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Qui, Jun

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Ao contrário do que sustenta a propaganda oficial, “a Previdência pública impede a economia brasileira de afundar ainda mais”. É o que sustenta o economista e professor José Carlos de Assis em entrevista ao Portal CTB. Leia abaixo:

Portal CTB - O governo e a mídia hegemônica alardeiam que sem a reforma da Previdência o país quebra, a economia não se recupera e o desemprego não cai. Isto é verdade?

JCA - É absolutamente falso. Qualquer que tenha um mínimo de senso comum sabe que a Previdência pública impede a economia brasileira de afundar ainda mais. Ela garante ao menos uma base mínima de consumo, e o consumo estimula a produção e o emprego. Entretanto, se o  governo não tem uma política paralela de geração de emprego e de retomada da economia, ampliando investimentos públicos, a economia afunda e o desemprego aumenta, afetando a Previdência Social pelo lado da receita. Esta é que é a verdade.

Portal CTB - Quais as causas e qual a saída para a crise que abala o Brasil?

JCA - A causa da crise é o baixo consumo da população. E o consumo é baixo por causa do alto desemprego provocado pela recessão. Isso é um círculo vicioso. Quando o governo deixa de cumprir seu dever de atacar o desemprego de frente, tudo o mais desanda na economia. Para retomar o crescimento, o governo tem que tomar dinheiro emprestado dos ricos, a juros baixos, e investir na ampliação dos gastos e serviços públicos. Os investimentos geram empregos públicos e privados, os empregos geram mais consumo, a receita pública aumenta e desaparece consequentemente a necessidade de tomar dinheiro emprestado (déficit).

Portal CTB - Quem ganha e quem perde com a reforma proposta por Bolsonaro e Paulo Guedes?

JCA - Ganham os ricos, perdem os pobres. Os ricos terão bilhões de reais a sua disposição no regime de capitalização. Os pobres que quiserem ter aposentadoria terão de bancar sozinhos o novo regime. No sistema atual da Previdência, além da contribuição própria do trabalhador, o patrão e o governo também são obrigados a contribuir. No regime de capitalização, o sujeito terá de contribuir 40 anos, sozinho, para se aposentar. E na hora de se aposentar não terá garantia de quanto receberá, ou mesmo se  receberá algum valor. No esquema de Guedes, a capitalização está  direcionada para expulsar de campo a Previdência pública. É uma iniqüidade. E vê-se que se trata de uma reforma concebida exclusivamente pelo ódio de classe

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