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Sáb, Abr

Venezuela

  • “Brasil se coloca aos pés dos EUA como um soldado a serviço do Tio Sam”

    A segunda edição do programa “No Jardim da Política” em 2019, na Rádio Brasil de Fato, na última quinta-feira (10), trouxe à tona um dos temas mais polêmicos deste início de ano: a política externa do governo Jair Bolsonaro (PSL). 

    Conduzida pelos jornalistas Nina Fideles e Leonardo Fernandes, a edição também contou com a participação da correspondente do Brasil de Fato na Venezuela, Fania Rodrigues, e com uma entrevista exclusiva da poeta, atriz e diretora de teatro Luiza Romão.

    Para refletir sobre a política externa, o programa recebeu o professor Igor Fuser, do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). Doutor em Ciência Política, ele ressaltou o alinhamento do Brasil aos interesses dos Estados Unidos e a fragilização dos processos de integração regional na América Latina.

    A ascensão da extrema direita no Brasil e no mundo também é um dos temas do programa. O pesquisador reflete ainda sobre o que se pode esperar para o cenário latino-americano no futuro próximo. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

    Brasil de Fato: Em que se baseia a política externa do governo Bolsonaro?

    Igor Fuser: É muito importante a gente saber identificar o que é conversa inconsequente, bobagens mesmo, quantidade de asneiras que são faladas por esse novo chanceler [Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores], o que é uma coisa realmente estarrecedora, constrangedora. Nos meios diplomáticos, a notícia que a gente tem é de que as pessoas estão envergonhadas, chocadas com o nível baixo do discurso do comando da diplomacia brasileira. Mas é necessário diferenciar essa enxurrada de asneiras daquilo que é substantivo na política externa.

    O traço principal dela é o alinhamento total, absoluto, incondicional do Brasil aos Estados Unidos. O Brasil entra numa posição subalterna que nunca existiu na história da sua diplomacia. Nem no regime militar, nem nas épocas do Fernando Henrique Cardoso [1995-2002] e do Collor [Fernando Collor, presidente entre 1990-1992] o Brasil foi tão submisso.

    A trajetória da política externa brasileira é marcada pela busca de algum tipo de autonomia. Uma autonomia mais ampla, mais completa, mais assertiva, como foi na época do Celso Amorim, no governo do Lula, ou uma autonomia mais acanhada, mais negociada, como foi na época do FHC. Agora, o Brasil se coloca aos pés dos EUA, como um soldado a serviço do Tio Sam, alinhado com o que tem de pior nos EUA, que é a diplomacia do Trump [Donald Trump, presidente estadunidense]. 

    Existem alguns limites. Por exemplo, o posicionamento do Bolsonaro em relação ao Mercosul é bastante alinhado com os interesses dos EUA. Por outro lado, temos um fluxo comercial muito grande com o Mercosul, e inviabilizaria economicamente o país se deixássemos de lado essa iniciativa, assim como outros pactos internacionais dos quais o país faz parte. Como você enxerga essas limitações dos pré-anúncios que têm sido feitos pelo governo de Jair Bolsonaro?

    Existem fatores internos que, como você aponta, colocam limites à implementação dessa política subalterna em relação aos EUA. Existem interesses comerciais. Por exemplo, a prioridade do governo dos EUA na atualidade é o enfrentamento com a China. O mundo hoje é marcado pela disputa geopolítica, e o esforço dos EUA é para diminuir a influência, a presença econômica da China na América Latina (AL).

    A pressão externa que o governo brasileiro sofre – isso já era bastante visível no governo Temer – era pra tentar afastar o Brasil da China. No entanto, ela é o principal parceiro comercial do Brasil, o principal comprador das nossas commodities de exportação. Especialmente a soja, secundariamente, o ferro e outros produtos. Então, qualquer limitação no comércio do Brasil com a China provocaria uma situação de verdadeiro colapso em setores estratégicos da economia brasileira. São limites muito complexos.

    Você falou do Mercosul. O Brasil não vai acabar com ele, porque a burguesia brasileira ganha com o Mercosul e as empresas transnacionais instaladas no Brasil e na Argentina se beneficiam também desse acordo. Então, o que vai se fazer é limitar o alcance do Mercosul, aprofundar essa tendência de abandono de qualquer projeto de integração regional. E o Brasil não está sozinho nisso. Há um governo na Argentina que vai pelo mesmo caminho.

    A mesma coisa [é] a questão do Oriente Médio. Sobre a conversa de transferir a embaixada do Brasil pra Jerusalém. Apenas dois países do mundo tomaram essa decisão, que são EUA e Guatemala. É uma posição que mostra uma ruptura com uma política histórica de neutralidade do Brasil em relação ao conflito israelense-palestino.

    Isso significa, se for levado à prática, o risco de perda de exportações [brasileiras] para países de maioria muçulmana. Trata-se de uma tentativa de agradar setores evangélicos que têm uma visão completamente maluca. Eles confundem os hebreus do Velho Testamento e certas passagens da Bíblia com a situação atual do conflito entre Israel e Palestina. Isso não é uma invenção de evangélicos brasileiros. É importado dos EUA, onde fundamentalistas evangélicos têm a mesma visão e pressionam nessa direção.

    Esse alinhamento que o senhor menciona, que também é ideológico, é mais uma das contradições do governo, inclusive do seu próprio slogan, que coloca “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. [Essa postura] tem impacto na soberania nacional – pré-sal, Amazônia, o cuidado com o clima, que também tem muito a ver com a Amazônia. É correto dizer que esses são os grandes interesses dos EUA com relação à nossa soberania e às riquezas nacionais? 

    Esses que se apresentam como patriotas são os mais entreguistas, são verdadeiros traidores da pátria, e isso tem que ser dito claramente. O “Brasil acima de tudo” não está tão acima assim; é abaixo dos EUA. É uma hipocrisia total.

    Nessa questão das riquezas nacionais, nós estamos presenciando crimes que nunca houve na história do Brasil, com essa dimensão. A entrega do pré-sal, por exemplo. O pré-sal é o maior tesouro da indústria do petróleo mundial dos últimos 60 anos. São reservas gigantescas de petróleo de alta qualidade.

    A Petrobrás desenvolveu tecnologias que permitem exploração do pré-sal a custo baixo, com alta eficiência, e esse petróleo está sendo entregue de bandeja pras empresas transnacionais. Um terço do pré-sal já foi entregue a preço vil pra empresas estrangeiras. e o resto está a caminho de ser entregue também.

    A tentativa dos governos Lula e Dilma de utilizar o pré-sal como fator de desenvolvimento pro Brasil foi abandonada completamente. Nós estamos vivendo o maior processo de desnacionalização da economia brasileira em toda a nossa história. Estamos regredindo à condição de colônia.

    Um dos principais argumentos pró-privatizações é o de que o Estado não teria competência para gerir os negócios de uma empresa do tamanho da Petrobrás. Conversamos com o economista Guilherme Melo sobre esse argumento, e ele disse que isso é tão contraditório que as empresas que mais compram ativos do Brasil no setor elétrico, por exemplo, são estatais de outros países – da Noruega, da China.

    A Petrobras é uma das melhores empresas de petróleo do mundo, uma das mais eficientes e mais capazes de inovação tecnológica. E ela está sendo sucateada, reduzida ao mínimo da exploração de petróleo. Eles só não estão colocando na agenda a privatização completa dela porque isso seria um escândalo. Eles percebem que seria demais, iria dar muita bandeira sobre o que é realmente a essência do atual governo. Há também alguma resistência de setores militares que estão no governo.

    A mesma coisa no setor elétrico. O Brasil tem uma matriz hidrelétrica que é referência no mundo inteiro. E o que eles vão fazer? Vão acabar com a Eletrobras, privatizar, entregar as hidrelétricas para o capital estrangeiro. É uma ofensiva em todas as frentes contra o patrimônio público brasileiro, contra os serviços públicos essenciais, de saúde, de educação, de Previdência. E eles querem fazer isso muito rápido.

    Na geopolítica, nós estamos vendo governos de extrema direita se consolidando. O Brasil é um grande ator na América, e isso pesa na balança, mas também há resistência. Teremos várias eleições em 2019, tivemos a posse do Maduro, na Venezuela. O que podemos esperar desse cenário?

    Analisando friamente a situação mundial, a gente encontra muito pouco motivo de alegria. Temos um mundo que está indo no sentido que não é o do aprofundamento da democracia, da justiça social, do avanço dos direitos humanos, mas o contrário. Esse avanço da direita se nutre do próprio fracasso do capitalismo em atender às expectativas das massas, das populações, dos povos no mundo inteiro.

    As pessoas estão muito frustradas, revoltadas, e essa raiva, politicamente, tende a ser canalizada pra algum lugar. A direita tem sabido canalizar melhor do que a esquerda essa raiva. A direita chega e aponta o inimigo. Na Europa, o inimigo é o imigrante, o estrangeiro, que é bode expiatório. Eles estão conseguindo vender [a ideia], na Europa inteira, de que eles estariam muito bem se não fossem os africanos, os latino-americanos, os asiáticos, e assim por diante.  

    Na América Latina, eles estão encontrando como inimigo a esquerda, vendendo uma ideia de forma deturpada e, com isso, favorecendo projetos demagogos, como esse que foi vitorioso nas urnas do Brasil. Em outros lugares do mundo, essa raiva vai para o fundamentalismo religioso, como no Oriente Médio. E, na própria América Latina, se a gente vai analisar o que é o crescimento dos evangélicos, [isso] tem muito a ver com a negação do mundo. 

    É uma capitalização também desse descontentamento. Você não vê perspectivas no mundo como ele é, e aí abraça a perspectiva de uma vida futura depois da morte, que é oferecida pela religião. Na América Latina, nós tivemos um período de avanço muito importante das lutas sociais, o estabelecimento de governo progressistas, em grande parte da América do Sul e, de parte da América Central, no Caribe também. Esses governos foram vitoriosos em vários aspectos. Implementaram políticas públicas que favorecem avanços na educação, na saúde, aumento do nível de salário, da capacidade de consumo, melhoria da alimentação, diminuição da pobreza. Enfim, uma série de avanços, mas eles não foram acompanhados por uma mudança – que seria necessária – no plano dos valores, das ideias.

    As ideias continuaram sendo as ideias burguesas, do capitalismo, e é muito difícil essa mudança ideológica. Não é algo que se faz simplesmente num estalar de dedos, com uma decisão estratégica. São fatores muito complexos que estão envolvidos.

    Então, a falta dessa mudança naquilo que [Antonio] Gramsci chama de “senso comum”, das mentalidades no plano da ideologia, favoreceu o contra-ataque das forças conservadoras, explorando as fraquezas desses governos. Agora, vem a contraofensiva – que é muito forte – da direita, e [ela] está obtendo resultado. [Eles] viraram o governo na Argentina, no Brasil, e estão tentando, de todas as formas, virar o governo na Venezuela. Este ano, teremos novas batalhas. Vão tentar virar o governo na Bolívia, e lá não vai ser simples.

    A Bolívia é o país da América do Sul com os maiores índices de crescimento nos últimos 15 anos. No governo do Evo Morales, o país conseguiu avanços sociais muito importantes. O salário mínimo, por exemplo, quadruplicou em dez anos de governo do Morales. O governo da Bolívia tem elementos muito favoráveis a oferecer pra enfrentar, nas urnas, democraticamente, a tentativa da direita – e, por trás da burguesia local, o imperialismo – e tentar reverter a situação lá. Isso vai ser no final do ano, em outubro.

    Ainda teremos eleições no Uruguai, também neste ano, e um referendo constitucional em Cuba. Serão formas de resistência progressista ao avanço da direita na América Latina?

    O governo cubano está dando passos importantes para reforçar sua legitimidade, aumentar a democracia, a possibilidade de participação popular, em um contexto muito difícil. Essa ofensiva da direita na América Latina reflete em Cuba.

    Havia expectativa de normalização da inserção internacional de Cuba, a partir do acordo do país com os EUA, no governo Barack Obama – algo que foi revertido com Trump, que aposta em uma política mais dura e agressiva. Cuba está se defendendo e reforçando a legitimidade da sua revolução, preservando seus avanços e espaços socialistas que foram criados.

    Cuba está resistindo há 60 anos e vai continuar resistindo.

    O assunto Venezuela é sempre complicado para o público, porque há um bombardeio diário da mídia tradicional sobre esse assunto. Por que a oposição questiona esse novo mandato do Nicolás Maduro?

    Primeiro, gostaria de parabenizar o trabalho do Brasil de Fato por cobrir a Venezuela estando no olho do furacão, oferecendo informação confiável e alternativa à cobertura deformada dos grandes meios de comunicação. Há uma campanha de desestabilização e intervenção externa na Venezuela, tanto da mídia internacional, quanto dos veículos brasileiros. 

    Trata-se de um governo legítimo. Maduro foi eleito em eleições competitivas, com a participação de mais de 40 partidos, com vários candidatos, inclusive com um candidato da oposição conservadora que teve uma votação expressiva. O Maduro ganhou essa eleição com 2/3 dos votos, é incontestável.

    Li na Folha de São Paulo que "Maduro foi eleito com suspeita de fraude". Onde está denúncia concreta de fraude? Que denúncia foi essa? As eleições foram verificadas por mecanismos transparentes. É um presidente legítimo. Aliás, mais legítimo que o Bolsonaro, que só venceu porque inviabilizaram a candidatura do Lula. Há uma sombra sobre a legitimidade da eleição do Bolsonaro, assim como a disseminação de mensagens falsas às vésperas da eleição, que também é uma sombra no governo brasileiro. Mas, para a mídia brasileira, o que não é legítimo é o governo da Venezuela.

    A Venezuela tem um governo democrático, com vigência da liberdade de expressão. A oposição diz o que quer sem ser reprimida. As emissoras de maior audiência na TV estão nas mãos da oposição, os partidos funcionam. No ano passado, líderes da oposição foram aos EUA para pedir a invasão da Venezuela pelos EUA. Elas fizeram isso, voltaram para a Venezuela, tranquilas. Em qualquer lugar do mundo, um político que peça uma invasão externa ao seu país é preso por traição à pátria. Como, não há liberdade?

    A Venezuela tem problemas graves, mas o ponto inicial é: quem vai resolver esses problemas são os venezuelanos, com os mecanismos democráticos garantidos pela sua Constituição. A Venezuela sofre sanções tão duras quanto as que foram aplicadas em Cuba. Essas sanções são responsáveis, em grande medida, pelas dificuldades que o país está atravessando atualmente. 

    É importante falar da disputa global também no contexto venezuelano. Rússia e China fazem uma espécie de resistência, com palavras do [Vladimir] Putin proibindo qualquer ação militar dos EUA. A Venezuela está inserida nessa disputa global?

    O governo da Venezuela está tentando enfrentar a crise, resistir a essa pressão fortíssima que vem de fora. Eles vão buscar aliados. Aquele que está enfrentando um inimigo muito mais forte e poderoso sabe que não vai se aguentar sozinho. A Venezuela encontrou aliados na China e na Rússia.

    A China tem tido um papel importante no apoio ao governo venezuelano, com linhas de financiamento para tentar recuperar setores da economia venezuelana, em especial o petróleo. São empréstimos com pagamento a longo prazo. A Rússia está equipando o exército da Venezuela, que está sendo ameaçada de invasão pelos EUA, e nós sabemos que eles intervém mesmo.

    Eles já praticaram dezenas dessas ações ao longo do século 20. Na América Central, todos os países passaram por isso. Houve financiamento de golpes no Chile, na Argentina e no Brasil, algo amplamente conhecido e comprovado por documentos. Para resistir aos EUA, a Venezuela está buscando esse apoio militar na Rússia, para que possam se defender. A Venezuela está se aproveitando da disputa geopolítica para encontrar um contrapeso nessa disputa global. 

    Ao longo das eleições no Brasil, ouvimos duas coisas bem curiosas sobre a Venezuela: que eles não vivem uma democracia, e também sobre a "URSAL", a União das Repúblicas Socialistas da América Latina. Como você enxerga o aparecimento da URSAL no meio da disputa?

    Evidentemente, não existe nada nesse sentido. Para começar, o único país socialista na América Latina é Cuba. Para nossa tristeza, o que temos visto é uma destruição da tentativa de integração regional. A gente pode aproveitar essa piada, algo delirante que foi aproveitado na campanha eleitoral, e refletir um pouco se não seria no fundo uma boa ideia.

    Os povos latino-americanos são parecidos, com línguas próximas, de fácil entendimento. São realidades sociais parecidas, todos filhos da colonização, com genocídio os povos indígenas, escravização dos povos africanos, ditaduras em períodos da nossa história, a desigualdade social absurda. Precisamos nos aproximar dos países vizinhos, criar pontes de entendimento com outros povos. Isso foi tentado e está na Constituição brasileira. Quando esses governantes atacam o Mercosul ou iniciativas de busca de aproximação com países da região, eles estão indo contra a Constituição que eles juraram.

    Precisamos refletir sobre isso. Por que não o socialismo? O capitalismo só causa dor, miséria e revolta no mundo inteiro. Precisamos de alternativas. No século 20, houve um esforço de construção de uma sociedade alternativa socialista que não deu certo. Não funcionou porque ocorreu em condições desfavoráveis, erros foram cometidos. As pressões para que essas experiências não dessem certo foi muito grande. Mas não é porque se tentou uma vez e não se conseguiu, que não se deva continuar sonhando – e mais que sonhando, almejando e buscando uma alternativa a esse sistema.

    O capitalismo, na maneira como está concebido, tende a piorar cada vez mais a situação da humanidade, dos trabalhadores e dos povos. Os avanços tecnológicos, que deveriam tornar nossa vida cada vez melhor, mais próspera, está sendo usado ao contrário, colocando robôs no processo do trabalho, deixando trabalhadores sem fonte de renda. A robotização deve desempregar centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro. Não tem como achar soluções dentro desse modelo e lógica. O capitalismo está falido como alternativa humana.

    Fonte: Brasil de Fato

  • “Chávez não está morto, vive em nossos corações”, diz venezuelana. Eleição de Constituinte é amanhã

    “Nosso comandante não está morto porque o nosso povo o tem vivo em nossos corações”, diz Blanca Josefina Fernández, que conta ter aprendido a ler e a escrever através da Missão Robinson, programa social do governo do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013), que erradicou o analfabetismo no país no ano de 2005.

    Manifestantes lotam as ruas de Caracas em defesa da Constituinte

    Em meio à tensão que tomou a Venezuela nos últimos tempos por causa da realização da Assembleia Constituinte, o país teve uma trégua nesta sexta-feira (28), para homenagear aquele que deu origem ao processo político denominado Revolução Bolivariana. Hugo Rafael Chávez Frias, ou simplesmente Chávez, completaria 63 anos nesta sexta-feira, não houvesse partido prematuramente, por consequência de um severo câncer, no dia 5 de março de 2013.

    Nesta sexta-feira, Blanca Josefina Fernández, assim como milhares de venezuelanos compareceram ao Cuartel de la Montaña, ou Quartel da Montanha, onde descansam os restos mortais do ex-presidente.

    O lugar tem história: localizado no popular bairro 23 de Enero e a escassos metros do Palácio de Miraflores, foi de lá que o então tenente-coronel Hugo Chávez organizou e liderou uma tentativa fracassada de golpe de Estado em 1992 contra o governo neoliberal de Carlos Andrés Pérez. Naquele momento, reconheceu a responsabilidade sobre o movimento insurgente e proferiu palavras que ficariam marcadas na memória do povo venezuelano: “Por agora, não foi possível cumprir a missão”.

    Contam os venezuelanos que aquele “por agora” teria sido a faísca de um movimento político democrático que transformaria para sempre a história do país, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo e, naquele momento, uma das mais altas brechas sociais do continente.

    Seis anos depois, o que parecia impossível se tornou realidade: Hugo Chávez, indultado pelo então presidente Rafael Caldera, era eleito presidente da República que, a partir de um processo constituinte, se transformaria na República Bolivariana da Venezuela.

    “Juro, perante Deus, a Pátria e meu povo que, sobre esta moribunda Constituição, farei cumprir e promoverei as transformações democráticas necessárias para que a República tenha uma Carta Magna adequada para os novos tempos”, disse Chávez em seu primeiro juramento como chefe do poder executivo.

    E assim o fez: transformou não só a Constituição da Venezuela, como a realidade do seu povo. Levou o país a ser considerado, em 2012, pelo índice Gini, do Banco Mundial, como o país menos desigual da América Latina.

    A equipe do Brasil de Fato em Caracas conversou com diversos venezuelanos a respeito do legado do ex-mandatário. Confira:

     


    Hoje, seu rosto está por todas as partes nos muros de Caracas, sobretudo nos numerosos bairros populares que tanto se beneficiaram das políticas socialistas inauguradas por ele.

    “Nosso comandante foi embora muito cedo, mas nos deixou Nicolás Maduro, que está dando continuidade ao que ele nos fez. Chávez vive sempre e a cada dia se multiplica”, disse Mercedes Olarte, membro do Comitê de Familiares e Amigos do 4 de Fevereiro, e que, por isso, conheceu de perto o ex-presidente.

    Às vésperas da votação da Assembleia Nacional Constituinte, Olarte diz sentir a energia de Chávez na resistência do povo venezuelano para manter de pé o projeto revolucionário inaugurado por ele: “O melhor presente que vamos dar a ele pelo seu aniversário será uma grande votação nesse domingo. Porque se nós perdemos a Venezuela, perderemos toda a América Latina”.

    De Caracas, Venezuela
    Leonardo Fernandes para o Brasil de Fato 

  • Bolsonaro avança contra Venezuela e Cuba

    Em vídeo ao vivo, via redes sociais, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta terça (18) que irá agir contra a Venezuela e Cuba.

    Sem apresentar provas, durante o vídeo, o presidente eleito voltou a fomentar fakenews ao afirmar que entre os integrantes do Programa Mais Médicos havia agentes cubanos.

    Crítico frequente dos dois países, discurso que piorou durante sua campanha eleitoral e fomentou ódio às duas nações irmãs, Bolsonaro afirmou "tudo o que pudermos fazer dentro da legalidade e da democracia contra esses países nós faremos".

    Durante o vídeo, ele reiterou o "desconvite" para a sua posse feito aos dirigentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel. 

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Bolsonaro e os seus sofríveis seis minutos

    A coluna Notas Internacionais da Socióloga e Cientista Política, Ana Prestes, desta quarta (23), destaca repercuções da presença do Brasil no Fórum Econômico Mundial e a conjuntura na Venezuela. Acompanhe: 

    Notas internacionais (por Ana Prestes) 23/01/19

    – Bolsonaro falou e o mundo ouviu. Era abertura do Fórum Econômico Mundial que ocorre há quase 40 anos em Davos. O chairman Klaus Schwab tentou arrancar mais algumas palavras com as perguntas pós-pronunciamento. Foi difícil. Foi sofrível. Teve propaganda turística sobre a Amazônia e o Pantanal, teve Deus e a família, “direitos humanos reais”, Ministros modelo (Moro, Guedes, Araújo), teve apenas 9% de território pra agricultura e 30% (dado errado, por sinal) para florestas, teve investimento em segurança, teve deseologização e “nada de esquerda voltar a governar na América Latina!”. Faltou terminar a participação com um “é o que tem pra hoje”. Foi o primeiro presidente do hemisfério sul, da América Latina e fora do G7 a abrir o evento.
     

    – O chanceler Ernesto Araújo avançou ainda mais na retórica anti-Maduro e se referiu ontem em mensagem via twitter ao presidente da Venezula como “ex-presidente”. Enquanto isso, o auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó tomou para si uma das funções do poder executivo e nomeou o embaixador “especial” da Venezuela na OEA. Alinhados, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o conselheiro de segurança da Casa Branca, John Bolton, se pronunciaram sobre o país no dia de ontem. Pence convocou o “bom povo” da Venezuela para ir às ruas nesse 23 de janeiro e Bolton voltou a afirmar que o governo Trump só reconhece a Assembleia Nacional venezuelana como a “única instituição democrática legítima da Venezuela”.

    – São esperadas grandes manifestações e confrontos nesse 23 de janeiro na Venezuela. O 23 de janeiro é uma data simbólica no país, pois nesta mesma data, em 1958, uma insurreição cívico-militar derrubou o ditador Marcos Pérez Jiménez. A derrubada foi precedida por uma grande greve geral e na noite do dia 22 a Marinha e a Guarda de Caracas se pronunciaram contra o presidente, fazendo com que esse fugisse para Santo Domingo na manhã do dia 23. Em 2019, tanto a oposição como o governo Maduro reivindicam a data como símbolo de suas aspirações.

    – A alta representante da UE para Relações Exteriores, Federiga Mogherini, informou que está sendo criado um grupo internacional para ajudar no diálogo entre Nicolás Maduro e a oposição na Venezuela. O grupo deve começar a trabalhar nas primeiras semanas de fevereiro. Chefes das missões dos estados-membros da UE em Caracas têm se reunido com membros do governo Maduro e da Assembleia Nacional (oposição). Cerca de um milhão de europeus vivem na Venezuela.

    – A Arábia Saudita anunciou que deixará de importar frango de cinco frigoríficos brasileiros. Até ontem, portanto, eram 30 os frigoríficos do Brasil que forneciam para o país, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O embargo teria sido por critérios técnicos, mas não foram divulgados quais. O tipo de carne de importação suspensa e a halal, que segue os princípios do Islã tanto no abate como no processamento. As empresas brasileiras tiveram que adaptar suas fábricas e funcionários para a preparação da carne a ser exportada. A Arábia Saudita é o país que mais importa carne de frango do Brasil, seguido da China, do Japão e da África do Sul.

    – Foi fechado nessa terça (22) um novo tratado de cooperação franco-alemão com a intenção de abrir caminho para a criação de um Exército europeu. O tratado aponta para uma convergência das políticas econômica, externa e de defesa, além de uma “assembleia parlamentar comum” a ser composta por 100 deputados entre franceses e alemães. Há ainda uma cláusula de defesa mútua, no caso de agressão a um dos países. O último tratado do gênero foi assinado em 1963 pelo então chefe do Estado francês, general Charles de Gaulle e o então chanceler alemão Konrad Adenauer.

    – Se está tudo bem entre França e Alemanha, não se pode dizer o mesmo sobre a relação entre França e Itália. Os líderes dos dois principais partidos da coalizão que governa a Itália, Movimento 5 Estrelas e Liga, Luigi di Maio e Matteo Salvini, têm atacado sistematicamente o presidente francês Emmanuel Macron na temática da migração. Eles acusam a França de provocar a chegada de migrantes na Europa pro conta de uma suposta política “neocolonialista” na África. Os ataques provocaram a convocação por parte de Macron da embaixadora italiana na França, Teresa Castaldo, para explicações. O embate maior se dá em torno da relação com a Líbia e a intenção dos italianos de fechar em absoluto suas fronteiras para migrantes africanos que chegam dos portos líbios. Há poucas semanas, Di Maio também manifestou apoio explícito aos jalecos amarelos que protestam contra Macron há mais de 10 semanas.

    – Seguindo seu plano contra o furto de combustíveis, o governo mexicano convocou em quatro dias 2000 motoristas para conduzirem os caminhões tanque que farão o abastecimento dos postos de distribuição de gasolina no país, substituindo a chegada do combustível pelos dutos que são perfurados para furto. Há poucos dias uma explosão matou quase 100 pessoas em dos pontos de assalto aos dutos. Os caminhões não estão imunes aos assaltos nas estradas, mas o governo está pagando pra ver.

    – A União Europeia mandou avisar: um Brexit duro (sem acordo) vai implicar no estabelecimento de uma fronteira física entre a Irlanda e a Irlanda do Norte.

    – O Itamaraty, que sempre primou pelo princípio da reciprocidade no caso da concessão de vistos de entrada no Brasil para cidadãos de outros países, pode vir a liberar unilateralmente os vistos para norte-americanos e canadenses. Os EUA, por seu lado, não demonstram nenhuma intenção de liberar vistos para brasileiros. Aliás, desde 2018 os brasileiros têm enfrentado maiores obstáculos para obter o visto para os EUA, com exigência de entrevistas presenciais a grupos de idade que eram dispensados, como menores de 16 anos e maiores de 65 (passou a ser maiores de 14 e menores de 79). Seria algo benevolente ao extremo por parte do chanceler Araújo, sem pedir nada em troca.

    – O tribunal constitucional do Congo declarou Felix Tshisekedi presidente do país, após eleições bastante conturbadas em 30 de dezembro de 2018. O candidato que ficou em segundo lugar no pleito, Martin Fayulu alega fraudes e não reconheceu a declaração. A União Africana também pediu suspensão do resultado por “sérias dúvidas” sobre o processo eleitoral.

    – Outro país conflagrado na África nos últimos dias é o Zimbabue. As forças de segurança do país estão reprimindo violentamente os sequentes protestos no país gerados pela alta dos combustíveis em até 150%. São os maiores protestos desde a queda de Mugabem em 2017.

    – Um mês e um dia é o período de duração da paralisação parcial do governo dos EUA por conta do impasse em torno da construção de um muro na fronteira com o México.

    *Ana Prestes é socióloga, doutora em Ciência Política, foi assessora sindical de políticas educacionais e chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Esporte e da Secretária de Educação no município de Contagem. Nascida em Moscou, durante o exílio de sua família, perseguida pela ditadura no Brasil, Ana Prestes também é neta do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, e sempre se dedicou às lutas em defesa da democracia, da cultura e da educação. Atualmente trabalha na assessoria de comissões da Câmara dos Deputados.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

  • Bolsonaro viola a Constituição para agradar Donald Trump

    Por Umberto Martins

    O governo Bolsonaro provocou deliberadamente uma crise diplomática na fronteira do Brasil com a Venezuela e resolveu envolver o país, sem o consentimento do seu povo, na aventura da guerra híbrida que os EUA deflagraram contra a Venezuela, que está caminhando aceleradamente para uma intervenção militar aberta, encoberta pela retórica de “ajuda humanitária” e defesa da democracia.

    A decisão do governo de extrema direita de enviar “ajuda humanitária” ao país vizinho, integrando-se à estratégia de Washintgon contra o presidente de Nicolás Maduro, é uma notória intervenção no conflito interno que divide a sociedade venezuelana. O mesmo se pode afirmar acerca do reconhecimento do governo paralelo liderado pelo deputado Juan Guaidó, um lacaio do imperialismo que se autoproclamou presidente depois de receber orientação (ou ordem) neste sentido por telefone do vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

    É plenamente justificável a reação do governo bolivariano de fechar a fronteira com o Brasil em Roraima, que vem sendo usada como pretexto pelo governo do senhor Jair Bolsonaro para promover novas provocações, cujas consequências são ainda imprevisíveis, mas em nenhuma hipótese favoráveis ao povo ou à nação brasileira. Só quem ganha com isto são os imperialistas estadunidenses, que querem se apoderar das maiores reservas de petróleo do planeta.

    Constituição

    Além de não corresponder aos interesses nacionais, e também por isto, tal política viola a Constituição brasileira, promulgada em 1988, que em seu Artigo 4º consagra os princípios da não intervenção, respeito à autodeterminação dos povos, cooperação entre as nações para o progresso da humanidade e a defesa da solução pacífica dos conflitos nas relações internacionais. Estabelece ainda, em seu parágrafo único, que a “República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.

    A orientação tresloucada do atual governo, expressão daquilo que Nelson Rodrigues batizou de “espírito de vira lata”, contradiz todos esses princípios fundamentais estabelecidos na Constituição. Bolsonaro, no colo de Donald Trump, está desempenhando o vil papel de capanga dos EUA na geopolítica regional, que envolve interesses globais das corporações ligadas ao petróleo e o duelo que a potência hegemônica no mundo capitalista trava com a China e a Rússia com o objetivo de preservar e ampliar seu domínio internacional.  

    Petróleo e geopolítica

    A propaganda mentirosa marqueteada pelo imperialismo, com a cumplicidade da mídia burguesa em todo o continente, procura demonizar o presidente legítimo da Venezuela e pintar o conflito como uma peleja entre democracia e autoritarismo, bem como encobrir a intervenção militar com propósitos supostamente humanitários. Porém, a agressão imperialista contra o regime chavista tem outra natureza e objetivos bem menos nobres.

    Começa pelo petróleo. Conforme revelou o ex-diretor do FBI Andrew McCabe durante um programa de entrevistas da rede MSNBC, no final de 2017 o próprio Trump teria externado sua intenção de ir à guerra contra a Venezuela, argumentando que “eles têm todo o petróleo e estão na nossa porta de fundos”. O óleo negro é fonte perene de conflitos bélicos não só no Oriente Médio e África, em geral guerras por procuração orientadas à distância pelos falcões do Pentágano.

    Entrelaçada com a avidez das transnacionais pelo petróleo, temos como pano de fundo do drama que se desenvolve na Venezuela (e não apenas lá) a crise geopolítica em curso no mundo. O ataque à Venezuela é, simultaneamente, uma grave ofensa à China e à Rússia, nações que apoiam e mantêm com o governo Maduro uma parceria estratégica. A potência asiática, comandada pelos comunistas, investiu dezenas de bilhões de dólares no país enquanto o governo Putin estreitou os laços políticos, econômicos e militares com a revolução bolivariana.

    China e Rússia

    China e Rússia opõem-se energicamente à política imperialista dos EUA, que hoje tem declaradamente o propósito de conter a expansão da influência econômica e política da China na América Latina e implodir o Brics. Eis uma outra razão pela qual a política do Trump tupiniquim vai na contramão dos interesses nacionais do Brasil.

    Do ponto de vista do poderio econômico relativo, os EUA são uma potência em franca decadência e estão sendo superados pela China em diversos aspectos, incluindo o PIB medido pelo critério de Paridade de Poder de Compra (PCC), numa prova muito prática e concreta da superioridade da economia socialista de mercado sobre o capitalismo neoliberal. O Brasil é hoje muito mais dependente comercial e financeiramente da China do que dos EUA. Só temos a perder com as relações carnais entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, que fez continência à bandeira da potência imperialista e declarou ser fã número um do presidente norte-americano.

    O declínio da maior potência imperialista do planeta também ocorria no plano político em nossa região, que caminhava para um novo arranjo geopolítico com as políticas externas soberanas e integracionistas promovidas pelos governos progressistas de Hugo Chávez, Lula, Evo Morales, Rafael Correia e outros líderes de esquerda com fortes raízes nos movimentos sociais. A mudança na região convergia com as transformações em curso no mundo e o deslocamento do poder econômico do Ocidente para o Oriente, o que se traduziu na parceria China/Celac.

    Retrocesso

    Tal realidade, porém, foi revertida nos últimos anos ao custo de golpes de Estado (em Honduras, no Paraguai, no Brasil e agora na Venezuela) e a eleição de líderes da extrema-direita neoliberal na Colômbia e na Argentina. Os EUA estão retomando plenamente o controle geopolítico do continente.

    É preciso acrescentar que esta dimensão geopolítica do conflito na Venezuela é, em geral, solenemente ignorada pela mídia hegemônica, dedicada ao serviço, sujo e diuturno, de desinformação da opinião pública (ou publicada) para embelezar o golpe de Estado e vender a intervenção militar imperialista como “ajuda humanitária” e defesa da democracia.

    Se não for derrotado, o golpe em curso na Venezuela vai coroar a vitória do imperialismo e aprofundar o retrocesso político na América Latina. Isto pode retardar, mas não vai reverter o processo histórico de decadência dos Estados Unidos no cenário internacional, determinado pelo desenvolvimento desigual e o crônico parasitismo que corrói a maior economia capitalista do mundo. A história vive hoje um dilema entre sombras e luz e muito embora as sombras predominem no momento, a luz tende a prevalecer no futuro. 

    As forças democráticas e progressistas não devem vacilar nem se deixar seduzir pelo canto de sereia regido pelo imperialismo. A intervenção imperialista dos EUA na Venezuela merece o mais profundo repúdio dos povos da América Latina e de todo o mundo. A defesa do sagrado direito dos povos à autodeterminação, previsto na Constituição brasileira, está na ordem do dia.

    Veja o que diz a Constituição sobre as relações internacionais do Brasil:

    Título I  

    Dos Princípios Fundamentais

    Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

           I - independência nacional;

           II - prevalência dos direitos humanos;

           III - autodeterminação dos povos;

           IV - não-intervenção;

           V - igualdade entre os Estados;

           VI - defesa da paz;

           VII - solução pacífica dos conflitos;

           VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

           IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

           X - concessão de asilo político.

    *Editor do Portal CTB e autor do livro "O golpe do capital contra o trabalho"

  • Chavismo ganha em 17 dos 23 Estados nas eleições regionais da Venezuela

    O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) venceu em 17 dos 23 estados do país nas eleições para governadores realizadas no domingo (15), segundo os resultados oficiais anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

    Com 95,8% das urnas apuradas, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, disse que os resultados são "irreversíveis", explicando que nestas eleições houve uma participação de 61,14% do censo eleitoral.

    O PSUV conseguiu ganhar da oposição o estado de Miranda (centro-norte) governado pelo duas vezes pelo candidato à presidência do país Henrique Capriles, e os estados de Lara  e Amazonas.De acordo com o CNE, os candidatos da oposição venceram em cinco Estados.

    O presidente, Nicolás Maduro, comemorou a vitória chavista. "Ganhamos 75% dos governos do país (...) o chavismo está vivo, está triunfante e está nas ruas”, disse.

    "A oposição teve cinco vitórias, as reconhecemos como fizemos sempre, e há um governo em disputa", disse, ao se referir a Bolívar, cujo resultado ainda não foi divulgado devido à diferença apertada de votos entre os dois adversários.

    Com Opera Mundi 
    Foto: Agência Efe 

     

  • Comitê Brasileiro pela Paz condena suspensão da Venezuela do Mercosul

    Em nota divulgada neste domingo (6), o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela classificou como "arbitrária e ilegal" a suspensão do país vizinho do Mercosul. A medida foi anunciada no sábado (5) após reunião, em São Paulo, dos ministros das Relações Exteriores dos países fundadores do bloco: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

    Comitê pela Paz entrega manifesto de solidariedade à Venezuela contra o imperialismo

    As organizações integrantes do Comitê, entre elas a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), condenaram o que classificaram como uma tentativa de desestabilização da Venezuela.

    Confira abaixo a íntegra:

    Nota sobre a suspensão da Venezuela do Mercosul

    Mais uma vez, as organizações dos movimentos sociais , partidos políticos progressistas, lideranças e ativistas dos mais diversos setores reunidos no Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, são chamados a se manifestar sobre o cerco, a intentona golpista e a ameaça de intervenção estrangeira que pesam sobre o país irmão.

    Desta feita para rechaçar a decisão dos chanceleres de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, tomada em reunião neste sábado (5), de suspender a Venezuela do Mercosul.

    A decisão é arbitrária e ilegal. Fere não somente o Protocolo de Ushuaia invocado para a fundamentar, como também os princípios do direito internacional. A Venezuela, como já declarou reiteradamente sua Chancelaria e a prática o demonstra, aderiu sem restrições a todas as normas do bloco. Ao eleger a Assembleia Nacional Constituinte não feriu a cláusula democrática do Mercosul. Ao contrário, busca com a criação deste órgão de poder popular, fortalecer suas instituições democráticas, para, por meio do diálogo, promover a paz e a estabilidade política.

    Repudiamos a atitude do governo golpista do Brasil, patrocinador e organizador da reunião dos quatro chanceleres, num ato que desonra as tradições democráticas de nosso povo, a diplomacia do país e a Constituição Federal, que consagra como princípios de política externa o respeito à autodeterminação dos povos e a não intervenção nos assuntos internos de outro país.

    Conclamamos os movimentos sociais e as forças democráticas e progressistas do país a se manterem alertas e mobilizadas para se opor às graves tentativas de provocar a desestabilização da Venezuela, que acarretaria graves consequências para toda a região.

    São Paulo, 6 de agosto de 2017.

    Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela

  • Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela realiza ato político-cultural nesta sexta (1º) em São Paulo

    Em solidariedade ao povo venezuelano, o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela - composto partidos políticos, veículos da mídia alternativa e organizações sociais entre elas a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) - promove, no dia 1º de setembro, um ato político-cultural para somar esforços na defesa da democracia e da paz no país irmão. O evento é aberto e ocorre na sede do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, no centro da capital paulista (Rua Araújo, 216, próximo ao metrô República), a partir das 18h.

    Com muita música, comida e bebidas típicas da Venezuela, o encontro terá um ato político com as presenças de Vanessa Grazziotin (senadora pelo PCdoB-AM), Guilherme Boulos (Frente Povo Sem Medo), Ivan Valente (deputado federal pelo PSOL), Lindbergh Farias (senador pelo PT-RJ), João Pedro Stédile (coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST) e pelo escritor Fernando Morais.

    venezuela ato politico

    O evento tem como proposta reunir lideranças do movimento social, de partidos e todos os simpatizantes solidários ao povo venezuelano, para celebrar a cultura do país e manifestar apoio aos avanços por eles obtidos. Esses avanços devem se aprofundar com a Assembleia Nacional Constituinte, eleita por 8 milhões de votos no dia 30 de julho e já em pleno funcionamento.

    Prestar apoio e reafirmar valores como a integração e a defesa da autodeterminação do povo venezuelano é, na avaliação do Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, uma tarefa urgente frente às graves ameaças feitas, por exemplo, por Donald Trump. Em pronunciamento recente, o presidente estadunidense cogitou explicitamente a possibilidade de intervenção militar no país latino-americano.

    Manifestar solidariedade também é uma resposta do povo brasileiro às posições tomadas pelo governo Temer, que se alinham automaticamente aos ataques contra a Venezuela, e ao terrorismo midiático predominante no noticiário dos grandes grupos de comunicação, repleto de desinformação e extremamente enviesados e irresponsáveis em relação à complexa situação vivida pelo país vizinho.

    Todos são bem vindos ao ato político cultural pela paz na Venezuela. Convide seus amigos e manifeste sua solidariedade ao povo venezuelano no dia 1º de setembro!

    Confirme sua presença na página oficial do evento no facebook.

  • Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela rechaça ação do Brasil contra o governo eleito no país irmão

    Em menos de dois meses no poder, o governo brasileiro já demonstrou submissão a uma nação estrangeira. Sob pressão dos Estados Unidos, o Brasil anunciou o envio de “ajuda humanitária” — não solicitada — à Venezuela.

    Nós, do Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, vimos a público rechaçar completamente a ação do governo de Jair Bolsonaro, que vai contra uma longa tradição de diplomacia independente mantida até então pelo Itamaraty.

    Nos alarma o fato de nosso governo intervir abertamente no conflito interno de outro país, respaldando as intenções nitidamente imperialistas dos Estados Unidos, que buscam derrubar um governo eleito para alçar ao poder um governo dócil, que deixaria sob o controle das corporações estadunidenses a maior reserva de petróleo do mundo.

    Diante do show midiático orquestrado pelos EUA e governos satélites, nós dizemos: "o povo brasileiro não será bucha de canhão de uma guerra fratricida!".

    O rompimento de nossa tradição diplomática não é só um ataque aos venezuelanos, mas aos brasileiros. Diante de uma situação de arrocho que se verifica no país, com destaque para o ataque frontal à Previdência Social, questionamos como pode o Brasil sacrificar recursos para financiar uma guerra fratricida.

    Assim, nos comprometemos a estar de pé, dia após dia, denunciando as inúmeras violações da soberania e auto-determinação do povo venezuelano, bem como a violação de direitos humanos que esta e as consequentes ações vão provocar no país caribenho.

    BOLSONARO, TIRE AS MÃOS DA VENEZUELA!

    Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela
    Fevereiro de 2019.

  • Comitê pela Paz entrega manifesto de solidariedade à Venezuela contra o imperialismo

    Integrantes do Comitê Brasileiro Pela Paz entregaram ao cônsul adjunto do Consulado da Venezuela em São Paulo, Roberto Torresalba, um manifesto em apoio à Assembleia Nacional Constituinte (ANC) e pela paz, na manhã desta sexta-feira (4).

    Composto por movimentos populares, partidos e meios de comunicação contra-hegemônicos, o Comitê foi criado na última segunda-feira (31) e defende a democracia e a não-violência. O manifesto foi entregue diretamente ao cônsul venezuelano, que, na ocasião, agradeceu o apoio brasileiro, reafirmando a importância da solidariedade internacional.

    “A solidariedade ao povo venezuelano neste momento de forte agressão do império norte-americano é fundamental para todos os povos da America Latina que sonham com nações autônomas e livres”, afirma Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    "Nos últimos meses, semanas e dias, uma parcela da direita tem praticado ações de violência. Tem mais de 100 mortos, entre queimados vivos e ações de caráter fascista, realmente assustadores. Frente a isso a gente convocou muitas organizações brasileiras e pessoas que apoiam a luta antifascista e antiviolência, para defender a paz na Venezuela, para legitimar o processo da constituinte e legitimar o processo defendido pelo governo eleito democraticamente", explica Paola Estrada, da articulação dos movimentos sociais da Alba no Brasil.

    Nunes ressalta a vitória da democracia na eleição da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, no domingo (30). “A vitória das forças populares marcou uma grande derrota ao imperialismo e dá um alento aos movimentos sociais e partidos políticos progressistas”, diz.

    “A CTB defende a unidade latino-americana para derrotar a ingerência imperialista em nações soberanas. Os brasileiros estão sentindo na pele essa intromissão do capital financeiro internacional, as forças estão na resistência e quanto mais solidariedade e unidade tivermos, com mais força poderemos derrotar o grande capital e defender os direitos da classe trabalhadora latino-americana”, acentua Nunes.

    Acesse a integra do manifesto aqui.

    Portal CTB e Brasil de Fato. Foto: Norma Odara

  • Contra golpe, venezuelanos marcham em defesa da Revolução

    Acontece agora, em Caracas, na Venezuela, grande marcha, liderada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do povo revolucionário com a finalidade de defender a soberania do país sul-americano, especialmente das intenções golpistas da oposição de derrubar o processo bolivariano.
     
    Desde as primeiras horas desta quarta (23), as forças populares se concentraram em três pontos desta capital para marchar desfilar até a Praça O'leary, onde se encontraram com as principais autoridades governamentais, de acordo com informação fornecida pela diretora da organização política.
     
    Com o desfile o Poder Popular respaldará a liderança do presidente da República, Nicolás Maduro, além de comemorar os 61 anos da queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez.
     

    Em coletiva à imprensa, a vice-presidenta executiva, Delcy Rodríguez, reiterou que a grande marcha ocupa as ruas "para defender a paz, a união nacional contra uma terrível campanha de racismo e de xenofobia contra o povo venezuelano".

    Presente desde cedo no ato, o primeiro vice-presidente do PSUV, Diosdado Cabelo, destacou que os revolucionários se somam aos diversos movimentos sociais para defender a nação. "A marcha tem como objetivo proteger a pátria e a Revolução bolivariana, daqueles que agridem constantemente os ideais de liberdade e igualdade, bem como a soberania da nação", ressaltou. 

     

    Portal CTB - Com informações das agências

  • CTB manifesta solidariedade à Venezuela após ataques contra prédios do governo

    Um inspetor do Corpo de Investigações Cientificas, Penais e Criminalísticas (Cicpc) da Venezuela, identificado como Óscar Pérez, usou um helicóptero roubado da corporação, para atacar as sedes da Suprema Corte e do Ministério do Interior, em Caracas, na última terça-feira (27).

    Entidades organizam Assembleia Internacional dos Movimentos e Organizações dos Povos

    Do helicóptero, pilotado por Pérez, foram lançadas granadas contra o Supremo Tribunal de Justiça  e tiros  disparados contra o Ministério do Interior. Mais tarde, Pérez divulgou um vídeo pedindo a renúncia do presidente Nicolás Maduro. 

    Na terça (27), o governo venezuelano divulgou um comunicado no qual alertou que a atitude é parte de um plano golpista da oposição. Desde abril deste ano, o governo de Maduro tem sido alvo de uma ofensiva por parte de setores da direita daquele país com apoio da mídia e de empresários que exigem a renúncia do presidente democraticamente eleito.

    Constituinte 

    Maduro convocou a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) com o objetivo de dialogar com a população e buscar saídas políticas para dar continuidade aos avanços da Revolução Bolivariana. “Nenhum destes ataques deterá a ativação do processo popular constituinte, nem impedirá o exercício do direito ao voto por parte do povo venezuelano, no próximo dia 30 de julho, para eleger os membros da Assembleia Nacional Constituinte”, diz nota divulgada pela presidência venezuela. 

    O secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Divanilton Pereira, alertou para a violência usada pelos opositores com a finalidade de criar um clima de instabilidade no país. “O consórcio imperialista e seus lacaios da Venezuela radicalizam e acendem novas centelhas com vistas a uma guerra civil”, frisou o sindicalista.

    Segundo ele, esta atitude demonstra uma apelação por parte da oposição que não aceita que o povo decida os rumos do país. “A elite venezuelana, como as demais da América Latina, têm receio da consulta popular”, expressou Pereira.

    “A resistência bolivariana continua, vencerá e conta com nosso apoio e solidariedade”, concluiu.

    Érika Ceconi - Portal CTB 
    Foto: Francisca  Casanova 

  • CTB Pará manifesta solidariedade ao povo e ao governo venezuelano

    A Venezuela vive uma conjuntura politica e social, interna e externa, muito adversa para os venezuelanos, há uma tentativa de golpe contra o mandato do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O golpe em curso é liderado pelo seu opositor, o deputado Juan Guaidó, que se intitula "presidente encarregado" do país, com as “benções” do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump e corroborado pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL).

    O presidente estadunidense, Donald Trump, ao reconhecer Guaidó como presidente, reforça sua agenda geopolítica belicista e antilatinoamericana contra o governo popular da Revolução Bolivariana, iniciada por Hugo Chávez e em curso com o presidente Nicolás Maduro, na construção de uma agenda de mudanças políticas, econômicas e sociais. O cenário venezuelano é de conflitos, e ameaça a soberania nacional de todos os países latino-americano.

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    Em solidariedade ao povo e ao governo venezuelano, a CTB/Pará em conjunto com outras organizações, entre estas o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), estiveram visitando, na manhã desta segunda-feira (28), o Consulado da Venezuela em Belém, para manifestar solidariedade e apoio ao presidente Nicolás Maduro e seu povo.

    Cleber Rezende, presidente da CTB/Pará, ressaltou ser de fundamental importância que as “lideranças sindicais, populares e os partidos políticos progressistas manifestem solidariedade à revolução bolivariana e denunciem o golpe em curso”. Rezende disse ainda, discordar do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em fomentar conflitos com o país vizinho, e que não cabe o governo brasileiro “ingerência na Venezuela". Rezende lembra, ainda, que a instabilidade não interessa ao povo e aos trabalhadores, servindo somente aos interesses dos poderosos venezuelanos e dos Estados Unidos.

    Segundo Rodrigo Moraes do CEBRAPAZ "O golpe em curso deferido por Juan Guaidó, com apoio direto dos Estados Unidos, ameaça seriamente a soberania do país". Moraes registra que "é o interesse no petróleo move todo esse suposto interesse estadunidense em defender uma democracia, que para nós, está sendo defendida plenamente a partir do momento em que o presidente Nicolás Maduro vence as eleições de 20 de maio de 2018".

    Ao término da visita as entidades presentes ajustaram com a senhora Glennys Hernandez, Cônsul General de Venezuela, de realizar uma atividade com um conjunto de lideranças políticas e sociais na próxima quarta-feira (30/01) às 17h no Consulado em Belém, sediado à Rua Ferreira Cantão, 331 – Praça Barão do Rio Branco (em frente a OAB/PA), em solidariedade e apoio ao governo Maduro e o povo venezuelano.

    CTB Pará

  • CTB participa da Assembleia Internacional dos Povos

    “Nossa participação está sendo construída a partir de intenso debate sobre a conjuntura internacional e regional, em especial, levando em conta o resultados das eleições de 2018 e os saldos do golpe de 2016”, informou o Rogério Nunes, da direção nacional da CTB, ao confirmar presença da Central no evento que ocorre entre os dias 22 e 28 de fevereiro de 2019, em Caracas e pretende reunir cerca de 1.500 delegados e delegadas de movimentos e organizações populares anti-imperialistas, anti-capitalistas, anti-patriarcais e anti-racistas, de todas as regiões do mundo.

    Nunes ainda salienta que “o encontro será uma importante oportunidade elaborar uma plataforma política e plano de ação comum do nosso campo político em nível
    internacional e, assim, pavimentar a resistência contra a ofensiva da extrema direita no mundo e no Brasil”.

    Ele informa que o serão 50 delegados e delegadas representando a América do Norte; 130 América Central; 290 América do Sul, sendo 50 brasileiros; 110 do Caribe. Além disso, Ásia será representada por 320 delegados e delegadas;  África Subsaariana 130; Oriente Médio 160; Europa 200.

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    Portal CTB

  • CTB participa de ato político-cultural pela paz na Venezuela

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participou, nesta sexta-feira (1º/9), no Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, do Ato Político-Cultural pela Paz na Venezuela que reuniu representantes dos mais diversos movimentos sociais, partidos políticos, mídia alternativa e solidários à Revolução Bolivariana que tem sido ameaçada pelos Estados Unidos e seus aliados numa tentativa de desestabilização do governo Nicolás Maduro.

    Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela realiza ato político-cultural nesta sexta (1º) em São Paulo

    Em nome da CTB, o secretário de Relações Internacionais, Nivaldo Santana, integrou a mesa, coordenada por Paola Strada (Alba) e Altamiro Borges (Barão de Itararé), composta pelas centrais sindicais: Intersindical e CUT; representantes dos movimentos sociais de juventude, negros, moradia e mulheres, pela Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos, João Pedro Stédile (MST) e o ex-chanceler Celso Amorim. Já os partidos políticos foram representados por Gilberto Maringoni (PSOL), Jamil Murad (PCdoB) e Luiz Greenhalgh (PT).

    nivaldo santana
    “Hugo Chávez entendeu que Estado deveria garantir o bem-estar da maioria empobrecida no país. Quando chega ao poder em 1999 convoca a Constituinte para dispor e executar esse princípio fundamental”, expressou o Cônsul-Geral adjunto da Venezuela no Brasil, Robert Torrealba, em seu depoimento durante a atividade que contou com a presença da cônsul de Cuba, Nelida Hernandéz. Torrealba agradeceu todo o apoio brasileiro com aquele país e destacou: “Somente a solidariedade pode garantir que a Venezuela permaneça como alternativa na América do Sul”, frisou.

    robert torrealba
    Em sua fala, Celso Amorim, classificou como inaceitável a declaração feita pelo presidente estadunidense Donald Trump em usar força militar contra a Venezuela. “O artigo 2, parágrafo 4 da Carta da ONU proíbe a ameaça de uso da força contra a independência dos Estados”, informou o diplomata.

    jamil murad constituicao

    Portando a Constituição da Venezuela promulgada em 1999, Jamil Murad, destacou "Chávez reorganizou a sociedade por vontade soberana do povo".


    Todas as falas foram no sentido de denunciar a tentativa de desestabilização perpetrada pela oposição, financiada pelos Estados Unidos e seus aliados, para interromper os avanços sociais e democráticos no país. A secretária de Imprensa e Comunicação da CTB, Raimunda Gomes, o dirigente Rogério Nunes e a assessora Márcia Vioto também prestigiaram o encontro.  

    No fim do ato-político foi exibido um filme sobre a Revolução Bolivariana, seguido pela atividade cultural com música, bebidas e comidas típicas daquele país. O evento foi organizado pelo Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela que divulgou um manifesto (leia aqui a íntegra) que já conta com a assinatura de mais de 40 entidades. Para fazer parte da iniciativa entre em contato pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

    Assista abaixo a íntegra do ato político:

     Portal CTB

  • CTB recebe cônsul-geral da Venezuela em São Paulo e fortalece relações

    “A unidade é fundamental para todo o continente neste momento”, declarou o cônsul-geral da Venezuela em São Paulo, Manuel Vadell, em visita à sede da CTB, na tarde desta sexta-feira (22).

    O encontro contou com a presença do vice-presidente da central, Nivaldo Santana e do secretário de Relações Internacionais, Divanilton Pereira, além de dirigentes cetebistas.

    Nivaldo apresentou a central para o cônsul e fez questão de destacar que “a CTB está de portas abertas para o consulado, temos interesse em fortalecer a relação consular com os trabalhadores”, informou.

    Vadell também demostrou interesse em se aproximar dos movimentos sociais. “Temos que criar espaços construção conjunta entre partidos políticos, centrais sindicais”, frisou. Neste sentido, ele sinalizou que, em conjunto com cônsules de outros países, pretende lançar um grupo consular da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) para dar mais visibilidade ao movimento.

    O cônsul expôs a situação vivida em seu país, que enfrenta uma crise agravada pela morte de Hugo Chávez, em 2013. Segundo ele a oposição apostou na derrota de Nicolás Maduro e como não ocorreu o governo vem sofrendo diversas tentativas de golpe, sabotagem e boicote financeiro internacional.

    “Estamos vivendo uma guerra. Há uma campanha da oposição contra o Estado Venezuelano”, disse ao fazer uma comparação com o Brasil onde a presidenta Dilma Rousseff também está diante de uma resistência da direita. Diante deste contexto na América Latina, Vadell reforçou a importância em continuar com ações de integração.

    No fim da apresentação, Divanilton formalizou para o cônsul o convite para que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, participe do “Ato Anti-imperialista”, que ocorrerá no aniversário dos 70 anos da Federação Sindical Mundial, no dia 3 de outubro.

    Portal CTB 

  • CTB saúda vitória da Revolução Bolivariana nas eleições municipais da Venezuela

    “A grande vitória do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) nas eleições municipais deste último fim de semana é mais um importante passo para deter a ofensiva da direita conservadora, consolidar o processo de transformações na Venezuela e abrir novas perspectivas para o povo venezuelano”, comemorou o secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadores do Brasil (CTB), Nivaldo Santana, ao comentar a vitória do chavismo nas urnas.

    As eleições municipais na Venezuela, realizadas no domingo (10), levaram mais de nove milhões às ruas do país, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O voto não é obrigatório.

    Os candidatos socialistas conquistaram as principais cidades e venceram em 300 dos 335 municípios. “Terminamos o ano de 2017 vitoriosos e assim devemos continuar”, afirmou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em discurso realizado na Praça Bolívar, onde estavam concentrados milhares de venezuelanos.


    Maduro destacou que com o resultado “a esperança popular triunfou”, disse, ao lado da prefeita Érika Farias, eleita com 66,17% dos votos. Ela será a primeira mulher a assumir o cargo no município Libertador de Caracas, o maior do Distrito Capital.

    Este é o terceiro triunfo da Revolução Bolivariana que em agosto deste ano elegeu uma nova Assembleia Constituinte, com votação histórica, e em outubro conquistou 75% dos governadores do país.

    Para Nivaldo Santana, este resultado refletirá em toda a região, atualmente atingida pelo avanço conservador. “Esta vitória tem a importância adicional de fortalecer o campo progressista na América Latina”, expressou o dirigente. 

    Portal CTB com informações da TeleSUR 

  • Cuba defende uma nova ordem mundial baseada na solidariedade

    Cuba conclamou a comunidade internacional nesta quarta-feira (27) a contribuir na construção de uma nova ordem mundial baseado na solidariedade humana e na Justiça, em que o diálogo e a cooperação prevaleçam na solução dos conflitos.

    Ao intervir na Conferência de Desarmamento em Genebra, o vice-primeiro-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Marcelino Medina, afirmou que é necessário salvaguardar as futuras gerações do flagelo da guerra e dos nefastos sofrimentos que provoca.

    Trabalhar pela paz

    “Trabalhar incansavelmente para preservar a paz e a segurança internacionais e fomentar entre as nações as relações de amizade baseadas no respeito aos princípios da igualdade, soberana e a livre determinação dos povos, deve continuar sendo um compromisso da ONU e de seus Estados membros”, destacou.

    O diplomata denunciou que em 2017 foram gastos em despesas militares 1,74 trilhão de dólares, a cifra mais alta desde o fim da Guerra Fria.

    Lamentou que a cada ano se invistam somas exorbitantes na indústria da guerra, se modernizem os arsenais nucleares existentes e se desenvolvam novos sistemas desse tipo de armamento, em lugar de destinar esses recursos a fomentar a paz, combater a fome e a pobreza e à implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

    Desarmamento nuclear

    “O desarmamento nuclear permanece congelado e a existência de enormes arsenais nucleares, sendo que apenas 100 dessas ogivas bastariam para provocar o inverno nuclear, constitui uma grave e iminente ameaça à sobrevivência da Humanidade”, avisou.

    O vice-chanceler destacou a grande importância que a ilha das Antilhas concede à promoção do multilateralismo como princípio básico das negociações em matéria de desarmamento e não proliferação.

    Nesse contexto, expressou a preocupação pela decisão dos Estados Unidos de retirar do Plano de Ação Integral Conjunto ou Acordo Nuclear com Irã e, mais recentemente, do Tratado sobre Mísseis de Alcance Curto e Intermediário assinado com Rússia em 1987.

    “A comunidade internacional não pode permanecer passiva, nem em silêncio, muito menos quando se constata o fortalecimento do papel das armas nucleares nas doutrinas de defesa e segurança de determinados Estados possuidores”, precisou.

    Alertou que essas nações estão cada vez mais prestes a considerar a utilização dessas armas, inclusive em resposta às chamadas “ameaças estratégicas não nucleares”.

    Medina condenou o papel dos apetrechos nucleares nas doutrinas, políticas e estratégias de segurança, bem como a ameaça de seu uso, ao mesmo tempo em que reiterou o direito inalienável ao uso pacífico da energia nuclear.

    Celac e Venezuela

    Aproveitou a tribuna deste foro multilateral para ratificar a vigência da proclamação da América Latina e o Caribe como Zona de Paz, adotada em II Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, celebrada em Havana em 2014.

    O representante da ilha denunciou a escalada de pressões e ações do governo estadunidense para preparar o que taxou de aventura militar, disfarçada de “intervenção humanitária”, contra a República Bolivariana da Venezuela.

    “A história julgará severamente uma nova intervenção militar imperialista na região e a cumplicidade de quem irresponsavelmente acompanhá-la”, advertiu o vice-ministro.

    Considerou ainda que na Venezuela se decide hoje não só a soberania e a dignidade da América Latina, do Caribe e dos povos do Sul, mas também a sobrevivência das normas do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.

    “Temos a responsabilidade de preservar as próximas gerações do flagelo da guerra, salvar o planeta e criar condições sob as quais possam ser mantidas a justiça e o respeito às obrigações emanadas dos tratados internacionais”, concluiu.

    Fonte: Prensa Latina

  • Cuba diz que EUA preparam intervenção militar na Venezuela sob pretexto de "ajuda humanitária"

    Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Cuba diz que EUA preparam intervenção militar na Venezuela sob pretexto de "ajuda humanitária"

    Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Cuba: Brasil faz parte do triângulo de cerco à Venezuela, enquanto Washington move tropas preparando possível invasão

    Confirmado: militares dos Estados Unidos perto da Venezuela

    Por Sergio Alejandro Gómez e Edilberto Carmona Tamayo, no CubaDebate

    Os recentes movimentos de tropas dos EUA, relatados por fontes públicas e pela mídia, confirmam que Washington está se preparando para agir militarmente na República Bolivariana da Venezuela, sob o pretexto de uma suposta “intervenção humanitária”.

    Cuba assegurou em 13 de fevereiro, por meio de uma declaração do governo revolucionário, que os Estados Unidos pretendem fabricar “um pretexto humanitário para iniciar uma agressão militar contra a Venezuela” e denunciou vôos militares na região do Caribe como parte dos preparativos.

    Embora fontes em Washington e alguns dos países envolvidos tenham sido rápidas em negar as denúncias cubanas, as últimas informações disponíveis ratificam e ampliam a evidência de um cerco militar premeditado contra Caracas.

    “Os Estados Unidos silenciosamente acumulam seu poder militar perto da Venezuela”, disse o jornalista e especialista militar britânico Tom Rogan no jornal Washington Examiner.

    “Uma importante presença naval e marítima dos Estados Unidos está operando perto da Colômbia e da Venezuela. Seja por coincidência ou não, essa presença dá à Casa Branca uma gama crescente de opções “.

    Segundo Rogan, em menos de uma semana o Pentágono é capaz de mobilizar 2.200 fuzileiros navais, jatos de combate, tanques e colocar dois porta-aviões na Venezuela.

    Os três pontos do tridente norte-americano ficam no Caribe, Colômbia e Brasil.

    Não é por acaso que o almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, visitou Bogotá, Brasília e Curaçao durante as últimas semanas, sob a cobertura da alegada organização da entrega de “ajuda humanitária” para a Venezuela.

    Com a autorização da Holanda, os Estados Unidos organizam um centro de distribuição para a alegada ajuda na ilha de Curaçao, a poucos quilômetros das fronteiras com a Venezuela.

    Mas a mobilização militar é muito mais ampla na região do Caribe.

    Na denúncia cubana, explica-se como, entre 6 e 10 de fevereiro de 2019, foram feitos vôos de aeronaves de transporte militar para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana e para outras ilhas do Caribe estrategicamente localizadas.

    Agora, há o anúncio de que a Marinha dos Estados Unidos moveu um Grupo de Ataque de Porta-Aviões (CSG) no Oceano Atlântico e na costa da Flórida.

    A frota consiste no porta-aviões USS Abrahm Lincoln (CVN-72), um cruzador de mísseis e quatro contratorpedeiros, bem como uma fragata da marinha espanhola convidada a participar.

    “Os GSGs têm recursos de plataforma cruzada para operar onde e quando necessário. Além de possuir a flexibilidade e sustentabilidade para lutar em guerras de escala e garantir a liberdade dos mares, o CSG são visíveis e um poderoso compromisso dos EUA com seus aliados, parceiros e amigos”, diz um comunicado de imprensa oficial da Marinha americana.

    A bordo do USS Abraham Lincoln, porta-aviões nuclear da classe Nimitz, está o Embarked Air Squadron (CVW) 7, equipado com os Lockheed F-35C Relâmpago II, o mais avançado caça-bombardeiro que opera no arsenal dos EUA.

    O grupo iniciou no dia 25 de janeiro os exercícios COMPTUEX, supostamente destinados a preparar a formação, antes de um destacamento militar.

    Embora sua localização atual e o destino sejam desconhecidos, os consultores militares Stratfor e Southfront localizaram o GSG em algum ponto do Atlântico, na costa do estado da Flórida.

    Nos últimos dias, foi relatado que o grupo havia tentado um cruzamento de estreitos, uma manobra necessária para entrar no Mar do Caribe, a alguns dias de navegação.

    Rogan aponta outra informação interessante em seu artigo [no Washington Examiner]. Os Estados Unidos poderiam ter não apenas um, mas dois porta-aviões na faixa operacional da Venezuela, em uma semana.

    O porta-aviões USS Theodore Roosevelt e o navio USS Boxer, de desembarque anfíbio, estão “casualmente”, agora, no porto de San Diego, na Califórnia, a menos de uma semana da costa do Pacífico colombiano.

    “O Boxer tem a bordo a décima primeira unidade expedicionária marinha (MEU), uma das 7 MEU que compõem o Exército dos EUA. Esta unidade de fuzileiros navais tem aproximadamente 2.000 homens. O propósito expresso de uma MEU é oferecer uma capacidade de rápida implementação militar “, diz Rogan.

    Colômbia, para onde Bolton quer enviar 5.000 soldados

    Desde a época do Plano Colômbia, inaugurado em 1999, a Colômbia é um dos principais aliados militares dos Estados Unidos na região.

    Washington estava prestes a instalar formalmente sete bases militares na Colômbia no governo do presidente Alvaro Uribe, mas uma decisão do Tribunal Constitucional bloqueou o plano.

    No entanto, Bogotá tem encontrado maneiras de contornar os controles e, finalmente, a presença dos EUA nas principais instalações militares do país andino foi autorizada.

    Essa aliança estreita atingiu as manchetes no final de janeiro, quando o Conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca, John Bolton, revelou “acidentalmente” um texto em seu notebook com o plano de enviar 5.000 soldados dos EUA para a Colômbia, como parte da operação contra a Venezuela.

    O próprio presidente Donald Trump não descartou a idéia e, quando perguntado sobre isso durante uma reunião com seu colega colombiano, Iván Duque, ele simplesmente disse: “Vamos ver”.

    O presidente colombiano, por sua vez, preferiu não responder com um “sim” ou um “não” à possibilidade de a Colômbia permitir a entrada de tropas americanas, apesar do jornalista Bricio Segovia, da Voz da América, ter perguntado a ele.

    Durante a entrevista, Segovia perguntou a Iván Duque:

    — A Colômbia estaria disposta a receber 5.000 soldados em seu território?

    Ao que o presidente colombiano respondeu: — Não sou bom em ler textos de outras pessoas.

    Segovia insiste: — Você esteve com ele (John Bolton) recentemente?

    — O que eu posso dizer é que estamos trabalhando duro para a libertação do povo venezuelano e estamos fazendo isso com um cerco diplomático bem-sucedido. Esse cerco diplomático é sem precedentes. Esse cerco diplomático isolou o ditador. Esse cerco diplomático é irreversível e a continuidade disto virá do efeito dominó que deve ser ativado pelas Forças Militares da Venezuela — respondeu Duque.

    — Mas a Colômbia está disposta a receber tropas militares em seu território? — insiste Segovia.

    — Eu tenho sido claro, a solução em que acredito está no cerco diplomático. A continuidade do cerco diplomático deve gerar o efeito dominó na Venezuela, quando outros membros das Forças Armadas declararem sua lealdade a [o presidente autodeclarado] Juan Guaidó — ressaltou Iván Duque.

    — Então, a Colômbia não está disposta a receber tropas americanas em seu território … — diz Segovia.

    — Nós fomos claros. O mais importante para a Venezuela alcançar a liberdade é o cerco diplomático, diz Duque.

    — Então, é um não? — insiste Segovia

    — O cerco diplomático é a ferramenta mais importante na história da América Latina. Então, acho que é um grande triunfo a comemorar. A continuidade disso é representada pelo fato de que há mais soldados venezuelanos, assim como aqueles que já o fizeram nos últimos dias, entregando sua lealdade e juramento a Juan Guaidó.

    Embora a chegada de 5.000 soldados não tenha sido confirmada, os Estados Unidos operam uma ponte aérea a partir da base militar em Homestead, na Flórida, para a cidade colombiana de Cucuta, a 2.600 km de distância.

    Para as operações, pelo menos três aviões militares de transporte pesado de longo alcance, C-17 Globemas, fabricados pela Boeing, com capacidade de carga de 180 toneladas, e entre 80 e 100 tripulantes, são utilizados.

    Homestead é também a sede do controverso Comando Sul dos EUA.

    É o Unified Command das Forças Armadas dos Estados Unidos que opera na América Latina e no Caribe e um dos nove comandos que estão diretamente ligados ao topo da liderança do Departamento de Defesa.

    Opera em um raio de ação de 32 países, 19 deles na América Central e do Sul e o restante no Caribe. Desde 1997, sua sede é no estado da Flórida.

    Antes, desde 1947, baseava-se no Panamá.

    Sua própria história reconhece, como antecedente “glorioso”, o desembarque de fuzileiros navais ianques naquele país, no início do século XX.

    O Comando Sul, também conhecido pela sigla em inglês USSOUTHCOM, se tornou um símbolo do intervencionismo americano na região e tem sido um aliado das forças militares e paramilitares ligadas a mortes, torturas e desaparecimentos em nações latino-americanas e no Caribe, há mais de um século.

    Nos últimos anos, o USSOUTHCOM vem armando, treinando e doutrinando exércitos nacionais para servir aos interesses dos EUA.

    O objetivo é evitar o uso de tropas americanas e, assim, reduzir a oposição política nos Estados Unidos.

    No modelo, Washington dirige e treina exércitos latino-americanos através de “programas conjuntos”, extensivos e intensivos, e subcontrata empresas mercenárias privadas que prestam serviços militares especializados, com oficiais “aposentados” do exército norte-americano.

    O Brasil de Bolsonaro, um novo aliado do Pentágono

    O Brasil, o maior país da América do Sul e com as maiores forças militares, tornou-se nos últimos anos um aliado inesperado do avanço do Pentágono na região.

    Os governos de Michel Temer (interino, após um golpe parlamentar) e Jair Bolsonaro pretendem mudar a matriz do nacionalismo forte que se consolidou durante os governos do Partido dos Trabalhadores.

    Em uma das primeiras entrevistas depois de assumir o cargo de presidente, Bolsonaro garantiu ao canal SBT que haveria a possibilidade de instalar uma base militar norte-americana no país.

    Mas Bolsonaro, um ex-capitão, retirou a ideia ao receber fortes críticas de seus próprios generais.

    No entanto, ninguém duvida da proximidade do novo presidente brasileiro com seu colega americano, nem da admiração de dois de seus filhos pelo Mossad (serviço secreto de Israel) e pelo exército israelense.

    O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos esteve na semana passada no Brasil e foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com quem discutiu o “caso da Venezuela”.

    Bolsonaro comprometeu-se a usar o estado de Roraima como um centro de coleta para a alegada ajuda humanitária para a Venezuela e, portanto, para o triângulo logístico dos EUA.

    Seja qual for o objetivo da mobilização militar ordenada pela Casa Branca — dos preparativos para uma agressão direta ou como medida de pressão psicológica –, o que é inegável neste momento é que os Estados Unidos jogam suas cartas na região para cercar a Venezuela por todas os caminhos a seu alcance.

    Diante desse cenário, Cuba convocou todos os povos e governos do mundo para defender a paz e se opor, juntos, às diferenças políticas ou ideológicas, para impedir uma nova intervenção militar imperialista na América Latina e no Caribe, que prejudicaria a independência, a soberania e os interesses dos povos do Rio Grande à Patagônia.

    Fonte: Viomundo, que acrescentou a seguinte observação: Os serviços de inteligência de Cuba estão entre os melhores do mundo e os da Venezuela, formados pela CIA no tempo da DISIP (Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção), renomeada SEBIN por Hugo Chávez, não ficam muito atrás. A DISIP, aliás, é acusada de ter ajudado o terrorista Luis Posada Carriles a derrubar um avião da Cubana de Aviación em 6 de outubro de 1976, causando a morte de 73 civis. É um atentado praticamente desconhecido na grande mídia, por motivos óbvios: ela é de direita e identifica o terrorismo como sendo “de esquerda”. Não fica bem dizer que um terrorista que circulava livremente pelos Estados Unidos derrubou um avião lotado de civis, inclusive uma equipe de esgrima de Cuba que havia acabado de competir na Venezuela. Já imaginou, um inimigo de Fidel Castro ser tachado de “terrorista”? A mídia jamais faria isso com seus “parceiros”.

  • Dez mentiras sobre a Venezuela que pela repetição se tornam verdade

    A guerra híbrida que vive a Venezuela tem a desinformação e manipulação midiática como uma de suas principais armas de combate. Lemos e escutamos mentiras de analistas que nunca estiveram na Venezuela e as repetem tantas vezes que se convertem em realidade para a opinião pública. 

    Por Katu Arkonada*

    1 – A Venezuela tem dois presidentes

    Nada mais distante da realidade. A Constituição venezuelana estabelece em seu artigo 233 como “falta absoluta do presidente” sua morte, renúncia, destituição decretada pelo Tribunal Supremo de Justiça, ou a incapacidade física ou mental decretada por uma junta médica. Juan Guaidó não tem nenhum argumento constitucional para autoproclamar-se presidente, pois não há falta absoluta do presidente, que fez o juramento tal e como estabelece a Constituição em seu artículo 231: em 10 de janeiro e diante do Tribunal Supremo de Justiça. 

    2 – Guaidó tem apoio da comunidade internacional 

    Para além da hipocrisia de chamar “comunidade internacional” alguns países do Ocidente, em 10 de janeiro a posse de Nicolás Maduro contou com a representação diplomática de mais de 80 países, desde a Rússia à China, passando pelo Vaticano, a Liga Árabe e a União Africana. Esses países seguem mantendo relações diplomáticas com o governo de Maduro. Guaidó tem o reconhecimento dos mesmos países que em 10 de janeiro não reconheceram Maduro: Estados Unidos e o Grupo de Lima (exceto o México). Fora isso, só se somaram Georgia (devido à disputa territorial com a Rússia), Austrália e Israel. 

    3 – Guaidó é diferente da oposição violenta

    Guaidó é deputado pela Vontade Popular, partido político que não reconheceu as eleições presidenciais de 2013 e cujo líder, Leopoldo López, está condenado por ser o autor intelectual do episódio “La Salida” que impulsionou as guarimbas [manifestações violentas] de 2014, que tiveram um saldo de 43 mortos e centenas de feridos. 

    4 – A Assembleia Nacional é o único órgão legítimo 

    O artigo 348 da Constituição venezuelana autoriza o presidente a convocar uma Assembleia Constituinte, e o artigo 349 define que os poderes constituídos (Assembleia Nacional) não poderão, de forma alguma, impedir as decisões da Assembleia Constituinte. A decisão de convocar a Constituinte foi um ato de astúcia do chavismo para rifar o bloqueio da Assembleia Nacional e, gostem ou não, foi realizado com estrito apego à Constituição.

    5 – Maduro foi reeleito de maneira fraudulenta, em eleições sem oposição 

    As eleições de 20 de maio de 2018 foram convocadas pelo mesmo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) que permitiu a eleição de Guaidó como deputado. Houve três candidatos de oposição que juntos conquistaram 33% dos votos e foram seguidas as normas estabelecidas na mesa de diálogos realizada na República Dominicana entre o governo venezuelano e a oposição, com mediação do ex-presidente espanhol José Luís Rodríguez Zapatero. 

    6 – Na Venezuela não há democracia

    Desde 1998 foram realizadas cinco eleições presidenciais, quatro eleições parlamentares, seis eleições regionais, quatro eleições municipais, quatro referendos constitucionais, e uma consulta nacional [plebiscito]. Ou seja: 23 eleições em 20 anos. Todas com o mesmo sistema eleitoral, considerado um dos mais seguros do mundo pelo ex-presidente estadunidense Jimmy Carter. 

    7 – Na Venezuela há uma crise humanitária

    Não há dúvidas de que na Venezuela há agora uma crise econômica impulsionada por ordens executivas de Barack Obama e Donald Trump ao declarar o país como perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos, com sanções que têm impedido a compra de alimentos e medicamentos.

    Essa crise tem provocado uma migração econômica que alguns tentam maquiar como “asilo político”, fato desmentido pelos dados: entre janeiro e agosto de 2018 a Comissão Mexicana de Ajuda ao Refugiado recebeu 3.500 solicitações de asilo de venezuelanos e 6.523 solicitações de refúgio de cidadãos hondurenhos, por exemplo, quase o dobro. 

    8 – Na Venezuela os direitos humanos são violados 

    Analisemos as cifras das guarimbas de 2017: 131 pessoas mortas, 13 das quais por disparos das forças de segurança (fato que levou 40 oficiais a serem presos e processados); 9 membros das diferentes polícias e Guarda Nacional Bolivariana foram assassinados e cinco pessoas foram queimadas vivas ou linchadas pela oposição. As demais mortes se deram enquanto pessoas manipulavam explosivos de forma irregular ou tentavam saltar das barricadas da oposição. 

    9 – Na Venezuela não há liberdade de expressão 

    As imagens destes dias de Guaidó dando declarações rodeado de microfones de meios de comunicação nacionais e internacionais desmentem tal afirmação. 

    10 – A comunidade internacional está preocupada com o Estado da democracia na Venezuela

    A comunidade internacional representada pelos Estados Unidos e o Grupo de Lima não está preocupada com os presos torturados em Guantánamo; não se preocupa com os defensores dos direitos humanos assassinados diariamente na Colômbia, não há preocupações com as caravanas de imigrantes que fogem da doutrina do shock neoliberal em Honduras e tampouco se importa com as relações do filho de Jair Bolsonaro com as milícias que assassinaram Marielle Franco. 

    Não, ninguém do Grupo de Lima e seu aliado Estados Unidos julga grave as violações dos direitos humanos nestes países todos. O que se esconde por trás desta preocupação com a Venezuela não se chama democracia. Se chama petróleo, ouro e coltan. 

     *Katu Arkonada é cientista político, autor de livros relacionados à política latino-americana e membro da Rede de Intelectuais na Defesa da Humanidade. Este artigo foi publicado originalmente no jornal mexicano La Jornada.

    Fonte: La Vanguarda I Tradução: Mariana Serafini, publicado em português pelo portal Vermelho

  • Dilma: Bolsonaro se curva e submete o Brasil a Trump

    Artigo da ex-presidenta Dilma Rousseff, em seu site:

    O Brasil curvou-se e submeteu-se aos interesses do governo Trump ao aceitar participar do falso confronto da “ajuda humanitária” com a Venezuela, enviando alimentos e sobretudo tropas para a fronteira. É uma ação deliberada e panejada, desde a indicação de um general de nossas Forças Armadas para integrar o Comando Sul do exército americano, órgão responsável por inúmeras intervenções militares. Estamos vivendo e iremos viver, nos próximos dias e até sábado, um perigoso agravamento da crise. Um momento de profunda gravidade diante da ameaça do governo Trump de entrar na Venezuela de qualquer jeito, usando o álibi da ajuda humanitária. Tudo isso se combina com o envio de tropas de alguns países para a fronteira venezuelana, inclusive tropas brasileiras.

    Assim, o Brasil abaixa a cabeça e se submete ao interesse do governo americano em usufruir do petróleo venezuelano e aceita trazer para o nosso continente um conflito armado, contrariando todos os nossos princípios de não-intervenção e respeito à soberania das nações. Ontem, a decisão da Venezuela de enviar tropas e fechar a fronteira com o Brasil foi mais um passo, ainda que defensivo, nesta escalada bélica.

    Devemos deixar claro que esta posição do governo Bolsanaro traz gravíssimas consequências, em caso de guerra. Em especial, a tragédia da perda de vidas humanas de cidadãos brasileiros, latino-americanos e americanos.

    Se na campanha o atual presidente chegou a prestar continência à bandeira americana, agora o passo é mais sério. Lembremos que, dias depois da nomeação do general brasileiro para integrar unidade do exército americano, o Almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, foi recebido em Brasília pelo chanceler brasileiro e por comandantes militares, para conversar sobre a intervenção na Venezuela.

    O almirante Faller, conforme a imprensa, cobrou incisivamente a participação do Brasil, pedindo que se una aos Estados Unidos contra os países que considera inimigos globais – Rússia, China e Irã – e seus inimigos no continente americano – Cuba, Nicarágua e Venezuela.

    Ao aceitar o papel de parceiro coadjuvante nesta estratégia bélica global dos Estados Unidos, o governo Bolsonaro joga no lixo o respeito conquistado pelo Brasil como nação defensora da paz, do multilateralismo e do respeito à soberania de todos os povos. Além disso, provoca uma crise diplomática sem precedentes, e assume o risco de nos envolver numa aventura militar contra um país com o qual temos 2.190 km de fronteira e que contará, em caso de confronto armado, com apoio militar da China e da Rússia.

    A estratégia geopolítica norte-americana para a América Latina, sobretudo depois da posse de Trump, tem sido o desmantelamento das experiências democráticas do continente, por qualquer método disponível: golpes parlamentares-judiciais; aliciamento e influência sobre as eleições, como no Brasil de Bolsonaro; ou, se for inevitável, por meio de bloqueios e intervenção militar, como na Venezuela, Cuba e Nicarágua.

    O Brasil não pode se subordinar a isto. Desde a proclamação da República, o Brasil sempre adotou como princípios em suas relações internacionais a defesa da paz e da não-intervenção Agimos desta maneira no Haiti, no Líbano e no Iraque, por exemplo. O Brasil contemporâneo sempre serviu em missões de paz, nunca em ações de guerra.

    Nessa hora grave que estamos vivendo, esperamos que as nossas Forças Armadas tenham como diretriz a Estratégia Nacional de Defesa, aprovada pelo Congresso Nacional, que estabelece como princípios norteadores: ”O Brasil é pacífico por tradição e por convicção. Vive em paz com seus vizinhos. Rege suas relações internacionais, dentre outros, pelos princípios constitucionais da não intervenção, defesa da paz, solução pacífica dos conflitos e democracia.”

    Trump é a liderança mais agressiva da extrema-direita no mundo. O próprio último diretor interino do FBI, Andrew McCabe, disse que Trump quer a guerra com a Venezuela porque “eles (a Venezuela) têm todo aquele petróleo”. Ao submeter o Brasil ao risco de um conflito armado, Bolsonaro já é a versão caricata e submissa do presidente norte-americano. E, como disse o grande Machado de Assis, vai ficar com as batatas.

  • Dirigente da CTB avalia eleição de Assembleia Nacional Constituinte na Venezuela

    O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela anunciou, nesta segunda-feira (31), que 8.089.320 pessoas participaram das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC), realizada no último domingo (30).

    “Chávez não está morto, vive em nossos corações”, diz venezuelana. Eleição de Constituinte é amanhã

    Este total corresponde a 41,53% do censo eleitoral, informou a presidenta do órgão, Tibisay Lucena que avaliou positivamente o processo. “O balanço é extremamente positivo, porque a paz venceu, a Venezuela venceu. Apesar da violência, apesar das ameaças, os venezuelanos puderam expressar-se”, declarou.

    Por sua vez, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro confirmou o compromisso do governo da Constituinte, composto por 537 membros, ser um espaço de diálogo.

    O líder bolivariano disse também que a tarefa principal da ANC é consolidar um sistema para reivindicar as vítimas da violência opositora e fazer justiça, como uma forma de erradicá-la.“Esta é uma Constituinte para por ordem, fazer justiça e defender a paz”, expressou.

    Na opinião do secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e secretário-geral adjunto da Federação Sindical Mundial (FSM), Divanilton Pereira, a eleição assumiu uma proporção que “extrapola as fronteiras daquele país”.

    O dirigente denunciou ainda a tentativa da oposição em desestabilizar a Venezuela. “Forças políticas oligárquicas locais em aberto conluio com a dos Estados Unidos operam para interromper a revolução bolivariana. Um movimento que objetiva estabelecer o neocolonialismo na América Latina e o Caribe”, alertou Pereira.

    Por isso, disse, a vitoriosa participação do povo nessa eleição, superando o boicote e a violência oposicionista, abre novas possibilidades para o projeto bolivariano e, ao mesmo tempo, reforça a nossa resistência contra os intentos imperialistas.

    Portal CTB com agências
    Foto: Handout/Reuters

  • Duas propostas antagônicas sobre a Venezuela na ONU

    O Conselho de Segurança da ONU analisa nesta quinta-feira (28) duas propostas antagônicas sobre a Venezuela, uma contra e outra a favor do governo Maduro. A primeira, apresentada pelos Estados Unidos, contesta a legitimidade do presidente chavista e pede novas eleições presidenciais. A outra, sugerida pela Rússia, defende o atual governo e o princípio da soberania nacional e não intervenção; sugere que a ajuda humanitária seja endereçada a Nicolás Maduro e às autoridades do país e adverte contra o uso da força.

    A proposta de Moscou confronta o projeto de Washington de que as remessas de alimentos e remédios sejam manipuladas pela oposição para fortalecer e legitimar o deputado golpista Juan Guaidó, que por orientação do vice-presidente norte-americano, Mike Pence, se autoproclamou presidente interino da Venezuela em 22 de janeiro.

    Intervenção ou soberania?

    São duas propostas antagônicas que revelam a divisão do Conselho de Segurança da ONU e o impasse que deverá resultar em rejeições mútuas, visto que as potências nucleares (EUA, Rússia, China, Inglaterra e França) têm poder de veto no organismo. Rússia e China apoiam o governo de Nicolás Maduro, ao passo que os EUA estão em feroz ofensiva para derrubá-lo e colocar um ponto final na revolução bolivariana, que desafiou o império e proclamou o objetivo de construir uma sociedade socialista.

    Mesmo se obtiver maioria entre os 15 membros do Conselho de Segurança nenhuma das duas propostas terá o respaldo da ONU em função do direito ao veto das cinco potências nucleares. A pressão dos EUA é intensa, mas esbarra na oposição de Moscou e Pequim, que parecem determinados a lutar por uma nova ordem internacional sem intervenções de potências estrangeiras em conflitos internos de outros países e fundada no respeito à autodeterminação dos povos.

    O conflito interno da Venezuela, que tem um nítido caráter de classes, está deste modo compreendido numa batalha geopolítica mais global que coloca em questão a decadente ordem imperialista definida pelos acordos de Bretton Wodds (1944), cuja fundamento é a hegemonia econômica, política e militar dos EUA, cuja decadência é hoje notória.

    Ofensiva imperialista

    Os EUA são em grande medida responsável pela crise que perturba a sociedade venezuelana, pois estão movendo uma cruel guerra econômica contra o regime chavista, com sanções de toda ordem e estímulo à violência e ao golpismo desde que Chávez chegou ao poder em 1998. O interesse maior e não confessados dos imperialistas americanos é tomar conta das maiores reservas petrolíferas do mundo e conter a crescente influência da China no continente.

    Em abril 2002 o líder da revolução bolivariana foi vítima de um golpe apoiado por Washington, que não teve respaldo popular e não chegou a durar 48 horas. Chávez voltou ao Palácio de Miraflores pelas mãos do povo e militares patriotas e revolucionários. O ano seguinte (2003) também foi marcado por iniciativas golpistas, lideradas pelos executivos da PDVSA, uma espécie de Petrobras venezuelana.

    Eles também acabaram derrotados, mas o espírito golpista continuou influenciando os círculos reacionários frequentados pela burguesia e latifundiários do país, aliados dos EUA. Nicolás Maduro também não teve momentos de sossego, enfrentou manifestações violentas capitaneadas pela extrema direita em 2014 e 2017 e agora depara-se com o golpe comandado pelo deputado Juan Guaidó.

    Bolsonaro e Guaidó

    Nesta quinta-feira (28) o golpista Guaidó foi recebido por Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Foi o encontro de dois líderes da extrema-direita latino-americana, ambos caudatários da política imperialista emanada de Washington e fãs do presidente Donald Trump. Num rasgo de demagogia bizarra e de mau gosto, Bolsonaro disse que "Deus é brasileiro e venezuelano". O apoio do presidente brasileiro ao líder da oposição venezuelana, que não passa de um fantoche da Casa Branca, não corresponde aos interesses do nosso povo, que já está sofrendo as consequencias, e viola a Constituição de 1988, que consagra o princípio da não intervenção e de solução pacífica para os conflitos políticos domésticos das nações.

    É um gesto que tampouco está em harmonia com os sentimentos do povo venezuelano, que não respaldou o extremista Guaidó, não deseja a guerra civil e rejeita a intervenção do imperialismo. O mesmo se pode dizer em relação às Forças Armadas Bolivarianas e à Justiça do país, que apesar da crise e das pressões imperialistas continuam leais ao governo Maduro.

    Umberto Martins

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