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Ter, Jun

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O Banco BNP Paribas foi o vencedor (e único concorrente) do leilão irregular de venda de ações da CEDAE. A equipe de comunicação da CTB RJ pesquisou alguns escândalos graves no qual essa entidade está envolvida. Confira a lista abaixo:

Fraude em Moçambique – O BNP Paribas é um dos bancos envolvidos em empréstimos fraudulentos para o Governo de Moçambique. A SEC (Securities and Exchange Comission), autoridade de mercado dos EUA equivalente à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) brasileira, está investigando a venda de US$ 850 milhões em títulos do Moçambique pelo Credit Suisse, o russo VTB Group e o BNP Paribas. Os títulos em questão foram vendidos em 2013 para financiar a empresa estatal de pesca no país e desenvolver a pescaria de atum. No entanto, o governo declarou posteriormente que usou o dinheiro também para comprar equipamentos militares.

Angolagate, Compra de Armas e Genocídio em Ruanda – O Banco é acusado de financiar a compra de Armas em Ruanda, num processo que levou ao genocídio de mais de 800 mil pessoas. Segundo as associações de combate à corrupção Sherpa, o Coletivo de Partes Civis para Ruanda (CPCR) e a ONG Ibuka France acusam o BNP – que só mais tarde passou a ser chamado BNP Paribas, de ter permitido o financiamento da compra de armas para o regime de maioria hutu, mesmo sabendo das intenções genocidas das autoridades.

Petróleo por Alimentos – A filial americana do banco francês BNP Paribas está sob suspeita de negligência no controle das transações ligadas ao programa da ONU para o Iraque “Petróleo por Alimentos”, segundo denúncia feita pelo Congresso dos EUA. “Há indicações de que o banco pode não ter cumprido suas obrigações na administração do programa Petróleo por Alimentos”, denunciou o presidente da Comissão de Relações Internacionais da Câmara de Representantes, Henry Hyde, acrescentando que a instituição pode, inclusive, ter autorizado o pagamento a terceiros, cujos nomes não constavam da carta de crédito. “As provas parecem indicar que, em alguns casos, decidiu-se realizar pagamentos pelo programa Petróleo por Alimentos sem verificar a entrega dos produtos e outros documentos exigidos”, revela um trecho do texto divulgado à imprensa antes do pronunciamento de Hyde.

Lavagem de Dinheiro na Espanha – Diretores do Banco são investigados por lavagem de dinheiro na Espanha. O juiz José de la Mata, da Audiência Nacional, alto tribunal especializado em casos complexos, sobretudo de corrupção, solicitou o comparecimento em meados de junho deste ano de sete ex-diretores do espanhol Banco Santander e três da sucursal espanhola do francês BNP Paribas, segundo os autos do processo.

Processo criminal nos Estados Unidos – Em 2014, o Banco pagou uma multa histórica de US$ 8,97 bilhões para encerrar processo criminal contra si, nos Estados Unidos. A punição foi considerada sem precedentes pelo Wall Street Jorunal.

Saques milionários na Argentina – Cinco diretores o Banco foram indiciados na Argentina por envolvimento num esquema milionário de saques ilegais e remessas para paraísos fiscais.

Envolvimento com a JBS – A JBS, cuja família controladora está envolvida no escândalo de corrupção apurado pela operação Lava Jato, anunciou planos de vender a Moy Park, em 20 de junho. Para mediar a operação, o banco escolhido foi justamente o BNP Paribas.

Escândalo da Siemens – O banqueiro suíço Jean-Claude Oswald, antigo executivo do BNP Paribas e do Dresdner Bank, é suspeito de envolvimento no escândalo de pagamento de subornos na Siemens e em negócios de armas ilegais.

Favores de Fernando Henrique Cardoso – Historicamente, em períodos de crise externa adquirir títulos da dívida externa com deságio e revendê-los pelo seu valor de face constituiu-se na mais rentável operação do século, responsável por grandes fortunas construídas ao longo da história. Com a moratória de Sarney, o então Ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira decidiu implementar um plano que disciplinasse as conversões e impedisse as jogadas costumeiras com dívida externa. Consistia na “securitização” da dívida. Ou seja, quem tinha créditos contra o país trocaria por novos títulos, a prazos elásticos, taxas de juros razoáveis e valendo apenas uma fração da dívida original. Bresser-Pereira caiu logo após propor a “securitização”, e foi substituído por Maílson da Nóbrega. Mailson engavetou o plano de Bresser e lançou outro, permitindo a conversão total da dívida em cruzados, com o compromisso de investir no país. Havia um prazo para a conversão, mas montou-se inicialmente uma operação para os mais amigos. Bancos estrangeiros ficaram de fora. Nos anos seguintes, a influência política de economistas e políticos ligados ao BC garantiu a abertura de exceções, uma das quais foi para o empresário Alberto Achcar, envolvendo o Banco Paribas, da França. O livro “Privataria Tucana” sugere que FHC teria atuado para ajudar Achcar a conseguiu a conversão fora do prazo.

Panama Pappers – O Banco é citado no escândalo de lavagem de dinheiro e evasão de divisas conhecido como Panamá Pappers. O Banco teria participado de uma mega fuga de ativos da Argentina para o exterior.

Cartel e Manipulação de Câmbios no Brasil – O CADE incluiu o BNP Paribas na lista de bancos envolvidos em um esquema internacional de manipulação de Câmbio e formação de Carte, as multas superam R$ 180 milhões.

Punição nos EUA por manipulação de Câmbio – O Banco teve pagar multa superior a US$ 240 milhões por participar de um esquema de manipulação de Câmbio nos Estados Unidos.

Prisão em Hong Kong – Um dos vices-presidentes da instituição foi condenada à Prisão em Hong Kong por se aproveitar de informações confidenciais.

Por José Roberto Medeiros, da CTB/RJ

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