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Qua, Jul

O presidente da Câmara dos Deputados condenou a conduta intolerante e sectária da dupla Guedes/Bolsonaro

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As demissões do presidente do BNDES, Joaquim Levy, e do economista Marcos Barbosa Pinto, da diretoria de Mercado de Capitais do banco, ultimadas no fim de semana, abriram um novo foco de crise do governo Bolsonaro com o presidente da Câmara dos Deputados. Rodrigo Maia não gostou da conduta do presidente, que considerou uma “covardia sem precedentes”.

O episódio é um episódio de intolerância e sectarismo ideológico próprio do governo. No sábado (15), durante uma entrevista, Jair Bolsonaro revelou que Joaquim Levy estava “com a cabeça a prêmio” porque se negava a demitir Barbosa Pinto, que em sua opinião era um  “infiltrado do PT” na instituição.

"Está errado"

Atropelado pelos fatos, o ministro Paulo Guedes deu razão ao patrão, alegando que “entende” a angústia do líder da extrema direita, uma figura obcecada pelo anticomunismo e o antipetismo. Guedes também não foi poupado pelo presidente da Câmara, que saiu em defesa de Joaquim Levy e Marcos Barbosa Pinto, contestando a versão fantasiosa de que estariam a serviço do PT.

“Guedes errou, mas já está decidido. Queria que Marcos Pinto pudesse ser aproveitado em uma área no debate importante sobre economia com viés social. Ele é um dos melhores do Brasil que entende dessa área. É uma pena que foi feito dessa forma. Demitir faz parte da vida, é um direito do governo, mas da forma como foi feito, criar suspeição sobre Marcos Pinto, que trabalhava com Armínio [Fraga, ex-presidente do BC] até tempos atrás”, desabafou Rodrigo Maia.

Em relação ao agora ex-presidente do BNDES, ele lembrou que “Joaquim Levy veio de Washington para trabalhar no governo. Está errado, não pode tratar as pessoas desse jeito. Quer demitir, chama e demite. Ninguém é obrigado a ficar com nenhum servidor de confiança. Agora, tratar quadros da qualidade dos dois dessa forma, eu achei muito ruim.”

Nova Previdência já era?

O presidente da Câmara voltou a criticar a atuação do ministro da Economia no Congresso, na articulação da reforma da Previdência. Guedes não conseguiu disfarçar a frustração com o parecer do relator da Comissão Especial, Samuel Moreira (PSDB/SP), sobre a PEC 06/2019, que praticamente enterrou o seu projeto de Nova Previdência ao excluir o regime de capitalização, que era sua principal promessa ao mercado financeiro.

Embora crueldades inaceitáveis tenham sobrevivido na nova proposta de reforma elaborada pelo relator, a rejeição da capitalização, por sugestão dos líderes da oposição, impôs uma séria derrota ao ministro da Economia e foi uma vitória das forças progressistas. A capitalização seria o caminho para a completa privatização do sistema previdenciário, sacrifica a classe trabalhadora e só interessa aos bancos, rentistas e empresários, que não teriam de contribuir com a “Nova Previdência” sonhada pela dupla Guedes/Bolsonaro, que felizmente está naufragando.

Umberto Martins

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