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O Ministério Público de São Paulo entrou na Justiça com ação de improbidade administrativa contra a Companhia do Metropolitano da cidade (Metrô) e nove diretores da empresa pelo abandono de 26 trens comprados em 2011 por R$ 615 milhões para operar na Linha 5-Lilás, mas que ainda estão parados nos pátios.

Entre os acusados estão o secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, o ex-titular da pasta Jurandir Fernandes e o presidente da estatal, Paulo Menezes Figueiredo. O Metrô nega irregularidades.

De acordo com o promotor Marcelo Milani, autor da ação, a assinatura do contrato de compra dos trens com a CAF Brasil Indústria e Comércio, em julho de 2011, quando as obras de extensão da Linha 5 ainda estavam paralisadas por suspeita de fraude na licitação, acabou provocando prejuízo aos cofres públicos.

Para o secretário-geral da Federação Nacional dos Metroviários do Brasil (Fenametro), Wagner Fajardo, realmente trata-se de uma improbidade administrativa. No entanto, o dirigente afirma que há um desvio de foco. “Quando o MP incrimina os diretores, isenta o governador (Geraldo) Alckmin o maior responsável por essa situação. Todas as medidas que dificultaram o avanço das obras da Linha 5 são responsabilidade do governador Alckmin. As obras do pátio Jabaquara, por exemplo, sofreram um atraso enorme e até agora esses trens não conseguem circular porque não têm onde estacionar”, afirmou Fajardo.

Para Fajardo, a situação não diz respeito à má gestão dos recursos, mas sim ao transparente processo de corrupção que envolve o sistema e o Governo do Estado. “É um problema de corrupção. A compra desses trens tem tudo a ver com o ‘trensalão’ e a CAF,  uma das empresas envolvidas no processo”, lembrou o sindicalista.

A investigação apontou ainda que os trens novos têm bitolas (distância entre os trilhos), de 1,37 metros, mas já existe um trecho da Linha-5 Lilás com trens com bitolas maiores.

Fajardo revela que apesar de armazenadas, as composições perderão a garantia, antes mesmo de começar a rodar. “Esses trens já estão parados há dois anos, já estão perdendo a garantia. Tudo que está colocado naquele trem de funcionamento não vai ter utilidade”, ressaltou o sindicalista.

O contrato do Metrô com a CAF prevê apenas dois anos de garantia para todas as peças das composições.

“Se o MP investigar vai encontrar outras irregularidades. Mas temos que lembrar que a instituição responde ao Governo do Estado, apesar da vontade do procurador. Esperamos que haja punição, mas infelizmente acho que não conseguiremos fazer com que ela chegue nos verdadeiros responsáveis, que é o governador Alckmin. E o fato do MP estar pedindo a punição e o ressarcimento aos cofres públicos desses valores, acho muito difícil revertemos, porque eu não confio no MP, apesar do procurador estar com bastante vontade, a instituição é totalmente parcial.  visto o caso da merenda, do ‘tucanoduto’, do ‘trensalão’, são investigações que não avançam. A mídia não fala nada”, lembrou Fajardo.

O dirigente foi inclusive arrolado, junto com outros cinco funcionários do Pátio Jabaquara, em uma sindicância aberta pelo Metrô por permitir e acompanhar a visita dos deputados Carlos Giannazzi e o Raul Marcelo (Psol), que foram ao local averiguar a situação das composições. “Ao invés de abrir um processo para averiguar as irregularidades constatadas, o Metrô abriu uma sindicância para apurar e incriminar os responsáveis que permitiram a entrada dos deputados. O caso por si só já demonstra a postura da empresa”, finalizou Fajardo.

Cinthia Ribas - Portal CTB

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