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Qui, Maio

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Numa ação que contou com a violência habitual e terminou com a prisão do presidente do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), Guilherme Boulos, a Polícia Militar de São Paulo executou, na manhã desta terça-feira (17), um mandado de reintegração de posse da Ocupação Colonial, em São Mateus, zona leste de São Paulo. A área, abandonada há 40 anos, estava ocupada havia um ano meio por cerca de 700 famílias, que passaram a noite em vigília. Líderes comunitários, advogados e ativistas tentaram adiar a ação, mas os oficiais de Justiça foram irredutíveis, informa Claudia Belfort, do site Ponte Jornalismo. 

Poucos minutos depois das 8h da manhã, 190 policiais e dois blindados da Tropa de Choque da PM avançaram pela rua André de Almeida usando balas de borracha, bombas de efeito moral, spray de pimenta e jatos de água. Os moradores atearam fogo em barricadas, houve corre-corre, choro e desespero. O presidente do MTST, Guilherme Boulos, que participou das tentativas de negociação, foi detido, acusado de incitação à violência.

Boulos e outros ativistas conversaram durante  uma hora com Oficiais de Justiça pedindo que esperassem a apreciação de um pedido feito pelo Ministério Público ao Tribunal de Justiça, de suspensão da reintegração. “Fui colocar para o oficial de Justiça que seria razoável esperarem o resultado desse julgamento, porque agora à tarde pode o juiz determinar que não tinha que ter tido a reintegração”, afirmou Boulos no 49ª Distrito Policial (São Mateus), para onde foi levado. “Foi uma prisão evidentemente política”, disse.

Os moradores da Ocupação Colonial receberam a notificação da reintegração há uma semana. Segundo um dos advogados que assistem à comunidade, Benedito Barbosa, foram apresentados diversos recursos, todos negados. Ele também denuncia que as famílias não foram cadastradas em projetos de habitação.

Noite tensa

Na comunidade a noite foi tensa, enquanto parte das famílias empacotava seus pertences e retiravam crianças e animais do local, outras preparavam uma barricada com pneus e entulho. Muitos, como a aposentada Maria de Lurdes Ramos, 70 anos, e Pâmela, não tinham para onde ir e permaneceram na imediações. Assista aos vídeos.

Mãe a gente vai voltar para a rua?

Na véspera da desocupação, a dona de casa Pâmela Cristina Silva, 28 anos, se desesperou ao ouvir a filha de 8 anos perguntar: mãe, a gente vai voltar para a rua? Abandonada pela mãe, Pâmela passou a morar nas ruas aos 7 anos, depois de fugir da casa da tia que a espancava. Em 2015, mudou-se para a comunidade onde acreditava que teria uma vida mais tranquila, longe dos maus-tratos e perigos que sofreu durante quase 17 anos de abandono. Sua resposta foram lágrimas.

Fonte: Ponte - direitos humanos, justiça e segurança pública

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