Fonte

Repercute na internet o caso da tatuagem que o pedreiro Ronildo Moreira de Araújo e o tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis fizeram na testa de um jovem de 17 anos, no dia 31 de maio, em um condomínio em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Inclusive a família do garoto alega que ele sofre transtornos mentais e estava desaparecido alguns dias. A polícia prendeu os dois acusados e registrou a ocorrência como tortura.

“As pessoas estão longe de saber o que é Justiça”, define Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).

Bitencourt afirma isso porque o jovem foi pego pelos dois agressores sob a suspeita de ter tentado roubar uma bicicleta. A punição tatuar em sua testa a frase “sou ladrão e vacilão”.

Ao mesmo tempo em que a onda fascista vocifera sobre o acontecido, querendo mais vingança e mais punição, prolifera nas redes sociais uma forte onda de solidariedade. O Site www.vakinha.com.br já arrecadou mais que o dobro pretendido para a remoção de tão cruel tatuagem.

A arrecadação foi organizada pelo grupo Afroguerrilha, que publicou em sua rede social: “Como disse aquele Jesus que muitos aí dizem seguir: ‘Quem nunca cometeu um erro, que atire a primeira pedra… Amai o outro como a ti mesmo’. Esse amor era um que transformava, não um que condenava. Você gostaria de ser torturado e ter seus (supostos) erros tatuados na sua testa?”.

Faça a sua doação aqui.

“As pessoas confundem punição e vingança com Justiça”, diz a dirigente da CTB-SP. “A função da Justiça é julgar e condenar se houver provas, tudo dentro da lei e da civilidade. O Estado tem que trabalhar para recuperar as pessoas e não apenas punir”, acentua.

“É assustador a raiva nos comentários da vaquinha feita para auxiliar esse jovem na remoção da tatuagem. É assustador como o fascismo ganha forças em cima da vulnerabilidade de negros, pobres, doentes mentais, deficientes físicos, mulheres, e as pessoas defendem como sendo liberdade de expressão”, diz a ativista do movimento negro Stephanie Ribeiro.

Mas circula também uma charge simbolizando o menino com a inscrição “Tortura não é Justiça”. Tortura é crime hediondo, de lesa a humanidade.

Além de defender a atuação da Justiça pela prevalência dos Direitos Humanos e da vida civilizada, Bitencourt acredita na necessidade de se lutar por um sistema mais justo e menos desigual.

 Confira om texto do Afroguerrilha abaixo:

“Vivemos numa sociedade extremamente desigual e querem resolver os problemas com brutalidade, em vez de investir em educação, em cultura, no esporte. Querem punir a juventude, em vez de criar-lhes oportunidades com liberdade, solidariedade e Justiça”, reforça a cetebista.

“Mas a vaquinha feita para remover a tatuagem absurda no garoto, de apenas 17 anos, e supostamente com problemas mentais, mostra que nem tudo está perdido neste país. Há uma esperança e é essa esperança que nos move para a frente”, conclui.

Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Charge: Hiro