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Dom, Abr

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O ex-presidente Michel Temer foi preso em São Paulo na manhã desta quinta-feira (21) pela força-tarefa da Lava Jato do Rio de Janeiro. Os agentes também prenderam o ex-ministro Moreira Franco no Rio e o coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer.

A pergunta que todos fazem é: a quem interessa a prisão de Temer neste momento?

Em entrevista ao Brasil de Fato, o advogado Patrick Mariano, que acompanha de perto a Lava Jato, levanta dúvidas sobre a operação determinada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

“Uma prisão cautelar para quê? A quem atende essa prisão nesse momento?” São os questionamentos feitos por Mariano, que é membro da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap) e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB).

“Não há dúvidas de que havia sim indícios bem fortes do envolvimento do ex-presidente com atividades ilícitas e isso não é de hoje, é de alguns anos. Então, porque isso agora? Justamente agora que a Lava Jato está sendo muito questionada pelo Supremo e pelos meios de comunicação”.

Outra questão levantada por ele é sobre as formas de atuação do juiz Marcelo Bretas, um juiz conhecido por decisões ilegais.

Estranheza

“Então eu acho que causa um pouco de estranheza o momento dessa prisão, a forma dessa prisão. É preciso ver os autos para saber se há uma necessidade premente de uma prisão cautelar, se ele já foi ouvido. Enfim, são todas questões que a gente vai ficar sabendo ao longo do dia para poder analisar a legalidade ou não dessa prisão. De fato, eu acho que em um primeiro momento, soa estranho essa prisão agora, depois de tanto tempo”, argumentou.

Apesar da gravidade das denúncias, o advogado diz que é preciso apurar o mérito da acusação. “Então você tem lá uma acusação de corrupção e isso é grave. Outra coisa é a prisão preventiva. A prisão preventiva precisa estar ligada a algum ato que o acusado tenha cometido no sentido de esconder provas, de ludibriar a Justiça, por exemplo, uma tentativa de fuga. Isso é o que eu digo que não está muito claro”, diz.

Na opinião dele, os levantados contra o Michel Temer eram muito graves, mas é necessário observar a postura do juiz que notoriamente possui uma forma de atuação muito questionável, buscando protagonismo justamente nesse momento político do país.

Ilegalidades

Sobre a possibilidade do ex-presidente assumir um trabalho fora do país, como chegou a ser divulgado, Mariano diz que quem responde a um inquérito não está impedido de sair do país. “Uma coisa é um acusado que responde a um processo e que pega um voo para um lugar qualquer, é procurado para prestar declarações e ninguém sabe, o cara aparece em outro país sem avisar a Justiça. Então são circunstâncias que depende muito do caso concreto”, diz.

Ele acredita que um ex-presidente da República dificilmente sairia corrido do país como um bandido. “O fato de estudar ou trabalhar fora, por si, não representa um risco. E também o fato de morar em outro país não significa que a pessoa não vá responder ao processo. Então depende muito do caso concreto. A gente tem que ter um pouco de serenidade, porque muitas vezes, ilegalidades que foram praticadas contra integrantes de partidos de esquerda podem se repetir”, alertou.

“O que temos que prestar a atenção é no método de atuação. Se o método atende ao que diz a lei, tudo bem. O que não dá pra aceitar é algo que não seja concreto. O fato dele cogitar morar fora, a princípio não é motivo para prisão preventiva. Claro que, isso desacompanhado de outros fatos”, concluiu.

Outra curiosa coincidência é que as prisões ocorrem também num momento em que a campanha Lula Livre ganha novo fôlego, com forças de esquerda se mobilizando em todo o país pela libertação do ex-presidente, que sempre foi um preso político.

Tentatitiva de sair das cordas

Já o jornalista Kiko Nogueira, em artigo no DCM, foi direto ao ponto: o espetáculo nada mais é do que uma tentativa da Lava Jato sair das cordas depois que explodiu o escândalo da fundação privada criada pelos procuradores para surrupiar R$ 2,5 bilhões da Petrobras. Leia a seguir:

​“A prisão de Michel Temer pela Lava Jato do Rio é mais uma patacoada midiática para a operação e seus protagonistas saírem das cordas.

“Por que agora? Por que ele?

“Para alimentar o circo e tentar virar o jogo a favor da República de Curitiba.

“Moro foi humilhado publicamente por Rodrigo Maia. Transformou-se num anão no governo Bolsonaro.

“Maia afirmou que Moro copiou e colou projeto do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre combate ao crime organizado.

“Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro”, falou.

“Ele está confundindo as bolas. Ele não é presidente da República. Ele não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele”.

“A ´fundação´ da Lava Jato, uma aberração forrada de 2,5 bilhões da Petrobras, expôs as intenções da turma.

“O caso de Temer, que está com o juiz Marcelo Bretas, trata das denúncias do delator José Antunes Sobrinho, dono da Engevix.

“O empresário disse à PF que pagou R$ 1 milhão em propina a pedido do velho coronel João Baptista Lima Filho, do ex-ministro Moreira Franco e com de Michel.

“Moreira também foi em cana.

“Barbaridade”, disse Temer ao ser levado ao Aeroporto de Congonhas, de onde embarcou para o Rio de Janeiro.

“Bretas deu uma força aos amigos.

“Na miúda desde a posse de Bolsonaro, Temer tem cinco inquéritos no STF, abertos à época em que ele era presidente.

“Foram encaminhados à primeira instância depois que ele deixou o cargo.

“A Globo News vai passar a manhã falando do caso.

“Logo mais o próprio Moro aparece dando entrevistas, glorioso como o deus-Sol.

“Dallagnol voltará a brilhar. Palestras surgirão em seu caminho.

“Temer rouba há 740 anos, mas milhares de otários vão achar que acabou a era da impunidade no Brasil etc etc.

“Você e eu sabemos quem é Michel Temer. Mas não se trata disso.

“Amanhã ele estará solto.

“E depois de amanhã será a vez de Dilma ser levada pela Polícia Federal.”

Até mesmo o jornalista global Merval Pereira comentou que a prisão de Temer é “uma demonstração de força da Lava-Jato, depois da derrota que sofreu no STF.  É o modus operandi deles, dar o troco para deixar a sensação de que não são passíveis de controle. Cada vez que sofrem uma derrota, dão o troco alto.” Estilo autoritário e arrogante que hoje constrange inclusive os ministros da Corte Suprema, cuja tibieza conduziu à cumplicidade com o golpe de 2016 e ajudou a chocar o Ovo da Serpente.

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