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Sex, Dez

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Bolsonaro ainda não tomou posse, mas já está provocando notórios prejuízos ao país com suas declarações e ameaças desastradas. Pelo menos 285 municípios de 19 estados brasileiros ficam sem nenhum médico na atenção básica após o encerramento da participação de Cuba no programa Mais Médico, segundo levantamento preliminar do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde. Rio Grande do Sul é o mais lesado, com 92 municípios desassistidos.

O governo de Cuba determinou o retorno dos médicos à Ilha em resposta às ameaças reiteradas por Jair Bolsonaro após a eleição. Cego pelo ódio ideológico ao comunismo, o capitão reformado questionou a qualidade dos profissionais cubanos (que são adorados pela população a que servem com desprendimento e espírito humanitário) e afirmou que iria alterar os termos do contrato do Mais Médico entre os dois países e a forma de remuneração dos médicos. Quem vai acabar pagando o pato é o povo, destacadamente nas regiões mais pobres.

A estimativa do conselho segue os seguintes critérios:

  • Considera municípios que têm apenas uma Equipe de Saúde da Família (ESF)
  • A equipe precisa ser participante do Mais Médicos
  • O médico dessa Equipe de Saúde era cubano

Cada Equipe de Saúde da Família conta com apenas um médico, mas também tem outros profissionais de saúde — como enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Os médicos vindos de Cuba atuavam nessas equipes. Elas podem ficar responsáveis por até 4 mil habitantes.

O número de 285 cidades ainda pode ser ampliado, de acordo com o Conasems. A estimativa não considera, por exemplo, se o município tem - eventualmente - algum médico em estabelecimento da rede privada ou mesmo se a cidade tem parceria com município vizinho para assistência mútua. O levantamento retrata especificamente o total de locais que só tinham uma ESF, sendo a equipe parte do Mais Médicos e com profissional cubano no grupo.

A atenção básica é a rede de atendimento que pode ser apontada como a porta de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS). Ela abrange prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos e manutenção da saúde; e o trabalho é realizado sobretudo em unidades básicas de saúde (UBS) e espaços equivalentes.

Depois do Rio Grande do Sul, os estados mais prejudicados são São Paulo, com 49 municípios sem médicos, Paraná, com 27, e Minas Gerais, com 24. O Conasems ainda não tem dados sobre o Amazonas, Amapá, Ceará, e Espírito Santo. O Distrito Federal não foi considerado no levantamento. Rio de Janeiro e Maranhão são os únicos estados, até agora, sem nenhum município nessa situação.

O programa Mais Médico foi criado no governo Dilma para amenizar a dramática escassez de profissionais da saúde, especialmente médicos, nas regiões mais pobres e carentes. Na condição de deputado, Jair Bolsonaro sempre criticou a iniciativa do governo petista e insinuou que os cubanos estavam interessados apenas em disseminar a ideologia comunista. Depois de eleito, disse que os médicos cubanos não têm qualificação, criticou o fato do governo administrar os recursos arrecadados através do Mais Médico e reiterou o propósito de mudar as regras do programa.

Portal CTB com agências

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