A greve dos professores estaduais da Bahia completou, na última quinta-feira (19), 100 dias sem uma perspectiva de acordo com o governo, apesar dos esforços do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado da Bahia (APLB) e das centrais, entre elas, a CTB.
Uma contraproposta da APLB aprovada na assembleia da categoria, foi entregue ao Ministério Público (MP) na última quarta-feira (18).
Para o presidente da APLB, Rui Oliveira, a greve, uma das mais longas da história da categoria, se estende devido à intransigência do governo, que se nega a apresentar uma proposta condizente com as necessidades dos trabalhadores que sofrem com um cenário de desvalorização.
Uma das principais reivindicações dos trabalhadores é a exigência do cumprimento da Lei do Piso do Magistério, com reajuste salarial de 22,22% para todos os níveis da classe. O governo, no entanto, afirma que irá seguir o projeto que enviou e foi aprovado pela Assembleia Legislativa: reajuste de 6,5% para todos os professores (assim como para os servidores estaduais) e 22% apenas para aqueles que dão aulas no ensino médio.
Em entrevista ao Portal CTB, o professor Rui falou sobre o movimento e demonstrou seu descontentamento com o forma de como o governo baiano vem tratando a greve. Confira abaixo:
Portal CTB: Como o senhor analisa o movimento hoje que completa 100 dias em greve?
Rui Oliveira: Esse é um movimento de resistência, de pessoas lutando pelos seus salários confiscados. A arrecadação da entidade está sem receber a receita devido ao confisco pelo governo, que só sentou para negociar depois de 90 dias. Agora completando 100 dias em greve, não tem nenhuma proposta. Então é muito preocupante a postura do governo. A greve é de resistência e uma das mais longas do Brasil. Da nossa parte, esperamos que o governo sente para discutir conosco essa questão.
PC: Do início da paralisação até hoje pontos positivos e negativos da greve?
A parte positiva é a capacidade de luta e resistência da categoria. Negativas são a intransigência e a truculência do governo do Estado em confiscar nossos salários e fazendo com que nós estejamos nessa situação sem nenhum tipo de negociação.
PC: Como está o processo de negociação com o governo há alguma expectativa de acordo?
Nós entregamos um documento na Assembleia e ao Ministério Púbico Estadual pedindo nova intermediação. Até agora não obtivemos resposta, mas esperamos que até o final da semana tenhamos uma orientação.
PC: Próximos passos da greve?
Teremos uma reunião no comando da greve na sexta-feira (19), onde vamos fazer uma avaliação geral política do movimento.
PC: Em relação à população, ela está apoiando a greve. Como o movimento vê essa questão?
Contamos com esse apoio da população, que manifestou esse posicionamento na festa o Cortejo, no último dia 02 de julho. Nós fomos bastante aplaudidos durante o trajeto. É a população reconhecendo a nossa luta justa.
Paula Farias - Portal CTB
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