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Qua, Abr

Universidade Federal da Bahia

  • Morre Moniz Bandeira, um dos mais importantes intelectuais brasileiros

    Morreu na Alemanha, onde era cônsul honorário do Brasil, nesta sexta-feira (10), Moniz Bandeira, aos 81 anos. Professor universitário, cientista político e historiador, especialista em política exterior do Brasil.

    Bandeira tinha problemas cardíacos e estava internado desde outubro. Ele morreu por volta das 14h na cidade alemã de Heidelberg. Ele deixa a mulher Margot Elisabeth Bender, de nacionalidade alemã, e o filho, Egas.

    O intelectual era doutor em Ciência Política pela USP, professor aposentado de história da política exterior do Brasil na Universidade de Brasília e professor-visitante nas universidades de Heidelberg, Colônia, Estocolmo, Buenos Aires, Nacional de Córdoba e Técnica de Lisboa.

    “Para as comemorações dos 100 anos da Revolução Russa foram reeditados os seus livros: “O ano vermelho: Revolução Russa e seus reflexos no Brasil “ e "Lênin - vida e obra", que destacam o divisor de águas que representou a revolução de 1917 com a edificação do primeiro país socialista e os seus efeitos nas lutas revolucionários no mundo todo.

    Inclusive, em 2015, foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE), em reconhecimento pelo seu trabalho como "intelectual que vem repensando o Brasil há mais de 50 anos".

    No ano seguinte foi homenageado na UBE com o seminário "80 anos de Moniz Bandeira", ocasião em que sua obra foi destacada por importantes personalidades do meio acadêmico, político e diplomático. 

    Moniz Bandeira também teve uma importante trajetória de militância política. Filiado ao Partido Socialista Brasileiro, dentro do qual foi um dos organizadores da corrente Política Operário (Polop), acompanhou João Goulart em seu exílio no Uruguai após o golpe de 1964.

    Em declaração ao Portal Vermelho, João Augusto Rocha, professor da Universidade Federal da Bahia, cujo livro sobre a morte de Anísio Teixeira seria prefaciado por Moniz Bandeira, afirmou que “perdemos talvez o mais destacado cientista político brasileiro da atualidade, com projeção internacional, em pleno vigor intelectual, perto dos 82 anos de idade. Seu conhecimento sobre o mundo diplomático destaca-se sobretudo pelo extenso e profundo acompanhamento do processo de reciclagem do imperialismo, particularmente em seus ataques sobre o Brasil”.

    Dentre suas obras, destacam-se:

    • 2016 - A Desordem Mundial. O Espectro da Total Dominação. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 644 pp.
    • 2013 - A Segunda Guerra Fria. Geopolítica e Dimensão Estratégica dos Estados Unidos. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 714 pp.
    • 2009 - Poética. Rio de Janeiro, Editora Record, 144 pp.
    • 2005 - Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque). Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 854 pp. Obra traduzida e publicada na China e na Argentina.
    • 2004 - As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos (De Collor de Melo a Lula). Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 417 pp.
    • 2003 - Brasil, Argentina e Estados Unidos (Da Tríplice Aliança ao Mercosul). Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 920 pp. Obra traduzida e publicada na Argentina.
    • 2000 – O Feudo – A Casa da Torre de Garcia d’Ávila: da conquista dos sertões à independência do Brasil. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 601 pp.
    • 1999 – Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. II (2ª. revista, aumentada e atualizada de Brasil-Estados Unidos: A Rivalidade Emergente. São Paulo, Editora SENAC, 224 pp.
    • 1998 – De Martí a Fidel – A Revolução Cubana e a América Latina. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 687 pp.
    • ______ Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. I (Terceira edição revista de Presença dos Estados Unidos no Brasil – Dois Século de História e Brasil. São Paulo, Editora SENAC, 391 pp.
    • 1995 - Brasil e Alemanha: A Construção do Futuro. Brasília, Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais / Fundação Alexandre de Gusmão, 697 pp.
    • 1994 - O “Milagre Alemão” e o Desenvolvimento do Brasil - As Relações da Alemanha com o Brasil e a América Latina (1949-1994). São Paulo, Editora Ensaio, 246 pp. Obra traduzida para o alemão: Das Deustche Wirtschaftswunder und die Brasilien Entwicklung, Frankfurt, Vervuert Verlag, 1995.
    • 1993 - Estado Nacional e Política Internacional na América Latina - O Continente nas Relações Argentina - Brasil. São Paulo, Editora Ensaio, 304 pp; 2ª. ed., 1995, 336 pp. 1995.
    • 1992 - A Reunificação da Alemanha - Do Ideal Socialista ao Socialismo Real - São Paulo, Editora Ensaio, 182 pp. 2ª. ed. revista, aumentada e atualizada, 2001, Editora Global/Editora da Universidade de Brasília, 256 pp.
    • 1989 – Brasil - Estados Unidos : A Rivalidade Emergente - 1955-1980 - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 328 pp; 2ª. ed., São Paulo, Editora SENAC, 1999, 224 pp.
    • 1987 - O Eixo Argentina-Brasil (O Processo de Integração da América Latina) – Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 118 pp.
    • 1985 - O Expansionismo Brasileiro (A Formação dos Estados na Bacia do Prata – Argentina, Uruguai e Paraguai - Da Colonização ao Império) - Rio de Janeiro, Editora Philobiblion, 291 pp. – 2ª . ed., 1995, Editora Ensaio /Editora da Universidade de Brasília, São Paulo, 246 pp. 3ª ed., 1998, Editora Revan/Editora da Universidade de Brasília, Rio de Janeiro, 254.pp.
    • _____ Trabalhismo e Socialismo no Brasil - A Internacional Socialista e a América Latina - São Paulo, Editora Global, 56 pp;
    • 1979 - Brizola e o Trabalhismo - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1ª e 2ª edições, 204 pp.
    • _____ A Renúncia de Jânio Quadros e a Crise Pré-64 - São Paulo, Editora Brasiliense, 180 pp.
    • 1975 - Cartéis e Desnacionalização (A Experiência Brasileira - 1964-1974) - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 207 pp.; 2ª ,1975; 3ª ed., 1979
    • 1977 O Governo João Goulart - As Lutas Sociais no Brasil (1961-1964) - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 186 pp.; 2ª ed. dezembro de 1977, 3ª, 4ª e 5ª ediçõe 1978; 6ª ed. 1983; 7ª ed. revista e aumentada, 320 pp. 2001.
    • 1973 - Presença dos Estados Unidos no Brasil (Dois Séculos de História) - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 470 pp. 2ª ed., 1979; 3ª ed. São Paulo, Editora SENAC 1998, 391 pp.
    • 1967 - O Ano Vermelho - A Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil - Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 418 pp.; 2ª ed., Editora Brasiliense, 1980.

    Portal CTB com Carta Capital e Portal Vermelho

  • Mulheres negras cantam e dançam pelas ruas de São Paulo para espantar o racismo e o machismo

    Ao som do bloco afro Ilú Obá De Min, a Marcha das Mulheres Negras inundou de alegria e reflexão as ruas de São Paulo, na noite desta terça-feira (25). A concentração aconteceu na Praça Roosevelt, às 17h e terminou no Largo do Paissandu com shows de Luana Hansen, MC Soffia.

    A marcha acontece todos os anos nessa data porque marca o Dia Internacional das Mulheres Negras, Latino-americanas e Caribenhas. De acordo com Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), o tema - Mulheres Negras e Indígenas por nós, por todas nós, pelo bem viver- foi escolhido “para mostrar a ncessidade de estarmos juntas para acabar com as violências que sofremos diariamente”.

    Por isso, diz, a CTB participa ativamente das lutas por igualdade de gênero e de raça. “Estamos firmes na resistência por nossos direitos que estão sendo arrancados pelas reformas trabalhista e previdenciária. Além dos sucessivos ataques misóginos (ódio às mulheres) que sofremos por defendermos direitos iguais”.

    Já Celina Arêas, secretária de Formação e Cultura da CTB nacional, lembra do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff no ano passado. “Tiraram a Dilma para acabar com as conquistas da classe trabalhadora e quem mais sofre são as mulheres, principalmente as negras que ganham menos e executam as tarefas mais árduas”.

    Além disso, reforça, “o congelamento de investimentos no serviço público e as dificuldades que criadas para a aplicação das políticas afirmativas, prejudica o acesso das mulheres negras a empregos mais qualificados e pode tirá-las das universidades”.

    marcha mulheres negras sp 2017 1

    Além das mulheres negras, havia um grupo de indígenas exigindo a demarcação de suas terras. Evellyn Iva Amba Rokaju, moradora da aldeia Guarani, em Parelheiros, na capital paulista, afirmou à repórter Cida de Oliveira, da Rede Brasil Atual precisar de suas "terras para morar, plantar, criar nossos filhos, para viver. Nossos alimentos e remédios estão na floresta. Por isso estamos aqui, para defender as demarcações, que correm risco com o atual governo".

    Asssista também a importante conferência da ativista norte-americana Angela Davis, na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, também na noite desta terça-feira. A conferência foi organizada pelo Odara Instituto da Mulher Negra 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. fotos: Laldert Castelo Branco

  • O Brasil perde uma de suas mais importantes guerreiras com a morte de Luiza Bairros

    A manhã desta terça-feira (12) entra para a história como o dia em que o Brasil perdeu uma “importante guerreira da causa da igualdade racial e de gênero”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A ex-ministra Luiza Bairros, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, entre 2011 e 2014, morreu hoje, aos 63 anos, vítima de câncer no pulmão, do qual se tratava há meses. O velório tem início ainda hoje, às 20h, e o sepultamento será na quinta feira (14), às I5 horas, na capela 9 do Cemitério João XXIII, em Porto Alegre.

    “Hoje é um dia de tristeza por uma irreparável perda. Mas, também de reverência a uma longa e brilhante trajetória de luta por toda a população negra, especialmente pelas mulheres negras brasileiras”, diz Ângela Guimarães, presidenta da União de Negros pela Igualdade (Unegro). 

    “Nosso compromisso é honrar o legado, a vida e seguir adiante com as bandeiras dessa grande brasileira que tanto nos ensinou a lutar com garra, brilho e competência. Que o Orun a receba, na certeza que junto com Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e outras estrelas guerreiras, continuará a nos inspirar a não retroceder nunca”, afirmou.

    Mônica reforça o importante legado deixado pela ex-ministra. “As políticas e ideias defendidas por ela na campanha pelo bem viver, com valorização da mulher negra enquanto protagonista de sua própria história, foi fundamental para elevarmos o patamar de nossa luta”, disse ela. "A trajetória dela reforça a nossa luta, principalmente pelo empoderamento das mulheres negras. Aquelas que trabalham como domésticas e muitas vezes não veem suas reivindicações colocadas pelas bandeiras feministas”.

    A presidenta afastada, Dilma Rousseff, emitiu uma nota sobre o falecimento de sua ex-ministra. “Luiza foi uma incansável militante da causa negra e da democracia brasileira. Sua obra permanece viva e continua sendo um símbolo da luta contra o preconceito e em favor das melhores causas da vida política nacional”.

    Trajetória

    Luiza Helena Bairros nasceu em Porto Alegre e se graduou em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Concluiu mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, morando em Salvador a partir de 1979. Seu doutorado ocorreu na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

    Importante militante do Movimento Negro Unificado, sempre esteve na linha de frente das principais lutas desenvolvidas contra o racismo e pelo fim da violência contra a mulher. Trabalhou na Organização das Nações Unidas em 2001 e em 2005.

    Foi secretária da Igualdade Racial da Bahia em governos do PT e ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de 2011 a 2014. Em sua gestão foi criada o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), importante órgão para a formulação de políticas públicas para a população negra no país.

    “O Brasil está de luto e o nosso coração chora a morte dessa guerreira brasileira, fundamental para o desenvolvimento de políticas de combate às desigualdades e ao preconceito. Mas a luta dela permanece em nós na criação de políticas públicas para a criação de um país mais justo e igual”, diz Mônica.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Universidades públicas dão grito de independência para debater o futuro da democracia no Brasil

    A tentativa do Ministério da Educação (MEC) de proibir uma disciplina sobre o golpe de 2016 e o futuro da democracia, na Universidade de Brasília (UnB), despertou ainda mais o interesse do meio acadêmico para o tema.

    “Lamento que uma instituição respeitada e importante como a Universidade de Brasília faça uso do espaço público para promoção de militância político-partidária ao criar a disciplina 'O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil'”, escreveu, em seu Twitter, Mendonça Filho, ministro da Educação.

    O empurrrãozinho do ministro ajudou. Antes mesmo do início das aulas - quando a procura deve aumentar - a disciplina criada pelo professor Luis Felipe Miguel, da UnB, já conta com uma grande lista de espera. A reação do meio acadêmico foi imediata também.

    A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criou disciplina com o mesmo objetivo, sendo seguida pelas universidades federais do Amazonas, da Bahia, do Ceará e  a Universidade Estadual da Paraíba.

    “Com um posicionamento firme, o meio acadêmico reage à essa tentativa de censurar o pensamento”, afirma Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Fátima dos Reis, coordenadora-geral do Sint-Ifesgo, dirigente da Fasubra Sindical e dirigente nacional da CTB, conta que a universidade é uma das poucas instituições que goza de autonomia constitucional. Por isso, “o MEC fere a Constituição quando tenta cercear essa autonomia”.

    Ela se refere ao artigo 207 da Constituição Federal que determina que “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.

    Isso acontece porque “não pode haver inteligência e pesquisa sem independência da universidade”, explica Carlos Zacarias de Sena Junior, professor da Universidade Federal da Bahia. Para ele, as declarações de Mendonça Filho repercutiram muito mal provocando “uma onda de indignação no meio acadêmico”.

    Já César Augusto Bubolz Queirós, professor da Universidade Federal do Amazonas, diz que “vivemos sob tempos sombrios com tentativas de cerceamento das atividades artísticas e acadêmicas virando rotina”. 

    Betros acentua a importância de a universidade estar conectada com a sociedade e com “os temas importantes para ampliarmos o entendimento sobre a nossa civilização”. Além do mais, sintetiza Reis, “a disciplina em questão é sobre um fato que faz parte da história do Brasil, portanto, deve fazer parte da grade curricular das universidades”.

    Para o professor Zacarias, a atitude do ministro da Educação “confirma a necessidade de discutirmos o futuro da democracia no Brasil”.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB. Foto: Lula Marques