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Sex, Set

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“Os povos indígenas encaram o Dia do Índio (19 de abril) como um dia de reflexão e luta”, diz Voninho, da etnia Kaoiwá, que habita o Mato Grosso do Sul, estado onde ocorrem os maiores conflitos por terras no país e onde mais se matam indígenas.

De acordo com Voninho, está ficando cada vez mais difícil ser indígena no Brasil. “Além de todas as disputas por nossas terras e o preconceito que sofremos, temos que lutar também contra esse bombardeio de retrocessos em nossos direitos, como todo o povo brasileiro”.

Ouça Grito dos Xondaro: Conflitos do Passado, do grupo Oz Guarani, da Aldeia Jaraguá, de São Paulo: 

Tanto que o Acampamento Terra Brasil 2017 ocorre em Brasília entre os dias 24 e 28. Com o tema “Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena. Pela garantia dos direitos originários dos nossos povos”, o evento pretende reunir as mais importantes lideranças dos povos indígenas na capital federal.

“A vida dos povos originários sempre foi difícil no Brasil, mas após a queda da presidenta Dilma (Rousseff) a nossa situação piorou. O atual governo quer acabar com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e isso nos deixa mais vulneráveis ainda aos ataques dos fazendeiros”, complementa.

Ele explica que a terra é primordial para a vida dos povos indígenas. “É da terra que tiramos o nosso sustento e sem ela não sobrevivemos”. Existem no Brasil, de acordo com a Funai, 462 terras indígenas, a maioria ainda com a demarcação pendente.

Assista o documentário Terra dos Índios, de Zelito Vianna: 

A escritora Márcia Wayna Kambeba, da etnia Omágua Kambeba, afirma que “nós lutamos por um território em que possamos conviver livremente, mantendo nossos rituais, conservando a nossa biodiversidade e tendo essa relação de reciprocidade com a natureza”.

Já Josiane Tutchiauna disse à CartaCapital que "ser mulher ticuna na minha geração é ser mulher guerreira, batalhadora, mulher que trabalha continuamente pela defesa do seu povo, de sua comunidade. Ser mulher indígena e ticuna é ser aquela que mantém, lado a lado com os homens indígenas, o espírito guerreiro dos seus ancestrais no seu corpo, na sua alma, sem temer a nada”.

“Os que se acham donos do Brasil preparam sua ofensiva final contra os índios”, diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro ao citar os sucessivos ataques ás terras indígenas e a pretensão do governo Temer de rever a demarcação delas.

“Somos 305 povos, com mais de 900 mil pessoas e falamos 274 idiomas diferentes”, reforça Voninho. “Garantimos manter o nosso vigor na resistência secular contra as tentativas de nossa destruição. Defendemos nossa cultura, nossas terras, nossa gente”.

Acompanhe vídeo da Agência Pública: 

Porque "ser índio não é apenas usar arco e flecha, ter cabelo liso e pintura com jenipapo e urucum. Ser índio é amar a cultura e ter orgulho da sua tradição. É sentir o respeito das pessoas, como as respeitamos”, diz Valdecir Xunu, da Aldeia Flor do Campo, no Rio Grande do Sul. A escritora Kambeba assinala que “nós somos povo, nós temos nome, nós temos voz e estamos na luta por resistência”. Afinal, "somos todos da mesma nação", completa Voninho.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Laila Menezes/Cimi