Sidebar

15
Sáb, Dez

Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Segundo levantamento realizado pela ONG Repórter Brasil, pelo menos 142 candidatos nestas eleições receberam doações de fazendeiros, sócios e administradores de empresas que estão incluídos na lista suja do Ministério do Trabalho (acesse a lista na íntegra aqui). 

O total de doações chega a R$ 10,7 milhões e, entre os políticos financiados está o governador eleito por Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), líder da Frente Parlamentar da Agropecuária, a chamada “bancada ruralista”, Ratinho Jr., eleito para o governo do Paraná, e Mauro Carlesse, reeleito para o governo de Tocantins. 

Também receberam dinheiro de autuados por trabalho escravo as candidaturas aos governos de São Paulo e Minas Gerais: Paulo Skaf (MDB), que não foi ao segundo turno, e Antonio Anastasia (PSDB), que ainda está na disputa pelo governo mineiro.  

Há outros nomes, como o ex-presidenciável Álvaro Dias (Podemos) e o coordenador de campanha de Jair Bolsonaro (PSL), o deputado federal candidato à reeleição Onyx Lorenzoni (DEM-RS), cotado para ser o ministro-chefe da Casa Civil caso o candidato seja eleito.

Para o sindicalista Rogério Nunes, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a doação de empresários que mantêm ou mantiveram trabalhadores em condições análogas à escravidão para parlamentares ou candidatos a cargos no executivo é grave e deve ser denunciada.

"A CTB tem muito claro que este tipo de doação é prejudicial à luta geral dos trabalhadores e trabalhadoras. Denunciamos esta prática porque estes candidatos, chegando ao Congresso ou ao executivo, ficam devendo favores a estes empresários. E o trabalho escravo desrespeita leis básicas, já aprovadas no Brasil, como a Constituição Cidadã, de 1988, que garantiu direitos para todos, no campo e na cidade, a Consolidação das Leis de Trabalho, de 1943, que regulamentou todas as relações de trabalho, e também podemos resgatar a própria Lei Áurea, do século XIX. Ou seja, atropela todos os marcos regulatórios históricos, fundamentais, e causa danos irreparáveis ao ser humano. Precisamos avançar", diz o dirigente.

Segundo a Repórter Brasil, o levantamento foi feito a partir do Ruralômetro, ferramenta desenvolvida pela ONG, e considerou os doadores divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral até o dia 1º de outubro. A relação foi cruzada com  todas as “listas sujas” do trabalho escravo, cadastro divulgado pelo Ministério do Trabalho desde 2003 com a relação das empresas e pessoas que foram flagradas cometendo o crime.

Confira quem são os políticos que receberam doações de autuados por trabalho escravo aqui

Entre os doadores autuados estão Rubens Ometto Silveira Mello, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Cosan, da área de agronegócios, que fez doações a Ronaldo Caiado, entre outros, e foi o maior doador individual desta campanha. Rubens Menin, fundador e presidente do conselho da empresa, a construtura MRV Engenharia, também fez generosas doações. O levantamento lista diversos outros empresários autuados que doaram para campanhas políticas. 

O chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo, Maurício Krespsky Fagundes, destaca que antes de entrar na lista suja os empregadores têm direito de se defenderem em duas instâncias administrativas no Ministério do Trabalho. “É oferecido amplo direito de contraditório e defesa do empregador”, destaca Fagundes.

Os empregadores envolvidos permanecem por dois anos na relação. Caso façam um acordo com o governo, o nome fica em uma “lista de observação” e pode sair depois de um ano, se os compromissos foram cumpridos.

Quatro elementos definem a escravidão contemporânea no Brasil hoje. O trabalho forçado, que cerceia o direito de ir e vir, é apenas um deles. Há ainda a condição degradante, a jornada exaustiva e a servidão por dívida, quando a pessoa precisa continuar trabalhando para pagar dívidas com o patrão.

ong-reporter-brasil.png

Portal CTB com Repórter Brasil 

0
0
0
s2sdefault