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Qua, Dez

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Os bombeiros seguem trabalhando nos escombros do edifício Wilton Paes de Almeida, no largo do Paissandu, centro de São Paulo, que desabou na madrugada de ontem após pegar fogo.

Ainda não há um número certo de vitimas da tragédia, mas até a noite desta quarta (2) as buscas eram por quatro pessoas. No noticiário e nas redes sociais circulam muitas especulações sobre os habitantes do prédio, que foram classificados pelo ex-prefeito João Doria de "facção criminosa".

Diante disso, uma prévia de um trabalho de campo realizado pela pesquisadora Lidiane Maciel, e divulgada por ela mesma em sua conta no Facebook, contribui para elucidar quem eram e como viviam os cerca de 400 moradores do edifício. 

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Trata-se de um relatório preliminar, realizado após visitas feitas em março deste ano. "Eu não tinha objetivo de publicar neste momento, mas segue para os colegas que pediram", escreve Lidiane. 

Segundo o seu relato, a ocupação do prédio que pertencia à Polícia Federal era composta de 400 pessoas, entre elas migrantes e estrangeiros (do Marrocos, Congo, Senegal, Haiti, Filipinas).

Entre os migrantes, ela destaca, principalmente, baianos, paraibanos, paranaenses, capixabenses e cariocas. Alguns pontos do relatório:

- A maioria dos moradores disse ocupar o prédio há oito anos. São 12 andares ocupados, cada andar tem cerca de 6 domicílios.

- Os moradores se empregam em trabalhos formais e informais vinculados a limpeza e serviços gerais, são vendedores ambulantes também. Trabalham majoritariamente no centro da cidade.

- A estrutura das moradias é bastante precária. Há muito lixo em alguns andares como restos de móveis, restos de materiais de construção como privadas e tijolos, no entanto, alguns andares são demasiadamente limpos e possuem uma estrutura bem organizada, com casas com cortinas, área de convivência coletiva e plantas.

- A cozinha e banheiros são comunitários. O serviço de água e luz chega somente até o quinto andar, obrigando os moradores dos outros andares a descerem para recarregar seus baldes para o uso cotidiano. 

- Há uma portaria controlada por uma senhora que outros moradores disseram ser uma ex-artista de telenovelas.

- Chama a atenção as famílias monoparentais (filhos e mãe), há muitos homens solteiros que lá moram, havia muitas crianças brincando nos corredores também. 

- Há regras de convivência e limpeza fixadas nas paredes de cada um dos andares. Elas falavam do tipo de vestimentas de homens e mulheres e sobre a limpeza das áreas comuns. 

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Fotos de Lidiane Maciel 

Portal CTB

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