Sidebar

22
Qua, Maio

Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

O seminário “Dignidade ao Povo Negro no Mundo do Trabalho”, da Secretaria da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção Paulo (CTB-SP), ocorrido na desta quinta-feira (16), na sede do Sindicato dos Marceneiros de São Paulo, desnudou o caráter dissimulado do racismo brasileiro.

“Vimos com as palestrantes como o racismo foi forjado ideologicamente em nosso país para justificar a escravidão. O problema maior é que essa mentalidade escravocrata permanece”, diz Lidiane Gomes, secretária da Igualdade Racial da CTB-SP.

Para ela, a reforma trabalhista acentua ainda mais essa discriminação no mundo do trabalho. “Os negros ganham menos que os brancos e as negras estão na base da pirâmide social e ainda fazem os serviços que ninguém quer fazer, principalmente no trabalho doméstico em que são 66% da mão de obra”, reforça.

Estiveram presentes no seminário, Rene Vicente, presidente da CTB-SP, Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher, Paulo Nobre, secretário-geral, Rosa Anacleto, presidenta da Unegro-SP, Onogre Gonçalves, dirigente da CTB nacional e Mara Kitamura, secretária de Educação da CTB-SP.

Gomes explica que a jurista Helena Mascarenhas Ferraz falou sobre a dificuldade de se configurar o crime de racismo, que é inafiançável, porque se confunde com o termo injúria racial. “Ela explicou muito bem que a lei define como racismo se você ofender a um povo ou grupo de pessoas, mas se ofender alguém especificamente é taxado de injúria e aí a pena é menor”.

lidiane entrefcavia e helna ctb sp igualdade racial 2017

Lidiane Gomes entre Flávia Costa (de amarelo) e Helena Ferraz

Por isso, acentua, “a Helena defendeu a necessidade de mudar a nomenclatura da lei”. Já a ativista feminista e da igualdade racial Flávia Costa falou sobre o desmonte do Estado que o governo de Michel Temer está fazendo.

“A Flávia explicou que os cortes orçamentários e a extinção das políticas públicas de combate às desigualdades estão castrando os sonhos da classe trabalhadora em ascender socialmente”.

Ainda mais num país onde a violência contra a população negra é assustadora. “Que país queremos legar para as futuras gerações se estamos acabando com a nossa civilização?”, questiona Gomes.

ctb sp igualdaderacial grupodedanca

Companhia de dança afro-brasileira Abayomi'n, de Sorocaba (SP), abrilhanta a noite

Ela conta ainda que a companhia de dança afro-brasileira Abayomi'n fez um "belo espetáculo com o título 23 Minutos, em referência à mortandade de negros no Brasil". As estatísticas mostram que a cada 23 minutos uma pessoa negra é assassinada.

Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

0
0
0
s2sdefault

Quer saber o que acontece no movimento sindical e no mundo do trabalho?

Digite seu nome e e-mail para receber gratuitamente nosso informativo.