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Dom, Jun

Venezuela

  • O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou nesta quarta-feira (1º) a oposição liderada por Juan Guaidó de querer iniciar uma guerra civil na Venezuela. Ele também alertou que os Estados Unidos poderiam ordenar uma invasão militar caso a tensão interna desaguasse num conflito armado.

    "Se tivéssemos mandado tanques para os enfrentar, o que teria acontecido? Um massacre entre venezuelanos", afirmou o presidente.

    Essa foi a segunda aparição pública de Maduro desde a escalada das tensões políticas na Venezuela após Guaidó tentar um frustrado golpe militar e bazofiar que tinha apoio militar na terça-feira (30). Houve confrontos entre manifestantes e policiais nos dois dias, que, segundo fontes locais, deixaram mais de 100 feridos e quatro mortos.

    Mais cedo, um grupo fez vigília diante do palácio presidencial de Miraflores. A milícia bolivariana também se posicionou perto da sede do governo.

    Maduro escreveu uma mensagem sobre o 1º de maio no Twitter na qual afirma que a classe trabalhadora sempre terá nele um presidente "que sempre defenderá seus direitos e revindicações, fazendo frente ao império e seus lacaios, que pretendem tirar nossas conquistas". "Fracassarão. Nós venceremos!", afirmou.

    Imperialismo americano

    John Bolton, assessor especial do governo de Donald Trump, foi quem tramou o "golpe de Estado", segundo Maduro. Os Estados Unidos convocam países vizinhos, entre eles Colômbia e Brasil, para coordenar a derrubada do regime.

    "Quem quiser chegar a Miraflores [palácio presidencial] tem que ganhar eleições, esta é a única forma de chegar à presidência venezuelana. Apenas o povo coloca e tira. Não são as armas que colocarão, jamais, um presidente fantoche na presidência", disse Maduro.

    Grande jornada de consultas

    Em seu discurso nesta quarta, Maduro também convocou o povo, e em particular três setores da sociedade, para "uma grande jornada de consultas", na qual diz estar disposto a ouvir sugestões sobre como lidar com o bloqueio imposto pelos Estados Unidos e como melhorar a vida da população venezuelana.

    Para reuniões no próximo fim de semana, ele convocou o Congresso Bolivariano dos Povos, que reúne centenas de organizações, integrantes do Partido Socialista Venezuelano e também governadores e prefeitos de todo o país, a quem pediu que apresentem planos.

    "Todos os dias, penso como podemos melhorar, que coisas temos que mudar", afirmou.

  • Teve inicio no último sábado, 24 de fevereiro, e prossegue até o dia 28, em Caracas, capital da Venezuela, a Assembleia Internacional dos Povos. O evento reúne cerca de 400 pessoas oriundas dos cinco continentes e representam mais de 100 movimentos sociais, que manifestam sua solidariedade à “Revolução Bolivariana” e à soberania da Venezuela, ao mesmo tempo em que condenam e denunciam a ingerência do imperialismo norte-americano, que ameaça abertamente com a intervenção militar.  O Brasil participa com 30 delegados/as, dirigentes de diferentes organizações e  movimentos sociais, incluindo o movimento sindical.

    A  dirigente Vânia Marques, secretaria de Movimentos Sociais  da CTB e trabalhadora rural da Bahia, representa a central na reunião. "Apesar de todo o terrorismo que as mídias oficiais tem disseminado no Brasil”, observou, “o clima aqui é de resistência, segundo venezuelanos com quem tive a oportunidade de conversar. Esse não é o primeiro ataque do imperialismo estadunidense contra o país. Por onde se anda respiramos ares de revolução, nas artes, pinturas, grafites, o patriotismo e o chavismo estão presente nas ruas”.

    Segundo Vânia, o primeiro dia do encontro traduziu o forte sentimento de resistência e solidariedade. As falas acenam para uma forte aliança internacionalista dos povos. É preciso enfrentar o avanço do imperialismo de forma organizada, e desmascarar as mentiras que, através da mídia burguesa, espalha pelo mundo a fora.

  • Com o pretexto de que a Venezuela não adotou as regras estabelecidas pelo Mercosul (Mercado Comum do Sul), os chanceleres dos países fundadores do bloco (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) decidiram que sua presidência não será exercida pelo país bolivariano conforme cronograma, mas por meio de uma coordenação conjunta.

    Em nota divulgada pelo Itamaraty, na última terça-feira (13), os quatro países também ameaçaram suspender o país do bloco. “Em 1º de dezembro de 2016, a persistir o descumprimento de obrigações, a Venezuela será suspensa do MERCOSUL”, diz a declaração assinada pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra.

    Em julho deste ano, o Uruguai encerrou a presidência rotativa do Mercosul que, segundo a ordem alfabética, regra definida pelo bloco, deveria ter sido passada para a Venezuela, porém a Argentina, Brasil e Paraguai se opuseram à transferência.

    Atitude rechaçada por diversas organizações, entre elas a CTB e a Federação Sindical Mundial para o Cone Sul, que emitiram comunicados denunciando a iniciativa contra o governo venezuelano de Nicolás Maduro.

    Para o acordo, os três países votaram a favor de uma presidência colegiada, já o Uruguai se absteve. Em seu twitter, a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, repudiou a decisão. “A Venezuela, em exercício pleno da presidência pró-tempore do Mercosul e em resguardo de seus tratados rechaça a declaração da Tríplice Aliança [Brasil, Argentina e Paraguai]”, segundo ela, esta declaração vulnera a legalidade da organização.

     



    Para o secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, esta é mais uma ofensiva das forças conservadoras e do imperialismo estadunidense contra os governos progressistas. “Depois do Brasil, o principal alvo da direita latino-americana é a Venezuela”, alerta o sindicalista.

    Sobre a alegação de que o país teria descumprido compromissos assumidos no Protocolo de Adesão ao Mercosul, assinado em Caracas em 2006, Delcy declarou: "Em breve, vamos expor a verdade  sobre o acervo normativo da Venezuela e do resto dos países-membros, assim como as ações para proteger o Mercosul". Segundo ela, seu país não permitirá violações aos tratados do bloco. Ela denunciou ainda que esta tentativa de destruir Mercosul é um reflexo da "intolerância política e desespero dos burocratas". 

     

    Érika Ceconi - Portal CTB

  • Os professores da Universidade Nacional Experimental Rafael Maria Baralt, instituição que, através da docência, investigação e extensão, busca a transformação e desenvolvimento da sociedade venezuelana, emitiram nota denunciando a intromissão dos Estados Unidos nos assuntos internos do país latino-americano. Segue a íntegra:

    COMUNICADO

    Os professores da Universidade Nacional Experimental Rafael Maria Baralt repudiam o intervencionismo dos Estados Unidos em sua estratégia de deslegitimação do governo do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolas Maduro Moros.

    O povo soberano da Venezuela, digno herdeiro do Libertador Simon Bolívar, é o único legitimado para qualificar seu sistema democrático e o fez legal e repetidamente nos últimos 19 anos, ante os olhos do mundo, depositando sua confiança nos resultados de 25 processos eleitorais, assim como nas profundas transformações sociais enunciadas em nossa Constituição.

    Portanto, nós, os docentes membros do Sindicato Único Bolivariano de Professores da Universidade Nacional Experimental Rafael Maria Baralt, rechaçamos categoricamente a intervenção e a qualificação de ilegítimo ao governo do presidente Nicolas Maduro emanada a vice-presidência dos Estados Unidos da América, em representação de seu porta-voz, senhor Mike Pence. Venezuela é governada pelos venezuelanos, não aceitamos ingerência imperial, estamos dispostos a defender no cenário que se apresente nossa pátria e nossa soberania.

    Do mesmo modo, a República Bolivariana da Venezuela demonstrou crer nas leis internacionais, no diálogo e na autodeterminação dos povos. Neste sentido, exigimos que o governo dos Estados Unidos da Améria não interfira em nossos assuntos internos e respeite o sistema constitucional que o povo soberano da Venezuela construiu com paz, liberdade e independência.

    Cabimas, Venezuela, 22 de janeiro de 2019

    Fonte: Contee

  • Especialistas russos estão na Venezuela como parte do acordo de cooperação técnico-militar de 2001 com Caracas, que não precisa de mais aprovação, informou o Kremlin após relatos da chegada de dois aviões militares com tropas e cargas. Diante das relações do governo Trump, a chancelaria russa respondeu que os EUA ainda consideram "a América Latina uma área de seus interesses exclusivos; seu próprio 'quintal' e exige obediência inquestionável" como era nos tempos coloniais sob a Doutrina Monroe.

    A Rússia desenvolve suas relações com a Venezuela "em estrita conformidade com a Constituição deste país e no pleno respeito de sua legislação", declarou a representante oficial do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova.

    Acordo

    O acordo existente foi ratificado tanto pela Rússia quanto pela Venezuela, e "não exige aprovação adicional da Assembleia Nacional da Venezuela", ressaltou.

    Zakharova estava respondendo a um pedido da mídia para comentar sobre a suposta "intromissão" russa nos assuntos venezuelanos.

    Na sequência de relatos de que dois aviões militares russos transportando cerca de 100 militares e cargas desembarcando no país no sábado, a Organização dos Estados Americanos (OEA) classificou como "um ato prejudicial à soberania venezuelana", enquanto o Departamento de Estado dos EUA insistiu em que era "uma escalada imprudente da situação" no país.

    Intervenção imperialista

    Um dos mais fortes defensores da derrubada do governo de Nicolás Maduro, o conselheiro de Segurança dos EUA, John Bolton, também ficou indignado ao escrever no Twitter que: "os EUA não tolerarão forças militares estrangeiras hostis se intrometendo nos objetivos comuns de democracia, segurança e democracia do Hemisfério Ocidental, e o estado de direito."

    Washington reconheceu o líder da oposição, Juan Guaidó, como o presidente legítimo da Venezuela e chegou a considerar a chamada "intervenção humanitária" para derrubar Nicolás Maduro do poder.

    Zakharova respondeu a Bolton dizendo que suas palavras provam que os EUA ainda consideram "a América Latina uma área de seus interesses exclusivos; seu próprio 'quintal' e exige obediência inquestionável" como era nos tempos coloniais sob a Doutrina Monroe.

    Doutrina Monroe

    A Doutrina Monroe, nomeada em homenagem ao presidente dos Estados Unidos James Monroe, era uma política de oposição ao colonialismo europeu no hemisfério ocidental a partir de 1823, com Washington essencialmente reivindicando a administração das Américas. Ao mesmo tempo, a doutrina afirmava que os EUA não interfeririam nos assuntos internos dos países europeus.

    Se os americanos negam a outros países o acesso ao Hemisfério Ocidental, ele levanta a questão "o que eles estão fazendo no Hemisfério Oriental?", questionou a diplomata russa, referindo-se à forte presença militar dos EUA na Europa e seu envolvimento em "revoluções coloridas" nos Estados da antiga União Soviética e nos Balcãs.

    "Talvez, eles acreditem que as pessoas desta parte do mundo ficarão agradecidas quando Washington mudar seus líderes intencionalmente e matar os indesejados. Ou os EUA ainda acreditam que as pessoas estão esperando que os americanos lhes tragam a democracia nas asas de seus bombardeiros. Pergunte aos iraquianos, líbios ou sérvios sobre isso", afirmou a representante do Ministério de Relações Exteriores russo.

    A Rússia também fez questão de deixar claro nesta quinta-feira (28) que as tropas que chegaram nos últimos dias à Venezuela permanecerão no país "o tempo que for necessário" para o regime de seu aliado, o presidente Nicolás Maduro; na quarta-feira (26), o presidente norte-americano, Donald Trump, pediu à Rússia que saia da Venezuela, após a tensão criada pelo envio de militares e materiais russos para Caracas; e o chanceler brasileiro, o lacaio Ernesto Araújo, repetiu o que foi dito por Washington, que os militares russos enviados à Venezuela devem deixar o país se o seu propósito for o de "manter o governo de esquerda no poder". Levou uma banana e foi ignorado pelos russos.

    Fonte: Sputnik e 247

  • Por Socorro Gomes (*)

    Em diversos países a última semana foi marcada por manifestações, sempre silenciadas pela mídia empresarial, de solidariedade com o povo venezuelano. O Brasil foi palco de algumas delas. Na última sexta-feira (8) centenas de pessoas, lideradas por partidos políticos e movimentos sociais, foram até o Consulado Geral da Venezuela em São Paulo, externar sua solidariedade com o governo legítimo e constitucional do presidente Nicolás Maduro e com o povo irmão, que é vítima de uma tentativa de golpe de Estado e encontra-se sob ameaça de intervenção militar.

    Como presidenta do Conselho Mundial da Paz, somo-me a essas vozes de protesto contra a política de mudança de regime e a tentativa criminosa de derrubar o governo legítimo da Venezuela, A guerra   em preparação, comandada  por Donald Trump  e seus fantoches do cartel de Lima, tem o objetivo de controlar e apropriar-se das maiores reservas de petróleo conhecidas do planeta, além de outras importantes fontes de recursos naturais.

    Os Estados Unidos agem como Estado fora da lei buscando através da sabotagem, das sanções econômicas, da guerra midiática e diplomática,  impor o terror no país através de um fantoche que se autoproclamou “presidente encarregado”, totalmente a serviço de sua política de ingerência, violando as leis internacionais e levando o continente à beira  da guerra e devastação.

    São falsos os pretextos usados pelos imperialistas estadunidenses, de que defendem a democracia e os direitos humanos na Venezuela. O que querem é o controle das imensas riquezas petrolíferas e outros recursos do país. Querem impor seus interesses e domínio no continente e impedir pela força a afirmação de nações soberanas.

    Se o mundo permitir a concretização do ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, estará dando carta branca à repetição de crimes de lesa-humanidade, típicos do nazismo de Hitler e do imperialismo em crise dos tempos atuais. Não se pode, sob nenhum pretexto, permitir a repetição de guerras como as que destruíram a Iugoslávia e dilaceraram o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Síria.

    Para ser livre, justo e equilibrado, o mundo não pode permitir tais desatinos, mas ater-se sempre à autodeterminação das nações e povos, como direito inalienável e sagrado, reconhecido pela Carta das Nações Unidas.

    Não se pode admitir as intervenções de um país sobre outro, os golpes antipopulares, a violação da soberania nacional, a guerra imperialista.

    O povo venezuelano é vítima de ameaças, golpes e agressões, inclusive a ameaça de intervenção armada pelo governo Trump, seus lacaios internos e no entorno latino-americano.

    Os povos devem levantar a voz e condenar a ingerência dos Estados Unidos e da União Europeia que, ao arrepio do Direito Internacional, fomentam a instabilidade, ao legitimar um autoproclamado “presidente interino” ou “presidente encarregado”, num ato que ignora as instituições democráticas do país.

    Agora, esse “presidente”, num gesto de covardia e traição nacional, afirma que vai solicitar a intervenção externa.

    Para além dos pretextos sobre a “defesa dos direitos humanos” e da “democracia” na Venezuela, invoca-se a “crise humanitária”. Contando com aliados servis, os Estados Unidos iniciaram uma operação fraudulenta de envio de “ajuda humanitária”, que não passa da instalação de um corredor para guerra. Já conta com o beneplácito do governo colombiano e espera a adesão do Brasil.

    Apoiamos o povo venezuelano e seu governo legítimo nos esforços para seguir adiante na construção do sistema político e econômico que corresponde aos interesses nacionais e populares.

    Defendemos o diálogo nacional e as iniciativas diplomáticas em favor da paz na Venezuela para impedir a realização dos criminosos planos agressivos do imperialismo.

    Renovamos a nossa convicção de que vale a pena lutar pela paz, a soberania nacional e a autodeterminação dos povos.

    (*) Socorro Gomes é presidenta do Conselho Mundial da Paz

  • A Venezuela é um país sul-americano cuja experiência social foi transformada após a primeira eleição de Hugo Cháves em 1998. A adoção do modelo econômico do "socialismo do século XXI" reconquistou a liberdade da nação ao editar uma nova Constituição para o país, cujo objetivo final é o de “construir uma sociedade sem classes sociais, que é uma sociedade comunista”.

    O país enfrentou mais de uma tentativa de golpe de Estado desde então, orquestradas pela elite econômica neoliberal. Atualmente governada por Nicolás Maduro, a nação atravessa uma guerra econômica desencadeada por parte do empresariado através da inflação e do desabastecimento. Com a queda do preço do petróleo, a situação se agravou, e o país enfrenta o desafio de estabelecer um novo modelo de produção, menos dependente do produto.

  • Delcy Rodríguez era a presidenta da Assembleia Nacional Constituinte e passou a exercer a vice-presidência da Venezuela com a nomeação feita pelo presidente reeleito Nicolás Maduro, nesta quinta-feira (14). Assim ela entra para a história do país como a primeira mulher a exercer a vice-presidência.

    "Designei como vice-presidente executiva uma mulher jovem, valente, aguerrida, filha de mártir, revolucionária e provada em mil batalhas; nossa irmã Delcy Eloína Rodríguez", escreveu Maduro em seu Twitter.

    Além de Delcy, dos 11 ministérios anunciados por Maduro, seis serão chefiados por mulheres. Nos países governados por forças progressistas, cresce a participação das mulheres em cargos de primeiro escalão. Ainda falta o anúncio dos outros dezoito novos ministros ou ministras.

    O presidente da Venezuela chegou a mencionar uma “revolução feminista” em seu país. O que pode significar a participação de mais mulheres no primeiro escalçao de seu novo governo.

    Advogada de 49 anos, Rodríguez ascendeu a posições de grande confiança dentro do governo de Maduro: foi sua ministra de Comunicação entre 2013 e 2014, chanceler entre 2014 e 2017. Assumiu a presidência da Assembleia Constituinte – que rege o país com plenos poderes – desde a sua instalação em agosto de 2017.

    Também é presidenta do movimento “Somos Venezuela”, criado para impulsionar a candidatura à reeleição de Maduro nas últimas eleições em 20 de maio, junto com o governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

    Portal CTB com agências. foto: Ronaldo Schemidt/AFP

  • Obscurecida por uma cortina de fumaça midiática que nos quer convencer de que se trata de um dilema entre democracia (concebida como um valor universal) e ditadura, os conflitos políticos que sacodem a Venezuela e envolvem todo o seu entorno adquirem cada vez mais os contornos de um embate geopolítico que opõem notoriamente os Estados Unidos à China e à Rússia.

    O objetivo à margem da retórica é o controle das maiores reservas de petróleo do mundo e preservação da hegemonia mundial. A Europa, embora aparentemente em cima do muro e desfiando contradições e remorsos, tende a respaldar as aventuras da Casa Branca.

    O governo de Nicolás Maduro conta com o apoio da China (que investiu cerca de US$ 70 bilhões na Venezuela) e da Rússia, que defendem o consagrado direito internacional das nações à autodeterminação, que por definição exclui e condena a possibilidade de intervenção estrangeira em pelejas domésticas, princípio também proclamado pela Celac e pelos governos progressistas da América Latina e Caribe.

    Onda conservadora

    Mas a onda conservadora que invadiu o continente ao longo dos últimos anos, distribuindo golpes de Estado e fortalecendo políticos conservadores, alterou as percepções e a correlação de forças políticas, revertendo o processo de integração regional que desaguou na Celac e desenhou um novo arranjo geopolítico hostil ao hegemonismo de Washington, que parece ter recuperado o comando da situação.

    Não se pode dizer por quanto tempo o quadro atual prevalecerá, mesmo porque ele não está em sintonia com as transformações econômicas, objetivas e silenciosas, ocorridas nas últimas décadas, traduzidas na ascensão da China, que se transformou na maior economia do planeta, e na progressiva decadência do poderio econômico relativo dos EUA.

    A sensação de declínio, ampliada com Donald Trump e sua guerra comercial, deixou os imperialistas americanos ainda mais arrogantes e belicosos. A forma com que se conduzem diante da crise na Venezuela, apoiando abertamente um golpe de Estado, é emblemática. Os EUA deflagraram o que alguns críticos do imperialismo caracterizaram como guerra híbrida, uma espécie de guerra por procuração, terceirizada, promovida por lacaios.

    Porém, frente à resistência do governo Maduro, que conta com o precioso apoio das Forças Armadas, da Corte Suprema e da população mais pobre, o impasse se agravou e crescem os indícios de que a guerra híbrida tende a evoluir para uma intervenção militar direta.    

    Intervenção militar

    Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova, o governo dos Estados Unidos está "preparando o cenário" para uma intervenção militar no país e a narrativa de "intervenção humanitária" (para defesa da democracia) não passa de uma "operação de encobrimento". A decisão de intervir militarmente já foi tomada, de acordo com informações da porta-voz ao RT, canal estatal russo de televisão.

    “Continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”, disse a representante do governo da Rússia, aliado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

    A crise no país sul-americano se acentuou depois que o deputado oposicionista Juan Guaidó, com o apoio dos Estados Unidos, se autoproclamou presidente República. Ele foi reconhecido por uma série de países aliados aos EUA e pela União Europeia. Países como China, Turquia e Rússia, no entanto, seguem reconhecendo a legitimidade de Maduro.

    Para a porta-voz do governo da Rússia, a presença de militares norte-americanos na área de fronteira da Venezuela, que ocupam essas regiões sob a justificativa da “ajuda humanitária”, não passa de uma “operação de encobrimento” que tem, por objetivo, a intervenção militar direta.

    Operação de encobrimento

    “Nesta situação, você chega a uma conclusão óbvia: de que Washington já tomou a decisão de intervir militarmente na Venezuela. Todo o resto é operação de encobrimento”, disparou.

    As declarações de Zajárova vêm quatro dias após o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, admitir que tem a intervenção militar como uma “opção” para resolver a crise na Venezuela.

    “Gostaria de lembrar que tais declarações de autoridades norte-americanas são uma violação direta do artigo da Carta da ONU, que obriga todos os membros da organização a não ameaçarem ou fazerem o uso da força em suas relações internacionais”, disse a porta-voz.

    Cúmulo do cinismo

    Na mesma declaração desta quinta-feira (7), a porta-voz do governo russo chamou de “cúmulo do cinismo” a postura dos Estados Unidos ao criticar o governo de Nicolás Maduro ao mesmo tempo em que impõe sanções econômicas que agravam a crise no país.

    “Eles dizem que os venezuelanos vivem mal com este governo. Bem, não imponham sanções! Deixe o estado vivo para que se desenvolva e resolva seus próprios problemas, não os agrave”, pontuou. A hipocrisia já foi considerada por um atento observador como um patrimônio nacional dos EUA, embora seja um patrimônio exclusivo das suas classes dominantes. É, com efeito, uma arte na qual são inigualáveis.

    Umberto Martins, jornalista, editor do Portal CTB e autor do livro "O golpe do capital contra o trabalho". 

  • Por Max Blumenthal [*] e Dan Cohen [**]

    Antes do fatídico dia 22 de Janeiro, menos de um em cada cinco venezuelanos tinha ouvido falar de Juan Guaidó. Há apenas alguns meses, este homem com 35 anos era um personagem obscuro de um grupo de extrema-direita politicamente marginal e associado a tenebrosos atos de violência nas ruas. Mesmo no seu próprio partido, Guaidó não passara de uma figura de nível médio na Assembleia Nacional dominada pela oposição e que agora age como um órgão que despreza a Constituição da Venezuela.

    Porém, após um único telefonema do vice-presidente dos Estados Unidos da América, Mike Pence, Guaidó proclamou-se presidente da Venezuela. Ungido em Washington como dirigente máximo do seu país, um personagem político anteriormente desconhecido foi colocado nos palcos internacionais como chefe de uma nação que possui as maiores reservas petrolíferas do mundo.

    Ecoando o consenso existente em Washington, o New York Times saudou Guaidó como "um rival credível" para Maduro, com "um estilo refrescante e uma visão capaz de levar o país em frente". O Conselho Editorial da Blooomberg aplaudiu-o por procurar a "restauração da democracia" e o Wall Street Journal declarou-o "um novo líder democrático". Enquanto isso, o Canadá, numerosos países europeus, o Parlamento Europeu, Israel e o bloco de países latino-americanos de direita conhecido como Grupo de Lima reconheceram Guaidó como dirigente legítimo da Venezuela.

    Mais de uma década de preparação

    Guaidó parece ter-se materializado do nada. Ele é, no entanto, o produto de mais de uma década de preparação a cargo das fábricas de mudanças de regimes geridas pelo governo dos Estados Unidos.

    Juntamente com um grupo de ativistas estudantis de direita, Juan Guaidó foi treinado para minar o governo de orientação socialista da Venezuela, desestabilizar o poder e, um dia, tomar o poder. Embora tenha sido uma figura menor na política venezuelana, passou anos mostrando-se nos salões de poder em Washington.

    "Juan Guaidó é um personagem criado para esta circunstância", afirmou Marco Teruggi, um sociólogo argentino e cronista da política da venezuelana, à publicação The Grayzone. "É o produto de uma lógica de laboratório: Guaidó é como uma mistura de vários elementos que dão forma a um personagem que, com toda a honestidade, oscila entre o ridículo e o preocupante".

    Diego Sequera, jornalista e editor venezuelano da publicação de investigação Misión Verdad, concordou: "Guaidó é mais popular fora do que dentro da Venezuela, especialmente nos círculos de elite da Ivy League [1] e Washington", disse. "É uma figura conhecida nesses meios, previsivelmente de direita e leal às opiniões e tendências que aí se manifestam".

    Embora Juan Guaidó seja vendido como o rosto da "restauração democrática", passou a sua carreira interna dentro da facção mais violenta da oposição mais radical da Venezuela, colocando-se na vanguarda das campanhas de desestabilização, uma após outra. O seu partido tornou-se amplamente desacreditado na Venezuela e é parcialmente responsável por fragmentar uma oposição enfraquecida.

    "Esses dirigentes radicais não têm mais que 20% nas sondagens de opinião", escreveu Luís Vicente León, principal investigador nessa área. Segundo León, o partido de Guaidó continua isolado, porque a maioria da população "não quer guerra, o que pretende é uma solução".

    Não é democracia, é colapso

    É precisamente por isso, porém, que Guaidó foi escolhido por Washington: não se espera que instaure a democracia na Venezuela mas provoque o colapso de um país que, nas últimas duas décadas, tem sido um baluarte da resistência à hegemonia dos Estados Unidos. A sua ascensão significa o culminar de um projecto de duas décadas para destruir uma forte experiência socialista.

    Desde a eleição de Hugo Chávez, em 1998, os Estados Unidos lutaram para restabelecer o controlo sobre a Venezuela e as suas vastas reservas de petróleo. Os programas socialistas de Chávez podem ter redistribuído a riqueza do país e ajudado a tirar milhões da pobreza, mas tornaram-no um alvo a abater. 

    Em 2002, a oposição de direita conseguiu derrubar Chávez com apoio e reconhecimento dos Estados Unidos, mas só até que oficiais patriotas contrário ao golpe intervissem restabelecendo a sua presidência, após uma mobilização popular de massas. Durante as administrações norte-americanas de George W. Bush e Barack Obama, Chávez sobreviveu a vários planos para o assassinarem, antes de sucumbir de câncer em 2013. O seu sucessor, Nicolás Maduro, sobreviveu a três tentativas de assassínio.

    A administração Trump elevou imediatamente a Venezuela até ao topo da lista de alvos da mudança de regime a conseguir por Washington, qualificando o país como o principal da "troika da tirania". No ano passado, a equipe de segurança a serviço de Trump tentou recrutar militares para montar uma junta ditatorial, mas o esforço falhou.

    De acordo com o governo venezuelano, os Estados Unidos também estiveram envolvidos numa conspiração com o nome de código "Operação Constituição" para capturar Maduro no palácio presidencial de Miraflores; e numa outra ação, designada Operação Armagedão, para o assassinar em Julho de 2017, durante uma parada militar. Pouco mais de um ano depois, chefes da oposição exilados tentaram matar Maduro com bombas instaladas num drone numa parada militar em Caracas.

    Experiência no "açougue dos Balcãs"

    Mais de uma década antes destes acontecimentos, um grupo de estudantes da oposição de direita foi selecionado e preparado ao pormenor por uma academia de treino de mudanças de regime, financiada pelos Estados Unidos para derrubar o governo da Venezuela e restaurar a ordem neoliberal. Tratou-se de um processo de treino inserido no quadro de "exportação da revolução" e que semeou várias "revoluções coloridas".

    Em 5 de Outubro de 2005, com a popularidade de Hugo Chávez no auge e o seu governo concretizando programas socialistas, cinco dirigentes estudantis venezuelanos chegaram a Belgrado, Sérvia, onde começaram a ser treinados para uma insurreição.

    Os estudantes viajaram por cortesia do Centro de Acção e Estratégias Não-Violentas Aplicadas ou Canvas na sigla anglo-saxónica. Esta organização é financiada em grande parte pelo National Endowment for Democracy (NED), uma instância da CIA que funciona como o principal braço do governo dos Estados Unidos para promover mudanças de regime; cofinanciam-na também o Instituto Internacional Republicano e o Instituto Nacional Democrata para Assuntos Internacionais, organizações dos dois partidos-Estado norte-americanos. De acordo com e-mails internos dados a conhecer pela Stratfor, uma empresa de inteligência conhecida como "a sombra da CIA", o Canvas "também pode ter recebido financiamento e treino da CIA durante a luta anti-Milosevic em 1999/2000".

    A rede dos EUA para promover 'revoluções coloridas

    O Canvas é um ramo do Otpor, um grupo insurrecional sérvio fundado por Srdja Popovic em 1998 na Universidade de Belgrado. Otpor significa "resistência" em servo-croata e ganhou fama internacional – e promoção ao nível de Hollywood – ao mobilizar os movimentos que conduziram à queda de Slobodan Milosevic.

    Esta célula de especialistas em mudanças de regime opera de acordo com as teorias do falecido Gene Sharp [2] , o chamado "Clausewitz da luta não-violenta". Sharp trabalhou com um ex-analista dos serviços de espionagem militares norte-americanos, o coronel Robert Helvey, para conceber um projecto estratégico que transforma os protestos numa forma de guerra híbrida, projecto esse para aplicar nos Estados que não se acomodam ao domínio unipolar de Washington.

    O Otpor foi apoiado pelo National Endowment for Democracy, a Usaid e o Instituto Albert Einstein de Gene Sharp. Sinisa Jikman, um dos principais "formadores" do Otpor, revelou uma vez que o grupo chegou a receber financiamento direto da CIA.

    De acordo com um dos e-mails que um funcionário da Stratfor deu a conhecer, depois de contribuírem para derrubar Milosevic "os jovens que geriam o Otpor cresceram, passaram a vestir fato e gravata e projetaram o Canvas… Ou, por outras palavras, um grupo de 'exportação da revolução' que lançou as sementes para várias revoluções coloridas. Ainda recebem financiamento dos Estados Unidos e, basicamente, percorrem o mundo tentando derrubar “ditadores e governos autocráticos” (aqueles dos quais os Estados Unidos não gostam)".

    A Stratfor revelou que o Canvas "voltou a sua atenção para a Venezuela" em 2005, depois de treinar movimentos de oposição que lideraram operações de mudanças de regime favoráveis à OTAN em toda a Europa Oriental.

    A Stratfor estudou o programa de treino do Canvas e descreveu a sua agenda insurrecional numa linguagem surpreendentemente contundente:

    "O êxito não está de forma alguma garantido e os movimentos estudantis são apenas o começo do que poderá ser um esforço de anos para desencadear uma revolução na Venezuela; mas os formadores são pessoas que adquiriram experiência no 'Açougueiro dos Balcãs'. Têm aptidões fora do comum. Quando virem cinco estudantes em cinco universidades venezuelanas realizando manifestações simultâneas é sinal de que o treino acabou e o trabalho real começou".

    Passagem ao "trabalho real"

    O "trabalho real" começou dois anos depois, em 2007, quando Guaidó se licenciou na Universidade Católica Andrés Bello de Caracas. Mudou-se para Washington e inscreveu-se no Programa de Governança e Gestão Política da Universidade George Washington, sob tutela do venezuelano Luís Enrique  Berrizbeitia, um dos principais economistas neoliberais da América Latina. Berrizbeitia é ex-diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e passou mais de uma década trabalhando no setor energético venezuelano sob o regime oligárquico que foi derrubado por Chávez.

    Nesse ano, Guaidó contribuiu para promover comícios contra o governo depois de este não ter renovado a licença da Radio Caracas Televisión (RCTV). Esta estação privada desempenhou um papel de liderança no golpe de 2002 contra Hugo Chávez. A RCTV mobilizou manifestações anti-governamentais, falsificou informações atribuindo a apoiantes do governo a responsabilidade por atos de violência praticados por membros da oposição e proibiu reportagens favoráveis ao chefe do Executivo durante o golpe. O papel da RCTV e de outras estações pertencentes a oligarcas na condução da frustrada tentativa de golpe foi revelado no aclamado documentário “The Revolution Will Not Be Televised” (“A revolução não será televisionada” https://www.google.com/search?q=a+revolu%C3%A7%C3%A3o+n%C3%A3o+ser%C3%A1+televisionada&rlz=1C1AKJH_enBR815BR815&oq=a+revolu%C3%A7%C3%A3o+n%C3%A3o+ser&aqs=chrome.1.69i57j0l5.5498j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8).

    No mesmo ano, os estudantes reclamaram os louros por terem contribuído para derrotar o referendo constitucional sobre o programa do governo de Chávez para "Um socialismo do séc. XXI", mediante o qual se previa "estabelecer o quadro legal para a reorganização política e social do país, dando poder direto às comunidades organizadas como um pré-requisito para o desenvolvimento de um novo sistema económico".

    "Geração 2007"

    Dos protestos em torno da RCTV e do referendo nasceu um grupo especializado de ativistas para a mudança do regime apoiado pelos Estados Unidos. Chamou-se "Geração 2007".

    Os formadores do Canvas e os meios de divulgação da Stratfor identificaram o aliado de Guaidó – um organizador de arruaças chamado Yon Goicoechea – como um "fator-chave" para derrotar o referendo constitucional. No ano seguinte, Goicoechea foi recompensado pelos seus esforços com o Prémio Milton Friedman do Cato Institute for Advancing Liberty no valor de 500 mil dólares, que ele investiu na construção da sua própria rede política “Primero Justicia”.

    Friedman, claro, foi o patrono dos neoliberais Chicago Boys importados no Chile pelo ditador Augusto Pinochet para aplicar o programa económico do regime. O Cato Institute é o think tank libertário baseado em Washington e fundado pelos irmãos Koch, os dois principais doadores do Partido Republicano e que se tornaram agressivos defensores da direita em toda a América Latina.

    WikiLeaks divulgou um e-mail de 2007 enviado para o Departamento de Estado, o Conselho de Segurança Nacional e o Departamento da Defesa pelo embaixador norte-americano na Venezuela, William Brownfield, em que elogia a "Geração 2007" por "ter derrotado o presidente venezuelano, acostumado a estabelecer a agenda política". Entre os "líderes emergentes", Brownfield identificou Freddy Guevara e Yon Goicoechea, este último "um dos mais articulados defensores das liberdades civis dos estudantes".

    Das nádegas nuas ao Vontade Popular

    Cheios de dinheiro doado pelos oligarcas libertários, os grupos radicais venezuelanos levaram para as ruas as suas táticas aprendidas com o Otpor.

    Em 2009, os jovens ativistas da Geração 2007 montaram a sua manifestação mais provocatória baixando as calças em público e recorrendo às ultrajantes táticas de guerrilha delineadas por Gene Sharp nos seus manuais para mudanças de regime. Os manifestantes mobilizaram-se contra a prisão de um aliado de um outro grupo juvenil, o JAVU. Este grupo de extrema-direita "reuniu fundos de uma variedade de fontes do governo dos Estados Unidos, o que lhe permitiu ganhar uma rápida notoriedade como linha dura dos movimentos de oposição", segundo o livro "Construindo a Comuna" do académico George Ciccarello-Maher.

    Embora o vídeo do protesto não esteja disponível, muitos são os venezuelanos que testemunham a presença de Guaidó como um dos principais participantes. Não é possível confirmar estas declarações, as quais, no entanto, são plausíveis: os manifestantes com as nádegas a descoberto eram membros do núcleo duro da Geração 2007, a que Guaidó pertencia, e envergavam t-shirts com a sua marca registada "Resistência!".

    Em 2009, Juan Guaidó expôs-se ao público de outra maneira, fundando um partido político para canalizar a dinâmica anti-Chávez que a sua Geração 2007 tinha desencadeado. Chamado Vontade Popular, o grupo é dirigido por Leopoldo López, um ativista de direita educado em Princeton, fortemente envolvido em programas do New Endowment for Democracy e eleito como presidente da Câmara de um município de Caracas que era um dos mais ricos do país. Lopez é uma figura da aristocracia política venezuelana, descendente direto do primeiro presidente do país. É também primo direito de Thor Halvorssen, fundador da Fundação dos Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos e que funciona como centro de marketing para ativistas apoiados pelos Estados Unidos em países que são alvos de Washington para mudanças de regime.

    Embora os interesses de Leopoldo Lopez estivessem perfeitamente alinhados com os de Washington, as comunicações diplomáticas norte-americanas divulgadas por WikiLeaks salientavam as suas tendências fanáticas que acabariam por levá-lo a uma marginalização em relação às tendências populares. Um email tornado público qualifica-o como "uma figura de divisão dentro da oposição (…) frequentemente descrita como arrogante, vingativa e faminta de poder". Outros destacavam a sua obsessão pelos "confrontos de rua" e as suas "opiniões inflexíveis" como fontes de tensão com outros dirigentes da oposição que davam prioridade à unidade e à participação nas instituições democráticas do país.

    Esplorando a seca contra o povo

    Em 2010, o Vontade Popular e os seus apoiantes estrangeiros mobilizaram-se para tirar proveito da maior seca que atingiu a Venezuela em décadas. Profunda escassez de energia elétrica atingiu o país devido à falta de água nas barragens. A recessão econômica global e o declínio dos preços do petróleo agravaram a crise, provocando um alastramento do descontentamento popular.

    Stratfor e Canvas  – conselheiros essenciais de Guaidó e dos quadros anti-governamentais – elaboraram um plano de elevado cinismo para apunhalarem o coração da Revolução Bolivariana. O esquema dependia de um colapso de 70% do sistema elétrico do país, em abril de 2010.

    "Este poderia ser o divisor de águas, pois há pouco que Chávez possa fazer para proteger os pobres do fracasso deste sistema", lê-se num memorando interno da Stratfor. Tais condições provavelmente "teriam o impacto de galvanizar a agitação pública de uma forma que nenhum grupo de oposição poderia esperar alcançar. Naquele momento, um grupo de oposição que melhor soubesse tirar partido da situação e virá-la contra Chávez ficaria mais perto dos seus objetivos", salienta ainda o memorando.

    Por essa altura, a oposição venezuelana recebia as generosas verbas de 40 a 50 milhões de dólares por ano de organizações governamentais dos Estados Unidos, tanto a Usaid como a NED, de acordo com um think tank espanhol, o Instituto Fride. Além disso, extraía vantagens das suas próprias contas bancárias, existentes sobretudo no exterior do país.

    Embora o cenário descrito pela Stratfor não se tenha concretizado, os ativistas do partido Vontade Popular e os seus aliados puseram então de lado quaisquer pretensões de não-violência e aderiram ao plano mais radical para desestabilizar o país.

    Nova "formação", agora no México

    Em novembro de 2010, segundo e-mails obtidos pelos serviços de segurança venezuelanos e apresentados pelo ex-ministro da Justiça Miguel Rodriguez Torres, Guaidó, Goicoechea e vários outros ativistas estudantis participaram num treino de cinco dias no hotel Fiesta Mexicana na Cidade do México. As sessões foram conduzidas pelo Otpor, a instituição para mudanças de regime baseada em Belgrado e apoiada pelo governo dos Estados Unidos. A iniciativa teve a bênção de Otto Reich, um exilado cubano e fanático anti-castrista que trabalhava no Departamento de Estado norte-americano da administração de George W. Bush, e do ex-presidente colombiano de extrema-direita Álvaro Uribe.

    No hotel Fiesta Mexicana, segundo os emails, Guaidó e os seus colegas ativistas traçaram um plano para derrubar o presidente Hugo Chávez gerando o caos violento e permanente nas ruas.

    Três figuras de proa do setor do petróleo – Gustavo Torrer, Elígio Cedeño e Pedro Burelli – terão coberto as despesas no hotel mexicano, no valor de US$ 52 mil . Torrer é um autodenominado "ativista dos direitos humanos" e um "intelectual", cujo irmão mais novo, Reynaldo Torrer Arroyo, é o representante na Venezuela da empresa privada de petróleo e gás mexicana Petroquímica do Golfo, que tem um contrato com o Estado venezuelano.

    Cedeño, por sua vez, é um empresário venezuelano trânsfuga que pediu asilo nos Estados Unidos; e Pedro Burelli é um ex-executivo do JP Morgan e ex-director da empresa estatal petrolífera da Venezuela (PDVSA), que abandonou em 1998 quando Hugo Chávez assumiu o poder. É membro do Comité Consultivo do Programa de Liderança na América Latina da Universidade norte-americana de Georgetown.

    Burelli insistiu que os emails pormenorizando a sua participação foram fabricados e contratou até um detetive particular para alegadamente o comprovar. O investigador declarou que os registos do Google revelaram que os e-mails em causa nunca foram transmitidos.

    Ainda hoje, porém, Burelli não esconde o seu desejo de ver o atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deposto – e até arrastado pelas ruas e sodomizado com uma baioneta, como aconteceu com o dirigente líbio Muammar Khadaffi, vítima de terroristas apoiados pela OTAN.

    As sangrentas "guarimbas"

    A trama do Fiesta Mexicana evoluiu para outro plano de desestabilização revelado numa série de documentos divulgados pelo governo venezuelano. Em Maio de 2014, meios governamentais mostraram provas de uma trama para assassinar Nicolás Maduro encabeçada por Maria Corina Machado, de Miami. Uma dirigente de linha dura, com tendências para a retórica extremista, que tem funcionado como um elo internacional da oposição e foi recebida em 2005 pelo presidente norte-americano George W. Bush.

    "Acho que é hora de reunir esforços; faça os telefonemas necessários e obtenha financiamento para liquidar Maduro, porque o resto irá desmoronar-se", escreveu Corina Machado num email dirigido ao ex-diplomata venezuelano Diego Arria, em 2014.

    Num outro mail, Machado afirmou que a opção violenta teve a bênção do embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, Kevin Whitaker. "Eu já me decidi, a luta continuará até que este regime seja derrubado e entregamo-nos aos nossos amigos no mundo. Se fui a San Cristobal e me expus com a presença na OEA, então nada temo. Kevin Whitaker já reconfirmou o seu apoio e definiu os novos passos. Temos um talão de cheques mais forte do que o do regime para quebrar o anel de segurança internacional".

    Naquele mês de fevereiro, manifestantes estudantis que agiam como tropa de choque da oligarquia exilada ergueram violentas barricadas em todo o país, transformando bairros controlados pela oposição em fortalezas violentas conhecidas como "guarimbas". Enquanto os media internacionais retratavam a revolta como um protesto espontâneo contra o governo de mão de ferro de Maduro, havia provas de que o Vontade Popular orquestrava o espectáculo.

    "Nenhum dos manifestantes usava t-shirts das universidades, mas sim do Vontade Popular e do Primero Justicia", declarou agora um dos participantes nas guarimbas. "Podem ter sido grupos de estudantes, mas os conselhos estudantis eram manipulados pelos partidos de oposição e são responsáveis por eles".

    Interrogado sobre quem eram os líderes do movimento, o mesmo participante nas guarimbas disse: "bem, para ser completamente honesto, eles agora são legisladores".

    A mão de Guaidó

    Quarenta e três pessoas foram mortas durante as guarimbas de 2014. Três anos depois irromperam de novo, provocando destruições massivas nas infraestruturas públicas, o assassínio de apoiantes do governo e a morte de 126 pessoas, muitas das quais chavistas. Em vários casos, partidários do governo foram queimados vivos por gangues armados.

    Guaidó esteve diretamente envolvido nas guarimbas de 2014. Na verdade, twittou um vídeo em que se exibia envergando um capacete e máscara de gás, cercado por figuras embuçadas e armadas que tinham encerrado uma estrada onde decorria um confronto violento com a polícia. Referindo-se à sua participação na Geração 2007, proclamou: "Lembro-me que em 2007 gritávamos 'Estudantes!' Agora gritamos: 'Resistência! Resistência!'"

    Guaidó apagou o twitt, manifestando aparente preocupação com a sua imagem como defensor da democracia.

    Em 12 de Fevereiro de 2014, no auge das guarimbas de então, Guaidó juntou-se a Lopez no palco de um comício do Vontade Popular e Primero Justicia. Numa longa diatribe contra o governo, Lopez instou a multidão a marchar até às instalações da procuradora-geral, Luísa Ortega Diaz. Logo depois, essas instalações foram atacadas por gangues armados que tentaram queimar a procuradora depois de a arrojarem no solo. A vítima denunciou o que qualificou como "violência planejada e premeditada".

    Durante uma entrevista na TV, em 2016, Guaidó desvalorizou as mortes resultantes de "guayas" – prática de guarimba que consiste em estender um cabo de aço atravessando de um lado ao outro de uma estrada para ferir ou matar motociclistas – como "um mito". Estes comentários tentaram branquear uma armadilha mortal que assassinou civis desarmados como Santiago Pedroza e decapitou Elvis Durán, entre outros.

    Esta indiferença e insensibilidade perante a vida humana viria a caracterizar a Vontade Popular aos olhos de grande parte do público, incluindo muitos opositores de Maduro.

    Guaidó não prestou contas à Justiça

    À medida que a violência e a polarização política aumentavam em todo o país, o governo começou a agir contra os dirigentes do Vontade Popular que contribuíram para a situação.

    Freddy Guevara, vice-presidente da Assembleia Nacional e segundo no comando do Vontade Popular, foi o principal líder dos distúrbios de 2017 nas ruas. Foi julgado por esse facto; refugiou-se na Embaixada do Chile, onde permanece.

    Lester Toledo, membro da Assembleia do Estado de Zulia eleito pelo Vontade Popular, foi procurado pela Justiça em setembro de 2016 sob a acusação de financiar o terrorismo e planejar assassínios, em colaboração com o ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe. Toledo fugiu da Venezuela, fez viagens e palestras organizadas por Human Rights Watch, a Casa da Liberdade, apoiada pelo governo norte-americano, o Congresso dos Deputados da Espanha e o Parlamento Europeu.

    Carlos Graffe, outro membro da Geração 2007 treinado pelo Otpor e também membro do Vontade Popular, foi preso em Julho de 2017. Segundo a polícia, estava em seu poder um saco de pregos, explosivos C4 e um detonador. Foi libertado em 27 de dezembro de 2017.

    Leopoldo Lopez, líder de longa data do Vontade Popular, está sob prisão domiciliar, acusado de ter um papel fundamental na morte de 13 pessoas durante as guarimbas de 2014. A Anistia Internacional definiu Lopez como "prisioneiro de consciência" e declarou "insuficiente" a sua transferência para o regime de detenção na residência. Enquanto isto, familiares das vítimas das guarimbas apresentaram uma queixa com mais acusações contra Lopez.

    Yon Goicoechea, o ícone de propaganda dos irmãos Koch e fundador do Primero Justicia, com apoio dos Estados Unidos, foi preso em 2016 pelas forças de segurança, que alegaram ter encontrado um quilo de explosivos no seu veículo. Num artigo no New York Times, Goicoechea protestou contra as acusações como "uma invenção" e afirmou que tinha sido preso simplesmente devido ao seu "sonho de uma sociedade democrática, livre do comunismo". Foi libertado em novembro de 2017.

    David Smolansky, igualmente membro da Geração 2007, treinada pela Otpor, tornou-se o mais jovem presidente de município da Venezuela quando foi eleito em 2013, no subúrbio de El Hatillo. Foi destituído e condenado a 15 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por incitar à violência nas guarimbas.

    Fugiu da prisão, rapou a barba e com óculos escuros entrou no Brasil disfarçado de padre, com uma Bíblia na mão e um rosário ao pescoço. Vive em Washington, onde foi pessoalmente escolhido pelo secretário da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, para dirigir o grupo de trabalho sobre a crise migratória e dos refugiados da Venezuela.

    Em 26 de Julho, Smolansky realizou o que qualificou como "uma reunião cordial" com Elliot Abrams , o criminoso do escândalo Irão-Contras agora escolhido por Trump como enviado especial norte-americano para a Venezuela. Abrams é conhecido por supervisionar a política clandestina dos Estados Unidos para armar esquadrões da morte durante os anos 1980 na Nicarágua, em El Salvador e na Guatemala.

    O papel que agora lhe foi atribuído no golpe venezuelano faz temer o lançamento de outra guerra por procuração banhada em sangue.

    Quatro dias antes, Corina Machado proferira outra ameaça violenta contra Maduro declarando que "se quer salvar a vida tem de perceber que o seu tempo acabou".

    O colapso do Vontade Popular devido à violência da campanha de desestabilização, alienou grandes setores de público apoiante e feriu parcialmente a sua liderança.

    Presidências sem eleições

    Guaidó continuara como uma figura relativamente menor, tendo passado a maior parte dos nove anos de carreira na Assembleia Nacional como membro suplente. Oriundo de um dos Estados menos populosos da Venezuela, Guaidó ficou em segundo lugar na sua lista das eleições parlamentares de 2015, conquistando apenas 26% para assegurar o seu lugar na Assembleia Nacional. Na verdade, até agora, talvez as suas nádegas fossem mais identificáveis do que o seu rosto.

    Guaidó é conhecido como presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, mas nunca foi eleito para o cargo. Os quatro partidos da oposição que compõem a Mesa de Unidade Democrática na Assembleia decidiram estabelecer uma presidência rotativa. A vez do Vontade Popular era a seguinte, mas o seu presidente, Leopoldo Lopez, está em prisão domiciliar; o segundo na chefia, Freddy Guevara, está refugiado na Embaixada do Chile; o seguinte na ordem eleitoral seria Juan Andrés Mejía mas, por razões que não são claras, Juan Guaidó foi o selecionado.

    "Há uma hipótese que pode explicar a ascensão de Guaidó", admite Diego Sequera, analista venezuelano. "Mejía é de classe alta, estudou numa das universidades privadas mais caras da Venezuela e é difícil popularizá-lo, ao contrário de Guaidó", diz. "Por um lado, Guaidó tem características mestiças comuns, como a maioria dos venezuelanos, e parece mais um homem do povo. Além disso, Mejía não foi exposto na midia, não poderia ser construído a partir do nada.

    Em dezembro de 2018, Guaidó passou clandestinamente a fronteira e foi a Washington, à Colômbia e ao Brasil coordenar o plano de manifestações em massa durante a posse do novo mandato de Maduro. Na noite anterior à cerimónia de posse de Maduro, o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, e a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, telefonaram a Guaidó para lhe manifestarem o seu apoio.

    Uma semana depois, o senador Marco Rubio, o senador Rick Scott e o congressista Mario Diaz-Balart – todos oriundos da base de exilados cubanos de direita – juntaram-se ao presidente Trump e ao vice-presidente Pence na Casa Branca. A pedido deles, Trump concordou que se Guaidó se proclamasse presidente ele apoiaria.

    O secretário de Estado, Michael Pompeo, encontrou-se pessoalmente com Guaidó em 10 de Janeiro, segundo o Wall Street Journal. No entanto, Pompeo não conseguiu pronunciar o nome de Juan Guaidó quando o mencionou numa conferência de imprensa em 25 de Janeiro, referindo-se a ele como "Juan Guido".

    No dia 11 de janeiro, a página da Wikipedia de Guaidó tinha sido editada 37 vezes, o que revela um esforço para moldar uma figura até então mal conhecida e que agora se tornara um quadro nas diligências de Washington para mudar o governo da Venezuela. No final, a supervisão editorial da sua página foi remetida ao Conselho de Elite de "enciclopedistas" da Wikipedia, que o definiu como "presidente contestado da Venezuela".

    Guaidó pode ter sido uma figura obscura, mas a sua combinação de radicalismo e oportunismo satisfez as exigências de Washington. "Esta peça interna estava em falta", disse um membro da administração Trump a propósito de Guaidó. "Ele era a peça de que necessitávamos para que a nossa estratégia fosse coerente e completa".

    "Pela primeira vez", disse William Brownfield, o embaixador norte-americano na Venezuela, "temos um líder da oposição que está claramente a dar sinal às Forças Armadas e à polícia de que pretende mantê-las ao seu lado".

    Venha a "intervenção humanitária"

    No entanto, o partido da Vontade Popular de Guaidó criou as suas tropas de choque das guarimbas, que provocaram a morte a polícias e cidadãos comuns. O próprio Guaidó vangloriou-se da sua participação em violentas arruaças. Agora, para conquistar os corações e as mentes dos militares e da polícia, Guaidó teve de apagar essa história banhada em sangue.

    Em 21 de janeiro, um dia antes do golpe, a esposa de Guaidó divulgou um discurso em vídeo no qual apelou aos militares para se levantarem contra Maduro. A sua performance foi tosca e desinspirada, ecoando as perspectivas políticas limitadas do marido.

    Numa conferência de imprensa perante os seus apoiantes, quatro dias depois, Guaidó anunciou a sua solução para a crise: a realização de "uma intervenção humanitária".

    Enquanto aguarda assistência direta, Guaidó continua a ser o que sempre foi – um projeto de estimação das cínicas forças externas. "Não interessa se cai e se queima com todas estas desventuras", declarou Sequera sobre a figura do golpe. "Para os americanos, ele é descartável".

    (1) Tem uma conotação essencialmente desportiva mas, em geral, significa o conjunto das oito universidades de elite do Nordeste dos Estados Unidos: Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Pensilvânia e Yale

    (2) Professor de Ciências Políticas da Universidade de Massachusetts defensor da "desobediência política" e da "não violência" cujas teses têm sido aproveitadas para desestabilizar regimes que o establishment norte-americano pretende derrubar. As instituições por ele fundadas são financiadas por organismos da CIA, como a NED, sobretudo quando se trata organizar operações do tipo da que ocorre na Venezuela.

    [*] Jornalista premiado, autor de vários livros, entre eles o best-seller Gomorra Republicano, e documentários, designadamente Killing Gaza. Fundador, em 2015, de The Grayzone Project .

    [**} Jornalista e cineasta; autor de documentários e podcasts com ampla distribuição, designadamente sobre o conflito israelo-palestino.

  • Autoridades espanholas prenderam, por acusações de narcotráfico, na última sexta-feira (12), Hugo Carvajal, general que declarou sua lealdade ao líder da oposição Juan Guaidó.

    Segundo informou uma porta-voz da Polícia Nacional Espanhola a prisão ocorreu devido a um mandado de prisão emitido pelos Estados Unidos.

    Carvajal havia fugido para a Espanha depois de ser acusado pelo governo venezuelano de vários crimes, acusações que ele atribuía a “perseguição política”.

    Em 21 de fevereiro, o general fugitivo postou um vídeo em sua conta no Twitter em que reconhecia como presidente no comando da Venezuela o autoproclamado Juan Guaidó, fantoche do Governo Trump.

    Nesse vídeo, Carvajal leu uma declaração na qual encorajou a liderança militar a abandonar Nicolás Maduro: “Depende de vocês, irmãos de armas, como isso termina. Não tenham dúvidas de que este é o lado certo da história.”

     Em resposta, Maduro expulsou-o das Forças Armadas e despojou-o do posto de Major General. Carvajal também foi acusado pelo governo venezuelano de “atos de traição contra a pátria”.

    Com pouca influência interna e sem serventia para o imperialismo, o pedido de prisão emitido pelos EUA visa tentar atingir a Revolução Bolivariana com falsas acusações de ligação ao narcotráfico, a partir de algo próximo a uma “delação premiada” na qual Carvajal envolva o governo chavista, tática que contará com apoio midiático, mas que já nasce desmoralizada pela própria origem.

    Fonte: Pátria Latina

  • Votar foi a forma de opositores e apoiadores do chavismo se posicionarem politicamente no último domingo (16), num dia que foi visto como decisivo para a estabilidade do governo de Nicolás Maduro. Numericamente, os favoráveis à manutenção do governo eleito foram maioria: mais de 11 milhões de venezuelanos participaram da simulação da Assembleia Nacional Constituinte que está marcada para dia 30 deste mês, segundo informações parciais do Comando de Campanha Zamora, que atua com o pleito da Constituinte. O Consejo Nacional Electoral (CNE), que audita as eleições na Venezuela, deve confirmar o resultado na tarde desta segunda (17).

    Paralelamente, 7 milhões de pessoas votaram no plebiscito simbólico — e considerado inconstitucional— chamado pela oposição.

    Nenhuma das duas votações podem ser consideradas representativas do total da população: em uma divisão que lembra muito a disputa brasileira "coxinhas vs. mortadelas", os cidadãos participaram somente do processo eleitoral de seu próprio grupo político — e, por isso, 98,4% dos 6.387.854 participantes do plebiscito do grupo da direita rejeitaram a formação da Assembleia Constituinte.

    Ao contrário do clima de tensão propagado pelas agências internacionais, as ruas de Caracas estavam muito tranquilas: em um dia quente e muito ensolarado, famílias inteiras passeavam pelo centro da capital com suas crianças — coincidentemente, a data era o terceiro domingo de julho, quando se comemora o dia delas aqui no país.

    A reportagem visitou dois espaços distintos: o bairro Savana Grande, onde havia um movimentado ponto de votação do plebiscito; e a região da Praça Carabobo, onde ocorria a simulação da Assembleia Constituinte no Liceo Andrés Bello e, a menos de uma quadra, outro ponto de votação do plebiscito. Todos estavam lotados, mas em nenhum momento foi possível notar hostilidade entre os grupos. Pelo contrário: tanto chavistas quanto opositores abordaram a reportagem para exaltar o quão importante era aquele momento para a democracia venezuelana.

    No entanto, o Ministério Público informou que duas pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas durante a votação do plebiscito informal no bairro de Cátia, subúrbio do oeste de Caracas. A oposição venezuelana acusa grupos paramilitares governistas, mas ainda não há informações oficiais de quem foram os causadores do ataque.

    Confiabilidade dos resultados

    Além de ser considerado ilegal, o plebiscito ainda sofre com o ônus da falta de auditoria: uma cédula de identidade ou um passaporte venezuelano dá direito a participar da eleição dentro e fora do país; a votação ocorre em cédulas de papel, que foram destruídas ao final do processo; e o CNE, que é um órgão independente do governo, também não o reconhece como legítimo.

    A deputada Tamara Adrián, que foi a primeira trans eleita para a Assembleia Nacional da Venezuela, explicou à reportagem como funcionou o processo, que ela classificou como "ato de resistência contra a ditadura". Ela, que é do partido de oposição Voluntad Popular e parte da articulação de oposição Mesa de Unidade Democrática (MUD), estava na mesa de votação do bairro de Savana Grande, em Caracas, e embasou:

    "Os votos serão contados em cada uma das mesas. As caixas são abertas às quatro da tarde, ou quando o ato terminar. A partir daí, haverá um escrutínio em cada caixa, e todo o material é destruído nesse momento, e o resultado é transmitido para o centro de totalização que foi estabelecido para esse evento".

    Segundo ela, quatro ex-presidentes latino-americanos e 150 pessoas de diferentes organizações da sociedade civil latino-americana que foram testemunhas dessa votação.

    Enquanto isso, a simulação da Constituinte contou com tecnologia de QR Code da cédula de identidade venezuelana, que garante que somente um voto por pessoa seja contabilizado, evitando fraudes.

    Constituinte

    A simulação teve o objetivo de explicar à população como funcionará a votação do dia 30. Normalmente, a votação tem uma foto do candidato na urna eletrônica; mas como são muitos candidatos, o CNE decidiu fazer por número, como os candidatos parlamentares no Brasil.

    As pessoas primeiramente se identificam, deixam as digitais em uma tabela e depois digitam o número da identidade, que concentra todas as informações do cidadão acessíveis por QR Code, em uma máquina.

    A trabalhadora do serviço penitenciário Noemi Mosqueda argumentou, assim como outros chavistas entrevistados, que Maduro tem insistido em diálogos de paz, mas sem retorno da oposição:

    "O presidente é um homem de paz. Chamou o pessoal da oposição para se sentar à mesa, e vieram lideranças internacionais para sentar-se à mesa, mas a oposição não quer fazer um acordo. Não quer fazer nada. Simplesmente, querem que ele saia. E isso se chama golpe de Estado", avaliou.

    O que votou o plebiscito?

    A cédula do plebiscito da oposição tinha três perguntas: 1) você repudia ou desconhece a realização da Assembleia Constituinte proposta pelo presidente Nicolás Maduro? 2) Exige que as forças armadas e todos os funcionários públicos obedeçam e defendam a Constituição de 1999 e respaldem a Assembleia Nacional? 3) Aprova que se proceda a renovação dos poderes públicos de acordo com o estabelecido na Constituição e a realização de eleições livre e transparentes, assim como a conformação de um governo de unidade nacional para restituir a ordem constitucional?

    Em dezembro do ano passado, deveriam ter ocorrido eleições para governadores, mas o poder eleitoral — que a oposição acusa de servir ao governo — suspendeu a votação por prazo indeterminado.

    Já o mandato de Maduro, eleito em 2013, termina somente em 2019. Novas eleições para presidente estão previstas para 2018, conforme a Constituição do país.

    Uma curiosidade: mais de um chavista afirmou que, na história da Venezuela, a palavra plebiscito está associada a um processo que ocorreu durante a ditadura do general Marcos Pérez Jiménez: em 1957, ele quis prolongar seu mandato por mais cinco anos, legitimando o desrespeito à Constituição de 1953 a partir do voto popular.

    "Aqui, a palavra ditadura não é usada sequer na democracia representativa, que é uma espécie de ditadura disfarçada. O que existe na Constituição é consulta popular, e isso que eles estão fazendo não é uma consulta popular", rebate Marta Rivera, fiscal da Superintendência para Defesa de Preços Justos.

    De Caracas, Venezuela
    Camila Rodrigues da Silva para o Brasil de Fato 

  • Está em curso uma contrarrevolução na Venezuela, sob a liderança dos EUA e com apoio das forças conservadoras nativas. O enredo já foi escrito e vem sendo encenado. O presidente Donald Trump esteve reunido na Casa Branca quarta-feira (13) com o presidente da Colômbia, Iván Duque, um político de extrema direita, ocasião em que acenou com o envio de 5 mil soldados para a fronteira daquele país com a Venezuela para assegurar a entrega de “suposta ajuda humanitária” aos venezuelanos. Duque, por seu turno, procurou justificar a intervenção, alegando que atende os anseios do povo venezuelano.

    Já o golpista Juan Guaidó, um deputado de extrema direita que contestou a posse de Nicolás Maduro e se autoproclamou presidente da Venezuela, formou uma espécie de governo paralelo e dá novos passos na tentativa de consumar o golpe. É o seu “governo” e não o de Maduro - legitimamente eleito e contando com o apoio da Corte Suprema, da Assembleia Constituinte e das Forças Armadas – que administraria a “ajuda humanitária” tramada por Washington, verdadeira capital da empreitada golpista.

    Governos capachos

    Governos reacionários e entreguistas do continente americano, como Duque na Colômbia e Bolsonaro no Brasil, aliaram-se a Trump e estão se comportando como autênticos capachos da Casa Branca. Reconheceram Gauidó, que indicou novos embaixadores e diplomatas para a representação nesses países com a missão de viabilizar a chegada da “ajuda externa”, que foi rechaçada pelo governo e as Forças Armadas.

    Os chavistas já perceberam que o presente dos EUA é uma versão contemporânea do famoso Cavalo de Troia ou, ainda, a tentativa de criar um caminho (um corredor) para a invasão militar. Com a cumplicidade da mídia burguesa em todo o continente, os imperialistas americanos encobrem suas reais intenções com o discurso cínico de que estão protegendo a democracia e promovendo uma ajuda humanitária ao povo.

    Governos capachos, como os de Bolsonaro no Brasil e Iván Duque na Colômbia se prestam ao indigno papel de servir os interesses da grande potência capitalista, enquanto o golpista Guaidó se comporta como um lacaio do imperialismo, encenando o papel que Washington lhe reservou sem maiores escrúpulos e cuidados com a soberania nacional do povo venezuelano, tão cara a Simon Bolivar, Hugo Chavez e os revolucionários bolivarianos.

    Geopolítica e petróleo

    Os interesses reais por trás da arrogância imperial da Casa Branca não têm nada a ver com democracia ou direitos humanos. O que está realmente em jogo é a apropriação das maiores reservas de petróleo do mundo e o domínio geopolítico da América Latina, ameaçado pela política externa soberana de Hugo Chávez e dos governos progressistas da América Latina, que estão sendo derrubado um a um.

    A “intervenção humanitária” foi também arguida pelos EUA para destruir a Líbia, o Iraque e a Síria, assim como a defesa da democracia contra a ameaça comunista serviu de pretexto para os golpes militares no Brasil (1964) e em toda a América Latina, também liderados por Washington.

    As forças progressistas no Brasil e em todo o mundo não podem cair no canto de sereia imperialista e devem considerar como prioridade número 1 neste momento a ativa solidariedade com o governo legítimo de Nicolás Maduro e a defesa do sagrado direito das nações à autodeterminação. Basta de intervenção e hipocrisia imperialista.

    Umberto Martins

  • A derrota militar do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, ao não conseguir, até hoje, a adesão das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), foi censurada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

    A autoridade de Washington recriminou o Presidente da Assembleia Nacional (AN) pelos fracassos sofridos após o seu reconhecimento, no passado dia 23 de janeiro, ações que não permitiram justificar a intervenção militar projetada pela Casa Branca.

    A revelação foi feita esta quarta-feira pelo portal argentino de notícias A Política Online, citado pela Prensa Latina, que descreveu que a reclamação teve lugar na reunião do autodenominado Grupo de Lima, na passada segunda-feira, em Bogotá, Colômbia.

    De acordo com o relatório, “Pence apresentou ao autoproclamado presidente Juan Guaidó um duro diagnóstico de tudo o que estava a falhar na ofensiva contra o regime chavista. A maior reclamação foi a continuidade da adesão das FANB” ao presidente legítimo, Nicolás Maduro.

    Guaidó, de acordo com a análise da plataforma digital, havia prometido ao governo dos EUA que, se a maioria dos líderes mundiais o reconhecessem como alegado presidente da Venezuela, pelo menos metade dos oficiais das FANB desertaria, o que não ocorreu.

    Por outro lado, o membro do partido da oposição Vontade Popular também não conseguiu o apoio de 50 por cento dos 194 países que compõem a Organização das Nações Unidas (ONU).

    Outra das falsas declarações do parlamentar consistiu em assegurar que a base social do sistema socialista liderado por Maduro estava “desintegrada”, uma afirmação que também não se confirmou.

    Na capital neogranadina, o funcionário norte-americano também questionou a pouco comprometida atitude dos milionários venezuelanos que vivem no exterior. “Esperava-se uma contribuição mais decidida de dinheiro para financiar a passagem de polícias, militares e políticos para a esfera de Guaidó. Até agora, tal não aconteceu”.

    Perante estes factos, importantes centros de decisão internacional aliados da presidência de Donald Trump começaram a alertar que a oposição venezuelana “poderia deixar passar o momento” que, supostamente, ganhou com o aparecimento de Guaidó.

    Por sua parte, o Governo bolivariano declarou como um dos principais fracassos do membro da AN e dos Estados Unidos, a impossibilidade de entrar no país sul-americano, no passado dia 23 de fevereiro, a suposta ajuda humanitária – como tanto anunciaram –, mecanismo utilizado para justificar a intervenção.

    Após essa derrota, Guaidó disse que os acontecimentos desse dia “obrigaram-me a tomar uma decisão: apresentar à comunidade internacional, formalmente, que devemos ter todas as opções em aberto para conseguir a libertação desta pátria”.

    No entanto, a proposta foi rejeitada pelo próprio Grupo de Lima, que, num comunicado, insistiu na continuação dos ataques contra o governo constitucional e na necessidade de o chefe de Estado venezuelano “sair”, só que “sem o uso da força”.

    * Granma: órgão oficial do Partido Comunista de Cuba.

    Fonte: http://www.granma.cu/mundo/2019-02-28/vicepresidente-de-eeuu-culpa-a-guiado-el-fracaso-del-golpe-de-estado-en-venezuela-28-02-2019-09-02-40, publicado em 2019/02/28, acedido em 2019/03/02.

    Tradução do castelhano de MFO

  • Neste sábado (23) ocorreu uma batalha considerada decisiva para definir quem realmente detém o poder na Venezuela e o resultado foi uma clara vitória dos chavistas e do presidente Nicolás Maduro. A “ajuda humanitária” proveniente dos EUA e do Brasil não atravessou as fronteiras do Brasil e da Colombia no que a grande mídia chamou de Dia D da oposição e de Juan Guaidó, o golpista que, orientado pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, se autoproclamou presidente da Venezela há 31 dias.

    Foi uma derrota dos EUA, que estão por trás da iniciativa golpista e pressionaram fortemente as Forças Armadas Bolivarianas a apoiar o lacaio Guaidó, com ajuda de governos da extrema direita, como os de Jair Bolsonaro no Brasil e Inván Duque Márquez na Colômbia. A suposta “ajuda humanitária”, rejeitada pelo governo chavista, é na verdade uma versão moderna do Cavalo de Troia. Tinha o objetivo de legitimar o golpe, mas fracassou.

    Petróleo e China

    O episódio demonstrou que o golpe não tem o respaldo da população venezuelana e que o comando do país continua nas mãos de Nicolás Maduro, que conta com o apoio da Corte Suprema, das Forças Armadas e da Assembleia Constituinte. A força de Guaidó, e do governo paralelo que busca estabelecer, não está no interior do país. Ele é apoiado pela burguesia, setores da pequena burguesia e dos latifundiários, mas não tem grande influência na classe trabalhadora e nos segmentos mais pobres.

    A força do golpista, sua inspiração e orientação, emanam de Washington, que agora exibe governos capachos em países estratégicos do continente americano, como Brasil e Colômbia. Os fatos sugerem que o projeto imperialista dos EUA, que visa simultaneamente o controle das maiores reservas de petróleo do mundo e a contenção da China, encontra forte resistência interna, sobretudo nas Forças Armadas Bolivarianas, que não se deixaram seduzir pelo canto de sereia imperialista e estão imbuídas de um forte sentimento patríótico.

    Além disto, embora a mídia hegemônica alardeie o contrário, o governo Maduro não está isolado. Tem o apoio da China, que é a maior potência comercial e financeira do mundo, e da Rússia, assim como de dezenas de outros países que não estão sintonia com a política imperialista dos EUA, que detonou uma guerra econômica contra a Venezuela entremeada de recorrentes amealas de intervenção miliatar.

    A Rússia acaba de enviar um carregamento de insumos e equipamentos médicos como parte da ajuda para enfrentar o cerco econômico dos Estados Unidos. A ajuda humanitária do governo russo chegou ao país na quinta-feira (21), ao contrário do Cavalo de Troia dos EUA, que seria manipulado politicamente por Juan Guaidó, mas foi detido nas fronteiras da Venezuela com o Brasil e a Colômbia pela Força Armada Nacional Bolivariana.

    Ofensiva imperialista

    Conforme notou o presidente Maduro o atual líder da oposição na Venezuela não passa de uma “marioneta vendida ao império”. A real intenção da “intervenção humanitária” dos EUA (como sugere a propaganda enganosa que já foi usada para destruir Líbia, Iraque e Síria) nada tem a ver com democracia e o bem estar do povo venezuelano, muito pelo contrário.

    O objetivo é o petróleo e, concomitantemente, a tentativa de impedir a crescente expansão da influência da China na região, que decorre em boa medida espontaneamente do crescimento industrial associado à globalização do comércio e dos investimentos, setores em que os chineses superaram os estadunidenses.

    Nuna será demais lembrar que os EUA estiveram por trás dos golpes militares que marcaram a história recente da América Latina (1964 no Brasil, 1973 no Chile, 1975 na Argentina, entre outros, além dos golpes "brancos", estilo século 21, contra Zelaya, em Honduras - 2009 -, Fernando Lugo, no Paraguai - 2012 -, e Dilma no Brasil - 2016).

    Os interesses imperialistas de Washington são dialmetralmente opostos aos dos povos e nações da região, que anseiam o desenvolvimento econômico soberano, o respeito ao princípio da autodeeterminação dos povos, a paz e a integração solidária. A vitória de Maduro merece ser celebrada pelas forças democráticas e progressistas no Brasil e em todo o mundo. É preciso resistir à feroz ofensiva do imperialismo, que ainda está longe do capítulo final.

    Umberto Martins