De acordo com as projeções revisadas do economista Jim O'Neill, chefe
da área de pesquisa econômica global do banco de investimentos Goldman
Sachs, em 2027 a economia da China vai ultrapassar a dos Estados
Unidos, fazendo com que o grupo dos países reunidos na sigla Bric
(Brasil, Rússia, Índia e China) superem as economias ricas do chamado
G7 em menos de duas décadas.
"Isso é cerca de 10 anos antes do que quando analisamos o assunto
inicialmente", escreveu O'Neill em um comentário recente no site do
banco. O'Neill é o economista britânico que criou o termo em um estudo
de 2001 intitulado "Sonhando com os Bric: o Caminho para 2050".
A virada no cenário traçado pelo economista pode ocorrer mais cedo,
principalmente, por conta de um crescimento da China, ao longo dos
últimos anos, muito superior ao esperado por ele quando as primeiras
projeções foram feitas. Além disso, ele espera que os emergentes do
grupo se recuperem dos efeitos da crise antes das economias
desenvolvidas.
O'Neill destaca que esse novo cenário não prevê que a elevada expansão
na China e na Índia, dos últimos anos, sejam repetidas, mas sim que
esses países cresçam, entre 2011 e 2050, a uma média de 5,2% e 6,3%,
respectivamente.
"Para a China e para a Rússia, isso é cerca de metade da taxa de crescimento da última década", comparou.
"Apenas o Brasil vai precisar crescer com mais força do que até agora",
acrescentou, referindo-se à projeção para o Brasil de crescimento médio
de 4,3% entre 2011 e 2050. A expectativa para a Rússia é mais modesta,
de 2,8% para o período.
O cenário considera uma média de crescimento no G7, por outro lado, de apenas 1,6% entre 2011 e 2050.
Padrão de vida
Em 2027, o suposto ano da virada, a economia da China, segundo o
cenário de O'Neill, alcançaria o valor de US$ 22,25 trilhões, assumindo
o primeiro lugar no ranking das economias.
A economia dos Estados Unidos estaria em segundo lugar, com valor de
US$ 21,61 trilhões. Em terceiro, a Índia (US$ 5,54 trilhões), em
quarto, o Japão (US$ 5,39 trilhões), em sexto, a Alemanha (US$ 4,16
trilhões), em sétimo, a Rússia (US$ 4,02 trilhões), e em oitavo, o
Brasil (3,87 trilhões), na frente da França, da Itália e do Canadá.
Os trilhões a mais na economia dos emergentes não vão significar, no
entanto, que esses países alcancem padrões de vida considerados de
Primeiro Mundo.
Segundo o economista, apesar de juntos, em volume de PIB, terem o
potencial de superar o G7, o único país que poderia chegar perto dos
níveis de riqueza dos países desenvolvidos é a Rússia.
O cenário traçado por O'Neill em seu estudo de 2001 continua recebendo
críticas de vários lados. Muitos questionam a artificialidade do
conceito que reúne países tão distintos no campo social, político e até
mesmo de modelo econômico. Outros questionam ainda o fato de o grupo
excluir outros emergentes como a África do Sul, o México e a Turquia.
Alguns destacam também que os BRICs pegam carona no verdadeiro fenômeno
deste século, que é a emergência da China como potência econômica. A
economia chinesa hoje é do mesmo tamanho que as dos outros três países
somadas, e essa distância tende a aumentar.
O fato é que o conceito ganhou força a ponto de se transformar em uma
cúpula de chefes de Estado. "Vai ser interessante ver o que eles terão
a dizer. Estão realmente interessados em formar um verdadeiro clube?",
questiona O'Neill. "Como eles serão tratados pelos chamados países
desenvolvidos?"
Curto prazo
Para 2009 e 2010, o Goldman Sachs prevê para esses emergentes do BRIC
resultados, como um bloco, bem superiores ao da economia global e que a
recuperação no grupo deve ocorrer antes do que no mundo desenvolvido.
Em 2009, eles esperam que a China cresça 8,3% e a Índia, 5,8%. Números
bem inferiores aos dos anos anteriores, porém fortes o suficiente para
compensar as quedas de 1,5% no Brasil e 7,5% na Rússia, previstas por
eles.
A média do grupo ficaria em 4,8% em 2009, contra -1,1% no mundo como um
todo. Os lanterninhas do BRIC, Brasil e Rússia, voltariam a crescer já
no ano seguinte, 2010, com 3,7% de crescimento para o Produto Interno
Bruto (PIB) brasileiro e 3% de crescimento para o russo.
A China voltaria à expansão de dois dígitos, com alta de 10,9% e a
Índia teria alta de 6,6%. Com esses resultados, a média no grupo
ficaria em 8% em 2010, contra um crescimento de 3,3% da economia
global.
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