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Entrevistado pelo El País Brasil, Ha-Joon Chang, economista sul-coreano e professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, disse que a desindustrialização pela qual o Brasil está passando é a pior da história e terá efeitos cruciais no futuro do país.

“As pessoas têm que entender como é séria a redução da indústria de transformação no Brasil. Nos anos 80 e 90, no ponto mais alto da industrialização, esse setor representou 35% da produção nacional. Hoje não é nem 12% e está caindo. O Brasil está experimentando uma das maiores desindustrializações da história, em um período muito curto. O país tem que se preocupar”, afirma Chang.

Ele explica ainda que os países ricos, que defendem o livre comércio, “se tornaram ricos usando o protecionismo e as empresas estatais”. Depois que enriqueceram é passaram a defender o “livre comércio”, principalmente em relação aos Estados emergentes.

Por isso, Chang critica a receita de austeridade como forma de solucionar a crise do capital, que teve início em 2008. “A receita de austeridade usada na Grécia é a mesma tentada na América Latina, na África e em alguns países da Ásia nas décadas de 1980 e 1990, e que criou desastrosos resultados econômicos”.

“A política de austeridade beneficia o setor financeiro em detrimento do produtivo e isso leva a estagnação e recessão, como estamos vendo no Brasil, numa velocidade inimaginável”, afirma Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB.

Para ela, o golpe de Estado que depôs a presidenta Dilma Rousseff em 2016 veio exatamente para aplicar “essa política ultraliberal para resolver o problema dos países ricos usurpando os países em crescimento como o Brasil”.

Chang diz que “os governos de economias emergentes têm que proteger suas indústrias até que elas cresçam e possam competir com as indústrias de países ricos”. Pereira acrescenta que o governo brasileiro faz “justamente o contrário disso, cortando investimentos nas áreas sociais e desprotegendo nossa economia, entregando o patrimônio nacional a preço de banana”.

Dessa forma, “o que esperar do futuro se essa política persistir?”, questiona Pereira. O professor de economia avisa que “se você corta os gastos, seu endividamento pode ficar um pouco menor, mas a renda precisa crescer”. E como “fazer crescer se estamos dando de bandeja as nossas riquezas, como o pré-sal, terras e estatais importantes”, denuncia a sindicalista.

Para o economista, “um jeito melhor de reduzir o déficit é fazer a economia crescer mais rápido”. Mas, reforça Chang, essa política de concentração e cortes de gastos “vem sendo usada várias vezes, como no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, e nunca funcionou”.

Mas, “as políticas macroeconômicas têm sido muito ruins para o setor industrial, especialmente a alta taxa de juros, uma das maiores do mundo”, afirma. Dessa maneira, conclui Ivânia Pereira, “temos que lutar para a retomada do crescimento com distribuição de renda como o país experimentou nos governos Lula e Dilma, mas isso só se consegue com um Estado forte a serviço dos interesses nacionais e da classe trabalhadora. A eleição deste ano pode ser essa reviravolta”.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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