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Qua, Jan

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"Se for para acontecer o que é certo, a Dilma não sai, não", opinou a ambulante e auxiliar de limpeza Janaína Cristina, 23 anos, que vendia água no início da tarde no Vale do Anhangabaú durante o ato contra o impeachment, em São Paulo. Pois aconteceu "o que é errado", na visão de Janaína, e a Câmara dos Deputados aprovou o impedimento da presidenta Dilma Rousseff nesta dramática noite de domingo (17).

No placar final foram contabilizados 367 votos a favor, 137 contra, 7 abstenções e 2 ausências. Durante todo o dia, cerca de 100 mil pessoas foram ao Anhangabaú, região central de São Paulo, para se manifestar contra a tentativa de golpe no país e acompanhar em um telão lá armado a votação na Câmara dos Deputados - como aconteceu na maior parte do Brasil.

Reações de indignação, silêncio, revolta e comemoração se alternaram no vale ao longo da transmissão, à medida que os parlamentares apresentavam seus votos. E o desfecho duro de engolir foi recebido com incredulidade por muitos presentes, que não esperavam assistir de novo, um golpe à legalidade e ao Estado Democrático de Direito.

É o caso de Enoil de Carvalho, 72 anos, que viveu bem de perto o golpe de 64, teve parentes presos e amigos desaparecidos e não esperava ver a Constituição ser posta de lado com tanta "cara de pau e descompostura" de novo.

"Você percebe que tem muita gente, mas muita gente mesmo que está achando isso tudo muito normal?", indaga ela. "Eu vejo gente bem informada que acha que é assim mesmo que se faz. Bem se vê que a ignorância não tem nada a ver com condição econômica", diz Enoil, que deixou o vale consternada, logo após a fala do deputado Jair Bolsonaro, que, em seu voto, prestou homenagem ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi durante a ditadura militar.

CTB: "A batalha está só começando", diz dirigente

Em resposta ao golpe concretizado na Câmara, o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, que acompanhava os acontecimentos em Brasília, trouxe mensagem de luta: "Hoje a classe trabalhadora testemunhou um grande golpe à democracia, mas também vimos o povo se levantar pelo Brasil e afirmar que haverá luta contra esse golpe parlamentar orquestrado pelo gângster Eduardo Cunha".

Em São Paulo, a Central foi representada por suas lideranças sindicais e dirigentes, como o presidente da CTB-SP, Onofre Gonçalves, que foi ao Anhangabaú dizer "não ao golpe" (foto, à dir., ao lado da vice-prefeita da São Paulo, Nádia Campeão) e reafirmar a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e contra o avanço do golpe e da retirada de garantias trabalhistas duramente conquistadas nos últimos governos Lula e Dilma. "É hora de povo na rua, de luta sem trégua, mobilização geral", pontuou Rogério Nunes (foto), secretário de políticas sociais da CTB, enquanto assistia à transmissão na capital paulista. 

Raimunda Gomes (foto acima, à esq.), secretária de Comunicação da CTB, aposta na vitória da democracia para barrar o que seria o maior retrocesso da história recente do país. "O momento exige do povo brasileiro e dos movimentos que atuam em defesa da democracia, muita resignação, porque a batalha está apenas começando. Teremos um longo caminho a percorrer, dialogando e mobilizando amplos setores da sociedade, para acumular força e ganhar essa guerra. A batalha no Senado será um momento decisivo e é lá que venceremos esse jogo", disse. 

A população que foi ao Anhangabaú reagiu aos gritos de "Não vai ter golpe, vai ter luta" e "A luta continua", lembrando que a resistência agora é palavra de ordem para barrar o impeachment no Senado federal. Teve tristeza, mas o que preponderou mesmo no centro da capital paulista foi a certeza maior que nunca em cada consciência ali presente de que este é o lado certo da luta. 

Para o dirigente da CTB Eduardo Navarro, o resultado da votação deixará marcas profundas. "A maioria dos deputados apunhalou a democracia. E esta é uma página muito triste de nossa história. Mas não se pode esmorecer agora. É preciso resistir para que a democracia vença no final".

Portal CTB - Natália Rangel

Fotos: Joca Duarte e Érika Ceconi

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