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Ter, Dez

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Desenvolve-se no Brasil mais uma manifestação política típica de seu contexto de crise, marcada por um Governo ilegítimo e, sem autoridade, impulsiona a instabilidade e a incerteza sobre os destino do país. Não reúne sequer a condição de mediar conflitos sociais.

A greve dos caminhoneiros é originária pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos – CNTA – que através de um ofício enviado ao Governo no dia 15 de maio, apresentou suas reivindicações e um prazo para o seu atendimento. Não sendo respondido, a paralisação foi deflagrada no último dia 21.

O foco das suas demandas é o congelamento do preço do óleo diesel, mas também benefícios fiscais para barateá-lo e o fim do pagamento dos pedágios sobre eixos suspensos. Constata-se que no desenvolvimento da paralisação, ampliou-se a pauta e as organizações patronais, principalmente as vinculadas as empresas transportadoras, participam e potencializam a greve – não descontando as faltas dos salários e nem a demissão dos grevistas.

Trata-se de uma manifestação setorial e heterogênea, vítima da política privatizante em curso. É uma justa reivindicação que tem sintonia com a da sociedade em geral, por isso ampliou-se e, mesmo com os efeitos gerados, tem apoio popular.

Na verdade o povo está pagando mais uma conta econômica do golpe, pois desde que o tucano Pedro Parente – aquele Ministro do apagão de FHC – assumiu a Presidência da Petrobras em 2016, colocou em execução um novo planejamento estratégico da Petrobras. Este tem como objetivo principal a privatização da estatal.

Dentro desse processo, um dos pilares é a venda das refinarias brasileiras, que hoje deliberadamente produzem apenas com 70% de suas capacidades, estimulando assim o aumento das importações de derivados. Para atrair e entregar esse mercado às empresas estrangeiras, a atual gestão da Petrobras, obedecendo as exigência delas, aplica uma política de preços dolarizada, ou seja, submetida as flutuações externas de mercado.

A heterogeneidade e os limites políticos das forças que compõem essa paralisação, impedem alguns, como também omissões de outros, de não denunciarem essas razões estruturantes que produzem a distorção no preço do diesel, mas também o da gasolina e o botijão de gás de cozinha.

Apesar desses limites, ao fim e ao cabo, esse movimento expõe a política entreguista e antipovo da gestão golpista, potencializando as condições de disputa dos projetos que defendem o papel estruturante e indutor do Estado nacional.

Dessa forma, solidarizo-me com o movimento setorial em curso e que, com a intermediação das centrais sindicais que já se dispuseram, os caminhoneiros e contratados não sejam tragados pelos interesses do andar de cima de seu setor.

A categoria petroleira, da qual pertenço, antes mesmo dessa greve, já aprovou em todo o país uma paralisação nacional que visa denunciar a privatização da Petrobras e a política de preços em curso. 

Divanilton Pereira é vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP)

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