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Ter, Fev

Venezuela

  • “Brasil se coloca aos pés dos EUA como um soldado a serviço do Tio Sam”

    A segunda edição do programa “No Jardim da Política” em 2019, na Rádio Brasil de Fato, na última quinta-feira (10), trouxe à tona um dos temas mais polêmicos deste início de ano: a política externa do governo Jair Bolsonaro (PSL). 

    Conduzida pelos jornalistas Nina Fideles e Leonardo Fernandes, a edição também contou com a participação da correspondente do Brasil de Fato na Venezuela, Fania Rodrigues, e com uma entrevista exclusiva da poeta, atriz e diretora de teatro Luiza Romão.

    Para refletir sobre a política externa, o programa recebeu o professor Igor Fuser, do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). Doutor em Ciência Política, ele ressaltou o alinhamento do Brasil aos interesses dos Estados Unidos e a fragilização dos processos de integração regional na América Latina.

    A ascensão da extrema direita no Brasil e no mundo também é um dos temas do programa. O pesquisador reflete ainda sobre o que se pode esperar para o cenário latino-americano no futuro próximo. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

    Brasil de Fato: Em que se baseia a política externa do governo Bolsonaro?

    Igor Fuser: É muito importante a gente saber identificar o que é conversa inconsequente, bobagens mesmo, quantidade de asneiras que são faladas por esse novo chanceler [Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores], o que é uma coisa realmente estarrecedora, constrangedora. Nos meios diplomáticos, a notícia que a gente tem é de que as pessoas estão envergonhadas, chocadas com o nível baixo do discurso do comando da diplomacia brasileira. Mas é necessário diferenciar essa enxurrada de asneiras daquilo que é substantivo na política externa.

    O traço principal dela é o alinhamento total, absoluto, incondicional do Brasil aos Estados Unidos. O Brasil entra numa posição subalterna que nunca existiu na história da sua diplomacia. Nem no regime militar, nem nas épocas do Fernando Henrique Cardoso [1995-2002] e do Collor [Fernando Collor, presidente entre 1990-1992] o Brasil foi tão submisso.

    A trajetória da política externa brasileira é marcada pela busca de algum tipo de autonomia. Uma autonomia mais ampla, mais completa, mais assertiva, como foi na época do Celso Amorim, no governo do Lula, ou uma autonomia mais acanhada, mais negociada, como foi na época do FHC. Agora, o Brasil se coloca aos pés dos EUA, como um soldado a serviço do Tio Sam, alinhado com o que tem de pior nos EUA, que é a diplomacia do Trump [Donald Trump, presidente estadunidense]. 

    Existem alguns limites. Por exemplo, o posicionamento do Bolsonaro em relação ao Mercosul é bastante alinhado com os interesses dos EUA. Por outro lado, temos um fluxo comercial muito grande com o Mercosul, e inviabilizaria economicamente o país se deixássemos de lado essa iniciativa, assim como outros pactos internacionais dos quais o país faz parte. Como você enxerga essas limitações dos pré-anúncios que têm sido feitos pelo governo de Jair Bolsonaro?

    Existem fatores internos que, como você aponta, colocam limites à implementação dessa política subalterna em relação aos EUA. Existem interesses comerciais. Por exemplo, a prioridade do governo dos EUA na atualidade é o enfrentamento com a China. O mundo hoje é marcado pela disputa geopolítica, e o esforço dos EUA é para diminuir a influência, a presença econômica da China na América Latina (AL).

    A pressão externa que o governo brasileiro sofre – isso já era bastante visível no governo Temer – era pra tentar afastar o Brasil da China. No entanto, ela é o principal parceiro comercial do Brasil, o principal comprador das nossas commodities de exportação. Especialmente a soja, secundariamente, o ferro e outros produtos. Então, qualquer limitação no comércio do Brasil com a China provocaria uma situação de verdadeiro colapso em setores estratégicos da economia brasileira. São limites muito complexos.

    Você falou do Mercosul. O Brasil não vai acabar com ele, porque a burguesia brasileira ganha com o Mercosul e as empresas transnacionais instaladas no Brasil e na Argentina se beneficiam também desse acordo. Então, o que vai se fazer é limitar o alcance do Mercosul, aprofundar essa tendência de abandono de qualquer projeto de integração regional. E o Brasil não está sozinho nisso. Há um governo na Argentina que vai pelo mesmo caminho.

    A mesma coisa [é] a questão do Oriente Médio. Sobre a conversa de transferir a embaixada do Brasil pra Jerusalém. Apenas dois países do mundo tomaram essa decisão, que são EUA e Guatemala. É uma posição que mostra uma ruptura com uma política histórica de neutralidade do Brasil em relação ao conflito israelense-palestino.

    Isso significa, se for levado à prática, o risco de perda de exportações [brasileiras] para países de maioria muçulmana. Trata-se de uma tentativa de agradar setores evangélicos que têm uma visão completamente maluca. Eles confundem os hebreus do Velho Testamento e certas passagens da Bíblia com a situação atual do conflito entre Israel e Palestina. Isso não é uma invenção de evangélicos brasileiros. É importado dos EUA, onde fundamentalistas evangélicos têm a mesma visão e pressionam nessa direção.

    Esse alinhamento que o senhor menciona, que também é ideológico, é mais uma das contradições do governo, inclusive do seu próprio slogan, que coloca “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. [Essa postura] tem impacto na soberania nacional – pré-sal, Amazônia, o cuidado com o clima, que também tem muito a ver com a Amazônia. É correto dizer que esses são os grandes interesses dos EUA com relação à nossa soberania e às riquezas nacionais? 

    Esses que se apresentam como patriotas são os mais entreguistas, são verdadeiros traidores da pátria, e isso tem que ser dito claramente. O “Brasil acima de tudo” não está tão acima assim; é abaixo dos EUA. É uma hipocrisia total.

    Nessa questão das riquezas nacionais, nós estamos presenciando crimes que nunca houve na história do Brasil, com essa dimensão. A entrega do pré-sal, por exemplo. O pré-sal é o maior tesouro da indústria do petróleo mundial dos últimos 60 anos. São reservas gigantescas de petróleo de alta qualidade.

    A Petrobrás desenvolveu tecnologias que permitem exploração do pré-sal a custo baixo, com alta eficiência, e esse petróleo está sendo entregue de bandeja pras empresas transnacionais. Um terço do pré-sal já foi entregue a preço vil pra empresas estrangeiras. e o resto está a caminho de ser entregue também.

    A tentativa dos governos Lula e Dilma de utilizar o pré-sal como fator de desenvolvimento pro Brasil foi abandonada completamente. Nós estamos vivendo o maior processo de desnacionalização da economia brasileira em toda a nossa história. Estamos regredindo à condição de colônia.

    Um dos principais argumentos pró-privatizações é o de que o Estado não teria competência para gerir os negócios de uma empresa do tamanho da Petrobrás. Conversamos com o economista Guilherme Melo sobre esse argumento, e ele disse que isso é tão contraditório que as empresas que mais compram ativos do Brasil no setor elétrico, por exemplo, são estatais de outros países – da Noruega, da China.

    A Petrobras é uma das melhores empresas de petróleo do mundo, uma das mais eficientes e mais capazes de inovação tecnológica. E ela está sendo sucateada, reduzida ao mínimo da exploração de petróleo. Eles só não estão colocando na agenda a privatização completa dela porque isso seria um escândalo. Eles percebem que seria demais, iria dar muita bandeira sobre o que é realmente a essência do atual governo. Há também alguma resistência de setores militares que estão no governo.

    A mesma coisa no setor elétrico. O Brasil tem uma matriz hidrelétrica que é referência no mundo inteiro. E o que eles vão fazer? Vão acabar com a Eletrobras, privatizar, entregar as hidrelétricas para o capital estrangeiro. É uma ofensiva em todas as frentes contra o patrimônio público brasileiro, contra os serviços públicos essenciais, de saúde, de educação, de Previdência. E eles querem fazer isso muito rápido.

    Na geopolítica, nós estamos vendo governos de extrema direita se consolidando. O Brasil é um grande ator na América, e isso pesa na balança, mas também há resistência. Teremos várias eleições em 2019, tivemos a posse do Maduro, na Venezuela. O que podemos esperar desse cenário?

    Analisando friamente a situação mundial, a gente encontra muito pouco motivo de alegria. Temos um mundo que está indo no sentido que não é o do aprofundamento da democracia, da justiça social, do avanço dos direitos humanos, mas o contrário. Esse avanço da direita se nutre do próprio fracasso do capitalismo em atender às expectativas das massas, das populações, dos povos no mundo inteiro.

    As pessoas estão muito frustradas, revoltadas, e essa raiva, politicamente, tende a ser canalizada pra algum lugar. A direita tem sabido canalizar melhor do que a esquerda essa raiva. A direita chega e aponta o inimigo. Na Europa, o inimigo é o imigrante, o estrangeiro, que é bode expiatório. Eles estão conseguindo vender [a ideia], na Europa inteira, de que eles estariam muito bem se não fossem os africanos, os latino-americanos, os asiáticos, e assim por diante.  

    Na América Latina, eles estão encontrando como inimigo a esquerda, vendendo uma ideia de forma deturpada e, com isso, favorecendo projetos demagogos, como esse que foi vitorioso nas urnas do Brasil. Em outros lugares do mundo, essa raiva vai para o fundamentalismo religioso, como no Oriente Médio. E, na própria América Latina, se a gente vai analisar o que é o crescimento dos evangélicos, [isso] tem muito a ver com a negação do mundo. 

    É uma capitalização também desse descontentamento. Você não vê perspectivas no mundo como ele é, e aí abraça a perspectiva de uma vida futura depois da morte, que é oferecida pela religião. Na América Latina, nós tivemos um período de avanço muito importante das lutas sociais, o estabelecimento de governo progressistas, em grande parte da América do Sul e, de parte da América Central, no Caribe também. Esses governos foram vitoriosos em vários aspectos. Implementaram políticas públicas que favorecem avanços na educação, na saúde, aumento do nível de salário, da capacidade de consumo, melhoria da alimentação, diminuição da pobreza. Enfim, uma série de avanços, mas eles não foram acompanhados por uma mudança – que seria necessária – no plano dos valores, das ideias.

    As ideias continuaram sendo as ideias burguesas, do capitalismo, e é muito difícil essa mudança ideológica. Não é algo que se faz simplesmente num estalar de dedos, com uma decisão estratégica. São fatores muito complexos que estão envolvidos.

    Então, a falta dessa mudança naquilo que [Antonio] Gramsci chama de “senso comum”, das mentalidades no plano da ideologia, favoreceu o contra-ataque das forças conservadoras, explorando as fraquezas desses governos. Agora, vem a contraofensiva – que é muito forte – da direita, e [ela] está obtendo resultado. [Eles] viraram o governo na Argentina, no Brasil, e estão tentando, de todas as formas, virar o governo na Venezuela. Este ano, teremos novas batalhas. Vão tentar virar o governo na Bolívia, e lá não vai ser simples.

    A Bolívia é o país da América do Sul com os maiores índices de crescimento nos últimos 15 anos. No governo do Evo Morales, o país conseguiu avanços sociais muito importantes. O salário mínimo, por exemplo, quadruplicou em dez anos de governo do Morales. O governo da Bolívia tem elementos muito favoráveis a oferecer pra enfrentar, nas urnas, democraticamente, a tentativa da direita – e, por trás da burguesia local, o imperialismo – e tentar reverter a situação lá. Isso vai ser no final do ano, em outubro.

    Ainda teremos eleições no Uruguai, também neste ano, e um referendo constitucional em Cuba. Serão formas de resistência progressista ao avanço da direita na América Latina?

    O governo cubano está dando passos importantes para reforçar sua legitimidade, aumentar a democracia, a possibilidade de participação popular, em um contexto muito difícil. Essa ofensiva da direita na América Latina reflete em Cuba.

    Havia expectativa de normalização da inserção internacional de Cuba, a partir do acordo do país com os EUA, no governo Barack Obama – algo que foi revertido com Trump, que aposta em uma política mais dura e agressiva. Cuba está se defendendo e reforçando a legitimidade da sua revolução, preservando seus avanços e espaços socialistas que foram criados.

    Cuba está resistindo há 60 anos e vai continuar resistindo.

    O assunto Venezuela é sempre complicado para o público, porque há um bombardeio diário da mídia tradicional sobre esse assunto. Por que a oposição questiona esse novo mandato do Nicolás Maduro?

    Primeiro, gostaria de parabenizar o trabalho do Brasil de Fato por cobrir a Venezuela estando no olho do furacão, oferecendo informação confiável e alternativa à cobertura deformada dos grandes meios de comunicação. Há uma campanha de desestabilização e intervenção externa na Venezuela, tanto da mídia internacional, quanto dos veículos brasileiros. 

    Trata-se de um governo legítimo. Maduro foi eleito em eleições competitivas, com a participação de mais de 40 partidos, com vários candidatos, inclusive com um candidato da oposição conservadora que teve uma votação expressiva. O Maduro ganhou essa eleição com 2/3 dos votos, é incontestável.

    Li na Folha de São Paulo que "Maduro foi eleito com suspeita de fraude". Onde está denúncia concreta de fraude? Que denúncia foi essa? As eleições foram verificadas por mecanismos transparentes. É um presidente legítimo. Aliás, mais legítimo que o Bolsonaro, que só venceu porque inviabilizaram a candidatura do Lula. Há uma sombra sobre a legitimidade da eleição do Bolsonaro, assim como a disseminação de mensagens falsas às vésperas da eleição, que também é uma sombra no governo brasileiro. Mas, para a mídia brasileira, o que não é legítimo é o governo da Venezuela.

    A Venezuela tem um governo democrático, com vigência da liberdade de expressão. A oposição diz o que quer sem ser reprimida. As emissoras de maior audiência na TV estão nas mãos da oposição, os partidos funcionam. No ano passado, líderes da oposição foram aos EUA para pedir a invasão da Venezuela pelos EUA. Elas fizeram isso, voltaram para a Venezuela, tranquilas. Em qualquer lugar do mundo, um político que peça uma invasão externa ao seu país é preso por traição à pátria. Como, não há liberdade?

    A Venezuela tem problemas graves, mas o ponto inicial é: quem vai resolver esses problemas são os venezuelanos, com os mecanismos democráticos garantidos pela sua Constituição. A Venezuela sofre sanções tão duras quanto as que foram aplicadas em Cuba. Essas sanções são responsáveis, em grande medida, pelas dificuldades que o país está atravessando atualmente. 

    É importante falar da disputa global também no contexto venezuelano. Rússia e China fazem uma espécie de resistência, com palavras do [Vladimir] Putin proibindo qualquer ação militar dos EUA. A Venezuela está inserida nessa disputa global?

    O governo da Venezuela está tentando enfrentar a crise, resistir a essa pressão fortíssima que vem de fora. Eles vão buscar aliados. Aquele que está enfrentando um inimigo muito mais forte e poderoso sabe que não vai se aguentar sozinho. A Venezuela encontrou aliados na China e na Rússia.

    A China tem tido um papel importante no apoio ao governo venezuelano, com linhas de financiamento para tentar recuperar setores da economia venezuelana, em especial o petróleo. São empréstimos com pagamento a longo prazo. A Rússia está equipando o exército da Venezuela, que está sendo ameaçada de invasão pelos EUA, e nós sabemos que eles intervém mesmo.

    Eles já praticaram dezenas dessas ações ao longo do século 20. Na América Central, todos os países passaram por isso. Houve financiamento de golpes no Chile, na Argentina e no Brasil, algo amplamente conhecido e comprovado por documentos. Para resistir aos EUA, a Venezuela está buscando esse apoio militar na Rússia, para que possam se defender. A Venezuela está se aproveitando da disputa geopolítica para encontrar um contrapeso nessa disputa global. 

    Ao longo das eleições no Brasil, ouvimos duas coisas bem curiosas sobre a Venezuela: que eles não vivem uma democracia, e também sobre a "URSAL", a União das Repúblicas Socialistas da América Latina. Como você enxerga o aparecimento da URSAL no meio da disputa?

    Evidentemente, não existe nada nesse sentido. Para começar, o único país socialista na América Latina é Cuba. Para nossa tristeza, o que temos visto é uma destruição da tentativa de integração regional. A gente pode aproveitar essa piada, algo delirante que foi aproveitado na campanha eleitoral, e refletir um pouco se não seria no fundo uma boa ideia.

    Os povos latino-americanos são parecidos, com línguas próximas, de fácil entendimento. São realidades sociais parecidas, todos filhos da colonização, com genocídio os povos indígenas, escravização dos povos africanos, ditaduras em períodos da nossa história, a desigualdade social absurda. Precisamos nos aproximar dos países vizinhos, criar pontes de entendimento com outros povos. Isso foi tentado e está na Constituição brasileira. Quando esses governantes atacam o Mercosul ou iniciativas de busca de aproximação com países da região, eles estão indo contra a Constituição que eles juraram.

    Precisamos refletir sobre isso. Por que não o socialismo? O capitalismo só causa dor, miséria e revolta no mundo inteiro. Precisamos de alternativas. No século 20, houve um esforço de construção de uma sociedade alternativa socialista que não deu certo. Não funcionou porque ocorreu em condições desfavoráveis, erros foram cometidos. As pressões para que essas experiências não dessem certo foi muito grande. Mas não é porque se tentou uma vez e não se conseguiu, que não se deva continuar sonhando – e mais que sonhando, almejando e buscando uma alternativa a esse sistema.

    O capitalismo, na maneira como está concebido, tende a piorar cada vez mais a situação da humanidade, dos trabalhadores e dos povos. Os avanços tecnológicos, que deveriam tornar nossa vida cada vez melhor, mais próspera, está sendo usado ao contrário, colocando robôs no processo do trabalho, deixando trabalhadores sem fonte de renda. A robotização deve desempregar centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro. Não tem como achar soluções dentro desse modelo e lógica. O capitalismo está falido como alternativa humana.

    Fonte: Brasil de Fato

  • “Chávez não está morto, vive em nossos corações”, diz venezuelana. Eleição de Constituinte é amanhã

    “Nosso comandante não está morto porque o nosso povo o tem vivo em nossos corações”, diz Blanca Josefina Fernández, que conta ter aprendido a ler e a escrever através da Missão Robinson, programa social do governo do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013), que erradicou o analfabetismo no país no ano de 2005.

    Manifestantes lotam as ruas de Caracas em defesa da Constituinte

    Em meio à tensão que tomou a Venezuela nos últimos tempos por causa da realização da Assembleia Constituinte, o país teve uma trégua nesta sexta-feira (28), para homenagear aquele que deu origem ao processo político denominado Revolução Bolivariana. Hugo Rafael Chávez Frias, ou simplesmente Chávez, completaria 63 anos nesta sexta-feira, não houvesse partido prematuramente, por consequência de um severo câncer, no dia 5 de março de 2013.

    Nesta sexta-feira, Blanca Josefina Fernández, assim como milhares de venezuelanos compareceram ao Cuartel de la Montaña, ou Quartel da Montanha, onde descansam os restos mortais do ex-presidente.

    O lugar tem história: localizado no popular bairro 23 de Enero e a escassos metros do Palácio de Miraflores, foi de lá que o então tenente-coronel Hugo Chávez organizou e liderou uma tentativa fracassada de golpe de Estado em 1992 contra o governo neoliberal de Carlos Andrés Pérez. Naquele momento, reconheceu a responsabilidade sobre o movimento insurgente e proferiu palavras que ficariam marcadas na memória do povo venezuelano: “Por agora, não foi possível cumprir a missão”.

    Contam os venezuelanos que aquele “por agora” teria sido a faísca de um movimento político democrático que transformaria para sempre a história do país, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo e, naquele momento, uma das mais altas brechas sociais do continente.

    Seis anos depois, o que parecia impossível se tornou realidade: Hugo Chávez, indultado pelo então presidente Rafael Caldera, era eleito presidente da República que, a partir de um processo constituinte, se transformaria na República Bolivariana da Venezuela.

    “Juro, perante Deus, a Pátria e meu povo que, sobre esta moribunda Constituição, farei cumprir e promoverei as transformações democráticas necessárias para que a República tenha uma Carta Magna adequada para os novos tempos”, disse Chávez em seu primeiro juramento como chefe do poder executivo.

    E assim o fez: transformou não só a Constituição da Venezuela, como a realidade do seu povo. Levou o país a ser considerado, em 2012, pelo índice Gini, do Banco Mundial, como o país menos desigual da América Latina.

    A equipe do Brasil de Fato em Caracas conversou com diversos venezuelanos a respeito do legado do ex-mandatário. Confira:

     


    Hoje, seu rosto está por todas as partes nos muros de Caracas, sobretudo nos numerosos bairros populares que tanto se beneficiaram das políticas socialistas inauguradas por ele.

    “Nosso comandante foi embora muito cedo, mas nos deixou Nicolás Maduro, que está dando continuidade ao que ele nos fez. Chávez vive sempre e a cada dia se multiplica”, disse Mercedes Olarte, membro do Comitê de Familiares e Amigos do 4 de Fevereiro, e que, por isso, conheceu de perto o ex-presidente.

    Às vésperas da votação da Assembleia Nacional Constituinte, Olarte diz sentir a energia de Chávez na resistência do povo venezuelano para manter de pé o projeto revolucionário inaugurado por ele: “O melhor presente que vamos dar a ele pelo seu aniversário será uma grande votação nesse domingo. Porque se nós perdemos a Venezuela, perderemos toda a América Latina”.

    De Caracas, Venezuela
    Leonardo Fernandes para o Brasil de Fato 

  • Bolsonaro avança contra Venezuela e Cuba

    Em vídeo ao vivo, via redes sociais, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta terça (18) que irá agir contra a Venezuela e Cuba.

    Sem apresentar provas, durante o vídeo, o presidente eleito voltou a fomentar fakenews ao afirmar que entre os integrantes do Programa Mais Médicos havia agentes cubanos.

    Crítico frequente dos dois países, discurso que piorou durante sua campanha eleitoral e fomentou ódio às duas nações irmãs, Bolsonaro afirmou "tudo o que pudermos fazer dentro da legalidade e da democracia contra esses países nós faremos".

    Durante o vídeo, ele reiterou o "desconvite" para a sua posse feito aos dirigentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel. 

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Bolsonaro e os seus sofríveis seis minutos

    A coluna Notas Internacionais da Socióloga e Cientista Política, Ana Prestes, desta quarta (23), destaca repercuções da presença do Brasil no Fórum Econômico Mundial e a conjuntura na Venezuela. Acompanhe: 

    Notas internacionais (por Ana Prestes) 23/01/19

    – Bolsonaro falou e o mundo ouviu. Era abertura do Fórum Econômico Mundial que ocorre há quase 40 anos em Davos. O chairman Klaus Schwab tentou arrancar mais algumas palavras com as perguntas pós-pronunciamento. Foi difícil. Foi sofrível. Teve propaganda turística sobre a Amazônia e o Pantanal, teve Deus e a família, “direitos humanos reais”, Ministros modelo (Moro, Guedes, Araújo), teve apenas 9% de território pra agricultura e 30% (dado errado, por sinal) para florestas, teve investimento em segurança, teve deseologização e “nada de esquerda voltar a governar na América Latina!”. Faltou terminar a participação com um “é o que tem pra hoje”. Foi o primeiro presidente do hemisfério sul, da América Latina e fora do G7 a abrir o evento.
     

    – O chanceler Ernesto Araújo avançou ainda mais na retórica anti-Maduro e se referiu ontem em mensagem via twitter ao presidente da Venezula como “ex-presidente”. Enquanto isso, o auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó tomou para si uma das funções do poder executivo e nomeou o embaixador “especial” da Venezuela na OEA. Alinhados, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o conselheiro de segurança da Casa Branca, John Bolton, se pronunciaram sobre o país no dia de ontem. Pence convocou o “bom povo” da Venezuela para ir às ruas nesse 23 de janeiro e Bolton voltou a afirmar que o governo Trump só reconhece a Assembleia Nacional venezuelana como a “única instituição democrática legítima da Venezuela”.

    – São esperadas grandes manifestações e confrontos nesse 23 de janeiro na Venezuela. O 23 de janeiro é uma data simbólica no país, pois nesta mesma data, em 1958, uma insurreição cívico-militar derrubou o ditador Marcos Pérez Jiménez. A derrubada foi precedida por uma grande greve geral e na noite do dia 22 a Marinha e a Guarda de Caracas se pronunciaram contra o presidente, fazendo com que esse fugisse para Santo Domingo na manhã do dia 23. Em 2019, tanto a oposição como o governo Maduro reivindicam a data como símbolo de suas aspirações.

    – A alta representante da UE para Relações Exteriores, Federiga Mogherini, informou que está sendo criado um grupo internacional para ajudar no diálogo entre Nicolás Maduro e a oposição na Venezuela. O grupo deve começar a trabalhar nas primeiras semanas de fevereiro. Chefes das missões dos estados-membros da UE em Caracas têm se reunido com membros do governo Maduro e da Assembleia Nacional (oposição). Cerca de um milhão de europeus vivem na Venezuela.

    – A Arábia Saudita anunciou que deixará de importar frango de cinco frigoríficos brasileiros. Até ontem, portanto, eram 30 os frigoríficos do Brasil que forneciam para o país, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O embargo teria sido por critérios técnicos, mas não foram divulgados quais. O tipo de carne de importação suspensa e a halal, que segue os princípios do Islã tanto no abate como no processamento. As empresas brasileiras tiveram que adaptar suas fábricas e funcionários para a preparação da carne a ser exportada. A Arábia Saudita é o país que mais importa carne de frango do Brasil, seguido da China, do Japão e da África do Sul.

    – Foi fechado nessa terça (22) um novo tratado de cooperação franco-alemão com a intenção de abrir caminho para a criação de um Exército europeu. O tratado aponta para uma convergência das políticas econômica, externa e de defesa, além de uma “assembleia parlamentar comum” a ser composta por 100 deputados entre franceses e alemães. Há ainda uma cláusula de defesa mútua, no caso de agressão a um dos países. O último tratado do gênero foi assinado em 1963 pelo então chefe do Estado francês, general Charles de Gaulle e o então chanceler alemão Konrad Adenauer.

    – Se está tudo bem entre França e Alemanha, não se pode dizer o mesmo sobre a relação entre França e Itália. Os líderes dos dois principais partidos da coalizão que governa a Itália, Movimento 5 Estrelas e Liga, Luigi di Maio e Matteo Salvini, têm atacado sistematicamente o presidente francês Emmanuel Macron na temática da migração. Eles acusam a França de provocar a chegada de migrantes na Europa pro conta de uma suposta política “neocolonialista” na África. Os ataques provocaram a convocação por parte de Macron da embaixadora italiana na França, Teresa Castaldo, para explicações. O embate maior se dá em torno da relação com a Líbia e a intenção dos italianos de fechar em absoluto suas fronteiras para migrantes africanos que chegam dos portos líbios. Há poucas semanas, Di Maio também manifestou apoio explícito aos jalecos amarelos que protestam contra Macron há mais de 10 semanas.

    – Seguindo seu plano contra o furto de combustíveis, o governo mexicano convocou em quatro dias 2000 motoristas para conduzirem os caminhões tanque que farão o abastecimento dos postos de distribuição de gasolina no país, substituindo a chegada do combustível pelos dutos que são perfurados para furto. Há poucos dias uma explosão matou quase 100 pessoas em dos pontos de assalto aos dutos. Os caminhões não estão imunes aos assaltos nas estradas, mas o governo está pagando pra ver.

    – A União Europeia mandou avisar: um Brexit duro (sem acordo) vai implicar no estabelecimento de uma fronteira física entre a Irlanda e a Irlanda do Norte.

    – O Itamaraty, que sempre primou pelo princípio da reciprocidade no caso da concessão de vistos de entrada no Brasil para cidadãos de outros países, pode vir a liberar unilateralmente os vistos para norte-americanos e canadenses. Os EUA, por seu lado, não demonstram nenhuma intenção de liberar vistos para brasileiros. Aliás, desde 2018 os brasileiros têm enfrentado maiores obstáculos para obter o visto para os EUA, com exigência de entrevistas presenciais a grupos de idade que eram dispensados, como menores de 16 anos e maiores de 65 (passou a ser maiores de 14 e menores de 79). Seria algo benevolente ao extremo por parte do chanceler Araújo, sem pedir nada em troca.

    – O tribunal constitucional do Congo declarou Felix Tshisekedi presidente do país, após eleições bastante conturbadas em 30 de dezembro de 2018. O candidato que ficou em segundo lugar no pleito, Martin Fayulu alega fraudes e não reconheceu a declaração. A União Africana também pediu suspensão do resultado por “sérias dúvidas” sobre o processo eleitoral.

    – Outro país conflagrado na África nos últimos dias é o Zimbabue. As forças de segurança do país estão reprimindo violentamente os sequentes protestos no país gerados pela alta dos combustíveis em até 150%. São os maiores protestos desde a queda de Mugabem em 2017.

    – Um mês e um dia é o período de duração da paralisação parcial do governo dos EUA por conta do impasse em torno da construção de um muro na fronteira com o México.

    *Ana Prestes é socióloga, doutora em Ciência Política, foi assessora sindical de políticas educacionais e chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Esporte e da Secretária de Educação no município de Contagem. Nascida em Moscou, durante o exílio de sua família, perseguida pela ditadura no Brasil, Ana Prestes também é neta do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, e sempre se dedicou às lutas em defesa da democracia, da cultura e da educação. Atualmente trabalha na assessoria de comissões da Câmara dos Deputados.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

  • Chavismo ganha em 17 dos 23 Estados nas eleições regionais da Venezuela

    O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) venceu em 17 dos 23 estados do país nas eleições para governadores realizadas no domingo (15), segundo os resultados oficiais anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

    Com 95,8% das urnas apuradas, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, disse que os resultados são "irreversíveis", explicando que nestas eleições houve uma participação de 61,14% do censo eleitoral.

    O PSUV conseguiu ganhar da oposição o estado de Miranda (centro-norte) governado pelo duas vezes pelo candidato à presidência do país Henrique Capriles, e os estados de Lara  e Amazonas.De acordo com o CNE, os candidatos da oposição venceram em cinco Estados.

    O presidente, Nicolás Maduro, comemorou a vitória chavista. "Ganhamos 75% dos governos do país (...) o chavismo está vivo, está triunfante e está nas ruas”, disse.

    "A oposição teve cinco vitórias, as reconhecemos como fizemos sempre, e há um governo em disputa", disse, ao se referir a Bolívar, cujo resultado ainda não foi divulgado devido à diferença apertada de votos entre os dois adversários.

    Com Opera Mundi 
    Foto: Agência Efe 

     

  • Comitê Brasileiro pela Paz condena suspensão da Venezuela do Mercosul

    Em nota divulgada neste domingo (6), o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela classificou como "arbitrária e ilegal" a suspensão do país vizinho do Mercosul. A medida foi anunciada no sábado (5) após reunião, em São Paulo, dos ministros das Relações Exteriores dos países fundadores do bloco: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

    Comitê pela Paz entrega manifesto de solidariedade à Venezuela contra o imperialismo

    As organizações integrantes do Comitê, entre elas a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), condenaram o que classificaram como uma tentativa de desestabilização da Venezuela.

    Confira abaixo a íntegra:

    Nota sobre a suspensão da Venezuela do Mercosul

    Mais uma vez, as organizações dos movimentos sociais , partidos políticos progressistas, lideranças e ativistas dos mais diversos setores reunidos no Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, são chamados a se manifestar sobre o cerco, a intentona golpista e a ameaça de intervenção estrangeira que pesam sobre o país irmão.

    Desta feita para rechaçar a decisão dos chanceleres de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, tomada em reunião neste sábado (5), de suspender a Venezuela do Mercosul.

    A decisão é arbitrária e ilegal. Fere não somente o Protocolo de Ushuaia invocado para a fundamentar, como também os princípios do direito internacional. A Venezuela, como já declarou reiteradamente sua Chancelaria e a prática o demonstra, aderiu sem restrições a todas as normas do bloco. Ao eleger a Assembleia Nacional Constituinte não feriu a cláusula democrática do Mercosul. Ao contrário, busca com a criação deste órgão de poder popular, fortalecer suas instituições democráticas, para, por meio do diálogo, promover a paz e a estabilidade política.

    Repudiamos a atitude do governo golpista do Brasil, patrocinador e organizador da reunião dos quatro chanceleres, num ato que desonra as tradições democráticas de nosso povo, a diplomacia do país e a Constituição Federal, que consagra como princípios de política externa o respeito à autodeterminação dos povos e a não intervenção nos assuntos internos de outro país.

    Conclamamos os movimentos sociais e as forças democráticas e progressistas do país a se manterem alertas e mobilizadas para se opor às graves tentativas de provocar a desestabilização da Venezuela, que acarretaria graves consequências para toda a região.

    São Paulo, 6 de agosto de 2017.

    Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela

  • Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela realiza ato político-cultural nesta sexta (1º) em São Paulo

    Em solidariedade ao povo venezuelano, o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela - composto partidos políticos, veículos da mídia alternativa e organizações sociais entre elas a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) - promove, no dia 1º de setembro, um ato político-cultural para somar esforços na defesa da democracia e da paz no país irmão. O evento é aberto e ocorre na sede do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, no centro da capital paulista (Rua Araújo, 216, próximo ao metrô República), a partir das 18h.

    Com muita música, comida e bebidas típicas da Venezuela, o encontro terá um ato político com as presenças de Vanessa Grazziotin (senadora pelo PCdoB-AM), Guilherme Boulos (Frente Povo Sem Medo), Ivan Valente (deputado federal pelo PSOL), Lindbergh Farias (senador pelo PT-RJ), João Pedro Stédile (coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST) e pelo escritor Fernando Morais.

    venezuela ato politico

    O evento tem como proposta reunir lideranças do movimento social, de partidos e todos os simpatizantes solidários ao povo venezuelano, para celebrar a cultura do país e manifestar apoio aos avanços por eles obtidos. Esses avanços devem se aprofundar com a Assembleia Nacional Constituinte, eleita por 8 milhões de votos no dia 30 de julho e já em pleno funcionamento.

    Prestar apoio e reafirmar valores como a integração e a defesa da autodeterminação do povo venezuelano é, na avaliação do Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, uma tarefa urgente frente às graves ameaças feitas, por exemplo, por Donald Trump. Em pronunciamento recente, o presidente estadunidense cogitou explicitamente a possibilidade de intervenção militar no país latino-americano.

    Manifestar solidariedade também é uma resposta do povo brasileiro às posições tomadas pelo governo Temer, que se alinham automaticamente aos ataques contra a Venezuela, e ao terrorismo midiático predominante no noticiário dos grandes grupos de comunicação, repleto de desinformação e extremamente enviesados e irresponsáveis em relação à complexa situação vivida pelo país vizinho.

    Todos são bem vindos ao ato político cultural pela paz na Venezuela. Convide seus amigos e manifeste sua solidariedade ao povo venezuelano no dia 1º de setembro!

    Confirme sua presença na página oficial do evento no facebook.

  • Comitê pela Paz entrega manifesto de solidariedade à Venezuela contra o imperialismo

    Integrantes do Comitê Brasileiro Pela Paz entregaram ao cônsul adjunto do Consulado da Venezuela em São Paulo, Roberto Torresalba, um manifesto em apoio à Assembleia Nacional Constituinte (ANC) e pela paz, na manhã desta sexta-feira (4).

    Composto por movimentos populares, partidos e meios de comunicação contra-hegemônicos, o Comitê foi criado na última segunda-feira (31) e defende a democracia e a não-violência. O manifesto foi entregue diretamente ao cônsul venezuelano, que, na ocasião, agradeceu o apoio brasileiro, reafirmando a importância da solidariedade internacional.

    “A solidariedade ao povo venezuelano neste momento de forte agressão do império norte-americano é fundamental para todos os povos da America Latina que sonham com nações autônomas e livres”, afirma Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    "Nos últimos meses, semanas e dias, uma parcela da direita tem praticado ações de violência. Tem mais de 100 mortos, entre queimados vivos e ações de caráter fascista, realmente assustadores. Frente a isso a gente convocou muitas organizações brasileiras e pessoas que apoiam a luta antifascista e antiviolência, para defender a paz na Venezuela, para legitimar o processo da constituinte e legitimar o processo defendido pelo governo eleito democraticamente", explica Paola Estrada, da articulação dos movimentos sociais da Alba no Brasil.

    Nunes ressalta a vitória da democracia na eleição da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, no domingo (30). “A vitória das forças populares marcou uma grande derrota ao imperialismo e dá um alento aos movimentos sociais e partidos políticos progressistas”, diz.

    “A CTB defende a unidade latino-americana para derrotar a ingerência imperialista em nações soberanas. Os brasileiros estão sentindo na pele essa intromissão do capital financeiro internacional, as forças estão na resistência e quanto mais solidariedade e unidade tivermos, com mais força poderemos derrotar o grande capital e defender os direitos da classe trabalhadora latino-americana”, acentua Nunes.

    Acesse a integra do manifesto aqui.

    Portal CTB e Brasil de Fato. Foto: Norma Odara

  • Contra golpe, venezuelanos marcham em defesa da Revolução

    Acontece agora, em Caracas, na Venezuela, grande marcha, liderada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do povo revolucionário com a finalidade de defender a soberania do país sul-americano, especialmente das intenções golpistas da oposição de derrubar o processo bolivariano.
     
    Desde as primeiras horas desta quarta (23), as forças populares se concentraram em três pontos desta capital para marchar desfilar até a Praça O'leary, onde se encontraram com as principais autoridades governamentais, de acordo com informação fornecida pela diretora da organização política.
     
    Com o desfile o Poder Popular respaldará a liderança do presidente da República, Nicolás Maduro, além de comemorar os 61 anos da queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez.
     

    Em coletiva à imprensa, a vice-presidenta executiva, Delcy Rodríguez, reiterou que a grande marcha ocupa as ruas "para defender a paz, a união nacional contra uma terrível campanha de racismo e de xenofobia contra o povo venezuelano".

    Presente desde cedo no ato, o primeiro vice-presidente do PSUV, Diosdado Cabelo, destacou que os revolucionários se somam aos diversos movimentos sociais para defender a nação. "A marcha tem como objetivo proteger a pátria e a Revolução bolivariana, daqueles que agridem constantemente os ideais de liberdade e igualdade, bem como a soberania da nação", ressaltou. 

     

    Portal CTB - Com informações das agências

  • CTB manifesta solidariedade à Venezuela após ataques contra prédios do governo

    Um inspetor do Corpo de Investigações Cientificas, Penais e Criminalísticas (Cicpc) da Venezuela, identificado como Óscar Pérez, usou um helicóptero roubado da corporação, para atacar as sedes da Suprema Corte e do Ministério do Interior, em Caracas, na última terça-feira (27).

    Entidades organizam Assembleia Internacional dos Movimentos e Organizações dos Povos

    Do helicóptero, pilotado por Pérez, foram lançadas granadas contra o Supremo Tribunal de Justiça  e tiros  disparados contra o Ministério do Interior. Mais tarde, Pérez divulgou um vídeo pedindo a renúncia do presidente Nicolás Maduro. 

    Na terça (27), o governo venezuelano divulgou um comunicado no qual alertou que a atitude é parte de um plano golpista da oposição. Desde abril deste ano, o governo de Maduro tem sido alvo de uma ofensiva por parte de setores da direita daquele país com apoio da mídia e de empresários que exigem a renúncia do presidente democraticamente eleito.

    Constituinte 

    Maduro convocou a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) com o objetivo de dialogar com a população e buscar saídas políticas para dar continuidade aos avanços da Revolução Bolivariana. “Nenhum destes ataques deterá a ativação do processo popular constituinte, nem impedirá o exercício do direito ao voto por parte do povo venezuelano, no próximo dia 30 de julho, para eleger os membros da Assembleia Nacional Constituinte”, diz nota divulgada pela presidência venezuela. 

    O secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Divanilton Pereira, alertou para a violência usada pelos opositores com a finalidade de criar um clima de instabilidade no país. “O consórcio imperialista e seus lacaios da Venezuela radicalizam e acendem novas centelhas com vistas a uma guerra civil”, frisou o sindicalista.

    Segundo ele, esta atitude demonstra uma apelação por parte da oposição que não aceita que o povo decida os rumos do país. “A elite venezuelana, como as demais da América Latina, têm receio da consulta popular”, expressou Pereira.

    “A resistência bolivariana continua, vencerá e conta com nosso apoio e solidariedade”, concluiu.

    Érika Ceconi - Portal CTB 
    Foto: Francisca  Casanova 

  • CTB Pará manifesta solidariedade ao povo e ao governo venezuelano

    A Venezuela vive uma conjuntura politica e social, interna e externa, muito adversa para os venezuelanos, há uma tentativa de golpe contra o mandato do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O golpe em curso é liderado pelo seu opositor, o deputado Juan Guaidó, que se intitula "presidente encarregado" do país, com as “benções” do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump e corroborado pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL).

    O presidente estadunidense, Donald Trump, ao reconhecer Guaidó como presidente, reforça sua agenda geopolítica belicista e antilatinoamericana contra o governo popular da Revolução Bolivariana, iniciada por Hugo Chávez e em curso com o presidente Nicolás Maduro, na construção de uma agenda de mudanças políticas, econômicas e sociais. O cenário venezuelano é de conflitos, e ameaça a soberania nacional de todos os países latino-americano.

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    Em solidariedade ao povo e ao governo venezuelano, a CTB/Pará em conjunto com outras organizações, entre estas o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), estiveram visitando, na manhã desta segunda-feira (28), o Consulado da Venezuela em Belém, para manifestar solidariedade e apoio ao presidente Nicolás Maduro e seu povo.

    Cleber Rezende, presidente da CTB/Pará, ressaltou ser de fundamental importância que as “lideranças sindicais, populares e os partidos políticos progressistas manifestem solidariedade à revolução bolivariana e denunciem o golpe em curso”. Rezende disse ainda, discordar do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em fomentar conflitos com o país vizinho, e que não cabe o governo brasileiro “ingerência na Venezuela". Rezende lembra, ainda, que a instabilidade não interessa ao povo e aos trabalhadores, servindo somente aos interesses dos poderosos venezuelanos e dos Estados Unidos.

    Segundo Rodrigo Moraes do CEBRAPAZ "O golpe em curso deferido por Juan Guaidó, com apoio direto dos Estados Unidos, ameaça seriamente a soberania do país". Moraes registra que "é o interesse no petróleo move todo esse suposto interesse estadunidense em defender uma democracia, que para nós, está sendo defendida plenamente a partir do momento em que o presidente Nicolás Maduro vence as eleições de 20 de maio de 2018".

    Ao término da visita as entidades presentes ajustaram com a senhora Glennys Hernandez, Cônsul General de Venezuela, de realizar uma atividade com um conjunto de lideranças políticas e sociais na próxima quarta-feira (30/01) às 17h no Consulado em Belém, sediado à Rua Ferreira Cantão, 331 – Praça Barão do Rio Branco (em frente a OAB/PA), em solidariedade e apoio ao governo Maduro e o povo venezuelano.

    CTB Pará

  • CTB participa da Assembleia Internacional dos Povos

    “Nossa participação está sendo construída a partir de intenso debate sobre a conjuntura internacional e regional, em especial, levando em conta o resultados das eleições de 2018 e os saldos do golpe de 2016”, informou o Rogério Nunes, da direção nacional da CTB, ao confirmar presença da Central no evento que ocorre entre os dias 22 e 28 de fevereiro de 2019, em Caracas e pretende reunir cerca de 1.500 delegados e delegadas de movimentos e organizações populares anti-imperialistas, anti-capitalistas, anti-patriarcais e anti-racistas, de todas as regiões do mundo.

    Nunes ainda salienta que “o encontro será uma importante oportunidade elaborar uma plataforma política e plano de ação comum do nosso campo político em nível
    internacional e, assim, pavimentar a resistência contra a ofensiva da extrema direita no mundo e no Brasil”.

    Ele informa que o serão 50 delegados e delegadas representando a América do Norte; 130 América Central; 290 América do Sul, sendo 50 brasileiros; 110 do Caribe. Além disso, Ásia será representada por 320 delegados e delegadas;  África Subsaariana 130; Oriente Médio 160; Europa 200.

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    Portal CTB

  • CTB participa de ato político-cultural pela paz na Venezuela

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participou, nesta sexta-feira (1º/9), no Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, do Ato Político-Cultural pela Paz na Venezuela que reuniu representantes dos mais diversos movimentos sociais, partidos políticos, mídia alternativa e solidários à Revolução Bolivariana que tem sido ameaçada pelos Estados Unidos e seus aliados numa tentativa de desestabilização do governo Nicolás Maduro.

    Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela realiza ato político-cultural nesta sexta (1º) em São Paulo

    Em nome da CTB, o secretário de Relações Internacionais, Nivaldo Santana, integrou a mesa, coordenada por Paola Strada (Alba) e Altamiro Borges (Barão de Itararé), composta pelas centrais sindicais: Intersindical e CUT; representantes dos movimentos sociais de juventude, negros, moradia e mulheres, pela Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos, João Pedro Stédile (MST) e o ex-chanceler Celso Amorim. Já os partidos políticos foram representados por Gilberto Maringoni (PSOL), Jamil Murad (PCdoB) e Luiz Greenhalgh (PT).

    nivaldo santana
    “Hugo Chávez entendeu que Estado deveria garantir o bem-estar da maioria empobrecida no país. Quando chega ao poder em 1999 convoca a Constituinte para dispor e executar esse princípio fundamental”, expressou o Cônsul-Geral adjunto da Venezuela no Brasil, Robert Torrealba, em seu depoimento durante a atividade que contou com a presença da cônsul de Cuba, Nelida Hernandéz. Torrealba agradeceu todo o apoio brasileiro com aquele país e destacou: “Somente a solidariedade pode garantir que a Venezuela permaneça como alternativa na América do Sul”, frisou.

    robert torrealba
    Em sua fala, Celso Amorim, classificou como inaceitável a declaração feita pelo presidente estadunidense Donald Trump em usar força militar contra a Venezuela. “O artigo 2, parágrafo 4 da Carta da ONU proíbe a ameaça de uso da força contra a independência dos Estados”, informou o diplomata.

    jamil murad constituicao

    Portando a Constituição da Venezuela promulgada em 1999, Jamil Murad, destacou "Chávez reorganizou a sociedade por vontade soberana do povo".


    Todas as falas foram no sentido de denunciar a tentativa de desestabilização perpetrada pela oposição, financiada pelos Estados Unidos e seus aliados, para interromper os avanços sociais e democráticos no país. A secretária de Imprensa e Comunicação da CTB, Raimunda Gomes, o dirigente Rogério Nunes e a assessora Márcia Vioto também prestigiaram o encontro.  

    No fim do ato-político foi exibido um filme sobre a Revolução Bolivariana, seguido pela atividade cultural com música, bebidas e comidas típicas daquele país. O evento foi organizado pelo Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela que divulgou um manifesto (leia aqui a íntegra) que já conta com a assinatura de mais de 40 entidades. Para fazer parte da iniciativa entre em contato pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

    Assista abaixo a íntegra do ato político:

     Portal CTB

  • CTB recebe cônsul-geral da Venezuela em São Paulo e fortalece relações

    “A unidade é fundamental para todo o continente neste momento”, declarou o cônsul-geral da Venezuela em São Paulo, Manuel Vadell, em visita à sede da CTB, na tarde desta sexta-feira (22).

    O encontro contou com a presença do vice-presidente da central, Nivaldo Santana e do secretário de Relações Internacionais, Divanilton Pereira, além de dirigentes cetebistas.

    Nivaldo apresentou a central para o cônsul e fez questão de destacar que “a CTB está de portas abertas para o consulado, temos interesse em fortalecer a relação consular com os trabalhadores”, informou.

    Vadell também demostrou interesse em se aproximar dos movimentos sociais. “Temos que criar espaços construção conjunta entre partidos políticos, centrais sindicais”, frisou. Neste sentido, ele sinalizou que, em conjunto com cônsules de outros países, pretende lançar um grupo consular da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) para dar mais visibilidade ao movimento.

    O cônsul expôs a situação vivida em seu país, que enfrenta uma crise agravada pela morte de Hugo Chávez, em 2013. Segundo ele a oposição apostou na derrota de Nicolás Maduro e como não ocorreu o governo vem sofrendo diversas tentativas de golpe, sabotagem e boicote financeiro internacional.

    “Estamos vivendo uma guerra. Há uma campanha da oposição contra o Estado Venezuelano”, disse ao fazer uma comparação com o Brasil onde a presidenta Dilma Rousseff também está diante de uma resistência da direita. Diante deste contexto na América Latina, Vadell reforçou a importância em continuar com ações de integração.

    No fim da apresentação, Divanilton formalizou para o cônsul o convite para que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, participe do “Ato Anti-imperialista”, que ocorrerá no aniversário dos 70 anos da Federação Sindical Mundial, no dia 3 de outubro.

    Portal CTB 

  • CTB saúda vitória da Revolução Bolivariana nas eleições municipais da Venezuela

    “A grande vitória do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) nas eleições municipais deste último fim de semana é mais um importante passo para deter a ofensiva da direita conservadora, consolidar o processo de transformações na Venezuela e abrir novas perspectivas para o povo venezuelano”, comemorou o secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadores do Brasil (CTB), Nivaldo Santana, ao comentar a vitória do chavismo nas urnas.

    As eleições municipais na Venezuela, realizadas no domingo (10), levaram mais de nove milhões às ruas do país, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O voto não é obrigatório.

    Os candidatos socialistas conquistaram as principais cidades e venceram em 300 dos 335 municípios. “Terminamos o ano de 2017 vitoriosos e assim devemos continuar”, afirmou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em discurso realizado na Praça Bolívar, onde estavam concentrados milhares de venezuelanos.


    Maduro destacou que com o resultado “a esperança popular triunfou”, disse, ao lado da prefeita Érika Farias, eleita com 66,17% dos votos. Ela será a primeira mulher a assumir o cargo no município Libertador de Caracas, o maior do Distrito Capital.

    Este é o terceiro triunfo da Revolução Bolivariana que em agosto deste ano elegeu uma nova Assembleia Constituinte, com votação histórica, e em outubro conquistou 75% dos governadores do país.

    Para Nivaldo Santana, este resultado refletirá em toda a região, atualmente atingida pelo avanço conservador. “Esta vitória tem a importância adicional de fortalecer o campo progressista na América Latina”, expressou o dirigente. 

    Portal CTB com informações da TeleSUR 

  • Cuba diz que EUA preparam intervenção militar na Venezuela sob pretexto de "ajuda humanitária"

    Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Cuba diz que EUA preparam intervenção militar na Venezuela sob pretexto de "ajuda humanitária"

    Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Dez mentiras sobre a Venezuela que pela repetição se tornam verdade

    A guerra híbrida que vive a Venezuela tem a desinformação e manipulação midiática como uma de suas principais armas de combate. Lemos e escutamos mentiras de analistas que nunca estiveram na Venezuela e as repetem tantas vezes que se convertem em realidade para a opinião pública. 

    Por Katu Arkonada*

    1 – A Venezuela tem dois presidentes

    Nada mais distante da realidade. A Constituição venezuelana estabelece em seu artigo 233 como “falta absoluta do presidente” sua morte, renúncia, destituição decretada pelo Tribunal Supremo de Justiça, ou a incapacidade física ou mental decretada por uma junta médica. Juan Guaidó não tem nenhum argumento constitucional para autoproclamar-se presidente, pois não há falta absoluta do presidente, que fez o juramento tal e como estabelece a Constituição em seu artículo 231: em 10 de janeiro e diante do Tribunal Supremo de Justiça. 

    2 – Guaidó tem apoio da comunidade internacional 

    Para além da hipocrisia de chamar “comunidade internacional” alguns países do Ocidente, em 10 de janeiro a posse de Nicolás Maduro contou com a representação diplomática de mais de 80 países, desde a Rússia à China, passando pelo Vaticano, a Liga Árabe e a União Africana. Esses países seguem mantendo relações diplomáticas com o governo de Maduro. Guaidó tem o reconhecimento dos mesmos países que em 10 de janeiro não reconheceram Maduro: Estados Unidos e o Grupo de Lima (exceto o México). Fora isso, só se somaram Georgia (devido à disputa territorial com a Rússia), Austrália e Israel. 

    3 – Guaidó é diferente da oposição violenta

    Guaidó é deputado pela Vontade Popular, partido político que não reconheceu as eleições presidenciais de 2013 e cujo líder, Leopoldo López, está condenado por ser o autor intelectual do episódio “La Salida” que impulsionou as guarimbas [manifestações violentas] de 2014, que tiveram um saldo de 43 mortos e centenas de feridos. 

    4 – A Assembleia Nacional é o único órgão legítimo 

    O artigo 348 da Constituição venezuelana autoriza o presidente a convocar uma Assembleia Constituinte, e o artigo 349 define que os poderes constituídos (Assembleia Nacional) não poderão, de forma alguma, impedir as decisões da Assembleia Constituinte. A decisão de convocar a Constituinte foi um ato de astúcia do chavismo para rifar o bloqueio da Assembleia Nacional e, gostem ou não, foi realizado com estrito apego à Constituição.

    5 – Maduro foi reeleito de maneira fraudulenta, em eleições sem oposição 

    As eleições de 20 de maio de 2018 foram convocadas pelo mesmo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) que permitiu a eleição de Guaidó como deputado. Houve três candidatos de oposição que juntos conquistaram 33% dos votos e foram seguidas as normas estabelecidas na mesa de diálogos realizada na República Dominicana entre o governo venezuelano e a oposição, com mediação do ex-presidente espanhol José Luís Rodríguez Zapatero. 

    6 – Na Venezuela não há democracia

    Desde 1998 foram realizadas cinco eleições presidenciais, quatro eleições parlamentares, seis eleições regionais, quatro eleições municipais, quatro referendos constitucionais, e uma consulta nacional [plebiscito]. Ou seja: 23 eleições em 20 anos. Todas com o mesmo sistema eleitoral, considerado um dos mais seguros do mundo pelo ex-presidente estadunidense Jimmy Carter. 

    7 – Na Venezuela há uma crise humanitária

    Não há dúvidas de que na Venezuela há agora uma crise econômica impulsionada por ordens executivas de Barack Obama e Donald Trump ao declarar o país como perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos, com sanções que têm impedido a compra de alimentos e medicamentos.

    Essa crise tem provocado uma migração econômica que alguns tentam maquiar como “asilo político”, fato desmentido pelos dados: entre janeiro e agosto de 2018 a Comissão Mexicana de Ajuda ao Refugiado recebeu 3.500 solicitações de asilo de venezuelanos e 6.523 solicitações de refúgio de cidadãos hondurenhos, por exemplo, quase o dobro. 

    8 – Na Venezuela os direitos humanos são violados 

    Analisemos as cifras das guarimbas de 2017: 131 pessoas mortas, 13 das quais por disparos das forças de segurança (fato que levou 40 oficiais a serem presos e processados); 9 membros das diferentes polícias e Guarda Nacional Bolivariana foram assassinados e cinco pessoas foram queimadas vivas ou linchadas pela oposição. As demais mortes se deram enquanto pessoas manipulavam explosivos de forma irregular ou tentavam saltar das barricadas da oposição. 

    9 – Na Venezuela não há liberdade de expressão 

    As imagens destes dias de Guaidó dando declarações rodeado de microfones de meios de comunicação nacionais e internacionais desmentem tal afirmação. 

    10 – A comunidade internacional está preocupada com o Estado da democracia na Venezuela

    A comunidade internacional representada pelos Estados Unidos e o Grupo de Lima não está preocupada com os presos torturados em Guantánamo; não se preocupa com os defensores dos direitos humanos assassinados diariamente na Colômbia, não há preocupações com as caravanas de imigrantes que fogem da doutrina do shock neoliberal em Honduras e tampouco se importa com as relações do filho de Jair Bolsonaro com as milícias que assassinaram Marielle Franco. 

    Não, ninguém do Grupo de Lima e seu aliado Estados Unidos julga grave as violações dos direitos humanos nestes países todos. O que se esconde por trás desta preocupação com a Venezuela não se chama democracia. Se chama petróleo, ouro e coltan. 

     *Katu Arkonada é cientista político, autor de livros relacionados à política latino-americana e membro da Rede de Intelectuais na Defesa da Humanidade. Este artigo foi publicado originalmente no jornal mexicano La Jornada.

    Fonte: La Vanguarda I Tradução: Mariana Serafini, publicado em português pelo portal Vermelho

  • Dirigente da CTB avalia eleição de Assembleia Nacional Constituinte na Venezuela

    O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela anunciou, nesta segunda-feira (31), que 8.089.320 pessoas participaram das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC), realizada no último domingo (30).

    “Chávez não está morto, vive em nossos corações”, diz venezuelana. Eleição de Constituinte é amanhã

    Este total corresponde a 41,53% do censo eleitoral, informou a presidenta do órgão, Tibisay Lucena que avaliou positivamente o processo. “O balanço é extremamente positivo, porque a paz venceu, a Venezuela venceu. Apesar da violência, apesar das ameaças, os venezuelanos puderam expressar-se”, declarou.

    Por sua vez, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro confirmou o compromisso do governo da Constituinte, composto por 537 membros, ser um espaço de diálogo.

    O líder bolivariano disse também que a tarefa principal da ANC é consolidar um sistema para reivindicar as vítimas da violência opositora e fazer justiça, como uma forma de erradicá-la.“Esta é uma Constituinte para por ordem, fazer justiça e defender a paz”, expressou.

    Na opinião do secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e secretário-geral adjunto da Federação Sindical Mundial (FSM), Divanilton Pereira, a eleição assumiu uma proporção que “extrapola as fronteiras daquele país”.

    O dirigente denunciou ainda a tentativa da oposição em desestabilizar a Venezuela. “Forças políticas oligárquicas locais em aberto conluio com a dos Estados Unidos operam para interromper a revolução bolivariana. Um movimento que objetiva estabelecer o neocolonialismo na América Latina e o Caribe”, alertou Pereira.

    Por isso, disse, a vitoriosa participação do povo nessa eleição, superando o boicote e a violência oposicionista, abre novas possibilidades para o projeto bolivariano e, ao mesmo tempo, reforça a nossa resistência contra os intentos imperialistas.

    Portal CTB com agências
    Foto: Handout/Reuters

  • Em defesa da soberania da Venezuela: ato em São Paulo reúne centenas de pessoas; venezuelanos assinam carta aberta ao povo dos EUA contra ingerência

    Pelo menos 300 militantes dos movimentos sociais marcaram presença no ato realizado nesta sexta-feira à tarde em defesa da soberania da Venezuela. A manifestação ocorreu diante do consulado do país, na rua general Fonseca Téles, 564, no bairro Jardim Paulista. Participaram dirigentes da CTB, CUT, Intersindical, Cebrapaz, entre outras organizações dos movimentos sociais, e de partidos políticos de esquerda (PCdoB, PT e Psol).

    “Foi um ato que reuniu lideranças políticas de diferentes organizações em defesa da soberania da Venezuela, contra a intervenção militar dos EUA e por uma solução pacífica para o conflito que abala o país”, resumiu o secretário de Relações Internacionais da CTB, Nivaldo Santana.

    Carta traduz desejo do povo

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresentou nesta quinta-feira (7) a carta que vai enviar à Casa Branca como forma de rejeitar a ingerência dos Estados Unidos contra a Venezuela. Na Praça Bolívar, em Caracas, o chefe de Estado também assinou o documento, subscrito por cerca de 10 milhões de venezuelanos.

    “Assino pela paz, pela soberania sagrada da Venezuela em apoio ao direito à independência, à autodeterminação do povo da Venezuela”, disse Maduro. “Esta carta foi escrita pensando nas crianças e no futuro do país, no sagrado direito que temos à paz, com a convicção de autonomia”, disse o presidente venezuelano, que ressaltou que a carta é especialmente dirigida ao povo dos Estados Unidos.

    Ele lembrou que a Venezuela está ameaçada pelos Estados Unidos e seu desejo de assumir o controle dos recursos do país. Denunciou que o governo dos Estados Unidos quer tratar nossas fronteiras com o mesmo ódio que teve contra o Vietnã, para invadir a Venezuela “em nome da liberdade”.

    Maduro enfatizou que o povo venezuelano resiste porque tem um alto nível de participação na tomada de decisões políticas. Ele alertou o povo estadunidense de que a invasão da Venezuela é um perigo e denunciou que o presidente Donald Trump tentou sabotar o diálogo entre o governo e a oposição, ideia promovida pelo México, Uruguai e Bolívia.

    “Sabemos que para o bem da Venezuela é preciso sentar e conversar”, disse Maduro. A carta aberta se refere também ao bloqueio financeiro imposto por Trump e que afeta a economia venezuelana. E frisou que uma agressão viola a Carta das Nações Unidas, que rejeita o uso da força nas relações entre os países.

    No final, o presidente Maduro pediu aos estadunidenses que acompanhem os venezuelanos na rejeição às ameaças e ações de interferência do governo dos EUA contra a Venezuela.

    Da Redação, com informações da Agência Venezuelana de Notícias

  • Forças Armadas venezuelanas rechaçam ameaças dos EUA e reafirmam defesa da Constituição e condenação ao golpe

    A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) defende o respeito à constitucionalidade, a paz e o desenvolvimento da Venezuela para enfrentar os intentos golpistas, disse nesta quarta-feira (6) o chefe do Comando Estratégico Operacional, Remigio Ceballos.

    “Diante das ameaças intervencionistas do governo dos Estados Unidos temos uma força armada que tem entre suas tarefas fundamentais a defesa militar, a cooperação na manutenção da ordem interna e a participação ativa no desenvolvimento nacional”, destacou o líder militar em entrevista à Telesul.

    A FANB está construída como uma força de paz, humanista e ao mesmo tempo preparada para fortalecer a capacidade defensiva da nação, sublinhou.

    “Na Venezuela a soberania é exercida através do texto constitucional e do voto e isto é o que estamos defendendo", disse a propósito da convocação feita pela elite opositora ao apoio dos militares ao estabelecimento de um governo paralelo no país.

    De acordo com Ceballos, a consciência patriótica e o espírito combativo são as armas mais poderosas de um civil ou militar e isso “ninguém vai romper porque ademais temos uma carga histórica de grande sentimento de defesa da pátria".

    “Através da Carta Magna vamos defender a pátria, suas instituições, porque fazemos um juramento de até perder a vida se for necessário e não abandonar jamais nossos superiores”, ressaltou.

    Nessa contexto, as forças armadas venezuelanas realizam desde o final de janeiro a preparação dos exercícios cívico-militares a propósito dos 200 anos do Congresso de Angostura.

    A preparação do cenário nacional para as manobras militares, que se desenvolverão de 10 a 15 de fevereiro, ratifica o compromisso das forças militares com a defesa da nação, esclareceu o presidente Nicolás Maduro.

    Estas ações se realizarão com a finalidade de garantir a preparação e a coesão da FANB, assim como fortalecer a capacidade defensiva do país.

    Fonte: Resistência, com Prensa Latina

  • Frente Brasil Popular convoca 3ª Conferência Nacional

    Em reunião nesta terça (29), o Coletivo Nacional da Frente Brasil Popular debateu conjuntura, avaliou os primeiros 29 dias do governo Jair Bolsonaro e aprovou convocação da 3ª Conferência Nacional, que ocorrerá nos dias 30 e 31 de março, na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, na Região Metropolitana de São Paulo, é um centro de educação e formação, idealizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

    "A atividade contou com a participação de cerca de 100 militantes de todo o país e ao longo de todo o dia debatemos os últimos acontecimentos, o crime ambiental em Brumadinho e os desafios do país com a gestão Jair Bolsonaro", informou o Rogério Nunes, da direção nacional da CTB.

    Ele também realizou informes sobre a participação da CTB Assembleia Internacional dos Povos. "A ofensiva imperialista e de extrema direita ataca por todos lados. O Brasil tem grandes desafios frente a agenda de Bolsonaro. Além disso, a Venezuela também enfrenta forte pressão. Nossa participação está sendo construída a partir de intenso debate sobre a conjuntura internacional e regional, em especial, levando em conta o resultados das eleições de 2018 e os saldos do golpe de 2016”, acrescentou Nunes.

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    Portal CTB

  • FSM apoia medidas de proteção da Venezuela em fronteira com Colômbia

    Desde o dia 19 de agosto o governo da Venezuela decretou estado de exceção em três municípios (Guajira, Mara e Almirante Padilla) que fazem fronteira com a Colômbia. O objetivo, segundo o presidente Nicolás Maduro, é o de “fortalecer a luta contra o paramilitarismo, a violência e o contrabando que reinava no lugar”, disse o mandatário.

    Até o momento em que foi aplicada, a medida causou revolta em todo o continente. O governo bolivariano denunciou uma campanha midiática internacional orquestrada da Colômbia para fomentar o ódio contra a Venezuela.

    Nesta quarta-feira (9), a Assembleia Nacional (AN) da Venezuela debaterá estas medidas tomadas para restabelecer os direitos sociais e econômicos da população que vive na fronteira e é afetada pela presença dos grupos paramilitares e máfias dedicadas ao contrabando de extração de gasolina, alimentos e produtos venezuelanos para a Colômbia.

    Diante deste cenário, a Federação Sindical Mundial (FSM) emitiu uma nota em solidariedade à Venezuela e demostrou seu apoio à decisão soberana daquele país.

    Leia abaixo a íntegra do comunicado:

    A Federação Sindical Mundial expressa sua plena solidariedade com o povo e governo da Venezuela e respalda sua decisão de tomar medidas de proteção na zona fronteiriça com a Colômbia.

    O governo da Venezuela tem o direito de garantir o legítimo exercício de soberania sobre seu território nacional, para proteger sua população contra as máfias que estimulam a violência, o paramilitarismo e o contrabando.

    Recordamos que as ações do governo bolivariano são uma resposta soberana às incursões de criminosos da Colômbia que fomentam o contrabando, a execução de crimes atrozes, sabotagens à infraestrutura e a economia venezuelana, especulação com divisas, narcotráfico entre outros.

    Esta atividade busca desestabilizar a Venezuela e promover os planos dos imperialistas na região. É hipócrita a atitude do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que supostamente lamenta o drama das pessoas deslocadas, enquanto sua política anti-trabalhista e reacionária condenou a população colombiana à miséria.

    A FSM reitera sua plena solidariedade com o povo da República Bolivariana da Venezuela contra os planos desestabilizadores e a intervenção dos imperialistas.

    Atenas, 9 de setembro de 2015
    Secretariado da FSM

  • FSM Cone Sul repudia tentativa de afastar a Venezuela do Mercosul

    Após ser impedida de participar da reunião com chanceleres do Uruguai e Paraguai e vice-chanceleres do Brasil e da Argentina, realizada em Montevidéu no dia 11 de julho, a ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou a posição do Brasil e Paraguai, que querem evitar que a presidência rotativa do Mercosul seja dada à Venezuela conforme as regras estabelecidas pelo bloco. 

    Em entrevista para a emissora local Televén, no último domingo (17), a ministra venezuelana afirmou que este “é o desrespeito imediato e absoluto das normas que regulam todos nossos órgãos". 

    O ministro interino das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, desde que assumiu o cargo, vem atacando a Venezuela. Em entrevista para o jornal O Globo ele afirmou: "Imaginar a Venezuela dirigindo o Mercosul às vezes dá arrepios em face dos desafios que o próprio Mercosul tem pela frente", declarou. Segundo ele, "A Venezuela tem questões mais profundas. Realmente, é um país em que não há democracia plena. Quando você tem presos políticos, você não tem um regime democrático funcionando a contento", disse. 

    Dias antes da reunião com os integrantes do bloco, Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reuniram-se com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, e o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, em Montevidéu, para tentar convencê-los a quebrar as regras do Mercosul e impedir que a Venezuela assuma a presidência Pro Tempore, mas o governo daquele país afirmou que “cumpre acordos e tratados internacionais”.  

    Em nota, a Federação Sindical Mundial (FSM) Cone Sul repudia veementemente a atitude dos ministros. “Denunciamos publicamente o objetivo destas ações que atentam contra o processo de integração regional de novo tipo, em curso há mais de uma década, violam os acordos expressos nos tratados constitutivos do Mercosul e ferem a soberania das nações”, diz o documento.

    O Mercosul adiará até agosto a transferência da presidência Pro Tempore, atualmente nas mãos do Uruguai.

    Leia abaixo a íntegra do comunicado da FSM Cone Sul:

    A Coordenação da Federação Sindical Mundial para o Cone Sul, representando o conjunto dos trabalhadores e das trabalhadoras filiados, expressa o seu total repúdio às ações dos Ministros das Relações Exteriores do Brasil e do Paraguai que, na última segunda-feira 11 de julho, durante a reunião de Ministros do Mercosul, impediram a presença dos seus homólogos da Venezuela e da Bolívia, bem como bloquearam o traspasso da Presidência Pro Tempore (PPT) do bloco à Venezuela.

    Denunciamos publicamente o objetivo destas ações que atentam contra o processo de integração regional de novo tipo, em curso há mais de uma década, violam os acordos expressos nos tratados constitutivos do Mercosul e ferem a soberania das nações.

    Por trás destas ações, lideradas por ministros que apoiaram golpes brandos nos seus países, se esconde a clara intenção de subordinar nossas economias aos interesses imperialistas e às velhas receitas neoliberais: a ressuscitada Alca no formato de Aliança do Pacífico.

    Rechaçamos publicamente as manobras do ministro golpista do Brasil que, conjuntamente com o chanceler paraguaio, legitima as expressões da direita em nossa região, viola o direito de exercer a presidência do bloco para o país que é membro do Mercosul desde 2012 e exerceu a presidência de julho de 2013 a julho de 2014.

    A Federação Sindical Mundial, presente nos 5 continentes e representando 96 milhões de trabalhadores de 126 países, demanda o respeito às nações irmãs da Venezuela e da Bolívia e o imediato cumprimento da normativa de rotação do PPT à Venezuela e o ingresso do Estado Plurinacional da Bolívia ao bloco.

    São Paulo, 21 de julho de 2016

    Divanilton Pereira
    Coordenação da FSM para o Cone Sul

  • Imperialismo: Venezuela está sob ameaça de ingerência externa e cerco militar

     O documento emitido pelo Grupo de Lima logo após as eleições democráticas realizadas na Venezuela – que deram uma vitória retumbante ao presidente Nicolás Maduro – em que os países signatários, entre eles o Brasil, declaram não reconhecer os resultados eleitorais e propõem uma série de medidas de ingerência, significam a intensificação da ameaça intervencionista sobre o país bolivariano.

    Por trás, manejando os cordéis, encontra-se o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Como ponta de lança, governos reacionários, golpistas, subservientes aos interesses do imperialismo, como os do Brasil, Argentina e Peru, entre outros.

    De per si perigosa, a ameaça de ingerência não se esgota, porém, no âmbito diplomático. Tem também um componente militar, o qual se desenvolve há mais tempo e diz respeito à segurança e à paz de toda a região latino-americana e caribenha.

    As forças que engendram intervenções e guerras exploram com despudor a presença de venezuelanos nas regiões fronteiriças com a Colômbia e o Brasil. Utilizam o problema migratório como “prova” da existência de uma crise humanitária no país bolivariano e como pretexto para criar incidentes que poderiam transformar-se em conflitos de grave natureza política e militar.

    A ameaça foi explícita em declarações do presidente dos Estados Unidos Donald Trump. E é latente, quando se considera o entorno geopolítico e ações no âmbito militar que envolvem governos subalternos aos Estados Unidos e a própria potência imperialista do norte.

    Em novembro do ano passado, realizaram-se manobras militares, com a participação dos Estados Unidos, em território amazônico, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Nenhum patriota brasileiro e latino-americano pode deixar de considerar o evento como uma grave ameaça à soberania nacional brasileira e de todos os países da região, uma ameaça à estabilidade, à segurança e à paz.

    Foi a primeira vez que o território da Amazônia brasileira se tornou cenário de semelhantes exercícios militares. “Um exercício inédito no âmbito da América do Sul. A primeira vez que vamos montar uma base logística internacional”, disse na altura o general Theofilo Gaspar de Oliveira, responsável do Comando Logístico do exército brasileiro, em Brasilia, e um dos organizadores dos exercícios apelidados de AmazonLog.

    A “Operação América Unida”, como se denominaram os exercícios militares, durou dez dias, com simulações comandadas a partir de uma base multinacional formada por tropas de Brasil, Colômbia, Peru e Estados Unidos. A base da atividade foi a cidade de Tabatinga (AM), que faz fronteira com Letícia (Colômbia) e Santa Rosa (Peru).

    Os porta-vozes das Forças Armadas brasileiras informaram que a base é temporária e abrigou ítens de logística como munição, aparato de disparos e transporte e equipamentos de comunicação, além das tropas. Afirmam ademais que também convidaram observadores militares de outros países, agências e organismos governamentais.

    A operação fez parte do denominado AmazonLog, exercício militar criado pelo exército brasileiro a partir de uma atividade realizada em 2015 na Hungria pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), braço armado do imperialismo norte-americano e seus aliados da União Europeia, da qual o Brasil participou como observador.

    O exército brasileiro negou que a atividade sirva como embrião para uma possível base multinacional na Amazônia.

    O exercício militar AmazonLog foi o primeiro na região, mas não foi o primeiro exercício conjunto entre as Forças Armadas brasileiras e os Estados Unidos em território brasileiro. Em 2016, as marinhas das duas nações fizeram uma atividade preparatória para as Olimpíadas no Rio de Janeiro, envolvendo treinamento com foco ‘antiterrorismo’.

    Em 2015, um porta-aviões estadunidense passou pela costa do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro para treinamento da Força Aérea Brasileña (FAB).

    O objetivo explícito dos exercícios AmazonLog era, segundo o exército brasileiro, o aumento da capacidade de pronta resposta multinacional, sobretudo nos campos da logística humanitária e apoio ao enfrentamento de ilícitos transnacionais.

    Estes exercícios militares ocorrem em um quadro de maior aproximação entre os militares brasileiros e estadunidenses. Em março de 2017, o major general Clarence K.K. Chin, comandante do Exército Sul dos Estados Unidos, responsável por realizar operações multinacionais com 31 países nas Américas do Sul e Central, foi condecorado em Brasília com a medalha da Ordem do Mérito Militar. Na ocasião, o comandante norte-americano visitou as instalações do Comando Militar da Amazônia, segundo repoprtagem da “BBC News”.

    Também em março, o exército dos EUA inaugurou um centro de tecnologia em São Paulo para desenvolver alianças com o Brasil em projetos de investigação com foco em inovação. Na mesma ocasião, o Ministério da Defesa do Brasil e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos firmaram o Convênio para Intercâmbio de Informação em Investigação e Desenvolvimento, o MIEA (Master Information Exchange Agreement, na sigla em inglês). Acordos de intercâmbio como este não necessitam de aprovação do Congresso Nacional.

    Em 3 de abril, o Ministério da Defesa anunciou em um evento na embaixada estadunidense que o Brasil e os Estados Unidos desenvolverão “um projeto de defesa” em conjunto.

    A embaixada dos Estados Unidos em Brasilia disse que o país “está satisfeito de ter sido convidado junto a outras nações regionais para participar” do exercício na Amazônia e que “busca expandir e aprofundar as parcerias de defesa com o Brasil” (“BBC News”).

    “Durante o último ano finalizamos uma série de compromissos relacionados com a Defesa (entre EUA e o Brasil)”, afirmaram porta-vozes da embaixada estadunidense. “Olhando para o futuro, outros acordos estão em discussão, incluindo suporte logístico, prova e avaliação em ciência e tecnologia e intercâmbios científicos.” (“BBC News”).

    O exército brasileiro também trabalha para organizar a ida de um batalhão de infantaria do Brasil para treinamento em uma brigada do exército estadunidense em Fort Polk, na Lusiana, no segundo semestre de 2020.

    Um dos objetivos da cooperação militar bilateral seria criar uma fiscalização maior na região e elaborar doutrinas para combater os crimes transfronteiriços que afetam a região na guerra de fronteira que hoje alimenta a guerra urbana existente nos grandes centros.

    Coincidem com esses exercícios as tratativas entre o governo dos Estados Unidos e o governo golpista de Michel Temer para ceder o centro de lançamento de foguetes e outros veículos espaciais situado em Alcântara, no estado do Maranhão. Isto representa uma gravíssima ameaça à soberania nacional brasileira e de todos os países vizinhos.

    As recentes manobras militares na Amazônia são tão graves como foram a recriação da Quarta Frota da Marinha de Guerra estadunidense em 2008 e os acordos para a instalação de bases militares na Colômbia em 2009.

    Com justa razão, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, declarou em 1º de dezembro do ano passado que o presidente Nicolás Maduro está preocupado com a iniciativa de realizar manobras militares em território amazônico. As declarações foram feitas durante a 13ª Reunião de Ministros de Relações Exteriores da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) que se realizou em Tena, Equador, onde também pediu aos países membros que se declarem em emergência. “O Tratado e a organização do Tratado de Cooperação Amazônica devem declarar-se em emergência. O governo do Equador pode dar um primeiro passo para avançar nesse sentido, devemos ser oportunos e pertinentes”, disse o chanceler Arreaza.

    O militarismo, o intervencionismo e o golpismo, constituem o caminho que o imperialismo estadunidense percorre para impor à força a sua hegemonia. Além dos aspectos econômico, cultural e diplomático, os Estados Unidos levam a cabo uma estratégia intervencionista e militarista para assegurar um domínio multifacético de amplo espectro que pode conduzir o mundo a graves conflitos e perigosas conflagrações.

    Para robustecer a política belicista do imperialismo, Donald Trump aumentou o orçamento militar a 603 bilhões de dólares em seu primeiro ano de mandato (2017). A crescente militarização do planeta, a expansão da Otan para o leste da Europa, com vistas à Rússia, o aumento do número de bases militares, a modernização das armas nucleares e a elaboração de uma estratégia militar centrada na Ásia para a China, são aspectos essenciais da ofensiva do imperialismo, para além das investidas no Atlântico Sul com a reativação da Quarta Frota Naval.

    Os Estados Unidos e seus aliados na região latino-americana e caribenha buscam restaurar seu domínio absoluto.

    A América Latina conheceu nas duas últimas décadas um ciclo progresista cujo ponto inicial foi a eleição de Hugo Chávez para a presidência da Venezuela em 1998. Desde então, em mais de uma dezena de países foram eleitos governos progressistas, que se somaram a Cuba na resistência e na luta por uma América Latina soberana e progressista.

    A onda progressista repercutiu em toda a região, alterando significativamente, durante a primeira década e início da segunda do século 21, a correlação de forças e contrapondo-se ao poder do imperialismo estadunidense que, isolado, sofreu derrotas.

    A luta contra o neoliberalismo e pela integração latino-americana avançou. Milhões de pessoas saíram da pobreza e se criaram valiosos instrumentos de integração regional: a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América-Tratado de Comércio dos Povos (Alba-TCP), a União de Nações Sul-americanas (Unasul), a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e o Acordo de Cooperação Energética Petrocaribe.

    Os governos democráticos, patrióticos e populares da América Latina, alguns deles revolucionários e com orientação socialista, basearam sua plataforma política na promoção dos direitos sociais, no reforço do Estado nacional, na nacionalização dos recursos energéticos e, em alguns casos, na realização de transformações estruturais.

    Agora, está em curso uma ofensiva para liquidar essas conquistas, estando a Venezuela no foco. As forças reacionárias locais e o imperialismo estadunidense exploram as dificuldades econômicas e sabotam a economia com fins políticos.

    No caso da Venezuela, realizam literalmente uma guerra de quarta geração, de que fazem parte a guerra econômica, o estímulo e organização de atos violentos, o isolamento diplomático, a campanha de descrédito pela mídia empresarial, as ameaças de ingerência externa e a preparação para a guerra propriamente dita.

    Em 2016, produziu-se o golpe de Estado no Brasil. O retrocesso já consumado no Brasil, Argentina e Chile marca um ponto de inflexão no ciclo progressista latino-americano.

    O objetivo principal do imperialismo estadunidense e seus aliados é solapar e reverter o processo de integração regional, esvaziar o eixo Sul-Sul, debilitar o Brics e realinhar subalternamente a região latino-americana aos Estados Unidos.

    No contexto da crise do capitalismo e da intensificação dos conflitos geopolíticos, acentua-se no mundo a ofensiva imperialista contra direitos, liberdades e soberania nacional. Mas por todas as partes desperta a luta democrática, nacional e libertadora dos povos. Multiplicam-se as forças que na região e no mundo buscam alternativas que assegurem a soberania das nações, a prosperidade e o desenvolvimento dos países, a integração assentada na cooperação mútua entre Estados e povos, a democracia, os direitos sociais e a paz.

    A luta por democracia, independência e paz na América Latina e Caribe pressupõe a firme oposição aos planos e ações militaristas promovidos pelos Estados Unidos e os regimes reacionários seus aliados.

    Fonte: Blog Resistência, por José Reinaldo Caravalho. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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