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Dom, Mar

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O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Tarauacá, Manoel Cumarú, é o novo presidente da Fetacre (Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Acre) a maior representação sindical do Estado, com 45 mil associados de um universo de 140 mil agricultores. Ele teve o apoio da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) que acabou derrotando o candidato Rosildo Rodrigues de Freitas, do STR de Brasiléia, apoiado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), além de boa parte da cúpula do governo Estadual.

“Não houve rompimento dos trabalhadores com a CUT, foi a entidade quem rompeu com a categoria quando decidiu partidarizar a eleição discriminando nossa candidatura. A partir daí passamos a dialogar com a CTB”, afirma Cumarú. Rosildo alega que houve fraude e vai denunciar o processo eleitoral ao Ministério Público Estadual. 
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Num congresso de 02 (dois) dias (09 e 10.12.2012), que teve 125 delegados e delegadas inscritos, representando 22 dos 23 sindicatos do Estado, sendo credenciados 117 delegados (uma delegação de 06 delegados foi impugnada pelo plenário e 02 delegados faltaram), o candidato da chapa 1 “UNIDOS SOMOS FORTES”, apoiada pela CTB, Manoel Cumarú venceu as eleições da FETACRE – Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do ACRE, para o quadriênio 2011/2015, com 68 (sessenta e oito) votos, de um total de 72 (setenta e dois) votos válidos, sendo que a chapa 2 obteve apenas 02 (dois) votos e 02 (dois) votos em branco. 45 delegados deixaram de votar.

Com a visível iminência da derrota, numa demonstração de desespero e total despreparo e falta de compromisso para conduzir a luta em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras rurais do estado, ainda no primeiro dia do congresso (09.12.2011), o grupo que apoiava a chapa 2, representada e incentivada pelo candidato a presidente Rosildo Rodrigues de Freitas, se retirou do plenário sob alegação de irregularidades por parte das comissões coordenadora, eleitoral e junta administrativa e não participaram do processo de votação. Daí o porque dos 117 delegados credenciados, apenas 72 votaram. Tais acusações são reputadas pela maioria dos membros dos órgãos, como sem qualquer fundamento ou embasamento legal que justifique tal atitude desrespeitosa.

“É totalmente improcedente as acusações dos companheiros da chapa 2, uma vez que eles participaram de todo o processo eleitoral reconhecendo a regularidade do congresso, legitimando o mesmo, ao inscrever e credenciar seus delegados, participando normalmente da abertura do congresso, além de tentarem uma composição de última hora, para consolidar uma chapa única”, esclarece Jairo Nonato, membro da junta governativa e da comissão coordenadora.

“A eleição de Cumarú representa uma retomada da representação dos trabalhadores e trabalhadoras rurais para a construção de uma nova política agrícola em parceria com o Estado, mas com autonomia do movimento”, avalia José Chaves, presidente da CTB.  “Houve uma ruptura com o modelo de política que havia dentro da Federação, que desde sua fundação foi se acomodando e se distanciando das causas do trabalhador rural”, argumenta.

David Wylkerson, vice-presidente da CTB nacional e secretário-geral da Contag, acompanhou todo o processo eleitoral até o Congresso que culminou com a vitória de Cumaru neste sábado. “Houve um empenho e efetiva participação de todos os sindicatos de forma valorosa que permitiu um intenso debate em torno do processo. A vitória da chapa apoiada pela CTB tem um significado político relevante, diante da repercussão que se dará a nível nacional como também vai se somar a estratégia de ampliação da CTB na região Norte que até então no segmento rural tem a hegemonia absoluta da CUT”, avalia David. Segundo ele, 45% das entidades filiadas à CTB são de sindicatos de trabalhadores rurais das regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro Oeste. “Com a vitória no Acre começamos a ampliar nosso espaço no Norte, onde temos filiados apenas no Pará e Tocantins. Assim consolidamos, também, nossa presença no cenário nacional”, comenta. 

Cumaru contou com o apoio de delegados de 15 sindicatos de trabalhadores rurais municipais. O racha ficou evidenciado logo na eleição dos delegados. Cada município teve o direito de enviar até seis representantes. Maria de Fátima Rocha Alves e Silva, por exemplo, foi eleita pela base para ser delegada do STR de Plácido de Castro, numa assembléia com quase 200 trabalhadores. “Os outros cinco, ligados à CUT, tentaram impugnar minha eleição depois de apurados os votos”, revela. “O presidente da mesa eleitoral, José Janes, teve que intervir”, comenta. “O clima era de guerra, truculência mesmo em meio a um churrasco pago pela chapa da situação”, lembra Janes.

O novo presidente da Fetacre recebeu apoio de delegados de 14 municípios do interior e de um dos dois sindicatos de Rio Branco, capital do estado. Marechal Thaumaturgo, Santa Rosa do Purus, Jordão, Feijó, Manuel Urbano, Xapuri, Capixaba, Plácido de Castro, Porto Acre, Acrelândia, Senador Guiomard, Tarauacá, Sinpasa/Rio Branco, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul deram vitoria esmagadora a Cumaru, 39 anos, que nasceu no seringal Paraíso, a 3 dias de barco pelo rio Muru, em Tarauacá. 

Seu discurso defende uma revisão no modelo de agricultura familiar programado pelo Governo do Estado. Segundo ele, a imposição do Fogo Zero pelo Ministério Público Federal obriga rapidez para a substituição das queimadas como técnica de preparo do solo para a agricultura. “A mecanização agrícola nunca vai chegar aos ribeirinhos. Tem lugar que não entra trator de pneu ou de esteira”, afirma. 

Cumaru afirma que o Governo tem recebido informações muito falsas do setor rural. “A Fetacre foi se apagando em seu papel que deveria ser de consultoria, de participação. O manejo de madeira, por exemplo, não alcança nem 5% dos agricultores. O programa de piscicultura nem 5%. Nós queremos ser parceiros do Governo, reconhecemos o esforço sobre humano do governador Tião Viana, defendemos o projeto político da Frente Popular, mas queremos ajudar mais”, disse. 

Acompanhou todo o congresso, os diretores da contag, Alessandra Lucas (vice-presidente); Juraci Moreira Souto (Secretário de Formação e Organização) e Willian Clementino (secretário de política agrária), o vice presidente da CTB e também Secretário Geral da Contag, David Wylkerson e o Coordenador da Contag na Região Norte, Luiz Carlos de Lima.
 

Publicado no site da Fetag Bahia

 

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