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"Algum brasileiro votou para que os recursos da educação e da saúde fiquem congelados por 20 anos? Pois é disso que se trata o golpe”, disse a presidenta afastada Dilma Rousseff, em ótimo discurso proferido na noite desta terça-feira (23), durante ato popular na região central de São Paulo, em apoio à manutenção de seu mandato e contra o golpe.

Ela se referia à PEC 241, proposta de emenda à Constituição do governo interino que faz um drástico corte nos gastos públicos, e que foi aprovada em comissão da Câmara na semana passada. “Querem substituir um colégio eleitoral de 150 milhões por outro de 81 senadores. Trocar a escolha direta pela indireta. Porque a democracia é incômoda – principalmente quando cresce a participação popular nas decisões", disse Dilma. 

A manifestação organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo reuniu movimentos sociais, sindicais e partidários, além de intelectuais e juristas em apoio aos direitos sociais e trabalhistas, à presidenta e à democracia. O ex-senador Eduardo Suplicy, o prefeito da capital, Fernando Haddad, o presidente da CTB, Adilson Araújo, o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, a ex-presidente da UNE, Carina Vitral, e a socióloga Marilena Chauí estavam presentes no ato.

Dilma também lembrou que esta luta não tem data para terminar. “Uma das coisas que aprendemos com tudo o que aconteceu é que a democracia no país não está garantida, como pensávamos. A democracia é uma conquista sistemática e precisamos estar atentos", afirmou.

"Questão de sobrevivência"

O presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, destacou em seu discurso a importância da participação política neste momento em que os meios de comunicação não fazem outra coisa senão demonizar a política, em um enorme desserviço à democracia. “Sob a luz do ódio e do preconceito, eles tentam massacrar, quebrar a espinha dorsal do campo democrático popular. Ainda assim, quando fazem uma pesquisa, dá Lula em primeiro para presidente.”

Para Araújo, isto mostra a força dos movimentos populares e a importância da mobilização neste momento: “É dever moral de cada um de nós enxergar que esta luta se tornou questão de sobrevivência". 

Foto Érika Ceconi

"Farsantes"

O jurista Dalmo Dallari, 85 anos, enviou uma mensagem de apoio a Dilma que foi lida por Suplicy, visivelmente emocionado. Dallari frisa o que o movimento dos juízes pela democracia vêm defendendo com veemência: que não há fundamentação legal para o impeachment. "O que tem sido publicado não passa de farsa e afrontas constitucionais - levadas a cabo por despreparo ou má fé. Alguns proponentes são verdadeiros farsantes", escreveu Dallari.

"Legítima defesa"

Para o presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Edson França, barrar o golpe é um movimento de "legítima defesa".

"Não queremos a volta do senhor de engenho ao poder. Podem observar, a primeira coisa que a casa grande faz quando assume o poder é acabar com os direitos trabalhistas e desmantelar os programas sociais”, disse França.

"PEC 241 é uma 'Desconstituinte'"

"O que está em jogo - e é o fundamento deste impeachment forjado - é a Constituinte de 1988. A PEC 241, que já tramita no Congresso, é uma 'desconstituinte', representa a revogação dos direitos sociais. O recado é: - Esqueçam seus direitos. Daqui para frente é isto para menos", alertou o prefeito Fernando Haddad, candidato à reeleição na capital paulista.

A mobilização em São Paulo é a primeira desta jornada em defesa da democracia que promoverá uma grande resistência ao golpe com atos em todo o país nesta reta final do processo. No próximo dia 29, Dilma Rousseff fará a sua defesa no Senado federal e um acampamento em Brasília irá acompanhar tudo, com protestos, manifestações e atos de resistência e apoio a Dilma e repúdio ao golpe. 

Natália Rangel - Portal CTB 

Foto UOL

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