18
Qui, Jan

Upes

  • A PEC 241 e a reforma do ensino médio destroem os sonhos de uma geração inteira

    Mais de 3 mil estudantes e docentes tomaram as ruas do centro da capital paranaense, Curitiba, neste domingo (9) contra a reforma do ensino médio (medida provisória 746/16) e as mudanças na legislação estadual propostas pelo governador Beto Richa (PSDB) (saiba mais aqui).

    “Os Trabalhadores e trabalhadoras da educação pública do estado saíram às ruas em apoio aos estudantes que já ocupam escolas contra essa reforma autoritária e elitistas do ensino médio”, dia Francisco Manoel de Assis França, o Professor Kico, da CTB-PR Educação.

    Camila Lanes convoca estudantes a ocuparem as escolas para defender a educação 

    A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes explica que a juventude se mobiliza em todo o país até “a MP 746 (reforma do ensino médio) ser retirada de pauta e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 241 engavetada definitivamente”.

    A União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) repudia também “as declarações do governador Beto Richa que desqualificam a luta dos estudantes e busca deslegitimar as ocupações, desconhecendo que as ocupações são uma reação à forma com a educação é tratada” pelo poder público.

    Manifestação dos secundaristas paranaenses no domingo em Curitiba  

    Lanes define os dois projetos do governo golpista como ataques aos direitos das filhas e filhos da classe trabalhadora. “Somos contra a MP 746 porque queremos participar das discussões sobre o nosso futuro e não queremos aprender somente a somar, subtrair e apertar botões. Queremos viver, amar e participar das decisões sobre o nosso país”.

    Por isso, diz ela, as mobilizações dos estudantes estão apenas no começo. “A tendência é crescer e passarmos de 150 escolas ocupadas em todo o país já neste fim de semana”. Até o momento já são 94 escolas ocupadas em alguns estados.

    A estudante Suany Scrassacata afirma ao G1 ser contra a retirada de sociologia, filosofia, artes e educação física do currículo escolar. “A gente está sofrendo um retrocesso. Tem escola pública fechada, por falta de estruturação. Nisso, ninguém trabalha, ninguém vê. Eles querem impor a escola sem partido, sem ao menos arrumar as nossas escolas. A estrutura das nossas escolas está caindo aos pedaços”.

    Já o professor Kico conta que os docentes, além de apoiarem essas bandeiras da juventude em defesa de uma educação pública inclusiva, estão contra o projeto do Executivo paranaense que corta verbas e salários dos servidores (leia mais aqui).

    Lanes conta ao Portal CTB que há escolas ocupadas no Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso. E crescendo porque a “PEC 241 é o principal mecanismo dos golpistas para acabar com os sonhos de uma geração inteira”.

    Tropa de choque ameaça jovens em São Paulo 

    Cercados pela tropa de choque da Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin, também do PSDB, os estudantes que ocupavam a Escola Estadual Caetano de Campos decidiram desocupar na noite do sábado (8).
    Mas “continuaremos firmes na mobilização para a resistência ao desmonte da educação pública”, afirma Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    E para piorar, os universitários paulistas prometem manifestação em São Paulo nesta terça-feira (11) porque o Ministério da Educação não está horando o compromisso com as universidades referente ao programa Financiamento Estudantil (Fies). A presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Flávia Oliveira, disse à jornalistas Laís Gouveia que a situação preocupa. “Desde que Temer assumiu, a transferência não é feita para as universidades, e tem muitas delas que sobrevivem com 97% da sua arrecadação através do Fies, ou seja, se não há o pagamento, muitas instituições de ensino superior fecharão as portas. Na PUC São Paulo, por exemplo, o governo deve R$ 8 milhões em repasses e a reitoria transfere esse problema para os estudantes bolsistas, alegando que, se não houver o pagamento, os beneficiários terão que pagar suas mensalidades por conta própria”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Aumento da tarifa no transporte público pesa no bolso de quem vive de salário

    As ruas da capital paulista foram tomadas, a partir das 17h, nesta quinta-feira (11) por cerca de 10 mil manifestantes - segundo os organizadores - contra o aumento da tarifa dos ônibus no município de São Paulo, dos trens urbanos e do metrô, que foram de R$ 3,80 para R$ 4, no domingo (7), um aumento de 5,26%.

    O reajuste foi anunciado de forma conjunta pelo prefeito, João Doria, e o governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. Na capital paulista, os maiores aumentos, acima da inflação, são justamente de quem mais usa ônibus ou que mora mais longe: no bilhete único mensal e na integração entre ônibus e metrô.

    Para Flávio Leite, secretário de Finanças da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção São Paulo (CTB-SP), qualquer aumento nos preços incide no bolso da classe trabalhadora. “Na crise que estamos vivendo aumentar o valor das tarifas do transporte público atinge em cheio o orçamento de qualquer família que depende do transporte coletivo para se locomover”.

    Muitas palavras de ordem são ditas contra Doria. “O passe livre não é esmola, o filho do prefeito vai de Uber pra escola”, em referência às restrições impostas pela atual administração paulistana sobre o passe livre estudantil.

    "Limitar o transporte gratuito para os estudantes é agir contra o direito de ir e vir dos filhos e filhas da classe trabalhadora”, diz Leite. Ele explica que os gastos com transporte pesam no orçamento doméstico e a gratuidade beneficia a educação, permitindo aos estudantes estarem mais presentes no centro da cidade, onde acontecem os principais eventos culturais”.

    Vídeo da Mídia Ninja mostra como foi o protesto 

    Já o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Pedro Gorki, acredita que “estar no ato hoje é sair em defesa do passe livre, mas é também sair em defesa do direito do estudante de chegar à sua escola e, portanto, é defender a educação para todos e para todas”.

    Outras palavras de ordem foram ditas durante a passeata que saiu da Praça Ramos de Azevedo e rumou para a Estação Brás de trem e metrô. Outro ato foi convocado para a quarta-feira (17), aos gritos de “pula sai do chão contra o aumento do busão” e o “meu dinheiro não é capim”.

    Representantes do Movimento Passe Livre (MPL) afirmam que não sairão das ruas até esse aumento ser revogado. "Com o desemprego atual e a informalidade, muitos não têm vale-transporte. Ou seja, as pessoas não conseguem sair de casa para ir atrás de emprego", afirma Fernando Bueno, porta-voz do MPL.

    Ele lembra que o salário mínimo aumentou pouco mais de 1%, enquanto a tarifa subiu mais de 5%, sendo que no ano passado teve majoração de 14,8%. De acordo com Bueno o aumento acumulado da integração é de 17,4%, mais que o dobro da inflação do período.

    “Precisamos debater a política de mobilidade urbana. O preço da passagem aumenta, mas a qualidade do transporte público não”, reforça Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes). A crítica à falta de qualidade nos transportes é recorrente entre os usuários.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy com informações de Natasha Ramos e Natália Pesciotta (Ubes) e Felipe Mascari (Rede Brasil Atual). Foto: Guilherme Imbassahy

  • CTB presta solidariedade a estudantes que ocupam Assembleia paulista contra o roubo da merenda

    Aos gritos de “estamos na rua, ô Geraldo a culpa é sua”, nesta quarta-feira (4), estudantes de diversas regiões da Grande São Paulo foram à Assembleia Legislativa (Alesp) levar apoio aos secundaristas que ocupam a Alesp desde ontem à tarde (leia aqui também).

    A manifestação começou às 14h em frente à Alesp com a participação de dezenas de jovens representando entidades do movimento estudantil e social. “Cadê a Justiça? A merenda tá na conta da Suíça”, gritavam porque a polícia militar bloqueou os acessos e impediu os manifestantes de entrar.

    Também gritavam a todo o momento “ocupar e resistir”. Palavras de ordem que vêm desde o ano passado nas cerca de 200 ocupações de escolas feitas contra a “reorganização escolar”.

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) levou toda sua solidariedade aos estudantes que defendem a  instauração da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Merenda (leia mais aqui).

    Paulo Nobre, secretário-geral da CTB-SP foi um dos representantes da central na doação de alimentos e materiais de higiene pessoal.

    O secretário de Políticas Sociais da CTB nacional, Carlos Rogério Nunes disse que “a CTB apoia integralmente este justo movimento da luta do povo pela valorização da educação pública".

    E reafirmou o compromisso da CTB com "a transparência e rigorosa investigação de toda e qualquer acusação de fraude, principalmente quando envolve alimentação de crianças e jovens”.

    rogerio ato alesp estudantes

    “Já não basta as acusações de corrupção nas verbas do Metrô e trens do estado, agora estão roubando a merenda das crianças e os deputados não querem investigar, causa indignação profunda em qualquer pessoa que almeje umfuturo com mais Justiça, solidariedade humana e igualdade de direitos”, disse Nobre.

    Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da central em São Paulo afirmou que “não querem investir em educação pública porque não querem que os filhos dos pobres estudem”.

    Emerson Santos, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, um dos ocupantes da Alesp, disse que o clima lá dentro estava tenso, mas um grupo de deputados os acompaha permanentemente para garantir-lhes a segurança. "Sempre paira a ameaça de a tropa de choque entrar e nso tirar daqui sem diálogo", falou.

    Leia mais

    Estudantes reivindicam merenda e Geraldo Alckmin manda a tropa de choque

    O advogado Victor Henrique Grampa, presidente da Comissão de Direito Educacional e Políticas Públicas de Educação da Organização dos Advogados do Brasil, de São Paulo, disse em vídeo que ainda não havia nenhuma ordem de reintegração de posse até aquele momento.

    “Mesmo que eles queiram reintegrar, eles têm que fazer isso dentro do Estado Democrático de Direito. E a gente ainda está no Estado Democrático de Direito e ninguém vai atropelar isso”, disse.

    Ele explicou que existem muitos adolescentes dentro da Alesp e, por isso, é preciso ouvir o Ministério Público e o Conselho Tutelar. “Não é de qualquer forma que se faz as coisas”, afirmou.

    O ator Pascoal da Conceição, o popular Professor Abobrinha do programa infantil “Castelo Rá-Tim-Bum”, solidarizou-se com os jovens e criticou a atitude do presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB).

    “Jovens trazendo a educação para a linha de frente e o governo paulista mandando a polícia, é abominável”. Para Pascoal, “estão usando a tática da superação, uma tática nazista para vencer pelo cansaço e pelo terror”.

    Dos 94 deputados, apenas 25 assinaram o pedido de CPI da Merenda. “faltam sete para o pedido poder ir adiante”, explica a deputada Leci Brandão (PCdoB). Carlos Giannazi, do PSOL teve uma conversa com Capez, que contou ter pedido a reintegração de posse.

    Veja a disposição dos estudantes:

     

    “A Alesp é um puxadinho do governo estadual”, disse. Enquanto Leci falava do dilema de ver que essas “crianças estavam aqui com fome e com sede, com tudo desligado e proibida a entrada de comida e água, tivemos que trazer alimento para eles. Essa luta é pela educação e deve ser motivo de orgulho para toda a sociedade”.

    Os jovens levaram barracas e ergueram acampamento também do lado de fora da Assembleia e garantem permanecer ali até a CPI ser instaurada. “Não arredaremos pé porque defendemos um direito de todos que é o de uma alimentação adequada e uma educação de qualidade”, afirmou Emerson.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy - Fotos: Érika Ceconi

  • Estudantes já ocupam mais de 25% das escolas estaduais do Paraná

    Estudantes secundaristas da rede pública estadual do Paraná cresce dia a dia. Nesta segunda-feira (17) os estudantes passaram a ocupar 550 (25,6%) das 2.144 escolas estaduais. Além disso ocupam estavam ocupadas nove universidades e dois Núcleos Regionais de Ensino até o fechamento desta matéria.

    A vida não parece nada fácil para o governador Beto Richa, do PSDB, já que os professores do estado iniciaram nesta segunda uma greve por tempo indeterminado. “A violência e a falta de diálogo do governador fortaleceram o movimento em defesa da educação no estado”, afirma Francisco França, o professor Kico, da CTB-PR Educação.

    O movimento Ocupa Paraná aglutina todos os estudantes do estado contra a reforma do ensino médio do desgoverno Temer (Medida Provisória 746) e combate a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241-16.

    Acompanha pelo site ocupaparana.org

    A União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) convida a comunidade a apoiar e participar do movimento em favor “de uma educação melhor para todos”, por isso, “convidamos aos pais e comunidade a ocuparem as escolas conosco, unidos somos mais fortes e lutaremos por um futuro melhor”, diz comunicado da entidade.

    Pelo Brasil

    De acordo com Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), os estudantes já ocupam mais de 700 escolas e o movimento deve se intensificar ainda mais “para defender nosso direito a uma escola pública de qualidade e inclusiva e contra os cortes de verbas para esse setor tão fundamental para o desenvolvimento de qualquer país”, diz.

    parados agora para nao nos pararem por 20 anos

    Estudante ocupa o Intituto Federal do Rio Grande do Norte

     “Além da PEC 241 e da MP 746 também combatemos o projeto Escola Sem Partido e queremos o fundo social do petróleo e os royalties do pré-sal de volta para a educação e para a saúde, queremos o Plano Nacional de Educação respeitado e uma educação com liberdade”, diz Lanes.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Estudantes ocupam Assembleia de São Paulo em defesa da CPI da Merenda

    Na tarde desta terça-feira (3), estudantes secundaristas de São Paulo ocuparam a Assembleia Legislativa do estado para forçar a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a máfia da merenda.

    O presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, Emerson Santos disse ao telefone que a tropa de choque do governador Geraldo Alckmin cercou o local e estava proibindo as pessoas de entrar.

    “Estamos aqui porque os deputados não querem investigar as inúmeras acusações de roubo da merenda em São Paulo”, diz. “Não tem arrego na defesa de uma educação pública de qualidade e não podemos aceitar tirar comida de crianças”.

    Assista o vídeo da ocupação da Alesp:

     

    Ele aproveita para pedir apoio para impedir a polícia militar de “promover um novo massacre no estado. No ano passado, foram os professores do Paraná, agora seremos nós?”, questiona.

    O presidente da Upes chegou a ser agredido por alguns funcionários da Alesp que tentavam impedir a ocupação. Mas a palavra de ordem que os estudantes mantêm desde o ano passado é ocupar e resistir.

    Apoie essa luta acesse aquie assine a petição CPI da Merenda Já.

    Eles precisam do apoio de todos e todas que puderem rumar para a Alesp, veja como chegar lá:

     

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy - Foto: Anderson Bahia / UJS

  • Estudantes ocupam Assembleia paulista à procura do ladrão da merenda

    “Estamos ocupando a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para tentar achar o ladrão da merenda”, diz Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    A líder dos estudantes secundaristas brasileiros, complementa dizendo que “nós já sabemos o nome, o sobrenome e o cargo político que ele ocupa”. Por isso, acentua, “ficaremos aqui até que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Merenda seja instaurada.

    Acompanhe a ocupação desde o início:

     

    O caso de superfaturamento e distribuição de propinas na merenda escolar das escolas públicas da rede estadual foi denunciado em janeiro do ano passado. A polícia civil e o Ministério Público paulistas criaram a Operação Alba Branca.

    Mas os deputados estaduais, de ampla maioria de apoio ao governador Geraldo Alckmin, se negam a instaurar a CPI da Merenda para investigar o caso, no qual o nome que mais aparece nas acusações é o do presidente da Alesp, Fernando Capez.

    Por celular, o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Emerson Santos, o Catatau, afirma que ontem haviam proibido a entrada de alimentos, cortado a água, a energia e o Wifi.

    Acompanhe discurso de Camila Lanes, presidenta da Ubes:

     

    “Alguns deputados negociam para podermos manter esta nossa luta democrática e justa”, defende. “Já está liberada a entrada de alimentos e água, mas ainda estamos sem energia e sem Wifi para nos comunicarmos melhor”.

    Emerson reforça o pedido de apoio à sociedade. “Precisamos da solidariedade de todos. Estamos exigindo o direito de saber quem roubou a merenda dos estudantes de São Paulo”, afirma. “Também precisamos de material de higiene pessoal e cobertores”.

    Ele realça também que faltam somente sete assinaturas de deputados para a instauração da CPI da Merenda. Então, pede para as pessoas irem à frente da Alesp e “se possível acampem e nos ajudem a lutar por uma educação pública de qualidade e com merenda”.

    Estudantes leem coletivamente Carta Aberta á população:

     

    Ontem à noite, os estudantes secundaristas receberam a solidariedade da União Nacional dos Estudantes (UNE), através da presidente da entidade, Carina Vitral. Ele atacou a afirmação do Kim Kataguiri de que as escolas públicas são repositórios de bandidos.

    “Os estudantes secundaristas não são criminosos, são de luta e construirão o novo estado de São Paulo e a nova educação pública no país”, afirma.

    Chico César prestigiou os ocupantes, assista:

     

    Saiba como ajudar pela página de apoio aos ocupantes no Facebook.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Estudantes ocupam quase 800 escolas e greve dos educadores estaduais cresce no Paraná

    O movimento de ocupação de escolas pelos estudantes começou no dia 3 de outubro e cresce diariamente no Paraná. “As ocupações começaram em São José dos Pinhais (na Grande Curitiba) contra a reforma do ensino médio (Medida Provisória 746) e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 241”, diz Matheus dos Santos, o Montanha, presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    O líder estudantil explica que a PEC congela os investimentos em educação e saúde por 20 anos e isso “afeta profundamente a vida da juventude, principalmente porque as nossas escolas já estão precárias, imagina sem mais investimentos”.

    Saiba mais pelo site do Movimento Ocupa Paraná aqui.

    “Os estudantes estão organizando os movimentos de forma espontânea, porque ninguém aguenta mais tanto descaso com a educação”, diz Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    A professora Rosa Pacheco, da coordenação-geral do núcleo da CTB-PR Educação em Cascavel (interior do estado), conta que 98% das escolas já estão ocupadas na cidade, que “deve chegar aos 100% por estes dias”. De acordo com ela, os educadores do estado apoiam integralmente os estudantes.

    Já a secundarista Arizla Nathally Fernandes de Oliveira, 16 anos, do Colégio Estadual André Andreatta, em Quatro Barras, também no interior do estado, afirma que a chamada Primavera Secundarista é a juventude mostrando a sua cara.

    “Essa Primavera estudantil que se aflorou no Paraná é uma das mais importantes histórias dos estudantes deste século. O movimento das ocupações ocorre porque estamos lutando pelo que queremos, defendendo nossos direitos. Não aceitamos imposições de governador ou de presidente. Mostramos que os estudantes têm força e não iremos nos calar”, diz a jovem.

    arizla oliveira matheus santos presidente upes pr e galera

    Arizla Oliveira segura o cartaz "Fora Beto Richa" com  Matheus dos Santos, presidente da Upes ao seu lado

    Os estudantes que até o momento ocupam 773 escolas estaduais, 12 universidades e 4 Núcleos Regionais de Ensino mostram-se dispostos a resistir aos projetos governamentais.

    O presidente da Upes garante que o movimento seguirá crescendo e que os estudantes estão juntos com os docentes “em defesa da educação pública, com melhores condições salariais e infraestrutura para estudarmos melhor”.

    No Paraná, afirma Lanes, os jovens vêm debatendo e se organizando há bastante tempo. “Depois do 29 de abril do ano passado, ficou mais patente a necessidade de resistir aos desmontes da educação pública e dos direitos da juventude no país”.

    Por isso, Oliveira acredita que “é importante ocupar porque o governo não irá nos levar a sério se só nos manifestarmos nas ruas, não irá nos ouvir se não fizermos um movimento grande, um movimento que está unindo muitos alunos, pais e professores”.

    Conselho Tutelar encontra escolas bem cuidadas

    Por determinação do governador Beto Richa, o Conselho Tutelar está realizando visitas às escolas ocupadas. Mas o responsável pela Comissão de Educação do conselho, Jader Geraldo Gonçalves Pinto afirma que encontrou “escolas organizadas, com cartazes para cuidar do patrimônio público e comida e colchões doados pela comunidade, apesar de sentirmos que eles não têm apoio de toda a escola. Os orientamos a manter no bolso a autorização por escrito dos pais”.

    Oliveira reclama também da PEC 241 e da MP 746. “Precisamos de uma reforma do ensino médio, mas não essa reforma que estão tentando enfiar goela abaixo da sociedade e sem ouvir ninguém”, diz.

    Por isso, “estamos juntos com os educadores nessa luta porque nós somos os mais prejudicados com essa PEC 241 e não adianta Beto Richa (governador do Paraná, do PSDB) vir dizer que somos massa de manobra porque nós temos senso crítico, temos opinião própria para lutar pelos nossos direitos e não iremos desanimar por nada”.

    Oliveira diz que é importante “defender a educação por que é o nosso futuro, o futuro dos meus irmãos, dos meus amigos e não podemos deixar de defender com unhas e dentes esse futuro tão incerto que temos nesse Brasil de hoje, enfatizando que estamos fazendo isso para a futura geração entrar em um era que tudo seja diferente, voltado realmente para a educação”.

    Greve dos profissionais da educação estadual

    app sindicato greve dados

    Segundo informações da APP-Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná, a paralisação iniciada na segunda-feira (17) já atinge 65% da categoria com tendência ao crescimento.

    Acompanhe a greve pelo site do sindicato aqui.

    A APP-Sindicato informa que o Paraná conta com 100 mil trabalhadores (as), sendo 70 mil professores (as) e 30 mil funcionários (as) (administrativos, limpeza e merenda escolar. Nesta quarta ocorre nova negociação e a categoria se mantém atenta.

    “A greve foi o recurso encontrado para o governo estadual nos ouvir e também para denunciarmos à sociedade os malefícios da PEC 241, que liquida com a educação e a saúde públicas e essa reforma que pretende privatizar o ensino médio”, afirma Rosa Pacheco.

    Leia mais

    Greve de educadores e educadoras no Paraná já começa com adesão recorde nesta segunda (17)

    Estudantes já ocupam mais de 25% das escolas estaduais do Paraná

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Estudantes reivindicam merenda e Geraldo Alckmin manda a tropa de choque

    Uma tropa de choque da polícia militar de São Paulo ocupou o Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza na manhã desta segunda-feira (2) para impedir que os estudantes continuem no local para defender seus direitos.

     A Justiça negou a reintegração de posse e exigiu explicações do secretário de Segurança, Alexandre de Moraes, do porquê a pm entrou na sede da Paula Souza sem a permissão da Justiça. O governo disse que foi para permitir a entrada de professores.

    A ocupação estudantil ocorre desde o dia 28 de abril para forçar o governador Geraldo Alckmin (PSDB) a incluir a merenda escolar para as escolas técnicas paulistas. "Que todos os estudantes tenham seus vales refeições garantidos”, dizem os estudantes em forma de jogral.

    “O maior problema é nossa educação não ser de qualidade e até o fim vamos lutar para que ela seja. Não tem arrego!", completam na assembleia. De acordo com eles, o governador se recusa ao diálogo e só age com repressão.

    “Os secundaristas das escolas técnicas de todo o estado reivindicam merenda porque estudam o dia todo e se tiverem que pagar almoço todos os dias a situação fica muito pesada para as famílias”, argumenta Emerson Santos, presidente recém-eleito da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    Ele explica também que ocorre grande mobilização para que os deputados estaduais criem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os desvios cometidos na merenda escolar da rede pública estadual.

    O novo presidente da Upes afirma ainda que a Escola Estadual Fernão Dias, na zona oeste da capital paulista, foi novamente ocupada porque “falta merenda, as salas estão superlotadas e a situação do ensino cada vez mais precária".

    Além das reivindicações dos estudantes das escolas técnicas, Emerson diz que os secundaristas paulistas se organizam para retomar o movimento de ocupações nas escolas como no ano passado, que contou com grande apoio da sociedade.

    “Planejamos lutar contra essa reorganização disfarçada empreendida pelo govenador porque está liquidando com as escolas e com os salários dos professores”, afirma. Também “continuaremos nas ruas e escolas exigindo que a Assembleia Legislativa instaure a CPI da Merenda Já”.

    Leia mais

    Quem vai prender os ladrões da merenda no estado de São Paulo?

    “É impossível que a sociedade aceite passivamente o roubo da merenda das crianças e dos jovens”, acentua o líder estudantil. “Quem não deve não teme, então por que se recusam a investigar, preferindo a repressão aos estudantes?”

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Hoje todos à assembleia da Apeoesp para descobrir onde está o dinheiro da merenda das crianças

    A União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes) promete mobilizar toda sua força para se unir às educadoras e educadores da rede pública estadual de São Paulo em assembleia na Praça Roosevelt, centro da capital, a partir das 14h.

    “A situação da educação na rede pública em nosso estado está degradante. Não tem merenda e ninguém sabe quando vai voltar a ter. As salas de aula estão superlotadas e os alunos e alunas são colocados em escolas distantes, além de faltar estrutura mínima necessária para um aprendizado com qualidade’, afirma Ângela Meyer, presidenta da Upes.

    Já Francisca Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp (sindicato das trabalhadoras e trabalhadores da educação pública estadual) contesta a proposta de reajuste de 2,5% feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

    apeoesp assembleia roosevelt 8 de abril

    “ O último reajuste que tivemos foi em julho de 2014. E nesses quase 2 anos, acumulamos uma perda de 16%, então fica difícil aceitar essa proposta indecorosa”, diz. O governador volta com sua política de bônus para “premiar” a “meritocracia”. Segundo Francisca, Alckmin promete gastar R$ 500 milhões em bônus.

    A Apeoesp rejeitou essa proposta porque 2,5% não repõe nem a inflação do período. A Secretaria Estadual de Educação diz ter feito uma consulta interna e a maioria preferiu aceitar o bônus.

    “Na nossa opinião, esse tipo de atitude, é um desrespeito ao sindicato, legítimo representante da categoria”, reforça Francisca. Ela explica que “o dinheiro que falta para o reajuste está no desvio de R$ 17 bilhões da educação e no caixa 2 do PSDB com o roubo da merenda”.

    Ângela concorda com ela e conta que os estudantes derrotaram a “reorganização escolar nas ruas e ocupando as escolas, com amplo apoio de toda a sociedade, aí começa o ano letivo e o governador fecha quase 2 mil salas de aula, despeitando até ordem judicial”.

    “A situação está precaríssima e por isso amanhã teremos reunião do Conselho Estadual de Representantes, seguido de assembleia da categoria para definirmos o calendário de luta para este ano”, conclui Francisca.

     Serviço:

    O que: Assembleia estadual da Apeoesp com paralisação
    Onde: Praça Roosevelt, centro, São Paulo
    Quando: Sexta-feira (8), às 14h

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Justiça manda tropa de choque desocupar o Centro Paula Souza. Assista!

    Estudante dá detalhes, aos Jornalistas Livres (assista vídeo abaixo), sobre a ação da tropa de choque da Polícia Militar de São Paulo na invasão que a PM fez ao Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza na manhã da segunda-feira (2) para tirar os secundaristas, que ocupam a sede do órgão responsável pelas escolas técnicas no estado, desde o dia 28 de abril.

    O juiz Luiz Manuel Pires, do Tribunal de Justiça estadual, determinou a saída da PM do local e deu 72 horas para o secretário de Segurança, Alexandre de Moraes, explicar o motivo de a polícia invadir o local sem autorização judicial. 

    Os alunos das escolas técnicas paulistas reivindicam vale-alimentação até os refeitórios prometidos pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) ficarem prontos. 

    O novo presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes) explica que o movimento estudantil se mobiliza também para pressionar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa do estado para investigar o dinheiro desviado da merenda escolar, que envolve inúmeros políticos e empresários.

    Leia mais

    Estudantes reivindicam merenda e Geraldo Alckmin manda a tropa de choque

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

    Assista  e veja a tropa deixando as dependências do Centro Paula Souza: 

  • Quem vai prender os ladrões da merenda no estado de São Paulo?

    Desde janeiro, quando veio à tona o esquema de superfaturamento referente à merenda escolar em São Paulo, deputados estaduais da oposição ao governo de Geraldo Alckmin (PSDB) vêm colhendo assinaturas, sem sucesso, para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo.

    A União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes) tem feito diversas manifestações nas ruas e na Assembleia Legislativa do estado para pressionar os deputados a criarem a CPI, porque “roubar alimento de criança é crime por demais desumano”, diz Ângela Meyer, presidenta da Upes.

    “É muito difícil com os deputados”, diz Ângela, já que o nome do presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB) é um dos que mais aparece na lista das delações investigadas pelo Ministério Público estadual e pela Polícia Civil.

    Além disso, argumenta a líder estudantil, “o governador (Alckmin) tem maioria ampla na Assembleia e com isso não passa nenhuma CPI que investigue qualquer coisa referente a maus feitos pelo governo do estado”.

    De acordo com a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), nove requerimentos sobre o assunto já estão protocolados e aguardam análise na Comissão de Educação e Cultura da Alesp, sempre falta quórum para encaminhamentos dos pedidos.

    Inúmeras prefeituras paulistas e o governo estadual são acusados de superfaturar contratos de compra de alimentos para a merenda escolar da rede pública de ensino. A Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar é apontada como a responsável pelo esquema de superfaturamento e desvio de dinheiro para pagamento de propina a políticos.

    O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil criaram a Operação Alba Branca para investigar o caso, que já conta sete empresários presos e de políticos e agentes públicos denunciados.

    Entre os envolvidos estão Capez, o ex-secretário de Educação, Herman Voorwald e o seu antigo chefe de gabinete da secretaria, Fernando Padula e o ex-chefe da Casa Civil do governador Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, o “Moita”.

    Ângela se revolta ao contar que as escolas paulistas iniciaram o ano letivo com falta de merenda. “Como os estudantes mais carentes podem estudar adequadamente comendo bolacha de água e sal e suco artificial?”

    Grêmios estudantis e democracia

    Ela também denuncia a “intromissão” do governo do estado nos grêmios estudantis. “A Secretaria de Educação vem determinando a criação de grêmios atrelados e controlados pelas direções das escolas, com objetivo de acabar com o movimento estudantil no estado, mas a nossa luta não vai cessar e barraremos essa invasão”.

    Ângela também reforça a necessidade de maior envolvimento da sociedade para obrigar os deputados estaduais a criarem a CPI da Merenda. Para tanto, foi criada, inclusive, uma petição pela instauração da CPI da Merenda Já, que você pode assinar aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações da Ubes

  • Sociedade se levanta contra a reforma do ensino médio e governo Temer recua mais uma vez

    Pegou muito mal a medida provisória 746, com proposta de reformulação do ensino médio. Com a reação popular, o governo golpista se viu forçado a recuar. Principalmente por causa do retrocesso da MP. E a intenção de enxugar o currículo e de tornar as matérias de artes, educação física, sociologia e filosofia como facultativas.

    O Ministério da Educação (MEC) disse que cometeu um erro e essas matérias continuarão sendo obrigatórias, mas quem acredita?. O ministro Mendonça Filho diz que no último ano é que os estudantes terão que escolher entre exatas e humanas.

    Mesmo com o recuo do MEC, a presidenta do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG), Valéria Morato, acredita que essa reforma atende aos interesses do grande capital, em detrimento da educação pública. "Volta a ideia do Estado Novo, para formar as pessoas para o mercado de trabalho sem pensar no entendimento de Nação”, diz.

    Para Morato, essa “é uma investida da Escola Sem Partido que quer impor uma linha única de pensamento." Ela também ataca a proposta de privilegiar o ensino de inglês e excluir o espanhol. “Não querem que dialoguemos com os povos da América Latina".

    Por que impedir de pensar?

    O vocalista do grupo Detonautas, Tico Santa Cruz, postou em sua página do Facebook um texto detonando a MP golpista. “Qual o objetivo por trás da retirada de artes, sociologia, filosofia do currículo das escolas no ensino médio?”, questiona.

    reforma ensino medio frota

    E responde que  o objetivo é simples. “Tirar o senso crítico e a capacidade dos alunos de pensar a sociedade, a própria educação, a política e a cidadania”. De acordo com Cruz, as “artes estimulam a imaginação, a sociologia ensina os jovens a pensar e a filosofia apresenta ao aluno e à aluna os mais diversos tipos do pensamento humano”.

    Já a cantora e compositora Leci Brandão, deputada estadual pelo PCdoB-SP, não tem dúvidas do caráter desse desgoverno. "Seria muita inocência da nossa parte esperar que um governo não eleito, fruto de um golpe na democracia, mantivesse uma postura democrática tendo a caneta nas mãos”.

    Para ela, “é um desrespeito, um absurdo, passar por cima de tudo o que foi construído até agora com a participação de alunos, profissionais da educação, entidades e movimentos sociais”.

    “Esse projeto traz riscos à educação porque fragmenta o ensino, apresenta a possibilidade de condicionar a educação apenas de forma técnica, a partir dos cursos profissionalizantes. Esse processo acarretaria numa formação massiva de mão-de-obra barata”, pontua Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    Fontes do meio esportivo afirmam que os atletas estão proibidos de falar sobre questões políticas e que envolvam os programas sociais para atletas.

    Mas a jornalista esportiva Lu Castro, especialista em futebol feminino, diz que se o ensino médio perder as aulas de educação física, “o desenvolvimento do esporte olímpico no país terá ainda mais dificuldades”. No caso do futebol feminino, por exemplo, “não será atrativo para as meninas e continuará não acontecendo”.

    Educação para robôs

    Tico Santa Cruz afirma que “não querem pensadores, querem reprodutores, robôs, que não questionarão nada. Conhecimento nunca é demais e o medo deles (golpistas) é que nós tenhamos conhecimento”.

    O artista mata a xarada. “Mas para quem pode pagar estas matérias estarão no currículo, ou seja, quem vai continuar pensando a sociedade”? Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação aprofunda um pouco mais a questão à repórter Laís Gouveia do Portal Vermelho.

    "A MP é totalmente dissonante das discussões atuais sobre o ensino médio. Discorda dos debates da Conferência Nacional de Educação e das melhores pesquisas sobre essa etapa feitas aqui e no mundo, que dizem basicamente que uma reforma do ensino médio feita sem envolver alunos e professores tem enormes chances de dar errado", reforça.

    Cara chama atenção para a questão do financiamento. Segundo ele, a proposta "liberaliza demais a distribuição de recursos para a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio Integral. A transferência de recursos financeiros prevista para esse fim será efetivada automaticamente pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), dispensada a celebração de convênio, acordo, contrato ou instrumento congênere, mediante depósitos em conta corrente específica. Segundo, o texto legaliza parcerias público-privadas".

    Assine aquiuma petição do site Avaaz contra a reforma autoritária e esdrúxula do ensino médio.

    Resistência

    Para o enfrentamento ao projeto do governo golpista, foi criado o Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio, composto por dez entidades ligadas à educação. O novo movimento defende que o ensino médio seja compreendido como educação básica.

    Portanto, “deve ser comum e de direito a todos e todas”. Assim, o ensino médio não pode ficar circunscrito “em migalhas que configuram uma ameaça à educação básica pública e de qualidade para os filhos e filhas da classe trabalhadora”, diz em seu texto de apresentação.

    Valéria Morato ressalta ainda uma preocupação sobre os impactos da MP nos profissionais da educação. "Sem a exigência do diploma, os professores dessas disciplinas vão ter no mínimo metade do mercado de trabalho cortado".

    Mesma preocupação de Xavier Filho, diretor Jurídico do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica. Ela argumenta que “aumentar a carga horária dos professores, muitas vezes forçados a trabalhar em até três escolas para complementar o salário, prejudicará os ganhos desses profissionais”.

    A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) divulgou nota repudiando a MP anti-educação pública. “Acima de tudo, nós, estudantes secundaristas brasileiros, queremos participar e opinar sobre essa nova escola e a reforma do ensino médio (...) Convocamos a todos os setores e movimentos da educação, cultura e esporte a se somarem na luta contra mais esse gesto autoritário de um governo ilegítimo que ameaça o futuro da nossa juventude com um ato agressivo contra a educação brasileira”.

    Leia mais

    Reforma do ensino médio e PEC 241 liquidam com a educação pública

    Ministro da Educação quer a volta das aulas de Educação Moral e Cívica nas escolas

    Ministro da Educação anuncia reforma-relâmpago sem participação dos professores

    Conquistas da educação correm riscos com projetos privatistas do governo golpista

    Projeto ‘escola sem partido’ repete dogmas do nazismo

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com colaboração de Mariana Arêas, de Belo Horizonte