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As nuvens andam carregadas na sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro. Poucos dias atrás, o ator José Mayer foi acusado de assédio sexual pela figurinista Su Tonani.

Na madrugada do domingo (9), com transmissão ao vivo para TV a cabo, Marcos Harter agrediu a sua namorada, no Big Brother Brasil, Emilly Araújo.

A reação foi imediata. Internautas exigiram providências. A delegada Viviane da Costa, da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), no Rio de Janeiro, visitou a casa e concluiu que houve a agressão. Inclusive Harter foi chamado a prestar esclarecimentos.

Após a intensa mobilização da sociedade a Globo expulsou Harter do reality show. Mas “esse tipo de acontecimento faz parte do programa”, diz Renata Mielli, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.

Para ela, “deveríamos estar questionando a existência desse tipo de programa na televisão. Porque o confinamento transmitido ao vivo estimula a exploração dos extremos. É dessa forma que batalham por audiência e as pessoas são expostas a todo tipo de situação degradante”.

Já a secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira afirma que de uma forma geral, a mídia insufla a violência de gênero ao colocar a mulher na maioria das vezes em papeis subalternos.

“A mídia vulgariza a violência como se fosse natural o homem ser violento e pior ainda como se a mulher gostasse de apanhar”, diz. “O corpo feminino é apresentado como se fosse mercadoria e a sexualidade da mulher só existe para dar prazer ao homem”.

Nesta quarta-feira (12), Harter escreveu em sua rede social que “o programa tem um formato destinado a levar o nosso emocional ao limite, e, consequentemente, os nervos à flor da pele". Ele repetiu outros algozes e pediu desculpas.

Já Jacira Melo, diretora do Instituto Patrícia Galvão, disse à CartaCapital que “a transmissão dessas cenas é um estímulo a essas atitudes, que são vistas como atitudes do homem. A mulher não obedece e o homem vai perdendo o controle e o limite”.

“O que ocorre”, realça Pereira, “é uma verdadeira banalização do sexo como se a violência fizesse parte da vida e assim devesse ser”. De acordo com ela, “o patriarcado se sente ameaçado pelo feminino e por isso ataca, inclusive, a comunidade LGBT”.

Já Mielli defende a necessidade de regulação da mídia para exigir “maior responsabilidade dos meios de comunicação, exercendo controle social sobre a produção de programas, que devem visar o bem-estar de todas e todos e promover o tratamento respeitoso das pessoas”.

O escritor Marcelo Rubens Paiva em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo se espanta com “o quanto este tipo de programa mobiliza, e a noção do real é deturpada”.

E assim caminha a emissora da família mais golpista do Brasil, os Marinho. Cada vez com mais baixarias para recuperar a audiência a qualquer preço.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy