawei deixará os EUA expostos a ciberataques.

    - A aproximação entre Rússia e Turquia tem desagradado Israel, que agora tenta a formação de um bloco com EUA, Grécia e Chipre com o nome de “eixo-democrático” do Oriente Médio. A aliança incluiria uma cooperação militar entre os quatro países na região.

    - Moscou considerou pouco diplomáticas e inapropriadas as declarações do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, sobre os aviões bombardeiros russos (Tu-160) que chegaram à Venezuela para realização de exercícios militares. Pompeo havia “tuitado” que os exercícios militares da Venezuela em conjunto com a Rússia expõem dois governos corruptos e que usam dinheiro público para manobras militares. O porta voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que só a metade do orçamento de defesa dos EUA daria para “alimentar toda a África”.

    - Sobre as propostas anunciadas por Macron ao longo da semana em resposta aos protestos dos Jalecos Amarelos, há quem diga que ele tenta dividir o movimento. Há manifestantes que pedem a renúncia de Júpiter (como chamam Macron) e os que se dispõem a negociar. O aumento de 100 euros no salário mínimo pode dividir o movimento. O movimento não tem um a liderança clara declarada, seus integrantes são em maioria homens entre 20 e 40 anos, trabalhadores do interior da França, vinculados a pequenas empresas e a maioria não é sindicalizada. Somam-se a eles movimentos de diferentes setores que também se opõe aos aumentos dos impostos dos combustíveis e com a situação geral do país. Há novas manifestações marcadas para o sábado, 15.

    - Também na França, está convocada para amanhã, 14 de dezembro, uma greve de docentes nas escolas de ensino médio e universidade. Ofuscada pelas manifestações dos jalecos amarelos, a mobilização estudantil na França já dura duas semanas. A última manifestação, da terça 11, que os líderes chamaram de “terça negra” contou com cerca de 35 mil jovens e o bloqueio de 450 unidades educacionais. Eles protestam contra o Parcoursup, uma espécie de ENEM de acesso a universidade, a ser implementado, contra a reforma educacional prevista para 2021, contra o SNU (serviço nacional universal) que obrigará os estudantes de 16 anos a prestarem serviços comunitários e contra o aumento das matrículas para os estudantes que não são provenientes da União Europeia.

    - Quem está de olho no noticiário econômico internacional percebeu o quanto tem se falado da chegada de uma nova crise econômica, maior do que a de 2008. A dívida mundial está em níveis recordes. O último informe de estabilidade financeira do FMI estima que a dívida mundial (não financeira) ao final de 2017 era de 250,7% do PIB mundial.

    - Militares das duas Coreias, sul e norte, fizeram ontem (12) pela primeira vez uma missão conjunta desde o fim da Guerra da Coreia (1950 – 1953). Os militares inspecionaram a demolição e o desarmamento de 22 postos de guarda ao longo da fronteira. Estima-se que esta área tenha 2 milhões de minas terrestres.

    - A popularidade do presidente colombiano Ivan Duque caiu de 53,8% para 27,2% em apenas três meses de governo.

    -Ao homenagear jornalistas, como personalidades do ano de 2018, a revista norte-americana Time citou a jornalista brasileira da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello, por ter sido alvo de ameaças após relatar que apoiadores do presidente eleito, Jair Bolsonaro, financiaram uma campanha para disseminar notícias falsas no WhatsApp.

    - Foi lançado esta semana em São Paulo o documentário “Exteriores – Mulheres Brasileiras na Diplomacia” em memória aos 100 anos de ingresso da primeira mulher no Itamaraty, em 1918. Na época o chanceler era Nilo Peçanha e assim se referiu à Maria José Rebello, primeira mulher servidora pública concursada do país e primeira diplomata: “Melhor seria, certamente, para o seu prestígio que continuasse à direção do lar, tais são os desenganos da vida pública, mas não há como recusar a sua aspiração”. Maria José foi a primeira colocada no concurso daquele ano. Entre 1938 e 1954, as mulheres brasileiras ficariam proibidas de entrar na diplomacia. Hoje as mulheres são apenas 23% do corpo diplomático e chefiam 9,8% dos postos no exterior.