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Sex, Mar

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Indicadores antecedentes revelados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE mostram crescimento tímido no 1.º trimestre. Estagnação é o produto final da restauração neoliberal imposta pelo golpe de 2016, que agora está sendo aprofundada pelo governo da extrema direita.

Depois de um ano fraco – o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em 2018, a mesma expansão do ano anterior – os primeiros indicadores de 2019 já mostram que a economia brasileira segue com um ritmo ainda lento neste primeiro trimestre.

A fraqueza atual da economia fica evidente pelos indicadores antecedentes já disponíveis da indústria e do comércio – aqueles que são utilizados para medir a "temperatura" da atividade. Por ora, esses números mostram apenas uma recuperação das perdas observadas no fim do ano passado ou um crescimento modesto; o que, na avaliação dos analistas, não indica uma atividade econômica em forte aceleração. Não se alcançou sequer as modestas taxas de crescimento do período anterior à recessão de 2015/2016, que subtraiu 7,4% do PIB e foi a maior da história.

Indicadores

O que revelam alguns indicadores antecedentes dessazonalizados, ou seja, sem os efeitos típicos de cada mês:

A confiança do consumidor medida pela FGV subiu 3,9% em janeiro, mas caiu 0,5% em fevereiro;

O fluxo de veículos leves e pesados nas estradas teve um desempenho tímido em janeiro e cresceu 1,2% e 1,8%, respectivamente, após ficar praticamente estável em dezembro;

A produção de papel ondulado (usado pela indústria em embalagens, e por isso um indicador relevante da atividade econômica) avançou 1,1% em janeiro e não compensou a queda de 1,8% em dezembro;

A venda de veículos teve alta de 2,9% em janeiro, recuperando pouco a queda de 2,7% de dezembro;

A produção de veículos cresceu 2,7% em janeiro, depois de recuar 5% em dezembro.

Os últimos números de 2018 já mostraram uma atividade lenta, sobretudo com a piora do setor industrial. Com essa herança lastimável, a maioria dos analistas passou a estimar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mais próximo de 2% neste ano, abaixo da estimativa inicial de alta de 3%. Como em 2017 e 2018 a tendência é de seguidas revisões para baixo das estimativas de expansão as atividades feitas no mercado.

"Houve uma frustração da atividade econômica no fim do ano passado. A indústria de transformação, que já vinha perdendo gás, sofreu com a crise da Argentina", afirma Silvia Matos, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

A Argentina - um dos principais parceiros comerciais do Brasil - enfrenta uma severa crise econômica, o que tem prejudicado a venda de produtos manufaturados brasileiros. No ano passado, o Brasil exportou US$ 14,951 bilhões para o país vizinho, abaixo dos US$ 17,618 bilhões apurados em 2017.

A atividade econômica do primeiro trimestre também deve ser prejudicada por uma menor contribuição do agronegócio. Com um clima ruim, a safra atual deve ser menor do que a de anos anteriores. No último levantamento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou que a safra 2018/19 de soja vai chegar a 115,34 milhões de toneladas, 3,3% inferior ao produzido no ciclo de 2017/18.

"Neste ano, dada essa redução, não vai haver o forte impulso do agronegócio no PIB do primeiro trimestre", afirma Artur Passos, economista do banco Itaú.

Base Fraca

Numa análise fria, as previsões para o PIB do primeiro trimestre até podem sugerir uma melhora da atividade na comparação com o quarto trimestre, quando o Brasil cresceu 0,1%. Para os três primeiros meses de 2019, bancos e consultorias estimam um avanço de até 0,8%, mas esse desempenho pode ser explicado mais pela fraca base de comparação do que por uma aceleração da economia.

"Estamos com uma previsão de 0,8% (de crescimento no primeiro trimestre). Dá impressão de que está tudo bem, mas é que o quarto trimestre foi bem ruim, por isso esse número mais forte", afirma o economista-chefe da consultorias MB Associados, Sergio Vale.

Neoliberalismo

Os ideólogos neoliberais prometiam que as reformas promovidas pelos golpistas lideradas por Michel Temer iam despertar a confiança dos investidores e promover a retomada do crescimento e sobretudo do emprego. Mas não foi isto que ocorreu. A mudança da legislação trabalhista piorou o quadro do mercado de trabalho, ampliando a precarização, e não trouxe novos empregos.

Já o novo regime fiscal, com congelamento dos gastos públicos primários por 20 anos, colocou lenha na fogueira da estagnação, deprimindo os investimentos públicos e inviabilizando uma retomada sustentável da produção. Mas o pensamento dominante, bombardeado diuturnamente pela mídia burguesa, sustenta que é preciso preservar neste caminho aberto pelos golpistas, de restauração neoliberal, alegando no momento que é indispensável realizar a reforma da Previdência, proposta sob medida para atender os interesses dos banqueiros e grandes capitalistas.

Com informações do G1

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